Amor & Pecado
35 Capítulo 35 - Tentação
Notas iniciais
– Estou esperando uma resposta! – Grito mais uma vez. Letícia e Vinicius estão paralisados devido a minha reação de os encontrar em meu quarto.
– Marcos, pelo amor de Deus, pare de gritar! – Diz minha mãe ao me segurar forte pelo braço.
– Parar de gritar?! – Pergunto incrédulo a encarando. Minha fúria, só aumenta, por encontrar Letícia em meu quarto, quanto a Vinicius... Foi uma surpresa.
– Sim, pare de gritar. – Meu pai aparece imponente, ao lado de minha mãe, me fuzilando com o olhar. – Vinicius, Diane e Letícia estão hospedados aqui em casa por tempo indeterminado e não quero você os tratando mal. Entendeu?
– O que?! – Pergunto sem entender nada. – Mas que raio está acontecendo aqui? – Pergunto ao passar pelo meu pai e entrar no MEU quarto.
– Muitas coisas aconteceram, Marcos. – Letícia diz ao se levantar e vir em minha direção.
– Cale sua boca! Não dirija a palavra a mim e suma da minha casa. – Digo extremamente ríspido apontando a saída a ela.
– Cale a boca você, garoto! – Vinicius toma a frente de Letícia e me segura pelo colarinho. – Minha vida está de cabeça para baixo. Meu pai está preso, não tenho casa, não tenho emprego e descubro que terei um filho, porra! – Os olhos verdes de Vinicius escurecem e enchem de lágrimas, instantaneamente ao falar. Devido ao movimento, nossos rostos estão separados por centímetros e após muito tempo, ouço novamente o som da sua respiração. – Pela “amizade” que tivemos um dia Marcos, por favor, me ajude. – Vinicius não contém as lágrimas, que escorrem pelo seu rosto esculpido, de tão lindo e másculo.
– Me desculpe. – Falo sussurrando. Meu peito está em chamas, ver Vinicius chorar me faz mal. Minha vontade é de abraça-lo e ao mesmo tempo soca-lo. Neste momento Diane sai do banheiro e não segura as lágrimas ao ver o filho chorando. Vinicius solta meu colarinho e volta a se sentar em minha cama, escondendo seu rosto nas mãos. Letícia me lança um olhar frio ao sentar-se ao seu lado e o abraçar.
– Você não fará nada, até pedir desculpas, aos três, pela sua falta de educação, Marcos. – É muito raro ver meu pai irritado com algo, porém quando ele se irrita o melhor é o obedecer.
– M-me desculpe. – Gaguejo envergonhado. Ainda não consegui assimilar todas as informações em minha mente, mas isso não justifica, aos olhos dos demais, meus gritos.
– Ótimo. – Meu pai diz ao me olhar da cabeça aos pés. – Espero que a cama de Marcos as acomode bem, Diane e Letícia.
– Não, irmão Claudio. – Letícia fala com sua melhor feição de preocupação e simplicidade. – Não há a necessidade disso, eu poderei me recolher no sofá ou em algum colchão.
– Faço questão de que fique confortável Letícia. Afinal de contas, você está grávida e a cama é grande o suficiente para as duas. – Meu pai encerra o assunto, ao me fitar seriamente e se retirar.
– Já vocês, garotos, dormirão na sala. – Diz minha mãe. – Irei arrumar o colchão e os espero lá embaixo. — Letícia ergue a cabeça rapidamente e me fuzila com o olhar, como se quisesse me enviar algum tipo de recado.
– Vou pegar alguns pertences e já descerei para deixa-las à vontade. – Falo ao abrir meu armário e começar a separar algumas roupas. Meu celular vibra e recuso a ligação de Marcos.
– Farei o mesmo. – Vinicius se levanta, pega uma de suas bolsas, deseja boa noite a ambas e se retira.
