Amor & Pecado
15 Capítulo 15 - Confie em mim
– Então... Estamos brincando de vaca amarela ou alguma outra brincadeira do tipo? Já faz uma hora que chegamos e você não abriu a boca, isso sem contar o tempo gasto no trajeto até aqui. – Vinicius fala enquanto passa a mão pelo cabelo impacientemente, ele está sentado em minha cadeira giratória, enquanto estou deitado em minha cama fitando o teto. Não sei o que falar, ontem o jantar com o Marcos mexeu um pouco comigo, além de ele ser lindo é extremamente educado, instruído e maduro. Sabe o que quer da vida.
– O que você quer que eu fale?
– Alguma coisa Marcos! Você sabe o quanto me irrita quando me trata dessa maneira. – Vinicius se levanta da cadeira e senta-se na ponta da cama, com a mão pousada em minha perna. – Ainda está bravo comigo com aquele lance do banheiro? Sua mãe não desconfiou de nada, tenta relaxar um pouco, por favor.
– Não estou bravo com você só pelo aconteceu aqui em casa, mas também por você não se importar em ficar se escondendo, isso me faz mal Vinicius. Não quero ficar assim para sempre. Entende?
– Eu entendo, claro que entendo, vamos dar um jeito nisso. Acredite em mim. – Ele agora me puxa pela mão, fazendo com que eu fique sentado, me olha nos olhos e me abraça. Respiro fundo e me aconchego em seus braços. Marcos agora é uma vaga lembrança, este abraço faz com que eu me lembre de onde realmente pertenço. – Preciso te contar algo.
– O que? – Pergunto. Seus olhos verdes estão risonhos e acabo me derretendo como sempre com eles.
– Consegui um emprego, começo semana que vem.
– Onde? Quando? – Nossa! Será que minhas preces estão sendo atendidas? Será que Vinicius está realmente se tornando um homem de responsabilidade?
– Na Delicatessen da irmã Márcia. – Vinicius morde o lábio ao responder.
– O QUE!? – Minha voz se altera involuntariamente. – Existem mil lugares para se trabalhar Vinicius, você tinha que escolher justamente onde aquela oferecida da Letícia também trabalha? Quer dizer, onde a avó dela é dona? Você só pode estar tirando uma da minha cara.
– Será que você consegue enxergar Letícia em tudo? – Ele fala com a voz alterada e os olhos arregalados. – Estou lhe dizendo que irei começar a trabalhar, que vou começar a tomar um rumo na vida e você consegue atrapalhar tudo falando dela.
– Você sabe que não gosto dela Vinicius, não me sinto bem ao lado dela, nunca me senti.
– Coloca uma coisa na sua cabeça, eu estou lá para trabalhar. Ela pode me sondar o quanto quiser, mas sou seu. SEU! Você já ouviu falar que a base de um relacionamento é feita de confiança mutua? E outra coisa, meu pai quer muito que eu comece a trabalhar e pensei que lá seria um lugar perfeito, pois estou em um local de gente conhecida e o reconhecimento do meu trabalho chegará mais rápido até ele.
Pela primeira vez em muito tempo fiquei sem resposta. Tentei raciocinar e acabei concordando com Vinicius, eu preciso confiar mais nele e a ideia de trabalhar na Delicatessen da irmã Márcia deixaria o Pastor André mais tranquilo.
– Ok, você tem razão. – Digo baixinho e de cabeça baixa.
– O que? Não ouvi direito. – Vinicius pergunta de forma sarcástica.
– Você tem razão, preciso confiar mais em você e a Delicatessen não é o pior lugar para se trabalhar.
Vinicius ri levemente e me abraça.
– Obrigado por confiar em mim.
– Espero que eu não me arrependa.
– Juro que não se arrependerá. – Ao terminar a frase ele beija o topo da minha cabeça e me sinto aliviado em não estarmos brigados. Porém, minha intuição está me alertando sobre algo que não consigo identificar, tento não me abalar. Preciso confiar mais em Vinicius e é isto o que vou fazer a partir de hoje.
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