Amor & Pecado
34 Capítulo 34 - O Mundo da Voltas - Narrado por Vinicius e Marcos
Notas iniciais
Vinicius
– Obrigado. – Digo enquanto Letícia senta-se a minha frente. Encaro o prato de comida e automaticamente meu rosto se contorce.
– Nem adianta dizer que está sem fome. – Letícia revira os olhos. – Todo dia é isso Vinicius. – Seu olhar é sério.
– Desde quando você se preocupa tanto comigo, garota? – Pergunto ríspido. – Na verdade, não sei como ainda não fez nada a respeito com essa criança.
– Como assim? Fazer algo a respeito? – Letícia pergunta confusa por um momento, até entender ao que me refiro. – Nunca faria isso com meu filho, Vinicius! – Seus olhos verdes escuros estão arregalados e trêmulos. – Confesso que engravidar de você foi muito oportuno, mas na situação que nos encontramos hoje, nada importa.
– Situação em que nos encontramos? – Pergunto.
– Sim ou você realmente acha que não estou preocupada? Seu pai foi preso, de um dia para o outro você é o homem da casa e descobre que sua “namorada” está grávida. – Letícia estende sua mão em cima da mesa e encontra a minha. – Estamos nessa juntos, já lhe disse isso.
– Pare com essa encenação! Chega ser irritante, sabia? – Falo realmente irritado.
– Coma. – Letícia respira fundo e empurra o prato em minha direção. – A situação já está difícil, não a deixe mais complicada.
– Tudo bem. – Resmungo. Surpreendo-me ao perceber que a comida está deliciosa.
– Precisamos contar a sua mãe e a minha avó sobre a gravidez, Vinicius.
– Eu sei Letícia, esse é um assunto que me assombra há quase um mês.
– O que acha de coversarmos com elas hoje, após o expediente, na minha casa?
– Hoje? – Pergunto apreensivo, enquanto percebo o apetite ir embora novamente.
– Já está na hora, né? Como você mesmo disse, já faz quase um mês.
– Ok. – Digo relutante.
– Ligue para sua mãe, que avisarei minha avó. – Letícia se levanta. – E coma tudo.
A observo enquanto se afasta, será que nem no meu horário de almoço consigo me livrar dela? Nesses últimos dias, Letícia tem sido compreensiva e carinhosa comigo. Porém não acredito muito em tais atitudes, ela é o tipo de pessoa que “planta para colher maduro”. Não sei o que ela está tramando, mas estou me mantendo alerta.
X
– Aqui está o seu troco. – Estendo a mão e entrego ao cliente. – Aguarde seu pedido e volte sempre. – Sorrio.
Marcos saiu pela manhã, já é final de tarde e ainda não retornou. Verifico mais uma vez meu celular e não tem nenhuma mensagem, tampouco ligações. Liguei duas vezes no decorrer do dia e caiu na caixa postal, decidi não ligar mais. Não quero ser controlador ou parecer ciumento, deve estar tudo bem e com certeza há motivos para não me responder.
– Então... Você vai responder minha pergunta ou não? – Mariana para ao meu lado e bate seu ombro no meu. Seu sorriso é travesso e seu olhar instigante.
– Que pergunta? – Faço-me de desentendido.
– Você está pegando o nosso patrão ou não? – Mariana sussurra em meu ouvido e aguarda a resposta ansiosamente.
– Por que você acha isso?
– Porque nos últimos dias vocês andam muito próximos. Você tem ido muito ao escritório dele, e desde que ele saiu, pela manhã, você não para de olhar o celular ou desgrudar os olhos do lado de fora, onde o carro dele fica estacionado.
– Você é muito observadora, sabia? – Pergunto com um meio sorriso.
– Não, meu amor. – Mariana suspira e pousa uma das mãos em meu ombro. – Você que é totalmente indiscreto e não consegue esconder seu enorme sorriso, cada vez que ele fala ou olha pra você.
– Nossa! Sério que eu faço isso? – Pergunto surpreso.
– Sim. – Mariana ri. – Mas é muito fofo, você e ele.
– Quem mais percebeu esse meu comportamento patético?
– Quase todo mundo. – Mariana da de ombros. – Mas não se preocupe com isso Marcos, de verdade. Ninguém tem nada haver com sua vida, só perguntei para confirmar e, afinal, eu não te culpo. Sr. Accetti é muito lindo. – Mariana sorri e mostra a língua.
– Sim, ele é. – Fico corado ao lembrar-me dos seus beijos. – Mas me preocupo em estar prejudicando meu trabalho por causa do nosso relacionamento.
– Entendo, mas fique tranquilo, não está atrapalhando.
Ao olhar pela trigésima quinta vez para o lado de fora, percebo que o Mitsubishi vermelho de Marcos está estacionado na vaga de costume e sorrio automaticamente ao vê-lo entrar no recinto.
– Marcos, você poderia ir ao meu escritório, por favor? – Marcos fala em um tom sério e olhar nada amigável.
