Amor Selvagem!
12 Capítulo 12 JOGOS VORAZES...
Notas iniciais
"Excitação que consome, olhar fugaz que dilacera...
Teu toque me cega, tua boca me devora,
Diz-me, então, que jogo é esse?"
Pandora seguia na luxuosa carruagem aberta, forrada de cetim negro, mais um dos presentes que Hades lhe dera. Ainda era cedo, mas isso não importava, apenas aumentava suas expectativas. Ansiosa, pensava se estava agindo bem ao visitar Hades em sua mansão. Faria uma surpresa, já que ele estivera viajando por uma semana e ela sentira muito a sua falta. Nesse ínterim, não havia tido contato com Valery ou Minos e questionava-se sobre isso. Na verdade, tudo o que fazia e aceitava era por Hades e, quando estava só, muitas dúvidas lhe viam à mente e ao coração. Talvez depois que se tornasse esposa do conde se sentisse mais segura.
A mansão de Hades surgiu a sua frente como um daqueles castelos de contos de fada. Um imponente jardim, permeado por flores exóticas e árvores centenárias abria caminho até a entrada. A fachada imponente em granito escuro e as janelas longas e altas, cujos vitrais se destacavam pela complexidade e beleza, faziam o lugar parecer quase um santuário.
O mordomo abriu a porta e tratou-a com reverência e formalidade.
— Minha senhora. – disse ele fazendo uma mesura.
— Evan. Gostaria de ver o conde, por favor. – falou Pandora olhando para o ambiente sofisticado, repleto de móveis escuros e obras de arte.
— O conde ainda está descansando, milady. Irei avisá-lo que se encontra aqui. Gostaria de um chá, enquanto espera?
— Não é necessário, sou íntima o suficiente para acordá-lo eu mesma. – disse Pandora com ar de dona da casa.
O mordomo empertigou-se e piscou, de forma discreta.
— Como desejar, milady. – disse, apenas e retirou-se.
Excitada, Pandora subiu as escadas de mármore e dirigiu-se aos aposentos do conde. Ao penetrar no quarto, viu Hades dormindo de lado, voltado para a lareira. O brilho dourado das labaredas iluminava suas feições másculas e belas. Havia olheiras leves sob os olhos e a barba por fazer sombreava-lhe as faces.
Ficou ali parada por um tempo, sem saber se o acordava ou não. Ele parecia cansado e talvez fosse melhor esperar que acordasse por si. Com um suspiro, voltou-se para deixar o quarto quando se deparou com um livro fino junto à cabeceira. Tomou o pequeno volume nas mãos e constatou serem, apenas, desenhos. Suas faces ficaram vermelhas diante das figuras ali expostas.
— Meu... Deus! – sussurrou ela, enquanto folheava as páginas e se via retratada em todas elas.
Em uma página, via-se em pose de completo abandono sobre um divã. Não estava nua, porém aparecia vestida com roupas exóticas e feitas de couro negro. Seus seios surgiam desnudos, os bicos eretos e a saia curta do vestido mostravam suas coxas semiabertas. A pena do hábil artista mostrava também cada detalhe de suas feições, os olhos semicerrados e a boca entreaberta como se estivesse... gemendo. Seus cabelos negros completavam o quadro e estavam soltos como Hades gostava. De joelhos, estava Minos beijando-a na intimidade, enquanto Hades se preparava para penetrá-lo por trás, sua virilidade desenhada de maneira muito explícita...
Pandora apertou a boca para sufocar um riso nervoso e voltou-se a fim de ver se o conde não despertara. Mas, para seu alívio, Hades respirava de modo compassado. Tornou a se concentrar no livro e viu que no canto inferior da página havia outra pessoa vendada e amarrada exibindo marcas de chicote no corpo. Era um homem e se encontrava de joelhos com o rosto bem perto do falo de Hades, enquanto era, agora, penetrado por Minos.
— Gostou do que viu?
A pergunta inesperada fez pandora deixar cair o livro no chão e voltar-se com um gesto brusco a fim de ficar frente a frente com Hades que se reclinava na cama, apoiando o queixo na mão. Os cabelos longos do conde permaneciam alinhados, como se ele nem tivesse dormido e seus olhos mostravam um brilho que misturava perigo e divertimento.
— Traga o livro até aqui. – ordenou.
— Meu amor, eu... Eu quis fazer uma surpresa e acabei encontrando isso e...
— Sim, já notei que invadiu meus aposentos. Pegue o livro e venha até aqui.
Pandora obedeceu. Não sabia o porquê, mas sentia-se tola e como uma condenada dirigindo-se ao cadafalso.
— Porque a hesitação? – devolveu Hades.
— Temo tê-lo decepcionado... Não sei o que dizer. – disse ela.
Hades sorriu e estendeu-lhe a mão.
