Amor Selvagem!
11 Capítulo 11 INTRÍNSECO E EXTRÍNSECO...
Notas iniciais
— Pelas barbas da rainha Vitória! – exclamou Aiolia quando Camus deu seu tradicional meio sorriso e enrubesceu.
Fazia alguns minutos que Aiolia chegara ao café Lautrec e, ao olhar para Camus, notara que algo havia acontecido. Recebera a mensagem para encontrá-lo ali, um lugar elegante e discreto que não comportava muita gente e o serviço era impecável. O ruivo não costumava demonstrar suas emoções e era prudente nas atitudes. Porém, a barreira glacial que ele construíra para si, mostrava algumas rachaduras e Aiolia só confirmava que o responsável por isso era um jovem vivaz, inteligente e impulsivo chamado Milo.
— Não sei o porquê de tanta surpresa. Não era você quem vivia agindo como um alcoviteiro?— devolveu o duque com uma expressão impassível.
— Ora, não seja injusto. Alcoviteiro soa tão vulgar! Como ousa dizer isso ao seu melhor amigo? – rebateu Aiolia rindo e fazendo bico. — Falando sério, agora. O que pretende fazer?
— Após o Baile, pretendo ir falar com Dohko. – respondeu Camus.
— Você vai pedir a mão dele? Céus, a coisa é, realmente, muito séria! .
— Você e Milo são tão irritantemente parecidos, às vezes!
— Por quê? – perguntou Aiolia com uma expressão divertida.
— Milo disse o mesmo e ainda riu afirmando que não é a minha garota para eu ir pedir sua mão para o conde. Quer ele mesmo ir falar com Dohko. Mas, o caso é que o conde o colocou sob a minha responsabilidade, sou mais velho e acho que lhe devo satisfações. Ainda mais que não sei como ele receberá esta notícia. Temo que ele fique decepcionado com Milo e... bem você sabe como funciona.
Aiolia sorriu e sorveu um gole de café.
— Milo é um jovem independente, Camus. Não creio que ninguém consiga por freios nele. Ele é como um puro sangue, indomável pela força, mas subjugado pelo amor. Ele mesmo disse que só veio para cá para dar uma última alegria ao homem que o criou. Se ele ama você, creia que não importa o que o mundo pense a respeito, ele vai ficar ao seu lado.
— Eu sei, mas você sabe que não é tão fácil assim e não quero vê-lo magoado ou pior, ser destratado socialmente por pessoas cruéis e preconceituosas. E ainda tem aquele fato desagradável que aconteceu na mansão de Jamian. Tenho uma teoria sobre isso e pretendo investigar essa história mais a fundo.
Aiolia franziu o cenho e encarou Camus, vendo que o amigo, estava mesmo apaixonado e era fantástico como isso podia ser visto na expressão preocupada que ele deixava transparecer sempre que o assunto era Milo.
— Meu amigo, não sabe o quanto me alegra vê-lo feliz, forte e ativo, sexualmente. Já não sinto aquele constante arzinho gelado em você. Milo fez um bom trabalho deixando-o mais caloroso e menos chato. Sim, porque um celibatário acaba sendo muito enfadonho. – falou Aiolia rindo.
— Você fala como se fosse um Don Juan! Até onde eu sei, suas noites tem sido passadas no clube, bebendo e jogando. – disse Camus.
— Vigiando a vida alheia, meu caro duque? – argumentou Aiolia franzindo o cenho.
— Aprendi com meu melhor amigo. – devolveu Camus com sua tradicional frieza.
— Touché! Vejo que o amor o deixou mais afiado. Espero que melhor de cama, também. – alfinetou o conde.
Camus franziu o cenho e, em seguida sorriu. Aiolia era, realmente, alguém em que confiava, plenamente e o único com quem se permitia tamanha intimidade.
— Você e Milo têm, realmente, muito em comum...
— Bom gosto na escolha das suas relações ou uma língua afiada?
— Ambos. – disse Camus elevando uma sobrancelha. — Bem, tenho que ir. Janta conosco, hoje? Convidei Saga e Kanon também.
— E a amante postiça? Não me diga que vai deixar aquela belezinha de fora?
— Se está falando de June, sabe que em minha casa Saga não precisa disfarçar, portanto é certo que irá, apenas, com Kanon.
— Que egoísmo... se ele não usa, porque não dar uma pequena alegria ao amigo hétero aqui?
— Ouviu o que acabou de dizer, Aiolia? Não acredito que tenha dito algo tão desprezível. – disse Camus com uma expressão de incredulidade.
— Certo, essa eu forcei, mas que é um desperdício, isso é. Que culpa tenho eu de ser o único que aprecia as delícias de um corpo feminino? Isso é preconceito, sabia? – rebateu ofendido.
— Sabe muito bem que não me referi à sua preferência e sim ao jeito como falou. Ninguém é um objeto para ser usado e nem June é o tipo de mulher que se prestaria a esse papel. – falou o duque.
