Amor Selvagem!

14 Capítulo 14 COMO OTELO...


Notas iniciais
Oi, amados todos!!! Mais um capítulo, antes que o tempo me tome para si como um amante muito exigente!!! * risos O poema que abre o capítulo é de Shakespeare e o próprio título do capítulo foi inspirado em uma obra desse grande dramaturgo. ****Otelo, o Mouro de Veneza (no original, Othello, the Moor of Venice) é uma obra de William Shakespeare escrita por volta do ano 1603. A história gira em torno de quatro personagens: Otelo (um general mouro que serve o reino de Veneza), sua esposa Desdêmona, seu tenente Cássio, e seu sub-oficial Iago. A trama gira em torno de uma conspiração iniciada pelo cíúme e despeito que toma proporções desastrosas. *** Por isso, que eu não sou ciumenta... * risos *** Espero que gostem e tenham um bom fim de semana!!! Bjs, XD

“Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.”



Encolhida a um canto da carruagem, Pandora tentou não olhar na direção do amante sentado a sua frente. Hades também permanecia em silêncio, tentando adivinhar o porquê das atitudes da jovem que acreditara dividir com ele as mesmas ideias e gostos.

— Está quieta demais. Ainda perturbada por aquele simples incidente? – disse por fim.

Com extrema relutância, Pandora ergueu o olhar para ele.

— Perturbada por um simples incidente? Acha agradável que um sujeitinho qualquer faça insinuações sobre a mulher que você pediu em casamento?

— Thierry Lasier não é um sujeitinho qualquer, ele é um profundo conhecedor das artes. O fato de ele tê-la reconhecido nas obras de Minos não é nenhuma vergonha. Tem de deixar de lado essa eterna vergonha provinciana, minha querida.

Pela primeira vez, Pandora sentiu uma raiva tão grande que seus olhos faiscaram. Não havia mais lágrimas neles, pois as tinha derramado junto à Radamanthys. No entanto, apesar de arrependida do ato, ouvir de Hades que a situação não era nada demais a enfureceu.

— Vergonha provinciana? Queria ver se fosse você nu em todos os quadros e expostos numa galeria qualquer!

— Ele já me pintou em vários.

— Há! Pintou seus... seus genitais, não o seu rosto como fez comigo! Eu ouvi muito bem o que aquele sujeitinho horrível disse com aquela expressão pervertida e conversinha blasé!

Hades suspirou, aborrecido e virou o rosto, olhando para a paisagem sob o fog da madrugada. Pandora fez o mesmo, apertando as laterais do vestido num gesto inconsciente. Por um instante, a figura de Radamanthys surgiu em sua mente lembrando-a dos braços fortes, do corpo quente, mas acima de tudo do olhar penetrante que ele lhe deu e da forma educada com que ele a tratara, após ela ter chorado em seus braços. O barão tinha algo, um magnetismo próprio e um jeito de falar que a fazia sentir-se visível, importante.

Antes que a conversa prosseguisse, a carruagem parou em frente à mansão de Hades, que parecia mesmo um santuário sobre o veludo branco da bruma que a envolvia. Porém, Pandora continuou dentro da carruagem sem nenhuma intenção de descer.

— Se não se importa, estou muito cansada e desejo ir para minha casa. – disse ela.

— Seja feita a sua vontade, minha cara. O cocheiro a levará. – respondeu Hades sem nenhuma emoção na voz.

A atitude dele magoou-a, ainda mais. Entretanto, ela permaneceu firme em sua atitude e seguiu adiante, sem nada dizer.

Hades entrou em sua mansão, ainda surpreso com a atitude de Pandora, no entanto alguém o esperava sentado no luxuoso sofá, com a camisa de seda aberta mostrando parte de seu torso esguio, a expressão maliciosa brincando nos lábios entreabertos... Somente a visão dele ali bastou para desanuviar-lhe a mente e acender seu desejo.

— Algum problema...? – perguntou Minos.

— Pandora ficou aborrecida com o comentário de Thierry e com o fato de você retratá-la em seus quadros. – respondeu Hades indo até o armário de bebidas e servindo-se de uma dose de conhaque.

Minos levantou-se, inspirou fundo e beijou o pescoço de Hades como tinha o hábito de fazer, fazendo-o arrepiar-se com aquele contato como sempre acontecia, desde que haviam se tornado amantes... Segurou a cintura dele e fez uma trilha de beijos naquela pele alva que tanto desejava.

