Amor Selvagem!

13 Capítulo 13 INIMIGO MEU...


Notas iniciais
Mais um capítulo um tanto longuinho prá compensar a demora! Bjs a todos e obrigada, sempre, pelo carinho e por acompanharem a fic, seja do jeito que for...

— Na verdade, minha cara senhora não há intromissão alguma. Eu e o senhor Milo estávamos conversando um pouco. Porém, como manda a etiqueta, sugiro que voltemos ao salão para que não haja mal-entendidos quanto a sua presença neste terraço com dois homens e sem a companhia do seu marido. — falou Camus.

Valery encarou o olhar sério e desprovido de emoções do duque. Não havia nem um sinal de constrangimento ou culpa por algo que estivesse fazendo. A força daquele olhar e a voz grave o fazia parecer tão alto e distinto que convencia, sem sombra de dúvida.

— M-Mas é claro, Sua Graça, perdoe-me se meu comentário soou como atrevimento. É que pensei ter visto um casal.

— É, Sua Graça... Creio que os meus cabelos longos e sedosos enganam olhos desavisados... Creio que vou cortá-los. – falou Milo sorrindo e forçando a voz num falsete.

A viscondessa riu, um tanto sem graça, e logo o sorriso morreu em definitivo quando Jamian juntou-se ao grupo com uma garrafa de champanhe nas mãos.

— Ora, ora! Todos aqui tomando a fresca da noite. Prima, seu marido estava perguntando por você agora há pouco... – falou Jamian.

— Bem, nós vamos voltar ao salão, o senhor Milo preencheu vários cartões de dança. Com sua licença... – disse Camus, educadamente.

— Eu também vou indo! – falou Valery desejando afastar-se de Jamian.

— Querida prima, deixe que eu a conduzo de volta... – interferiu o conde.

Mantendo a compostura Valery sorriu amarelo e aceitou o braço de Jamian que fez um movimento de cabeça para Milo e Camus.

Os vários salões e saletas, interligadas ao opulento salão principal por amplas passagens, estavam abertos para o baile e foi com alívio que Camus viu Valery ingressar em um deles, enquanto ele e Milo voltavam para a pista de dança onde, ao fundo, uma orquestra tocava as valsas da moda.

Assim que pisou no imenso retângulo disponível para as danças, Milo sentiu até vontade de rir quando viu os rostos das debutantes olharem-no como se estivessem em perigo de morte. Lá vou eu... Murmurou ele, baixinho para Camus. O duque sorriu e logo ouviu seu nome:

— Camus! – chamou Saga, acompanhado do irmão e de June.

— Boa noite, a todos. – disse Camus.

— Chegamos um pouco tarde, mas aqui estamos. Onde está Aiolia? – perguntou Saga.

— Dançando ou circulando pelas mesas. – respondeu Camus e, olhando para June, elogiou seu vestido e penteado.

June agradeceu e, em seguida, viu quando Pandora adentrou o salão orgulhosamente em seu vestido de tafetá bronze e negro, acompanhada pelo altivo Hades, fazendo algumas cabeças virarem para olhá-los e admirá-los. A jovem era de uma beleza simples, porém destacava-se em meio a tantas outras que tinham de se esforçar para parecer bonitas.

Radamanthys estava acompanhado de uma bela dama que vestia um luxuoso vestido azul, porém quando seus olhos pousaram em Pandora, um brilho de excitação e admiração transpareceu sem que ele fizesse questão de esconder.

— Podia, ao menos, ser mais discreto. Está acompanhado, meu caro barão e aquela mulher já tem dono.— falou Sasha com uma entonação que mesclava crueldade e malícia.

— Cavalos tem dono, joias e dinheiro também. Mas, uma mulher já nasce com o dom de subjugar e não o contrário, minha cara. Ilude-se o homem que pensa possuir uma mulher, ignorando seu poder intrínseco de ser ela mesma, até mesmo quando se submete ao homem... – respondeu Radamanthys bebendo uma taça de champanhe.

— Se pensa assim, como pretende conquistá-la, então? Sou mulher e reconheço a paixão nos olhos de outra. Ela ama Hades, está escrito em seu rosto e em suas atitudes.

Um sorriso sardônico brincou nos lábios bem feitos do jovem barão.

— Ela pensa que ama e, desconhece o poder que tem. Hades é vivido e a faz sentir-se desejada. No entanto, quando ela desejar mais do que ele está disposto a dar, veremos o que acontecerá a este... amor.

— Para você tudo é um jogo, não é? O que essa mulher tem de tão especial? Nem tão bonita assim ela é! – retorquiu Sasha, irritada.

— Eu a quero e isso basta. – respondeu, seco. – Agora vamos dançar!

Máscara da Morte e Afrodite também chegaram, elegantes e discretos. Um olhar por cima de toda a multidão e o moreno viu June dançando com um homem obeso que transpirava sem parar e parecia um tanto alcoolizado.

— Com licença, mas tenho um assunto a tratar... Logo irei para a nossa mesa. – disse ele à Afrodite.

June sorria forçadamente e foi com imenso alívio que viu Máscara da Morte se aproximando e deixando um Afrodite furioso, porém aparentando desdém, que logo foi cercado por outras pessoas.

Olhando com aqueles olhos frios e, intensamente azuis, de forma ameaçadora para o homem que segurava, timidamente, a cintura de June, Máscara da Morte salvou-a do desagradável lorde, fazendo-a sorrir aliviada.

— Creio que lhe devo uma. – disse ela toda radiante.

— Vou cobrar com juros... – respondeu ele.

— Sou toda sua... – sussurrou ela, provocante.

— Não é a isso que me refiro... Quero que convença seu amante a frequentar minha casa e participar dos jogos em meu estabelecimento. Estou precisando de dinheiro. – respondeu Máscara.