– Sim, senhor. – Respondo de pronto. – Marcos segue em direção à escada no fundo da cafeteria e sobe.
– Está vendo? Você sorriu, e muito, ao vê-lo chegar. – Mariana ri novamente.
– Mari, segura a onda ai que eu já venho.
– Tudo bem.
Subo as escadas com meu estômago revirando. O tom de voz e olhar de Marcos ao falar comigo, me deixou muito apreensivo. Será que fiz algo que ele não gostou? Será que aconteceu algo enquanto ele estava fora? Meu coração está martelando em meus ouvidos e minhas mãos e pernas chegam a tremer. Abro a porta, não o vejo em sua mesa, rapidamente a porta de fecha e sou envolvido pelos seus braços.
– Sentiu saudades? – Marcos pergunta ao me abraçar e dar um beijo em meu rosto.
– Sim. – Digo surpreso.
Ao trancar a porta, Marcos me pega pela mão e me guia até um pequeno sofá que decora seu escritório. Ele se senta e me puxa para o seu colo, envolvo seu pescoço com meu braço direito e pouso minha mão esquerda em seu peito. Seus olhos cor de mel me transmitem uma tranquilidade infinita e seu cheiro amadeirado é muito bom. Seus lábios encontram os meus e sua língua exige passagem para a minha boca. Ambas se encontram e o contato é excitante. Nesse momento exalamos desejo, o contato das suas mãos em meu corpo faz com que eu me arrepie por inteiro. Perco-me em seus lábios macios, enquanto meu coração acelera cada vez mais. Ficamos apenas algumas horas distantes e já foi o suficiente para me deixar com saudades. Nossos lábios se separam rapidamente, mas logo retomamos o fôlego e voltamos ao beijo. Mordo seu lábio inferior e suas mãos se fecham em minha camiseta, faço mais uma vez e seus olhos cor de mel, se abrem e seus braços me deitam no sofá, com ele em cima de mim. Surpreendo-me muito, começo a perceber que estamos indo a um novo patamar em nosso relacionamento. Não imaginava que esse era o tipo de recepção que eu ganharia ao entrar no escritório hoje. Pensei que seria repreendido por algo errado que fiz. Mas se eu tiver feito e se esse for o meu castigo, por favor, castigue-me a cada minuto do meu dia. Tomado pelo momento, puxo sua camisa de dentro da sua calça e coloco minhas mãos por dentro dela, sentindo os músculos das suas costas tensionados. Marcos automaticamente desce seu quadril que encontra o meu. Uau! Ele está excitado e eu também. O arrepio, que sinto, desta vez é mais forte e passo suavemente as unhas das minhas mãos em suas costas o fazendo tremer. Sinto falta das suas mãos em minha pele, já que ele está apoiando seu peso em seus braços. Preciso dele, agora! Cruzo minhas pernas em sua cintura ao interromper o beijo e depositar pequenas mordidas em seu pescoço. Seu corpo estremece, porém sinto sua relutância.
– Marcos, vamos parar. – Agora sou realmente repreendido.
– O que? – Pergunto frustrado.
– Não quero que seja assim. – Marcos balança a cabeça e se levanta. – Fomos tomados pelo momento, mas isso não quer dizer que devemos continuar.
– Mas... – Não consigo terminar a frase, estou confuso. Marcos se senta e me puxa para o seu lado.
– Gosto muito de você, meu príncipe. Você merece muito mais do que o sofá do meu escritório. – Marcos me beija a bochecha.
– Certo. – Depois dessa, precisarei de um banho de água gelada e se frustração matasse, com toda certeza eu estaria morto e enterrado. Não sei explicar, ao certo, como estou me sentindo. Não estou com raiva de Marcos, na verdade estou mais uma vez encantado com seu ato delicado, mas eu gostaria muito de ter acabado o que começamos.
– O que acha de jantarmos, hoje, no restaurante dos meus irmãos? – Marcos me abraça com apenas um dos braços.
– O restaurante do nosso primeiro encontro?
– Sim.
– Eu adoraria. – Digo sorrindo ao me lembrar daquela noite. – Mas você terá que avisar minha mãe.
– Já avisei e ela concordou. – Marcos segura o riso e faz uma carinha de criança travessa e olha para o teto como se quisesse dizer: “Não brigue comigo”.
– Você é inacreditável! – Rio. – Já conquistou a Sra. Vanessa por completo.
– E prometi que levaria uma porção de Tortellini a ela, quando te deixasse em casa.
– Olha só! Comprando minha mãe com comida. – Continuo rindo.
– Vamos para minha casa, depois do expediente, tudo bem?
– Sem problemas, mas precisarei de roupas. – Digo.
– Preparei tudo, não se preocupe.
– Claro que preparou. – Reviro os olhos. – Vou descer, faltam vinte minutos para o final do expediente e já devem ter notado a minha falta.
– Não quero que desça. – Marcos fala sério.
– Mas tenho que ajudar a Mariana no balcão.
