Amor & Pecado
40 Capítulo 40 - A Viagem / Happy Birthday
Notas iniciais
– Será épico! – Deborah fala com seus olhos negros brilhando de animação.
– Deborah... – Suspiro. – Não quero nada muito sofisticado, será a família e alguns amigos.
– Relaxe Marcos, será algo simples. – Não sei o porquê, mas não acredito em tal afirmação feita por Deborah.
– Estou confiando em você.
– Você não se arrependerá. – Deborah sorri.
– O que vocês tanto cochicham, posso saber? – Jonas senta-se ao meu lado no sofá.
– Não, você não pode saber. – Deborah revira os olhos e faz uma pequena careta.
– E você cunhadinho, não irá me contar?
– Tudo bem Jonas, irei te contar. – Deborah me lança um olhar incrédulo, mas não me impede de falar. – Estávamos falando do quanto você mudou nos últimos meses, está mais encorpado e robusto. Está mais bonito.
– Sério? – Os olhos de Jonas se alegram e ele fica envaidecido. – Mudei minha dieta e séries na academia, pelo visto já estou tendo resultados positivos. – Deborah alterna os olhares entre eu e Jonas e percebo que está segurando o riso. Eu me mantenho “interessado” na conversa de Jonas, com um pequeno sorriso nos lábios. – Meu personal... – O celular de Jonas toca. – Com licença. – Jonas se retira e atende a ligação.
– O que foi isso? – Deborah ri.
– Sabia que se o elogiasse, esqueceria do assunto. – Dou uma pequena piscada.
– Garoto esperto.
– Obrigado.
– Posso roubar meu namorado por um instante? – Marcos se senta ao meu lado e passa um dos seus braços envolta da minha cintura.
– À vontade. – Deborah se levanta. – Vou atrás da mamãe, preciso falar com ela e depois terminamos nossa conversa Marcos. – Deborah sorri para mim e por fim se retira.
– Que conversa? – Marcos pergunta curioso.
– Deborah estava desabafando comigo a respeito de um cara que ela está afim. – Dou de ombros. Estou muito mentiroso, primeiro Jonas, agora Marcos.
– Entendi. – Marcos faz de conta que acredita, percebo em seu semblante que ele sabe exatamente do que estávamos falando. – Está feliz?
– Claro que estou! – Digo ao depositar um beijo em seu rosto, cuja barba acabou de ser feita. – Não tenho palavras para te agradecer meu amor, digo isso do fundo do meu coração.
– Eu sei e não precisa me agradecer. – Marcos me abraça mais forte. – Então seguirá meus passos, tem certeza disso?
– Tenho. Farei Administração de empresas na FGV e após a conclusão, pretendo fazer um MPGI (Mestrado Profissional em Gestão Internacional).
– E me largar aqui, sozinho? – Marcos faz um pequeno beicinho.
– Não! – Rio. – Jamais te abandonarei.
– Promete? – Seus olhos cor de mel estão cheios de expectativa pela minha resposta.
– Prometo. – Respondo olhando fundo em seus olhos e selo minha promessa com um casco beijo em seus lábios avermelhados. Apoio minha cabeça em seu peito e ficamos calados, aproveitando o calor dos nossos corpos e a velocidade das nossas respirações.
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– É muito bom estar com todos vocês. – Marcos sorri ao olhar para o rosto de cada um envolta da mesa.
– Digo o mesmo meu amor. – Beth retribui o olhar carinhoso do filho. – Vocês poderiam ir com mais frequência para o Rio de Janeiro nos visitar, não é mesmo Lauro?
– Claro que sim. – Sr. Lauro da um gole em seu vinho.
– Quando tivermos uma folga iremos mãe. – Diz Deborah ao se referir a ela e Jonas.
– Nós também mãe. – Marcos fala por mim e ele. – Gostaria de dizer que esta noite está sendo muito especial, não só pelo fato de estarmos reunidos, mas também por Marcos ter feito sua matrícula na faculdade e estar prestes a começar uma nova fase de sua vida.
– Parabéns meu querido! – Beth me felicita.
– Obrigado. – Respondo tímido.
– Por este motivo lhe dou este presente. – Marcos retira do bolso da jaqueta uma pequena caixinha marrom com um laço de fita azul claro.
– Marcos não precisava. – Digo encabulado.
– Apenas abra. – Diz sorrindo.
Desfaço o laço com cuidado e abro a caixinha. Dentro dela está o comprovante da minha matrícula em uma autoescola.
– Autoescola? – Pergunto confuso.
– Termine de abrir. – Marcos parece mais ansioso que eu.
Dentro da pequena caixa há um objeto embrulhado em papel seda branco. Desembrulho e vejo um pequeno chaveiro.
– Um chaveiro? – Pergunto ainda mais confuso. Todos na mesa riem.
– Venha cá. – Marcos se levanta e me pega pela mão. – Venham todos também. – Todos se levantam e nos segue. Saímos da sala de jantar e cruzamos a grande sala de estar, onde estava a pouco com Marcos. Saímos pela entrada principal da casa e caminhamos até chegar ao grande jardim, bem iluminado. Marcos aponta o pequeno “chaveiro” para um luxuoso veiculo de cor preta e o mesmo faz um “pip”. – É seu. – Marcos ri, provavelmente da minha reação.
– Uau! – Jonas exclama. – É um Ford Edge! – Os olhos de Jonas parece que saltarão da sua face.
– M-meu?! – Gaguejo ainda incrédulo.
– Único e exclusivamente seu. – Marcos não para de sorrir um minuto sequer.
– Puta merda! Preciso entrar nesse carro. – Jonas vai em direção ao veículo.
– Hey! – Marcos grita. – Este carro é do Marcos, peça a ele se pode entrar.
– Posso Marcos? – Jonas pede com o olhar pidonho.
– Depois de mim. – Falo ainda sem acreditar que este carro é meu. – E a propósito Jonas. Você não tem um igual a este porque não quer, portanto, contenha-se. – Digo ao me aproximar do veiculo e abrir a porta do motorista. O carro é extremamente luxuoso contendo bancos de couro, painel com acabamento em madeira e pequenas telas de LED. A chave parece um chaveiro, pois a partida pode ser dada a distância com apenas um toque na chave ou no painel. Marcos entra e senta-se no banco do carona. – Isso é muito para mim. – Digo ainda sem acreditar.
