Amor Impossível?
14 Admite
Notas iniciais
Fazia pouco tempo que o professor de matemática se encontrava na sala e deu um tempinho para o pessoal terminar de chegar do intervalo. A lembrança de Lucy abraçando o Gray assim que chegou na sala e cena deles dois sentados um do lado do outro na hora do intervalo, vieram a tona. O que eles devem ser? Será que são namorados? Claro que não, pensamento idiota Natsu. Eles devem ser apenas amigos, isso aí, amigos.
Assusto-me, com barulho de cadeiras sendo arrastadas e percebo que Gajeel não estava mais sentado atrás de mim, e sim, correndo para o outro lado da sala e pegando uma pequena azulada e saindo rapidamente da sala, ela parecia ter desmaiado. Logo em seguida uma loira, a estranha, vai atrás também, meu corpo age por conta própria e quando dou por mim, já estou indo atrás da mesma.
Ela não corria, parecia até que não queria ser descobertar pelo Gajeel, porém não dava nem para ver sua sombra, provavelmente ele já deveria estar lá na enfermaria. Fui atrás dela também de modo cauteloso e assim poder ver o que realmente a loira queria fazer.
Havia uma enfermaria no mesmo andar da nossa sala, mas ela ficava quase do outro lado do prédio, então era um pouquinho distante — não sei porquê raios fizeram uma enfermaria tão longe. A loira parou no corredor e olhou para os dois lados, provavelmente ela deveria estar olhando se tinha um inspetor, por isso estava andando tão devagar, para não ser descoberta, apesar do Gajeel não ter dado a mínima. Aproximei-me as poucos da loirinha até me encontrar bem atrás dela e coloquei minha mão em seu ombro, a mesma estremeceu, soltou um gritinho e desmaiou.
– Ah, que droga! Não acredito que você se assustou tanto assim ao ponto de desmaiar. — Reclamei, segurando-a com um pouco de dificuldade e tentando pegá-la no colo. — Ai, porquê você tinha que ser tão pesada? E essa já é a segunda vez que preciso te pegar no colo, acho que deveria começar a cobrar?
Quando finalmente consigo ajeitar a cabeça de ovo, começo a andar para levá-la até a enfermaria também, entretanto sou parado antes que eu consegui-se dar o meu terceiro passo. Que merda! Isso é porque ninguém sabe o quanto que ela pesa, senão teriam me deixado ir feliz e não me parado.
– Natsu, o que está fazendo com a minha namorada no colo? — Gray perguntou, me virando e assim poder encará-lo.
– Namorada? — Senti uma dor aguda no peito, só não sei explicar o motivo, deve ser o esforço que estou fazendo.
– Sim, o que aconteceu? — O moreno perguntou, preocupado.
– Ela desmaiou, não está vendo? Estou a levando até a enfermaria.
– Por que está irritado?
– Quem disse que estou, agora me dá licença.
– Espera, você está assim desde de manhã. — Falou, colocando a mão em meu ombro e me parando novamente.
– Depois a gente conversa, primeiro vou levá-la, aliás a enfermeira precisa vê-la e ela já está pesando. — Falei, um pouco irritado e dei as costas, saindo andando.
Quando cheguei na enfermaria, Gajeel discutia com a enfermeira Poluschyka sobre alguma coisa dele ter que sair, porém assim que eles me viram pararam de discutir imediatamente e a mulher já de idade avançada, cabelos róseos iguais aos meus e expressão severa, veio em minha direção mandando que eu deita-se a Lucy em uma maca ali perto, ao lado de sua amiga e logo em seguida me expulsou, junto do moreno.
Gray me esperava do lado de foram e me levou para um outro lugar, enquanto Gajeel permaneceu no mesmo lugar dizendo que esperaria a enfermeira dar alguma notícia sobre as duas. Ainda estávamos no mesmo corredor, só que bem afastado da enfermaria e de frente para o banheiro masculino.
– Pornto! Fale-me Natsu, porquê está assim? — Perguntou, cruzando os braços e de modo sério.
– Assim como? — Tentei dar de ombro, mas era difícil disfarçar que estava com raiva desde quando o vi junto de Lucy.
– Desde quando você me viu junto de Lucy ficou todo estranho e nervoso, diferente do jeito que você estava assim que me viu.