– Vai deixar de obedecer a uma ordem do seu patrão? – Marcos ergue uma das sobrancelhas.
– Vou, por que não acho certo deixar o resto do pessoal lá embaixo, enquanto estou aqui com você.
– Como meu namorado é altruísta. – Marcos sorri.
– E como meu namorado está bipolar hoje. – Falo o encarando. – Pede para que eu suba ao seu escritório de forma séria, cheguei a pensar que algo grave teria acontecido. Chego aqui e sou surpreendido com abraços, beijos e uma quase transa que foi interrompida por um súbito de consciência e depois não quer me deixar voltar ao trabalho por ser meu patrão e achar que tem algum poder concreto sob mim. – Digo irritado, não sei explicar o porquê, mas estou.
– Me desculpe. Eu só estava brincando com você e quanto à forma de que te chamei aqui, não foi intencional. – Marcos está de pé e seus olhos me fitam pedindo perdão. Meu coração amolece com seu olhar e logo me arrependo de ter falado todas essas coisas.
– Me desculpe. – Digo ao abraça-lo. – Mas me responda uma coisa.
– Não precisa se desculpar. – Marcos me olha com sua feição meiga. – Pergunte o que quiser.
– Onde esteve o dia todo?
– Surpresa. Não posso falar nada. – Marcos sorri. – Espero que você goste.
– Impossível não gostar do que venha de você. – Dou um selinho em seus lábios e sigo em direção à porta. – Te espero no quarteirão detrás em meia hora. Não quero que os demais nos vejam juntos.
– Já disse para não se importar com o que os outros pensam.
– Mas eu me importo. – Digo. – Não se atrase.
– Pode deixar. – Marcos sorri e eu fecho a porta.
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Vinicius
– Oi, meu amor. – Minha mãe para ao meu lado, enquanto estou arrumando algumas mercadorias na prateleira.
– Oi, mãe. – Sorrio e a beijo no rosto.
– O que iremos fazer na casa da irmã Márcia?
– Ela nos convidou para um jantar, acho que está comovida com o que aconteceu ao meu pai e acha que precisamos de mais atenção. – Minto.
– Fico agradecida, muito nobre da parte dela.
– Letícia e irmã Márcia já foram para casa, irei fechar a Delicatessem e logo iremos. Tudo bem?
– Sim, sem problemas.
Após atender os últimos clientes aguardo Sônia, a confeiteira, e fechamos o estabelecimento. Dou uma carona a ela, até sua casa. Gosto muito da Sônia e sua presença no carro, a caminho da casa de Letícia, me distrai da tensão que estou sentindo.
– Você está bem, Vini? Parece apreensivo. – Sônia pergunta, sentada no banco detrás.
– Sim. – Minto mais uma vez. – É o cansaço que me deixa assim.
– Percebi a mesma coisa, Vinicius. – Minha mãe concorda com Sônia.
– Estou bem, meninas. Relaxem, ok? – Ao dizer “meninas” ambas riem e consigo, mesmo que por pouco tempo, rir também.
Ao trânsito está infernal, só para variar. Penso em ligar o som, mas desisto. As estações de rádio programadas no aparelho e as músicas do meu pen drive, foram todas escolhidas por Marcos, enquanto namorávamos e com certeza esse não é o momento mais propício de lembrar-se de um ex. Ficamos exatamente meia hora parados no mesmo ponto e descobrimos que o motivo do trânsito é um acidente entre um carro e uma moto. Ao passarmos pelos guardas, a pista fica livre, fazendo o tráfego fluir.
– Pode entrar na próxima a direita, Vini. Já é a minha rua. – Diz Sônia.
A obedeço, após dois quarteirões, chegamos a sua casa. Sônia me agradece e se despede de mim e minha mãe. Sigo o trajeto até a casa de Letícia.
– Isso vai passar Vinicius, te prometo. – Minha mão fala encarando a rua. – Seu pai nos deixou da pior forma possível, com o nome da família na lama e pondo em risco tudo o que temos, mas vamos dar a volta por cima. Nenhuma tempestade dura para sempre.
– Eu sei. – É a única coisa que consigo dizer.
Ao escurecer, chegamos ao nosso destino. Descemos do carro e aguardamos pacientemente alguém nos atender, já que tocamos a campainha duas vezes.
– Boa noite. – Letícia nos recepciona com um lindo e caloroso sorriso. Está de calça jeans, regata branca e um All Star (Por incrível que pareça, sim ela está de All Star!). Seus cabelos loiros e ondulados estão soltos emoldurando perfeitamente seu rosto angelical. Como diz o ditado: “Quem vê cara, não vê coração”.
– Boa noite. – Eu e minha mãe respondemos em uníssono. Letícia cumprimenta minha mãe com um beijo no rosto e mesmo me esquivando ela consegue agarrar meu braço e depositar um selinho em meus lábios.
– Me trate como sua verdadeira namorada, afinal de contas o que iremos contar aqui nos unirá para o resto de nossas vidas. – Letícia sussurra em meu ouvido.
