Notas iniciais
Oi gente, espero que gostem. Dei uma ousada... (momento pervertido, kk)

Erik me pediu um tempo para ficar sozinho. Fiquei encarando o teto por algum tempo, até começar a ouvir o som do órgão de Erik. A música raivosa de novo. Merda.


Os dias se passavam, e Erik andava estranho comigo. A barriga de grávida começou a aparecer- para meu lamento- depois de uns três meses, eu achava. Não tinha muita noção do tempo, na verdade. Eu fazia visitas aos meus pais de vez em quando, e naquele dia eu faria isso. Já fazia uma semana que eu não subia para vê-los. Já tinha decorado mais ou menos o caminho dos túneis, então pude ir sozinha, sem tirar Erik de seu isolamento. Ele nem ia perceber que eu tinha saído.


Saí pelos corredores do Teatro, a procurar pelos meus pais. As janelas nos finais dos corredores mostravam que devia ser fim da tarde. Não os encontrei em lugar nenhum por ali, de modo que eles só podiam estar no quarto deles. Eu estava certa. Michelle estava saindo do quarto quando eu cheguei.


-Ah, você estava saindo. Desculpe, não queria atrapalhar. Volto outra hora. — eu disse, me apressando em sair.


-Não, nada disso, mocinha. Eu ia exatamente te procurar. — ela disse, pondo a mão no meu ombro.


-Por quê? Sabe que nem sequer conseguiria me achar.


-É importante. Venha. — ela abriu a porta do quarto e me fez sentar numa poltrona florar no canto do quarto.


-E então...?- eu disse , impaciente, enquanto ela trancava a porta, esbaforida.


Michelle rapidamente se sentou na poltrona em frente a mim.


-Brigitte falou comigo, e ela teve notícias de Matt.


Droga.


-E daí?


-Ele meio que... Ele-fugiu-da-prisão. — ela falou num fôlego.


Arregalei os olhos, pasma.


-Como assim? Fugiu como?


-Calma. Não é a pior parte. Para onde você acha que ele foi?


-Pra cá?


-Sim, é o que nós achamos.


Que cú. Esse moleque não ia me deixar em paz nunca mais? Qual é, ele tinha que sempre ressurgir das cinzas para estragar a minha vida? Mas que saco. Quem tinha vontade de enfiar uma faca no pescoço agora era eu. Merda.


-E então? Alguém tem que fazer alguma coisa.


-Os policias estão espalhados pelo Teatro, querida. Estão disfarçados.


Ainda estava nervosa. Policiais. Espero que funcionassem dessa vez . Passei mais algum tempo conversando com ela, embora minhas mãos me incomodassem, pois estavam tremendo, e meu cérebro insistisse em não funcionar.


Quando finalmente deixei o quarto de minha mãe, segui caminho para o meu próprio quarto, correndo pelos corredores. Então, comecei a ficar sem fôlego e me lembrei de que estava grávida e barriguda. Fui obrigada a fazer uma pausa na corrida, apoiando as mãos nos joelhos e me encostando a uma parede.


-Ah, olha quem está aqui. E grávida.


Levei um susto gigante. Olhei para o lado, e vi Matt. Droga. Ele estava sorrindo, é claro, aquele sorrisinho irritante. Só então percebi que tinha parado na maldita da ala D, e que por isso estávamos isolados.


-Grávida, Cathy? Tem transado muito com o príncipe encantado, hein?


-Cala a boca. — eu disse, sem fôlega, por causa da corrida e do susto.


-Tudo bem. — Matt disse, calmo. — Eu vim só me desculpar.


-Ah, é mesmo?


-SIm. É claro.


-Não seria a primeira vez.


Ele me olhou nos olhos.


-Eu sei. Só quero que saiba que me arrependo, por tudo. Estava tentando melhorar. Ainda estou.


"Até parece." , eu pensei. Mas calei a boca, não queria gastar minhas palavras com ele. Mas Matt estava se aproximando. Ele colocou a mão sobre a minha barriga, se ajoelhando, e eu não consegui recuar, por causa do medo que me paralisava. Além do mais, se eu desse um passo para trás toparia com a parede. Merda.


-Pode ser meu filho. — ele disse, mas parecia estar apenas falando consigo mesmo, sem se lembrar que eu estava ali. Mas então ele olhou para cima. -Não pode?


-Prefiro não pensar nessa hipótese. — eu disse, incrédula.


Matt se levantou, e foi embora, depois de me encarar por algum tempo, com olhos tristes, mas desconfiados.


Saí correndo o mais rápido que eu pude para a casa do Lago. Erik estava quase dormindo na frente do órgão, tentando compor alguma coisa. Eu não queria atrapalhá-lo, mesmo porque, estranho do jeito que ele estava nos últimos meses, não mudaria em nada contar o ocorrido. Só o aborreceria. Eu tinha a impressão de que ele simplesmente não se importava mais. Nem mesmo nos casaríamos logo, ele adiara todos os planos para o casamento. Minha cabeça girava e meu corpo tremia, mas mesmo assim, não adiantaria falar com ele. Era o que eu achava.


Atravessei a sala tentando ser tão silenciosa quanto conseguia, e fui direto para o meu quarto. Deitei na cama, olhando para o teto e pensando no porquê de ter um diabo particular na minha vida. Merda. Por que Matt tinha que reaparecer sempre? Tentei evitar as lágrimas, no entanto, elas já escorriam pelas minhas bochechas. Fechei os olhos com força, tentando espantá-las, mas tudo o que consegui foi um ataque de tremedeira.


A porta se abriu e Erik veio se sentar ao meu lado.


-Que foi, Erik?


-Que foi? Ora, me diga você, Catherine, o que aconteceu?


