Amor & Pecado
39 Capítulo 39 - Passado, Presente e Futuro
Notas iniciais
– Como assim, mãe?! – Meu coração está martelando nos ouvidos. Fico de pé atordoado, tentando assimilar o que ouvi.
– Marcos, por favor, mantenha a calma. – Minha mãe se levanta da poltrona e pousa suas mãos em meus braços. – Irei te explicar como tudo aconteceu, mas tente ficar calmo, meu filho. Sei que você tem inúmeros motivos para odiar essa garota, mas infelizmente ela é sua irmã.
– Não! – Grito. – Ela não é nada minha. NADA! – As lágrimas chegam aos meus olhos rapidamente e antes mesmo de eu tentar as conter, minha face é banhada por elas. – O que é isso, meu Deus?! O que eu fiz para merecer isso? O que?! – Passo a mão por um pequeno cinzeiro de vidro, antigamente usado pelo Sr. Lauro e o lanço contra a parede. O som é alto, porém abafado.
– Marcos, calma! – Minha mãe me fita com seus olhos preocupados e me envolve em um abraço apertado. Retribuo o abraço na mesma intensidade, senão maior e choro. Não só pelo que acabei de ouvir, mas por tudo o que vem acontecendo nos últimos dias. Sou guiado até o sofá do escritório, minha mãe se senta, pousa minha cabeça em seu colo e faz com que me deite. Permanecemos em silêncio, enquanto choro um rio. Parece que as lágrimas nunca irão secar. A cada segundo é um golpe profundo no peito. É uma mistura de sentimentos fortes e avassaladores. Tento respirar fundo, porém é inútil o soluço involuntário não deixa. Minutos se passam, até eu conseguir me recompor. – Está mais calmo?
– Sim. – Digo ao me levantar e enxugar as últimas lágrimas. – Por favor, me diga como isso é possível.
Ouço atentamente tudo o que minha mãe está dizendo. Daniela e meu pai. Guilherme perdoa a noiva, mesmo sabendo que ela está grávida de outro. Minha mãe perdoa meu pai, sem saber da gravidez de Daniela. Meu pai sabe que Letícia é sua filha e sempre custeou os gastos dela, durante estes anos. Márcia culpa Letícia pela morte do filho e a maltratou por anos...
– O que a senhora pretende fazer agora? – Pergunto preocupado. Se a noticia já foi um grande susto para mim, imagina para minha mãe.
– Seu pai irá sair de casa hoje e Letícia ficará comigo, por enquanto. Diane e Vinicius estão se restabelecendo em outro lugar e eu acompanharei a gravidez dela. O bebê não tem culpa dos pais que tem e da situação que nos encontramos.
– Você é incrível, mãe. – Um nó se forma em minha garganta em dizer tais palavras. Sim! Minha mãe é incrível. Ela irá cuidar de Letícia durante a gravidez, apesar de tudo.
– Você também meu amor. – Agora são os olhos da minha mãe que enchem d’agua. – Você sempre foi um filho incrível, que me enche de orgulho. Nunca me deu motivos para duvidar de nada. Sempre esforçado, ao que se propõe a fazer e honesto. Imagino o quanto você se reprimiu, por não poder ser quem você realmente é. Sinto muito por isso, mas a partir de hoje, não hesite em viver e fazer o que deseja. Sempre estarei ao seu lado. – Uma lágrima cai dos seus olhos. – Tenho certeza que seu pai também tem muito orgulho de você, porém o orgulho dele ainda não deixou que enxergasse isso.
– Prefiro não criar expectativas quanto ao meu pai, mãe. – Seguro sua mão. – Ele está indo para onde, hoje?
– Parece que ele conseguiu alugar uma casa pequena, próxima ao trabalho e vai ficar por lá.
– Obrigado por me entender. – Digo carinhosamente.
– Obrigado por ser meu filho. – Nos abraçamos. Pensei que minha cota de lágrimas já tinha sido ultrapassada, porém aqui estão elas novamente. O alivio toma conta do meu peito e sinto o amor da minha mãe emanar até mim e sei que ela sente o mesmo. Ao nos separarmos, percebemos a presença de alguém no escritório.
– Oi. – Marcos abre um sorriso tímido, como se quisesse dizer: “Me desculpe por atrapalhar”.
– Olá Marcos! – Minha mãe sorri ao enxugar as últimas lágrimas. – Me desculpe estar em seu escritório, dessa maneira.
– Sem problemas, Vanessa. – Marcos se aproxima e se senta ao meu lado.
– Cortou o cabelo! – Afirmo com certo entusiasmo a Marcos.
– Sim. – Responde feliz por eu ter gostado. – Mas o que aconteceu? – Marcos agora parece preocupado.
– Apenas um momento mãe/filho e algumas surpresas. – Digo ao sorrir. Só de olhar para Marcos sinto uma paz imensurável.