— Está bravo comigo pelo aborrecimento dela? – sussurrou Minos junto ao ouvido de Hades.

Com o cenho franzido, Hades voltou-se e, silencioso passou a mão pelo ombro de Minos, encarando-o e segurando seu rosto. Sem aviso e com certa rudeza, juntou as bocas, beijando-o como há horas estava com vontade. Percorreu todos os recantos daquela boca e foi correspondido com a mesma avidez. Hades jamais havia confessado, mas era com Minos que a sua natureza podia aflorar sem que tivesse de mascará-la com atos civilizados ou gentilezas. Minos era tão selvagem quanto ele e tão contraditório, também. A alma de artista convivia com o lado sombrio e insaciável. Assim era Minos e desde a primeira vez que o possuiu, sabia que ele seria seu. Para sempre!

Minos sorria em meio ao beijo e continuava aquela troca, tocando na língua de Hades e pegando mais dos lábios que tanto... amava! Sim, o amava desde que se entregara a ele, quando ainda era adolescente. Ele fora seu primeiro e único homem e não importava a dor, nem a forma abrupta com que era possuído, nem mesmo o gosto do amante pelas mulheres. Ele seria seu um dia e essa certeza estava tão presente quanto ao talento que se orgulhava de ter e exibir perante aquela sociedade hipócrita e medíocre.

— O dia em que eu ficar bravo com você por causa dos achaques de uma mulher, será porque fiquei demente... Ah não ser que ouse me trocar por uma... — murmurou Hades interrompendo o beijo e enfiando a mão dentro da calça do mais novo.

A risada abafada de Minos reverberou nos lábios finos de Hades, ele sabia que estava provocando e gostava das reações do mais velho, assim como aquele jogo de sedução que começava devagar e acabava de forma ardente na cama...

— E o dia em que uma mulher me chamar a atenção, deste modo, pode matar-me, porque enlouqueci. – murmurou Minos entre os gemidos que emitia sob as carícias de Hades.

Hades puxou Minos ainda mais de encontro ao seu corpo. Seus lábios eram tão bem recebidos e o calor do corpo do amante o envolvia de modo que não demorou para os dois acabarem nos aposentos amplos do conde, nus e acariciando-se sôfregos, tomados pela luxúria.

Descendo dos lábios pelo pescoço que se oferecia a si, Hades puxou as coxas brancas de Minos, apanhando bem sua pele entre os dedos, marcando-o como gostava de fazer... A anatomia perfeita e ainda juvenil, atiçava a boca do conde e ele foi à entrada do corpo que o deixava fora de si, como na primeira vez em que tinham feito amor, pressionando a língua naquela abertura, molhando-a e penetrando-a com sofreguidão.

Tudo em Minos tinha um sabor bom, e, agora que estavam somente os dois, poderia prová-lo de todas as formas, sem ter que dividir sua atenção erótica com mais ninguém. Os dedos soltavam lentamente as coxas e a boca passava pela virilha, pelo falo túrgido, deixando a respiração e o toque dos lábios arrancarem mais gemidos altos de Minos.

O mais velho o estava torturando e Minos sentia cada vez mais desejo e impaciência. Num movimento se ergueu e girou o corpo de Hades num baque, ficando por cima dele naquela cama espaçosa, olhando o contraste de seus cabelos negros com o tom alvíssimo do lençol.

— Hoje, serei eu a comandar! – Falou divertido, sentando-se em cima do quadril do amante, puxando seus pulsos para ficarem presos no alto da cabeça e então se inclinou para frente, soltando-o e beijando-o, profundamente, na boca.

Os olhos de Hades brilharam insanos e excitados e ele soltou um riso alto. Teve as mãos presas, algo que costumava acontecer sob o seu comando e aquilo partir de Minos o fez lembrar as lições eróticas que tinha dado a ele. Agora o tinha sobre o corpo, sabia que o mais novo era impaciente e que estava tão excitando quanto ele, mas se surpreendeu ao vê-lo ter aquela atitude.

Agarrou a pélvis e o puxou para junto de si, aproveitando enquanto a boca se abria junto aos seus lábios, provocando o encontro das línguas, as salivas sendo trocadas em meio aos ofegos de ambos. Os membros se tocaram e ficavam pressionados entre os corpos, fazendo-o sentir aquela vontade insana de penetrar Minos de imediato, sem mais demoras ou preliminares...

