Amor & Pecado
14 Capítulo 14 - Acertos Finais: Narrado por Vinicius
Estaciono o carro do outro da rua e sigo devagar até a Delicatessen, dormi muito mal na noite passada, após Letícia ter saído de casa acabei dormindo um pouco no sofá e quando fui para a cama não consegui pregar o olho.
“Consciência pesada?”
Uma voz irritante me pergunta interiormente e eu logo trato de fazer com que ela suma. O dia está quente, céu azul e ar abafado com poucas brisas, na distância que me encontro, já vejo Letícia na porta, com um vestido violeta, sapatilhas brancas e o cabelo loiro como ouro trançado de lado, por mais que ela seja uma biscatinha enrustida, uma coisa é inegável: Ela é linda demais.
– Bom dia, Vinicius! – Ela fala com aquele olhar furtivo. – Gostei da pontualidade, certamente minha avó irá gostar também.
– Bom dia, Letícia! Não há quem não goste de mim. – Sorrio.
– Você é muito petulante garoto. – Ao falar ergue uma das sobrancelhas.
– E você uma bis... Graça e Paz, irmã Márcia! – Não termino a frase, ao avistar irmã Márcia vindo em nossa direção.
– Graça e Paz, meu querido! – Diz ela ao me dar um abraço tímido. – Pastor André como está?
– Está bem, Graças ao Senhor! Certamente preparando o culto de amanhã.
– Que bom, vamos entrar para ficarmos mais a vontade.
Ela me guia e Letícia vem logo atrás com seu tom debochado no rosto.
– Sente-se. – Irmã Márcia aponta a cadeira, para mim, logo após se sentar. O ambiente é muito fino e iluminado pela luz do dia, a parede que da para rua é toda de vidro. Os balcões e prateleiras são todos em pura madeira marfim, os freezers brancos, mesas e cadeiras de alumínio lustroso. – Letícia, traga alguns pedaços daquela torta de limão que saiu agora a pouco.
– Sim senhora. – Letícia se retira com o olhar inocente e obediente.
– A irmã tem um espaço sofisticado e organizado, muito bonito. – Digo já sentado.
– Obrigada. Tento manter tudo bem arrumado, meus clientes são muito exigentes. – Ela sorri. – Pedi para vir hoje até aqui, pois Letícia comentou que você está procurando emprego.
– Sim! Estou à procura de uma oportunidade, acredito que já está na hora de eu crescer pessoalmente e o primeiro passo para isso é começando a trabalhar.
– Com certeza! – Sorri. — O trabalho é muito simples, estocar a mercadoria quando chega, dar entrada no sistema, organizar nas prateleiras e no máximo atender alguns clientes, mas isso quase não será necessário, Letícia e eu estamos aqui para isto e para parte da limpeza temos outra funcionária.
– Farei o que for necessário irmã, sem problema algum em fazer algo fora das minhas funções.
Letícia chega com dois pedaços de torta e dois copos d’água, põe na mesa e se retira, seu olhar é de divertimento, sem dúvida deve estar tirando uma da minha cara mentalmente. Eu e irmã Márcia continuamos nosso papo, sobre o trabalho, salário e benefícios, confesso que o salário é uma miséria, não compra dois pares dos meus tênis a vista, mas é o que está tendo para hoje, irei acalmar meu pai e isso é o que importa. Fica combinado de eu começar a trabalhar na próxima semana, me despeço e sigo em direção a porta.
– Não tão rápido garanhão. – Letícia diz atrás de mim.
– Fala, estou com pressa.
– Pressa? Qual é... Você não faz nada o dia inteiro, o que tem que fazer de tão importante?
– Não é da sua conta, fala logo.
– Não se esqueça do nosso acordo, quero o Marcos, lembra?
– Não tem como esquecer, logo falaremos sobre isso.
– Nada disso, o emprego já é seu e quero o que é meu. Temos culto amanhã e já quero dar meu primeiro passo.
– Segura a onda garota, você o conhece há muito tempo, mas mal fala com ele e Marcos é do tipo reservado, não da ousadia para a primeira que aparece.
– É mesmo? Como sabe? – Letícia ergue novamente as sobrancelhas.
– Porque cresci com ele, se lembra?
– Ok. Pensaremos em algo então.
– Sim, depois nos falamos.
Viro-me antes mesmo de Letícia pensar em responder, tenho que pensar em algo para me manter no emprego, que nem comecei e proteger Marcos dessa louca.
Fale com o autor