— Você é tão delicado quanto uma mula! Onde já se viu falar assim com uma dama. – falou June.

— Que dama? Não é você quem gosta da igualdade entre homens e mulheres? Temos uma relação de prazer e negócios. O primeiro já foi, agora é a vez do segundo. — devolveu ele.

June franziu o cenho, mas em seguida riu.

— Você não presta! – disse ela.

— Você também não, por isso nos damos tão bem. – falou Máscara sorrindo.

— Saga não gosta muito de jogar. Esse vício pertence ao Kanon.

— Confio na sua capacidade de persuasão, minha cara. Se os dois gostarem e continuarem frequentando a casa, logo outros lordes também participarão.

— Está bem, prometo tentar.

— Tentar, somente, não. Quero que o convença ou o prazer será retirado da nossa relação.

— Você é muito mau... – disse June fazendo biquinho.

— E é isso que a atrai em mim, não é mesmo? – falou Máscara com malícia.

O salão estava apinhado e muitos estavam dançando. Quando Máscara girou com June, viu Afrodite conversando com outro homem loiro. Ele parecia solto e feliz, algo que fez Máscara estranhar e sentir-se incomodado, pois consigo, ultimamente, Afrodite era seco e, constantemente, mal-humorado.

— Conhece aquele homem que está conversando com Afrodite? – perguntou ele a June.

— Ah, aquele é Milo, aluno do duque. Está na corte para aprender a ser um nobre e esta é a sua apresentação à sociedade. – respondeu June.

Afrodite e ele parecem tão íntimos... Como ele o conhece? Indagou-se, mentalmente, Máscara.

Milo havia parado de dançar e encontrara Afrodite sentado em uma mesa, sozinho. De imediato, o cumprimentou e sentou-se ao seu lado. Descobriu que ele era dono de um sarcasmo hilariante e de comentários certeiros sobre todos que ali estavam.

— Vê aquele? Certamente é dominado pela mãe e escolherá uma mulher igual a ela, que fará o mesmo. Nota como baixa os olhos, aperta as mãos e parece gaguejar quando fala? – falou Afrodite rindo.

— Verdade. – concordou Milo. – Mas, e aquela mulher, ali? Estávamos no terraço eu e o duque e ela apareceu insinuando coisas. Sabe quem ela é?

— Aquela mal-amada se chama Valery e é esposa de Minos, um jovem artista. Como não tem nada melhor para fazer, ela adora farejar uma intriga, embora, também tenha seu calcanhar de Aquiles. Não é uma amizade que se deva ter, nem uma inimiga para cultivar. Fique longe dela.

Milo sorriu.

— Engraçado, você fala igual ao Camus... Q-Quer dizer, ao duque.

Afrodite encarou Milo e também sorriu.

— Milo... você é uma graça de pessoa, sabia? Não precisa disfarçar comigo, já notei que busca o olhar do duque de dois em dois minutos... E, por simples dedução, era ele quem o esperava no dia em que se perdeu e foi até meu estabelecimento, não é?

O jovem sentiu o rosto queimar, mas logo voltou ao normal.

— Preciso aprender a não ser tão óbvio. – falou sem sorrir.

— Aprenda, apenas, a controlar esse emocional poderoso que o move. Vou compartilhar um segredo com você, eu também amo um homem e já perdi as esperanças que aconteça algo entre nós. Então, eu finjo que nada mais pode me atingir, nem mesmo aquele sorriso irritante dele, enquanto dança com aquela vadia autorizada.

Milo olhou na direção que Afrodite olhara encontrando o casal Máscara da Morte e June. De imediato compreendeu as palavras de seu novo amigo e foi solidário com os sentimentos dele.

— Já que está confiando em mim, sugiro que tome um pouco de minha passionalidade e use. – disse Milo tocando a mão de Afrodite.

— Como assim? – perguntou o belo homem.

— Talvez você tenha de ser um pouco mais óbvio e menos controlado. Se for aquele homem ali, que você ama, observei que ele está nos olhando faz um tempo. Não acho que você seja assim tão indiferente pra ele. – respondeu Milo.

— Máscara adora as mulheres... Se está olhando para cá é por pura curiosidade.

— Posso ser inexperiente nos assuntos da nobreza, mas em se tratando de relações, posso perceber quando existe um interesse por parte de um homem. O que eu vi naqueles olhos foi uma ponta de ciúmes... – retrucou Milo.

Afrodite franziu o cenho e logo bebeu mais uma taça de champanhe. Ao terminar, Máscara já chegara até a mesa e os encarava com um olhar afiado e um sorriso falso.

— Boa noite! – disse ele, esperando que Afrodite os apresentasse, porém Milo adiantou-se e estendeu a mão para um cumprimento.

— Boa noite! Eu me chamo Milo, muito prazer, senhor...

— Ângelo, mas prefiro que me chame por Máscara da Morte.

Milo apertou forte a mão que se uniu a sua e sorriu malicioso quando sentiu a intenção no ato. Estava muito claro para ele que Ângelo ou Máscara da Morte estava desconfortável. Enciumado, melhor dizendo.

Outro que não estava gostando do que via era Camus. Ele também dançara com muitas jovens, algumas das quais que haviam sido suas alunas. No entanto, quando notara que Milo conversava com um desconhecido para si, e com tanta intimidade e sorrisos calorosos, algo se contraiu em seu estômago e ele notou o quanto aquele jovem mexia, consigo, além do seu coração. Ele também mexia com suas vísceras... Controlou-se para não ir até lá e agradeceu aos céus quando Aiolia apareceu para distraí-lo.

— Humm... Você está com aquele olhar, meu caro amigo. – disse o conde se aproximando.

— Sobre o quê, especificamente, você está falando? – devolveu Camus fingindo não saber a que Aiolia se referia.

