Amor Real

5 Sua coragem e seu porto seguro


Notas iniciais
Oi ^^ Eu sei, tô atrasada... Semana passada foi uma loucura total, e piorou um pouco o fato do capítulo não sair exatamente do jeito que eu planejei... Sério, eu só queria bater nos personagens, mas no fim ficou como eles queriam, porque eu não tenho controle sobre minhas próprias histórias. Espero conseguir trazer o capítulo 6 ainda essa semana, mas não prometo, porque preciso ensaiar pra uma gravação no domingo! Enfim... Boa leitura ^^

Lunie estava desolada desde o aniversário de sua mãe. Sua melhor amiga havia voltado para o condado de Heminn e esperaria lá pelo retorno do rei, sob a supervisão de sua mãe e de seu padrasto, que era extremamente leal à coroa, e se dispusera a vigiá-la de perto para que esta não pensasse em fugir. E, para piorar um pouco a situação, Lunie era obrigada a aturar Rogen durante suas aulas, já que ele era quem a acompanhava na ausência de Raquel.

Ela só queria um pouco de sossego para conversar com seu tutor sobre seu príncipe, como sempre fazia, mas aquilo parecia fazer parte de um universo paralelo naquele momento.

— Eu acredito que esse tipo de assunto não seja de grande relevância para uma princesa. – aquela já era a terceira vez que Rogen interrompia sua aula para falar algo do tipo. – Não vai querer iniciar mais nenhuma mulher do nosso reino na magia negra, não é mesmo? – o comentário sarcástico fez Lunie bater as duas mãos na mesa, irritada.

— Já chega! – os dois homens ali presentes se mostraram bem surpresos com sua explosão e não se atreveram a falar ou se mexer. – Se eu não posso ter minhas aulas em paz, então eu prefiro continuar dormindo. – ela se levantou, empurrando a mesa sem muita delicadeza. – Vou voltar pros meus aposentos e espero que não me siga. – ela estava com vontade de chorar, tamanha raiva com toda a situação, mas conseguiu se segurar bem quando falou com o chefe das tropas. – Quando a condessa retornar, retomaremos minhas aulas, professor. – mesmo querendo ser menos rude com seu tutor, não o fez. Tanto para não ser mal interpretada pelo outro homem ali presente, quanto para não deixar que suas lágrimas caíssem.

YueYue se curvou em respeito e se despedindo, enquanto que Rogen até fez menção de dizer algo, mas foi impedido por um olhar de raiva em sua direção. Ambos, então, apenas assistiram a princesa os deixar para trás, enquanto caminhava para fora da sala.

Lunie não conseguiu controlar muito seus sentimentos, uma vez que já estava sozinha. Seu estresse e tristeza corriam por seu rosto em um choro silencioso enquanto ela se dirigia ao seu quarto e se fechava ali.

Era naquele lugar onde podia chorar tudo o que conseguia, sem ser chamada de histérica ou de louca. E era ali, também, onde ainda podia sentir um pouco da normalidade de sua vida, pois era em seus aposentos onde guardava todas as cartas de Ling Chao.

E eram elas quem a mantinham firme naqueles tempos difíceis. Lê-las, relê-las e respondê-las era o que a fazia ter esperanças de que tudo aquilo que estava acontecendo não passava de um pesadelo.

Mesmo de longe, Ling Chao era seu maior conforto, e, pensando naquilo, Lunie abriu a última correspondência que recebera dele.

“Princesa,

Acredito que deveria começar essa carta perguntando notícias de Orken. Os boatos que correram até aqui me deixaram curioso e um pouco preocupado com o que sua família deve estar enfrentando.

Por outro lado, prefiro não perguntar. Soa um pouco contraditório, eu sei, mas uma parte de mim gosta de se iludir e imaginar que sou seu porto seguro e que minhas cartas servem para que não pense em qualquer problema.

Acredite, as suas são exatamente isso para mim.

Nesse caso, egoísta como sou, quero que se distraia e pense apenas em mim, portanto estou incluindo nesse envelope mais um dos meus esboços. Dessa vez eu me inspirei em você para desenhar e colorir, mas só poderá ver o quadro pronto quando vier me visitar em Jiàn. Prometo que o colocarem em uma parede bem grande do meu quarto para que eu possa dormir todas as noites pensando em você.

Espero te ver em breve.

Seus olhos estão sempre em meus sonhos.

Do seu

Artista

P.S.: O clima está mudando e logo sairei em caçada, então posso não receber sua resposta imediatamente. Mas saiba que estarei contando os dias para lê-la.

P.S.II: Cuide-se. O tempo frio pode fazer mal a uma beleza tão solar como a sua.”

Lunie secou as lágrimas teimosas que ainda manchavam seu rosto, mas já se sentia bem mais calma. Seu artista tinha esse efeito imediato nela, mesmo que nem ao menos estivessem perto um do outro.

