Amor Por Contrato - Delena
11 Capítulo 11 - And we're burning one hell of a something.
Notas iniciais
Os dias realmente haviam passado voando. Tão rápidos que Elena nem acreditava.
Era noite de quarta feira quando Damon chegou em casa do jogo de beisebol.
– Elena? — ele chamou largando a mochila no chão
– Aqui na cozinha. — ela gritou de volta.
Damon se espreguiçou caminhando até lá, tendo total noção do seu estado.
– Eu estava te esperando para jantar e… — ela se interrompeu ao vê-lo de longe — Meu Deus. — ela exclamou quanto ele entrou na cozinha – Você foi a um massacre ou a um jogo de beisebol?
Ele sorriu se sentando a mesa.
Ambos estavam diferentes.
Elena com o cabelo preso em um alto coque, fazendo a franja cair em seus olhos, e Damon, de calça estilo abrigo e camiseta regata branca de algodão.
– Você não quer tomar um banho primeiro?
– Me dói até o ultimo fio de cabelo. — ele garantiu – Se eu tomar banho não terei coragem de descer para comer, e eu estou faminto.
– Eu levo a comida no seu quarto. — ela sugeriu
– Não prefiro comer com você.
Ela sorriu. Ele era mesmo uma cabeça dura.
– E então como foi o jogo? — ela perguntou colocando os copos na mesa
– Perdemos. — ele disse contrariado – Mas pelo menos consegui um maldito contrato com aqueles caras que eu te falei.
– Que bom Damon. — ela disse sorrindo servindo o prato dele e depois o seu, como sempre fazia.
Ele simplesmente adorava a comida dela. Tinha um tempero exótico do qual ele nunca tinha provado.
Esfomeado ele começou a comer depressa, e ela soltou uma risadinha.
– Lena... — ele disse de boca cheia – O que você acha de Toronto?
– Toronto, Canadá? — ela perguntou depois que engoliu
– Sim.
– Nunca conheci. Acho que deve ser bonita. — ela disse dando de ombros
– E o que você acha de uma viagem? — ele disse tomando quase todo a taça de vinho
– O que você quer dizer exatamente? — ela perguntou desconfiada
– Para você fazer as malas. — ele arqueou uma sobrancelha como se não tivesse entendido – Esses caras são de Toronto, e assim que eles assinarem o contrato tenho que embarcar para uma conferencia.
– Esta dizendo que eu vou para Toronto com você? — ela disse sorrindo
– É claro. — ele riu da cara dela – Achou que eu fosse sozinho?
– Quando você vai? — ela perguntou animada
– Sexta à noite, se tudo ficar pronto até sexta de manhã. — ele comeu mais algumas garfadas – Esta animada?
– Estou. — admitiu – Muito! Quem mais vai? — ela perguntou de repente
Com uma leve olhadela nele, ele riu e decidiu provocá-la:
– Não se preocupe. Andie não vai. Só eu e você. — ele garantiu lhe dando uma piscadela
– Se fosse não faria a menor diferença. — ela tentou se mostrar indiferente
O resto do jantar foi em completo e total silencio. Sempre o mesmo silencio...
Terminado de comer, Damon se levantou e gemeu baixinho colocando a mão nas costas:
– O que foi? – Elena perguntou preocupada
– Nada de mais. Apenas estou totalmente moído. — ele brincou e logo começou a se retirar da cozinha.
– Se quiser… — ela disse o fazendo parar na porta — … eu lhe faço uma massagem.
Ele arqueou a sobrancelha surpreso. Por essa ele realmente não esperava.
– Você esta falando serio? — ela assentiu – E porque você faria isso?
– Porque estou em divida com você. — ele abriu um largo sorriso – Mesmo você sendo o homem mais chato que eu já conheci. — ela garantiu
– Quando você diz em divida... — ela o interrompeu
– Eu quero dizer que você me comprou um vestido lindo, me salvou das câimbras e esta sendo legal ao me levar para Toronto. — ela disse tudo depressa demais
– Acho que vou começar a fazer esse tipo de coisa com mais frequência.
– Deixe de ser irritante. Se quiser a bendita massagem suba, tome um banho enquanto eu arrumo as coisas por aqui. Depois eu subo. Espere-me na cama. — ela mandou
Ele sorriu mais abertamente ainda antes de dizer:
– Será um prazer te esperar na cama. — ele disse malicioso saindo antes que ela pudesse falar algo.
Porque ele tinha essa maldita mania de falar e ir logo saindo sem esperar por uma resposta?!
Terminando o mais rápido possível o tinha pra fazer, Elena começou a subir as escadas, passando pelo seu próprio quarto e parando em frente ao de Damon.