— Ah, essa sua maneira polida de ver as coisas, às vezes, é muito... muito fresca, isso sim! Não acredito que aquele mulherão se satisfaça, apenas, em posar de amante. Se bem que... Cada vez mais eu chego à conclusão que as mulheres gostam mesmo é de dinheiro e ela deve ganhar muito bem para manter a fachada cavalheiresca de Saga. – bufou irritado.
Camus balançou a cabeça e eximiu-se de contra argumentar, despediu-se e levantou-se da mesa.
— Espero-o hoje à noite, senhor provocador.
— Está bem, Sua Graça ex—solteirão. Lembranças ao Milo.
Aiolia ainda permaneceu um tempo olhando pela vidraça, agora sério e compenetrado. Estava feliz por Camus e por todos os seus amigos que haviam encontrado alguém para amar. Mesmo que não fosse o tipo de amor aceito pela sociedade, ainda assim, eles desfrutavam da benção de ter o coração pleno. Já ele, permanecia no limbo dos prazeres fugazes e sentia falta de algo mais profundo em sua vida.
— Deseja mais um café, milorde? – perguntou o garçom interrompendo as divagações do conde.
— Sim, e acrescente uma dose de conhaque, por favor. – respondeu Aiolia, suspirando e continuando a olhar para o movimento na rua.
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Radamanthys encarou Valery de forma intensa, então se aproximou o suficiente para que ela sentisse sua respiração quente e a proximidade do seu corpo viril. A viscondessa sentiu-se estremecer, mas manteve a postura e o olhar fixo nos olhos dourados.
— Sou um homem viajado, minha senhora. Conheci uma variedade de culturas diferentes e tive a sorte de compartilhar o conhecimento que cada uma delas me ofereceu. Entretanto, há uma singularidade que se repete em todas elas, sejam orientais ou ocidentais.
— E-E o que seria? – perguntou Valery tentando centrar-se e escapar daquela rede que parecia ser tecida por aqueles olhos inquisidores.
— Ardil feminino! As mulheres possuem vantagens sobre nós, homens, e creia-me, na maioria das vezes, o preço a ser pago é até pequeno em relação ao prazer que nos proporcionam. No entanto, existem aquelas com o poder de fazer-nos afundar e cair em um abismo por demais profundo, algo que me obriga a recusar o seu acordo. – disse o barão, afastando-se dela.
Percebendo que estava com a respiração em suspenso, Valery soltou o ar e fingiu uma pequena tosse.
— Milorde me constrange ao pensar que eu seria capaz de prejudicá-lo. Sou apenas uma esposa que... se vê preterida em prol da juventude. Perdoe-me, fui tola em incomodá-lo. – disse ela com a voz, propositalmente, embargada.
— Eu poderia dizer muitas coisas sobre a senhora, mas... tola, não seria uma delas. Se me permite um conselho, creio que o que lhe falta em juventude, sobra em perspicácia, então deixe que as coisas sigam o seu curso. A vida tem ciclos, outra verdade que comprovei. Nada é para sempre, assim como o prazer pode, facilmente, transformar-se em dor. Agora se me dá licença. – disse o barão tomando a mão de Valery nas suas e beijando-a. — Vim aqui para tratar de negócios e estou sendo esperado.
A viscondessa sentiu uma palpitação ao fitar aqueles olhos abrasadores, assim com sua pele se arrepiou com o contato daqueles lábios em sua pele. Esse homem parece desnudar-me com um simples olhar...!
— Adeus, milorde. Espero que... continue frequentando a nossa casa e perdoe-me se o aborreci. – disse ela, saindo rápido.
Radamanthys deixou-a sair e sorriu, malicioso. Podia ser jovem, mas detinha uma larga experiência com as mulheres. Valery era ardilosa e despeitada, uma combinação perigosa em uma mulher. Já a jovem que ela ansiava superar, dava para ver que ainda mantinha a ingenuidade, embora tivesse fogo no olhar e fosse dona de um corpo belo e sedutor.
Pandora... Que nome mais apropriado para uma jovem como ela! Assim como o mito, teria ela todos os dons e todas as desgraças, encerradas em si? Pensou o jovem barão, enquanto se dirigia ao salão dos cavalheiros.
Maldita hora em que essa mulher apareceu em minha vida! Maldita Pandora! Vociferava Valery, mentalmente, enquanto deixava o clube. Porém, antes que cruzasse a porta, Jamian surgiu para completar o estrago em seu dia.
— Minha cara Valery! Que surpresa agradável encontrá-la aqui! – disse ele cravando os olhos nos dela.
— Conde Jamian... É, igualmente, um prazer encontrá-lo, pena que já estou atrasada para um compromisso muito importante. — respondeu ela, enquanto pensava: Tem dias em que não devíamos colocar o pé para fora da cama!
— Longe de mim, atrapalhá-la, porém creio que temos um assunto pendente para resolver. – rebateu o conde.
Com um suspiro resignado, Valery sorriu, falsamente, e acrescentou:
— Ora, o que é um simples compromisso frente às necessidades de um amigo.
— Amigo e parente.— disse Jamian estendendo o braço.
Aborrecida e já não conseguindo mais esconder, Valery aproximou-se do conde e sussurrou-lhe perto do ouvido:
— Poupe-me dos detalhes sórdidos da minha linhagem e diga de uma vez o que quer!