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É tão estranho, o ter tão perto de mim novamente. Vinicius está deitado de barriga para cima, como de costume. Seu semblante parece preocupado, mesmo estando dormindo. De certo, os momentos vividos por ele recentemente estão sendo difíceis. Estou sentado no sofá, com um dos abajures da sala aceso. Pego meu celular, disco o número de Marcos e no primeiro toque, sou atendido.
– Oi, meu amor. – A voz de Marcos é carinhosa e abafada.
– Estava dormindo? – Pergunto sussurrando.
– Não, estou deitado assistindo um filme e imaginando como seria estar com você aqui, ao meu lado. – Ri.
– Eu adoraria estar ai, você não faz ideia. Desculpe-me não o ter atendido mais cedo.
– Tudo bem. Porque está sussurrando?
– Longa e complicada história. – Digo suspirando. – Amanhã nos falamos, tudo bem?
– Como preferir, durma bem e já estou com saudades.
– Eu também, beijos e boa noite. – Desligo.
Automaticamente volto a olhar Vinicius, deitado no chão e o espaço ao seu lado, onde eu deveria estar neste momento. São exatamente quinze para meia noite e tudo o que ouço é o zumbir nos ouvidos, devido ao silêncio.
– Sinto teus olhos em mim, Marcos. – Vinicius sussurra, como eu ao telefone. Seus olhos verdes se abrem em minha direção.
– Perde tudo, menos sua presunção, não é mesmo? – Tento falar com o maior desdém possível, mas ao ver o meio sorriso de Vinicius, percebo que estou falhando.
– Não a posso perder, afinal, é a única coisa que me restou. – Vinicius se levanta e se senta ao meu lado. – Enquanto alguns perdem, outros ganham. – Seu olhar é certeiro ao pousar sob minha mão direita. – Muito bonita sua aliança.
– Também acho. – Respondo seco.
– Seus pais já sabem do seu namoro? – Vinicius pergunta ao erguer a sobrancelha.
– Claro que não! – Reviro os olhos. – E fale baixo ao tratar desse assunto. – O repreendo.
– Estou sussurrando, o que você quer que eu faça?!
– Que volte a dormir e me deixe em paz! – Me levanto e sigo em direção à cozinha. Abro a geladeira e encho um copo d’água gelado.
– Confesse Marcos, você está adorando em ter eu por perto novamente. – Vinicius se aproxima e para em minha frente.
– Já pedi para que me deixe em paz. – Suspiro pesarosamente. Obviamente, Vinicius ainda mexe comigo e devo admitir que não é pouco. O ter novamente em minha vida, de uma hora para outra, me pegou totalmente desprevenido.
– Senti muito a sua falta, meu pequeno. – Agora acaricia meu rosto. – Você não faz ideia do quanto. – Seu toque é como faíscas em minha pele. Chega a ser como polos opostos de um imã, que ao mesmo tempo em que se atrai, se repele. Sua mão grande, agora, pousa em meu pescoço, o envolvendo e puxando meu rosto em direção ao seu, fazendo com que nossas testas fiquem coladas. – Eu ainda te amo e sempre vou te amar.
– Me solte! – Digo suplicante. Não quero fazer nada de que me arrependerei depois. Não quero magoar Marcos, não quero me magoar. Meu sangue está fervendo e meu desejo, mesmo que contra a minha vontade, está crescendo.
– Eu sinto que você quer isso, tanto quando eu Marcos. – Vinicius me puxa pela cintura, fazendo nossos corpos grudarem um no outro e...
– Ah! Mas que merda Marcos! – Jogo o copo de água gelada em Vinicius
– Vê se apaga o teu fogo. A mãe do seu filho está dormindo no andar de cima. Tudo bem que ela é uma vadia desclassificada, mas você deve respeito a ela. – Digo ríspido. – A propósito... – Digo ao olhar sua camiseta encharcada e o chão molhado. – Limpe essa bagunça. – Volto para a sala e tento dormir ao me deitar no colchão. Durmo antes mesmo de Vinicius terminar de arrumar a cozinha.
