Amor Impossível?
13 Reencontro
Notas iniciais
Acordei dessa vez sem ser com o barulho do despertador e sim, com a claridade do sol batendo em meu rosto. Levantei-me meio sonolenta e fechei a cortina, ainda me restava alguns minutos para descansar um pouco mais, entretanto resolvi começar a me arrumar mesmo. Peguei uma roupa qualquer e fui fazer minha higiene matinal, enquanto refletia sobre o sonho que tive. Por que eu estava falando do Natsu? Quer dizer, a melhor pergunta a se fazer é: Por que eu sonhei justamente com o Natsu e eu queria vê-lo novamente? Ninguém em sã consciência quer ficar junto desse demônio, com certeza aquela garota não era eu, afinal, foi apenas um sonho é tudo coisa da minha cabeça. Mas porquê não parece ser um sonho?
Arrumei-me tranquilamente, tinha bastante tempo então corria risco de me atrasar. Saí do meu quarto totalmente pronta e com a mochila pendurada no ombro direito, desci a escada, passei pela cozinha para pegar uma maçã e aproveitei e dei um beijo em minha mãe, depois disso fui à escola com um único pensamento: Por que o Natsu?
Quando cheguei na minha amada e querida escola, avistei uma baixinha aparentemente nervosa, conforme uma ruiva apontava em minha direção.
– Lu-chan!- Exclamou Levy, correndo até minha pessoa. — O que aconteceu que você sumiu na balada? E ontem não deu nenhum sinal que estava bem? — Parece que Erza não contou nada a ela, ainda bem.
– Bom dia para você também. — Falei rindo, para fingir que estava nervosa e que não sabia que desculpa dar. — Hã... Bom, ontem eu estava em casa e você sabe que não gosto de balada, aquele som alto, os caras bêbados que ficam tentando te agarrar, não aguentava mais aquilo, então resolvi ir embora. Só que acabei não conseguindo encontrar vocês e fui embora, quando chega-se em casa mandaria uma mensagem avisando, mas esqueci. Desculpe-me! — A azulada pareceu relaxar depois disso. Não queria contar nada disso para ela, porque sabia que ela iria me matar e também, porque eu não tinha certeza do que aconteceu.
– Atá, então tudo bem. Mas mudando de assunto, o Gray já chegou de viagem e já está aqui. — Falou animada.
– Sério? Cadê ele? — Perguntei, eufórica. — Fala logo, Levy-chan! Estou com saudades dele.
– Ele já está na sala e também está morrendo de saudades.
– Então vamos logo! — Exclamei, puxando a azulada e uma ruiva muito calada pela mão.
Assim que cheguei na sala pude avistar o Gray mexendo com um certo rosado, eles se conhecem? Mas de onde? Isso não importa, saí correndo em sua direção e pulei no seu pescoço, por pouco não caímos no chão, afinal, ele não esperava isso.
– Lucy?! — Disse retribuindo o abraço e me girando no ar, logo assim percebeu quem era.
Conheci o Gray por causa da Levy, eles são primos e as vezes quando a baixinha ía brincar na minha casa ela levava ele, então acabamos nos tornando amigos. Parando para pensar, eu acho que na verdade não sou uma pessoa tão solitária, sou eu que gosto de ficar quieta no meu canto, por causa disso as pessoas devem pensar que sou estranha e antissocial, quer dizer, eu sou antissocial.
Sim, conheci a Levy quando eu era criança, porém, fui morar no exterior depois de um acontecimento com a minha família, não me lembro muito bem do que aconteceu e sempre que a lembrança vem, nunca deixo ela ficar por muito tempo. Quando voltei ao Japão, não tinha a reconhecido, mas no dia que tivemos que fazer um trabalho em grupo, ela veio falar comigo sobre isso e também me lembrou de Gray.
– Lucy, como você cresceu! — Falou, impressionado e me olhando de cima a baixo, acabei corando um pouco com isso.
– E você parece que ainda continua com esse mau hábito, suas roubas.
Assim que falei ele tratou de colocar a roupa e logo em seguida o professor entrou na sala e pediu para que fossemos nos sentar e que haviam alunos novos. Antes que eu fosse para o meu lugar olhei para o Não Natsu e ele estava com uma expressão tão séria, não, ele estava irritado. Mas por que ele estava assim? Ah, dane-se, tudo o que diz respeito ao Natsu não me importa.
O professor chamou o Gray para ir até a frente da sala, o mesmo que antes havia acabada de sentar, se levantou e foi meio envergonhado até o centro da sala.
– Bom dia, turma! Esse é o nosso novo aluno, por favor se apresente.
– Olá, sou Gray Fullbuster. Espero que sejamos amigos.
Pude ouvir várias garotas suspirarem e falarem muitas coisas maliciosas, eu apenas revirei os olhos, essas garotas não podiam ver um garoto novo que já queriam atacar. Chamei-o para sentar junto com a gente, mas ele preferiu sentar junto com o Natsu e logo assim ele se sentou a porta da sala foi aberta violentamente, na mesma se encontrava uma garota de cabelos azulados ofegante.