A porta estava entreaberta, como ele sempre deixava, e deitando na cama, coberto pelo lençol, se encontrava Damon de olhos fechados.
– Esta dormindo? — ela sussurrou sem entrar
– E perder a sua massagem? — ele disse sorrindo sem ainda abrir os olhos, e com as mãos atrás da cabeça – Nunca.
Ela sorriu e entrou, prestando atenção nas roupas espalhadas pelo chão.
– Que nojeira. — ela disse torcendo o nariz e chutando com o pé a camisa que ele acabara de tirar.
– Você tem óleo?
Ele abriu os olhos pela primeira vez e a encarou:
– Não. Tem algum problema?
– Não, espere, vou buscar um dos meus. — ela anunciou saindo correndo pela porta.
Ele pode ouvir a porta do quarto dela abrir-se, e logo depois fechar-se.
Ela entrou com um sorriso zombeteiro:
– Espero que não fique aborrecido por ficar cheirando a flores. — ela sacudiu o vidro com o óleo – Foi o único que eu achei.
– Não tem problema. — ele garantiu voltando a fechar os olhos.
– Vire-se. — ela mandou, e sem argumentar ele o fez.
O lençol desceu um pouco mostrando a parte branca e desnuda de uma de suas nádegas, e ela instintivamente ficou com a boca seca e com o coração acelerado.
“Ele esta pelado!” — foi a única frase coerente que ela conseguiu montar em sua cabeça naquele momento.
Ela não sabe se passaram horas, minutos ou apenas milésimos, porém Damon a chamou:
– Elena? Vai começar hoje ou amanhã? — ele disse em um tom de brincadeira.
– Porque você não coloca uma bermuda? — ela questionou quase que automático.
Ele riu antes de responder.
– Porque eu durmo nu. Algum problema? Você acha que não conseguira se concentrar ou algo assim? — ele disse levantando vagarosamente a cabeça para encará-la. Orgulhosa ela respondeu ficando corada:
– Orá, deixe de ser convencido. — ela ralhou revirando os olhos
Ele riu voltando a enterrar a cabeça no travesseiro.
– Você esta corando. — ele comentou – Faz tempo que eu não lhe via corar. Estava com saudades.
– Argh!. — ela disse sorrindo – Você sempre leva tudo na brincadeira.
Como já era de costume, o silencio reinou sobre eles, e ela tratou e se concentrar no que deveria fazer.
A massagem. Somente a massagem.
Fazendo a volta na cama, ela parou diante dele e corando ainda mais, puxou a lençol para cima novamente, tapando a parte desnuda.
Ele riu novamente, e ela tentou o ignorar.
“Você tem que manter o foco. Isso é só um acordo profissional. Tudo vai acabar logo e ficar bem.” — ela repetiu para si mesma.
Espalhou um pouco de óleo nas mãos e as esfregou. Logo depois derramou um pouco nas costas largas de Damon que disse um “Ei, isso esta frio!”.
Seu coração começou a bater enlouquecidamente acelerado, e ela respirou fundo sem poder mais adiar o contato com a pele do homem mais atraente que já vira.
Ainda com certo receio, ela começou a massageá-lo.
Começando pelos ombros, nuca e descendo vagarosamente pela extensão da coluna, os polegares pressionando os pontos mais tensos.
Damon não podia estar melhor. As mãos de Elena eram delicadas, porém firmes e precisas, parecendo adivinhar os pontos certos.
– Onde você aprendeu a fazer isso? — ele perguntou com a voz abafada
– A massagem? — ela forçou um sorriso – Minha mãe tem bastante dores nas costas. Aprendi na pratica. — ela disse dando de ombros
– Se eu soubesse dessa sua habilidade antes de nos casarmos, colocaria no contrato a clausula onde lhe obrigaria a me fazer massagem sempre que eu pedisse.
– É só pedir. — ela garantiu depois de uma curta risadinha
– Tem certeza? — ele perguntou erguendo a cabeça para encará-la
– Sim. — ela garantiu sem encará-lo.
Era mais seguro ficar longe daqueles olhos sedutores…
– Vou começar a pedir então. — ele disse sorrindo antes de voltar a abaixar a cabeça
– Como esta o seu jardim? — ele perguntou parecendo interessado, após um minuto em silencio
– Esta ótimo. As flores estão cada vez mais bonitas. — ela disse orgulhosa.
– Sabe Lena, aquela vez das flores, realmente me desculpe. Não era minha intenção brigar com você.