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O alarme, do meu celular, desperta.
– Mas já?! – Resmungo para eu mesmo.
Minhas costas estão muito doloridas e amaldiçoo mentalmente, mais uma vez, aquela vaca loira por estar extremamente confortável em minha cama. Passo a mão no lado oposto do colchão e percebo que Vinicius não está deitado. Levanto-me e sigo para a cozinha onde a luz está acesa.
– Bom dia! – Vinicius fala ao tirar a jarra de café da cafeteira. Está sem camisa, usando apenas o short de ontem à noite, com o elástico da cueca boxer branca a mostra e pés descalços.
Não me dou ao trabalho de responder seu cumprimento. Esse filho da puta está me testando, fazendo café, me tratando bem, estando sem camisa. Ah! Que ódio! Isso no primeiro dia imagine nos próximos. Corro para lavabo ao lado da sala de estar, junto com as minhas roupas e tranco a porta. Encaro-me no espelho. – O que está acontecendo com você? – Pergunto a mim mesmo. – Sinto a falta do meu chuveiro, já que aqui não tem um. Sou obrigado a apenas trocar de roupa e arrumar os cabelos. Saio cauteloso do lavabo e sigo novamente para a cozinha. Fico aliviado ao ver Diane sentada em uma das cadeiras.
– Bom dia. – Digo a ela.
– Bom dia. – Responde séria. Percebo que ficou ofendida com o meu comportamento na noite anterior.
– Diane, gostaria de lhe pedir desculpas pelo meu mau comportamento. – Digo com a maior sinceridade possível. – Confesso que fiquei irritado ao ver Letícia em meu quarto, não com Vinicius ou você. – Diane me encara. – Te devo muito respeito, afinal, você e André fizeram parte da minha educação desde... Sempre. – Sorrio. – Por favor, não se ofenda. Mesmo com algumas diferenças com Letícia, a tratarei melhor daqui para frente.
– Está desculpado Marcos. – Diane sorri, mesmo não obtendo muito sucesso. – Não ficaremos aqui por muito tempo, logo mais conseguirei algum lugar para nós.
– Fique quanto tempo precisar. Você e Vinicius são da família, digo isso de coração.
– E agora Letícia também. – Vinicius fala.
– Claro que sim! Letícia também. Como pude esquecer ela, não é? – Digo ironicamente, fazendo o semblante de Vinicius ficar mais sério do que já está. Qual é a dele?! Ontem a noite faltou me obrigar a beija-lo e hoje está fazendo com que eu engula de qualquer maneira essa vaca?!
– Alguém disse o meu nome? – Letícia aparece com um lindo sorriso no rosto, que automaticamente se fecha ao perceber que Vinicius está sem camisa. – Por que você está sem camisa Vinicius? – Pergunta séria a ele, porém olhando para mim.
– À noite acabei derrubando um copo d’água nela e a deixei secando na lavanderia. – Vinicius responde dando de ombros.
– Então vá busca-la ou se preferir pegue outra em sua bolsa, você não está em sua casa para ficar assim. – Letícia ferve de desconfiança. Sorrio discretamente para ela, a deixando mais impaciente.
– Letícia está certa. Vá se vestir. – Diane ordena.
– Tudo bem. – Vinicius se retira.
– Está na minha hora, tenho que ir trabalhar. Tenham um bom dia.
– Você também, querido. – Diane fala carinhosamente, pelo visto meu pedido de desculpas já surtiu efeito.
– Deixe que eu te leve ao portão, Marcos. – Letícia sorri.
– Tudo bem. – Digo já me preparando para acertar a mão na cara dela se necessário.
Passamos pela sala de estar, abrimos a porta e atravessamos a garagem até chegar ao portão.
– Fique longe do Vinicius. – A voz de Letícia é calma, porém decidida.
– Ou o que?! – Pergunto cruzando os braços e a encarando.