– Boa noite, Diane. – Irmã Márcia cumprimenta minha mãe com um abraço. – Sente-se, por favor. – Aponta o grande sofá da sala de estar.
– Obrigada. – Minha mãe diz ao se sentar. – Estou bem na medida do possível.
– Boa noite, irmã Márcia. – Digo ao forçar um sorriso. Meu coração já está disparado e minha vontade é de sair correndo. Letícia se afasta e senta-se ao lado de sua avó, no sofá do lado oposto de onde sento com minha mãe.
– Boa noite, meu querido. – Ela sorri. – Diane preciso parabeniza-la pelo filho que você tem. Vinicius é um rapaz muito prestativo, educado e atencioso. Letícia tem muita sorte em tê-lo como namorado.
– Obrigada. – Minha mãe responde com um enorme sorriso. – E eu tenho muita sorte de tê-lo como filho. Ele tem me ajudado muito desde o ocorrido.
– Faço o que posso. – Falo sem graça.
– E eu agradeço sua generosidade ao nos convidar para o jantar. – Minha mãe fala.
Irmã Márcia olha desconcertada para Letícia, que devolve o olhar dando de ombros. Menti para minha mãe, pois não iria falar o real motivo de estarmos vindo até aqui.
– Só estou fazendo o que deve ser feito. – Irmã Márcia sorri, mesmo ao perceber que algo está errado. – Devemos nos manter unidos em momentos difíceis. Gostaria de aproveitar a oportunidade e lhe pedir desculpas, Diane, do modo como falei do seu marido na quermesse. O chamei de ladrão sem a intenção de ofender você ou Vinicius.
– Eu sei irmã. – Minha mãe assente. – André agiu de má fé não só com os irmãos da Igreja, mas comigo e Vinicius também. A senhora fez o que deveria ser feito, contribuiu com as investigações e acabou com a farsa.
– Estarei aqui para o que vocês precisarem. – Irmã Márcia sorri, levanta-se do sofá e caminha em direção ao telefone. – Convidei vocês para jantar, porém logo quando cheguei em casa, fiquei indisposta e acabei não preparando nada. Podemos pedir algo, o que acham?
– Ótima ideia, vovó. – Letícia sorri. – Que tal comida chinesa? Estou com uma vontade enorme.
– Eu aceito. – Minha mãe concorda.
– Eu também. – Digo.
Irmã Márcia disca o número e realiza o pedido. Aguardamos em torno de quarenta minutos até ser entregue. Enquanto isso, nos distraímos com conversas corriqueiras e rimos de alguns casos da infância da irmã Márcia. Agora nós quatro sorrimos e por um momento penso se depois da noticia da gravidez, a alegria permanecerá.
Após nosso jantar, começamos a nos levantar e retirar a mesa. Após todo o ritual de lavar a louça, enxugar e guardar, voltamos para a sala e sinto que este é o momento para dizer o motivo desse encontro. Ao nos sentarmos novamente no sofá, Letícia senta ao meu lado e entrelaça seus dedos nos meus e me lança um olhar reconfortante.
– Queríamos dizer algo a vocês. – Letícia segura firme minha mão e a atenção é voltada a nós. Tenho certeza, de que neste momento meus olhos estão arregalados pela sua iniciativa e pela tensão do momento. De repente o silêncio toma conta do ambiente de uma forma assustadora, pelo menos pra mim.
Irmã Márcia semicerra os olhos para Letícia.
– O que? – Minha mãe pergunta.
– Antes de falarmos o que é, preciso da certeza do apoio de vocês. – Digo apreensivo.
– Ai meu Deus! É o que estou pensando? – A expressão da minha mãe é vazia.
– Diga Letícia. – Irmã Márcia fala em tom sério.
– E-eu... – Gagueja. – É... e-eu... – Letícia aperta minha mão, mais forte.
– Letícia está grávida. – As palavras escapam da minha boca rapidamente de uma maneira surreal. Ao fecha-la, os músculos do meu corpo congelam e os dois pares de olhos encaram a mim e Letícia numa intensidade esmagadora. Minha garganta está fechada e as lágrimas chegam aos meus olhos.
– É exatamente o que eu estava pensando. – Minha mãe olha para mim ao passar as mãos pelo cabelo longo. – Como vocês deixaram isso acontecer? Como? – Minha mãe está inconformada.
– Eu sei que estamos errados mãe, eu sei. – Abaixo a cabeça.
– Eu tinha certeza que você estava grávida sua peste. – Irmã Márcia encara Letícia com os olhos em chamas de raiva. – Usou o pobre rapaz, o que me diz?
– Não o usei, foi um acidente! – Letícia fala enquanto as lágrimas escorrem pelo rosto.
– Você pensa que me engana? – Irmã Márcia se levanta e vem em nossa direção. – Você nunca valeu nada garota, engravidou do filho do Pastor para ter status e sair aqui de casa, já que nunca te suportei.