O olhar febril de Minos pareceu entender o desejo do amante e ele inclinou o corpo, encaixando-se no falo rijo de Hades e descendo sobre ele com um movimento sinuoso, porém forte. Ofegou quando sentiu a glande invadir-lhe o canal quente e apertado e sorriu quando viu o amante morder o lábio inferior...

— Hades... – gemeu extasiado ao sentir as mãos grandes e macias segurarem-no com força pelo quadril, fazendo-o sentir-se invadido, profunda e prazerosamente.

O interior de Minos o pressionava e a sensação de ser acolhido naquele espaço era diferente e extasiante. Não sabia, exatamente, o porquê, mas o maior prazer que sentia, era quando estava dentro dele, dominando-o e sendo dominado pela natureza passional de Minos... O amante sempre superava todas as expectativas. Era no corpo dele, nas profundezas que seu falo alcançava, no interior apertado e quente, no olhar agudo e febril que o fazia sentir-se desejado sem limites, que atingia os picos mais altos de prazer...

— Você é meu, somente meu! – grunhiu Hades movendo os quadris para cima e sentindo o impacto do corpo de Minos junto ao seu.

Com os olhos fechados e os lábios entreabertos, Minos usufruía daquela sensação, aquele falo quente, grosso, deslizando para dentro do seu corpo, enlouquecendo-o, incitando-o cavalgar com mais rapidez e fúria para senti-lo tocar-lhe o ponto do prazer muitas e muitas vezes...

E foi assim que ele gemeu alto, abriu um pouco mais as pernas fechando as mãos nos braços de Hades, com uma forte pressão nos dedos trêmulos pela chegada do clímax.

— Goza dentro de mim... – pediu Minos, o olhar ébrio de prazer, num tom urgente, querendo mais daquelas investidas.

Por fim acabou gozando, contraindo-se ainda mais, deixando os dedos afundarem-se nos braços do amante, enquanto seus joelhos afundavam-se no colchão e as costas se arqueavam ainda mais no mesmo instante em que os respingos de seu sêmen cobriam o tórax de Hades.

Sentindo seu membro pulsando e o baixo ventre anunciando que logo chegaria ao orgasmo, Hades estremeceu, violentamente, e inundou o interior de Minos com seu prazer. Um último gemido saiu dos lábios bem desenhados do conde e ele fechou com força os olhos. Moveu os quadris não tendo pressa em sair de dentro de Minos.

O corpo trêmulo de Minos se contraiu e ele desabou sobre o peito de Hades, fazendo-o sentir as batidas aceleradas de seu coração. O conde apertou-o forte, sentindo o suor e o gozo espalharem-se, por ambos os corpos. Esperou que seu falo desinchasse e se moveu saindo e deixando que o gozo escorresse por entre as nádegas de Minos.

— Eu te amo, Hades... sempre amei. — disse Minos baixinho, de forma quase inaudível.

Ainda ofegante, Hades tomou seu rosto entre as mãos e o beijou , envolvendo-o com seus braços e olhando-o bem dentro dos olhos. Nada disse, apenas olhou-o de forma intensa e terna. Então tomou-lhe a boca e colocou naquele beijo, todo o amor que sentia e que jamais confessara, mas que tinha a certeza de nunca se extinguir ou ser dirigido a outro...

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— Não acredito que está com ciúmes dele! – falou Kanon, quando Saga desviou-se de seu toque, após ultrapassarem a soleira da porta e adentrarem a mansão.

Saga esfregou os olhos cansados e tocou o sininho para chamar seu mordomo. Precisava de uma xícara de chá. Não, precisava era de um café e bem forte! Estava irritado e enciumado, mas não tanto pelo fato de Afrodite ter ficado junto ao irmão todo o baile e sim por saber que Kanon continuava a frequentar o estabelecimento do qual o belo homem era proprietário.

— Saga... Estou falando com você! – insistiu Kanon.

— Eu não quero conversar agora, estou cansado.

— Mas eu quero! – disse Kanon segurando o braço do irmão.

O olhar que Saga mostrou deixou Kanon desconfortável. Diferente dele, Saga era sempre mais centrado, calmo e isento de vícios. Talvez, o único que tivesse era a leitura e o gosto por conhecer novos estilos literários.

— Escute, eu não tenho mais nada com Afrodite, nós agora somos apenas amigos.