— Fiz o que me pediu e... mesmo que não tenha dado certo, pelo menos eu tentei e acho que mereço uma recompensa.
— Mas... Mas... Era só o que me faltava! O senhor é um trapalhão covarde e inútil! Não terá nada de mim!
— Se eu fosse você, minha cara... pensaria melhor antes de desprezar um aliado. – disse Jamian.
— Aliado? Ora, saia da minha frente, conde Jamian! – disse ela empurrando-o e deixando o clube.
Jamian sentiu o sangue ferver, mas logo um frio percorreu- lhe o corpo quando viu o homem moreno, alto e forte que chegava acompanhado de um belo loiro cuja beleza andrógina era capaz de eclipsar grande parte das mulheres presentes. Deus, eu preciso sair antes que me vejam aqui! Pensou ele tentando se esconder.
No entanto, os belos olhos azuis do loiro piscaram na direção de Jamian e os lábios rosados, parecendo um delicioso botão de rosa, se abriram em um sorriso que nada tinha de simpático. Era uma expressão malévola traduzida em uma beleza quase mortal.
Aproximando-se com elegância, o jovem interpôs-se no caminho de Jamian que, de imediato, sentiu gotículas de suor brotar em sua testa.
— Conde Jamian... – disse Afrodite. – Até parece que combinamos de nos encontrar aqui, não é mesmo?
— S-Senhor Afrodite! Mas que prazer e coincidência agradável! – falou Jamian estendendo a mão para cumprimentar o loiro e já olhando para o homem moreno que o encarava sério e com olhar penetrante.
— Creio que hoje se encerra o prazo, não é mesmo? – disse, sem rodeios, o homem conhecido como Máscara da Morte.
— E-Eu peço a gentileza que me concedam mais um dia, por favor! – pediu Jamian enxugando o rosto, nervosamente.
Uma sonora gargalhada foi dada por Máscara.
— Sabe por que tenho esse nome, meu caro conde?
— S-Seria um apelido carinhoso?— arriscou Jamian com um sorriso amarelo.
Afrodite mordeu o lábio inferior antes de aproximar-se de Jamian e arrumar-lhe a gola da camisa. Um exótico perfume de rosas exalou do corpo esguio e jovem que se deslocava com uma sensualidade natural e provocante...
— Quase isso... – sussurrou-lhe Afrodite de forma sedutora. – Meu amigo é um homem que não se permite ser enganado, conde Jamian. Todos os que tentaram, perderam a... cabeça, literalmente. Por isso, ele prefere a alcunha ao nome de batismo. Isso faz com que todos saibam o que acontece se não honrarem seus compromissos. Creia-me, acostumei-me com a sua presença nos jogos e ficaria muito triste se algo semelhante acontecesse ao senhor...
Jamian sentiu uma gota de suor escorrer pelas costas e constatou que o lenço de linho estava empapado de suor. Não sabia se era lenda ou verdade. No entanto, diziam que ninguém ficava devendo para aqueles dois. Se arrependimento fosse dinheiro, há essa hora eu seria milionário, outra vez! Pensou enquanto estremecia frente aos dois homens que o fitavam, intensamente.
— P-Por f-favor... Eu preciso, somente, de mais um dia para conseguir o dinheiro. Eu vou pagá-lo, eu juro!
Afrodite afastou-se dele e Máscara tomou o seu lugar.
— Eu o espero depois de amanhã, sem falta. Se o senhor não pagar o que me deve, despeça-se dessa sua cabecinha feia... – falou o moreno.
Jamian engoliu em seco e olhou ao redor. Não tinha amigos, somente dívidas e desafetos por conta do vício de jogar e ficar devendo. Respirou fundo e foi até a mesa onde estavam outros nobres que dividiam consigo aquela doença.
— Então, tem lugar para mais um? – perguntou o conde.
Três homens sorriram, maliciosamente. Mais um jogo fácil! Pensou o homem calvo, enquanto os outros dois verificavam o baralho. Jamian sentou e fez sua oração corriqueira onde pedia ao santo dos endividados que lhe desse uma boa mão no jogo. No entanto, sabia que precisava tomar uma atitude mais enfática e isso incluía a sua odiosa prima Valery...
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Antes de deixar a mansão para encontrar Aiolia, Camus havia revelado a Milo que comprara o cavalo lorde Standiford e isso completara a enorme felicidade que o jovem sentia.
Milo não conseguia esconder a alegria e ria sozinho no caminho para o estábulo. Quando se aproximou do belo animal que agora exibia um físico saudável, lembrou-se do olhar e da resposta de Camus quando perguntara como ficariam as coisas, daqui para frente.
“Como eu disse ontem, antes de fazermos amor, eu não sou covarde...” Não podia definir a emoção de ouvi-lo dizer aquelas palavras, seguidas de um beijo que o fez estremecer. O duque conseguia levá-lo ao extremo do prazer com um simples toque ou olhar, logo ele que pensava já ter vivenciado tudo o que o sexo podia oferecer. Por que com Camus era tudo tão diferente?
