Amor & Pecado

18 Capítulo 18 - Amadurecendo


– Agora entendo porque disse, que se eu me atrasasse para ir ao trabalho, no dia que nos encontramos no parque, meu patrão não se importaria. Você é meu patrão!

– Sim, eu sou o seu patrão. – Marcos ri. Ele está sentado na beirada da antiga mesa do Sr. Lauro, enquanto estou em pé, próximo à porta.

– Ok. Após esse choque, posso lhe perguntar algo?

– O que quiser Marcos, fique a vontade.

– Quando nos encontramos no parque e recusei o seu convite de sair qualquer dia desses, você frisou que seria “como amigos”, pois eu tenho namorado. Como sabia disso? Tenho certeza absoluta que não havia comentado nada, a respeito, com você antes.

Marcos fica tenso, seu sorriso se desfaz rapidamente e o silêncio toma conta do escritório.

– E então? Vai responder ou não? – Falo um pouco irritado.

Ele levanta da mesa e caminha devagar em minha direção, com seus olhos cor de mel nos meus, solta um breve suspiro.

– Não quero que pense que te persigo ou que sou algum tipo de tarado, que corre atrás de rapazes mais novos. Acontece que no dia em que nos conhecemos e fiz aquela cena, deixando meu número de telefone com você, quando sai pela porta principal da cafeteria, entrei no prédio, pelo portão lateral, pois eu já tinha a chave e fiquei esperando a sua saída. Eu poderia ter sentado em uma das mesas e ter te observado, mas, como fiquei tímido em ter sido tão atirado, preferi voltar outro dia, porém tenho certeza que não conseguiria pregar os olhos naquela noite se não te visse novamente, por isso preferi ficar escondido.

Que papo mais furado é esse?!

– Não conseguiria dormir naquela noite sem me ver novamente?! – Seguro o riso ao repetir a frase. – Essa sua história não respondeu minha pergunta.

– Deixe-me terminar. – Marcos passa a mão pelo cabelo. – Fiquei no prédio até a hora de sua saída e como você não foi um dos últimos a ir embora, você acabou saindo pela porta principal da cafeteria, a de vidro, onde os clientes entram e saem, por isso não me viu, pois me encontrava na saída de funcionários. Nesse momento vi um casal, do lado de fora. Um rapaz alto e corpulento com uma moça loira. Deduzi que fossem seus amigos, mas antes de entrarem no carro, percebi a maneira como o rapaz te olhava. Não era um simples olhar, era do tipo: “Você me pertence”.

– Então é esse o tipo de olhar que Vinicius me lança? – Rio.

– Vinicius é o nome dele então?

– Sim. – Rio novamente. – Quando você disse que era observador, eu não tinha ideia do quanto. Estou impressionado.

– Não está me achando um louco, não é? – Me pergunta sem jeito.

– Claro que não! Só é muita informação de uma vez só. Nos últimos dias pensei muito em nosso jantar, em alguns problemas pessoais, hoje descubro que você é meu patrão e, além disso, me espionou no dia em que nos conhecemos. Estou confuso.

– Você pensou em nosso jantar? – De repente um sorriso cresce em seu rosto novamente.

– Sim, pensei. – Respondo tímido. – Você é um cavalheiro Marcos.

Tudo foi muito rápido, quando minha boca se fechou, ela logo se abriu para receber sua língua. Marcos me beija com sua mão direita na maçã do meu rosto, enquanto seu braço esquerdo envolve minha cintura, deixando nossos corpos grudados. Meu coração está martelando nos ouvidos, seu cheiro amadeirado é envolvente, sua barba levemente por fazer, me causa um arrepio muito gostoso, que nunca senti com Vinicius, pois ele não tem barba. Seu gosto também é diferente, é como se fosse chocolate para diabético ou drogas para um adicto. É extremamente viciante, frenético, gostoso. Agora a mão que estava na maçã do meu rosto desce para uma das minhas nádegas, enquanto a que pousava em minha cintura, sobe em direção a minha nuca. Ao puxar meus cabelos, sinto um novo arrepio. Minhas mãos estão fechadas em suas costas, amassando sua camisa cara. Nossas bocas se separam rapidamente para tomarmos fôlego e outro beijo começa. Não sei o que está acontecendo comigo, por incrível que pareça eu não consigo parar, é mais forte que eu. Não me importo em ser surpreendido, não me importo em estar beijando meu patrão e muito menos em ser condenado pelo meu ato. Nosso beijo se prolonga por mais um ou dois minutos, sem perder o desejo do inicio e ao terminar encaixo minha cabeça em seu peito. Marcos apoia o queixo no topo da minha cabeça e ficamos ali, de pé, abraçados, sentindo nossos batimentos cardíacos e o som das nossas respirações.

– Estava com vontade de te beijar desde a primeira vez que te vi. – Fala todo bobo. Nunca pensei que deixaria um homem como Marcos nesse estado, com um único beijo. Não tinha conhecimento desse meu “poder”, se é que posso chama-lo assim e confesso que estou adorando isso.

– Precisamos ir, já faz tempo que subi para conversar com você. Daqui a pouco alguém sobe.

– Realmente, vamos descer.

Após nos recompormos, saímos do escritório e descemos a escada que da para o fundo da cafeteria, eu na frente e Marcos atrás. Congelo.

– Estava a sua procura, onde estava? – O cenho de Vinicius está franzido e seu par de olhos verdes fuzila Marcos.

– Estava em uma reunião e você faz o que aqui? – Pergunto de pronto e por incrível que pareça, sem gaguejar.

– Vim lhe buscar, já deu seu horário há vinte minutos.

– Nossa! – Digo surpreso ao olhar o relógio de parede. – Vou pegar minhas coisas. Desculpe-me a indelicadeza, Vinicius este é Marcos meu novo patrão e Marcos este é Vinicius, meu...

– Namorado! – Vinicius responde rapidamente, sem me dar a chance de dizer “amigo”.

– Muito prazer. – Marcos estende a mão para cumprimentá-lo.

– E ai, beleza? – Vinicius ignora o cumprimento e me puxa pela cintura. O que ele está fazendo?

– Beleza. – Marcos responde desconcertado e com um sorriso amarelo. – Preciso falar com Thiago. – Diz a mim. – Tenham uma boa noite. – Agora se dirige a Vinicius, que não desvia o olhar por um segundo sequer, dos olhos de Marcos.

– Boa noite. – Respondo, Vinicius permanece sério.

Após ter a certeza de que Marcos se afastou, apresso-me para buscar meus pertences. Volto com minha bolsa já nas costas, enquanto Vinicius está a minha espera na ponta do balcão principal. Vejo que seu olhar está fixo do outro lado do salão, onde Marcos conversa com Thiago. Chego ao seu lado e em questão de milésimos, sua mão grande e macia encontra a minha e caminhamos até a porta de mãos dadas.

– O que você está fazendo, Vinicius?! – Pergunto em choque e certamente de olhos arregalados.

– Amadurecendo. – Responde seco.