– Eu não estou e também, porquê eu ficaria? — Falei, também cruzando os braços e tentando ao máximo disfarçar meu nervosismo.
– Você deveria me dizer, mas irei arriscar um palpite, talvez seja... porque você gosta dela. — Comecei a rir descontroladamente, enquanto o moreno apenas me olhava sério.
– Eu não gosto dela. — Respondi, direto e seco.
– Natsu, eu percebi o modo como tentou disfarçar sua raiva sempre que nos via juntos e também percebi suas olhas discretas que lançava em sua direção ao decorrer da aula. E olha que nem precisei de um dia para perceber isso, imagina ao decorrer dos outros.
– Eu tenho olhos pra quê? Para olhar, não é? Então eu posso olhar para qualquer lugar, porém isso não quer dizer que eu estava olhando para ela.
– Mas você olha de outro jeito.
– Olho do mesmo jeito que olho para as outras garotas. — Falei, querendo terminar logo com esse assunto e ir embora, não queria mais falar sobre aquilo.
– Natsu, fala logo que gosta dela.
– Eu já respondi. — Retruquei, falando pausadamente.
– Então se você não quer admitir, não ache estranho ou fique todo irritadinho quando entrar na sala e ver um moreno e uma certa loira se beijando. — Meu sangue ferveu após esse comentário e sem pensar duas vezes acabei revidando.
– Ela é minha. — Por que raios acabei de falar isso? Ela não é nada minha ou menos sinto algo por ela, para ficar com raiva e falar isso.
– É mesmo? Isso quer dizer que finalmente se declarou? — Falou, de modo provocativo, o que estava me deixando ainda mais irritado.
– Isso não tem nada a ver, eu decido se irei gostar dela ou não, algum dia. Agora será que posso voltar para a sala? — Fiz uma pergunta retórica e dei as costas.
Voltei para a sala bufando, mas porquê eu estava tão irritado? Tentei me acalmar e assim que cheguei na sala surpreendo-me com o que vejo, Erza gritava com o professor Jellal para que pude-se ver como Levy estava e assim, que ela percebeu minha presença, veio correndo em minha direção igual um bicho e fazendo várias perguntas: "Como a Levy está?; "Cadê Lucy? Eu sei que a seguiu." Essas foram as únicas perguntas que consegui entender, as outras não faço a menor ideia.
A nova aluna, se eu não me engano seu nome era Juvia, com a ajuda do professor fizeram com que a ruiva se senta-se e tenta-se se acalmar.
– Hã... bom, não consegui perguntar como ela estava nem Lucy, porque a enfermeira Polu...
– Quê? O que aconteceu com a Lucy? — Perguntou, me interrompendo e me segurando pelos ombros, desesperada.
– Vou buscar um copo d'água pra ela. — O professor falou, saindo logo em seguida.
– Quando fui falar com ela, a loira acabou se assustando e desmaiando, então a levei até a enfermaria, só que a enfermeira Polushyka nos expulsou. — Expliquei, enquanto ela se sentava novamente.
– Vou lá agora! — Exclamou, se levantando e caminhando em direção a porta.
– Não, não, não, aqui sua água. — Professor Jellal chegou na hora lhe entregando o copo com água.
– Eu não quero água! Vou lá agora e se aquela mulher não deixar, não responderei pelos meus atos.
Todos na sala estavam perplexos, inclusive eu. Nunca tinhamos visto Erza daquele jeito, era muito assustador. Isso entra na minha lista de coisas de que nunca devo fazer: Nunca irritar ou deixar Erza Scarlet preocupada.
– Erza, olha pra mim! — O azulado segurou seu rosto com as duas mãos e virou seu rosto, para que olha-se em seus olhos. — Suas amigas estão bem, assim que a outra aula acabar você e sua outra amiga, Juvia, poderão ir lá vê-las. Agora, você vai sentar e tentar se acalmar, tá bom? — A mesma apenas meneou a cabeça em confirmação.
Assim que o professor percebeu que a ruiva havia acalmado um pouco, falou com Juvia para cuidar dela e me mandou impedí-la, caso a ruiva tenta-se ir até a enfermaria e antes que eu pude-se protestar o mesmo foi embora. Logo em seguida o professor Rufus entrou, mandando que nos sentassemos em nosso lugar. Como fiquei encarregado de impedir Erza, se a louca tenta-se algo, peguei as minhas coisas e sentei no lugar da loira.
