Amor & Pecado

23 Capítulo 23 - O Flagra: Narrado por Letícia


– Você está uma arrazo, garota! – Digo a mim mesma, ao me olhar no espelho e passar meu gloss. Calça jeans justa, decote, jaqueta e salto alto. Simplesmente poderosa! Pela manhã convenci minha avó de que estava sentindo cólicas e não poderia ir a Delicatessen com ela e que se estivesse disposta, a encontraria na casa do Pastor André, à noite.

Sigo com meu plano e chego a ficar ansiosa para encontrar Marcos. Sou obrigada a andar de ônibus, já que Vinicius nem sequer desconfia, do que estou prestes a fazer. Transporte público é horrível, gente feia, fedida e o pior, vulgar. Não que eu não seja, mas nos momentos certos. É péssimo ser cantada por esses velhos babões de porta de boteco, ou pedreiros suados de ônibus. Argh!

Já no quarteirão da cafeteria vejo um grupo de quatro rapazes, confesso que são os primeiros rapazes bonitos que vejo pelo caminho, faço questão de usar o meu andar provocador, aquele que rebolamos, fazendo os caras imaginarem mil e uma coisas. E como de costume ouço um: “Gostosa”, dito de boca cheia, daqueles que você perde cinco quilos, de tanto que o cara te secou. Saio vitoriosa, claro.

Entro na cafeteria e sinto o cheirinho de café que tanto amo.

– Boa tarde! Por gentileza, um expresso. – A garota bonitinha, chamada Mariana entrega meu pedido rapidamente. – Faz um favor para mim? Chame o Marcos, não estou vendo ele por aqui e precisamos conversar.

– Sr. Marcos Accetti ou Marcos, nosso funcionário? Quer dizer, nem faz sentido minha pergunta, ambos saíram para comprar alguns produtos que estão faltando em estoque, logo mais estarão de volta.

– Entendi. Estou procurando por Marcos Baldo, o funcionário. Vou fazer o seguinte, darei umas voltas e daqui uma hora eu volto. Você poderia avisa-lo que Letícia está a sua procura e voltará mais tarde, caso ele volte antes de mim?

– Sim, senhora.

– Muito obrigada.

Saio da cafeteria, já vi que minha tarefa de seduzir o virgenzinho não será tão fácil quanto eu imaginava. Resolvo dar uma olhada nas lojas de roupa do bairro. Passo um, dois, três quarteirões. Do outro lado da rua vejo um vestido lindíssimo na vitrine. Atravesso na faixa e paro frente à loja. O vestido é lindo de morrer, mas na hora torna-se feio. Duzentos e cinquenta reais em um vestido?! Nem morta eu pago isso. Viro-me para jogar a embalagem do expresso no lixo e vejo uma das cenas mais chocantes da minha vida. Marcos Baldo beijando um homem, dentro de um Mitsubishi (Pelo menos é uma bicha rica). Quem diria! O melhor amigo, do filho do Pastor, tímido e reservado, chupa até o caroço da fruta que eu gosto. Essa eu tenho que registrar. Pego o meu celular e ligo a câmera.

– Diga “Xis”, Marcos! – Falo sorrindo.

O beijo está tão quente que eles nem percebem minha presença do lado de fora, tiro dez lindas fotos e saio rapidinho do local. Nem vou voltar à cafeteria, vou correndo para a reunião na casa do Pastor André, mostrar essas fotos lindas para Vinicius e arquiva-las no meu arsenal de maldades.