Ela sorriu, sentindo o rosto esquentar ao reler a parte em que ele dizia que colocaria o quadro em seu quarto e que ela deveria ir até Jiàn para vê-lo. Nas entrelinhas isso significava que ele a queria em seu quarto e ela corava só de pensar naquela possibilidade. Se Raquel estivesse ali, com certeza não a deixaria esquecer daquilo por semanas.

Balançou a cabeça e mexeu no envelope, abrindo o outro papel com cuidado para admirar o esboço bonito. O príncipe havia desenhado um campo de girassóis e um céu sem sol, mas aparentemente claro e colorido, como em um final de tarde, já que ele fizera questão de pincelar os cantos do papel com as prováveis cores que usaria na obra pronta.

O azul ali era o mesmo do vestido que usara quando se conheceram e Lunie só conseguiu suspirar e sorrir ainda mais.

—-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

— Pensei que poderia te encontrar aqui. – mais tarde, naquele dia, depois de ser obrigada a almoçar com sua mãe, Lunie se refugiou em um canto afastado do jardim, onde lia o mesmo livro de sempre quando foi interrompida por seu tutor. – Tem notícias da condessa?

Mesmo que aquele assunto fosse tão complicado, Lunie não conseguiu segurar o sorriso quando ouviu a pergunta. Ter passado a manhã em companhia das cartas de seu príncipe a deixara mais calma e com o humor bem melhor, então já conseguia voltar a pensar em coisas fofas, como o fato de seu professor parecer tão interessado em sua prima.

— Se a Raquel te ouvir chamando ela pelo título, com certeza vai te dar uma bronca. – brincou, vendo-o sorrir de leve. – Eu não recebi nenhuma notícia, mas eu tenho certeza que ela está bem. Ela me prometeu que esperaria meu pai chegar antes de tomar qualquer decisão, e ela sempre cumpre o que promete.

YueYue suspirou, parecendo derrotado, e se sentou no chão fazendo Lunie sorrir por se lembrar que a amiga tinha o mesmo costume. Será que só ela conseguia ver que os dois eram perfeitos um para o outro?

— Ela deve estar me odiando agora. Eu... Eu juro que nunca pensei que aquela música teria uma interpretação daquelas! Eu... — ele parecia querer falar mais, mas se calou e cobriu o rosto com as mãos.

Lunie, curiosa, o incentivou a continuar.

— Então por que escolheu? Quer dizer, não é uma música comum e a Raquel me explicou depois o que a letra significa, e eu entendi o porquê de todos acreditarem no que o padre falou.

Mesmo que não quisesse pensar naquela história toda de bruxaria, uma vez que tinha muito medo de assuntos relacionados ao sobrenatural, Lunie não podia deixar de acreditar que tudo o que era dito na música parecia realmente algum feitiço estranho de amor.

— Porque a música fala de um amor impossível. – YueYue finalmente respondeu. – A letra original é cantada por um homem e uma mulher, e para que corresponderem ao amor alheio, eles fazem desejos impossíveis para quem os ama. Como alguém pode lavar algo em um poço que nunca viu água? Ou comprar um acre de terra entre o oceano e a areia da praia? A música fala apenas sobre isso, e não sobre uma maldita magia negra.

Lunie se sentiu mal ao ver seu professor, normalmente tão calmo e centrado, quase desabar em sua frente.

— Então aquela coisa de poção...

YueYue riu e revirou os olhos antes de se levantar e se virar de costas. Por um instante, Lunie achou que ele ficara bravo por sua pergunta ser infantil, mas o que ele disse a seguir a fez compreender que ele apenas não queria que ela visse seu rosto.

— Cada planta tem um significado. Uma rosa branca simboliza a inocência, enquanto que a vermelha representa o amor intenso e carnal. O mesmo acontece com a salsa, a sálvia, o alecrim e o tomilho. – ele fez uma pausa e Lunie chegou a se perguntar se ele continuaria ou se ela teria que procurar na biblioteca sobre aquele assunto. – O alecrim significa “pense em mim”, a sálvia “sou fiel”, o tomilho “eu sou seu”, e a salsa... “Eu quero que você seja a mãe dos meus filhos”.

Lunie soltou um gritinho de excitação, cobrindo a boca com as mãos logo em seguida. Seu professor se virou imediatamente, com os olhos arregalados, mas pareceu mais calmo quando a viu sorrir tão animada.

— Isso quer dizer que...

— Sim, mas não conte pra ela, por favor. Raquel deve estar me odiando o suficiente agora. Se souber o que eu sinto, com certeza vai pensar que usei a música de caso pensado.

A princesa concordou com a cabeça, mas sem deixar de sorrir. Mesmo sabendo que sua prima, teimosa como era, poderia levar um tempo para aceitar os sentimentos do professor, ainda acreditava que eles poderiam ficar juntos.

— Não vou dizer nada, eu prometo. Você guarda meu segredo e eu guardo o seu. – ela nunca pensaria em quebrar a confiança de YueYue quando ele mesmo se fazia de cego quanto às suas correspondências com Ling Chao. – E vou tentar convencer meu pai de adiar essa loucura de casamento. Assim ela volta a me acompanhar nas aulas, e você explica tudo pra ela.