A aula correu tranquila, Erza aprentava ter se acalmada, todo mundo fez o trabalho que o professor passou, inclusive eu. Depois que todos entregaram o trabalho, o professor começou a falar coisas aleatórias e um pouco antes da aula acabar Erza correu em desparada, Juvia foi logo atrás e fazendo com que eu não consegui-se impedí-las e assim que ela passou pela porta, o diretor Makarov entrou na sala, acabando com qualquer possibilidade de ir atrás das duas.
– Boa tarde, alunos! — Ele cumprimentou, parando no meio da sala.
Ele era um senhor já de idade bem avançada, sua estatura era muito baixa, praticamente um hobbit, o meio de sua cabeça era careca e o pouco cabelo que ainda tinha e o bigode era grisalhos. O diretor era muito divertido e engraçado, porém quando tinha que dar uma bronca, conseguia ser assustador.
– Estou desde de manhã pensando em todas as salas do 3º ano, para avisar que nessas férias de meio de ano haverá um passeio para uma pausada. — Toda a turma gritou de animação. — Porém... a única turma que poderá fazer essa viagem, é a que tiver as melhores notas até lá.
Realmente estava sendo muito bom pra ser verdade. Nunca que vamos conseguir, nós sempre somo a pior turma, duvido que seremos diferentes diferentes nesses dois bimestres.
Logo depois que o diretor deu o recado nos desejou boa sorte e foi embora. O professor nos liberou e antes de que eu saí-se da sala percebi que as garotas só levaram os materiais delas e da baixinha, mas o da loira ficou para trás. Hesitei por um momento até que decidi arrumar as coisas de Lucy e levar pra ela na enfermaria. Realmente hoje ela estava exigindo muito da minha gentileza.
Quando cheguei na enfermaria achei estranho estar tão calmo, mas parece que tinha acontecido alguma coisa discução, porque a enfermeira Polushyka se encontrava sentada e lançando um olhar raivoso para Erza, que a ignorava.
Percebi que Lucy e sua amiga estavam acordadas, Gajeel estava sentado do lado da maca da azulada, enquanto Erza, Juvia e Gray estavam em pé diante das duas. Assim que dei um passo para me aproximar, Lucy percebeu eu chegando e me olhou de cara feia.
– Está bem? — A pergunta escapou de minha boca.
– Não te interessa.
– Lucy-san! — Repreendeu-a Juvia.
– Sim, o que está fazendo aqui? — Comecei a me irritar.
– Tsc, mal agradecida.
– Quê? Por tua causa que estou aqui.
– Não é minha culpa se você se assuta a toa.
– Mas foi você que chegou de fininho.
– Ah, dane-se! Só vim trazer sua mochila, porque as suas amigas esqueceram de trazer e você deveria me agradecer.
– Por causa de quê? — Dei um riso incrédulo.
– Ainda pergunta? Trouxe sua mochila e quando você desmaiou ainda tive que te carregar até aqui, sabia que você pesa pra caramba? Meus braços ainda estão doendo. — Esfreguei meus braços, como se quisesse aliviá-los e isso fez com que ela fica-se ainda mais irritada.
– Tá me chamando de gorda?
– E você ainda tem dúvida? Se eu fosse você começaria uma dieta urgentemente.
– Nossa! Você dois parecem duas criancinhas! — Juvia comentou rindo, enquanto os outros apenas balançavam a cabeça confirmando.
– Quem aqui é criança? — Lucy e eu gritamos juntos.
– Fiquem quietos! Vocês não percebem que estão dentro de uma enfermaria e devem fazer silêncio? — Poluschyka perguntou estressada e se colocando de pé.
– Mas só tem a gente aqui. — Lucy falou, tentando argumentar.
– Eu estou aqui e odeio que fiquem fazendo bagunça onde estou, ou seja, se já estiverem melhores acho bom que todos você vão para a casa de vocês, agora.
Não pensamos nem duas vezes em tentar questionar, muito menos continuar no mesmo recinto que aquela velha assustadora. Pegamos nossas mochilas e fizemos o que ela mandou, fomos embora o mais rápido possível.
Já estávamos na rua, Gajeel ia na frente ao lado da baixinha junto de Erza e Juvia, eles conversavam animadamente — por incrível que paresa. Do nada ele ficou tão próximo daquela azulada e ele mesmo ficava falando tão mal dela, o que será que aconteceu?
