Amor Imperfeito
53 Capítulo 54 Segredos obscuros.
Notas iniciais
BOA LEITURA LINDOS !
POV JACK*
Me sentei ao lado dela no balanço e fiquei a encarando, ela era linda, tinha os cabelos pretos e lisos que ia ate a metade de suas costas, seus olhos eram um Castanho claro, sua pele era corada, e suas bochechas eram levemente avermelhadas, e ela tinha pequenas sardas embaixo dos olhos.
Ficamos apenas em silencio nós olhando, e para mim assim estava perfeito, nenhum de nós queria quebrar o silencio, porque não existia palavras para quebrar aquele momento.
Mas é claro, que sempre tem uma pessoa estraga prazeres.
—Oi Jack !! — Era o Fabrício, um amigo meu da minha sala de aula.
—Oi Fabrício —Falei o fuzilando com o olhar.
—Olha só, A Valéria, e que milagre, ela não ta acompanhada daquelas idiotas —Ele disse sorrindo para a Valéria.
—Não fala assim com ela ! —Falei o encarando, mas num tom calmo.
—Ta bom, desculpa, eu só vim aqui avisar que aquela festa que agente ia fazer não vai rolar, só vai acontecer no próximo fim de semana —Ele disse me encarando serio.
—Porque não vai “rolar”? —Falei imitando o jeito dele falar e fazendo aspas .
—Porque o Gabriel quebrou o Braço, e fazer festa sem ele não dá !! —Ele falou rindo, digamos que o Gabriel é bem engraçado e bagunceiro.
—Ta bom tchau —Falei tipo dispensando ele logo.
Ele se afastou e eu fiquei observando o chão.
—Festa ? —A Valéria perguntou voltando a encarar o Céu.
—É, uma festa de “rock” ia ser no jardim principal. —Falei entrando no assunto.
—E você ia me convidar, ou eu ia ter que entrar de penetra? —Ela disse rindo.
—Lógico que eu ia te convidar, Se não pra que eu iria nessa festa— Eu disse rindo.
—Assim eu fico mais tranquila —Ela disse rindo menos e corando um pouco.
Fiquei encarando ela, e vi que o seu sorriso sumiu ao poucos e deu lugar para um expressão distante, eu quero saber oque acontece com ela, oque ela tem, o que a machuca tanto, e a melhor forma de saber tudo isso é perguntando.
—Porque estava chorando ? — Falei indo diretamente ao ponto.
—É complicado Jack —Ela disse encarando o chão.
— Se você me explicar eu posso entender. —Eu disse sendo persistente.
POV VALÉRIA*
Eu me sentia bem ali, senti que se eu contasse ele não me julgaria nem me desprezaria, mais eu nunca me abri com ninguém, eu nunca contei essa parte da minha vida pra ninguém, o que aconteceria se eu contasse a ele, será que mudaria tudo? Será que a Amanda e a Patricia vão acabar comigo?
Eu não posso fazer isso, se eu contar o Jack pode correr perigo, eu posso correr perigo, eu não sei se consigo enfrentar a Amanda e a Patricia sozinha, mas eu cansei de esconder, cansei de chorar e cansei de fingir ser má !
—Jack, primeiro você tem que me prometer uma coisa —Falei já com os olhos cheios de lágrimas
— Pode falar —Ele disse super serio.
—Me promete que se eu contar você não vai me deixar sozinha?— Falei não conseguindo segurar as lágrimas.
—Eu nunca vou te deixar sozinha, eu prometo —Ele disse saindo do balanço e sentando no chão e eu sentei ao seu lado.
Encarei o chão e pensei por onde eu podia começar a contar.
—Jack, meus pais morreram, quando eu era bem pequena. — Eu disse já chorando um pouco.
—c-como assim, os seus pais não moram com você ? —Ele disse super confuso.
—Eu vou explicar tudo desde o começo, Meu pais, eram super legais, davam tudo que eu queria, só que um dia um drogado apareceu e... —Comecei a chorar mais ainda.
FLASHBACK ON*
Eu estava brincando de bonecas, eu tinha apenas 9 anos, tinha um quarto só pra mim, cheio de prateleiras que continham livros, bonecas, brinquedos de todo o tipo, eu era o que podia se chamar de criança feliz.
