Amor Por Acaso — Second Season
14 A Pior Noticia De Todas
Notas iniciais
A Pior Noticia De Todas
Acordei pela manha e sorri ao lembrar dos acontecimentos da noite anterior. Não sei porque, mas gostei do beijo do Matt, eu não deveria gostar, mas eu gostei. É algo estranho muito estranho.
Dunuts estava no tapete roendo alguma coisa e quando olhei o relógio marcava 10h36m e esse não era o horário que eu costumava acordar. Levantei-me e tomei um banho, pois estava cheirando a álcool. Veste-me com uma camiseta e um short, minhas cicatrizes estavam desaparecendo, mas ainda havia indícios de que eu havia me cortado há pouco tempo, mas ninguém perceberia, como sempre.
O barulho no andar de baixo alertava que meus pais haviam voltado e isso até que era uma coisa boa, pois estava morta de saudades. Desci as escadas correndo e quando vi meu pai corri e o abracei, sentia saudade do abraço paternal dele.
— Pai! — Falei ainda abraçada com ele.
— Que saudades de você princesa. — Ele falou me apertando mais, logo vi minha mãe vindo atrás.
— Mamãe! — A abracei e ela também me apertou.
— Princesa... Como você se comportou? — Ela disse me dando um beijo no topo da cabeça.
— Um anjo como sempre.
O dialoga na minha casa era fraco, depois de jogar conversa fora por 15 minutos meu pai foi rever alguns papeis junto com minha mãe e restou apenas eu e Matt na sala, o que não era muito agradável. Depois de longos segundos de silencio Matt resolveu falar.
— Sobre ontem à noite... — Ele não terminou a frase, mas eu quase podia adivinhar o que ele ia falar.
— Você ia dizer que foi um erro e que não deve voltar a acontecer. Acho que concordo.
— Na verdade eu não ia dizer isso.
— Ia dizer o que então?
Ele não pode responder, pois antes disso a campainha tocou, demorou algum tempo ate que eu percebesse que alguém estava batendo na porta, Dunuts já havia ido até a porta e pela felicidade era provável que fosse alguém conhecido.
Aproximei-me da porta e vi o rosto familiar da Annie, estava parada na porta e eu abri para ela que sorria, um sorriso um tanto quanto triste no rosto. Aquilo me preocupou um pouco, mas não queria enchê-la de perguntas antes mesmo dela entrar.
Annie entrou e olhou para Matt no sofá, ele parecia mais relaxado do que o comum, ela acenou para ele e logo ele acenou de volta.
— Vamos para o estúdio? — Ela Sugeriu.
— Claro. Matt se minha mãe perguntar estou no estúdio com a Annie.
Subimos as escadas devagar, pois Annie não estava muito bem, mas conseguimos chegar lá. Ao chegarmos lá Annie respirou fundo, o cheiro da tinta e madeira me fazia ficar feliz e ela também. Peguei dois pinceis e a tela para pintarmos. Coloquei o apoio de frente para a janela.
— Hoje pintaremos as arvores e o sol. — Sugeri.
— Adorável. — Ela sorriu e começou a pintar.
Flashback On
A primeira vez que Annie e eu viemos ao estúdio foi quase mágico, parecíamos duas crianças em um parque de diversão. E de fato éramos crianças e aquele era o nosso pequeno parque de diversões. Era o paraíso, passávamos todas as tardes pintando quadros totalmente estranhos, mas que para nós eram perfeitos.
— O que você acha que podemos pintar? — Annie perguntou.
— A nossa cor favorita! — Falei pegando alguns pincéis e tinta.
— Então eu pintarei um quadro amarelo e você um preto?
— Isso. Não gostou?
— Acho que vai ficar perfeito.
E esse foi o nosso primeiro quadro na vida inteira. Um quadro totalmente preto e o outro totalmente amarelo e até que ficaram bons. Deixamos eles secando em um canto do estúdio e nos sentamos no outro enquanto comíamos bolo de chocolate que minha mãe havia preparado. Coisas normais que crianças de seis anos faziam.
— Vamos fazer um juramento? — Annie propôs.
— Que tipo de juramento?