– Ou todos prestarão a devida atenção nessa linda e caríssima aliança de prata em seu dedo. – Letícia sorri. – Posso estar aqui, em sua casa, de favor Marcos, mas tenho cartas na manga e se você pensa...
– Se você pensa irá me intimidar está muito enganada. – A interrompo bruscamente. – Estou na minha casa, à intrusa aqui é você, portanto cale essa sua boca imunda e me deixe em paz. – Letícia me encara com os olhos semicerrados. – Até grávida do Vinicius você tem medo de perdê-lo. Você realmente é uma coitada. – Dou as costas e a deixo sem argumentos. Sigo para o trabalho vitorioso.
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– Você falou de uma maneira como se eu devesse me preocupar com isso. – Marcos me encara.
– Não! De forma alguma. – Digo de pronto ao pegar suas mãos. – Pensei que você não gostaria de saber que meu ex-namorado está morando, por tempo indeterminado em minha casa. Talvez isso poderia te deixar nervoso.
– Realmente, não gostei em saber disso. Mas confio em você, meu príncipe. Na verdade, não confio nele. – Marcos me abraça e beija o topo da minha cabeça. – Juro que serei capaz de esmurra-lo se saber de algo que ele tenha feito, contra a sua vontade.
– Relaxe, ok? – Ergo minha cabeça e nossos olhos se encontram. – Sei me defender e ele nunca tentaria nada, afinal, sua mãe e a atual namorada, grávida, estão em minha casa também. – Tento tranquilizar Marcos e pelo jeito que consigo. É impossível não ficar pesaroso com tal situação. Estou omitindo o fato de Vinicius quase me beijar na noite anterior e o pior: Eu quase ter retribuído.
– Tudo bem. – Seus olhos cor de mel me fitam. – Se você diz, não há o porquê ficar apreensivo com isso. – Sorri. – Estava pensando em fazermos algo diferente hoje à noite. Sábado, final de expediente... Isso lhe sugere algo? – Marcos ergue uma das sobrancelhas.
– Sugere que eu devo voltar para a casa o quanto antes. Adoraria poder sair e ficar com você, mas temos que concordar de que nos últimos tempos, fizemos muito isso, não é?
– Sim, mas não é o suficiente, poxa. – Marcos faz beicinho e beija meu pescoço.
– Sim, não é o suficiente. – Me arrepio com o toque dos seus lábios. – Mas tenho que ficar um pouco em casa. Ontem saímos com sua família, aceitei oficialmente seu pedido de namoro, dias atrás dormi em sua casa, fizemos aquele tour no centro da cidade, enfim... Nem sei como meus pais não falaram nada até agora. Nunca fui de sair muito.
– Tudo bem. Não devemos nos arriscar muito, te compreendo. – Pela primeira vez percebo nitidamente o desapontamento de Marcos.
– Não fique assim, ok? – Digo ao suspirar. – Deixe toda essa situação com Vinicius se resolver que eu contarei aos meus pais sobre nós. Qualquer dificuldade que aparecer daqui para frente, enfrentarei por você.
– Enfrentaremos juntos. – Me abraça. – E se por acaso, for muito difícil para você, poderemos ir para qualquer lugar que quiser. Neste país ou mundo. Você despertou algo em mim, há muito tempo adormecido Marcos. Você vale a pena, tenho certeza disso.
Ao ouvir tal declaração, envolvo meus braços em seu pescoço e o beijo. Meu coração se aquece e sinto que cada palavra dita por ele é verdadeira, sinto em seu beijo que se eu quiser ir para o inferno neste exato momento, Marcos irá comigo e queimará comigo. Quando o beijo nada mais tem valor, minha vontade é de gritar para todos ouvirem que... O... Amo? Eu o amo?
– O que foi? – Marcos pergunta, quando interrompo o beijo.
– Você me leva para casa?
– Levo. – Marcos fala sem entender. – Quer ir agora? – Pergunta ao olhar o relógio e perceber que faltam dez minutos para o fim do meu expediente.
– Sim.
