Amor & Pecado
5 Capítulo 5 - Marcos/Marcos
O movimento está fraco hoje aqui na cafeteria, o dia está frio e chuvoso e pelo jeito as pessoas preferem estar em casa debaixo das cobertas assistindo filmes, do que vir até aqui tomar café. Já são quatro horas da tarde e Vinicius não deu nenhum sinal de vida, nem uma ligação, tampouco uma sms. Sei que essa é a forma dele demonstrar medo da minha reação, não gostei de ter encontrado aquela nota de cem reais no meu bolso ontem e provavelmente sabe disso, por esse motivo ficou mudo o dia inteiro. Como o ambiente está praticamente vazio, estou passando um pano úmido no lustroso laminado da cafeteria, sempre que posso saio do balcão para fazer isso.
– Desculpe-me senhor! – Digo rapidamente ao passar sem querer o pano úmido em um legitimo Louis Vuitton preto. Ao erguer a cabeça, congelo. É Marcos, o cliente do dia anterior.
– Não se incomode, não foi nada demais. – Diz ele com seus olhos cor de mel, mais claros do que eu me recordava e com uma simpatia de desarmar qualquer um.
– Me desculpe, de verdade, sou muito desastrado. – Digo ainda apavorado. Esse tipo de sapato custa no mínimo dois meses do meu salário.
– Acalme-se. – Agora Marcos da uma leve risada. – Juro que não foi nada demais, o pano ao que parece está somente úmido.
– Sim está. – Digo tentando manter o controle. E o analisando melhor, chego à conclusão de que o sapato não é o único item em sua vestimenta que é caro. A camisa é violeta, de mangas curtas e um detalhe prata nas bordas, que fica justa envolta de seus braços. O jeans de uma lavagem clara, faz um contorno perfeito em suas pernas torneadas. Seu cabelo castanho está desgrenhado e jogado em sua testa e seu sorriso, branco e perfeito como eu me recordava.
– Você poderia me atender? Estou com um pouco de pressa. – Diz ainda sorrindo.
– Claro! – Digo firme, como iria negar atende-lo? Deixo o esfregão e o rodo ao lado da lixeira.
– Ótimo, quero um Caramelo Macchiato e um Muffin de Blueberry, para viajem.
Caminho para trás do balcão para providenciar o pedido. Ao retornar Marcos me mede dos pés a cabeça, não com a intenção de me intimidar ou ser arrogante, mas com certa admiração, pelo menos me parece isto.
– Me desculpe por ontem, se te deixei constrangido ao te passar meu número. – Agora era ele que estava com a face levemente vermelha. – Geralmente não sou tão atirado a esse ponto, de entregar meu telefone ao primeiro que aparece, mas o álcool altera a nossa capacidade de raciocínio e nos deixa meio bobos. – Solta mais uma leve risada.
– Álcool? – Repito a palavra com a sobrancelha erguida e certa desconfiança.
– Sim, ontem à noite voltei de um encontro com amigos e acabei extrapolando um pouco. – Agora seu sorriso é tímido.
– Ah, entendi. – Rio timidamente. – Não percebi que estava alterado, até porque não te conheço, não sei como é o seu estado normal.
– É verdade. – Ele sorri. – Agora o deixarei trabalhar em paz, mais uma vez me desculpe.
– Sem problemas senhor. – Digo sorrindo novamente.
– Senhor não, por favor. Chame-me de Marcos.
– Ok, Marcos.
– Até mais, Marcos. – Agora ele da uma gargalhada.
– Até. – Retribuo com uma risada leve e natural.
Marcos pega seu copo e seu Muffin, caminha até a porta e sai. Me pergunto se ele não está sentindo frio usando apenas aquela camisa de manga curta, até que o vejo, através da porta de vidro, entrar em um carro do outro lado da rua, não consigo identificar o modelo, mas é vermelho e grande. Volto a limpar o chão da cafeteria, ele pode ter ido embora, mas deixou um sorriso em meu rosto, não sei exatamente o porquê, mas fiquei encantado com seu jeito.
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