— Se, realmente é só isso, porque mentiu para mim? Quando saía sozinho, dizia ir ao clube, quando na verdade era para aquele antro que se dirigia!

— Achei que não gostaria de saber. Naquele dia, em que eu sugeri irmos todos, você e Camus foram contra.

— Mas é claro que fui! Sabe muito bem que esse tipo de coisa não me atrai. Quando vou com você ao clube, jogo para acompanhá-lo, mas isso não significa que considero seu vício a oitava maravilha do mundo.

— Pois eu gosto! E a taberna de Afrodite oferece jogos diferentes que me faz...

— Vá dormir Kanon. Não quero discutir com você agora. – interrompeu Saga.

— Esse é o seu problema, quer as coisas do seu jeito. Sempre! Isso me entedia. – vociferou Kanon deixando a sala.

Saga nada disse, sentou-se num dos sofás e aguardou o café que lhe seria trazido. Por falta de um confidente àquela hora, queixou-se ao seu próprio reflexo no espelho colocado acima da escrivaninha.

— É, Saga... Você não constitui mais um desafio. Nem para Kanon, nem para você mesmo.

Depois que o café lhe foi servido, olhou para a bebida que sempre pedia. Kanon tinha razão, havia se tornado um homem de rotinas óbvias e repetitivas. Deixou a xícara fumegante, intocada, e direcionou sua atenção para o armário fechado que continha uma pequena caixa que importara da França e também dois livros de Edgar Alan Poe que importara da América do Norte.

Tomou a caixa nas mãos e abriu-a, revelando uma garrafa trabalhada contendo absinto, a bebida criada pelo médico francês Pierre Ordinaire que era, em sua origem, um remédio depurativo, mas com o passar do tempo foi transformando-se em uma bebida de sabor pronunciado e famosa por “abrir a percepção”, levando o indivíduo a estados alterados de consciência.

Saga olhou a garrafa ornamental e resolveu, enfim, abri-la. Provou do gosto adocicado com uma nota amarga e sorriu triste. É exatamente como me sinto... Pensou, enquanto bebia mais daquela bebida inebriante.

Meia hora se passara, quando Saga sorveu o último gole da quarta taça. Uma estranheza perpassou seu semblante quando olhou-se, novamente no espelho e pensou ter visto um reflexo avermelhado em seus olhos...

Teve vontade de rir e o fez. Ouviu-se gargalhar alto e gostou da sensação de liberdade que sentia. Seu corpo estava leve e sua mente liberta de qualquer censura. Parecia outro Saga, sentia-se tomado de uma energia radiante e agressiva.

Levantou-se do sofá um tanto trôpego e dirigiu-se aos seus aposentos. No caminho, viu por baixo da porta que a luz no quarto de Kanon estava acesa. Estreitou os olhos e passou a língua nos lábios, tomado por um tesão extremo. Tocou na madeira grossa da porta e inspirou como se fosse um animal sentindo o cheiro de sua presa. Abriu-a, vendo seu irmão alimentando o fogo da lareira.

Kanon largou o atiçador e franziu o cenho ao vê-lo entrar, porém quando abriu a boca para falar algo, Saga aproximou-se com um olhar estranho e puxou-o de encontro a si. Com gestos bruscos, retirou o camisolão que ele usava, rasgando o tecido de algodão e expondo o tronco belo e musculoso. Acariciou os mamilos escuros com força, deixando-os intumescidos.

— Saga... – murmurou Kanon, já excitado, porém o irmão tapou-lhe a boca e virou-o, com extrema agilidade, deixando-o de costas para si.

Em seguida, Saga fez com que Kanon se encostasse ao seu corpo, sentindo a pressão das nádegas roliças em suas coxas musculosas. Encostou o queixo no ombro do irmão, aspirando o cheiro dos cabelos e deslizou a mão que tapava a boca para o pescoço, acariciando-o...

— Hoje será a minha vez... – sussurrou enquanto mordia-o no lóbulo da orelha.

Kanon sentiu a boca quente e ávida roçar sua nuca e pescoço. Seu corpo reagiu e um calor ardente espalhou-se por cada centímetro do seu corpo. Respirou fundo e sorriu ao sentir a ereção de Saga roçar-lhe as nádegas. De olhos fechados e com um sorriso nos belos lábios sentiu quando Saga abriu o botão das calças... Entretanto, o sorriso morreu ao sentir que Saga o empurrava em direção à cama com o rosto voltado para baixo e prendia seus braços atrás do corpo com violência.