— Digamos que este seu olhar é uma fusão entre o glacial e o passional que o faz portar-se de uma forma serena e, elegantemente, falsa. Traduzindo: você está com ciúmes, meu caro duque, como qualquer outro mortal, mas não quer dar o braço a torcer!

— Ciúmes? E porque eu teria ciúmes? Isso é patético e irracional. Estamos em uma festa e Milo está conversando com alguém que também veio ao baile. Não vejo problema algum nisso. – devolveu Camus.

— E você sabe quem é aquele homem?

— Não, você sabe?

— Aquele é um dos homens mais belos e sedutores que já circularam na corte. Seu nome é Afrodite e, atualmente, ele anda um tanto recluso e tomando conta de seus negócios. Dizem as más línguas que ele, raramente sorri de forma calorosa, e só o faz quando está interessado...— provocou Aiolia.

O duque pareceu subitamente absorto, alheio ao divertimento nos olhos de Aiolia, enquanto este lhe observava o esforço para controlar o desejo de ir até a mesa. Entretanto, depois de pensar bastante, Camus olhou-o com o canto dos olhos e disse:

— Milo pode ser impulsivo, mas não é frívolo. Não tenho motivos para achar que ele cairá na rede sedutora de qualquer um.

— Bravo! Apesar das minhas provocações, você se mantém firme e confiante. Estou gostando de ver. Mas... Afrodite é tudo, menos qualquer um, fique atento.

— Se eu não o conhecesse bem, Aiolia, diria que o seu maior prazer é tentar tirar-me do sério. Devia encontrar uma amante e deixar-me em paz. – falou Camus com um sorriso forçado e frio.

Aiolia teve que rir. Depois, bebendo mais um gole de champanhe, acrescentou:

— Está bem, eu me rendo! Por favor, não chute o inimigo no chão! Faz muito tempo que estou solitário e creio que me tornarei um solteirão inveterado. Até você que era considerado um caso perdido achou alguém antes de mim e olha que eu sou muito mais simpático.

Os dois riram, mas, discretamente, Camus continuava a cuidar as ações de Milo e Afrodite. Entretanto, quando Milo olhou na sua direção e sorriu daquele jeito, seu coração aqueceu e ele pode, enfim, respirar com tranquilidade. O olhar quente de Milo era capaz de dissolver todas as suas dúvidas, nem que fosse temporariamente...

Uma sineta, tocada por vários mordomos uniformizados sinalizava que o jantar teria início e logo todos foram conduzidos para outro salão amplo e iluminado por três belos e gigantescos lustres de cristal. As mesas haviam sido distribuídas para duas, quatro, oito ou dez pessoas. Variadas iguarias cobriam, fartamente, duas mesas compridas, ao longo das quais os garçons esperavam para servir as entradas quentes e auxiliar que cada um tivesse prato e talheres adequados.

Acabou que Milo convidou Afrodite e Máscara da Morte para ficar em sua mesa, junto de Camus, Aiolia, Saga, June e Kanon.

Saga, gentilmente, aproximou-se do bufê para servir-se e também servir June. Os outros o seguiram e logo estavam de volta com iguarias finas exalando um aroma delicioso e convidativo.

Enquanto aguardava na mesa, Afrodite percebeu que Valery, acompanhada de Minos, Pandora, Hades e Jamian os olhava, de vez em quando, e cochichava algo no ouvido do primo, um homem que ela fazia questão de esnobar, mas que agora parecia ter sido reintegrado à família.

Sim, ele conhecia muito bem a história da família de Valery e no quanto os escândalos eram escondidos sob uma fachada de riqueza e ostentação. A viscondessa era a mais velha das filhas de um comerciante rico, Emiliano Gauthier , dono de uma importadora famosa que era a preferida da Rainha por trazer à Londres os mais ricos e finos tecidos do Oriente.

No entanto, Gauthier acabou por falir em decorrência de sua paixão por um jovem prostituto e gastar horrores para mantê-lo longe de outros homens, chegando ao cúmulo de gastar com ele por mês o que não gastava com a família por ano. É claro que o caso foi abafado e a esposa negou que o marido tivesse tal comportamento, afirmando que tudo era uma invenção dos concorrentes. Em seguida, houve a proposta de um bom casamento para a filha mais velha que acabou tomando espaço nas conversas da corte e o mal-estar familiar se diluiu e foi esquecido.

Afrodite se perguntou o porquê da atenção àquela mesa e tratou de disfarçar, retomando a conversa e as brincadeiras, sem, no entanto, descuidar dos movimentos da serpente emplumada.

Na mesa de Valery, Minos olhava em volta, sentindo-se um tanto entediado. Jamian bebia e Hades convidava Pandora para dançar, após terminarem de comer. A viscondessa estava, visivelmente, irritada, quando lorde Standiford aproximou-se, convidando-a para dançar. Valery olhou-o em sua vestimenta de gala, porém apertada, a barriga parecendo um barril coberto de tecido fino... Que desperdício de um bom corte! Pensou ela, enquanto sorria.

— A senhora me dá o prazer desta contradança? – perguntou o duque fazendo uma mesura.

— Mas é claro que aceito, milorde... Isto é, seu meu marido permitir. – disse ela olhando para Minos com a esperança que ele vetasse a ação.

Para seu desapontamento, Minos sorriu para o lorde, dando sua permissão. O homem alto e avantajado, cujo ventre projetava-se para frente como se ele estivesse grávido, agradeceu e ofereceu o braço à Valery. Em pleno salão, começou a ser inconveniente, elogiando-a ao pé do ouvido e implorando que ela deixasse o jovem Minos para ficar com ele.

Valery quase engasgou com a proposta, no entanto, ele continuou...

— Deixe-o e case comigo. Vou tratá-la muito melhor! Eu sou um duque e possuo muitas propriedades. Eu a tratarei como uma rainha, minha querida...