– Eu também nunca te suportei, velha nojenta! – Letícia levanta-se e a encara, enquanto cospe as palavras em direção à avó.
– O que está acontecendo aqui? – Minha mãe pergunta. – Você não deveria trata-la dessa maneira Márcia, ela é sua neta e está grávida!
– Gravidez não é doença! E se a trato desta maneira é porque ela merece. Ninguém sabe o que já passei com essa garota!
– E ninguém sabe o que já passei com você, velha maldita!
Irmã Márcia levanta a mão para Letícia, me levanto e fico entre elas. O tapa que atingiria Letícia acerta meu ombro, fazendo-o latejar. Minha mãe segura irmã Márcia e a afasta.
– Márcia, se acalme! Letícia é sua neta. Você deve apoia-la, não agredi-la.
– Tenho meus motivos para nunca ter gostado dessa garota, a suportei por todos esses anos, mas agora chega! Chega! Quero você fora desta casa! – Irmã Márcia grita.
– Eu vou sim, sua cretina! Quero distância de você, maldita! – Letícia grita de volta.
– Se acalme, por favor. – Digo ao abraça-la. Mesmo sem saber dos motivos de ambas se odiarem, não quero brigas. Letícia está grávida e isso pode comprometer algo.
– Márcia, somos cristãos. Devemos amar o próximo e ajuda-los. – Minha mãe fala, sem acreditar no que está acontecendo. – Os meninos fizeram algo muito errado e pecaminoso, porém não cabe a nós julga-los, devemos apoia-los. Eles são nosso sangue.
– Cale sua boca, sua safada! – Irmã Márcia fala a minha mãe. – Você só não foi presa por falta de provas, mas nada tira da minha cabeça que você era cúmplice.
– Olha como fala com a minha mãe, Márcia! Até agora não te desrespeitamos. – Digo firme, tentando impor respeito.
– Cale a boca, você também, trouxa! Deixou com que essa vaca da minha neta engravidasse!
– Chega! – Grito em plenos pulmões. Meu sangue está fervendo e o ódio é crescente dentro de mim. – Eu não quero ouvir mais nenhum tipo de insulto. Não quero ouvir nem a respiração de ninguém desta sala, porra! — Letícia, minha mãe e até Márcia se espantam. – Suba e pegue a maioria de seus pertences Letícia. – Digo ao liberta-la do meu abraço. – Você irá comigo e minha mãe.
– Rua! – Irmã Márcia grita.
– Cale essa sua boca imunda, agora! – Grito novamente enquanto Letícia segue para o seu quarto.
Minha mãe me abraça e chora em meu ombro. Meu mundo está totalmente de cabeça para baixo. O desespero toma conta de mim. O que será de mim agora? O que?
– Pronto. – Letícia fala ao chegar aos pés da escada com duas malas enormes, da cor preta e com rodinhas.
– Me encontre com Letícia, no carro mãe. – Falo com um tom sério e entrego as chaves. – Quero falar a sós com a irmã Márcia. – Ambas se retiram sem dizer absolutamente nada. Respiro fundo ao perceber que estamos sozinhos.
– Me descul...
– Não ouse me pedir desculpas. – A interrompo bruscamente. – A senhora desrespeitou minha mãe e a mãe do meu filho, isso para mim é inadmissível. – Passo a mão impacientemente pelos cabelos. – Letícia tem vários defeitos e em pouco tempo, já pude identificar vários. Mas isso não justifica a forma como à senhora a tratou hoje. Não conte com a minha presença, nem a dela a partir de amanhã na Delicatessen. Não sei do passado da Letícia com a senhora, mas a partir de hoje estarei disposto a descobrir cada detalhe. – A encaro friamente. – Eu vi as cicatrizes nas costas dela e já tenho quase certeza de que foi a senhora que as causou.
– Prove. – Irmã Márcia diz ao esboçar um pequeno sorriso.
– Não preciso provar nada, está escrito na sua cara. Mas antes de ir embora, quero lhe fazer uma pergunta.
– Pergunte. – Márcia fala com desdém.
– A senhora acredita na Bíblia?
– Sim.
– Então se prepare, pois sua prestação de contas será enorme no juízo final.
Dou-lhe as costas e bato a porta ao sair. Sigo em direção ao carro e encontro Letícia chorando no banco detrás, nos braços de minha mãe.
– Acalme-se, você está livre daquela louca. – Digo. – A partir de amanhã nem você e nem eu voltaremos aquela Delicatessen. Darei um jeito na nossa situação.
O caminho para casa é silencioso. Cada um de nós revivendo os momentos deixados, a pouco, para trás. Ao estacionar em frente a minha casa encontro a luz da varanda acesa e vejo que na esquina há uma viatura da policia. Merda!
– A senhora deixou aquela luz acesa, mãe? – Pergunto.
– Tenho certeza que não.
– Então temos visita.