– Vamos mudar de assunto. — ela pediu se sentindo incomodada enquanto lhe massageava os braços
– Não, eu realmente sinto muito. — ele garantiu – Por algum motivo, desde o enterro dos meus pais flores me fazem lembrar eles – ela ficou quieta, sem ter o que dizer — e quando eu cheguei foi confuso, tinha flores para todos os lados e tinha você lá. Eu havia me esquecido desse tipo de coisa.
– De que tipo de coisa? — ela perguntou curiosa
– Eu acho que me esqueci de como é ter uma família sabe? Alguém que te espera para jantar todos os dias. Esqueci-me de como isso é bom.
Ela engoliu seco enquanto sentia seus olhos se encherem d água, e a vontade de chorar lhe invadir.
Ela não sabia que ele sentia tanta falta assim da família, e a repentina confissão a pegou de surpresa.
Damon havia deixado claro que queria uma família, porem ao invés disso ele estava casado com uma mulher que ele pouco conhecia e que tão pouco amava.
Que tipo de pessoa afinal ela havia se tornado? Alem de se casar apenas pelo dinheiro ainda criava ilusões nele… e em si mesma.
– Ai. — ele reclamou quando ela lhe apertou com força os ombros.
– Desculpe. — ela sussurrou com a voz semi cortada
Ele rapidamente ergueu a cabeça para encará-la, e seu coração se acelerou — O que houve? — ele quis saber – Eu disse algo errado? Porque esta chorando?
A morena secou os olhos rapidamente com as “costas” das mãos, antes que estes transbordassem e foi logo falando:
– Eu não estou chorando. — disse limpando a garganta e tentando sorrir – E não se preocupe você não disse nada de mais. Deixe-me terminar a massagem. — ela pediu
– Tem certeza que esta bem? — ela assentiu depressa.
– Agora relaxe Damon, do contrario não poderei te ajudar. — ele disse com a voz mais firme.
Contrariado, Damon voltou a deitar a cabeça sobre o travesseiro, enquanto as macias mãos voltavam a lhe apertar gentilmente.
Elena era mesmo uma figura. — pensou ele consigo mesmo.
As mãos continuaram a massagem, e ele suspirando agradecia pelas dores que começavam a passar.
Ela colocou mais óleo em suas costas, e o conteúdo gelado fez com que ele se arrepiasse sob a palma da mão dela.
– Então... onde você foi com a Caroline aquele dia?
Ele não a estava olhando, mas tinha certeza que ela estava sorrindo.
E estava mesmo.
– Com ciúmes? — ela provocou
– Curioso. — ele a corrigiu
– A curiosidade matou o gato.
– Você esta me chamando de gato, ou apenas dizendo um ditado popular?
Ela soltou uma pequena risadinha.
– Os dois ... talvez.- ela acrescentou pausadamente
O sorriso dele cresceu.
Ela era tão espontânea, que era impossível adivinhar o que viria depois.
– Ufa… — ele gemeu aliviado quando ela lhe massageou os ombros novamente – você é boa nisso... é realmente boa.
Ela não respondeu, estava prestando atenção de mais em um pequeno pedaço de papel em cima da mesinha de Damon, que por coincidência estava ao lado do frasco de óleo.
– Quem tem a voz aguda de mais? — ela perguntou parecendo brava
– Que? — ele perguntou sem levantar a cabeça
– Presunçosa? — ela disse atônica parando a massagem de repente
– Do que você? — ele se interrompeu de falar para erguer a cabeça e fitá-la.
Ela olhava com uma mistura de brava e curiosa para “a lista“. Ele riu e se explicou antes que ela realmente ficasse brava.
– Eu sempre faço uma lista das qualidades de meus funcionários quando os contratos. — ele esclareceu
– E posso saber de quem é essa lista? — ela perguntou parecendo aceitar
– Da Andie. — admitiu
Não tinha motivos para mentir, pelos menos não para Elena.
Parecendo satisfeita e a ponto de rir ela deu de ombros.
– Hmm… — disse tentado não demonstrar interesse – Vire-se. — ela mandou
Sem pestaneja Damon o fez, ficando, agora, de barriga para cima e colocando novamente as mãos atrás da cabeça.
Pegando novamente o frasco de óleo, ela despejou um pouco sobre o peito de Damon, que pelo menos agora não havia deixado descoberto suas partes intimas.
– E então… — ela o imitou – eu tenho uma dessas? — ela perguntou antes de espalhar o óleo pelo definido abdome.
– Uma dessas o que? — ele perguntou bobo hipnotizado pelo contato e pelos olhos grandes e brilhantes que o encaravam.
– Você sabe. — ela sorriu sedutora – Uma lista. Afinal, já fui sua funcionaria.