Sorrindo, Valery retrucou:

— E quem disse que não sou bem tratada, milorde?

— Se fosse minha, eu jamais a deixaria ir para os braços de outro homem. Posso livrar-me de meus animais, como fiz com aquele cavalo estúpido que o duque fez questão de comprar. Pedi uma quantia acima do que valia e, ainda assim, ele o fez. Tudo para que eu não fizesse um escândalo e denunciasse aquele seu pupilo! Odeio ambos, tanto aquele moleque arrogante, quanto Sua Graça ruiva! Mas, voltando ao assunto, se você fosse minha eu...

— Espere um minuto... O senhor teve uma desavença com o duque Camus?

— Sim, o pupilo dele teve a ousadia de me agredir em público por causa de um maldito cavalo! Ele pensa que eu esqueci, mas isso não vai ficar assim... Aquele moleque ainda me paga!

Um sorriso malévolo insinuou-se nos lábios pintados da viscondessa e ela olhou, sedutoramente, dentro dos olhos esbugalhados do duque.

— Ah, milorde... Estou chocada! Onde já se viu um garoto sem eira nem beira agredir um nobre íntegro e importante como o senhor! Vejo que temos algo em comum e precisamos conversar. Eu creio que posso ajudá-lo a colocar as coisas nos eixos...

Standiford ficou vermelho e excitado. Então sorriu, mostrando seus dentes perfeitos. A única coisa decente nesse barril de carne! Pensou Valery, ainda sorrindo falso e fazendo um esforço para continuar aquela dança que parecia não ter fim...

Enfim, a valsa terminou. O lorde parou, mas não a soltou. Fitou-a com incrível intensidade, apenas o brilho de seus olhos cinzentos, esperando a conclusão daquele encontro.

— Aguarde uma mensagem minha... Prometo que nos encontraremos em breve. – sussurrou Valery junto ao ouvido do duque.

Estremecendo de contentamento, Standiford beijou a mão da viscondessa e ambos voltaram à mesa.

O jantar transcorreu animado com conversas e galanteios. Na mesa de Camus, todos riam com as observações de Afrodite, menos Saga e o próprio Camus que ainda estava incomodado com a intimidade entre ele e Milo. O jovem pupilo ria solto e os dois pareciam ter muito em comum. Saga sabia do caso que Afrodite tivera com Kanon e notava que, apesar de terem terminado, seu irmão ainda nutria afeto pelo belo rapaz.

— Bem, acho que já está na nossa hora, não é mesmo Afrodite? – falou Máscara da Morte, após o jantar.

O loiro olhou-o e concordou, para alívio de Camus, Saga e o próprio Máscara da Morte que não sabia bem o porquê, mas estava incomodado com os sorrisos de Afrodite e da atenção que ele direcionava a todos, menos a si...

Pandora havia ido ao terraço, enquanto Hades conversava com Minos. Sentia-se um tanto deslocada quando os dois trocavam impressões sobre arte e outros assuntos que ela desconhecia. Então achou melhor tomar um pouco de ar e voltar quando já houvessem esgotado o assunto.

Lançando um último olhar para os dois que sempre pareciam tão à vontade juntos, entregou-se ao ritmo romântico da música que recomeçara fechando os olhos e tentando apagar de seus pensamentos, todas as dúvidas que surgiam quando Minos eclipsava sua relação com Hades.

— Tome, beba um pouco e volte a sorrir. – disse Radamanthys surgindo e entregando-lhe uma taça de champanhe.

— O que o senhor está fazendo aqui? – perguntou Pandora aceitando, automaticamente, a taça que lhe era estendida.

— Vi quando deixou o salão e senti vontade de respirar ar fresco. Também me preocupou o fato de estar aqui sozinha. Não é muito recomendável para uma dama...

— E acha que estarei mais segura com o senhor? Não recordo ter lhe dado esse tipo de intimidade. – revidou Pandora.

— É claro que não e peço perdão se fui rude. Eu desejava, apenas, conversar um pouco, já que minha acompanhante juntou-se ao grupo dos intelectuais que tudo fazem para que mortais como eu fiquem entediados com tanta teoria e pouca prática. Mas, vou deixá-la em paz. – disse Radamanthys fitando-a bem dentro dos olhos e dando-lhe as costas.

— Espere! – disse Pandora

Radamanthys voltou com o cenho franzido.

— Chamou-me?

— Desculpe-me... Estou entediada também.

Ditas as palavras, Pandora sorveu um gole da taça e de repente, o champanhe estava maravilhoso e a fazia sentir-se mais eufórica. Os acordes da música chegavam até o terraço e ela encarou o jovem barão sem nada dizer, embora, secretamente, desejasse dançar aquela valsa. Adivinhando o seu desejo, Radamanthys sorriu e pegando-lhe a taça da mão de forma respeitosa, perguntou:

— Gostaria de dançar?

Pandora fez que sim com a cabeça e logo estava nos braços fortes de Radamanthys. Ela sentiu o calor do corpo dele, a fragrância de sua colônia exótica que evocava tons amadeirados e, por alguns segundos, seus sentidos focaram no olhar intenso que ele lhe lançou.

— Oh, não... Acho que é um erro. Preciso voltar ao salão. – protestou ela, mas as palavras saíram baixas.

— É somente uma dança e eu seria um canalha se me aproveitasse disso. Vamos dançar, apenas e, relaxar um pouco. — disse ele.

Pandora tinha de admitir que os braços fortes e a atenção de Radamanthys mexiam consigo. Ela não tinha amigos, não conhecia muita coisa e seu mundo se reduzia a Hades, Minos e Valery que a requeriam, apenas, quando lhes convinha. Aos poucos, sentia-se deslocada naquele pequeno universo que se construíra ao seu redor e se perguntava se seria sempre assim, as futilidades da corte, intrigas, sexo, prazer, presentes caros e, logo em seguida, um imenso vazio... Hades fala em casamento, mas como isso será possível se eu sinto que ele ama Minos e de um jeito completamente diferente do que diz amar-me?