– Nada é muito pra você. – Marcos se diverte com minha feição de incredulidade. – Vamos dar uma volta?
– Claro! Agora! – Sorrio e trocamos de lugar, já que não tenho habilitação e Marcos deverá conduzir.
– Hey! Quero ir junto. – Jonas cruza os braços e nos encara do lado de fora, após Marcos dar a partida.
– Quando voltarmos você da umas voltas. – Digo rindo da cara de Jonas, realmente ele só tem tamanho.
Marcos buzina ao darmos a volta no jardim e sairmos pelo grande portão.
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Acordo com a luz do sol adentrando no quarto, através das grandes portas de vidro da varanda. Mesmo com a cortina bege fechada a claridade é intensa, mas não me incomodo com isso. Na verdade me incomodo com a falta do corpo do Marcos no meu. Onde ele está? Levanto-me da cama e caminho pelo luxuoso quarto. Não estamos em casa. Ontem nos empolgamos e acabamos pegando a estrada com o meu primeiro e espetacular carro. Chegamos aqui na Praia de São Lourenço em Bertioga, muito rápido. A noite de ontem foi surreal, chegamos e fomos direto para a praia. Já era noite, mas a sensação não deixava de ser maravilhosa. O som das ondas do mar, a maresia, a água salgada em contato com nossos pés, juntamente com a areia e os beijos de Marcos faziam uma combinação perfeita. Entro no banheiro e vejo Marcos dentro da banheira, com sua cabeça recostada em uma macia toalha de banho dobrada e olhos fechados. Caminho devagar até ele e deposito um selinho carinhoso em seus lábios.
– Bom dia. – Ele murmura.
– Bom dia. – Digo ao tirar minha cueca boxer e entrar na água quente e relaxante. Marcos me puxa para o seu lado, me envolve com um dos braços e encosto minha cabeça em seu ombro.
– Voltaremos que horas para São Paulo? – Pergunto.
– Não estou com vontade de voltar. – Marcos responde com uma leve risada.
– Estamos no meio da semana e precisamos trabalhar.
– Eu preciso, você não. – Marcos diz sério.
– Claro que preciso! – Digo incomodado.
– O que você precisa é tempo para estudar.
– Já estou matriculado, as aulas começam daqui um mês e mesmo estudando continuarei trabalhando.
– Conversaremos sobre isso depois.
– Tudo bem. – Dou de ombros. – Voltaremos à praia antes de irmos para casa?
– Claro que sim. – Marcos sorri. – Quero pegar um bronzeado, estou muito branco.
– Você está perfeito. – Retruco com um beijo em seu rosto.
– Perfeito estava você, ontem à noite. Nunca irei enjoar de dormir com você, pois sempre sou surpreendido e amado.
– Digo o mesmo.
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O céu está extremamente azul, sem nuvens e o sol aquece minha pele por completo. Estou de short, camiseta branca e óculos de sol, comprados no hotel, enquanto Marcos também está de short e óculos de sol, porém sem camisa. Palavras me faltam para descrever o quão gostoso e delicioso ele está. Hoje sua barba já está perceptível em seu rosto quadrado e absurdamente másculo. Suas bochechas estão levemente avermelhadas pelo sol. Suas costas fortes e trabalhadas estão à mostra, juntamente com seu peitoral definido e abdômen trincado. Duas moças caminham em nossa direção, ambas sorriem e trocam olhares, tenho certeza de que estão falando dele. Ele também percebe e me observa para ver minha reação.
– Que cara mais feia. – Diz rindo.
– Cala a boca Marcos. – Digo rabugento.
Ao nos aproximar das garotas, que são lindas, diga-se de passagem, Marcos as param para pedir informação.
– Bom dia garotas! – Marcos usa o seu mais irresistível sorriso. – Vocês poderiam me informar se estamos próximos a Praia de São Lourenço?
– Na verdade vocês já estão na Praia de São Lourenço. – Diz a morena com longos cabelos negros, como petróleo, ao medir Marcos dos pés a cabeça e morder o lábio inferior ao terminar de observa-lo.
– Mas se precisarem de ajuda para encontrar os melhores pontos da praia, poderemos ajudar. – A ruiva sorri, só que para mim. Sorrio de volta por educação.
– Obrigado. – Diz Marcos. – Só queríamos ter certeza de onde estamos. – Sua mão grande e macia encontra a minha. Instantaneamente sorrio para a morena como se quisesse dizer: “Desculpe querida, mas este já tem dono”.
– Tudo bem. – Ela responde rindo, entendendo o meu recado através do sorriso. – Foi mal.
– Relaxa. – Digo ainda com o sorriso no rosto.
– A propósito, vocês formam um lindo casal. – Ela diz sem graça.
– Obrigado. – Marcos responde.
– Vocês estão hospedados por aqui? – A ruiva pergunta. – Poderíamos sair à noite o que acham? Seria um prazer conhecê-los melhor.
– O que você acha? – Marcos pergunta a mim.
– Tudo bem. – Digo.
– Por mim tudo bem também. – Marcos troca telefone com a ruiva, enquanto a morena permanece quieta, pelo visto ela está realmente constrangida. – Nos vemos mais tarde então, mas como se chamam?
– Eu me chamo Samantha e ela Érika. – A ruiva se apresenta e aponta para a amiga.
– Me chamo Marcos e ele Marcos também. – Marcos nos apresenta.
– Nossa que legal! – Ambas riem, sorrio de volta para tentar quebrar o gelo entre eu e Érika.
– Temos que ir. – Digo ao passar a mão pelos cabelos que o vento insiste em bagunçar. – Até mais tarde meninas.
– Até. – Ambas respondem e seguem em direção oposta.
– O que foi isso? – Pergunto.
– Também não sei. – Marcos ri. – As parei para pedir uma informação e acabamos sendo convidados para sair à noite.
– Informação? – Pergunto com os olhos semicerrados. – Você sabia muito bem onde estamos.
– Tudo bem. Confesso que as parei para ver sua reação. – Marcos se diverte.
– Sem graça. – Mostro a língua. – Mas elas parecem ser legais.