— Agrada-me que conserve a ingenuidade, mesmo sendo fogosa na cama... Esses desenhos foram feitos por Minos. Como já deve ter notado, ele possui muitas obras de arte em sua mansão, das quais é o autor.
— M-Minos? Então ele é... é o artista do qual você se tornou o mecenas?— perguntou Pandora sentando-se na beirada da cama.
— Sim, descobri o talento de Minos há muito tempo atrás. Creio que foi o estopim de nosso envolvimento. Ele é um jovem brilhante, talentoso e tem feito muito sucesso em galerias fora de Londres.
— Mas... esses desenhos aqui, ele não os expõe, não é?
Hades riu.
— Não, esses são privados e exclusivos para mim. Veja este detalhe. – disse o conde folheando rapidamente aquelas páginas mostrando as mesmas figuras, agora formando quadros em movimento.
Sob o olhar surpreso de Pandora, a alternância rápida das figuras a fez ver as cenas de sexo parecendo ter vida própria e as relações sexuais aconteciam como se as estivesse presenciando.
Um pesado silêncio se estabeleceu no quarto e, por fim, Pandora murmurou:
— Minos é... realmente, talentoso. Nunca pensei...
Hades percebeu que ela estava surpresa e chocada e isso o excitou. Apoiando-se no cotovelo, deslizou os dedos pelo corpo vestido e tomou os seios pequenos entre as mãos. Pandora gemeu quando ele tocou os mamilos que, mesmo sob o tecido, estavam túrgidos. Com a ponta da língua, provocou-a de forma excitante e depois tomou-lhe a boca de forma ardente e profunda. Quando ela abandonou-se, por completo àquelas carícias, uma voz interrompeu o idílio.
— Ora, ora...vejo que tivemos a mesma ideia... – disse Minos surgindo no aposento com um sorriso malicioso nos lábios.
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Quando Camus foi sentar-se em sua poltrona favorita de leitura para organizar a agenda do dia, a senhora gata estava enrodilhada bem no centro dela e bem à vontade. Ela abriu os olhos, emitiu um miado baixo e tornou a fechá-los, mesmo quando o duque fechou o semblante e ordenou que saísse.
Miau! (Vá sentar em outro lugar, esse aqui tá quentinho, tem sol e eu cheguei primeiro).
Antes que insistisse, um barulho na saleta ao lado chamou a atenção de Camus, seguido de um palavrão dito em voz baixa. A gata elevou a cabeça e logo surgiu Milo esfregando a coxa dolorida, após uma batida na quina da mesa.
— Olá, Camus! Olá, senhora gata... – disse Milo com o cenho franzido, e o animal saltou da poltrona, indo roçar-se em suas pernas.
O duque não pode evitar notar o quanto aquela gata era uma verdadeira bajuladora quando se tratava de Milo. Bastava ele aparecer e ela se derretia, abandonando a couraça selvagem que ostentava a maior parte do tempo. Olhando os dois, deixou escapar um discreto sorriso.
— Caiu em alguma armadilha?— perguntou Camus.
Milo acariciou a cabeça da gata e elevou a sua, sorrindo.
— Confesso que sou meio estabanado, mas tem muitos móveis aqui. Estou acostumado com mais espaços vazios, não tenho tantos móveis em minha casa. – disse o jovem.
O duque balançou a cabeça, sorriu e aproximou-se do amante. Milo tomou a iniciativa e Camus sentiu os lábios quentes cobrir os seus em um beijo espontâneo. De maneira instintiva, sua boca se abriu e a língua de Milo tocou a sua, tão ardente, como sempre acontecia. Tentou controlar-se para não ser tomado pelo desejo, embora uma fisgada no baixo ventre sinalizasse que sua tentativa estava sendo em vão. Com esforço, afastou seus lábios dos de Milo.
— Comporte-se, temos trabalho a fazer. Amanhã é o baile e quero saber se sabe dançar? – disse o duque.
— Mais ou menos. Sei dançar quadrilha. Serve?
— Já é um começo. Pedi a uma de minhas ex-alunas que viesse aqui, esta tarde, para ajudá-lo. Com isso, terá tempo para ensaiar e preparar-se.
— Ex-aluna? – perguntou Milo e a senhora gata virou a cabeça, olhando para Camus com a mesma expressão surpresa do seu preferido.
— Sim, a senhorita Saori foi excelente em seu aproveitamento nas aulas de etiqueta e economia doméstica. Está para casar-se com um jovem barão e seu avô permitiu que ela me auxiliasse.
Milo sorriu de modo travesso e inclinou-se para voltar a beijar Camus. Suas bocas tornaram a se unir, as línguas se tocaram, novamente e, o loiro mordiscou o lábio inferior do duque, murmurando:
— Porque você mesmo não me ensina?