"Como se você se importasse."


-Nada. Não se preocupe com isso, está bem? Pode voltar ao órgão, agora.


Ele me encarou, incrédulo, e eu imediatamente me arrependi de não ter pensado antes de falar.


-Está me expulsando?


-Não, Erik, é claro que não. Mas sei como você se concentra quando está compondo, portanto estou dizendo que pode ir. Não precisa perder seu tempo aqui.


Ele tomou meu rosto entre as mãos, e mágoa e culpa estavam visíveis em seus olhos.


-Acha que você é perda de tempo? Isso é absurdo.


-Eu não disse isso. E também não é uma ideia absurda.


-Eu te fiz acreditar nisso, não é? — sua expressão era angustiada — Ah, Catherine, eu não tenho cuidado de você como deveria. Há quanto tempo não ficamos juntos? Você não sabe como sinto sua falta.


Por mais que tentasse, eu não conseguia entender os adultos. Erik parecia meu pai às vezes, como realmente poderia ser, e agia de modo talvez mais estranho do que o próprio Luigi. Eu morava com ele! Ele se sentia mal por estar longe, mas ele que se distanciava. No entanto, eu sentia falta dele também, da sua voz, dos seus toques, dos seus beijos...


-Eu estou bem aqui. — eu murmurei, enquanto Erik secava as minhas lágrimas.


-É, eu sei. Me desculpe. — ele olhou nos meus olhos, avaliando a minha expressão — Vai me contar o que aconteceu agora?


Respirei fundo, e o tremor, que Erik aliviara por um momento, simplesmente por estar perto, voltara — e voltara violento.


-Catherine? — ele perguntou.


-Ah, meu Deus! Não me pressione, certo? Matt está de volta. Ele fugiu.


Erik estava, obviamente, tentando não se surpreender nem se estressar, para conseguir me acalmar depois.


-E por que você acha que ele veio para cá?


-Porque eu o vi! — exclamei, surpresa pelo meu próprio desespero.


-Ele te ameaçou? O que aconteceu?


-Não, ele não me ameaçou. Ele disse que queria se desculpar, mas eu não acredito nele.


-Eu também não.


Resolvi não contar que Matt também achava que o filho era dele, porque Erik stava tão perto, e aquela criança já era, mesmo que inconscientemente — não a estou culpando, não entendam mal — o motivo da discórdia entre nós dois. Agora ele estava tão perto, eu não ia deixar ele se afastar de novo. Não tocaria no assunto da gravidez. Não podia.


-Você... você não vai mais subir sem mim, certo? Não pode ficar sozinha com Matt a solta.


Eu dei um sorriso torto para ele. Ele estava se preocupando. Erik ainda gostava de mim. Espero que tanto quanto eu gostava dele. Tanto quanto eu o amava. Mas o sorriso não chegou aos meus olhos.


-O que está te deixando triste, Cathy?


-Nada. — respondi, rápido demais.


Ele se debruçou sobre mim, enlaçando os dedos em meus cabelos.


-Sabe que pode me contar qualquer coisa, não sabe? Ou não confia mais em mim?


Arregalei os olhos com essa ideia absurda.


-Isso é absurdo. Só pense, se tivesse algum motivo para estar triste neste exato momento, qual seria?


Erik pensou por um momento, me observando cautelosamente.


-Acho que a distância que acabamos criando, Cathy. É, com certeza estou triste por causa disso.


exatamente por isso que eu estou triste, Erik.


Ele sorriu.


-Se é por isso, então acho melhor pensar em uma mudança de humor rápida. Que tal?


Erik passou as mãos por debaixo da minha camiseta. Eu não o respondi, só puxei seu rosto para perto e o beijei, explodindo de desejo. Nossas línguas dançavam, enquanto aos poucos, nós dois ficavamos sem roupa. Interrompemos o beijo para respirar, depois de um longo momento, e Erik passou a beijar meus ombros, pescoço, colo e seios, enquanto eu arranhava suas costas, gemendo.


Eu estava apenas começando a perceber a extensão do poder que ele, mesmo que sem intenção, possuia sobre mim; e a imensidão das saudades que eu sentia dele. Tudo o que eu queria fazer era puxá-lo para mim.


Erik me beijou de novo, e prendendo meus braços sob os seus, penetrou. Eu gemi o nome dele baixinho, enquanto passava meus braços ao redor de seu pescoço, libertando-me, sentindo seus lábios quentes em meu corpo.


-Está triste agora? — Erik perguntou baixinho, mordendo a minha orelha.


-Não. Com toda a certeza, não. — eu falei me concentrando em manter minha voz firme.


Ele riu um pouquinho, e nós chegamos ao ápice juntos. Ah. Meu. Deus. Como eu pude ficar tanto tempo longe dele? Como? Que tipo de monstro eu era?


Erik saiu de cima de mim e me abraçou por trás, as mãos deslizando pela minha cintura. Àquela altura a cama já estava completamente bagunçada, e ele só teve que erguer um braço para puxar o cobertor sobre nós, e então Erik me apertou com mais força contra si.


-Sabe que eu te amo, não sabe, pequena? Sabe que eu vou te proteger de tudo?


Eu me limitei a sorrir. Estava feliz por estar com Erik de novo, por ter conseguido trazê-lo de volta para mim, e por ouvir ele dizer que me amava. Matt parecia minúsculo perto disso tudo, mas eu já conhecia a sua fúria, e me assustava com a ideia de ele estar a solta. Mas agora Erik me protegeria, não precisava ficar com medo. Certo?


E, novamente, eu dormi em seus braços.

Notas finais
Mereço reviews, né?
Bjos,
Luna :*