– Certo... – Suas mãos passam rapidamente pelo cabelo castanho claro. — Então vamos.
De um minuto para o outro minha mente vira um turbilhão e meu coração pulsa com diversos sentimentos misturados. O que está acontecendo comigo, o que?! Tudo culpa daquele cretino do Vinicius, tudo culpa dele!
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– Sei que ficou desapontado por não podermos ficar juntos hoje. Me desculpe. – Falo sem graça antes de descer do carro.
– Não precisa se preocupar, entendo seus motivos. – Marcos da de ombros.
– Mas amanhã podemos pensar em algo. – De repente seus olhos se iluminam, com a possibilidade. – Posso dizer, aos meus pais, que farei horas extras e poderemos ficar juntos.
– Tem certeza disso? – Marcos pergunta com um meio sorriso nos lábios.
– Claro que sim. – Respondo sorrindo. – Mas será a minha vez de escolher o local, ok?
– Como preferir. – Sorri de volta. – Então... Até amanhã.
– Até. – Tento me despedir com um beijo, porém sou empurrado por Marcos bruscamente.
– Seu pai. – Diz ao olhar através do vidro lateral direito, onde estou sentado. Marcos acena.
Abro a porta e desço.
– Oi pai!
– Oi. – Responde seco.
– Sei que fui mal educado com Diane, Vinicius e Letícia ontem à noite. Já pedi desculpas e o senhor já pode desmanchar essa cara feia.
– Chame Marcos para entrar, sua mãe fará pizza caseira. – Meu pai fala ao mostrar as sacolas do supermercado em suas mãos e abrir um pequeno sorriso. Com a mesma rapidez que se irrita, ele se acalma.
– Acredito que Marcos tem mais o que fazer pai. – Digo tentando acabar com a possibilidade de Marcos e Vinicius estarem no meu lugar.
– Se você não quer convida-lo, eu convido. – Meu pai segue em direção ao Mitsubishi. Tento impedi-lo, mas desisto da ideia. Ele bate levemente no vidro da porta do carona, fazendo com que Marcos o abaixe. – Oi Marcos, tudo bem? O que acha de entrar e nos fazer companhia no jantar? Vanessa irá fazer pizza e te garanto, é a melhor de todas.
Paro atrás do meu pai, fazendo sinais negativos com a cabeça e mãos para Marcos.
– Olá, senhor Claudio! – Cumprimenta com um largo sorriso. — Acho que serei obrigado a aceitar o convite, adoro pizza.
O que?! Sério que ele aceitou?
– Ótimo! E por favor, me chame de Claudio, apenas.
– Como quiser.
– Espero vocês lá dentro. – Meu pai passa por mim e deixa o portão aberto ao entrar.
– O que você está fazendo? – Pergunto incrédulo a Marcos, enquanto desce do carro.
– Estou aceitando o convite de ficar mais tempo com o meu namorado.
– Marcos! – Digo relutante ao parar em sua frente.
– O que?! – Marcos ergue as mãos para o alto. – Qual é o motivo de tanta relutância?
– Vinicius. – Digo baixo.
– Você me garantiu que não preciso me preocupar com ele, certo?
– Sim, mas você se recorda da última vez que se viram? Quase se bateram.
– Na verdade, ele merecia uns bons socos.
– Está vendo? – Digo com os arregalados. – Quem te garante que ele não te provocará ao entrarmos?
– Saberei lidar com as provocações, confie em mim. – Marcos toma a frente e segue para dentro da minha casa.
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Os risos são altos e intermináveis. Meu pai falta rolar no chão, enquanto minha mãe, Diane e até Letícia se mantém com as mãos cobrindo a boca e rostos vermelhos. Já Vinicius tenta manter-se sério, mas percebo que está mordendo a bochecha para segurar o riso. Estou rindo, porém me contenho e Marcos é o centro das atenções.
– Coitadinho de você, Marcos. – Minha mãe fala entre uma risada e outra.