— Vai dançar com as jovens e precisa acostumar-se com uma. – devolveu o duque.
Franzindo o cenho, Milo se afastou um pouco. Depois tornou a fitar Camus e a gata que os olhava, curiosa.
— Por mim eu nem iria a este baile. Sabemos que não vou me casar com uma mulher e que, talvez Dohko, quando souber disso, não me torne mais seu herdeiro.
— São muitas questões a serem discutidas, mas sua apresentação já tinha sido acertada e se não a fizermos, aí sim começarão os mexericos e especulações. Vamos agir por partes.
— Sabe o que eu mais admiro em você? É essa sua capacidade de pensar em tudo e...
— E?
— O seu dom de me deixar assim o tempo todo...
Milo aproximou-se do duque colando seu corpo ao dele, mostrando que estava excitado e olhando-o com aqueles olhos ardentes e profundos. Sua beleza pairava num limiar entre a inocência e a perdição. A boca carnuda prometia e sabia dar prazer, o queixo teimoso despertava o desejo de dominá-lo... Camus sentiu a respiração se alterar e seu corpo reagiu muito antes da tentativa de controle.
— Milo...
— O que foi...? – perguntou o jovem mordiscando e lambendo os lábios do duque.
— Temos... trabalho a fazer... – respondeu Camus sentindo sua ereção pulsar e doer, apenas com aquela carícia.
— Sim, nós temos... – devolveu Milo, agora devorando a boca de Camus, fazendo-o render-se àquela voracidade entre eles que não parecia ter fim.
Quando as bocas se afastaram um pouco para retomar o ar, o duque olhou dentro dos olhos brilhantes de Milo e viu, além do tesão, um sentimento que também era seu, uma paixão tão intensa, quanto delicada. Sorrindo, o duque roçou o nariz no de Milo e foi a sua vez de mordiscar o lábio cheio e, ainda brilhante da saliva que haviam trocado.
— Vem... – disse Camus pegando-o pela mão. — Vamos para o quarto.
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Shion ocupou a poltrona em frente à cama de Dohko, o homem que sempre amara. Ele o beijara e aquele simples ato, não despertara, apenas o desejo, revivera o amor juvenil com toda a força dos velhos tempos.
Havia conseguido sublimar o desejo e fazer, da medicina, sua única amante. Entretanto, ao rever Dohko, seu corpo e seu coração voltaram a pulsar com força e ele sentia a vida voltar a ter cor e sentido. No entanto, Dohko estava doente e aquele esforço havia consumido parte da energia que havia conseguido com a alimentação controlada e os elixires que manipulara.
O conde levou a mão aos cabelos revoltos entremeados de alguns fios grisalhos e suspirou.
— Patético, não é? Um beijo e fico nesse estado deplorável...
O médico sorriu. Estava sentado com as costas eretas, os dedos cruzados e batia um polegar no outro, tentando conter a alegria e a excitação por ver que, mesmo ainda um pouco fraco, o conde estava retornando à personalidade ativa e passional que o caracterizava.
— Concordo. Esperava mais de você. – respondeu provocativo.
Dohko franziu o cenho e depois riu.
— Dê-me tempo... Já não tenho 17 anos e estou enferrujado. Faz muito tempo que eu não... Não exerço as atividades ligadas ao amor.
— Posso perguntar algo delicado e pessoal?- inquiriu Shion.
Arqueando as sobrancelhas e olhando as chamas da lareira, Dohko fitou os olhos interrogativos de Shion. Havia duas semanas que sua vida mergulhara em uma sucessão de eventos, onde sua saúde fora melhorando com a alimentação controlada e os elixires que o médico manipulava. No entanto, era o que sentia por Shion que impulsionava o seu restabelecimento, mesmo que tudo parecesse permanecer como antes.
— O que quer saber?
— Sua esposa... Milo... Essa situação toda em que você se encontra. Como vai resolver tudo isso?
— Pandora assumiu sua relação com o amante. Soube que é um conde, também, e, embora pareça contraditório, desejo que ela seja feliz. Quando aceitei me casar com ela, condenei a nós dois a uma rede de mentiras e desilusões. Ela até tentou lutar por nosso casamento, mas não havia chances de dar certo, nunca. Então, desde que fiquei doente, resolvi libertá-la e a mim. Ao achar que ia morrer, resolvi romper com essas convenções absurdas, mesmo parecendo fraco e traído, perante a sociedade. Já Milo... Milo é a parte boa de tudo isso, eu amo aquele rapaz como se fosse meu filho. Quero deixá-lo amparado e já tomei as providências para que seja feito. Quanto a mim... Eu já tinha desistido de tudo, mas agora desejo viver e desejo amar. Eu amo você, Shion. Prometo esforçar-me para ser um amante mais ativo, se tiver paciência.
