Amor Por Contrato - Delena
12 Capítulo 12 - You were a thief, you stole my heart and I, your willing victim.
Notas iniciais
Nada havia mudado nos dias que se passou após a massagem, a única novidade era que a viagem a Toronto havia sido adiada por uma semana e meia. Agora, ao invés de terem viajado na sexta passada, iriam viajar em dois dias, na quarta.
Elena discou pela vigésima vez o número de Damon, e mais uma vez levou o telefone a orelha esperando ansiosa que ele atendesse. E pela vigésima vez, a maldita mensagem na secretaria eletrônica pedindo para deixar o recado após o sinal foi à única coisa que escutou.
– Definitivamente aconteceu alguma coisa! – Elena disse nervosa jogando o telefone no sofá.
Eram onze horas da noite e Damon ainda não havia chegado, nem atendia o celular.
Ele nunca havia se atrasado tanto.
– Acalme-se! – Caroline disse abraçando a amiga – Não aconteceu nada.
– Ele nunca chegou tão tarde em casa. — ela disse temerosa
– Vai ver ele teve que ficar até tarde por causa do contrato com aqueles caras do Canadá.
Car poderia ter razão, mas mesmo assim o coração de Elena não se acalmava. Continuava gritando que algo tinha acontecido.
– Talvez… — Lena disse contrariada, porem sem se acalmar.
Bufando, Caroline caminhou até o sofá e pegou o telefone:
– Vou ligar para o Klaus. Talvez ele tenha alguma noticia.
A loira levou o telefone ao ouvido sob o olhar preocupado de Elena. Ela conhecia muito bem Elena e sabia quando a amiga estava realmente preocupada. Só a tinha visto neste estado uma vez, porem, sabia que mais algum abalo emocional, seus nervos se tornariam em frangalhos e ela cairia no choro.
Klaus atendeu no segundo toque:
– Alô? – Klaus respondeu do outro lado da linha. – Boa noite Klaus, aqui é a Caroline. — ela disse de maneira formal – Tem noticias de Damon?
– Damon? — ele perguntou agora com a voz dura – O que aconteceu com ele?
– Não sei. Eu estou na casa dele com a Elena, e estamos bastante preocupas porque ele não atende o celular.
– Ele ainda não chegou em casa? — ele perguntou e ela zombou
– Oh, é claro que chegou, ele esta aqui do meu lado estou ligando pra você só porque eu sou uma idiota. — ela disse irônica – Se eu estou ligando é porque ele não chegou!
– Tudo bem, tudo bem. — ele disse rindo – Bandeira branca. — brincou
– Tem noticias dele ou não? — a loira perguntou já sem paciência
– Quando eu sai do escritório ele disse que iria pra casa logo depois de terminar de assinar uns papeis. — disse calmo – Elena já ligou pra lá?
– Sim, umas cinco vezes. Ele não esta lá.
– Droga… — Klaus disse suspirando
– O que? — ela tentou parecer calma para não apavorar Elena
– Nada… olha, a Elena esta muito preocupada?
– Sim. — ela preferiu não mentir
– Apenas tente acalmá-la. — ele pediu – Vou tentar encontrar esse fujão.
– Se conseguir contato nos ligue imediatamente gatinho. — ela disse sem pensar corando absurdamente.
– “Gatinho?” — Elena sussurrou divertida
– Tchau. — a loira disse desligando na cara de Klaus que ria do outro lado da linha.
– Nenhuma palavra sobre isso. – Caroline advertiu Elena que ainda tinha o olhar divertido
– Tudo bem, não tem problema. Eu apenas pensei que você não se envolvesse com advogados. — ela brincou
– E não me envolvo. — a loira disse de nariz empinado.
– É apenas sexo de boa qualidade.
– Oh sua safada! — Elena disse a fazendo rir – Bom, mas e ai? — seus grandes olhos voltaram a ficar curiosos e sombrios – Ele tem noticias do Damon?
– Não… — a loira disse vendo o desapontamento nos olhos da amiga – Mas disse que vai tentar localizá-lo. — disse sorrindo para tentar animá-la
– E se aconteceu alguma coisa? – Elena disse caindo sentada no sofá
– Você vai ver que não aconteceu nada! — a loira disse sentando ao lado dela e lhe esfregando os ombros – Talvez ele apenas tenha ficado preso por causa do contrato com aqueles caras do Canadá.