– Parece mesmo, a morena, Érika ficou toda sem graça quando peguei sua mão e a ruiva, Samantha, estava te olhando com segundas intenções.
– Percebi. – Sorrio. – Nunca uma garota me olhou daquela maneira.
– Não são as garotas que não te olham e sim, você que não olha para elas. Já perdi as contas de quantas torceram o pescoço para te olhar quando estamos juntos. Você é lindo meu amor. – Marcos me encara enquanto andamos.
– Eu também já perdi as contas quanto a você e obrigado pelo elogio. – Sorrio. – Vamos ficar por aqui. – Aponto o local, enquanto paro. Há cadeiras e esteiras próximas a um quiosque.
– Tudo bem, aqui parece ótimo.
Marcos pede duas caipirinhas no quiosque enquanto me deito em uma das esteiras.
– Vamos para a água? – Marcos pergunta.
– Depois. – Digo ao dar um gole na bebida.
– Irei dar um mergulho e já volto. Ok?
– Ok. – Respondo ao observa-lo correr pela areia branca e mergulhar, com perfeição, na água. Admiro a paisagem envolta da praia, nas calçadas há muito verde, por causa das plantas. O mar é de um azul esverdeado lindo, que transmite paz e tranquilidade a quem olhar. A brisa é quente, como o sol, mas não deixa de ser gostosa. O ar da praia enchem meus pulmões, relaxando o meu corpo. Após alguns minutos Marcos sai da água com seu corpo molhado, cabelos desgrenhados e olhos sorridentes. Ao se aproximar beija minha testa e se deita na esteira ao meu lado. Aproveitamos à tarde, felizes, como qualquer outro casal de namorados.
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– Você ficou queimado. – Digo ao olhar o reflexo de Marcos no espelho.
– Você também. – Diz.
Nós dois estamos com calça jeans básica e camisa de botões de cor clara. Descemos para o Bar do hotel onde encontraremos Samantha e Érika. Por coincidência estamos hospedados no mesmo local. Ambas estão a nossa espera.
– Boa noite. – Digo ao puxar uma das cadeiras.
– Boa noite. – Ambas respondem em uníssono.
– Já pediram algo? – Marcos pergunta a Érika.
– Não, estávamos esperando por vocês. – Responde ainda sem graça, sem olhar para Marcos.
– Érika, relaxe, ok? Você não sabia que éramos namorados, portanto não fique constrangida. – Digo tentando não dar mais importância ao acontecido.
– Tudo bem, Marcos. – Ela responde ao sorrir.
– O que iremos beber? – Marcos pergunta. Ambas optam por suco de abacaxi com hortelã, enquanto divido um Whisky Sour com Marcos.
Enquanto conversamos, descobrimos que Samantha e Érika são meio irmãs e os pais de ambas se casaram há três anos, mas antes, do casamento, já se conheciam e eram melhores amigas. Samantha tem dezenove anos, igual a mim e Érika vinte e um. O pai de Samantha é dono de uma empresa química, enquanto a mãe de Érika é estilista. Samantha cursa medicina e Érika moda, pois pretende seguir os passos da mãe. Elas também moram em São Paulo e estão passando alguns dias em Bertioga para relaxarem após a pressão das provas finais da faculdade. As duas são muito simpáticas, são suficientemente inteligentes para manter uma conversa saudável por horas. Marcos e eu somos questionados como nos conhecemos e isso desencadeou uma longa conversa, onde falamos absolutamente tudo. Desde Marcos ser o meu patrão e eu ter sido expulso de casa. É visível o interesse e encantamento nos olhos de cada uma.
– Nem em um milhão de anos, vendo você dois caminhando pela praia, imaginaria que passaram por tanta coisa em tão pouco tempo. – Érika, agora desinibida, fala impressionada.
– Nem eu. – Samantha concorda ao colocar uma mecha do seu cabelo vermelho atrás da orelha direita. – Vocês ficarão até quando aqui no litoral?
– Infelizmente até hoje. – Marcos me fita. – Amanhã de manhã voltaremos para São Paulo.
– Para falar a verdade, chegamos aqui repentinamente. Resolvemos vir para cá de uma hora para a outra. – Digo.
– Mas as melhores viagens são essas, as que não planejamos. – Samantha fala.
– E para fechar com chave de ouro essa última noite de vocês aqui, que tal irmos a uma boate dançar? – Érika pergunta, entusiasmada, a mim e Marcos.
– Vamos? – Pergunto a Marcos com um excessivo entusiasmo.
– Tudo bem. – Marcos ri da minha cara.
– Oba! Será demais! – Samantha sorri para nós e a irmã.
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Jump Club, é o nome da boate.
Cheia de pessoas bonitas e decoração sofisticada, em pleno dia útil, está cheia. Homens e mulheres de todas as idades, com muito dinheiro no bolso frequentam o local. As garotas nos conduzem a uma área VIP, separada do restante da boate por pedestais com cordas de veludo vermelho. Na mesa de centro, de vidro, está um balde com gelo e duas garrafas de Champagne Moët.
– Nossa! Moët é o meu preferido. – Samantha da um gole.
– O meu também. – Marcos responde.
– Muito bom. – Digo ao dar um gole. Damos continuidade à conversa, mas logo ouço as batidas iniciais de Wake Me Up do Avicii. – Levante Marcos! Preciso dançar esta música. – O puxo pela mão e corro para a pista de dança. Ao olhar para trás percebo que Samantha e Érika nos seguem sorridentes.