– Eu era pequeno e não sabia o que dizia. – Marcos ri. – Tenho outra história, desta vez eu estava em Londres, na época eu tinha uns dezessete anos. Entrei em um ônibus de dois andares e me sentei. Fiquei uns dez minutos apreciando a paisagem da cidade, até perceber que estava próximo de onde eu deveria descer. Meu inglês era péssimo e eu trocava com frequência palavras nas frases. Me levantei e tentei perguntar a um senhor de idade: “Where is the next point?”, ou seja, “Onde é o próximo ponto?” e na realidade perguntei: “Where is the sex point?”, “Onde fica o ponto de sexo?”. O senhor me olhou espantado, arregalando os olhos e me recriminando por fazer tal pergunta.
As risadas que pareciam cessar tomam força, novamente, e desta vez vejo Vinicius também rir.
– E como você conseguiu descer no ponto certo? – Diane pergunta.
– Para minha sorte havia um brasileiro no ônibus que ouviu a conversa e ajudou a me explicar, no final de tudo, rimos os três da situação.
– Você é hilário rapaz! – Meu pai diz ao se recompor. – Pelo visto é muito viajado.
– Conheço muitos lugares, Claudio. Devo admitir. – Marcos da um pequeno gole na cerveja que meu pai o ofereceu antes de nos sentar a mesa. – Marcos me disse que são descendentes de Italianos. Eu também sou. Meu pai nasceu em Fuscaldo.
– Sim. – Minha mãe confirma. – Tanto meus pais quanto os de Claudio eram Italianos legítimos. Nascemos no Espírito Santo, mas logo após nosso casamento viemos para São Paulo, já que nada mais nos prendia lá.
– Então vocês não conhecem a Itália? – Marcos pergunta.
– Não. – Meu pai responde. – Temos muita vontade, mas nunca conseguimos.
– Quem sabe um dia, nós iremos. – Sorrio para meus pais.
– Vocês irão adorar. – Marcos afirma sorrindo.
Voltamos nossa concentração para as pizzas, feitas pela minha mãe e de um segundo para o outro, a casa fica silenciosa, sendo perceptível apenas o som dos talheres.
– Estão deliciosas, suas pizzas, Vanessa. – Marcos diz ao terminar um pedaço e limpar os lábios com um guardanapo.
– Obrigada.
Letícia volta a observar a mim e Marcos. Percebo que seus olhos percorrem cada detalhe e minha barriga fica fria ao ver seu interesse em nossas alianças. Seu olhar é de diversão e sinto que está aguardando um momento para atacar. Cutuco rapidamente Marcos, retiro do dedo, minha aliança e faço um sinal com a cabeça para que ele faça o mesmo com a sua.
– Que aliança linda Marcos! – Letícia fala alto atraindo a atenção de todos para ele.
– Não é uma aliança e sim um anel. – Marcos responde rápido e firme.
– Parece que Marcos também estava com um no dedo. – Agora a vaca loira se refere a mim.
– E parece que você repara demais na vida dos outros, enquanto se esquece da sua. – Digo ríspido.
O silêncio pesa entre nós, após minha resposta. Percebo o olhar de meu pai em mim, sem mesmo olhar diretamente para ele e sei que depois do jantar, levarei uma bronca.
– Bom pessoal... Muito obrigado pelo convite, o jantar foi extremamente delicioso, mas preciso ir. – Marcos se levanta.
– Mas já? – Minha mãe parece desapontada.
– Sim. Amanhã pretendo viajar com meus pais e preciso dormir um pouco mais cedo.
Sei que amanhã Marcos não viajará para lugar algum e que está dando esta desculpa, apenas para garantir que ninguém desconfie que ficaremos juntos no dia seguinte, quando eu disser que irei trabalhar. Todos se despedem de Marcos, inclusive Vinicius, que para minha surpresa não o provocou e meus pais deixam claro que as portas de casa, sempre estarão abertas a ele. Após sua saída, ajudo a organizar a casa e para minha surpresa, meu pai não chama a minha atenção pela resposta dada a Letícia.