Ela estava brincando com fogo, e se dependesse dele, estava prestes a se queimar.
Sorrindo bobo, ele disse curioso:
– E se tiver?
– Então quer dizer que tem? — ela disse divertida
– Eu não disse que tinha. — ele retrucou
– Não, mas disse “e se tiver”, e quando você fala isso, sempre esta tentado esconder algo …
Ele sorriu. Não sabia que ela o conhecia tão bem assim.
– E se tiver? — ele repetiu
– Só me diga se sim ou não… — ela pediu sorrindo
– Sim. — ele disse vendo olhar curioso dela
– E eu posso ver? — ela pediu melosa
– Pode. — ele disse dando de ombros.
– E onde é que esta? — ela perguntou ansiosa
– Primeiro vamos fazer um trato. — ele sugeriu
– Que tipo de trato? — ela perguntou desconfiada
– Você mata a minha curiosidade e eu mato a sua. — ele disse sorrindo como um menino travesso
– Continue… — ela disse vendo que aquilo não terminaria bem.
– Bom, eu te mostro a lista e em troca, você me conta o seu segredo.
– Que segredo? — perguntou franzindo o cenho
– O que explica o porquê de precisar tanto de dinheiro... — ele a lembrou
– Nada feito. — ela disse voltando a lhe massagear os braços — Você me mostra a lista e eu continuo a massagem. — ela propôs
– E aquele papo de que queria me retribuir pelo vestido e pela viajem?
Ele sabia como provocá-la. E pior, ainda sabia exatamente como cobrar favores…
– Você é ridículo. — ela disse revirando os olhos
– E você é uma menina curiosa. — ele disse divertido.
Ela sorriu ficando quieta, e voltando a massagear-lhe.
Suspirando e sem deixar de observar o rosto delicado dela, ele comentou:
– Não esta usando maquiagem.
– Oh! — ela disse corando – Eu sei, devo estar terrível.
– Só se for terrivelmente bonita. — ele brincou
Ela revirou os olhos e o silencio voltou a ficar pesado entre ambos.
Tendo as mãos livres, Damon ergueu-as até o cabelo de Elena, tirando o hashis (aqueles pauzinhos japoneses) que prendia o cabelo dela no alto da cabeça.
Rapidamente, os cachos cairão, formando uma cascata ao redor do rosto de Elena.
– Damon… — ela ralhou
– Adoro o seu cabelo. — ele admitiu em tom sedutor
– Pare Damon. — ela pediu seria
– Parar com o que? — ele perguntou inocente
– Pare de ficar me deixando sem jeito! — ela disse brava e ele apenas riu, fazendo que ela se arrependesse por ter falado aquilo eu estou quase terminando, comporte-se!
– Por quê? — ele disse sorrindo acariciando o cabelo dela – Porque tenho que me comportar?
– Damon! — ela ralhou novamente.
Ele estava tentando seduzi-la e estava concluindo a tarefa com êxito.
Tudo o que o corpo dela implorava era que ele a tocasse, porem, sua cabeça gritava desesperadamente para que ela se controlasse. Ela já havia estragado de mais a vida dele.. e a sua.
– Sabe que não sou tão fácil assim. — ela disse com um sorriso genuíno – E outra, eu lhe avisei desde o primeiro dia, que eu e você não vai rolar. Ainda mais com essa sua técnica de sedução barata — ela brincou
Ele riu.
– E outra, já terminei. — ela disse esfregando as próprias mãos. Por mais que seus pulsos doessem, ela não se arrependia nem um pouco dos minutos que acabara de passar, massageando o corpo masculino — Esta se sentindo melhor?
– Sim, muito melhor. — ele admitiu respirando fundo – Mas continuo cansado.
– Então durma. — ela aconselhou pegando o frasco de óleo – E sonhe com coisas agradáveis.
– Posso sonhar com você, então?
– Esta pedindo para sonhar comigo? — ela gargalhou indo até a porta.
– Sabe Lena, se eu não estivesse tão terrivelmente cansado e juro que tentaria seduzi-la.
– Para que? — ela disse o provocando parando antes de sair pela porta – Para me levar para cama?
– Isso mesmo. — ele disse sorrindo torto
– Que pena que esta cansado então. — ela disse soltando uma risadinha com a cara de espanto que ele fez, e logo depois saindo e fechando a porta.
Damon sorriu abertamente.
Ela não é tão inocente quanto ele pensava. E isso só o fazia querê-la ainda mais.
Como era possível, que Elena conseguisse tamanha façanha?!
Ele estava completamente louco por ela... Não podia negar
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