Arriscou um último olhar para dentro do salão, constatando que Hades e Minos continuavam conversando, animadamente. Então, entregou-se à magia da música, deixando-se conduzir pela valsa romântica e leve. O barão fora sincero e apenas dançou e sorriu. Quando a música cessou, ele afastou-se dela e fez uma reverência.

— Obrigado, minha bela dama. Foi uma honra e um prazer. Voltemos ao salão?

— Sim. – respondeu ela, sorrindo também.

Interiormente, Radamanthys também sorriu, mas não porque conseguira o que queria e sim por ver Pandora desarmar-se e permitir sua aproximação. Havia algo nela que o atraía, mas não era só isso. Sentia algo mais profundo que o simples desejo e isso o instigava a aproximar-se dela e descobrir a força de tal sentimento.

Quando Pandora voltou à mesa, encontrou Hades e Minos conversando com um homem calvo e sardento cujo monóculo que usava fazia parecer que ele tinha um olho gigantesco.

— Querida, esse é o senhor Thierry Lasier, proprietário de uma famosa galeria de arte na França. – disse Hades.

— Muito prazer, minha senhora. Não sabe a honra que tenho em conhecer um dos modelos femininos do senhor Minos. – disse o homem com um sotaque carregado.

Pandora empalideceu e, de imediato, olhou para Minos que permaneceu com uma expressão de falsa modéstia.

— C-Como?

— O senhor Minos nos enviou alguns trabalhos e, em várias telas era o seu belo rosto e corpo a levar-nos à tentação!— respondeu o homem sorrindo com uma pitada de malícia, enquanto sorvia uma taça de champanhe.

Hades percebeu o desconforto de Pandora e colocou sua mão sobre a dela num ato visível de contenção.

— Minos considera Pandora uma verdadeira musa. Muito do que ele pinta vem direto de sua imaginação o que comprova, sem sombra de dúvidas, o talento que ele possui. – disse ele, tentando amenizar o constrangimento da amante.

— Ah, compreendo. – falou o dono da galeria.

Sentindo-se estremecer por dentro, Pandora levantou-se da mesa.

— Perdão, mas preciso ir ao toilette. – disse ela.

Os homens da mesa assentiram e continuaram a conversar, normalmente, enquanto Pandora deixava o salão sentindo um aperto na garganta. Suas têmporas latejavam e sentia-se confusa e traída. Que espécie de amor é esse? Serei eu, um objeto erótico cuja exposição estará nas mãos daquele que amo? Deus, se isso persistir acabarei por odiá-lo! E amar e odiar, ao mesmo tempo é insuportável...

Estonteada, ela retornou ao terraço, agora em outra parte do imponente palácio. Enquanto tentava recuperar-se daquilo tudo, as portas-janelas se abriram sobressaltando-a. Depois de fechá-las, um homem alto e forte se aproximou e sua expressão era de preocupação.

— Eu a vi, saindo novamente e, confesso que fiquei preocupado, pois notei que a senhora estava quase correndo. Aconteceu alguma coisa? – perguntou Radamanthys com sinceridade.

Pandora elevou os olhos brilhantes pelas lágrimas que se formaram neles e Radamanthys sentiu-se tomado por um sentimento avassalador de protegê-la.

— Deixe-me sozinha, por favor... – disse ela com a voz desapontada e embargada pelas lágrimas da humilhação.

— Não, não vou deixá-la sozinha neste estado... – Ele tomou-a em seus braços, estreitando o corpo trêmulo junto ao peito.

— Não! Me solte....

Radamanthys não obedeceu e, mesmo sentindo-a se debater, continuou a abraçá-la, ainda mais forte.

— Você não está sozinha. – disse ele. – Não, enquanto eu viver.

Foi então que Pandora se rendeu e deixou-se abraçar, chorando convulsivamente, como jamais fizera na presença de um homem.

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— Então, vamos? O baile estava ótimo e o jantar também, mas amanhã é dia dos jogos. – disse Máscara da Morte, após Afrodite ter aceito deixar o baile.

O jovem loiro olhou-o, estranhando a pressa que sentia nele e despediu-se. Camus e Saga respiraram, aliviados, quando o belo Afrodite deixou o salão. Saga por ciúmes de Kanon, que era todo sorrisos para com o outro e ele sabia do caso existente no passado entre os dois. Camus por ver Milo entusiasmado com as histórias e também por perceber que o humor de Afrodite fazia o jovem rir muito mais que quando estava consigo. Era ridículo sentir-se assim, mas era incontrolável! Logo ele que jamais entendera o motivo irracional do ciúme, agora tinha vontade de afastar Milo daquele sedutorzinho!

— Foi uma noite muitíssimo divertida, afinal! – falou Milo.

— Concordo, plenamente, meu caro Milo! Quem diria que a Rosa Diabólica tivesse um humor maravilhosamente ácido e nos fizesse rir até doer o estômago. – completou Aiolia.

Rosa Diabólica?— disse Milo franzindo o cenho.

— Sim, esse codinome só é conhecido por poucos e por aqueles que ousaram tentar constrangê-lo por causa da sociedade dele com o italiano. Dizem que Afrodite sabe de coisas que até os espiões da Rainha desconhecem e que tem a vida de alguns nobres na palma da mão...

Milo sorriu e olhou para Camus que estava ainda mais sério que o habitual. Já compreendia alguns sinais que o seu ruivo apresentava, então sabia que ele estava incomodado com alguma coisa.

— Bem, eu também vou me retirar. Senhor Milo, se deseja ficar mais um tempo, sinta-se à vontade. – disse o duque.