Feeling my way through the darkness
Guided by a beating heart…
So wake me up when it's all over
When I'm wiser and I'm older
All this time I was finding myself
And I didn't know I was lost
As luzes da boate passam rapidamente pelos meus olhos e os fecho, quando Marcos se aproxima. O refrão é alucinante e faz não só a mim, mas todos na pista pular e mexer seus corpos com a maior intensidade possível. Sinto as mãos de Marcos me guiando pela multidão e abro os olhos para observa-lo. Seu corpo se mexe exatamente do jeito que a música pede e percebo que as pessoas de afastam para observa-lo dançar. Marcos canta a música perfeitamente enquanto sorri para mim, os demais batem palmas ritmicamente e se entregam ao seu charme. A batida recomeça e sou puxado pela cintura. A maioria grita e nos acompanha na dança. Samantha e Érika não são as únicas a sorrir para nós, nunca me senti desta maneira. Nunca gostei de ser o centro das atenções, mas hoje está sendo diferente a música termina e após alguns efeitos, as caixas de som estouram na batida de Clarity do Zedd (feat. Foxes). A noite está sendo perfeita. Longe de tudo e de todos, apenas eu e Marcos. Agradeço a Deus por sermos jovens e termos uma vida pela frente. Sua boca encontra a minha e nosso beijo tem o frescor da água do mar, misturado com amor e êxtase. O suor escorre pelos nossos corpos e após o término do nosso beijo, Samantha e Érika se junta a nós e mostram que são ótimas dançarinas. Nós quatro estamos elétricos, como se tivéssemos tomado um choque. Resolvemos então fazer da pista nosso território e nos entregar a todas e qualquer batida.
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– Vocês foram incríveis! – Érika exclama ao chegarmos ao saguão do hotel.
– Obrigado. – Agradeço.
– Nos vemos amanhã antes de irem embora? – Samantha pergunta esperançosa. – Poderemos tomar café da manhã juntos, o que acham?
– Tudo bem, será ótimo. – Marcos responde.
– Marcado então. – Érika fala. – Boa noite garotos.
– Boa noite. – Eu e Marcos respondemos.
Subimos para o quarto de elevador e após trancar a porta, Marcos me beija fervorosamente.
– A noite passada não foi suficiente? – Pergunto rindo.
– Nunca é suficiente com você, meu amor. – Marcos tira a camisa e me conduz até a cama. No caminho também tiro minha camisa. Ao me deitar, minha calça é arrancada do meu corpo, juntamente com a minha cueca. Marcos também o resto da sua roupa, ficando nu em segundos. Minhas mãos vão em direção ao seu membro e a minha boca se abre, porém sou interrompido. – Sem preliminares hoje, por favor, quero te comer agora!
Marcos senta no meio da cama, coloca o preservativo em seu membro e o lubrifica com KY. Entendo o recado em seu olhar e me sento nele de uma só vez. O sinto dentro de mim da forma mais dolorosa (prazerosa), possível. Marcos se deita e seu quadril se movimenta freneticamente, estou aproveitando, como sempre, a sensação única de ser seu. Desta vez sua mão envolve meu membro, na mesma intensidade que sou penetrado. É rápido, mas não menos prazeroso. Chegamos ao clímax por diferença de segundos. Me derramo pelo peito e abdômen de Marcos, enquanto ele geme e se desmancha dentro de mim.
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Após o café da manhã reforçado, seguimos para o saguão principal do hotel para fazer o Check-Out.
– Obrigado Sr. Accetti, boa viagem e volte sempre. – A recepcionista entrega o cartão de Marcos.
– Obrigado você. – Marcos responde.
– Accetti? – Érika está surpresa. – Você é Marcos Accetti?!
– Sim, por quê?! – Marcos pergunta.
– Sua irmã, a Deborah, nos convidou para sua festa de aniversário mês de vem. – Érika responde.
– Minha o que?! – Marcos me encara.
– Era para ser surpresa. – Dou um sorriso sem graça para Marcos.
– Você estragou a surpresa Érika. – Samantha sorri.
– Me desculpe. – Érika fica envergonhada.
– Então era sobre isso que você e Deborah cochichavam no jantar, dois dias atrás, não é? – Marcos parece aborrecido.
– Sim, mas se quiser a faço cancelar tudo. – Digo de pronto.
– Não precisa. – Marcos suspira pesarosamente. – De onde você conhece a Deborah? – Marcos pergunta a Érika.
– Ela é cliente da minha mãe e eu já desenhei algumas peças de roupa para ela também. Alguns dias atrás ela me chamou para a festa de seu irmão, daqui um mês e eu aceitei, mesmo sem conhecê-lo. – Érika suspira. – Me desculpe pessoal, não queria ter estragado a surpresa.
– Você não estragou nada Érika. – Marcos sorri. – E, por favor, vá a minha festa com Samantha.
– Não está chateado? – Samantha pergunta.
– Claro que não. Nos vemos no mês que vêm. – Marcos abraça e deposita um, leve, beijo no rosto de cada uma. Faço o mesmo.
– Até mais! – Digo ao olhar para trás e seguir Marcos para fora do hotel, onde meu carro nos espera.
– Até! – Ambas respondem com sorrisos largos.
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– De quem foi à ideia de fazer a festa? – Marcos pergunta com seus olhos grudados na estrada e ouvidos atentos a minha resposta.
– Da Deborah. – Digo sem graça. – Está com raiva de nós?
– De você nem um pouco, meu amor. Mas estou desapontado com a Deborah.
– Por quê?
– Porque ela sabe que não curto festas de aniversário, o máximo que eu deixo fazer é uma pequena reunião em família. Já ela, desde criança, adora fazer festas descomunais. – Marcos parece realmente aborrecido. – E eu gostaria de passar essa data com você, apenas com você. – Seus olhos cor de mel me fitam.
– Falarei com ela e pedirei para cancelar tudo.
– Não precisa. Você também se esforçou para que esta festa aconteça, então vamos aproveita-la. – Um sorriso ilumina sua face e o recente aborrecimento desaparece.
– Você é incrível. Mesmo não querendo a festa, deixará acontecer pelo meu esforço e de Deborah, em organiza-la. – Digo.
– Você é mais incrível, meu amor. – Marcos segura o volante com a mão esquerda, enquanto a direita procura a minha. – Por me amar e me aguentar. – Sorri.
– Bobo. – Digo ao beijar rapidamente sua mão.
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– Quero que vá a um lugar, comigo, antes de irmos para casa. – Marcos pede carinhosamente.
– Tudo bem. – Concordo. – Aonde iremos?
– Você verá. – O semblante de Marcos, agora, parece entristecido.
