Amor Impossível?
5 Mais Confusões
Notas iniciais
O professor falou que ainda tinha uma pessoa na sala de aula, então sem nem ao menos pensar duas vezes voltei lá para dentro a procura. A fumaça ainda estava muito densa, não havia como enxergar direito, entretanto pude ouvir uma voz fraca e meio engasgada pedindo ajuda. Fui em direção a voz e em pouco tempo encontrei uma garota, pois mesmo não dando para ver seu rosto, percebi quando coloquei minha mão em sua cintura fina, falei que fica-se calma e que a tiraria dali.
– Lucy! — Ouço alguém gritá-la do lado de fora, logo em seguida soltei a mesma e a empurrei para o lado, tento sair mas a porta está trancada e o sistema de incêndio havia sido acionado, por causa da fumaça.
Escondi-me embaixo da mesa, para não me molhar tanto. Quando finalmente a fumaça abaixa um pouco, percebo que a garota careta estava caída no chão toda molhada, resolvi chegar mais perto e pude perceber que estava tremendo, deduzi que deveria estar sentindo muito frio, então tirei seu moletom todo encharcado e vesti-a com minha blusa que estava praticamente seca, havia apenas algumas partes úmidas. Nossa, eu sei que não é um momento muito legal para eu estar prestando atenção nisso, porém, ela tem belos seios! Balancei minha cabeça para afastar aquele pensamento, pensei em colocá-la em meu colo para aquecê-la, mas isso já seria querer muito da minha gentileza.
Fui até a porta e tentei a abrir, mas a mesma nem se moveu, então sentei-me na cadeira do professor, e finalmente o sistema de incêndio começou a parar, bom... pelo menos os extintores no teto, mesmo assim ainda deixou meus cabelos um pouco molhado e minha calça em algumas partes úmidas.
Depois de alguns minutos a loira se levantou meio zonza, olhou em minha direção, mas acho que não percebeu minha presença, porque logo em seguida correu em direção a porta, porém parou no meio do caminho e voltou a olhar para mim, com uma expressão de susto — agora ela reparou que eu estava ali -, então soltou um grito agudo e rapidamente foi até a porta tentando abrir a mesma, quase escorregando no chão molhado.
– Ai, por que gritou, sua louca? — Perguntei irritado. — Também já tentei, mas acho que por causa do sistema de incêndio ela automaticamente travou e só nós dois estamos presos aqui. — Falei calmamente.
– O quê? Mas esse sistema não vai desligar? Quanto tempo vamos ficar aqui? E por que raios você está sem camisa? — A cada palavra ela aumentava o tom de voz, até que no final já estava gritando igual uma louca.
– Ai, fica quieta, você fala demais. — Falei de modo entendiante. — E se você não percebeu, a está vestindo.
– Hã? Por quê? — Perguntou, reparando só agora que não estava mais com o moletom. — E cadê meu moletom? — Soltei um longo suspiro.
– Bom, você tinha ficado toda molhada e enquanto estava desmaiada percebi que começou a se tremer, então achei melhor tirar o seu moletom, que estava todo encharcado e botei a minha blusa em você, que estava praticamente seca.
– O que? Você tirou o... o... — Ela começou a ficar muito vermelha.
– Caramba, você é muito escandalosa. Será que tem como parar de gritar, já estou ficando com dor de cabeça. Não fiz nada com você, mas sabia esquisita, até que você tem um belo corpo? — Falei a olhando dos pés a cabeça, ela ficou ainda mais vermelha e acabei soltando um risinho.
– Para de me mandar ficar quieta, a boca é a minha. Eu não sou esquisita, e quem te deu o direito de tirar minha roupa? — Falou, parecendo ficar um pouco irritada.
– Você não é esquisita? Já viu as roupas que usa e como se comporta? — Disse, me levantando e indo em sua direção.
– Vai se ferrar, seu desgraçado. Esse é o meu jeito e se você não gosta, problema é seu. Porque se eu não me engano, quem deve se preocupar com isso é a minha pessoa e não os outros.
– Nossa, não precisa ser tão grossa. Agora além de careta, vai ser ogra também? O seu jeito é horroroso, mas pelo menos o sutiã era bonito. — Comecei a provocá-la ainda mais.
– Seu filho da mãe, vou te matar, Natsu. — Gritou, vindo pra cima de mim, para tentar me bater, mas a segurei pelos braços e a joguei contra a parede.
Agora o seu cabelo, que antes estava preso em um coque, estava solto e os fios dourados estavam molhados e bagunçados, de um certo modo acabavam lhe dando um ar sexy e o meu corpo começou a não querer me responder.