– Desculpa pelo atraso, professor.
– Ah, você deve ser a outra aluna nova, Juvia Luxer, certo?
– Isso. — Ela confirmou, já respirando normalmente.
– Pode vir até aqui no centro da sala e se apresentar. — O professor Macao falou, carinhosamente.
– Oi, Juvia está muito feliz e espera ser amiga de todos. — Terminou, com um sorriso meigo.
Os garotos começaram a falar: "Vem sentar aqui, gatinha!", e outras frases muito mais maliciosas. O professor mandou que ficassem quietos, mas era em vão.
– Ei! Se não pararem de falar essas coisas, vou arrebentar a cara de todos vocês.
O olhar do moreno era assustador e no mesmo momento todos ficaram calados, até mesmo eu fiquei com medo. Logo assim Gray reparou o que tinha feito, se sentou meio envergonhado, enquanto uma Juvia ficava mais vermelha que um tomate, disse apenas um pequeno obrigado e veio sentar perto de nós três.
– Oi, meninas! — Nos cumprimentou, sentando atrás de Erza.
– Olá, Juvia! — Falamos juntas.
– O que hou que chegou atrasada? — A ruiva perguntou.
– Juvia perdeu a hora e demorou para encontrar a sala.
– Está explicado. Isso quer dizer que você ainda não viu como é o colégio, então na hora do intervalo te mostraremos e para o Gray também. — Levy falou entusiasmada, conforme a outra azulada confirmou sorrindo e um pouco corada. Por que ela estava assim? Será que está bem?
O professor Macao começou a passar a matéria no quadro e eu copiava junto com ele. Quando terminou de passar no quadro, deu alguns minutos para a turma acabar de copiar e então poder explicar. A turma toda ficou em silêncio, até mesmo os amiguinhos do gramlin rosa estavam quietos e copiando, o que era um milagre, devia ser porque era o último ano deles, duvido muito, mas pra tudo tem uma primeira vez. Olhei para o rosado e ele conversava animadamente com o Gray, porém ainda estava um pouco sério e também copiava a matéria, hoje o dia estava muito estranho. Parei de ficar o olhando e virei-me para o professor, que ia começar a explicação.
A aula passou tranquilamente, ninguém gritou, fez guerra de borracha e nem dormiram, isso já estava passando dos limiteis da estranheza. O sinal tocou e o professor nos liberou, rapidamente Gray veio para o nosso lado, perguntamos a ele se queria conhecer a escola e ele concordou animado.
– Gray-sama, obrigada pelo o que fez por Juvia. — A azulada agradeceu meio envergonhada.
– Não foi nada, não precisa agradecer e também, pode me chamar apenas de Gray. — Disso sorrindo.
– Então, vocês vão querer começar por onde? — Perguntei, me aproximando dos dois.
– Uhm, não sei. — O moreno ficou com um ar pensativo. — Que tal se eu fizesse... cócegas? — Ele veio para cima de mim e começou a fazer cosquinha por toda minha barriga.
– N-Não, para pa-para. — Implorei, quase sem fôlego.
– Só se me chamar de Onii-san e me dar um beijo na bochecha. — Ordenou, fingindo estar magoado e apontando para a bochecha.
– Tá bom, ma-mas só se vo-você parar. — Assim que falei, ele parou. — Ohayooo, Onii-san! — Falei igual uma criança e dei um beijo rápido em sua bochecha.
– Assim está bem melhor. — Disse, me abraçando.
– Rival do amor. — Juvia falou baixinho, quase imperceptível mas consegui ouvir. Não entendi porquê disse isso, mas deixa pra lá.
Começamos a fazer o "tour" pelo colégio, mostramos a sala de música, as quadras, a piscina e os vestiários, entre outros lugares. Fizemos tudo isso apenas em vinte minutos, foi a primeira vez que fizemos tão rápido, então aproveitamos que ainda faltava dez minutos e sentamos em uma mesa qualquer do pátio e começamos a colocar todo o papo em dia, -é claro que o Gray foi o que mais falou.
Desviei o olhar e vi que o Natsu estava vindo na nossa direção junto do Gajeel, Que droga! Não tinham outro lugar para ir? Pelo menos parece que eles não nos perceberam.
– Natsu, vem cá! Senta aqui com a gente. — Obrigada Gray, depois desse seu grito eles nem vão reparar que estamos aqui.
O rosado abriu a boca para dizer alguma coisa, entretanto, antes ele olhou na minha direção e depois para o Gray ao meu lado, seu rosto fechou no mesmo instante. Qual o problema dele?
– Não, valeu. Vamos sentar ali!
Ele deu as costas e foi embora, o moreno ao seu lado mando uma piscada e um pequeno sorriso travesso, mas é claro que aquilo não foi para mim. Virei-me para as garotas e vi a Levy-chan muito corada. O que isso quer dizer?
– Já volto. — Gray falou se levantando e indo na mesma direção que Natsu.