Descemos os três do carro e seguimos à entrada da casa. Ao chegarmos na soleira da porta principal um policial mais alto do que eu e provavelmente mais forte também, impede nossa passagem.
– O que está acontecendo? – Pergunto da forma mais educada possível, pois o soco que levei no rosto no dia em que meu pai foi preso, foi o suficiente para aprender a lição.
– Quem é você? – O policial pergunta.
– Vinicius Carminatti. – Respondo. – E essas são Diane Carminatti e Letícia, minha namorada.
– Apenas você a Sra. Diane poderão entrar. A garota aguardará do lado de fora, até vocês retornarem com os seus bens.
– Como assim? – Minha mãe pergunta.
– Todos os bens do Sr. André Carminatti estão bloqueados a partir de hoje, inclusive esta casa, ou seja, nenhum de vocês poderão permanecer aqui.
– Como é? – Pergunto.
– Entre e pegue o necessário. O mandato está com o Sr. Marcelo Alves.
Eu e minha mãe entramos na casa que se encontra totalmente revirada.
– Sra. Diane e Vinicius, correto?
– Sim. – Respondemos.
– Suponho que já estejam a par dos acontecimentos. Por gentileza, retirem o necessário e entreguem as chaves do imóvel e dos veículos.
Penso em retrucar, mas paro no meio do caminho. Não adiantará nada. Minha mãe cai em prantos, a abraço, mas não é o suficiente para acalma-la.
– Vocês têm vinte minutos, se apressem.
Caminhamos juntos até a escada e nos separamos no andar de cima, indo cada um para o seu quarto. Pego minha maior mala de viagem e a encho com camisetas, calças e alguns pares de tênis. Olho cada detalhe do lugar, decorando onde cada objeto está. Vivi minha vida inteira aqui e estou sendo obrigado a deixar tudo para trás. Tudo o que conheço está sendo arrancado bruscamente de mim.
– Uau! Essa casa é enorme. – Um policial baixinho e folgado entra no meu quarto e segue em direção a minha prateleira de perfumes, agarra um dos frascos e esguicha a fragrância. – Esse é dos bons, importados são os melhores.
Minha vontade é de soca-lo até deixa-lo no chão. Mas decido descer e esperar minha mãe. Ao encontra-la, a vejo com as malas e o mandato de bloqueio de bens.
– Vamos. – Ela fala de forma inaudível.
– Antes as chaves do veiculo. – O policial que antes estava na porta pede, estendendo a mão. Tiro o molho de chave do bolso e lhe entrego. – Obrigado.
Eu e minha mãe saímos e encontramos Letícia apavorada com a situação.
– Para onde iremos? – Letícia pergunta.
– Não há escolha, teremos que pedir ajuda Vinicius. – Minha mãe diz ao enxugar uma das lagrimas que escorrem pelo seu rosto.
– E eu sei exatamente onde pedir. – Digo com um nó na garganta e um pesar no coração.
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Encaro a vitrine da joalheria, no quarteirão detrás da cafeteria. Sempre tive vontade de usar aliança. Estou maravilhado com a variedade. A que mais me chama atenção é de prata pura, lisa e sem nenhum detalhe, apenas seu brilho, e por um segundo a imagino em meu dedo. Meus pensamentos se dissipam ao ouvir a buzina do carro de Marcos, viro-me, caminho até o carro e entro.
– Você demorou. – Reclamo.
– Me desculpe. Thiago resolveu tratar alguns assuntos justamente na hora em que estava saindo.
– Entendo... Seus irmãos sabem da nossa ida ao restaurante?
– Sim, pedi que reservassem o melhor lugar. – Marcos sorri.
– Tenho uma música para você. – Digo ao abrir minha bolsa e pegar o pen drive e conectar no aparelho de som do carro. – Já ouviu falar na Katy Perry?
– Sim, curto algumas músicas. – Marcos responde ao pararmos em um semáforo.
– Ouça. – Dou “play” e a melodia de Peacock, vibra nos altos falantes. O inicio repetitivo e pegajoso tira gargalhadas altas e profundas de Marcos.
I wanna see your peacock, cock, cock. Your peacock, cock.
(Eu quero ver o seu pavão, pavão, pavão. Seu pavão, pavão).
– Você está sugerindo algo, Sr. Marcos Baldo? – Marcos me lança um olhar sexy e ergue uma das sobrancelhas.
– Não estou sugerindo, estou exigindo que o que começamos hoje no sofá do seu escritório seja terminado. – Sorrio.
– Tenha calma, meu príncipe, tudo no seu tempo. – Marcos volta à atenção a direção, enquanto ri e ouve atentamente o restante da música. – A letra é hilária, devo confessar. Esperava qualquer tipo de música, menos uma parecida com essa.
– Gosto de surpreender. – Digo mordendo o lábio inferior.
– Estou começando a perceber isso.
Continuamos a ouvir as demais musicas do álbum e isso ajuda a me distrair e ao me dar conta, entramos na garagem da casa de Marcos.