– Você já disse isso. – Elena disse ficando de pé em um pulo.
– Tudo bem, — Car disse bufando – o que você acha que aconteceu?
Era impressionante a quantia que Caroline a conhecia, Lena refletiu. Qualquer outra pessoa não notaria que ela estava se segurando para dizer alguma coisa... mas Car? Caroline notava. Sempre.
– E a secretaria nova? Ele me disse que ela é bonita.. — ela disse insegura
– Você acha que ele esta te traindo com a secretaria?
– Bom … — ela disse caminhando de um lado para o outro – não seria bem uma traição.
– Como não ? – Caroline disse batendo o pé
– Nosso casamento não passa de um contrato. Estamos há quase um mês juntos e nunca… — ela gesticulou com as mãos
– Transaram? – Car disse naturalmente
– Isso. — ela disse revirando os olhos – Talvez ele tenha procurado em outra o que eu não estou disposta a dar.
– Pois pra mim é traição igual. — a loira rebateu – Me diga o que você tem no dedo da mão?
– Aliança.
– Bingo! — a loira disse seria – Traição.
– Não me deixe mais nervosa do que já estou! – Elena disse esfregando as têmporas
– Tudo bem, tudo bem. – Caroline disse erguendo as mãos – O que vai fazer?
– Como assim? – Elena perguntou parando de repente.
– Se ele estiver lhe traindo…?
– Não vou fazer nada. — ela disse insegura – Não estou realmente casada com ele.
–Elena, Elena... – Caroline disse suspirando em tom de desaprovação
– O que você quer que eu faça? — ela perguntou alterando a voz
– Não sei! — a loira rebateu – ele é seu marido, não meu.
Elena revirou os olhos impaciente. Afinal ela não tinha do que reclamar.. não tinha porque reclamar.
O casamento entre ela e Damon não passava de um acordo profissional, nada mais. Porem, ela continuava aflita.
Pegando mais uma vez o telefone que agora se encontrava ao lado de Caroline, ela discou novamente o número e a mensagem da caixa postal ecoou novamente fazendo seus ouvidos ferverem de raiva.
– Se pra você tanto faz que ele esteja te traindo, porque esta tão preocupada? — Car perguntou parecendo desinteressada.
– Apesar de não ser a esposa dele de verdade eu me preocupo. Nós somos amigos.
– E você esta apaixonada por ele. — a loira completou
– Não estou nada. — ela rebateu brava
– Esta sim. Eu te conheço Lena, — a loira disse sorrindo – você esta caidinha por ele.
– Não, não estou. — ela tentou mais uma vez – Você que esta totalmente caída pelo Klaus.
– Não tente mudar de assunto espertinha. — a loira disse divertida – O homem em questão é o Damon, não o Klaus.
– Não delire Caroline. – Elena ralhou – O que tem entre eu e ele não passa de um acordo profissional do qual ajuda bastante ambas das partes.
– Ahan, sei. — a loira disse sem acreditar – Continue achando que me engana. — ela deu uma piscadela.
– Será que Klaus conseguiu falar com ele? — ela perguntou mudando de assunto
– Não faz dois minutos que ligamos para o Klaus. – Car disse arregalando os olhos
– É você tem razão...
Elena sentou-se nervosa esfregando as mãos.
– O que você vai fazer se caso ele estiver mesmo com a secretária? – Caroline perguntou a deixando pensativa.
Ela ainda não tinha parado para pensar sobre o que fazer exatamente...
Se é que tinha alguma coisa para se fazer!
Damon era livre. A aliança em seu dedo não o prendia, com certeza não. E mesmo tentando com todas as forças banir as palavras daquela vadia chamada Rebekah de sua mente, nada a conseguia fazer esquecer sobre o aviso que ela lhe dera no maldito banheiro da festa beneficente.
– Então? – Car gesticulou para que ela respondesse.
Elena alisou os cabelos nervosa e antes que pudesse pronunciar uma palavras, o barulho da fechadura da porta da frente foi ouvido.