O trânsito de São Paulo está lento, como sempre e o calor é forte do lado de fora do veículo. Marcos está calado demais e fico receoso ao perguntar o por que. Acredito que o motivo de tal comportamento refere-se ao local onde estamos indo. Chegamos a um lugar de muitas árvores e muito verde. Marcos estaciona o veículo e ao descermos, em uma banca de flores, compra um maço de Crisântemos, de diversas cores. Ao passarmos pelo grande portão, uma das mãos de Marcos encontra a minha, a segurando firme e logo percebo onde estamos. O local é uma grande planície de grama, extremamente verde e jazigos arquitetonicamente desenhados. Pequenos ramos de flores estão ao lado das lápides, aparentemente esculpidas a ouro, de tão lustrosas que são. Marcos segue determinado, ao extremo oeste do cemitério e a cada passo dado, seu rosto de contorce. Minha garganta se fecha e as lágrimas chegam aos meus olhos. De imediato o dia em que o acordei de um pesadelo vem a minha mente e reconheço, agora em seus olhos, a mesma dor sentida naquele dia. Paramos em frente a uma lápide, Marcos solta a minha mão e se ajoelha. O arranjo de Crisântemos é depositado, cuidadosamente, na grama e seus dedos passam pelo contorno das letras da lápide.
Inácio Accetti
1944 ** 1984
Amado Pai e Marido
Marcos puxa todo o ar possível, para dentro de seus pulmões. Ao solta-lo, sai de sua boca um grito baixo e abafado de dor. Seus olhos estão fechados com a toda a sua força e sua mandíbula cerrada, trincando os dentes. Ajoelho-me ao seu lado e o tomo em meus braços. Com o meu contato, Marcos desaba em lágrimas. Ele se perde em soluços, gemidos e palavras entre cortadas. Suas mãos se fecham em minha camisa e por um momento tenho a sensação de que ela irá rasgar. É inevitável não chorar. As lágrimas também banham a minha face e neste momento tenho a plena certeza, de que quando amamos alguém, conseguimos sim partilhar sentimentos. Sentir o que o outro está sentindo. Meu peito está em chamas e o nó em minha garganta dificulta a passagem do ar. Estamos imóveis, um agarrado no outro, enquanto a brisa de ar quente passa por nós, bagunçando nossos cabelos. Logo depois o choro cessa e Marcos se liberta dos meus braços.
– Meu pai foi tirado da minha vida de forma covarde Marcos. – Seus olhos cor de mel, agora estão avermelhados e seu rosto másculo, abatido e vulnerável. Marcos me fala como perdeu o pai e não contenho as lágrimas ao ouvir. Ele confirma o que pensei, quando diz que na noite em que o acordei, estava sonhando com a morte do pai. – O sonho foi tão real, tão vivido... – Lhe faltam palavras para explicar.
– Estou aqui meu amor, sempre estarei aqui por você. – O abraço novamente. Meu menino, em corpo de homem, perdido em más lembranças e sofrimento, relaxa seu corpo no meu e fico ali, o tempo necessário para ele se recompor.
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Um mês depois...
Estaciono meu Ford Edge em frente à cafeteria. Desde que voltei da minha viagem repentina, para praia, mês passado com Marcos, não trabalhei mais. O semestre na faculdade começou e já tenho inúmeros trabalhos a serem feitos. Marcos fez questão de que eu não precisaria mais trabalhar, até terminar a graduação. Rebati, retruquei, mas nada adiantou. Marcos é irredutível quando decide algo. Estamos felizes, isso é inegável. Desde que fui expulso de casa e fui morar “temporariamente” com ele, nosso relacionamento tomou outra forma. Ficou mais sólido e consistente. Ainda estou me acostumando ao luxo e dirigir um carro tão caro. Minhas roupas não são mais as mesmas e já me peguei várias vezes, de frente ao espelho tentando enxergar o Marcos de meses atrás. A essência dele ainda está em mim, porém sua fragilidade não. Eu e Marcos voltamos a usar nossas alianças de compromisso, que não usávamos deste o dia da pizza em minha casa, quando Letícia propositalmente chamou a atenção de todos para elas. Nessa minha nova vida, sinto apenas saudades da minha mãe. Falo sempre com ela por telefone, ela já foi me visitar algumas vezes na casa de Marcos, mas não deixa de ser difícil ficar longe dela. Todos os dias, quando acordo, coloco em minha cabeça que irei visita-la, mas logo desisto. Letícia está com ela e eu ainda não estou preparado para tal encontro. Minha mãe disse que ela está mudando e aprendendo a ver a vida com outros olhos, mas não acredito. Desço do carro e caminho até a porta, principal, da cafeteria. Encontro meus antigos colegas de trabalho, com grandes olhos arregalados em minha direção.
– B-boa tarde Sr. Marcos. – Diz Lucca gaguejando ao me ver.
– Oi Lucca! Tudo bem cara? – Estendo a mão para cumprimentá-lo. Lucca sempre foi muito legal comigo e não é por eu ser o “namorado” do dono que irei esnoba-lo.
– Tudo bem. – Diz sem graça ao pegar minha mão.
– Relaxa, ainda sou o Marcos de sempre. – Sorrio.
– Uhum. – É a única coisa que Lucca consegue responder.
Sigo em direção ao balcão principal e Mariana já está com um largo sorriso.
– Olha só quem veio visitar os pobres e oprimidos. – Diz Mari com um tom zombeteiro.
– Pare de ser besta garota! – Sorrio e dou a volta no balcão. – Saudades de você. – A abraço.
– Eu também. – Seu olhar é sincero. – É bom ligar para os amigos de vez em quando.
– Me desculpe, mas tudo anda tão corrido. – Digo suspirando.
– Ah! Claro que está... – Mari fala ao revirar os olhos, como se estivesse duvidando do que acabei de falar.
– É verdade sua chata. – Rio. – Olha, para compensar minhas mancadas com você, te convido para a festa de aniversário do Marcos hoje à noite.
– Como? – Mari pergunta erguendo uma das sobrancelhas. – Você está me chamando para a festa de aniversário do patrão?
– Sim.
– Ele sabe disso? – Mari pergunta receosa.
– Eu estou te chamando. Marcos não irá se opor.
– Hmm... – Mari está pensativa. – Onde será?
– Na casa dele, no Jardim Europa.
– Jardim Europa? – Mari parece engasgar. – Não tenho roupa para isso Marcos!