Logo atrás deles quatro Gray e Lucy vinham de mãos dadas, conversando e implicando um com o outro, fez com que eu fica-se um pouco irritado e também um pouco... triste? Será que é essa a palavra que descreve o que estou sentindo? Não sei, porém é por causa disso que estou vindo atrás de todo mundo, andando calmamente e tentando olhar para qual outro lugar, menos eles dois.
Pouco tempo depois, as duas azuladas e a ruiva viraram à direita, conforme Gray e Gajeel viraram para o lado contrário, deixando assim eu e Lucy sozinhos, um do lado do outro e em um silêncio super desconfortável pelo menos para mim e também parece que depois de todos terem ido embora ela ficou um pouco irritada. Queria falar alguma coisa antes de chegar em sua casa e também para quebrar aquele silêncio, mas não sabia o que dizer.
– Uhm, como você está? — Perguntei, coçando a cabeça por estar nervoso, enquanto Lucy apenas suspirou.
– Porquê está se preocupando? — Perguntou, visivelmente desconfiada.
– Não posso nem ser educado? — Questionei, virando o rosto igual uma criança quando está irritada.
– Desculpa. Estou bem e também sei que você não fez aquilo por querer. — A olhei abismado. — Que foi?
– Acho que você ainda não está bem! Você me pediu desculpa.
– Ah, cala a boca! E isso não foi nem um pedido de desculpa. — Por mais que a loira não quisesse rir, um risinho acabou escapando de sua boca. Naquele momento mesmo estando estranha igual a todos os dias, aquele singelo sorriso era fofo nela de certo modo.
Ficamos em silêncio novamente, entretanto, dessa vez não estava tão estranha a atmosfera entre nós dois. Já estávamos chegando chegando na casa da loira, dessa vez prestei melhor atenção em sua casa: era grande, porém não exageradamente, possuí dois andares, era em um tom de salmão bem claro igual ao do muro, muito bonita e também parecia ser muito aconchegante e, provavelmente devia ter um belo jardim, apesar de não dar pra ver.
Finalmente chegamos em seu portão, parando em frente do mesmo e quando ela estava prestes a abrí-lo resolvi perguntar.
– Você está mesmo namorando o Gray? — Lucy virou meio confusa, abriu e fechou a boca umas duas vezes mas nada saiu.
– Hã? Por que a pergunta?
– Ele que falou, é verdade? — Perguntei, me aproximando.
– Por que quer saber? — Disse um pouco nervosa.
– Por que não quer responder? — Rebati com outra pergunta.
– Não é isso, só quero saber qual é o motivo para você estar tão interessado nisso.
Agora ela estava contra o muro e percebi que estava muito nervosa, com a minha proximidade, aproveitei e colei minha testa na sua, fazendo com que ela se contrai-se ainda mais contra o muro.
– A resposta é fácil, sim ou não, então porquê está tão nervosa? — Perguntei, com uma voz sedutora e olhando profundamente em seus olhos.
– Sim, qual o problema? — Perguntou, tentando mostrar seriedade, porém sua voz lhe traiu e saiu fraca.
– E ele também te deixa sem reação quando está perto de você?
Colei meus lábios aos seus, primeiro dei um selinho demorado, depois comecei a beijá-la, mas não aprofundei e nem demorei muito. Distanciei-me um pouco, porém continuando bem próximo dela.
– Aceito isso como um não. Agora, acho, acho melhor você entrar, tchau Luidgi.
Dei as costa e comecei a andar tranquilamente, deixando uma loira sem ação e esperando ela recobrar a consciência e começar a gritar comigo, por ter falado seu nome errado de propósito.
– Meu nome é Lu-cy, idiota. Por acaso fugiu da escola quando criança? — Finalmente ela gritou e pude ouvir o barulho do portão batendo.
Apenas comecei a rir e continuei andando tranquilamente, como se não tivesse feito nada de errado. Fui até em casa me sentindo leve e praticamente a cada cinco minutos me pegava com um largo sorriso no rosto, mas rapidamente o desfazia para logo em seguir ressurgir.
"Por qual motivo na maioria das vezes, tentamos não reconhecer o que sentimos por outra pessoa?"
(Minha autoria)
Fale com o autor