Amor & Pecado
17 Capítulo 17 - Dízimo
– Leiamos Deuteronômio, capítulo doze, versículo seis. Aqui irmãos, temos as ofertas principais que Deus determinou e uma delas é o dízimo. Devemos dizimar como recebemos; seja por semana, por quinzena ou por mês...
– Com licença, Pastor André. Graça e Paz! – Irmã Márcia aparece na porta principal da Igreja e a atravessa até chegar ao palco.
– Graça e Paz irmã Márcia! – Pastor André desce do palco e a recebe com um leve aperto de mãos.
– Desculpe a visita repentina Pastor, mas precisamos conversar.
– Claro que sim, por favor, sente-se. — Ambos se sentam na primeira fileira de cadeiras da Igreja. – Em que posso ajuda-la?
– Vim lhe dar boas novas Pastor, lembra-se do dia em que desabafou, dizendo que o menino Vinicius estava se afastando dos seus deveres espirituais e que não se interessa por nada que agregue responsabilidades?
– Claro que sim irmã. A senhora foi muito paciente em me ouvir naquele dia.
– Imagina, é o mínimo que posso fazer ao homem que vive para ajudar os demais. – Irmã Márcia sorri. — Creio que já saiba que Vinicius será o meu mais novo funcionário, a partir da semana que vem e vim lhe dizer que fico muito contente em poder ajuda-lo de alguma maneira.
– Irmã... Agradeço sua preocupação e interesse em nos ajudar, mas não posso permitir que a senhora tenha mais gastos, só para ajudar a colocar juízo na cabeça do meu filho.
– Terei estes gastos de qualquer maneira, um dos meus funcionários está de aviso prévio e escolhi Vinicius para substituí-lo, pois ele comentou com Letícia a necessidade de um emprego, para custear seus gastos e fazer com que o senhor se orgulhe dele.
– Então a irmã está me dizendo que Vinicius foi até a senhora pedir o emprego, por livre e espontânea vontade?
– Sim, Pastor. Pelo que tudo indica o Senhor está atendendo suas preces. Menino Vinicius está voltando a trilhar o caminho certo e tenho plena certeza que irá se aplicar mais com que se diz respeito à palavra. — Pastor André abre um enorme sorriso de satisfação, chega ser tão encantador quanto o de Vinicius. – Mas como o senhor não tem conhecimento do ocorrido? Conversei com seu menino ontem.
– Não tive a oportunidade de conversar com ele ontem irmã, ele passou a noite na casa de um dos irmãos aqui da Igreja. De certo falarei com ele hoje antes do culto.
– Entendi. Além vir avisa-lo da satisfação que tenho em poder ajudar, vim cumprir com meu dever, como o senhor dizia quando cheguei e interrompi o ensaio. – Irmã Márcia abre sua bolsa de camurça verde e tira um pacote, médio, de papel pardo e entrega ao Pastor. – Tome, meu dizimo semanal.
– Obrigado irmã, que as bênçãos do Senhor caiam sobre ti e sua família.
– Amém! – Diz irmã Márcia fechando os olhos, como se estivesse olhando para os céus e juntando as mãos como se fosse orar. – Tenho que voltar a Delicatessen, voltaremos a nos ver hoje à noite, no culto.
– Com toda certeza, irmã. – Pastor André a ajuda se levantar.
– Graça e Paz, Pastor.
– Graça e Paz, irmã.
Pastor André mantém seu sorriso encantador até ter a certeza de que irmã Márcia foi embora. Caminha até seu escritório, no andar de cima da Igreja e tranca a porta, para não ser interrompido por nenhum dos obreiros. Acomoda-se em sua cadeira e abre prazerosamente o pacote entregue a ele, é visível sua satisfação e alegria ao contar vagarosamente cada cédula de cem reais.
– “Obrigado Senhor!” – O agradecimento do Pastor está carregado de ironia. – Acho que já é possível trocar de carro. – Completa a frase com uma risada gutural.
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