Com um só pulo Elena ficou de pé, aguardando ansiosa que a porta abrisse. Caroline pelo contrário, pareceu não ouvir o barulho da porta e continuou sentada.
Tudo aconteceu em uma fração de segundos, porem para Elena que estava com o coração trancado na garganta, foi como se tudo estivesse em câmera lenta.
A porta finalmente abriu e finalmente Car pareceu perceber o barulho, pois com um pulo também se pôs de pé.
Damon colocou o primeiro pé dentro de casa sob o olhar de Elena.
Com a gravata frouxa, e o cabelo desarrumado ele a encarou serio.
– Elena.- ele disse parecendo surpreso – O que faz acordada? — perguntou fechando a porta
– Te esperando. — ela respondeu segurando a raiva
– Já é tarde, porque voc.. — ele se auto interrompeu quando percebeu a presença de Caroline — Oi Car. — disse fazendo um leve gesto com a cabeça
– E ai. — a loira disse receosa.
Pelo olhar que a amiga lançava para o “marido”, parecia que estava prestes a matá-lo. E isso era uma que Caroline não gostaria muito de presenciar, pois em geral, sempre que Elena ficava brava, cuspia fogo pela boca.
– Eu vou ligar e avisar o Klaus. — ela avisou pegando o telefone e indo em direção à cozinha.
– O que exatamente ela vai avisar para o Klaus? — ele perguntou tirando a gravata de vez e a atirando no sofá
– Que você chegou. — ela respondeu de má vontade
– E porque ele precisa saber? — disse com a sobrancelha erguida
– Porque você preocupou todos nós. — ela disse brava – Sabe que horas são Damon?
Damon suspirou. Já conhecia Elena o bastante para saber que uma bela de uma discussão estava por vir.
– Lena, quem sabe a gente conversa amanhã?
– Eu perguntei se você sabe que horas são! Me responda. — ela disse batendo o pé
– Não eu não sei. — ele disse bufando, sem paciência
– É quase meia noite Damon! Você nunca chegou tão tarde.
– Até onde eu sei eu não tenho hora pra chegar na minha casa. — ele disse irônico
– Porque você não atendeu o celular? — ela disse o ignorando – Te liguei mais de 20 vezes.
– Esta sem bateria, e eu sei me cuidar. — ele respondeu ríspido
– É, mas eu fiquei morta de preocupação. — ela rebateu indignada – Onde você estava afinal?
–Elena, eu não te devo satisfações. — ele disse serio
– Custava ao menos ligar para dizer que iria chegar tarde? — ela perguntou gritando – Eu imaginei que pudesse ter lhe acontecido mil e uma coisas.
– Eu não me lembrei de ligar! — ele também gritou
– Não grite comigo Damon! — ela gritou ainda mais alto.
– Ora, e o que você esta fazendo comigo? Falando amigavelmente é que não é. — ele ironizou sem baixar o tom de voz
– Eu estava apenas preocupada com você. — ela cuspiu as palavras
– Eu nunca pedi que você se importasse comigo, nem que se preocupasse, portanto não lhe devo satisfações.
O silencio caiu sobre eles, porem dessa vez ele vinha cheio de significado.
Elena engoliu o nó que se formou em sua garganta, e seu coração batia como se também estivesse gritando. Respirando fundo e olhando para Caroline que estava parada na porta da cozinha escutando a discussão ela disse sussurrando, falando alto o suficiente apenas para que Damon escutasse:
– Você tem razão. Eu sou mesmo uma estúpida. Eu quase morrendo de preocupação aqui, enquanto você devia estar se divertindo horrores.
– O que você quis dizer com isso? — ele perguntou confuso
– Mas não se preocupe. — ela continuou como se ele não houvesse falado nada – A partir de hoje eu não ligo mais. Car — ela foi logo dizendo antes que ele falasse algo – me espere aqui, desço em dois minutos.
– Aonde você vai? — ele perguntou com o cenho franzido.
Porem, ela simplesmente subiu as escadas sem responder nada, escutando as batidas aceleradas do seu coração, e sentindo as lagrimas querendo escapar-lhe dos olhos.
