Amor & Pecado
8 Capítulo 8 - Quase Pegos
Notas iniciais
– Oi! – Digo sorrindo ao me sentar no banco dianteiro do carro.– Tudo bem?
– Tudo certo. – Vinicius responde com pouco entusiasmo, enquanto da partida no carro.
– Não está tudo bem, conheço você há muito tempo e sei quando você está mal antes mesmo de falar comigo ao telefone. – Consigo tirar uma risada dele, adoro o fazer rir.
– Como você é bobo. – Vinicius fala com aquele sorriso torto lindo e um olhar de soslaio. – Ontem sai da sua casa para conversar com meus pais, lembra?
– Lembro sim, na verdade lembro-me da tristeza de você ter que ir embora, da próxima vez iremos desligar os celulares.
– Haverá uma próxima vez? – Agora que paramos no semáforo, ele me questiona com a sobrancelha levantada e mordendo o lábio inferior.
– Claro que sim! – Digo de pronto, rindo da cara dele, gosto muito de vê-lo de bom humor.
– Não vejo a hora. – Diz ele, agora, focado na direção.
Olho para o banco detrás e vejo um cabide com um terno preto, uma camisa branca de linho, uma gravata vermelha e sapatos, muito bem engraxados, diga-se de passagem.
– É sua a roupa no banco detrás?
– Sim. Irei me vestir para o culto em sua casa ou você acha que perderei tempo para a nossa próxima vez? – Ri levemente.
– Danadinho. – Digo rindo também.
Vinicius estaciona em frente a minha casa e descemos do carro, ele pega cuidadosamente sua roupa e a coloca no braço.
– Olá meninos! – Minha mãe nos recepciona calorosamente, dando um beijo no rosto de cada um.
– Oi mãe.
– Oi Vanessa.
– Estão com fome? O jantar já está pronto.
– Estou faminto, quero comer agora. – Digo já caminhando para a cozinha.
– Irei levar minha roupa para cima e já volto. – Diz Vinicius já subindo a escada.
Eu e minha mãe vamos para a cozinha e eu já me sento à mesa.
– Muito cansado? – Minha mãe fala ao pegar o prato que está em meu lugar e caminha ao fogão para colocar a comida.
– Demais! Ficar de pé o dia todo não é fácil. – Digo apoiando o queixo na mão direita. – O que tem hoje mãe?
– Lasanha, arroz de forno e almôndegas.
– Um pouco dos três, por favor.
– E você acha que eu não sei? Desde pequeno você come de tudo. – Minha mãe sorri.
– Nossa, que cheiro bom! – Vinicius chega e senta-se ao meu lado.
– Lasanha, arroz de forno e almôndegas. – Responde minha mãe, ao me entregar o prato.
– Que delicia, vou querer um pouco dos três.
– Pelo jeito não é só eu que como de tudo. – Falo e nós três rimos.
– Mas também tem coisas que eu não como, porque não deixam. – Vinicius me lança um olhar tão safado que fico vermelho, de raiva e vergonha. Esse não é o tipo de comentário de se fazer na frente da minha mãe. Dou um chute em sua canela por debaixo da mesa. – Camarão é um exemplo, tenho alergia a frutos do mar, gosto muito, mas não posso comê-los. – Vinicius segura o riso.
– Nem me fale nisso Vini. – Minha mãe senta-se conosco. – Me lembro de quando descobrimos isso, você estava aqui em casa e acabou comendo justamente camarão, você passou muito mal e chamamos Diane e André para leva-lo ao médico. Tenho culpa disso até hoje.
– Para com isso Vanessa, até então nem meus pais sabiam dessa alergia. Não tem porque se sentir culpada.
Com a raiva que estou do comentário, de duplo sentido, que Vinicius acabou de fazer, desejo por um segundo que ele tivesse morrido por causa desse camarão.
– Mas você estava sob a minha responsabilidade, imagina se acontece algo mais grave. Você tinha apenas dez anos.
– Nossa, faz tempo mesmo.
– Sim. – Diz minha mãe ao olhar com ternura para nós. – Meus meninos cresceram tão rápido.
– Eu cresci mais, Marcos continua pequeno. – Vinicius bate de leve em meu ombro. Abro um sorriso forçado e por debaixo da mesa lhe dou mais um chute, por mais que seja forte ele não demonstra que está doendo.
– Vou subir, tenho que me arrumar para o culto. – Minha mãe levanta e ao passar por Vinicius afaga seu cabelo. Levanto-me em seguida, deixo meu prato na mesa.
– A louça é sua. – Falo e subo para o meu quarto.
Enquanto escolho minha roupa para ir a Igreja, Vinicius chega de mansinho e se deita em minha cama, com os braços debaixo da cabeça e olhando para mim.
– Juro que não fiz aquele comentário na maldade.
– Até parece que eu acredito.
– Sério Marcos, você diz tanto para eu mudar, mas você também é muito criança. Tudo que falo te ofende.
– Não é isso Vinicius, mas tenho medo da reação dos meus pais se nos descobrirem.
– E você acha que eu não tenho? Sou o filho do Pastor você se lembra? Tenho a obrigação de ser um exemplo, coisa que não estou sendo ultimamente e jamais falaria alguma coisa do tipo para sua mãe.