O cavalo relinchou e bateu, fortemente, com os cascos, interrompendo os pensamentos de Milo.
— Ora, ora! Quer sair, não é mesmo? Então vamos dar uma volta. – disse o jovem verificando onde estavam as celas e arreios.
Nesse meio tempo, Jonas surgiu com uma mensagem do duque e sorriu quando viu Milo já montado no garanhão malhado. O jovem retribuiu o sorriso, os dentes alvíssimos destacando-se na pele bronzeada, o sol cintilando em seus olhos azuis... O mordomo viu-se tomado de uma ternura paternal, pois aquele jovem tinha o dom de encantar com sua simplicidade e com suas emoções expressas de forma tão aberta.
— Senhor Milo, que bom vê-lo bem e disposto. O duque foi resolver uns assuntos, como disse ao senhor, mas enviou uma nova mensagem dizendo que não poderá vir para o almoço. Ele sugeriu que o senhor levasse esse belo animal para um passeio no campo e Verena preparou esse lanche reforçado para o senhor, caso se demore.
— Obrigado, Jonas! Sabe, às vezes, eu me pergunto se é possível mesmo, sentir tanta felicidade como eu sinto agora...
Jonas não respondeu, apenas tocou na cabeça do animal e entregou a cesta com lanche para Milo. Em sua experiência, sabia que a felicidade podia ser intensa, mas passageira. No entanto, torcia para que com o duque e aquele jovem, as coisas fossem diferentes...
Seguindo a sugestão do duque, Milo foi deixando o tráfego lento das ruas londrinas e, pacientemente, desviava das carruagens, tílburis e outros cavaleiros em suas montarias. Minutos depois, seguia por uma estrada deserta longe da área urbana e foi com prazer que respirou fundo, deliciando-se com o ar puro e o sol banhando o seu rosto.
Como era bom deixar a agitação da cidade para trás e ficar um pouco sozinho, pensando e lembrando-se de tudo que havia acontecido em tão pouco tempo. Até mesmo o episódio malfadado na mansão de Jamian fora o estopim para acender o que havia entre ele e o duque...
Após um bom tempo sentindo o vento fresco de encontro ao rosto e a fragrância dos bosques que, agora ladeavam a estrada, Milo parou em uma bifurcação para descansar um pouco o cavalo.
— Vamos descansar um pouco, meu amigo. Você está se recuperando e eu também... – disse Milo desmontando e passando a mão pelo dorso do animal.
Depois de comer o delicioso e farto lanche, Milo deitou-se na relva e ficou a olhar o céu. O calorzinho, somado ao esplendor de toda aquela natureza o fez relaxar e adormecer. Uma hora mais tarde, o jovem acordou e viu que já estava tarde. Levantou-se depressa e, após montar verificou que o cavalo estava com a passada diferente e havia perdido uma ferradura.
— Droga! Como não vi isso antes? Temos que providenciar outra, pra você, amigo.
Puxando pela memória, Milo lembrou-se que havia passado por uma espécie de estalagem antes de ter entrado naquela bifurcação. Montou no cavalo e disparou, com sorte acharia um ferreiro e voltaria para Londres antes da hora do jantar.
A estalagem estava, de fato, situada em um terreno cercado por frondosos carvalhos, porém, de perto era bem maior que quando vista da estrada. A placa sentada sobre um pórtico de aspecto rústico exibia o nome Beheaded e, de fato, era um lugar exótico situado, estrategicamente, fora da área urbana de Londres , mas perto o suficiente para atrair nobres com algum vício e a eterna necessidade de buscar novidades no que se referia à jogatina e emoções fortes, algumas até, perigosas...
A decoração era um tanto bizarra, pois exibia esculturas de cabeças presas às paredes com as mais variadas expressões. Alguns diziam que não pareciam esculturas e sim cabeças humanas que haviam sido mumificadas, o que justificava a alcunha de um dos proprietários do lugar, Máscara da Morte.
Fora os detalhes da decoração, Beheaded ou “Cabeça Cortada” dispunha de quartos para acomodar quem ia ali para participar dos jogos e também de um grande estábulo para acomodar cavalos de raça.
Milo aproximou-se e foi recebido com um olhar avaliativo e interessado do belo proprietário conhecido por Afrodite.
— Boa tarde! Eu estava passeando e meu cavalo perdeu a ferradura. Existe aqui um ferreiro que possa me auxiliar? – perguntou Milo.
— Como é seu nome? – perguntou Afrodite.
— Me chamo Milo, muito prazer em conhecê-lo! E o senhor é? – falou o jovem estendendo a mão.
— Me chamo Afrodite. — respondeu apertando a mão estendida e sentindo a calosidade nos dedos junto com a força no cumprimento. — Vou pedir a um de nossos cavalariços que busque um ferreiro. Enquanto isso, permita-me oferecer um conhaque por conta da casa. Venha, vamos nos sentar.
— Obrigado, mais uma vez, mas eu gostaria, apenas, de um copo d’água. – disse Milo sorrindo, abertamente, e fazendo Afrodite arquear a sobrancelha e imaginar que outros dotes teria aquele jovem viril e, deliciosamente ingênuo, além da beleza física e da franqueza explícita em seus atos.