– Boa noite. – Marcos diz ao entrar na sala de estar.
– Boa noite, meu querido. – Beth responde ao abraça-lo e depositar um beijo em sua testa. – Que saudades.
– Também senti muito sua falta mãe, cadê Lauro?
– Está se arrumando, você sabe que ele é pior do que eu para sair. – Beth revira os olhos e sorri. – Olá Marcos! É um grande prazer revê-lo.
– O prazer é todo meu, Beth. – A cumprimento com um beijo no rosto. Seu sorriso é encantador como o de Marcos, porém seus olhos são escuros como queixume. De certo, Marcos herdou o lindo par de olhos cor de mel do pai biológico.
– Trabalharam muito? – Beth pergunta a mim e Marcos.
– Eu sim. Já Marcos, não sei por onde andou por quase o dia inteiro. – Cruzo os braços e sorrio para ele.
– Senti uma pontada de ciúmes ai. – Beth ri para Marcos.
– Você saberá por onde andei, na hora certa. – Marcos me puxa pela mão e me envolve com um abraço. – Estamos subindo para nos arrumar, mãe.
– Tudo bem, meu amor e, por favor, não demorem como o Lauro, senão chegaremos amanhã no restaurante.
Chegando ao quarto de Marcos, sigo automaticamente para o closet e acendo a luz. O que irei vestir?
– Procurando o que vestir? – Marcos aparece atrás de mim.
– Sim.
– Volte para o quarto, sua roupa está em cima da cama. Espero que goste.
– Você anda comprando roupas para mim? – Pergunto desconfiado.
Marcos caminha para o lado oposto do closet e abre uma segunda porta de correr, me deixando boquiaberto. Duas fileiras de calçados, para todos os tipos de ocasiões, inclusive os meus adorados All Star’s. Camisetas, calças, meias, cintos, relógios e afins.
– São seus. – Marcos aponta para o armário.
– Marcos, isso é um exagero. – Digo espantado. Com toda certeza tenho mais roupas aqui do que na minha própria casa.
– Não é exagero nenhum. Todos nós precisamos de roupa e quando percebi que o nosso lance estava ficando sério, decidi compra-las sem você saber. Até porque, você nunca sairia às compras comigo.
– Não mesmo! – Digo suspirando. – Mas mesmo assim, lhe agradeço por tudo e quero que saiba que não estou com você pelo seu dinheiro ou status. Eu realmente te... Gosto de você. – Interrompo a frase, antes que eu acabe falando algo sem ter certeza.
– Eu sei. – Marcos sorri e me beija. – Você é muito verdadeiro, não esconde o que sente. Agora vamos nos arrumar ou chegaremos atrasados.
– Seus pais irão conosco?
– Hoje eles fazem parte do pacote. – Marcos sorri. – Estou com saudades de ambos e pensei que você não se importaria em convida-los.
– De forma alguma, tenho certeza que será uma noite adorável.
Me encanto com a roupa escolhida por Marcos, para mim. O conjunto é formado por uma camisa Polo branca, calça jeans skinny de lavagem escura, All Star grafite e jaqueta de couro preta. Sorrio ao me imaginar dentro da roupa.
– Irei para o quarto de hospedes para economizar tempo, fique a vontade. – Marcos se retira com um enorme sorriso no rosto. O que será que ele está tramando?
Corro para o banheiro e minha vontade é de entrar na banheira, mas como estamos com pouco tempo, me contento com o chuveiro.
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Estou realmente impressionado com a beleza de ambos os irmãos de Marcos. Deborah é magra, da pele branca e cabelos negros abaixo dos ombros. Seus olhos são iguais os da mãe, negros como a noite. Seus lábios são finos e avermelhados por natureza, sem a ajuda nenhum tipo de cosmético. Ao sorrir nos deleitamos com duas fileiras de belos dentes e seu tom de voz é doce e meigo, sem parecer forçado. Já Jonas é de feição parruda e instigante. Após dois minutos de conversa, percebe-se o rapaz carismático e educado, por detrás do tom sério. Seu rosto é quadrado e seu cabelo negro emoldurado com um topete lustroso, faz qualquer garota suspirar, sem ao menos ouvir seu tom de voz grave e sensual.
– É um prazer imenso conhecer você, Marcos. – Deborah sorri. – Até que enfim alguém laçou o coração do meu irmão. Confesso que por um minuto, achei que Marcos era sexualmente ambivalente. – Todos na mesa riem sem exceção.
– Deborah, isso é coisa de se falar? – Beth a repreende sem conseguir conter o riso.
– Ah, mãe! A Sra. também achou, mas no final Marquinhos é apenas gay. – Deborah pisca e manda um beijinho para o irmão, sentado ao meu lado, porém em lado oposto da mesa.
– Você não perde uma Deborah. – Jonas sorri ao dar um gole no vinho.
– Não mesmo. – Deborah da de ombros.
– E como vocês se conheceram? – Jonas pergunta a mim.