– Não é nada com que se deva preocupar? – Marcos pergunta ao correr os olhos entre minha mãe e eu.
– Não. – Minha mãe da de ombros.
– Mais tarde eu te conto, pode ser? – Pergunto.
– Tudo bem. – Marcos responde.
– Mas eu tenho mais uma coisa para falar, filho. – A feição da minha mãe fica séria novamente.
– O que? – Pergunto já em choque.
– Vocês ficam lindos juntos. – O sorriso da minha mãe é largo e sincero.
– Obrigado. – Digo ao soltar uma pequena risada, de alivio.
– Seu filho é incrível. – Marcos diz a minha mãe ao passar um dos seus braços em minha volta, me puxando para mais perto.
– Eu sei disso, portanto cuide bem dele.
– Sempre. – Marcos sorri para nós e deposita um delicado beijo em minha testa. – O que acham de almoçarmos?
– Ótima ideia. – Digo. – A senhora irá adorar o restaurante dos irmãos do Marcos, mãe.
– Lá tem Tortellini? – Minha mãe brinca.
– Com certeza. – Marcos responde.
– Então vamos.
Ter as duas pessoas mais importantes da minha vida juntas é muito bom e posso dizer, que apesar de tudo, estou/sou feliz.
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Letícia
– O senhor irá para onde? – Pergunto ao parar na porta do quarto.
– Aluguei uma casa próxima ao trabalho. – Claudio responde ao fechar o zíper de uma das malas.
– Será extremamente difícil ficar nesta casa.
– Fique tranquila, conversei com Vanessa e concordamos em ter você aqui, até você e Vinicius se acertarem.
– Não iremos nos acertar. – Digo entristecida. – Tudo o que aconteceu entre eu e Vinicius foi a mais pura mentira. Uma brincadeira perigosa e inconsequente, que nos trouxe até aqui.
– Agora é arcar com as consequências. – Claudio diz seco.
– Pelo visto não é só eu que se encontra em tal situação. – Falo o encarando. – O senhor me escondeu desde sempre da sua família e hoje está saindo da própria casa, por este motivo.
– Sei o porquê das coisas estarem assim Letícia. Não precisa me lembrar. – Claudio coloca uma bolsa nos ombros e pega outra na mão. – Irei concertar as coisas com Vanessa.
– E comigo? Sou sua filha também. – Digo cheia de expectativa.
– Com você também. – Claudio suspira. – Preciso de um tempo sozinho para organizar as ideias. Pretendo suprir meus erros com todos.
– Inclusive com meu irmão?
– Principalmente com ele. – Claudio avança. – Preciso ir, qualquer coisa me ligue.
Claudio passa por mim e desce as escadas. Continuo parada e um vazio crescente toma conta do meu peito. Antes eu tinha uma avó que me odiava, por achar que eu tinha matado seu filho. Hoje descubro que tenho um pai e um irmão, porém um não demonstra seus sentimentos e o outro me odeia por eu arruinar sua vida. Juntamente com um nó na garganta, as lágrimas chegam aos meus olhos e caem com força. Tudo o que eu queria é uma vida “normal”. Pai, mãe, irmãos e um cachorrinho. Minha vida é totalmente diferente. Perdi meus pais tão cedo e a única pessoa que eu poderia me apegar, nunca gostou de mim. Agora que ganhei uma nova família, a arruinei, antes mesmo de eu saber que fazia parte dela. Talvez Márcia tenha razão. Eu sou uma praga que acaba com a vida das pessoas a sua volta. Volto para o quarto de Marcos, onde estou acomodada e o observo. Tenho certeza de que aqui foi cenário de muitos momentos felizes. Isso é visível nos pequenos detalhes. Desde a colcha do Bob Esponja que ainda está na cama, até a os nomes “Marcos” e “Vinicius” escritos, provavelmente, com a ponta de uma tesoura no pequeno criado mudo ao lado da cama. Em uma das paredes há um mural de fotos. Marcos pequeno. Marcos com os pais. Marcos no parque da escola. Marcos e Vinicius. Marcos e Vinicius. Marcos e Vinicius... O que eu fiz?! A culpa toma conta de mim. Eles sempre estiveram juntos, sempre. E eu por puro divertimento e interesse acabei com esse vínculo. Sento-me na cama e escondo meu rosto entre as mãos. Quero desaparecer!
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Vinicius
– Consegui um emprego! – Digo entusiasmado para minha mãe.
– Que bom. – Ela diz sem me olhar nos olhos.
– A senhora vai ficar assim comigo até quando? – Pergunto chateado. – O fato de eu ser gay não anula o fato de eu ser seu filho.
– Eu nunca disse isso. – Minha mãe agora me encara.
– Então me trate normalmente. A senhora não é a única que está sofrendo com isso.
– Só não entendo, se você se diz gay, como pode ter engravidado aquela garota?