Shion remexeu-se na poltrona, inquieto. Havia esquecido como Dohko era sempre direto e aqueles olhos penetrantes jamais desviavam dos seus e o encaravam sem rodeios.
— Eu também o amo, mas sou médico e dedico minha vida para ajudar os outros. Eu não poderia, simplesmente, abandonar tudo e...
— Não quero que abandone nada. Só permita que eu esteja ao seu lado.
O médico levantou-se da poltrona e foi deitar-se ao lado de Dohko. Aproximou-se do rosto belo e ainda cansado do conde até roçar seus lábios e beijá-lo de leve. Permaneceram com os olhos fechados, perdidos na carícia suave que, aos poucos foi se intensificando.
A voz de Dohko soou rouca e profunda e Shion tocou-o com paixão.
— Deus, Shion... Mesmo que eu estivesse morto, eu me ergueria da morte só para tê-lo em meus braços e amá-lo como merece.
Os sentidos de Shion foram tomados por uma onda de sensualidade e alegria. Dohko fechou os olhos e acariciou os cabelos longos do médico, soltando-os e sentindo a textura em seus dedos trêmulos.
O médico deixou-se possuir pelo desejo e tomou-lhe a boca num beijo profundo, enquanto as mãos desciam para adentrar a roupa e acariciar o sexo quente do conde que já pulsava. Dohko deixou escapar uma exclamação surpresa com o toque ousado e seu corpo ardeu...
— Shion... Eu... – murmurou ofegante.
Os olhos violáceos encararam o rosto rubro de ardor de Dohko focando seus olhos que tinham uma mistura de súplica, desejo e medo.
— Esperei uma vida inteira por isso... Deixe-me dar o prazer que seu corpo merece... Apenas, sinta. – sussurrou, começando um leve movimento de vai e vem na ereção de Dohko, fazendo-o ofegar e fechar os olhos, deliciado com aquela sensação.
Dohko mordia os lábios para não gemer mais alto sob a mão habilidosa de Shion, que alternava movimentos suaves e outros mais intensos, até chegar a um ritmo constante e forte. O conde tentava conter os gemidos, enquanto se contorcia de prazer.
— Shion... – gemeu, sentindo o corpo vibrar, enquanto o médico continuava masturbando-o, beijando-o e lambendo o seu pescoço.
— Quero sentir o seu prazer, meu amor... Goze... – sussurrava-lhe ao ouvido.
O conde jogou a cabeça para o lado, sentindo a onda de prazer que o invadia progressivamente, tirando qualquer raciocínio, qualquer razão. Seu corpo foi arrebatado pelo êxtase e seu prazer jorrou na mão do médico que buscou sua boca no instante exato do orgasmo e o beijou até que o corpo parasse de estremecer...
Depois dos gemidos, o silêncio. Apenas a respiração descompassada de Dohko era ouvida no quarto eclipsado. Shion fitou com carinho o rosto corado que permanecia com os olhos fechados.
— Não é justo... somente eu ter prazer. – murmurou o conde.
— E quem disse que só você sentiu prazer? Eu te amo, Dohko... E o seu prazer é o meu também. – respondeu Shion cobrindo os lábios do conde com os seus.
Dohko sorriu aliviado com a resposta. Shion ergueu-se e foi ao banheiro onde lavou as mãos e trouxe uma toalha úmida, voltando em seguida a se deitar na cama, aconchegando o duque em seus braços depois de limpá-lo. O conde relaxou e disse baixinho: Eu te amo! Se existem mesmo outras vidas, ainda nelas vou amá-lo... sempre! Após a fala, aconchegou o rosto no peito de Shion, que sorriu, sentindo o coração disparar.
Os dois fecharam os olhos e ficaram abraçados, até Dohko cair em sono profundo e Shion deixar o quarto.
Marin percebia que o conde melhorava a olhos vistos e também que havia algo entre ele e o belo médico. Embora fosse discreto, Shion possuía um olhar intenso e, muitas vezes, ela percebera o modo como ele fitava Dohko.
Passou pelos aposentos do conde e viu que Spot dormia placidamente em frente à porta fechada. Neve, que sempre estava junto do amigo canino, se entretia com uma mariposa que adentrara a casa. A jovem sorriu, timidamente, ao pensar que o conde e o médico eram amantes. Isso explicaria a razão de tanta liberdade concedida à Pandora.
O que diria Milo quando soubesse que o conde tinha outras preferências amorosas? Pensou ela, enquanto retornava para a sua rotina de cuidar dos assuntos da casa e guardava o sonho secreto de um dia ganhar o mundo e quem sabe, estudar na civilizada Londres como a heroína do seu romance preferido...
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Saori sorria, gentilmente, cada vez que Milo pisava em seus pés delicados, enquanto a gata os observava, com atenção, sentada ao lado da poltrona que, agora, era ocupada pelo duque.