Os dois sentaram próximos a uma aconchegante lareira, em cadeiras opostas na pequena mesa retangular perto de uma pintura cujo tema era extremamente sensual. Milo não conhecia muito de arte, porém o quadro chamou-lhe a atenção pela perfeição do corpo retratado e pela cena que mostrava um jovem vendado e amarrado, cuja expressão dos lábios parecia sugerir que ele sentia dor, mas também prazer. Junto a ele estava uma figura que parecia ser de um homem, mas que permanecia nas sombras e só se via a mão dele sobre o corpo do rapaz, sugerindo que, além de algoz, o homem era amante do jovem.
— Se interessa por arte? – perguntou Afrodite vendo que Milo olhava, atentamente, para o quadro.
— Hã... Na verdade achei o quadro bonito e um tanto... instigante. Não sou um conhecedor de arte, embora já tenha visto muitas obras na mansão onde cresci. Sou um aprendiz de etiqueta social e ainda não domino todos os assuntos. – respondeu Milo.
— Entendo. Esse quadro me foi dado por um jovem artista que também é autor das esculturas nas paredes. – falou Afrodite fitando o jovem com tanta intensidade que Milo percebeu e desviou o olhar.
— Quanto tempo acha que vai demorar para que o cavalo receba a nova ferradura? – perguntou Milo para mudar de assunto e não discutir o mérito daquelas esculturas que achara um tanto hediondas.
— Não mais do que uma hora ou hora e meia, dependendo da disponibilidade do ferreiro. Sente-se desconfortável na minha companhia, senhor Milo?
— Não, absolutamente não. Só que já devem estar me esperando e eu não quero deixar ninguém preocupado. – disse Milo terminando de beber a água fresca.
— Pela sua ansiedade, a jovem, em questão, tem muita sorte. – lançou Afrodite bebendo um pequeno gole de conhaque.
Milo conteve a respiração por alguns momentos, pois quase deixara escapar que não era uma mulher e sim um homem que detinha o seu coração. O fato era que aquele belo homem a sua frente, além de possuir uma beleza extrema e quase feminina, tinha um jeito de falar que parecia mais um hipnotizador capaz de extrair os mais profundos segredos. Encerre o assunto Milo... Disse para si mesmo, enquanto fugia da resposta e sorria.
Afrodite correu os olhos pelo rosto de Milo, notando que ele tentava disfarçar o constrangimento e, apesar de não ser muito mais velho que aquele jovem, sentiu-se quase um ancião em matéria de dissimulação. No entanto, tinha que admitir para si mesmo que encontrar alguém cujas emoções fossem tão transparentes assim, era como o ar fresco entrando em ambiente fechado e asfixiante.
— Sabe, Milo, encontrar alguém como você me fez lembrar velhos e bons tempos. Nunca deixe que lhe tirem essa autenticidade. – disse Afrodite.
Assim que terminou sua fala, o belo proprietário viu um dos empregados da casa entrar entusiasmado e informar que o cavalo já estava com a ferradura nova.
— Muito obrigado, senhor Afrodite. Amanhã mesmo, providenciarei o pagamento pela ferradura. – falou Milo dirigindo-se até o local.
Afrodite fitou-o com intensidade, um olhar penetrante que parecia enxergar-lhe através da alma e então sorriu, agora sem malícia e apertou a mão do jovem.
— Espero que nos reencontremos algum dia, senhor Milo. Tenha cuidado no caminho e considere o serviço do ferreiro como um presente. Estar em sua adorável companhia foi muito bom para mim.
Milo sorriu e deixou a estalagem, enquanto Afrodite se preparava para mais uma noitada dos jogos.
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— Onde esteve? Já estava indo procurá-lo. – Camus perguntou com uma expressão grave quando Milo adentrou a mansão através da cozinha, enquanto ele dava instruções à Verena sobre o jantar e se preparava para sair em busca do jovem.
— O cavalo perdeu uma ferradura e eu estava fora de Londres. Tive que parar em uma estalagem. – respondeu Milo vendo o rosto sério do duque.
— E está tudo bem? Aconteceu alguma coisa a mais? – devolveu Camus esquadrinhando a figura de Milo.
O jovem revirou os olhos e sorriu.
— Camus... Apesar de tudo o que aconteceu comigo, eu não sou criança, nem indefeso. Sou um homem e tomo conta de mim mesmo há muito tempo e só não confrontei o Jamian por aquela palhaçada, porque você me pediu. Eu fico feliz que se preocupe comigo, mas não exagere, está bem?
O duque suspirou e levou a mão ao pescoço. Era difícil não controlar as coisas e temia por Milo. Mas o jovem tinha razão e devia esforçar-se para deixar que ele tomasse as rédeas de sua vida, afinal, era para adentrar a sociedade que o estava preparando.
Verena deixou-os às sós e foi ver como estavam os preparativos na sala de jantar. Milo percebeu que Camus buscava controlar-se e aproximou-se dele, tomando a mão forte, porém fria, na sua.