– Mãe... – Respiro fundo e tento explicar. – No dia em que fiquei com Letícia, eu estava sendo chantageado por ela. Caso eu não a fizesse minha, ela espalharia a verdade para a Igreja toda. Isso foi na época que consegui o emprego na Delicatessem da avó dela. A senhora e meu pai estavam super felizes com o meu “amadurecimento”. Fui obrigado, e por ironia ela acabou engravidando. Essa foi a nossa primeira e última vez. E para ser sincero, o termo “gay” não me define. Creio que o termo correto seja “bissexual”.
– O que isso quer dizer? – Minha mãe pergunta confusa.
– Quer dizer que gosto igualmente de mulheres e homens. – Digo com certa timidez.
– Meus Deus! – Minha mãe está horrorizada e eu não contenho o riso. – Como você ousa rir ao dizer uma coisa dessas?
– Mãe, este sou eu. Espero que a senhora se acostume com isso. Caso contrário, não pararei minha vida por causa da sua opinião ou dos demais. Sou assim e ponto final.
– Vinicius, me respeite, sou sua mãe!
– A senhora me respeita e eu te respeito. É recíproco e simples.
Por um momento ela parece pensativa e suspira pesarosamente.
– Onde você conseguiu emprego? – Pergunta.
– Em uma empresa de alarmes. Minha vaga é de auxiliar administrativo. Acredito que com o salário conseguirei te ajudar aqui e suprir as necessidades de Letícia com o bebê. Irei me esforçar.
– E a visita ao seu pai, como foi?
– Ele está bem mais magro e muito abatido. Acredito que ele esteja realmente arrependido.
– Arrependido? Duvido. – Minha mãe diz amargamente. – Quero que ele apodreça naquela cadeia, miserável.
Tento não dar ouvidos a minha mãe. Como eu disse, nada e nem ninguém irá me abalar com que diz respeito a minha vida. Como diz aquele ditado: “Há males que vem para o bem”. Com a perda dos nossos bens, aprendi a valorizar o trabalho e vi que ter uma vida humilde e honesta é mais vantajoso, do que ser rico de forma fraudulenta. Tenho como exemplo o meu pai. Tudo o que eu quero agora é trabalhar e focar no meu futuro, dando o suporte necessário para o meu filho e claro, reconquistar o meu pequeno.
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– Então Letícia é sua irmã? – Marcos pergunta ao coçar, levemente, a cabeça.
– Sim. – Digo ao suspirar e apoiar a cabeça em uma das mãos.
– Nossa! Parece até história de novela. – Ri suavemente.
– Sim parece. O pior é minha mãe ter que aguentar Letícia dentro da própria casa.
– Para ser franco, apoio o seu pai nessa decisão. – Marcos puxa sua cadeira e fica mais próximo de mim. – Letícia também é filha e como a “avó” dela não a quer por perto, não vejo nada demais ela ficar na casa de sua mãe até Vinicius conseguir leva-la com ele.
– Eu discordo. – Digo ao fazer uma pequena careta. – Vinicius a engravidou e deve arcar com suas responsabilidades, independente de onde estiver morando. Mesmo se ele estivesse morando debaixo de uma ponte, ela deveria estar com ele.
– Meu amor, não fale assim. – Marcos acaricia uma das maçãs do meu rosto, com seu polegar. – Letícia não tem ninguém por ela e Diane e Vinicius estão se recuperando de um grande golpe, tente entender.
– Vai ficar defendendo todos agora?! – Pergunto um pouco irritado.
– Não estou defendendo. – Marcos da de ombros. – Estou apenas tentando fazer você entender, um pouco, as coisas. Sei que é difícil para você assimilar tantos acontecimentos e aceitar Letícia como seu sangue, porém nada do que vem acontecendo entre nós, teria acontecido sem a intervenção dela.
– Como assim? – Pergunto confuso.
– O acordo que ela fez com Vinicius, as chantagens, as decisões impulsivas... Sem isso não estaríamos juntos. – Marcos me fita carinhosamente. – Pode soar de forma egoísta o que irei dizer agora, mas sou grato por eles terem tomado tais decisões.
– Bem... Irei te dizer duas coisas, do fundo do meu coração. – Me acomodo na cadeira, encarando seus olhos cor de mel. – A primeira é que de forma alguma você um dia soará egoísta, no que tem a dizer. – Passo os dedos da minha mão direita em seu cabelo recém-cortado e seus olhos se fecham instantaneamente, como um gatinho recebendo carinho. – Você acabou de defender a Letícia, uma pessoa que na minha visão, não merece nenhum tipo de defesa. A segunda coisa é que não estou com você por obra do destino ou porque Letícia e Vinicius tomaram decisões equivocadas. Estou com você Sr. Marcos Accetti, porque te amo! – Vejo seus olhos se encherem de alegria ao término das minhas palavras. – Eu te amo! Você seria meu e eu seu independente de qualquer coisa.
