Amor & Pecado
6 Capítulo 6 - Reconsciliação
– Boa noite pai e mãe! – Digo ao chegar em casa.
– Boa noite meu querido. – Minha mãe diz enquanto me dá um beijo no rosto.
– Boa noite filho. – Meu pai está assistindo o telejornal como de costume.
– Estou morrendo de fome mãe, o jantar está pronto?
– Está sim, seu prato está no micro-ondas.
– Ok, vou tomar banho e daqui a pouco desço para comer.
– Vinicius está no seu quarto, procurando um dicionário que te emprestou.
– Está bem. – Subo as escadas já preparado para uma nova briga, além de não ter gostado do dinheiro em minha jaqueta, não esqueci também da pirraça que ele me fez ontem com a Letícia. Passo pelo corredor do andar de cima e abro a porta do meu quarto, a luz está apagada, a acendo.
– Bu! – Diz Vinicius sentado em minha cadeira giratória, com as pernas longas abertas, calça jeans, blusa de moletom e um boné de aba reta. Está extremamente sexy.
– Bu! – Digo com desdém, ao fechar a porta.
– Tudo bem? – Vinicius pergunta com seus olhos semicerrados e o dedo indicador direito contornando os lábios.
– Sim, estou bem e você?
– Não tão bem quanto gostaria.
– Por quê? – Pergunto ao jogar minha bolsa na cama e abrindo o guarda roupas.
– Porque você não falou comigo hoje e ontem sem se despediu de forma decente de mim.
– Forma decente? – Repito. – Ter usado a Letícia para me causar ciúmes ontem foi uma atitude decente por acaso?
Vinicius fica mudo, se levanta e para na minha frente.
– O que deixei em seu bolso foi útil de alguma maneira, pelo menos?
– Não usei, pode pegar de volta.
– De forma alguma. – Vinicius balança a cabeça. – Eu te dei Marcos, quero te ajudar de alguma forma.
– Você quer mesmo me ajudar? – Pergunto.
– Sim.
– Então cresça Vinicius, amadureça. A vida não é fácil como você imagina. Você já parou pra pensar que você faz parte de uma Igreja? Então aplique em sua vida o que você aprende nela, ajude quem realmente precisa. Deixe de lado essa futilidade e arrogância, isso não vai te levar a lugar algum e irá afastar as pessoas de você.
– Qual é pequeno. Só quis te ajudar, não precisa dar sermão e se te ofendi com o dinheiro me devolva.
Respiro fundo, vou até a minha escrivaninha, abro a gaveta e pego a nota, que está ao lado do guardanapo com o telefone do Marcos, acabo sorrindo só de me lembrar dele. Viro-me, estendo a mão e entrego a nota à Vinicius.
– Obrigado, mas não posso aceitar. – Digo.
– Como quiser. – Responde Vinicius com ar tristonho. – Meus pais pediram para te perguntar se você ainda irá participar do Bazar Beneficente da Igreja este ano.
– Claro que sim.
– Tudo bem, vou indo nessa. Boa noite. – Vinicius segue em direção à porta.
– Vini! – Digo com a voz sufocada. Detesto ficar brigado com ele.
– Fala.
Vou em direção à porta e dou uma volta na chave para tranca-la, viro-me para o lado de Vinicius e não resisto, lhe dou um beijo com a sensação de ser o primeiro. Ele retribui com vontade, seus lábios são ágeis, macios e exigentes. Suas mãos rapidamente estão em minhas costas, enquanto as minhas já estão grudadas em seu ombro e nuca, seu boné cai no chão e assim posso passar a mão pelos seus cabelos negros. Seu cheiro de roupa limpa é tão bom, sua pele macia e quente me deixa confortável em seus braços. Ele pode ser arrogante e fútil, mas o amo, com todos os seus defeitos. Nossa sede um pelo outro parece interminável, separamos nossas bocas uma da outra apenas para tomar fôlego e um novo beijo começa.