– Marcos é meu patrão. – Sorrio sem graça.
– Poxa irmãzinho, nós pensando que você não se interessava por nada e na verdade passa o rodo até nos funcionários.
– Nossa! Jonas! Você consegue ser mais indelicado do que eu. – Deborah revira os olhos.
– Perdoe-me a indelicadeza. – Jonas da de ombros e bebe mais vinho.
– É a bebida que está o deixando “alegre”. – Beth fala. – Melhor maneirar Jonas.
– Qual é mãe, não sou mais criança. – Jonas cruza os braços e fecha a cara. Chega ser engraçado, um homem deste tamanho, tendo literalmente atitude de criança ao receber uma bronca.
– Estava observando alguns relatórios e vi que vocês estão administrando muito bem este restaurante meus filhos. Fico muito orgulhoso. – Sr. Lauro diz a Deborah e Jonas.
– Obrigada papai. Eu e Jonas nos dedicamos muito para manter tudo em ordem. – Deborah abraça o irmão e da um beijo em seu rosto, desmanchando a cara feia de dois segundos atrás.
– E a comida estava extremamente deliciosa. – Sr. Lauro elogia.
– Realmente. Deliciosa é pouco. Estava magnífica! – Marcos fala.
– Obrigada meus queridos. – Deborah fica lisonjeada. – Então, qual vai ser a sobremesa?
– Pode ser Tiramisù? – Pergunto timidamente.
– Ótima escolha cunhadinho. – Jonas sorri e chama o garçom.
– Pois não? – O garçom chega a nossa mesa.
– Seis porções de Tiramisù e uma porção para viagem de Tortellini. – Marcos pede.
– Tortellini? – Beth pergunta. – Meu filho você ainda não está satisfeito?
– É para a mãe do Marcos, prometi que levaria ao deixa-lo em casa.
– Ah! Que lindo! Conquistando a sogra pelo o estômago. – Deborah ri.
– Sim e não. – Marcos se explica. – Realmente quero agrada-la, mas ela não sabe do relacionamento do Marcos comigo.
– Como assim? – Jonas pergunta.
– Meus pais são extremamente religiosos. Minha opção sexual ainda não foi discutida abertamente.
– Nossa! Complicada sua situação. – Deborah se encosta na cadeira e fica pensativa.
– Mesmo com a situação sendo complicada, não te deixarei. – Marcos fala ao me fitar com os olhos transbordando sinceridade. – Por isso, com a minha família presente, peço a sua mão oficialmente. – Marcos retira do bolso uma pequena caixa de veludo preta e ao abri-la, meus olhos enchem d’água com o lindo par de alianças prata, com alguns brilhantes. – Você me aceita como seu namorado?
– Sim. – Respondo após alguns instantes de silêncio. Meu desejo de ter uma aliança no dedo está se tornando realidade estou em êxtase. Os dedos longos de Marcos pegam a aliança e a encaixa em meu dedo com uma delicadeza inigualável. Mesmo tremendo, consigo fazer o mesmo com ele e por fim nos abraçamos.
– Felicidades ao casal. – Jonas levanta a taça de vinho para um brinde, embora eu tenha certeza de que ele está se aproveitando da situação apenas para beber mais um pouco sem ser incomodado pela mãe.
– Felicidades! – Todos erguem suas taças e sorriem para mim e Marcos.
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– A noite foi perfeita, por favor, agradeça mais uma vez sua família pelo carinho. Eles são incríveis.
– Pode deixar, os agradecerei novamente por você. – Marcos segura minha mão direita, à mesma em que se encontra a aliança. – Gostou da surpresa?
– Se eu gostei? Eu adorei meu amor. – Respondo com o meu coração mole e tanta emoção.
– Hmm... Eu sou o seu amor? – Marcos ergue uma das sobrancelhas.
– Meu e de mais ninguém. – Sorrio e o beijo. – Tenho que ir.
– Tudo bem meu príncipe. Espero que a Sra. Vanessa goste do Tortellini.
– Ela irá adorar, pode ter certeza.
– Te ligo quando chegar em casa, ok?
– Ótimo, assim poderei dormir tranquilamente.
– Até amanhã. – Marcos pega minha mão e a beija.
– Até. – Respondo antes de sair do carro.
Abro o portão da minha casa e atravesso a garagem. Nesse momento me dou conta de que estou apertado para ir ao banheiro. Abro a porta e encontro minha mãe.
– Boa noite, mãe.
– Boa noite, meu querido.
– Olha o que Marcos mandou para você, uma porção grande de Tortellini. – Entrego a sacola em suas mãos.
– Obrigada. – Ela sorri.
– Vou ao meu banheiro e já desço para conversarmos.
– Marcos...
– Já venho mãe.
Subo as escadas correndo e sigo em direção ao meu quarto. Se eu demorar mais um segundo farei xixi nas calças.
Abro a porta.
– Mas que porra está acontecendo aqui? – Falo ao encontrar Letícia e Vinicius sentados em minha cama.
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