— É o cavalheiro quem conduz, Milo, mas para isso é preciso relaxar. – observou Camus.
O jovem olhava para o duque e, em seguida para Saori. Já estava suando de nervoso por errar o passo inúmeras vezes, porém não via no semblante da moça nenhuma contrariedade.
— Peço desculpas pela falta de jeito, senhorita... – murmurou Milo.
— Não se preocupe, senhor Milo, logo, logo o senhor pega o jeito. – respondeu Saori sorrindo.
E, como se fosse um oráculo, a previsão da jovem se concretizou e logo Milo pegou o jeito e os dois deslizaram pela sala com graça e jovialidade.
A senhora gata continuava a observar o par e o movimento ondulante do vestido da jovem e do imenso laço que pendia da cintura fina e delicada. Seus olhos felinos se estreitaram e depois se abriram com prazer quando ela, finalmente calculou a distância com precisão e saltou, cravando as unhas no laço de fita, fazendo Saori arregalar os olhos e Camus levantar-se da poltrona.
— Senhora gata! – ralhou o duque.
Saori soltou gritinhos e começou a pular em círculos, enquanto Camus tentava pegar a gata e Milo tentava ajudar.
Camus estava sério quando pegou a gata pela parte posterior do pescoço e Milo tratou de tomá-la no colo, protegendo-a para que não se machucasse.
— Senhora gata, mas que feio... – disse o jovem colocando-a sobre o braço e acariciando o pelo do animal.
A gata embrenhou-se nos braços de Milo, escondendo a cabeça e Camus foi ter com Saori.
— Está tudo bem, Sua Graça foi apenas um susto. – disse ela sorrindo.
— Eu peço desculpas e agradeço a gentileza de ter vindo. Creio que conseguimos, apesar desse pequeno incidente. – falou Camus.
— Nos veremos amanhã, então. – disse ela se despedindo dos dois.
— Obrigado, senhorita Saori. E desculpe a senhora gata, ela apenas queria se divertir também, não é querida?— falou Milo olhando para a gata em seu colo e sorrindo para Saori.
A jovem despediu-se e Camus olhou para Milo e a gata amarela. Mesmo irritado com o comportamento do animal, não deixava de ser engraçado, a empatia existente entre aqueles dois. A comunicação de Milo com o animal era quase no mesmo nível que tinha com os humanos.
— Você a mima demais. Essa gata parece acreditar que é a dona da casa e nós somos seus mascotes de estimação. – disse Camus quando enfim, a gata saltou do colo de Milo.
O jovem sorriu e olhou bem dentro dos olhos do duque.
— Eu amo essa gata e acho que você tem razão, mas... sempre penso que foi ela quem me trouxe até você. E por isso, eu a amo mais ainda e ela pode fazer de mim o que quiser por ter me trazido a felicidade.
Camus sentiu-se tocado por aquelas palavras. Gostava disso em Milo, a forma como despertava em si o lado humano, o amor expresso no olhar intenso e forte, a capacidade que tinha em ser fogo puro e, ao mesmo tempo, conservar a ingenuidade juvenil...
— Sou um homem de sorte... – disse Camus tocando o rosto de Milo e inclinando a cabeça devagar até roçar os lábios dele com os seus.
O beijo, agora era doce e lento... Camus abraçou-o e logo sentiu algo se enfiando entre as suas pernas. Apartou o beijo e teve que rir ao ver que os filhotes da senhora gata corriam e fingiam caçar uns aos outros por entre as suas pernas e as de Milo. Em seguida, surgiu Jonas para anunciar que o duque tinha visita.
— O senhor Aldebaran já está aqui. – disse o mordomo.
O duque preparou-se para recebê-lo e acertar as contas. Milo sorriu ao ver o enorme homem adentrar a sala e tomar-se de amores pelo filhote menor, um gatinho preto com uma mancha branca no olho esquerdo que agora brincava com a barra da calça do alfaiate.
— Sempre gostei de gatos. – disse Aldebaran.
— Então seja bem-vindo à associação dos apreciadores de gatos!— disse Milo rindo e apertando a mão do alfaiate com força e entusiasmo.
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Era um tanto tarde e muitos já haviam deixado o lugar. A lamparina no vestíbulo não fornecia muita claridade, quando uma figura encapuzada e envolta em um amplo manto adentrou a estalagem pela porta dos fundos.
— Tem muito que aprender... sobre penetrar em uma residência sem ser descoberta. Ainda mais em Beheaded.
Ante a voz grave e máscula, June soltou um ofego baixo e riu, nervosamente.
— Venha até aqui. Merece ser castigada... – prosseguiu Máscara da Morte com sarcasmo.
As palavras ditas naquele tom pareceram aumentar sua excitação e June se aproximou, oferecendo-lhe a mão.