– Para de besteira e vamos. – Digo ao suspirar. – Te passo o endereço por sms. Começará às 20h.
– Mas hoje é domingo. – Mari resmunga.
– E daí? Amanhã você irá folgar mesmo. – Sorrio.
– Irei? – Mari sorri de volta.
– Sim irá. – Pisco discretamente. – Te espero lá.
– Tudo bem. Mas o que darei de presente a ele?
– Sua presença. – Rio. – Preciso falar com Marcos, até mais tarde.
– Até. – Mari sorri e acena.
Subo as escadas, no fundo da cafeteria e chego ao escritório.
– Boa tarde. – Digo.
– Boa tarde! – Marcos e Thiago respondem em uníssono.
– Como vai? – Thiago pergunta a mim.
– Estou bem Thiago, obrigado por perguntar. – Sorrio. – Irá à festa de hoje?
– Com certeza. – Thiago afirma sorridente. – Vou deixa-los conversar a sós. Até mais tarde Marcos.
– Até. – Digo ao ver Thiago passar pela porta e a fechar.
– Parabéns para você! – Digo ao beijar Marcos na bochecha. – Saiu de casa muito cedo hoje, quando acordei já não estava mais.
– Tinha algumas coisas para resolver aqui. – Marcos sorri.
– Preparado para hoje? – Rio.
– Estou. – Marcos suspira.
– Deborah ficou chateada ao saber que você havia descoberto a “festinha” surpresa.
– Eu que deveria estar chateado, já que ela sabe que não gosto de festas de aniversário.
– A festa vai ser ótima, tenho certeza. – O beijo novamente.
– Hmm... – Marcos fecha os olhos e se faz de dengoso com meus beijos.
– Passei aqui para te ver antes da festa, já estou indo.
– Fique mais um pouco. – Marcos me envolve em seus braços.
– Ah! Antes que eu me esqueça, convidei a Mari. Já que eu não posso mais trabalhar, convidei minha amiga para matar as saudades.
– Tudo bem. – Marcos da de ombros. – O que você me dará de presente, hein?! – Seu olhar é malicioso. – Não aceito nada menos que você coberto de chantilly. – Ri.
– Besta! – Rio de volta. – Tenho que ir.
– Tudo bem. Tchau. – Marcos beija meu pescoço e me liberta de seus braços.
– Tchau. – Mando um beijo à ele e saio pela porta.
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O jardim detrás da mansão está iluminado, vários bancos de madeira estão entre os pequenos arbustos. No centro do jardim há uma grande pista de dança e a grande mesa de aparelhagem do DJ. Envolta da pista e com uma considerável distância, para a movimentação dos convidados, há as mesas do Buffet, com comidas exóticas e tradicionais de festas de aniversário. Mas a sensação é o bar estilo americano, com bancos, bancadas e bartenders exibicionistas, que além de preparar os drinks, fazem malabarismo com os copos, no ritmo das músicas, animando os “Cachaceiros de Plantão”. A mansão está cheia como nunca antes. Me pego pensando se Deborah, realmente, não exagerou a convidar tanta gente. Até a imprensa está aqui. Fotógrafos de várias revistas da cidade estão aguardando o anfitrião da noite. Os rapazes e moças da festa parecem terem saído da Vogue ou Teen Vogue, de tão glamorosos que estão. A noite está com o céu livre de nuvens, dando apenas espaço para a poluição da cidade grande. O clima está quente, fazendo com que todos estejam usando roupas leves e confortáveis, sem deixar a classe, pose e grife para trás.
– A decoração ficou um arraso, não é? – Deborah fala ao parar do meu lado.
– Realmente, está tudo muito lindo. Mas de onde são todas estas pessoas? – Pergunto curioso.
– Os mais velhos são amigos de infância, colégio e faculdade de Marcos. Já os mais novos são nossos primos e alguns amigos meus.
– Este DJ é ótimo. – Digo ao mover meu corpo com a batida da música.
– Ele é muito bom mesmo. – Deborah concorda. – Quero ver você dançar hein!
– Pode ter certeza que irei. – Sorrio.
– Vejam se não é a vadia mais linda da festa! – Uma mulher loira, alta, com grandes olhos azuis e muito ouro como acessório, interrompe minha conversa com Deborah.
– Fernanda! – Deborah abre um enorme sorriso ao vê-la. – Que saudades de você amiga. – Diz ao abraça-la.
– Eu também, minha querida! – Fernanda joga seus cabelos loiros e super bem cuidados para trás, ao se afastar de Deborah. Ela é deslumbrante! Um corpo escultural em um legítimo Dior preto.
– Este é meu estimado cunhado M... – Deborah tenta me apresentar.
– Não me fale que esta criança fisgou o coração do Accetti? – Fernanda pergunta incrédula, após interromper a apresentação de Deborah.
– Não sou criança. – Sorrio e a antipatia por Fernanda começa a crescer e logo ligo os fatos à pessoa. Fernanda é a amiga, da época do colégio, de Deborah que praticamente obrigou Marcos a dançar com ela em uma festa.
– Claro que não! – Fernanda diz irônica. – Você tem vinte anos, sei lá, enquanto Marcos está fazendo trinta e dois. Perto dele, você nem é criança e sim um bebê. – Ri suavemente.
– Pelo visto a classe está apenas no seu Dior, não é mesmo? – Digo petulante. – Ou a pouca educação que você tem está guardada em sua pequena Carolina Herrera? (Carteira). – O sorriso de Fernanda se desmancha na hora. – Se me dão licença, irei procurar meu namorado.
– O bebê não sabe onde está o namorado? – Fernanda me provoca. – Cuidado, pois pode não acha-lo mais.
– Eu sempre acho o Marcos e posso ficar tranquilo, pois ele não daria o desfrute de estar com vadias ricas e desprezíveis, uma vez que sou único na vida dele. – Pisco e me retiro. Sinto olhar de Fernanda fuzilar minhas costas.
Sigo em direção à entrada da mansão quando encontro Mari.
– Olá! – Sorrio. – Que ótimo que você veio.
– Aconteceu alguma coisa? – Mari pergunta preocupada. – Sua expressão está muito séria.
– Uma vadia da adolescência do Marcos resolveu ressurgir justamente hoje. – Digo com o sangue fervendo.