Aiolia fitou o amigo e, quando abriu a boca para dizer um gracejo, notou o brilho gélido e fulminante que Camus costumava mostrar e resolveu ficar calado, afinal já se divertira bastante com Afrodite para massacrar seu melhor amigo.

— Não! É claro que eu vou com você, viemos juntos. – disse Milo franzindo o cenho.

— Todos nós vamos. – disse Saga e Kanon, assim como June, notaram que ele estava mais sério e aborrecido.

Fazendo o seu papel de amante atenciosa, June deu o braço à Saga, enquanto Aiolia puxava conversa com Kanon.

Juntos, deixaram o palácio que ainda continuava em festa. As carruagens estavam prontas e esperando e logo o grupo já estava em casa, descansando da grande festa que abria, oficialmente, a temporada das atividades da corte.

Ao chegar em casa, Camus inspirou fundo e foi recebido por Jonas e pela Senhora gata que, depois de esfregar-se nele, foi ao encontro de Milo, miando e oferecendo a cabeça para que ele a acariciasse.

Senhora gata! Não sabe a festa que perdeu... Mas, eu não me esqueci de você não, olha o que eu trouxe... – disse ele tirando algo do bolso.

Os olhos verdes e brilhantes da gata se fixaram no pequeno embrulho. O conteúdo era um dos pratos sofisticados oferecidos no jantar: peixe em crosta de pera e gorgonzola.

Miauuuuu! * (Isso tem um cheiro muito bom! Você é mesmo o meu preferido!)

Camus estancou, depois revirou os olhos e por fim falou:

— Eu não acredito que fez isso! Colocar comida nos bolsos para... Para trazer à gata! Milo isso é...

— Achei que ela ia gostar! – respondeu Milo com um sorriso tão franco que Camus suspirou e resolveu deixar assim.

— Vou ler um pouco antes de dormir. – disse, por fim.

— No quarto? – perguntou Milo já imaginando os dois na cama com algum livro interessante como aquele que mostrava ilustrações eróticas que vira na estante da biblioteca, semanas atrás...

— Não, na biblioteca. – respondeu o duque.

Aquela resposta seca só confirmou o que Milo sentira desde o baile. De repente, Camus ficara sério e calado. Seria por ter visto Jamian... ou...porque não gostara de Afrodite?

— Está bem. Eu vou deitar, então... – disse Milo.

Camus quase voltou atrás ao ver a expressão desapontada do amante. Porém, em seguida retomou a ideia original. Sentia-se incomodado e precisava espairecer. Uma boa leitura o faria esquecer o tal Rosa Diabólica, o idiota do Jamian e aquela vozinha que teimava em dizer que, fora da cama, ele não era uma companhia interessante para Milo.

Nos aposentos do duque, onde costumava dormir agora, Milo ficou intrigado com a atitude fria de Camus. O duque dirigira-se até a biblioteca sem ao menos lhe dar um beijo de boa noite.

Detendo-se diante do fogo da lareira que se extinguia, Milo desvencilhou-se do terno de gala. Desmanchou o rabo de cavalo e deixou suas longas mechas loiras cair pelos ombros. Pensativo, ergueu a cabeça de repente e em seus olhos azuis havia um brilho perigoso.

Tá certo que Camus é um duque, é inteligente e um pouco mais velho que eu. Mas, eu quero saber o que aconteceu e o porquê de ele estar furioso, embora não grite, nem esperneie! Não quero ficar imaginando, quero entender o porquê do ciúmes que vejo em seus olhos! Pensando mil coisas, vestiu o camisolão sem nada por baixo e foi até a porta. Sabia que quando Camus estava na biblioteca, Jonas o atendia e depois ia se recolher, então esperaria alguns minutos para dar inicio à sua ação.

Como previra, instantes depois, Jonas adentrara a biblioteca com uma bandeja e saíra, logo a seguir. Pé ante pé, foi até lá e, sem bater, entrou e fechou a porta atrás de si. As velas de um candelabro estavam acesas na escrivaninha e Camus achava-se sentado em uma chaise longue folheando um livro. As chamas oscilantes produziram um brilho dourado em seus olhos castanho-avermelhados quando ele os dirigiu a porta e o viu.

— Milo... O que foi..?

— Ainda não sou um expert em palavras, mas... Eu gostaria de esclarecer uma coisa entre nós. – disse Milo com um tom estranhamente sério.

O duque deixou o livro de lado sem tirar os olhos do rosto belo que se aproximava com a leveza de um gato e um olhar magnético.

— E o que gostaria de esclarecer?

Sua Graça...— disse Milo retirando, lentamente, o camisolão e revelando seu corpo nu. – Não existe e nunca existirá outro que me faça tão feliz quanto você. Então, sugiro que esqueça os seus aborrecimentos ou... esclareça-os para mim e venha cumprir a promessa que me fez, horas atrás. – continuou, e foi em direção ao duque de uma forma intensamente sensual.

Os olhos de Camus percorreram o rosto e o olhar intenso, a perfeição dos lábios carnudos, o tórax delineado, a cintura estreita, as coxas firmes e benfeitas, o falo rijo. O corpo de Milo respondia ao olhar ardente como se fossem as mãos do duque que o estivessem tocando. Levantando-se da chaise, Camus tomou-o nos braços e beijou-o com paixão. Não havia palavras que traduzissem o que sentia naquele momento.

— Tem certeza disso? Não sou alguém entediante para você? – sussurrou Camus entre os lábios do amado.

— Entediante? Alguém entediante conseguiria fazer a mágica de me deixar tão excitado assim, apenas com um olhar? – devolveu Milo passando a ponta da língua nos lábios desenhados do duque.