— Não me diga que vai me machucar... – falou a jovem com um tom malicioso.
—Não a esperava por aqui, hoje. – disse o moreno.
— E por que não?
— Amanhã será o grande baile e pensei que estaria descansando e se preparando para o grande evento.
— Estou cansada de tanto marasmo...
— É, deve cansar fingir ser amante de um duque e ainda receber por isso.
— Tenho as minhas necessidades... Afinal, dizem que quando uma mulher está satisfeita na cama, sua pele brilha e ela exala felicidade por todos os poros. Quero estar assim amanhã.
Máscara encostou-a na parede e sufocou-a com seus lábios.
— E adora satisfazê-las comigo, embora fale como um homem e não como uma dama. – murmurou, afastando-se.
— Minha vida é feita de acordos, meu caro... Sempre deixei claro que não desejo romance e sim prazer. Sempre nos demos bem na cama e tenho contribuído bastante para o sucesso dos jogos que tanto aprecia. Portanto, pouco importa a forma como eu falo, não é mesmo? – disse June tomando o rosto de Máscara da morte entre as mãos enluvadas e mordiscando seus lábios.
Máscara segurou-lhe os pulsos e afastou-a com um sorriso.
— Encontre-me no lugar de sempre, vou dar-lhe o que quer. – murmurou com voz rouca, apontando para uma porta no corredor.
Sem mais palavras, June sorriu e deu-lhe as costas, dirigindo-se para a porta indicada.
Afrodite logo apareceu e encarou Máscara bem dentro dos olhos.
— O que diriam se soubessem que o perigoso Máscara da morte se presta a ser um joguete nas mãos de uma mulher... – disse, secamente.
— Melhor ser um joguete e ter prazer que ser como certas pessoas que só sabem sonhar com um amor impossível. – respondeu Máscara, sem desviar os olhos azuis e frios dos de Afrodite.
O loiro estufou o peito e piscou, duas vezes. Suas feições delicadas adquiriram uma expressão severa e arrogante.
— Amigos não usam o que partilhamos em confiança contra nós!
— Amigos não se metem onde não são chamados!
— Vá para o inferno!
— Depois de você... belo!— respondeu o moreno dando-lhe as costas.
Afrodite saiu a passos largos. Estava furioso, porque na realidade o que compartilhara com seu melhor amigo fora um engano. Houve tempo em que pensava estar apaixonado por outra pessoa. Havia flertado com o belo e sedutor Kanon e o levara para a cama em um momento de fragilidade, onde ambos acabaram descobrindo que se usavam para encobrir os verdadeiros sentimentos. Kanon, porque amava o próprio irmão e a descoberta se tornara delicada e sofrida por toda a questão do incesto e o estigma que trazia. Ele, por negar que amava aquele homem rude e violento. No entanto, estava enganado e a verdade cruel tornou-se clara como um cristal, quando Máscara da Morte, envolveu-se com uma mulher... aquela mulher, especificamente!
Suspirando fundo para recuperar a calma, levou a mão até uma escultura que apreciava, a única ali que não era bizarra, nem sensual. Era, apenas, um gato de bronze com olhos de esmeralda e que parecia um deus guardião de segredos e mistérios como aqueles vistos nos livros que contavam sobre a história do Egito.
— É, meu amigo... só tenho você para me fazer companhia. Um brinde a isso! – falou o loiro servindo-se de uma dose generosa de conhaque.
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Valery jantava sozinha, em seus aposentos. Sabia que Minos estava com Hades e, consequentemente, com Pandora. A mansão estava silenciosa, pois não receberia ninguém aquela noite e aproveitaria para colocar as ideias em ordem. Nada do que planejara estava dando certo e sentia uma profunda indignação com isso.
A obra de arte a sua frente, cobria boa parte da parede e lembrava tempos passados, quando fora iniciada na tortuosa e sensual jornada erótica que Hades presidia na mansão. A pintura em óleo retratava um aposento que mais parecia um templo com as cortinas brancas e o chão de mármore. A cama emergia ao centro com uma colcha de veludo vermelho, parecendo um altar... A mulher que ali era retratada tinha os pulsos unidos com algemas de ouro e estava presa a uma coluna também de mármore. Às suas costas havia um homem usando uma máscara de animal com chifres...
A iniciação da sacerdotisa do prazer... No caso, eu! Pensou enquanto tomava a taça de cristal translúcido na mão. Serviu-se e bebeu um gole do vinho tinto, continuando a olhar para a pintura. Sentiu um calor entre as pernas, ao lembrar-se de toda a cerimônia e fechou os olhos, tentando reter a imagem e todas as sensações que ela descortinava. A verdade, que não ousava confessar nem para si mesma, era que amava Hades.