Junto com a batida da porta do quarto de Elena que ecoou nos ouvidos de Damon, ele também sentiu um forte soco no braço. Olhando apressadamente para o que lhe havia atingido, se deparou com Caroline prestes a lhe acertar outro soco.
– Ei! — ele ralhou lhe segurando os pulsos — Esta ficando louca?
– E você? — ela rebateu – Ficou sem coração de ontem pra hoje ou você já veio assim de fabrica? — disse conseguindo soltar seus braços.
Ele revirou os olhos suspirando, e estava prestes a lhe dar as costas e subir as escadas quando a loira lhe socou o braço novamente.
–Caroline, quer parar?
– Não. — ela disse sincera
– Olha eu tive um dia bem cheio hoje então porque não me faz um favor e me deixe subir e tomar um banho?
– Só se me prometer que vai se matar afogado. — ela disse seria – E outra, — a loira foi logo botando pra fora – só porque você teve um dia cheio acha que pode chegar em casa e descontar na pobre da Elena que estava quase arrancando os próprios cabelos de preocupação?
– Eu não pedi que ela se preocupação.
– Mas também não pediu que ela não se preocupasse. Ela só quer o seu bem seu egoísta.
Damon continuou quieto e entediado enquanto a loira falava.
– Terminou? — ele perguntou com as sobrancelhas erguidas
A loira revirou os olhos ainda mais brava, mas preferiu ficar quieta.
Ambos com o semblantes serio, ficaram em silencio, até que os passos de Elena descendo a escada foram ouvidos.
– Vamos Car? — ela perguntou com a bolsa na mão terminando de descer a escada.
Ela havia trocado de roupa. Agora estava de calça e jaqueta jeans, porem continuava de cabelos soltos e com maquiagem.
– Vamos. — a loira disse se encaminhando a porta
– Aonde vão? – Damon perguntou para Elena
– Não te devo satisfações. — ela disse irônica passando por ele.
– Não seja infantil Elena. — ele rebateu com a voz baixa
– OH, eu não estou sendo. — ela disse – Apenas vou sair com a Caroline.
– Que horas você volta? — ela perguntou enquanto ela passava de novo por ele
– Não te devo satisfações, lembra? E outr.... AI! — ela reclamou quando ele a agarrou pelo braço – Quer me soltar, por favor? — pediu com os olhos arregalados
– Você não pode sair. Temos um contrato lembra? — ele disse sério
– Um contrato, — Caroline se intrometeu – com uma clausula bem especifica, onde diz que ela não seria sua prisioneira. Lembra-se disso ou preciso ligar para o seu advogado? — ela disse em tom desafiador
Vermelho de raiva e contrariado, Damon a soltou.
– Não sei pra que essa atitude infantil Elena. — ele rebateu bravo
– Não vou perder meu tempo com você Damon. — ela disse dando de ombros e caminhando em passos largos até a porta.
Assim que Elena saiu porta a fora Caroline deu uma risadinha debochada e também saiu fechando a porta com força.
– Amiga o que foi aquilo? — a loira perguntou eufórica
– Foi eu dando o troco no Damon. – Lena rebateu decidida porem com a voz fraca.
– Ótimo, simplesmente adorei! – Caroline disse sorridente – E ai? — ela disse destrancando o carro – vamos a um bar encher a cara ou um bar onde tenha homens pelados pela metade do preço?
– Será que podemos ir para a sua casa? – Elena pediu já sentada no banco do carro com a voz fraca – Estou com sono.
– Tudo bem. – Car disse arrancando com o carro – Qualquer coisa estou aqui. — ela disse dando um beijinho na bochecha de Elena.
Assim como Caroline previra antes, bastava apenas mais um abalo emocional para os nervos de Elena transformar-se em frangalhos, e o resultado da discussão que ocorrerá minutos antes, não podia ser outro. Elena começou a chorar compulsivamente.
– Ei acalme. — Car pediu com carinho – Foi só uma discussão estúpida.
– Eu o odeio tanto Caroline! Eu sou uma idiota não sou? — ela perguntou entre soluços
– Não você não é. — loira lhe garantiu – Você só esta apaixonada.
Elena não respondeu, apenas continuou chorando...
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