— Gosto de saber que se importa tanto... Vem cá... Deixa eu te sentir... – sussurrou ele, inclinando a cabeça e se apossando dos lábios do duque.
Camus deixou que a língua cálida tocasse a sua e puxou Milo de encontro ao peito. Havia uma despensa aberta e ambos adentraram o local escuro para dar vazão ao desejo. O duque já não pensava no jantar e no quanto a situação era inadequada, deixava-se ser tomado pela sensualidade de Milo e era com uma satisfação íntima que o jovem intensificava as carícias, deixando os lábios de Camus para roçar a boca no pescoço alvo, enquanto descia a mão até o sexo rijo e excitado dele.
— Isso tudo é... tensão, Sua Graça? Perdão, não queria deixá-lo assim. Deixe-me consertar esse incômodo... – falou Milo, provocando...
O duque gemeu abafado e Milo foi se abaixando devagar, acariciando a ereção com os lábios sobre o tecido da calça para, em seguida, libertar o falo túrgido e iniciar a carícia íntima...
— M-Milo... não...
O jovem continuou a exploração e o duque não conseguiu dizer mais nada coerente. Ofegante, Camus agarrou Milo pelos cabelos e estremeceu de prazer ao sentir que ele tomava seu falo entre as mãos, colocando-o todo na boca quente, criando um ritmo forte e cadenciado. Milo roçava os lábios e a língua em toda a extensão, molhando-o com a saliva e depois sugando, levando-o nas profundezas de sua garganta.
Apertando os lábios com força, Camus gemia e segurava o rosto do loiro, perdendo o controle dos movimentos do corpo, sentindo a pressão em sua virilha, o calor, a umidade... Os quadris movendo-se e fazendo amor com a boca que o fazia perder todo o senso...
O clímax veio, arrasando qualquer noção do que quer que fosse e o duque derramou-se na boca do outro, tentando conter o grunhido que irrompeu do fundo da garganta.
. Milo sorveu todo o gozo, impregnando-se do gosto e do cheiro do amante, sentindo prazer em ver a expressão lânguida de Camus. Levantou-se e foi puxado de encontro a boca sedenta do duque, a língua buscando a sua, o corpo ainda quente e convulso do orgasmo intenso e rápido.
— Oh, mon Dieu... – disse Camus sem saber o porquê de ter falado na língua de sua mãe.
Milo sorriu e o beijou, passando a língua, lentamente, pelos lábios dele. Depois tomou a mão de Camus, agora quente e a levou diretamente para sua ereção.
— Depois do jantar... será a sua vez, meu caro conde. Agora, se me dá licença, preciso de um banho. – sussurrou mordendo os lábios e deixando Camus encostado à parede, tentando voltar ao estado normal.
Saga e Kanon já haviam chegado, assim como Aiolia. Os três conversavam quando Camus surgiu com um ligeiro rubor no rosto e um brilho aquoso nos olhos rubros.
— Finalmente! – exclamou Aiolia elevando o cálice com licor que já fora servido por Jonas. – Hã... Sente-se bem, meu caro duque?
— Desculpe por fazê-los esperar. Tive que ver alguns detalhes na cozinha. – disse Camus ainda sob o efeito do orgasmo que tivera, instantes atrás.
— Não leve Aiolia em consideração, Camus. Estamos nos divertindo aqui e especulando a razão deste jantar festivo. – falou Saga.
— Aiolia não contou? Achei que, há essas horas, ele já tinha dado com a língua nos dentes. – disse Camus franzindo o cenho.
— Eu? Contar e estragar o momento divertido em que você vai ruborizar e revelar que é humano e capaz de sentir como um? Mas é claro que não! É tão raro vê-lo embaraçado que a visão equivale a uma atração operística! – respondeu o conde rindo e servindo-se de mais licor.
— Como eu sempre digo, se temos um amigo como Aiolia, porque precisamos de inimigos?— rebateu Camus.
Kanon soltou uma sonora gargalhada e os outros o seguiram. A conversa seguiu, bastante animada, até Milo adentrar a sala usando um terno escuro de caimento impecável que destacava seu cabelos loiros e sua tez bronzeada e olhar na direção do duque como que desejando sua aprovação.
A forma como Camus retribuiu o olhar foi percebida por todos e a compreensão do motivo do jantar foi imediata...
— Bem, senhores! Tenho poucos amigos, mas os que tenho, considero imprescindíveis e importantes em minha vida. Esse jantar... Bem, eu e Milo estamos...
— Estão juntos! Finalmente! Pare de nos enrolar, Camus e vamos fazer um brinde! – exclamou Aiolia elevando o cálice.
Milo sorriu e encostou a mão na de Camus. O duque olhou-o com ternura, tomando a mão dele na sua e apertando-a num gesto de cumplicidade.
Saga sorriu e Kanon permitiu-se avaliar o jovem que seduzira seu amigo. Milo era, realmente, bonito e tinha uma aura selvagem que contrastava com a fleuma de Camus, sempre impecável e sério. Como seriam, aqueles dois, na cama? Pensou enquanto elevava seu cálice e acompanhava o brinde com um sorriso malicioso.