— S-Saga... O que...

Shhhiiiii... Meu amor... agora, você vai ter o que deseja. – murmurou Saga afundando a cabeça de Kanon nos travesseiros.

Ditas as palavras, Saga posicionou-se entre as pernas de Kanon, jogando todo o seu peso sobre ele. Aproveitando o camisolão rasgado, amarrou as mãos do irmão para trás.

— S-Saga! – gritou o gêmeo mais novo de forma abafada pela maciez dos travesseiros e lençóis.

— Se entregue... – murmurou Saga.

Kanon não lutou, apenas gemeu alto quando Saga o invadiu, arremessando-se com força para dentro do seu corpo, enquanto o mantinha sob domínio. A ação deixara o mais novo confuso e sem ação, seu corpo tomado por emoções contraditórias...

Cada vez com mais vigor, Saga o penetrava profundamente, arrancando gemidos de dor, mas ao tocar-lhe a próstata, também o fazia sentir descargas de prazer que se somavam ao ato insano.

Kanon arquejava tentava falar, mas seu corpo era sacudido pelas estocadas e ele perdia a noção do que estava acontecendo. Aquele que o possuía não parecia Saga, ele nunca faria amor desse jeito, não desta forma selvagem e violenta que mais parecia um estupro.

M-Mas, mesmo assim, meu corpo o quer... Os pensamentos se precipitavam de forma caótica na mente de Kanon, enquanto era violado por aquele que amava.

Com os olhos injetados, Saga moveu os quadris sentindo-os bater nas nádegas do irmão. Percebeu que seu falo entrava com mais facilidade e que havia uma viscosidade quente envolvendo-o. Sangue do meu sangue... Ouviu uma voz reverberar dentro de sua mente e então estocou com mais força e rapidez, gozando e unindo seu sêmen ao líquido vermelho.

Kanon ofegou e estremeceu, gozando também, mas sentindo um gosto amargo em sua boca e em seu coração. Saga saiu de dentro dele, caindo de lado com um gemido profundo nos lábios. Então, puxou as calças, se levantou e deixou o quarto. Ao chegar à porta, olhou para Kanon que o encarava com o cenho franzido e falou:

— Espero que não esteja entediado, agora. Durma bem...

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O caminho para o “Cabeça Cortada” havia sido feito quase em silêncio, não fossem as observações de Máscara da Morte sobre o baile e a comida. Como era fora do perímetro urbano, a enorme Taberna dava a impressão de flutuar como um castelo mal-assombrado, em meio à neblina da madrugada. Havia luz em algumas janelas, indicando que algum empregado os estava esperando. Assim que desceram da carruagem, as grandes portas do estabelecimento se abriram e havia alguém postado na soleira para recebê-los.

— Achei que chegariam mais tarde. . – disse um jovem de cabelos exóticos e rosto juvenil.

— Chegou esta noite? – perguntou Afrodite.

— Sim, quis estar aqui um pouco antes, para preparar-me para depois de amanhã. Willa recebeu-me e pediu para dizer que deixou seu banho preparado. – respondeu o jovem.

— Willa é de uma dedicação e gentileza insuperáveis... Ao contrário de outras pessoas.— disse o loiro.

Máscara da Morte olhou para o belo jovem de feições delicadas e olhar marcante. Sorrindo, aproximou-se colocando o braço sobre os ombros estreitos.

— Venha, deve estar com fome! – disse o moreno.

— Não muito, sabe que não gosto de entupir- me de comida antes dos jogos.— respondeu ele.

— Mas eu estou faminto! – retrucou Máscara.

Afrodite olhou-o com um ar incrédulo. – Como assim está faminto? Acabamos de vir de um jantar!

— Chama aquilo de jantar? Peixes preparados com aquelas frutas adocicadas, carnes defumadas com temperos esquisitos, saladas e mais saladas! Nada que forre o estômago de verdade.

O jovem sorriu, enquanto Afrodite bufava e revirava os olhos. Máscara ignorou-os e adentrou a Taberna indo direto para a cozinha.

Afrodite suspirou e despediu-se do jovem com um beijo em sua face.

— Faça companhia a ele, por favor. Eu vou tomar um banho e deitar, estou cansado...

O jovem sorriu e foi para a cozinha, enquanto Afrodite direcionava-se ao toilette e retirava as roupas de gala.