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– Claudio, posso lhe perguntar algo? – Vanessa está deitada e sua cabeça está apoiada no tórax do marido.
– Sim meu amor. – Claudio responde acariciando seu cabelo.
– Você ama o Marcos? – Vanessa pergunta tímida.
– Mas é claro que o amo, mulher! Ele é meu filho, na verdade um ótimo filho. Não tenho o que reclamar.
– Eu sei que você o ama. – Vanessa se senta na cama e encara o marido. – Mas até onde vai o seu amor por ele? Você seria capaz de lhe virar as costas em alguma circunstância? – Vanessa parecesse preocupada.
– Aonde você quer chegar com essa conversa? – Claudio pergunta desconfiado.
– Em lugar nenhum. – Vanessa da de ombros ao mentir para o marido. – Só fiquei imaginando na situação difícil que irmã Márcia colocou Letícia. Expulsou a garota de casa por estar grávida. Sendo que ela é a única pessoa da família viva.
– Pois é... Mas eu nunca faria isso com meu filho. – Claudio balança a cabeça. – Sinceramente, depois que regularizarem a situação da Igreja e decidirem quem será o novo Pastor, não garanto que voltarei a frequentar. Fiquei muito decepcionado com tudo o que aconteceu.
– Eu também, porém não devemos nos deixar abater, meu amor. Nossa fé tem que ser inabalável. – Vanessa beija delicadamente os lábios do marido.
– Você tem razão. – Claudio concorda.
– Eu sempre tenho. – Vanessa sorri e apaga a luz do quarto.
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Estou ansioso por amanhã. Não vejo a hora de estar com Marcos e realmente poder namora-lo. Dar carinho e receber carinho e...
– Me solta! – Sussurro nervoso. – Pensei que já estivesse dormindo, porra!
– Dormir com você ao meu lado? Impossível. – Sinto o halito refrescante de Vinicius em minha nuca, enquanto sua mão puxa minha cintura de encontro a sua pélvis, nos encaixando perfeitamente.
– Realmente, está impossível dormir aqui. – Digo tentando nos separar, porém é inútil. – Amanhã pedirei para minha mãe me colocar para dormir longe de você.
– E qual será sua justificativa? – Vinicius pergunta petulante. – “Mamãe, mamãe! Vinicius quer me comer.” – Ele zomba ao imitar meu tom de voz.
– Como você é retardado garoto! – Acabo soltando um pequeno riso.
– Está vendo? Até você quer e não admite. Entendo que está em um processo de negação e que você pode até curtir o Marcos babaca, mas é a mim que você ama. – Vinicius beija meu pescoço ao terminar de falar.
– Me solta, por favor. – Suplico.
Vinicius me gira pelo colchão, fazendo com que fiquemos frente a frente. Sua língua invade a minha boca, vorazmente, fazendo meu corpo todo amolecer. Não tenho como lutar contra esse desejo. Minha sede por ele cresce a cada segundo que sua língua está na minha, deixando-me nas nuvens. Minhas mãos se fecham em seus cabelos e nossas pernas se entrelaçam uma nas outras. Mordo delicadamente seu lábio inferior e como de costume seu corpo grande estremece. Suas mãos percorrem meu corpo por debaixo das minhas roupas. Nossas bocas se separam e mesmo a sala estando escura, sem poder ver seus olhos verdes, os sinto em mim. Suas mãos ágeis tiram minha camiseta e as minhas fazem o mesmo com a dele. Ao sentir seus músculos e em minhas mãos e suas mãos em meu corpo, me entrego como nunca antes.
Meu coração está na boca e meu corpo todo está trêmulo. Apoio-me no sofá ao meu lado e ascendo o abajur. Tudo está normal. Vinicius está dormindo, feito pedra e meu corpo está totalmente suado após um sonho erótico com meu ex-namorado.
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