Minos era um jovem talentoso, mimado e obcecado por Hades. Gostava mais de ser o passivo do conde que outra coisa e não se importava com as mulheres que passavam pela cama do amante, porque sabia ser recíproca aquela simbiose erótica que os uniria até a morte. Já Hades era um homem maduro e detentor de uma luxúria sem precedentes... Viajado e culto, ele conhecia desde o Kama Sutra aos Contos sadomasoquistas do Marquês de Sade. Ele lhe dera o prazer mais intenso quando a possuíra e a dor mais profunda ao oferecer casamento à Pandora. Sentia o sangue ferver só de imaginar aquela jovem cega e tola desfrutando dos dotes eróticos do conde e, ao mesmo tempo, da atenção de Minos.
Ainda estava imersa em suas lembranças, quando bateram na porta.
— Mas que diabos! – exclamou irritada. – Não disse que não queria ser incomodada?
— P-Perdão, senhora... Mas é que... o cavalheiro insistiu e... e foi entrando. – disse a criada com o rosto ruborizado.
— Não desconte na criadagem, prima! Vim terminar a nossa conversinha e... não ouse tentar me enxotar! – falou Jamian adentrando o quarto sob o olhar fuzilante da viscondessa.
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A noite do grande baile, enfim chegou. Embora tivesse havido festas, óperas e outros eventos sociais, o Baile Sublime era considerado a abertura oficial da temporada e acontecia no Palácio de Westminster.
Moças e rapazes eram apresentados à sociedade e à Rainha e o evento também servia para alinhavar casamentos e apresentar novos nobres ao cenário londrino.
Ao lado de Camus e Aiolia, Milo conteve o fôlego ao contemplar o deslumbrante salão. Tudo ali reluzia sob os esplêndidos lustres de cristal, o mobiliário fino, as paredes repletas de afrescos e obras de arte. O dourado predominava na decoração, desde os frisos resplandecentes no mármore que revestia o salão, até o brocado das cortinas que adornavam as imensas portas-janelas. Junto a tudo isso, via-se o luxo com que cada dama exibia suas joias e vestidos de gala, assim como os cavalheiros mostravam sua elegância em trajes bem cortados.
A entrada situava-se num piso elevado, acarpetado de vermelho, de forma que todos podiam ver a chegada dos casais ou grupo de amigos. Foi assim que, sob inúmeros olhares atentos, Milo desceu os degraus causando sensação nas debutantes e mulheres mais velhas.
Com um sorriso contido e cumprimentos de cabeça, Camus sussurrava, discretamente, para Milo.
— Haverá uma primeira etapa de danças e, pelo frisson que causou terá muitas cartelas pra preencher. Prepare-se.
— Estou nervoso. Preferia fazer o parto de três éguas a ter que dançar com todas essas garotas. – disse Milo.
— Mantenha a calma, ainda teremos o jantar, falaremos com a Rainha e logo tudo terminará. – falou o duque.
Milo suspirou e olhou para Aiolia que sorria e distribuía cumprimentos simpáticos com a cabeça.
— Tirando uma ou duas debutantes graciosas, o restante parece estar com um laço na mão pronto para levar-nos à força para o altar. Tenha o cuidado de não repetir a dança mais de uma vez, com esse tipo, Milo ou o ruivo aí perderá a vez... – murmurou Aiolia com um brilho divertido nos olhos verdes.
Milo riu e Camus olhou feio para Aiolia.
— Nem adianta olhar-me com esses olhos glaciais, meu caro amigo... Eu sei quem você é e vi o que você fez...— completou Aiolia sorrindo.
O duque suspirou e Milo sufocou uma gargalhada. O jovem sentia-se bem com Aiolia e sua vivacidade divertida. Começava a relaxar na presença descontraída, enquanto Camus era assediado por quase todos no salão.
Para Milo, a noite passou-se num turbilhão de danças, com todas aquelas debutantes assediando-o e rindo quando as tirava para dançar. Algumas riam, o tempo todo e se insinuavam. Outras passavam o tempo todo vermelhas e ele não sabia se era vergonha de vergonha ou calor. Tinha uma vaga impressão de luzes, perfumes e luzes oscilantes de velas, além da crescente sensação de abafamento. Durante uma pausa que fez questão de se permitir, procurou por Camus ou Aiolia, porém não os viu naquele mar de penteados, joias e burburinho. Ainda não havia chegado grande parte dos convidados, sendo que Saga, Kanon e June estariam entre eles...
— Que bom encontrá-lo, senhor Milo! Tinha mesmo que falar com o senhor para desculpar-me pelo que aconteceu em minha casa. – a voz pastosa e um tanto anasalada despertou o jovem de seus pensamentos.
— Conde Jamian... – falou Milo franzindo o cenho.