– Ciúmes, sei como é. – Mari sorri.
– Senhoras e Senhores, aplausos para o nosso querido aniversariante, Marcos Accetti! – Jonas fala ao microfone os convidados aplaudem e saúdam Marcos. Ele está extremamente lindo, com sapatos pretos, calça jeans de lavagem clara e uma camisa de riscas prata e azul claro, com dois botões abertos, com o começo do seu peitoral definido a mostra. Seu cabelo, penteado, moldura a obra de arte que é seu rosto. Seu sorriso, caloroso e educado amolece meu coração, mesmo de longe.
– Com todo respeito, mas o Sr. Marcos está lindo demais! – Mari sorri. Não respondo a sua observação, apenas dou um leve tapa em seu ombro. Marcos cumprimenta todos em sua volta com elegância. – Marcos aquele ali não é o seu ex-namorado? – Mari pergunta espantada.
– O que?! – Pergunto confuso ao olhar para onde Mari está apontando. – Vinicius?! – O sobressalto é tão forte que faz meu coração martelar. – Mari segura às pontas aí que eu já volto.
– Tudo bem.
Adentro na grande sala de estar da mansão e Vinicius me espera na ponta da escada.
– Que diabos você está fazendo aqui! – Minha voz sai mais alta que o normal.
– Precisamos conversar. – Vinicius fala suplicante.
– Não sei como você entrou, mas quero que você vá embora agora! – Exijo.
– Só depois da nossa conversa. – Sinto a determinação de Vinicius. Suspiro de forma exagerada e balanço a cabeça de forma afirmativa.
Começo a subir as escadas, fazendo um sinal com a mão, para que Vinicius me siga. Entramos em um dos quartos da casa e tranco a porta.
– Fale o que tem a dizer Vinicius. – Meu coração está igual a um motor de carro de tão rápido que bate.
– Consegui um emprego e já faz um mês que estou trabalhando. – Vinicius fala sorridente.
– Que ótimo! – Digo rapidamente de forma desconcertada. – Era só isso?
– Na verdade... – Os olhos de Vinicius estão perdidos, sem saber para onde olhar. – Eu tinha um texto pronto para te dizer até meus olhos encontrar os seus. – Um sorriso rápido passa por seus lábios. – Agora não consigo me lembrar de nada, estranho isso não é? – Suas mãos passam, impacientemente, pelos seus cabelos. Isso é um sinal de que ele está nervoso. – O jeito é deixar o coração falar... – Vinicius vem em minha direção e me toma em seus braços. Ele me abraça forte, como se estivéssemos sem nos ver há anos. Seu queixo se encaixa perfeitamente em minha clavícula, seus lábios tocam meu pescoço e suas narinas sentem meu cheiro com satisfação. Seus suspiros são longos e pesados. Nossos corpos estão tão unidos, que sinto seus batimentos em meu peito. Seu aroma doce me embriaga, fazendo todo o meu corpo tremer. – Está ouvindo? – Vinicius pergunta carinhosamente. – Meu coração ainda bate forte, por você.
– Estou sentindo. – Digo quase sem voz. Eu também tinha mil maneiras, em mente, de colocar Vinicius para fora dessa festa. Mas todas, no momento, escaparam da minha cabeça.
Seus braços me libertam e seus joelhos encontram o chão, ao se ajoelhar. Suas mãos seguram as minhas e as colocam em sua testa, enquanto sua cabeça está curvada, em reverencia a mim.
– Perdão Marcos! – Sua voz está embargada e vejo suas lágrimas caírem diretamente no carpete, mesmo sem as luzes do quarto estarem acesas. – Perdão por não ter sido suficiente para você, por não te compreender, por fazer aquele acordo com Letícia e engravida-la. – Seu choro começa a ser desesperador. – Perdão por não te assumir, por ter sido egoísta e prepotente. Eu te amo, meu pequeno! Eu te amo mais que a mim mesmo! – Seus olhos verdes, agora se erguem e encontram os meus.
– V-vinicius... – O ter ajoelhado aos meus pés é constrangedor. – Levante-se.
– Não! – Vinicius segura minhas mãos com força. – Diga que me perdoa! – Sua suplica é forte.
– Levante-se! – Digo mais uma vez agora com as lágrimas descendo pela minha face. – Eu te perdoo.
Vinicius se põe de pé e sua boca sedenta vem de encontro a minha. Sou mais rápido e antes dos seus lábios tocarem os meus, o afasto.
– Te perdoar não quer dizer que ficaremos juntos. – As lágrimas não param de cair dos meus olhos e tenho absoluta certeza do que estou falando.
– Não fale isto Marcos! – Suas mãos pousam uma de cada lado, do meu rosto. – Somos predestinados, somos feitos para o outro. Lembra-se disso? Você vivia me dizendo isso!
– Isso já faz muito tempo Vinicius e você nunca levava minhas declarações em consideração.
– Claro que levava! – Vinicius parece ofendido com o que falei.
– Não levava. Você tratava tais declarações como coisas banais. Recordo-me muito bem disso. – O encaro. – Dizem que em um relacionamento, um sempre ama mais que o outro e no nosso caso, eu era quem mais amava.
– Não! Você ainda me ama, eu sinto isso! – Vinicius se desmancha em lágrimas.
– Como eu estava dizendo, no nosso relacionamento eu amava mais você do que você a mim. Veja como terminamos. Já no meu relacionamento com Marcos é ao contrário, ele me ama mais do que eu o amo, porém não farei com ele o que você fez comigo. Irei me doar mais a ele, irei me dedicar mais, irei dar mais importância ao que ele me diz, até nos igualarmos neste quesito. Sinto que isso não está longe de acontecer. – A face de Vinicius se contorce de tanta dor. – Mas isso não quer dizer que deixei de te amar Vinicius. Você faz parte da minha história e nunca terei a pretensão de te apagar dela. Você me fez crescer e enxergar a vida com outros olhos, me fez ver as possibilidades a minha volta.
– Te joguei nos braços de outro, isso que eu fiz! Marcos, você não faz ideia da dor que sua falta causa. – Seu tom mais uma vez é desesperador. – Meu peito se dilacera de dor em sabe que você beija outro e se deita com outro. A dor é insuportável!