YueYue a olhou com uma expressão ainda desiludida, mas apenas concordou. Eles conversaram mais um pouco, e então Lunie foi deixada sozinha para pensar sobre aquela informação que tinha em mãos.

Sabia que não seria fácil convencer o rei a ir contra a ideia sem noção da rainha, e seria ainda mais difícil conseguir que a prima se abrisse para a possibilidade de um relacionamento, mas não custava nada tentar.

Aparentemente Ling Chao não lhe dava apenas conforto, mas também coragem.

—-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Os dias seguintes se arrastaram de forma dolorosa para Lunie. O clima estava frio demais, ela não frequentava suas aulas, não tinha a companhia da prima para conversar e seu príncipe demoraria a lhe responder por causa da viagem que dissera que faria (mesmo que a contra gosto, já que Ling Chao deixara bem claro que odiava sair para caçar).

Quando pensou que as coisas não poderiam ficar mais chatas e angustiantes, seu pai finalmente retornou de viagem e, antes que Lunie pudesse falar em nome de Raquel, recebeu um pedido para ficar em seu quarto, e, apenas depois de horas, conseguiu um momento para conversar com o próprio pai.

— Eu sei o que pretende me pedir, mas já aviso que não vou tirar a palavra de sua mãe. – o rei Jasen foi categórico e Lunie sentiu o peito apertar. – Ou sua prima se casa, ou não terei escolha a não ser sentenciá-la à morte.

— Pai, me escuta. Eu acho que eu consigo fazer a Raquel aceitar se casar, só vou precisar de mais tempo. – Lunie falou rápido, não deixando o rei ter tempo de interrompê-la. – Eu acho que tenho o noivo perfeito pra ela, mas preciso que eles passem tempo juntos e que ela aceite os sentimentos dele.

Sabia que aquilo era arriscado, e que Raquel poderia nunca mais olhar em sua cara se descobrisse que estava fazendo aquilo por suas costas, mas precisava tentar. Era aquilo ou ver o imbecil do Rogen ter prazer em acender a fogueira que queimaria a amiga viva.

— Se pensa que pode me enganar e adiar essa decisão pra sempre, eu devo dizer que...

— Não, pai! Eu estou falando a verdade. Me dê um prazo, traga Raquel pra casa e eu prometo que quando o dia chegar, ela vai te dar a resposta.

O rei parou por um momento e estava quase concordando quando a porta de seu escritório se abriu e a rainha invadiu o lugar.

— Espero que não esteja aqui tentando salvar a pele daquela lá.

— Solar. – Jasen falou baixo e a rainha apenas revirou os olhos. – Sua filha está aqui para nos ajudar a casar a minha sobrinha. Ela sabe de alguém que se interessa por Raquel e está disposta a convencê-la a se casar por vontade própria.

Solar fez uma careta e negou com a cabeça antes de começar a falar.

— Pois eu acho que isso não passa de um plano qualquer pra tentar nos enganar. – Lunie amava sua mãe, mas naquele momento nunca desejou tanto que ela desaparecesse. – Dê a ela um prazo, mas se chegar o dia e ela não estiver disposta a se casar, eu mesma escolherei o marido, e sua adorada sobrinha vai poder escolher entre ele e a morte.

— Mãe! – Lunie estava exasperada. – Pai, eu juro que não é nenhum plano, por favor, não coloque morte no meio.

O rei pediu silêncio para as duas.

— Sua mãe tem razão. Mas eu sei também que as coisas entre as duas são complicadas, então eu dou a minha palavra de que, se chegar ao fim do prazo e Raquel não decidir se casar por vontade própria, eu escolherei um noivo para ela.

Lunie engoliu seco, torcendo para que a mãe não interferisse na escolha. Lembrava-se bem do quanto ela ficara animada quando Rogen propôs à amiga.

— E se ela não aceitar?

— Bom... Eu não terei escolha a não ser deixar que o povo decida o que será feito com uma condessa acusada de bruxaria.

E Lunie não pôde fazer nada a não ser fechar os olhos e concordar com aquele acordo absurdo.

Voltando ao seu quarto, com a hora já bem adiantada, a princesa se abraçou às cartas que recebera até então de seu artista e pediu, em silêncio, que sua história de amor fosse mais leve e feliz do que aquela que estava presenciando.

Continua...

Notas finais
Gostaram? Não? Me deixem saber ^^ Ling Chao é o conforto de Lunie, e ela, aparentemente é o dele também... Por enquanto esse casal está seguindo sem muitas dores de cabeça, apesar que já adianto que a falta de comunicação pode afetá-los mais do que vocês imaginam... Mas isso é tudo que posso dizer. Já o casal secundário nem começou e já deu ruim, ao que parece kkkkkkkkkkkk Será que eles têm alguma chance de ficarem juntos? Bjs e até o próximo capítulo ^^