Por um momento, Milo pensou em deixar aquele canalha falando sozinho, mas ao ver que Camus dançava com uma debutante de riso um tanto estridente, resolveu ficar por perto e depois arrastá-lo para algum reservado. Então, era melhor encarar aquele chato, mesmo.
— Bem, meu jovem... Como eu disse antes, quero desculpar-me pelo que aconteceu. Foi tudo um grande mal-entendido que já havia conversado com seu preceptor.
— Então está bem, desculpas aceitas. Agora se me dá licença. – disse Milo.
Quando estava saindo, Jamian o segurou pelo braço e Milo franziu o cenho já fechando o punho. Se esse idiota se meter a besta, sento-lhe a mão na cara...
— Permita-me, apenas mais uma palavrinha meu jovem... – disse o conde ao sentir o olhar agressivo de Milo.
— E permita-me lembrá-lo do que eu lhe disse da última vez que nos encontramos, conde Jamian. – a voz grave e cortante de Camus pareceu vibrar acima do burburinho, fazendo com que Jamian estremecesse e soltasse o braço de Milo.
— Sua Graça! E-Eu estava, apenas me desculpando com seu pupilo. – gaguejou o conde.
— Já o fez, então deixe-nos, por favor! – reiterou Camus fitando Jamian com uma seriedade ainda maior que o habitual.
O conde obedeceu e Milo observou que Camus parecia furioso, embora seu semblante estivesse com uma aparência serena e educada.
— Esse homem é um pobre diabo, Camus. Não vale a pena. – disse o jovem.
— Um pobre diabo que o drogou e teria feito pior se eu não intervisse. Jamian se une a pessoas da pior espécie e, devedor como é, faz qualquer coisa por dinheiro. Andei descobrindo algumas coisas e quero-o longe de você.
— Tentando me proteger novamente. – disse Milo sorrindo. – Assim vou acabar me convencendo que sou uma dessas debutantes e você é meu príncipe ruivo que irá salvar-me de todos os perigos.
Camus sorriu.
— Você e Aiolia devem ser irmãos gêmeos que foram separados ao nascer.
— Uma ideia interessante, Sua Graça... Agora venha, vamos sair um pouco desta confusão.
— Melhor não, estamos em público, Milo.
— Ah, só um pouco... Vamos até o terraço tomar um pouco de ar. – disse o jovem.
Sorrindo, Camus aceitou o convite e atravessou o salão apinhado, cuidando para não acompanhar Milo muito de perto. Logo, estava diante de amplas portas-janelas que conduziam a um dos vários terraços que o palácio possuía. Sentiu o ar fresco da noite e, após passar por uma delas, fechou-a suavemente atrás de si.
Milo estava recostado na mureta e a lua cheia lançava sua luz pálida e mágica sobre ele. O céu estava estrelado e o amplo jardim abaixo deixava escapar um aroma de rosas e jasmins. Camus respirou fundo o ar refrescante e foi até Milo que sorria. O loiro já o esperava com uma taça de champanhe.
— Procurei ficar afastado da bebida, hoje. Mas, com você eu gostaria de beber um pouco. – disse Milo com os olhos cheios de malícia.
Camus aceitou a taça, sorveu um gole e sorriu. Os acordes da música orquestrada chegavam até o terraço e ele sentiu-se feliz por estar ali. Milo aproximou-se e, pegando-lhe a taça da mão com gentileza, perguntou:
— Gostaria de dançar comigo?
O duque olhou-o com desconfiança, depois sorriu e argumentou:
— E quem conduziria?
— Ora, mas que pergunta, Sua Graça... Não é você que insiste em ser meu príncipe ruivo e salvar-me de todos os malfeitores do mundo? É claro que será você a conduzir-me... – sussurrou o loiro rindo.
Entrando na brincadeira, Camus o estreitou em seus braços e entregou-se à magia da música. Sem deixar de fitar Milo nos olhos, conduziu-o no ritmo romântico da valsa até o seu término. Quando a música cessou, ele também parou, mas não soltou o jovem. Fitou-o com incrível intensidade, apenas o brilho de seus olhos castanho-rubros evidenciando-se na escuridão do terraço e, em seu rosto belo e alvo o luar refletindo-se como se ele fosse mesmo um personagem dos contos românticos.
Milo sorriu e sentiu o coração descompassar. O beijo não aconteceu, mas ambos sentiram a força do sentimento que os unia. O duque tocou o rosto do amado e murmurou, baixinho:
— Continuaremos, mais tarde...
— Eu vou cobrá-lo e, com juros, Sua Graça.
Camus sorriu e logo ouviu um barulho de porta se abrindo. Afastou-se de Milo, porém uma voz feminina se fez ouvir e seu tom soou malicioso e divertido:
— Oh, perdoem a minha intromissão... – disse a viscondessa Valery com uma taça de champanhe na mão. – Não esperava encontrar ninguém aqui nessa... escuridão.
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