O jantar foi servido em uma bela mesa com louça de prata e taças de cristal. O aroma das carnes, sopas, pães e manjares inundava o salão e todos apreciaram os dotes culinários de Verena, principalmente Milo que não cansava de elogiá-la.
Após a refeição, todos foram ao solarium, devidamente preparado para receber convidados à noite. Entretanto, todos constataram a presença de nuvens encobrindo a lua.
— Está ameaçando chuva. – falou Aiolia.
— É verdade. Que tal encerrarmos a noite de um modo diferente, com muito jogo e diversão? Vamos ao Beheaded. — falou Kanon.
Aiolia olhou-o, desconfiado e Camus também.
— Beheaded? — exclamaram os dois, ao mesmo tempo.
— Ah, não me digam que nunca ouviram falar do “Cabeça Cortada”! Hoje é a segunda terça do mês e isso significa...
— Significa? – disse Aiolia com uma expressão curiosa.
— Que haverá muita diversão com os jogos propostos pela casa. Preparem-se para gastar, rapazes, mas também experimentar um nível alto de divertimento. – respondeu Kanon com entusiasmo.
— Eu conheci este lugar. – disse Milo.
Camus, Saga, Kanon e Aiolia olharam para ele, surpresos.
— Essa tal “Cabeça Cortada” é uma estalagem fora da cidade e foi lá que eu consegui uma ferradura para o cavalo que cavalguei essa tarde. – continuou Milo percebendo os olhares inquisidores sobre si.
— E... com quem você falou, com o belo Afrodite ou o mortal Máscara da Morte? – perguntou Kanon.
— O tal Afrodite. Ele consegue ser mais bonito que muita mulher, não é mesmo? – respondeu Milo.
Saga e Camus mantiveram a expressão fechada, com um imperceptível, princípio de ciúmes. Entretanto, foi o duque quem se manifestou.
— Esse tipo de lugar não chama minha atenção.
— Nem a minha. – emendou Saga.
— E você, Aiolia?
— Ah, meu caro Kanon... tenho gastado em demasia no clube. Mais um pouco e serei um conde falido. – completou Aiolia.
— Milo?
Antes que Milo respondesse, Camus adiantou-se:
— Esse tipo de ambiente não é bom para...
No entanto, antes de concluir a frase, fitou os olhos azuis do loiro que o encaravam e lembrou-se de instantes atrás.
— Bem, como eu dizia, esse tipo de ambiente não chama minha atenção, mas Milo tem condições de escolher o que achar melhor para si – concluiu o ruivo.
Milo sorriu.
— Também não me agrada muito esse tipo de coisa, embora eu não tenha uma experiência maior nesse assunto. Só sei que aquele lugar tem um clima estranho... – disse o jovem e Camus sentiu-se aliviado.
— Vocês são todos uns desmancha-prazeres. – falou Kanon, aborrecido.
Os demais riram da expressão desconsolada do amigo. Em seguida, após mais um café, despediram-se de Camus e Milo, deixando a mansão.
Assim que ficaram às sós, Camus tomou Milo pela mão e levou-o até seus aposentos.
— Vem... esperei muito tempo por isso. – disse o duque ao entrar no quarto e tocar o rosto daquele que amava.
O olhar de Camus estava carregado de desejo e admiração. Seu corpo vibrava violentamente e, a simples recordação do que Milo fizera, horas atrás, fez pulsar a túrgida ereção que se avolumava como uma prova concreta das mudanças que ocorriam em si.
Ele pegou Milo pelos pulsos e os prendeu atrás de suas costas, deixando-o a sua mercê...
— Então, senhor Milo... Creio que devo cumprir a minha parte, agora. – disse bem próximo dos lábios do jovem, puxando-o de encontro a si e beijando-o com ardor.
Enquanto explorava a boca carnuda, Camus também pressionava o rosto contra os fios loiros, inalando-lhes o perfume profundamente. Era apenas sabonete, mas mesclado ao cheiro da pele do jovem, o enlouquecia fazendo-o ansiar pelo sexo como nunca havia sentido.
Milo gemeu e deixou que Camus o dominasse, gostava de saber-se responsável pelo desatino do duque, do poder que tinha em despertá-lo para a luxúria. Era incrível que um homem tão belo e refinado como o duque o quisesse daquela maneira.
As mãos fortes de Camus foram se embrenhando pelas roupas de Milo e enquanto o despia, beijava-o como se fosse engoli-lo para, em seguida, deitá-lo sobre a cama e seguir a curva de seus mamilos túrgidos com a língua, sugando-os e lambendo-os numa voracidade que fazia o jovem apertar o lábio inferior com força e arquear o corpo.
— Camus... – gemeu Milo ao sentir o duque pressionando o corpo contra o seu provocando-o, a boca devorando-o, fazendo-o estremecer.
O duque começou a desabotoar a camisa até tirá-la por completo. A pele alva não disfarçava os ombros largos e a beleza do torso bem proporcionado. Milo jogou os braços para trás, enquanto Camus tirava a calça.