– Eu também te amo! – Marcos cola sua testa na minha. – Muito! Demais! – Seus lábios vêm em direção aos meus lentamente, nossas respirações se cruzam, formando uma pequena massa de ar quente entre nós. Finalmente nossos lábios se encontram nos proporcionando um momento único de amor, ternura, carinho e cumplicidade. Esta é a segunda vez em que declaro meu amor por Marcos e sinto que tais palavras tem um peso imensurável. Pelo modo em que seus olhos brilharam, sinto que ele sente o mesmo e que ansiava tal declaração da minha parte. Sua língua faz com destreza o seu dever. Ela percorre minha boca delicadamente, fazendo com que eu sinta o seu gosto e desejo. Seus braços me envolvem e ficamos de pé juntos. Estamos tão próximos que sinto sua ereção em meu abdômen, por Marcos ser mais alto. Isso me deixa extremamente excitado. – Quero você meu amor. – Sussurra de forma sexy em meu ouvido.
– Vamos para o quarto. – Digo ofegando.
– Não. – Ele protesta. – Quero te comer aqui na cozinha. – Meu coração acelera os batimentos e me surpreendo mais uma vez com Marcos. Ele me pega com força, pelas coxas, fazendo com que minhas pernas envolvam sua cintura e eu fique em seu colo. Sou colocado em cima da bancada de granito, ao lado do fogão cooktop. Seus beijos ficam mais exigentes. Agora suas mãos percorrem minhas pernas, minhas costas e meu pescoço. Seus dentes mordem, suavemente, meu lábio inferior me causando arrepio.
– Marcos, Cleuza está por aqui, podemos ser flagrados! – Digo ao me dar conta de onde estamos e como estamos.
– Shh... Relaxe... – Minha boca recebe um novo beijo, porém curto. Marcos vai em direção as duas, grandes, portas de madeira da cozinha e as tranca. Após isso me lança um olhar malicioso e abre a geladeira.
– O que é isso? – Pergunto surpreso e curioso.
– Chantilly. – Seus olhos cor de mel se divertem. Marcos tira a tampa da embalagem, coloca uma pequena quantidade em sua boca e me puxa para um beijo. UAU! Seu beijo é dominador e preciso. Sua língua e o chantilly formam uma dupla incrível. Ao final do beijo, suas mãos procuram o zíper da minha calça e como previsto ele é aberto. Minha calça é retirada do meu corpo, juntamente com a cueca.
– M-marcos... – Tarde demais. Antes mesmo de eu terminar a frase, Marcos abocanha meu membro, como nunca antes. Sua língua quente e voraz massageia minha glande e sua boca o engole por completo. Minhas mãos se fecham em seus cabelos e administro a velocidade da sucção. Neste momento eu estou literalmente vendo estrelas. Como isso é bom! Antes que eu chegue ao clímax o liberto e sua boca sedenta liberta meu membro pulsante.
– Agora com um pouco mais de emoção. – Seu sorriso é de puro deleite ao tirar minha camiseta e passar Chantilly pelo meu corpo. Tenho a pasta branca pelo meu tórax, abdômen e membro. Sua língua ágil lambe meu corpo, enquanto retira o chantilly, por onde passa. Sinto arrepios quando meus mamilos são envoltos por ela. Os músculos do meu abdômen também enrijecem, quando sinto o toque da sua língua passar por ele. Pela segunda vez meu membro é sugado por sua língua, agora com um toque a mais. AH! Meu corpo começa a tremer e Marcos para com o seu trabalho. – Não goze, meu amor. Não agora.
– Minha vez. – Digo ao descer da bancada.
Enquanto o beijo, minhas mãos estão por dentro da sua camiseta, sua pele é lisa e seus músculos definidos. Marcos toma a atitude de tirar sua própria roupa. Observo com admiração seu corpo ficando nu. Nessas horas me pergunto como eu posso ser merecedor de tal perfeição? Marcos passa suas mão grandes, com dedos longos e finos pelo tórax, abdômen, até envolver o seu membro com elas. Ele faz um sinal com o dedo indicador, para mim, como se estivesse me chamando. Obedeço meu namorado com o maior prazer, antes que eu me aproxime, ele pega o Chantilly, passa em seu membro e lambe os dedos para tirar o excesso. Isso me deixa louco! Seus lábios avermelhados envolvendo seus dedos e sua ereção perfeita coberta de creme é provocante demais. Em um segundo estou ajoelhado, literalmente engolindo o seu membro. A respiração de Marcos fica descompassada e ligeiramente ofegante. Seus dedos se entrelaçam em meus fios de cabelo e minha cabeça é puxada para trás, com certa brutalidade, fazendo meu couro cabeludo formigar com a dor. Nossos olhares se encontram e sinto seu desejo. Esqueço o puxão dado em meu cabelo e sorrio. Com avidez Marcos se ajoelha também, me envolve em seus braços e me deita no chão, frio e escuro da cozinha. Ele está em cima de mim e nossos corpos estão grudados, não só por estarem unidos, mas também pelo resto de Chantilly e saliva. Uma de suas mãos passa pela base do meu membro, até encontrar minhas nádegas. Seus dedos ágeis encontram o caminho do meu ponto de prazer supremo e o massageia. Meus músculos se contraem e relaxam, involuntariamente, de tanta vontade de tê-lo dentro de mim. Percebo que o tesão nos afeta da mesma maneira, ao perceber que nossos membros estão “molhados” e sensíveis.