Em seguida, os corpos arderam, ansiosos e excitados. Camus despiu as roupas com pressa e logo, ambos atiçavam o prazer de roçar as peles nuas, quentes e saudosas do contato entre si. Olhavam-se, enquanto as mãos tomavam posse da pele, dos ossos, até entrelaçarem os dedos, em completa sintonia. Camus ofegava junto aos lábios carnudos do amante, o olhar possuído pelo desejo...

Excitado, Milo invadiu-lhe, novamente a boca, lambendo, mordendo, sugando... Estava louco por aquele momento, agarrou-se aos cabelos ruivos que fizera questão de soltar e sentir o aroma, embriagando-se com o fogo da cor avermelhada que adorava nele...

Havia também aquele cheiro que o enlouquecia e que não vinha da colônia cara e discreta que Camus usava, vinha dele, da pele alva e do suor que se formava quando ele estava excitado. Era algo etéreo e erótico que o dominava por completo, ansiando por ele, por sua boca, por seu corpo...

Camus voltou a chaise e puxou Milo para o seu colo, querendo mais, ansiando em acariciar aquele corpo enlouquecedor, em senti-lo bem junto de si...

Sentindo toda a ânsia do ruivo, Milo escapou e foi descendo os lábios no corpo alvo, roçando-os e mordiscando cada pedacinho de pele até chegar à ereção e aspirar-lhe o cheiro, passar a língua no falo pulsante, senti-lo túrgido e deliciosamente úmido, para em seguida colocá-lo todo na boca quente, criando um ritmo forte e cadenciado.

Camus gemeu e segurou o rosto de Milo, perdendo o controle dos movimentos do corpo, movendo os quadris, fazendo amor com a boca que o fazia perder todo o senso, sentindo a pressão em sua virilha... Mon Dieu! Pensava enquanto se entregava sem reservas àquele furor sexual que era Milo.

O clímax veio, arrasando qualquer noção do que quer que fosse e Camus derramou-se na boca do outro, soltando um gemido alto e abafado. Milo sorveu todo o gozo, impregnando-se do gosto e do cheiro, sentindo prazer em ver a expressão lânguida de Camus.

Milo levantou-se e foi puxado com violência de encontro a boca sedenta de Camus, a língua do ruivo buscando a sua, para sentir-se nele, o corpo ainda quente e convulso do orgasmo intenso...

Beijaram-se, enlouquecidamente... Uma, duas, muitas vezes até Camus continuar com sua dominação prazerosa, segurando as mãos de Milo sobre a cabeça, prendendo-as nas suas, enquanto seu corpo deslizava sobre o dele, sua língua continuando a entrar e sair da boca do loiro, fazendo-o gemer e estremecer...

Camus mordia o lábio inferior, enquanto deslizava a mão quente pelo peito de Milo. Os mamilos do jovem pupilo formigaram, enquanto enrijeciam e faziam com que ele arqueasse o corpo, desejando mais contato, indo de encontro à mão de Camus.

Milo fechou os olhos enquanto Camus ia trilhando cada centímetro de sua pele com a ponta dos dedos e com os lábios. Os ombros, o pescoço, os braços, os mamilos e o abdome iam sendo despertados com uma intensidade voraz...

Ofegante, Milo entreabriu os lábios, os sentidos entrando em ebulição, o calor assolando-o como se estivesse próximo do fogo da lareira acesa. Camus aproximou a boca daqueles lábios que puxavam o ar e tomou-os num beijo lento e profundo. Depois, mordiscou-lhe o lábio inferior, depositando breves beijos ali, enquanto se insinuava mais, deixando que Milo sentisse a sua ereção túrgida roçar em suas coxas.

O coração de Milo disparou e o de Camus também, quando em determinado momento, ambos se olharam e perceberam a paixão explícita que os dominava. O duque o deitou na chaise e passou a mão sobre as costelas de Milo, sentindo a textura da pele firme e a elasticidade dos músculos, o ritmo das batidas do coração dele... Então, em meio aos beijos quentes e molhados ele sussurrou rente aos lábios de Milo:

— Eu te quero somente meu... sei que é irracional, sei que não é certo, mas...

Milo corou ao ver o ardor explícito nos olhos de Camus, a cor aprofundada dos lábios desenhados que o faziam amar os beijos profundos e tudo que ele dizia. Entendeu de imediato, o real sentido das atitudes do amante e uma emoção encheu seu peito, uma emoção tão forte que suspendeu sua respiração e acelerou ainda mais as batidas do seu coração, fazendo sua pele pulsar...

— Eu sou seu Camus... somente seu...

Beijaram-se, novamente, de uma forma apaixonada e, insanamente, erótica. Camus apertou Milo em seus braços Milo, acariciou as nádegas redondas com vontade e levou a mão ao falo túrgido que roçava em seu corpo sentindo toda a extensão do sexo intumescido e a sua pulsação. Milo gemeu quando Camus seguiu com a exploração, massageando ao redor, aumentando-lhe a rigidez e a pulsação intensa. A mão macia do ruivo causando uma furiosa reação de desejo em Milo.

A respiração de Milo se intensificou, imerso na agonia do desejo ele abriu-se para Camus dando acesso total ao seu corpo. Não disse nada, apenas olhou-o... O pedido mudo e explícito no olhar febril de tanto desejo... As coxas se afastaram e o ruivo mergulhou entre elas, compreendendo a rendição de Milo e exultando que fosse assim, somente com ele... Desceu a mão para a junção entre as pernas dele. Provocou-o roçando, massageando, até introduzir os dedos na entrada pulsante de forma lenta e circular.

Milo fechou os olhos quando todos os seus sentidos centralizaram na mão de Camus e no que ele estava fazendo. Inalou profundamente quando sentiu-se tocado em um determinado ponto. Seu corpo inteiro parecia em suspenso e então ele movimentou os quadris, seu corpo instintivamente procurando, seguindo o movimento dos dedos do duque.