Chegando à peça, finamente decorada como se fosse o quarto de banho das rainhas vitorianas, Afrodite olhou para o pequeno frasco contendo essência de rosas e despejou na banheira com água quente que já o esperava. Perdeu-se no movimento das pequenas ondas formadas pelas gotas que haviam caído do frasco... A noite havia sido agradável e o que Milo falara, ainda encontrava eco e resistência em sua mente, fazendo-o suspirar.

No entanto, não queria pensar em mais nada. Após despir-se, por completo, mergulhou na água quente e perfumada e fechou os olhos...

Instantes depois, Afrodite acordou com um forte e delicioso aroma de massa ao molho de carne. Ainda estava na banheira cuja água já começava a esfriar, deixando de ser agradável... Levantou-se de imediato e, no mesmo instante, Máscara abriu a porta e o viu elevar-se nu da banheira. Os dois se olharam e o coração de Máscara disparou, enquanto seus olhos se detinham no corpo alvo e voluptuoso. Nunca tinha visto o loiro sem roupas e, por alguns segundos, sua cabeça deu um nó, porque também nunca se excitara vendo um homem.

— As portas existem para quê mesmo? – perguntou Afrodite estendendo, languidamente a mão para pegar sua toalha.

— D-Desculpe, mas é que... que...

— É o quê, Ângelo?

— Bem, eu só queria saber se você... não quer provar a massa que eu fiz? – gaguejou Máscara ainda aturdido pela visão e a constatação de seu súbito interesse por aquele que considerava seu melhor amigo.

Afrodite ia responder que não era nenhum bárbaro esfomeado, mas o cheirinho estava lhe dando água na boca. Franziu o cenho, enquanto enrolava-se na toalha, depois tornou a olhar para Máscara que parecia, verdadeiramente, constrangido e... excitado?

Percebendo o olhar afiado, Máscara disfarçou, virando de lado, mas ainda se fazendo presente ali.

— Está bem, eu irei provar da sua massa, italiano. Mas, agora saia e deixe eu me vestir em paz. – completou com um tom de voz sereno e sedutor.

Máscara obedeceu e logo, os três ceavam fettuccine ao sugo d'umido acompanhado de um belo e frutuoso vinho tinto.

Afrodite havia vestido uma túnica simples e agora sorria, exibindo seus dentes brancos, perfeitos e alinhados. Os lábios avermelhados e molhados com o vinho e a forma como ele piscava... Tudo ia deixando Máscara da Morte cada vez mais confuso com suas emoções e com as reações do seu corpo. De repente, era como se tivesse despertado de uma vida que não era a sua.

O jovem agradeceu a ceia, pediu licença e recolheu-se ao seu quarto, como habitualmente o fazia. Afrodite ia fazer o mesmo quando Máscara pousou a mão grande e quadrada sobre a sua.

— Espere... Fique mais um pouco. – disse ele percebendo-se rouco e ansioso.

Afrodite olhou para a mão que cobria a sua.

— O que pensa estar fazendo? – perguntou o loiro fitando Máscara com angústia no olhar.

— Não sei, simplesmente, não sei o que está acontecendo mas...

— Mas o quê?

Máscara conteve a respiração e, sentindo aquele clima tenso, Afrodite levantou-se, puxando a mão.

— Acho melhor eu me recolher. Boa noite e obrigado pelo delicioso jantar. – disse ele forçando um sorriso.

Como se estivesse sendo movido por uma força maior que a sua confusão interna, Máscara também se levantou com os olhos fixos nos lábios entreabertos de Afrodite. Ele aproximou-se do loiro, a própria lentidão dos movimentos parecendo uma ameaça considerando-se o calor dos olhos azuis escurecidos...

Afrodite tentou recuar, mas Máscara o segurou forte pela cintura e o puxou para si, o olhar sério e conflituoso abandonando os olhos cristalinos do loiro, passando pelo nariz delicado e chegando a boca carnuda que ofegava baixinho.

— Eu sempre gostei de mulher, mas nunca senti ciúmes por uma. Eu olho para você e algo mexe com as minhas entranhas... Eu preciso saber. – disse ele aspirando o hálito que escapava dos lábios de Afrodite.

— Você deve estar com dor de barriga! Me solte! – falou Afrodite tentando escapar.

— Não. – disse Máscara. – Se fosse dor de barriga, eu não poderia fazer isso...