Fico calado enquanto pego minha toalha e meus pertences e caminho ao banheiro. Vinicius levanta rapidamente, o ouço fechar e trancar a porta e em um segundo está me puxando pela cintura.
– Essa é a vantagem do seu quarto ser uma suíte, podemos trancar a porta e tomar banho juntos. – Fala ao pé do meu ouvido, me arrepio só de pensar em seu corpo molhado.
– Mas isso não vai rolar mesmo. Pode sair daqui e me esperar no quarto. – Digo o empurrando.
– Vai mesmo me mandar para fora? – Vinicius solta minha cintura e começa desabotoar lentamente os botões da camisa preta que está vestindo. Aos poucos começo a ver seu peito e seu abdômen.
– Para! – Digo rapidamente. – Sai daqui, destranca a porta do quarto e me espere lá. Não podemos arriscar demais Vinicius. — Ele termina de tirar a camisa e me encosta na parede, fico preso entre ela e seu corpo.
– Você disse que teríamos uma próxima vez, aqui está ela, aproveite.
Antes mesmo deu poder responder sua boca já na minha, sua língua explora cada parte dela, não resisto e já estou retribuindo o beijo ferozmente. Minhas mãos passam por seus braços, ombros e com as palmas das mãos abertas sinto os músculos das suas costas. Agora Vinicius reveza os beijos entre minha boca e meu pescoço. A sensação chega ser agonizante de tão boa, o ter tão perto de mim é inexplicável, meu desejo por ele é tão forte que tento afastar certos pensamentos e vontades.
– Por favor... Vini. Para. – Suas mãos já estão por dentro da minha calça na parte detrás. – Vinicius, para, senão não iremos conseguir resistir.
– E quem disse que eu quero resistir? – Vinicius olha no fundo dos meus olhos e com a mão livre puxa os cabelos da minha nuca e me beija. Estou tremendo, meu corpo pede por mais, sinto que vou explodir, sinto que Vinicius não está mais aguentando e...
– Garotos! – Minha mãe diz ao bater na porta do quarto. — Andem logo senão iremos nos atrasar.
– Caralho! – Vinicius me solta, coloca a camisa rapidamente e vai para o meu quarto, perto da porta. – Já estamos quase prontos. – Ele grita.
– Ok. – Minha mãe responde.
Já estou debaixo do chuveiro com o coração martelando forte de tão apavorado que estou, tomo meu banho em tempo recorde, vou para o quarto, enquanto Vinicius entra em seguida no banheiro, me visto rapidamente, destranco a porta e ligo o secador para os meus cabelos. Fico torcendo para que a minha mãe não pense nada demais. Nossa! Estou tremendo. Nesse momento a porta se abre, é ela, e meu coração para.
– Cadê o Vinicius? – Pergunta.
– Está no banho. – Respondo da forma mais natural que consigo.
– Diga que Diane está ligando no celular dele.
– Tudo bem.
Minha mãe sai do quarto com a expressão de que queria me perguntar algo, mas não perguntou e eu agradeço por isso, pois se tivesse me perguntado, no meu estado de nervosismo não conseguiria responder nada. Cinco minutos mais tarde, Vinicius sai do banheiro devidamente vestido, seu cabelo está molhado o deixando mais sexy ainda. Contenho-me. Termino de secar o cabelo e lhe entrego o secador para que possa secar o seu. Aguardo o barulho do secador cessar para começar a falar.
– Você está temporariamente proibido de vir aqui em casa.
– Por quê? – Vinicius arregala os olhos.
– Por você não conseguir segurar seus hormônios e deixar minha mãe desconfiada com o que estava acontecendo aqui.
– Ela disse algo?
– Não, mas vi no rosto dela que algo a incomodava.
– É impressão sua Marcos.
– Fica quieto, termina de se arrumar e vamos. Por sorte meu pai não está em casa hoje, pois se ele estivesse e fosse o caso dele bater na porta estaríamos realmente fudidos.
A expressão de Vinicius é vazia, como se tivesse sido atingido por algo invisível.
– Sua mãe acabou de ligar aqui em casa, pois você desligou o celular.
– Merda! – Vinicius fica preocupado. – Meus pais falaram comigo ontem, disseram que eu preciso trabalhar e me dedicar mais a Igreja. Pensei que talvez você pudesse me indicar para trabalhar na cafeteria.
– Nunca! – Falo com a mais absoluta certeza. – Não quero você por perto, foi por causa da sua teimosia que quase fomos pegos hoje, se é que minha mãe não desconfiou de nada. Imagina nós trabalhando juntos, não quero.
– Obrigado viu, por me ajudar. – Vinicius faz um gesto positivo com as mãos.
– Cala a boca e termina de se arrumar.
Saio do quarto e sigo para a sala, onde minha mãe está nos esperando. Fico assistindo televisão com ela, a observando agora, vejo que talvez não tenha achado nada demais a porta do quarto estar trancada com eu e Vinicius na parte de dentro. A adrenalina tomou conta de mim muito rápido, por isso fiquei tão desesperado. Vinicius desce lindo como sempre em seu terno preto e seguimos para o carro. E lá vamos nós para mais um torturante culto, minha consciência pesa mais que chumbo, estou com medo de minha mãe ter desconfiado de algo, Vinicius quer trabalhar no mesmo local que eu e tenho que olhar para a cara da Letícia daqui a pouco. Como é difícil ser eu.
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