Um gemido escapou de sua garganta e uma onda de prazer o percorreu. O ruivo encaixou-se entre as suas pernas, o membro viril sondando a entrada, enquanto ele movia os quadris lenta e prazerosamente... Camus apossava-se do corpo forte, masturbando-o, lambendo-o, levando-o ao deleite extremo e fazendo-o ansiar pela posse total, única...

Foi então que, olhando-o nos olhos, Camus o penetrou, lenta e profundamente.

Milo ofegou... Um gemido longo e dolorido escapou de seus lábios, mas mesmo assim ele apertou Camus junto a si e, em seus olhos nublados de desejo mostrou ao duque o quanto o desejava...

Camus começou a estocar devagar, subindo e descendo numa cadência lenta, enquanto buscava a boca de Milo para beijar, lamber-lhe os lábios voluptuosamente para distraí-lo da dor e controlar-se para não se enterrar com força como seu corpo pedia...

Milo gemeu... a dor misturando-se a um prazer inédito, primitivo que crescia fazendo-o desejar que Camus se aprofundasse mais e aumentasse o ritmo. Com um olhar carregado de erotismo, ofegou e abriu mais as pernas, forçando seu centro admitir a penetração. Sentiu quando o sexo poderoso de Camus foi até o fundo, dentro de si marcando-o como seu. Podia senti-lo pulsando em seu interior, vivenciando aquela entrega inédita e inexplicável, que transformava aquele amor em uma experiência única.

— Ahhhh...Camus... AAAAhhh... Camus! – gritava Milo, projetando o corpo, ao mesmo tempo em que puxava, ainda mais, o ruivo para dentro de si.

Atendendo ao apelo de Milo e também ao desejo furioso de seu próprio corpo, Camus quase saiu de dentro dele para projetar-se mais forte, golpeando-o nas profundezas, arrancando gemidos roucos, fazendo-o se contorcer sob o seu corpo, enquanto ele próprio gemia entrecortado e era tomado pelos tremores que antecediam ao gozo.

Milo moveu-se junto, tomado por uma febre insuportável e uma sensação de que estava se dissolvendo e, ao mesmo tempo, sentindo cada célula do seu corpo ser consumida pelo prazer feroz que o cavalgava sem piedade...

Gemendo e arfando, Milo gozou, assim que se sentiu preenchido até o fundo com uma última estocada forte. O suor verteu por todos os poros de seu corpo e o nome do duque escapou-lhe da garganta de um jeito estrangulado...

Também arfante, Camus buscou a boca de Milo, ensandecido em sentir-lhe o ofego do gozo em seus lábios, tocar a língua experiente, que o fazia delirar...

Em seguida, um grunhido soou na garganta de Camus, como se tivesse esperado muito tempo para ser liberado. O controle dele se rompeu e ele segurou os quadris de Milo com ambas às mãos, puxando-o para si, enquanto investia dentro dele com força.

Num último movimento profundo, Camus inclinou a cabeça para trás, o pescoço estendido com a força do clímax, os dentes cerrados... Milo sentiu o sêmen quente, tão fundo dentro de si, como se Camus estivesse tocando-o além da alma, destruindo todas as barreiras e mal-entendidos, resgatando a cumplicidade que lhes era natural.

Os dois estremeceram convulsos e, finalmente, o furor orgásmico acalmou, deixando Milo tremendo e Camus sem fôlego.

Sentindo como se todo o seu corpo tivesse amolecido, Milo foi tomado por uma languidez deliciosa, um torpor que inundou seus sentidos levando-o para algum lugar totalmente diferente da biblioteca em que se encontravam.

Camus abraçou-o com a respiração descompassada e um sorriso de plenitude. Beijaram-se com um misto de lascívia e ternura, os corações batendo como se fossem tambores primitivos.

Milo fechou os olhos e apertou Camus, ainda mais junto ao corpo e lhe acariciou as costas, certificando-se que tudo o que acabara de acontecer era real e palpável.

— Estamos entendidos, agora Sua Graça? –perguntou Milo rindo, e havia um tom íntimo naquela voz profunda, um tom de satisfação e posse.

— Estamos, senhor Milo. – disse Camus sorrindo com os olhos fechados, as dúvidas que haviam surgido em sua mente, evanescendo...

Milo tocou a face ainda afogueada e permitiu-se dizer o que transbordava em seu coração.

— Nunca, mas nunca mesmo, duvide que eu o amo, Camus.

Camus encarou-o, tão sério que Milo achou ter dito algo impróprio. Então, o ruivo beijou-lhe os lábios e sorriu de um jeito tão aberto que o jovem estranhou, mas adorou...

— Perdoe-me... não estou acostumado a sentir com tanta intensidade. Jamais amei alguém antes de você, Milo.

Os dois riram e voltaram a se beijar suave, doce e lentamente. Ficaram deitados em silêncio, numa deliciosa intimidade. Milo com a cabeça aninhada contra o pescoço de Camus, enquanto ele o puxava para bem perto de si.

O ruivo podia sentir o ritmo forte das batidas do coração de Milo, a expansão do tórax a cada respiração e o aroma forte do sexo permanecendo entre eles. Sorriu em ver que estavam naquela chaise estreita e que seus corpos pareciam não querer separar-se, jamais... Então suspirou, sentindo que seu coração pulsava alegre e pleno junto daquele que se permitira amar...

Notas finais
*** Obrigada a todos os leitores entusiasmados, presentes, invisiveis, enfim! XD *** Camus e Milo vivem um momento de muito amor e cumplicidade, mas seus inimigos ocultos começam a conspirar e, muita coisa vai acontecer....No entanto, junto a isso, os dois conquistam um poderoso aliado! Bjs e até o próximo capítulo!!XD