— Não poderemos vender, emprestar ou dar nenhum quadro que estiver aqui. Estarão com a gente para sempre.
— Tudo bem. — Estendi o dedo mindinho para ela. — Irmãs para sempre.
— Irmãs para sempre.
Apertamos o dedinho um no outro e fizemos o juramento. Nunca poderíamos vender os quadros, ficariam no estúdio para podermos lembrar que sempre teríamos uma a outra.
Flashback Of
— Acho que está bom.
— Isso não parece uma arvore Izzy. Na verdade parece uma parede com machas verdes. — Ela riu pelo nariz.
— Olha, eu acho que o meu está tão lindo quanto o seu. — Olhei o dela — Na verdade o seu esta mais bonito.
— Izzy... Você me faz um chá?
— Claro. Eu sabia que você amava o meu chá.
Sorri e a encarei por alguns segundos, o olhar triste ainda estava em seus olhos e aquilo me incomodava um pouco, mas não sabia se deveria perguntar, talvez fosse problema familiar. Descemos as escadas e fomos para a cozinha, Annie se sentou à mesa da cozinha e eu decidi me sentar com ela, para o meu azar Matt também estava na mesa, ele estava comendo um pedaço de bolo que minha mãe havia preparado pela manha.
Encarei Annie por uns instantes e Matt reparou que alguma coisa errada estava acontecendo, foi quando vi os olhos da Annie se encherem de lagrimas.
— Você pensa que eu não vi o seu braço? — Ela disse com algumas lagrimas no rosto.
— Você esta chorando? — Perguntei preocupada, Matt estava quieto apenas observando.
— Eu vi o que você fez, mas não sabia o que fazer para ajudar.
— Annie, eu vou parar, não precisa chorar, por favor. — Segurei sua mão e ela estava tremendo.
— Por isso não te contei, porque sabia que iria piorar as coisas, não queria você fazendo isso por minha causa. — Ela sorria e segurava a todo custo para nenhuma lagrima descer.
— O que aconteceu Annie? — Apertei sua mão. — Pegue água com açúcar, chame a minha mãe, faça alguma coisa! — Falei autoritária com Matt.
— Eu estou doente Izzy, e não te contei porque sabia que você iria se cortar de novo.
— Annie... Eu estou bem, não vou mais fazer isso. E o que você tem? Está doente? Como assim doente?
— Voltou Annie. — Não se atreva a dizer isso, foi o que eu pensei quando ela disse aquilo.
— Annie não...
— O câncer voltou. — E finalmente uma lacrima caiu dos olhos brilhantes de Annie.
oOo
Meus olhos se encheram de lagrimas quando ouvi aquela pequena frase sair da boca da Annie não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Há poucos anos Annie foi diagnosticada com leucemia, ou câncer no sangue, como preferirem chamar e agora ele voltou, depois de tanto tempo.
Levantei-me da mesa, estava tentando ser forte, não queria chorar na frente dela, não poderia deixá-la pior do que já estava.
— Talvez seja uma boa hora para o chá.
— Ele está progredindo mais rápido do que o tratamento, está três vezes pior. — A voz dela martelava atrás de mim.
— Não. Não quero ouvir, tenho que fazer o chá, você me pediu chá.
— Não tem cura. Izzy eu estou morrendo e não posso te ver assim, não posso aceitar isso se a minha irmã não aceitar.
Vi meus pais parados na porta e Matt ao lado da Annie. Comecei a mexer em alguma coisa que tinha na pia, não sabia o que era, mas nem queria saber. Comecei a tentar lavar aquilo enquanto tentava segurar as lagrimas, logo senti a mão delicada da Annie nas minhas, olhei para ela e ela sorria. A abracei tão forte que achei que tivesse quebrado algum osso no corpo magro dela. As lagrimas nos meus olhos me impossibilitava de ver alguma coisa não conseguia mais ver quem estava na cozinha ou quem foi embora. Sentia meu rosto queimar e meu coração parecia estar sendo esmagado. “Está três vezes pior”. Aquilo acabou comigo e aquela frase vinha e ia à minha cabeça não me deixava pensar, não conseguia respirar.
— Vai ficar tudo bem... — Ela sussurrou no meu ouvido. — Vai ficar tudo bem.
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