– Fique de quatro. – Seu tom de voz está mais grave do que o normal.
– Você está com preservativo? – Pergunto.
– Sempre. – Sorri ao pegar sua calça jeans no chão e tirar um do bolso traseiro.
Fico do jeito que Marcos pediu, de costas, apoiando meu peso sob os braços e com a bunda empinada. Ouço o som da embalagem se abrindo e me preparo, mas ao invés disso sinto as mãos de Marcos separando minhas nádegas e sua língua quente passando vagarosamente em meu ponto. Levo um choque, no início, por nunca ter recebido tal carícia e me entrego à sensação. Meu corpo treme à medida que a língua de Marcos me massageia. Ela é ávida, rápida, quente e molhada. Não consigo conter os gemidos. Meu ponto continua se contraindo, informando a Marcos que estou pronto para recebê-lo. Não sinto mais a sua língua em mim e antes que de poder respirar, seu membro está inteiramente dentro de mim. A dor faz com que eu grite e sua mão tapa minha boca.
– Shh... Aguente firme. – Marcos sussurra em meu ouvido.
Com a mesma brutalidade, seu membro entra e sai, causando a mesma dor de antes, porém Marcos pausa o movimento ficando apenas dentro de mim, sem se mover. Ficamos ali uns dois minutos, apenas um sentindo o corpo do outro e eu sentindo o espaço que Marcos ocupa, literalmente, em mim. Depois da dor, a sensação de submissão é boa e a vontade de “ser” dele, da forma mais selvagem possível, cresce. Começo a fazer movimentos com o meu quadril, fazendo seu membro se mexer.
– Bom garoto. – Marcos fala ao beijar meu pescoço e o mordiscar levemente.
Seu membro sai de dentro de mim lentamente e começo a sentir o “vazio”, mas para a minha felicidade, sou preenchido vorazmente de novo. A dor voltou, porém veio com ela desta vez o prazer. Marcos me penetra repetidas vezes em um curtíssimo intervalo de tempo. Suas estocadas são fortes, do tipo de me deixar mole. Sinto que estou sendo “rasgado”, mas não quero que pare. Quero mais! Preciso de mais!
– Me fode, Marcos! – As palavras saem impulsivamente da minha boca. Nunca falei nada parecido, porém não me arrependo. A penetração fica ainda mais rápida e forte. O som do impacto do corpo de Marcos com o meu é alto. Nossos gemidos também não estão mais baixos. Marcos geme de forma sexy e ofegante em meu ouvido. – Não para, não para...
– Que rabo gostoso... – Marcos fala (geme).
Estou sentindo um prazer crescente dentro de mim, exatamente quando Marcos está inteiramente dentro. Não consigo explicar, mas sinto prazer sem mesmo tocar em meu membro. O sinto pulsante e “molhado”.
– E-eu vou... – Marcos não termina a frase, apenas acelera os movimentos (Se é que isso é possível) e se derrama dentro de mim. Enquanto suas últimas estocadas fortes e bruscas me penetram, seu membro acerta um ponto até então desconhecido por mim. Meu corpo treme, como nunca antes e gozo sem me tocar! O prazer é infinito. Meus olhos se reviram e meus braços não sustentam mais o peso do meu corpo. Marcos percebe o meu estado e me envolve em seus braços e lentamente nos deitamos de “conchinha” no chão. Nossas respirações estão aceleradas e ainda estou tentando entender o que estou sentindo. Prazer! Muito prazer! Marcos me vira, ficando de frente para mim e me beija carinhosamente. Retribuo o beijo.
– Vamos para o quarto. – Marcos fala.
– Não. – Agora sou eu quem é contra. Meu corpo está fraco e estou com sono.
– Vamos. – Marcos me coloca de pé e colocamos nossas calças. Apoio-me nele e com os olhos fechados, de tanto sono, sou guiado até o quarto. – Não! – Marcos me segura pelo braço enquanto sigo em direção à cama. – Precisamos tomar banho.