Vinicius com suas mãos grandes e braços fortes, me aperta contra seu corpo rígido. Suas mãos já estão por dentro da minha camiseta, subindo e descendo pela minha coluna, fico tão arrepiado que meu couro cabeludo começa a formigar, levemente, deve ser a adrenalina. Não resisto e coloco minha mão por debaixo de sua blusa moletom e percebo que está sem camisa, sua pele é macia como seda.
– Estava com saudade disso. – Vinicius fala ofegante.
– Cala a boca. – Falo já o beijando novamente.
Um ponto fraco que Vinicius tem é seu lábio inferior, adoro beija-lo e puxar seu lábio entre os dentes, faço isso e sinto seu corpo grande estremecer. Começo a puxa-lo pela frente da blusa até chegarmos a minha cama, me jogo nela puxando-o para cima de mim.
– Mas o que está acontecendo com você? – Vinicius arregala os olhos.
– Shh... Cala a boca e me beija – Quero curtir esse momento.
– Ok, mas e seus pais? – Pergunta.
Nem me dou ao trabalho de responder e lhe dou outro beijo. Pela primeira vez percebo que quem está tenso é ele, sei que meus pais estão no andar debaixo, mas a porta está trancada e meu desejo por ele só está aumentando. Parece que Vinicius entendeu o recado, agora me da um rastro de beijos que começa do canto da boca e desce para o pescoço, a ponta da sua língua passa rapidamente pela borda da minha orelha esquerda, de forma suave. Meu coração está batendo nos ouvidos de tão forte, mas estou adorando isso.
Voltamos a nos beijar, e ao colocar minhas mãos por dentro de sua blusa novamente, a seguro pela barra e a puxo para cima e me deleito com a visão de Vinicius sem camisa. Sua pele é morena clara, como se fosse café com leite, lisa e cheirosa. Suas costas largas e sua cintura mais fina, seus braços são grossos e pequenas veias se sobressaltam, levemente, sob os bíceps. Seu peitoral é definido e seu abdômen trincado, juntamente com o “caminho da felicidade” que termina no elástico da cueca boxer vermelha.
Não resisto e durante o beijo, minhas mãos deslizam por cada parte do seu corpo, até que para minha infelicidade, nosso momento é interrompido por seu celular que começa a tocar.
– Alô. – Fala ele ainda ofegante. Pego sua blusa que caiu no chão e a seguro com força, com a intenção de não deixa-lo a colocar novamente. – Tudo bem mãe, já estou chegando. Beijo. – Desliga — Tenho que ir.
– Ah, mas já? – Falo triste.
– Infelizmente sim. Você me surpreendeu muito hoje Marcos, adorei este seu lado safado. – Vinicius faz uma careta e solta um riso ao dizer “safado”.
– Você não viu nada. – Digo, jogando a blusa nele. Enquanto ele a veste, pego em minha estante o “dicionário que ele veio buscar” e o entrego.
Vinicius pega seu boné que se encontra no chão e o coloca. Envolve novamente seus braços em minha cintura e cola sua testa na minha.
– Te amo. – Diz ele com seus olhos verdes fixos nos meus.
– Eu também te amo. – Respondo.
– Me desculpa pequeno. Vou mudar, prometo. Por você.
– Só espero que quando isso acontecer não seja tarde.
– Não será. Tenho que ir, meus pais querem conversar comigo. – Diz me soltando.
– Tudo bem, qualquer coisa me liga.
– Pode deixar. – Ganho um breve selinho e Vinicius destranca a porta, desce as escadas, o ouço despedir-se dos meus pais e logo após a partida do seu carro.
Quando percebo que ele realmente se foi, tomo meu banho, janto e me deito. Quando estou quase dormindo meu celular vibra e recebo uma sms.
Por mais que eu tente lhe dizer
O quanto eu sinto por você
Como é possível não saber que eu te quero
Te amo . Boa Noite.
S2
Fecho meus olhos e imagino o dia que poderemos ser nós mesmos, sem se importar com o que as pessoas dizem. Apenas amar e ser amado.
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