Afrodite conteve a respiração quando os lábios dele se uniram aos seus, forçando-os a abrir com hábil pressão. Ele fechou os olhos e deslizou os braços sob os de Máscara, abraçando-o com força, sentindo a língua dele tocar a sua de modo íntimo, como se fosse natural beijarem-se assim. Percebeu a constituição vigorosa do italiano e o contorno dos músculos, enquanto ele também o abraçava, mantendo-o preso a si.

A mão viril de Máscara da Morte deslizou até a base da coluna de Afrodite, puxando-o pelos quadris até que ele sentisse a ostensiva realidade da excitação dele. O loiro arfou e Máscara ergueu o rosto. Os olhos estavam mais escuros que nunca, estreitos, intensos...

— Ângelo... Por favor, me solte... Eu não suportaria tê-lo e depois vê-lo nos braços daquela mulher. Não faça isso comigo... – sussurrou Afrodite de encontro à boca que mais uma vez tentava devorar a sua.

Máscara suspirou, profundamente. O impacto daquelas palavras fazendo-o acordar daquele transe erótico. Sem nada dizer, afrouxou os braços e deixou Afrodite desvencilhar-se. Afinal, aquela urgência e necessidade eram novas e inquietantes. Nem ele sabia o que fazer com ela e temia o impacto de tudo isso na sociedade que tinha com o amigo.

Trêmulo, Afrodite deixou o salão e correu para o quarto sem olhar para trás, enquanto Máscara fechava os olhos e sentia o gosto daqueles lábios e o perfume daquela pele...

O italiano olhou para a garrafa de vinho que estava vazia e, com um profundo suspiro, passou a mão nos cabelos revoltos e dirigiu-se para a adega onde tentaria calar com o vinho, a vontade de ir atrás de Afrodite e amá-lo como o seu corpo pedia.

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O som dos passos da criada ecoava sobre o piso de mármore, no andar inferior da mansão, enquanto ela se dirigia com sono ao quarto de sua senhora. Ninguém merece... A megera tem uma vida de mentira com um homem mais jovem e descarrega tudo na gente! Precisava chamar-me de madrugada? Perguntava-se a criada, enquanto andava.

Ao chegar no corredor e deparar-se com a porta alta e cheia de detalhes na madeira clara, ela abriu-a, depois de bater de leve, e entrou.

— Estou aqui, senhora, assim como me ordenou. – disse ela tentando esconder um bocejo.

Valery lia, acomodada em uma poltrona junto da lareira. Havia colocado uma camisola negra e transparente que revelava bastante do corpo maduro, porém ainda atraente. Ela olhou para a criada e retirou um envelope de dentro do livro.

— Daqui a pouco vai amanhecer e, quero que você leve esta mensagem ao lorde Standiford sem que ninguém a veja. Eu exijo sigilo absoluto, entendeu?

— Sim, senhora. Deseja mais alguma coisa?

— Apenas a sua discrição. Não deixe que a vejam, principalmente meu marido.

— O senhor Minos ainda não retornou. Quer que eu a avise quando ele chegar?

— Não é necessário. Agora saia e vá deitar-se. – disse Valery.

Assim que a criada deixou o aposento, Valery olhou para o fogo que crepitava. Por um momento, lembrou-se do baile e do momento em que vira o duque e seu jovem pupilo conversando. Realmente, não percebera nada inadequado, no entanto, sua intuição dizia que havia algo entre aqueles dois e ela não perderia a oportunidade de descobrir o que era, nem que para isso tivesse que seduzir o gorducho duque Standiford... Eu não serei o rebotalho esquecido e colocado para escanteio. Nesse jogo, eu serei aquela que vai até o fim, nem que para isso tenha que destruir o duque, seu pupilo, Pandora e quem mais se meter no meu caminho!

Notas finais
Agradecimentos especiais: Aghata Marie, Heloisa unleashed, ddkcarolina, JB, Angel Rose Black, Angelique, Hatake Sayuri, Mel Dark, Shall, Saturno, Meliare, LucyStar, Vampire Wlaker, Jurietto, Kemylly, Lemony, Chidori que me encantam com seus comentários entusiasmados e também para quem favoritou e lê silenciosamente: Dandara Melo, Thayná Freire, Jane Negume, Chuva gótica e Lady Jun! Bjs e muito obrigada pela atenção carinhosa!!!:)