Sinto a água quente da ducha tocar meu corpo e as mãos de Marcos me lavando. Creio que eu esteja em um estado deplorável. Nos poucos momentos que fico de olhos abertos, vejo os olhos cor de mel de Marcos me fitando carinhosamente e um sorriso meigo nos lábios. Nos momentos seguintes, sinto os fios da toalha em meu corpo, enquanto estou sendo secado. Finalmente chegamos à cama. Ainda estamos nus. Marcos deixa com que eu deite primeiro, ele vem em seguida, coloca um dos seus braços debaixo da minha cabeça e me reencosta em seu corpo. Seu edredom grande e pesado nos envolve.
– Agora durma meu príncipe. – Marcos sussurra e me entrego ao sono.
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Vanessa
Minha tarde não poderia ter sido melhor. Ter almoçado com Marcos e o namorado me fez espairecer um pouco. Eu tinha a esperança de que Marcos voltasse para casa, já que Claudio foi embora, mas com Letícia ainda aqui, ele não aceitaria. Portanto não fiz tal pedido a ele. Apesar de tudo ele está feliz, o que me deixa feliz também. Desde que cheguei Letícia está no quarto de Marcos, decido ir até lá.
– Letícia. – A chamo ao bater na porta e entrar no quarto.
– Sim? – Ela responde colocando a cabeça para fora da coberta.
– Está com fome? – Pergunto.
– Um pouco. – Responde acanhada.
– O que acha de uma sopa?
– Eu adoraria. – Um pequeno sorriso percorre seus lábios.
– Irei preparar, quando estiver pronta te chamo.
– Tudo bem.
–-
Letícia come com vontade sua terceira porção de sopa.
– Pelo jeito a sopa está boa. – Digo ao observa-la comendo.
– Sim, está ótima.
Em seguida Letícia termina sua refeição e o silêncio pesa entre nós. Há poucos dias atrás dei a surra que essa garota merecia, pensei que a entregaria na casa de sua “avó” e não teríamos mais contato algum, porém nada disso aconteceu. Acabei descobrindo que ela é filha do Claudio e consequentemente irmã do meu filho. A vida gosta de nos pregar peças e essa foi a maior até agora. Com isso passei a enxergar Letícia com outros olhos. Vi que a vida também não tem sido justa com ela. Isso não justifica as suas atitudes, mas faz com que eu queira entende-la.
– Vanessa, eu gostaria de te pedir desculpas. – Letícia rompe o silêncio com seus olhos verdes fixos nos meus.
– Como? – Pergunto ainda sem ter certeza do que ouvi.
– Eu gostaria de te pedir desculpas. – Letícia agora abaixa a cabeça. – Desculpas pelas minhas atitudes.
– Minhas atitudes também não foram das mais corretas Letícia. – Digo ao encara-la. – Não foi certo agredi-la daquela maneira, com você estando grávida.
– Eu mereci. – Letícia diz.
– Ainda bem que você sabe, mas mesmo assim eu não poderia ter feito isso.
– Esse peso em minha consciência está me matando. – Lágrimas brotam em seus olhos. – Separei duas pessoas que se amavam por pura imprudência, acabei engravidando, destruí sua família. Sei que isso não tem perdão, mas eu preciso lhe pedir desculpas. Por tudo.
– Realmente, você fez tudo isso. Mas tente enxergar as coisas com outros olhos.
– Como assim? – Letícia pergunta confusa.
– Bem... Hoje você está longe da Márcia, aquela velha louca que já te fez sofrer muito e eu me livrei de Claudio, que me enganou por muito tempo, enquanto omitia a existência de um segundo filho e não dava a oportunidade de você saber a sua verdadeira história. Portanto, acredito que todos os seus “erros” foram válidos de certa forma para vida de todos. Você ganhou um pai e um irmão, se livrou da sua “avó” que nunca te amou, fez com que eu abrisse os meus olhos quanto a Claudio, não só por ter te escondido, mas por mostrar que não é capaz de sentir amor pelo próprio filho, o expulsando de casa, por sua sexualidade e também fez com que Vinicius saísse da vida de Marcos, dando a oportunidade dele conhecer alguém que realmente o ame.
– Posso ter ganhado um pai e um irmão, porém nenhum demonstra sentimento por mim. Livrei-me da minha “avó” e fiquei mais solitária ainda e Vinicius ainda ama Marcos,do jeito dele, mas ama.
– De tempo ao tempo. – Digo pacientemente. – Tudo vai se acertar. Se preocupe com seu filho e você não está sozinha. Estou aqui.
– Obrigada Vanessa. – Letícia esboça um pequeno sorriso e enxuga as lágrimas.
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– Aí! – Exclamo. Meu corpo está dolorido.