– Eu conheço a sensação proporcionada por essa dor Vinicius e você sabe muito bem disso. Sofri por tudo o que você me fez passar.
– Fiquei com Letícia e a engravidei por pura chantagem e além do mais foi você quem me traiu!
– Te trai porque não tinha seu total apoio! – Tento me controlar. – Você só se preocupava consigo mesmo! Suas atitudes te afundaram, levou você onde está agora.
– Eu te amo meu pequeno! – Contra a minha vontade seus lábios encontram os meus e sua língua invade, de forma brusca, minha boca. Vinicius me devora com seus lábios e quanto mais reluto contra o seu beijo, mais força é colocada por ele, me machucando. Decido relaxar e retribuir. Sua sede por mim faz com que o beijo dure longos minutos e sem perceber, vejo que estou entregue. – Eu te amo Marcos!
– Eu também te amo Vinicius. – Meus olhos tremem. – Mas amo ainda mais o Marcos. – Digo o afastando. – Seu amor não é mais suficiente para mim.
– Não é mais suficiente por quê?! – Vinicius grita. – Por que perdi tudo? Por que agora estou pobre? É por isso? – Vinicius rosna. – Você é um verdadeiro interesseiro Marcos! Você só ama quem pode te dar algo em troca.
– Cala a sua boca! – Grito. – O motivo do seu amor não ser mais suficiente para mim é por você ter atitudes irracionais, como agora. Como você pode falar isso de mim? A pessoa que sempre esteve ao seu lado? Hein?! – Vinicius parece começar a cair na realidade novamente.
– Me desculpe Marcos é q...
– Não fale mais nada Vinicius. – Digo com meu peito em chamas. – Você sempre será desta maneira e eu não quero mais isso para minha vida. Hoje você está chorando aos meus pés, mas se na noite da nossa primeira vez você não tivesse batido a porta do seu quarto na minha cara, como você fez, talvez estivéssemos juntos. Naquele dia eu estava disposto a enfrentar meus pais e até o mundo te assumindo como meu namorado. Mas você não deixou que eu falasse e me expulsou, literalmente, da sua vida. A minha solução seria a mais eficaz, teríamos cortado o mal pela raiz e Letícia não teria engravidado. Eu teria sido expulso de casa, mas estaríamos juntos. Mas você fez tudo a sua maneira, deixou ser chantageado por puro medo de me assumir, de se assumir. – Enxugo as últimas lágrimas que caem dos meus olhos. – Hoje eu poderia fazer com você, o que fez comigo e fechar a porta na sua cara. Mas a deixarei aberta, para que você possa entrar e ver, quantas vezes quiser, como estou feliz com Marcos. – Vinicius perde a voz e apenas me ouve. – Não se preocupe, que essa dor no peito passa. Cedo ou tarde ela passa. Não te desejo mal algum Vinicius, até porque você será pai do filho da minha irmã, mas não te quero mais como namorado, amante ou qualquer outra coisa. Estávamos predestinados, mas para mostrar, um ao outro, como a vida é traiçoeira. Acredito que eu já tenha começado a aprender, agora só falta você. – Destranco a porta.
– Se você sair por esta porta Marcos, esqueça que um dia eu fiz parte da sua vida. – Vinicius diz calmamente com a voz chorosa.
– Que assim seja. – Sigo em direção ao quarto de Marcos, deixando Vinicius para trás.
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Após a visita repentina de Vinicius, me recomponho depois de um segundo banho e visto outra roupa. Acredito que ele tenha saído da mansão da mesma maneira que entrou. Estou tranquilo quanto a nossa conversa e não me arrependo de nada que falei. Marcos é o meu destino. Ele é o amor da minha vida, Vinicius apenas me ensinou a valoriza-lo e não deixa-lo escapar. Chego ao jardim e Marcos está próximo ao bar americano.
– Onde estava meu amor? – Marcos me abraça. – Só não fui atrás de você porque os convidados não deixaram.
– Fiquei indisposto, mas já estou melhor. – Minto. – Você viu a Mari por aí?
– Está com Jonas e parece que se deram bem. – Marcos aponta para o lado oposto do jardim.
– Espero que sim. – Rio.
A música é interrompida repentinamente.
– Senhoras e senhores! Estou muito feliz em estar aqui no Brasil após longas férias em Paris e chegar em uma ocasião tão especial. – Fernanda é o centro das atenções e todos prestam a devida atenção em suas palavras. – Convido o nosso querido aniversariante, Marcos, a vir dançar essa música que é muito especial em nossas vidas. – Fernanda faz um sinal para o DJ e Heroes de David Bowie, toma conta do ambiente.
– Não acredito nisso. – Marcos revira os olhos e sorri timidamente para Fernanda.
– Fique aqui Marcos. – Sigo em direção à pista de dança e Marcos não se move. Ao chegar faço um sinal de “corta” para o DJ, pego um dos microfones na mesa de som e peço para desligarem o microfone de Fernanda. – Boa noite a todos! Peço desculpas pelo incomodo, mas nossa querida convidada aqui. – Aponto para Fernanda. – Está um pouco equivocada ao chamar o namorado alheio, para dançar, sem pedir permissão. Como todos sabem sou namorado do aniversariante. – Mostro a aliança para Fernanda. – E ele dançará apenas COMIGO – Friso a palavra. – Esta noite. – Solta a minha música DJ, pois quem vive de passado é museu.
Wake Me Up estremece o jardim e anima os convidados. Começo a cantar os primeiros versos da música para Marcos que está no gramado rindo da minha atitude. O chamo para o meio da pista e ele obedece. Pouso minhas mãos em seu peito e nos mexemos no som da batida. Os demais nos cercam, fazendo com que Fernanda seja jogada para fora da pista. Em meio aos efeitos e fumaça artificial, vejo duas garotas surgirem e vir em nossa direção.
– Vocês são FODA! – Samantha e Érika gritam para mim e Marcos. Acabo rindo do “elogio”. Olho para o outro lado e vejo Mari dançando loucamente com Jonas. Deborah se junta a nós e nada mais importa. A batida nos consome e tudo o que eu quero é aproveitar a festa com Marcos e fazer desta data o começo de uma nova vida.
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