Ambos os corpos arfavam e os membros pulsavam eretos numa dança desatinada. O duque se ajoelhou na cama e puxou Milo para si, os braços ao redor da cintura estreita, o olhar intenso totalmente focado nas reações do jovem... Com o tronco, ele lhe afastou as coxas torneadas e tornou a contornar os mamilos com a língua, enquanto ondulava o corpo e sentia a pele ardente corresponder com a mesma intensidade...
Milo inclinou a cabeça para trás, sentindo um prazer profundo, enquanto o duque o atormentava com aquelas carícias... Devagar, Camus movia a língua pelo ventre de Milo e descia sem pressa, mas de forma intensa.
A boca do duque continuou a explorá-lo cada vez mais profundamente, até chegar ao falo, tomando-o por inteiro, assim como ele o fizera, instantes atrás. Milo sentiu as mãos fortes apertando as suas nádegas em concha e, em seguida erguendo-o na direção da boca exigente, quente e úmida que executava movimentos de vai e vem, num ritmo lento e alucinante.
Com um gemido rouco, sentiu quando Camus deixou o falo para mordiscar a parte interna de sua virilha, chupando e lambendo todo o seu baixo ventre, insinuando a língua em sua entrada, fazendo-o contorcer os quadris.
Seus calcanhares se fincaram na cama quando Camus inseriu um, depois dois dedos dentro de si e voltou ao falo, aumentando a intensidade e a velocidade dos movimentos com a boca, sugando- o com força, enquanto penetrava-o com aqueles dedos experientes.
A forma como Camus o tomava, cada toque sensual e demorado com a língua era por demais alucinante e Milo não conseguiu suportar mais, cedendo àquela voragem erótica que vinha crescendo dentro dele como redemoinho de fogo embrenhando-se pela pele, carne e ossos... Seu corpo tremeu e foi sacudido com violência pelo clímax rápido e intenso. Ele agarrou-se a Camus, cravando com força, seus dedos nas costas largas.
— C-Camus! – gritou, Milo enquanto o duque se permitia acolher aquele orgasmo em sua boca e sentir prazer em proporcionar prazer...
De olhos fechados, Milo arfava e tentava normalizar a sua respiração.
— Céus! Isso foi...
— Só o começo... – emendou Camus, invadindo a boca de Milo com a língua ainda impregnada com o seu prazer, deixando-o sem fôlego.
Com aquele beijo, não precisou de muito tempo para Milo recuperar-se e acolher Camus entre as suas pernas, olhando-o febril, seus lábios abrindo-se num sorriso lascivo que fez o falo do duque pulsar, forte e dolorido.
— Sempre consegue me surpreender, Sua Graça... — disse o loiro.
Camus ficou sério, o olhar fixo nos olhos azuis de Milo. Depois sorriu e sussurrou-lhe ao ouvido:
— Eu ainda não terminei...
Milo jogou a cabeça para trás, mas manteve o olhar fixo no dele. Então, Camus entrou dentro dele num único e longo movimento, arrancando um gemido abafado do jovem... Arquejando e pressionando todo o seu corpo contra o do duque, Milo abriu mais as pernas, fazendo com que ele adentrasse seu corpo cada vez mais fundo, mais rápido e mais intenso dentro de si.
O rosto afogueado de Camus e o brilho aquoso nos olhos rubros mostravam o prazer que ele sentia em apossar-se do único corpo capaz de enlouquecê-lo e despertar instintos que jaziam adormecidos, antes de conhecer Milo...
Moveu-se com força para sentir melhor o calor úmido que emanava de Milo e, enquanto movia-se dentro dele, sentia a pulsação furiosa do sangue em seu pescoço, coração e falo... Todas as células do corpo inundando-se de uma luxúria possante, ao ponto de fazê-lo arfar descontrolado e sentir a aproximação do gozo eletrizando até o último fio dos seus cabelos cor de fogo.
Olhou para Milo que fechara os olhos e estocou com mais força, vendo-o cerrar os dentes e arquear o corpo. Ambos estremeceram convulsos, quase ao mesmo tempo, os gemidos intensos vibrando na carne quente, gotículas de suor emergindo da pele ardente...
Camus grunhiu ao alcançar o orgasmo e puxou Milo para si, afundando-se mais dentro dele, esgotando seu prazer na cavidade quente que, contraía-se e o apertava mais forte. Neste momento, o jovem gemeu alto e abriu os olhos em meio aos espasmos de seu corpo, derramando-se no tórax do duque e sentindo o sêmen dele derramando-se dentro de si.
Ficaram abraçados, durante um tempo, comungando do calor e da intimidade. Milo sorriu sentindo o coração de Camus retumbar tão forte que parecia rugir. Encostou os lábios em seu pescoço e sussurrou o que ainda não dissera:
— Eu te amo, Camus...
O duque buscou-lhe a boca e, antes de beijá-lo com ternura, fitou-o com tanta intensidade que parecia tentar possuí-lo, novamente, agora com o olhar. Lembrou-se das palavras de seu avô e lutou contra o padrão familiar de silenciar frente às emoções. Inspirou fundo e tocou a face daquele que amava, falando junto aos lábios entreabertos:
— Eu também te amo, Milo... Muito.
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