Levanto-me, da cama, e sigo em direção ao banheiro. Procuro em um dos armários algum tipo de analgésico e para minha salvação acho um anti-inflamatório, por ser mais forte, acredito que fará a dor cessar mais rápido. Marcos ainda está dormindo e ao observar sua feição tão relaxada, lembro-me da sua avidez e desejo por mim, algumas horas atrás. Minhas bochechas queimam só de lembrar no sexo formidável que tivemos no chão da cozinha. Antes de sair do banheiro vejo nossas calças jeans jogadas atrás da porta, não sou de bisbilhotar as coisas de ninguém, mas acredito que Marcos e eu já temos intimidade suficiente para isso. Pego sua carteira que também está no chão e a abro. Como previsto, tudo é muito bem organizado, seus cartões, dinheiro e documentos. Documentos?! Com certo sorriso no rosto pego seu RG. Marcos está irresistivelmente gostoso em sua foto 3X4. Como alguém pode sair tão lindo e sorridente em uma foto de RG? Sim, ele pode. Observo sua data de nascimento e me surpreendo. Vinte e quatro de Agosto de mil novecentos e oitenta e dois. Isso significa que ele tem trinta e um anos?! Marcos é treze anos mais velho que eu?! Nossa! Na minha cabeça ele tinha no máximo vinte e cinco anos. As aparências realmente enganam. Meu Deus! Vinte e quatro de Agosto! Faltam menos de dois meses para o aniversário dele! Preciso pensar em algo e já sei exatamente para quem pedir ajuda. Atrás do compartimento de documentos, acho uma foto de um Sr. cujo os olhos são iguais os de Marcos, da cor do mais puro mel. Seus traços também são semelhantes aos seus e seu sorriso é quase tão encantador quanto o dele. Então a ficha cai. Seria este Sr. o pai do Marcos? Provavelmente sim.
– Não! – Ouço a voz de Marcos vindo do quarto. – Não! – Ele repete.
Com quem será que Marcos está falando?
Chego ao quarto e Marcos está suado, com os punhos cerrados e feição de pura tristeza. Seus olhos estão fechados com força e sinto que as lágrimas estão contidas. Sua respiração começa a acelerar e sua cabeça balança de um lado para o outro.
– Não! – Ele repete. – Por favor, não!
– Marcos acorde! – Digo. Com certeza ele está tendo um pesadelo. Seu rosto se contorce de dor e começo a ficar preocupado. O que está acontecendo?! Sento-me ao seu lado, na cama, e seguro seus braços. – Marcos acorde! – Digo mais uma vez ao balançar seus braços.
– Não! – Marcos grita ao abrir os olhos. Por um segundo vejo o medo estampado em seu olhar e ao cair na realidade, Marcos me abraça e, como uma criança, chora em meus braços.
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Naquela sexta feira Inácio resolveu levar seu filho para o trabalho. Ele se sentia muito mal por ser tão ausente na vida do garoto e resolveu o levar para o escritório. O pequeno Marcos, com apenas dois anos, fazia sucesso. Não só por ser filho de um dos diretores da empresa, mas também por ser uma criança linda e carismática. Os funcionários mimavam o garoto, principalmente as mulheres.
– Ele é lindo Sr. Inácio. Esse cabelo claro e olhos cor de mel farão muitas garotas suspirarem. – Falou uma das secretárias.
– Obrigado Sabrina.
O expediente acaba e Inácio pega seus pertences e os do filho. Caminha pelo amplo estacionamento, até chegar ao seu Ford Escort, vermelho, novinho em folha.
– Papai. – O pequeno Marcos chama, sentado no banco traseiro.
– O que foi garotão? – Inácio sorri para o menino e o observa pelo retrovisor, enquanto fecha o seu cinto de segurança.
– Mamãe. – Marquinhos responde.
– Sim, vamos para casa ficar junto com a mamãe.
Inácio da à partida no veículo e segue seu trajeto. Em questão de minutos o garoto adormece no banco detrás. Inácio mais uma vez o observa e sorri involuntariamente. Por três anos ele e Elisabeth, sua esposa, tentaram ter um filho. Mas os problemas de “Varicocele” de Inácio dificultou com que Elisabeth engravidasse facilmente. Portanto Marcos significava muito para ele.
As ruas não estavam movimentadas, mas nada conspiraria a favor de Inácio naquele momento. Enquanto esperava o sinal abrir para chegar em casa, seu carro foi cercado por cinco rapazes. Enquanto um ficava na frente do veículo com a arma apontada, os outros quatro tentavam abrir as portas.
– Desce! Agora! – Um dos rapazes gritou.
Inácio obedeceu e ao sair do veículo foi agredido, covardemente por outro integrante do grupo.
– Passa o dinheiro. – O outro grita de olho no semáforo. Os motoristas dos demais veículos estavam aterrorizados.
– Aqui está tudo o que tenho. – Inácio passa uma boa quantia para o bandido. Neste momento um deles assume a direção do veículo, liberando o acesso das demais portas. O semáforo abre e o veículo é acelerado. O choro do garoto que acordou em meio à confusão desespera Inácio. – Meu filho! Por favor! Devolvam meu filho!
A porta detrás do veículo se abre e o menino de olhos cor de mel, aterrorizados, é jogado no asfalto. O garoto chora de dor e desespero.