Logo em seguida ele saiu, me virei para Levy e assim poder perguntá-la o que tinha sido aquilo que vi, porém, o sinal me interrompeu avisando que já estava na hora de subirmos, mas ela não iria fugir.
Quando chegamos na sala, nos sentamos em nossos respectivos lugares, esperei alguns segundo, percebi que o professor iria demorar um pouco a chegar, então resolvi perguntar logo, antes que fosse tarde.
– Levy-chan, o que foi aquela piscada que o Gajeel mandou para você? — A azulada que antes estava tão entretida na conversa, com as outras garotas, se engasgou e quase caiu da cadeira.
– Quê? Que piscada? — Perguntou, tentando respirar normalmente e com a voz embargada, por causa do engasgo.
– Ah, você sabe muito bem. — Falei de modo acusador. — Quando estávamos na hora doo intervalo e antes dele ir embora com o Natsu, aquela ameba, ele mando uma piscada e ainda sorriu para você, que na hora ficou muito vermelha.
– Fiquei nada e eu nem percebi que ele fez isso. E também, porquê eu iria ficar vermelha por uma ação daquele brutamonte? — Falou, tentando dar de ombro, porém era notável o seu nervosismo.
– Não sei, talvez... — Antes que que eu pudesse completar a frase, o professor Jellal entrou na sala e Erza quase desmaiou.
– Erza-san, você está bem? — Juvia perguntou, preocupada e colocando uma mão no ombro direito da ruiva.
– Fica tranquila, Juvia. Esse é a paixão da Erza, sempre que ele entra na sala ela fica assim.
– Cala a boca, Levy! — Erza falou tentando esconder o nervosismo, mas o seu rosto estava no mesmo tom de seu cabelo.
– Ah, Erza não adianta negar que você gosta dele, não adianta mesmo e também sei que você ainda deseja que ele seja o seu namorado. — A ruiva ficou ainda mais vermelha, abria e fechava a boca sem saber o que falar.
– É sério? Nossa Erza-sa, Juvia não sabia que era tão safada assim ao ponto de querer pegar até mesmo o próprio professor.
As duas primas começaram a rir descontroladamente, fazendo com que cora-se ainda mais — se é que isso era possível -, pensei que a qualquer momento ela poderia explodir de tanta vergonha, porém não pude me conter e acabei rindo também.
– Falando em namorado. Você chegou a ter algum lá na Rússia, Juvia? — Levy-chan perguntou, maliciosamente.
Pronto, e essa foi a deixa para as três começarem a falar sobre ex-namorados e para ajudar, o professor ainda falou que esperaria alguns minutos para o pessoas chegar do intervalo. Pelo menos tinha pensado que havia fugido desse assunto por estar quieta, pelo contrário.
– E você, Lucy? — A ruiva perguntou.
– O que tem eu? — Perguntei, ficando um pouco nervosa pelo o que viria pela frente.
– Ué, você já teve algum namorado?
– Duvido, pelo jeito que ela é calada e por nunca ter tocado nesse assunto, acho muito improvável que já tenha tido um. — Levy-chan falou, de um jeito para me provocar.
Acabei ficando muito nervosa e não sabia o que falar, o pior é que era verdade, mas sempre que duvidavam de mim eu queria provar que a pessoa estava errada. Eu nunca tinha namorado antes e o meu primeiro beijo foi com o Natsu, no dia que ficamos presos na sala, por causa do incêndio, como também os outros e só de lembrar me dar náuseas de novo.
– Hã... quem disse? É claro que já tive, na verdade eu tenho. — Falei convencida.
– É mesmo? E quem seria? — Levy-chan perguntou, desconfiada.
– O Gray, é claro. — Assim que falei o mesmo entrou na sala, veio para o meu lado e passou um braço em volta de mim. Graças a Deus, o Gray passou por aquela porta nesse exato momento, se não eu não saberia o que fazer depois.
– O quê? Não acredito.
– O que foi Levy? — O moreno perguntou preocupado, afinal sua prima ficou pálida e começou a soar frio.
– Falei pra ela que estamos namorando. — Explique, abrindo um largo sorriso.
– Hã? Namorando? — Dei uma cotovelada discreta em sua barriga. — É-É... nós estamos namorando. Quer que a gente se beije? — Arregalei os olhos e o olhei assustada, assim como as garotas. Ele sabe que é tudo mentira, então porquê falou isso?
– Não, não precisa. — Levy-chan, que antes tamanho o susto havia se levantado, agora estava sentada tentando se acalmar.
– Por que você nunca nos contou, Lucy? — Erza perguntou.
Antes que eu pudesse responder, Levy-chan acabou desmaiando e caiu no chão, quase que eu desmaiei depois de tão nervosa que fiquei. Todos na sala pararam de conversar, brigar ou de fazer qualquer outra coisa e olharam na nossa direção assustados. Não fazia menor ideia do que fazer e ela só tinha desmaiado, porque eu havia mentindo. Ai, Senhor! Cada vez fica mais difícil.
"A mentira é muita vezes tão involuntária como a respiração."
(Machado de Assis)
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