– Oh, você sabe o meu nome! — Falei com um tom falso de surpresa. — Sabia que eu também sei o seu, por mais incrível que possa parecer. — Comecei a me aproximar ainda mais de seu rosto corado, ela tentou se soltar mas a segurei com mais força. — E Lucy, sabia que você fica muito bonitinha quando está envergonhada. — Falei aquilo sem pensar, não aguentei mais e acabei atacando aqueles lábios nem finos e nem muito grossos, mas que mesmo assim chegavam a ser carnudos, possuíam um tom rosado e a todo momento pareciam estar me chamando, ela tentou resistir por um momento, porém logo depois cedeu.
– O que pensa que está fazendo? Por que eu tive que ficar presa logo com você? — Começou a gritar, me empurrando com força e, pude ouvir o barulho da porta sendo destrancada, o diretor a abriu, com a turma toda atrás dele. — Urgh, e por que tinha que ter sido logo com você? Eu te odeio, Natsu Dragneel. — Saiu correndo da sala, entretanto acabei gritando que também não havia gostado nem um pouco.
Recostei-me na parede e fui escorregando até sentar no chão, o diretor perguntou se eu estava bem, respondi meneando a cabeça positivamente, mas continuei ali sentado. O que eu estava pensando, quando a beijei? Eu não gosto dela nem um pouco, aquela garota é muito estranha, porém quando a vi envergonha a achei fofa e linda, suspirei, o que está acontecendo comigo? Fiquei um bom tempo ali no chão frio da sala, quando o sinal tocou resolvi levantar e descer para o intervalo, precisava comer alguma coisa, já que praticamente não tomei um café-da-manhã descente. Quando cheguei no pátio vi uma cena que fez uma raiva muito grande crescer dentro de mim, no meio do gramado Gajeel e Rogue estavam em pé gargalhando, uma garota de cabelos curtos branco, Lisana, estava ao lado de Sting, com uma cara de tédio e falando alguma coisa para o loiro, enquanto o mesmo olhava irritado para o chão do qual uma garota loira se encontrava caída, percebi que o loiro começou a levantar a mão, provavelmente para bater na garota de novo, corri até ele segurando seu braço, com força.
– O que pensa que está fazendo, Natsu? — Falou irritado.
– O que você está fazendo? — Falei, tentando controlar minha raiva.
– Essa garota ousou insultar o Sting, então...
– Fica quieta, Lisana. E desde quando você se importa com insetos? Essa vadia não deve nem machucar uma mosca.
– Ei, você acha que não sei me cuidar? Não sou mais a mesma de dois anos atrás. — Olhei para a loira, com um olhar de: "Fica quieta, que estou tentando te ajudar", mas não adiantou.
– Então Sting, não vale a pena perder tempo com pessoas asquerosas.
– É amor, vamos embora e deixa essa aí pra lá. — A albina disse, puxando o loiro para um beijo caloroso.
– Tudo bem, você tem razão, Natsu. — Falou, terminando de beijar a albina e puxando o braço.
Esperei o grupo se afastar mais um pouco e virei-me para a loira, que me encarava com uma expressão de muita raiva e que daria medo a qualquer um. Pude percebi que no canto de sua boca havia um filete de sangue. Aquele Desgraçado! Antes dela começar a falar a puxei pelo braço, levando-a até a enfermaria, chegando no local a sentei em uma cadeira e peguei um remédio e gaze, fui até ela puxando um banco, sentando de frente para a mesma.
– Você acha que não sei me defender? — Não respondi, apenas continue abrindo o pacote de gaze. — Me responde.
– Não parece, porque pelo soco que levou. — Fui para tentar limpar o sangue de sua boca, porém ela se desviou.
– Qual o teu problema?
– Fica quieta. — Falei calmamente, tentando limpar novamente.
– Não, eu não te entendo sabia? Uma hora você me agarra, depois me humilha na frente de todo mundo, como sempre e agora está sendo gentil comigo tentando cuidar do meu machucado, qual o teu problema? — Lucy, falou irritada e em seguida foi embora, enquanto soltava um longo suspiro.
Ela está certa, nem eu mesmo estou me entendendo. Hoje o dia está sendo o mais complicado da minha vida, mesmo assim sempre que eu olho para ela sinto uma sensação, que nunca havia sentido por outra garota. O que está acontecendo comigo? Agora, que parei para refletir, estou assim desde o final do ano passado. Não, não pode ser isso que estou pensando, ri de meu próprio pensamente e levantei-me pra guardar as coisas do qual havia pego.
Ouvi o som do sinal ecoar novamente, avisando que o intervalo tinha terminado, então assim que deixei os materiais em seus devidos lugares fui para a sala. Quando cheguei na mesma, o professor de matemática, Jellal, já se encontrava na classe e se apresentava à turma. Olhei para o meu lado esquerdo, vendo Lucy me olhar com puro ódio e soltei outro suspiro. Acho que nunca mais vou suspirar tanto quanto hoje.
É, o dia está sendo longo!
"O amor faz com que a gente não entenda as nossas próprias ações."
(De minha autoria)
Fale com o autor