– Desgraçados! – Inácio grita em direção ao carro que já está em movimento e antes mesmo de conseguir pegar seu filho do chão, uma bala de revólver ultrapassa seu peito.
Com a ida dos bandidos, os demais motoristas saem de seus carros para prestar socorro. Inácio está perdendo muito sangue e junto com ele sua consciência. Enquanto seus olhos se fecham para sempre, a figura do seu pequeno menino gritando e chorando, com um corte na testa, devido à queda, fica em sua cabeça enquanto se despede do mundo.
X
– Está mais calmo? – Pergunto realmente preocupado, enquanto Marcos bebe um copo d’água.
– Sim. – Responde ao terminar.
Abraço Marcos da forma mais carinhosa que consigo. Deposito em beijo em seu rosto e o aperto contra o meu corpo.
– Com o que você sonhou? – Pergunto.
– Não quero falar disso, tudo bem? – Seu olhar é triste e suplicante. – Apenas me distraia, por favor. Afaste as lembranças da minha cabeça. – Nunca vi Marcos tão vulnerável. Eu vejo uma angústia muito grande em seu olhar, algo que o consume, que tira suas forças.
– Ok. – Falo pensativo. – Quando você iria me dizer que seu aniversário está chegando?
– Meu aniversário? – Marcos está confuso. – É verdade! Está próximo. Tenho certeza de quem te falou foi Deborah, não é?
– Não. Quem me disse foi seu RG. – Digo ao sorrir suavemente.
– Você mexeu nas minhas coisas? – Marcos me repreende de forma inocente.
– Sim, algum problema?
– Nenhum meu amor. – Marcos me puxa para si e sinto sua carência através do beijo.
– Posso te fazer uma pergunta?
– Quantas você quiser. – Deitamos na cama novamente.
– Observei que você nasceu em mil novecentos e oitenta e dois. Alguns dias atrás Sr. Lauro e Beth falaram que se casaram em oitenta e oito e Jonas nasceu no ano seguinte. Porém Deborah é dois anos mais velha que você, ou seja, ela nasceu em oitenta e neste ano seu pai estava vivo e casado com sua mãe, correto? – Tenho a impressão de sentir o corpo de Marcos tremer no final da minha pergunta.
– Sim, você está correto.
– Então como Deborah pode ser sua irmã? Você havia me dito que ela e Jonas eram filhos da sua mãe com o Sr. Lauro. – Estou confuso.
– Não. – Marcos discorda. – Eu havia falado que sou o único que carrega o sobrenome Accetti e que minha mãe se desfez do sobrenome quando se casou com Lauro, sendo assim meus irmãos e minha mãe partilham do mesmo sobrenome. Acontece que Deborah é filha de Lauro com sua primeira esposa, que faleceu ao dar a luz. Quando minha mãe e Lauro se casaram Deborah tinha oito anos e eu seis. Como minha mãe a criou, Deborah a chama de mãe e eu a chamo de irmã, sem distinção. Provavelmente a forma que te falei, lhe causou confusão. Mas agora você entendeu?
– Sim, entendi. – Rio. – Me desculpe, mas sou muito curioso.
– Sem problemas. – Marcos sorri e percebo que a angústia se afastou dos seus olhos ao decorrer da conversa.
– Tenho uma coisa para te pedir Marcos, mas estou com vergonha. – Digo encabulado.
– Vergonha? – Marcos repete a palavra achando graça. – Depois do que fizemos no chão da cozinha, hoje à tarde, você não deveria ter vergonha de mim.
– Bobo. – Digo ao mostrar a língua para ele.
– Fale o que você tem a dizer. – Marcos fixa seus olhos nos meus e tenho sua inteira atenção.
– Eu andei pensando muito no futuro. No meu futuro. No nosso futuro. – Sorrio.
– Isso é bom, muito bom. – Marcos retribui o sorriso.
– E eu quero voltar a estudar. Quero fazer uma faculdade e assim por diante. Quero estar a sua altura.
– Você já está a minha altura, meu amor. – Marcos beija minha testa. – Mas quanto à faculdade eu te apoio e te admiro por isso. Posso ajudar você a escolher o curso e a instituição.
– É aí que eu preciso da sua ajuda. – Ruborizo. – Você sabe que não tenho condições de bancar uma faculdade e...
– Relaxa. – Marcos me interrompe. – Você vai fazer sua graduação.
– Marcos... – Reviro os olhos. – Não quero que você pense que estou tirando vantagem de você. Vou estudar para conseguir uma bolsa de estudos.
– Deixe a bolsa de estudos para quem precisa. Você não será um bolsista.
– Isso soou de forma muito arrogante. – Rio.
– Não foi minha intenção, mas um dia você será um Accetti, portanto não precisa disso. – Marcos beija meu pescoço.
– Serei?! – Pergunto surpreso.
– Assim espero. – Marcos me agarra e me enche de beijos.
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