Naquela noite, meus pais estavam se arrumando para um jantar em família fora de casa, e lógico que eu adorei a ideia, eu comia muito quando era criança.
Como eu já estava arrumada eu estava brincando esperado meus pais acabarem de se arrumar.
—Vamos filha, já estamos prontos ! —Minha mãe gritou do andar de baixo.
Larguei minhas bonecas ali no chão mesmo a sai correndo, desci as escadas eufórica e comecei a pular.
—Mamãe eu vou comer pizza, lasanha, frango frito, e também camarão, AAh e uma salada, não quero engordar — Falei já com água na boca.
— KKK’ claro Valéria, pode comer o que quiser. —Minha mãe disse beijando minha testa.
—VAMOS PAPAI, EU TO COM FOME !! —Falei apressando meu pai que descia as escadas lentamente.
—Calma princesa, então tá pronta para o jantar em família ? —Meu pai perguntava me pegando no colo.
—TO !! —Falei sorrindo.
Depois saímos de casa e entramos no carro, o caminho foi feito de brincadeiras, risadas e piadas vindas do meu pai, e minha mãe apenas observava nossa cena de alegria e lógico que ela se divertia muito, cantamos musicas infantis e tudo mais.
Chegamos na esquina do restaurante, meu pai queria estacionar na frente, mas estava cheio de carro, então ele estacionou na esquina, descemos e fomos caminhando ate o restaurante, chegando lá nossa mesa já estava reservada.
Naquele dia eu comi tudo que podia e um pouco mais, meu pai fazia varias brincadeiras com a comida, e minha mãe dizia “para Charles, não ensine essas bobagens para a menina”
Depois que acabamos, saímos do restaurantes e estávamos caminhando em direção ao carro, quando um menino que aparentava ter 17 anos apareceu na nossa frente, ele estava com a cara estranha, parecia louco, aquilo me deu medo, ele começou a chorar do nada, eu minha mãe e meu pai, apenas observávamos tudo com pânico.
—O que você tem rapaz ? —Meu pai perguntou o encarando serio.
—ME PASSA A GRANA ! —Ele dizia gritando e chorando.
—Calma, eu vou te dar dinheiro ! —Meu pai falou tentando controlar a cena.
—ME PASSA LOGO A GRANA COROA !! —O menino falou tirando a arma do bolso da blusa e apontando para nós.
Meu pai e minha mãe ficaram apavorados, e com medo, minha mãe rapidamente me colocou atrás dela e meu pai ficou na nossa frente.
—Calma, primeiro se acalma, por favor —Meu pai falou em pânico.
—Charles, dá logo o dinheiro pra ele. —Minha mãe falou chorando.
Meu pai pegou todo o dinheiro dele da carteira, pegou da minha mãe também e estendeu a mão para o menino.
—Toma —Meu pai disse se aproximando dele para da o dinheiro.
—NÃO SE APROXIME, VOCÊ NÃO VAI ME MATAR !! — O menino gritava descontroladamente.
—CALMA, EU SÓ QUERO TE ENTREGAR O DINHEIRO —Meu pai gritava também.
—NÃO GRITE COMIGO ! —O menino dizia super nervoso.
—Ta bom, ta bom, eu não vou mais gritar, desculpa, desculpa —Meu pai falava tentando acalma-lo.
—NÃO, VOCÊ GRITOU COMIGO, ADEUS COROA ! —O menino disse apontando a arma para o meu pai.
E então eu ouvi um barulho, e quando eu sai de trás da minha mãe eu vi meu pai, caído no chão, sangrando, fiquei paralisada de medo, eu não sabia oque fazer.
—NÃO !!! CHARLES !!! —Minha mãe gritava chorando.
Quando ela ia se agachar ouvi outro barulho, e dessa vez minha mãe foi ao chão, olhei para o menino chorando e ele me olhou, ele também chorava.
Fiquei com medo, pensei que eu ouviria outro barulho, mas dessa vez eu iria ao chão, mas ao invés disso, o menino pegou o dinheiro que estava no chão e correu para longe, eu voltei meu olhar para meus pais, minha mãe chorava e meu pai apenas me fixava.
—Filha, v-vem a-aqui —Meu pai falava forçando a foz.
—Papai, vocês vão morrer ??! —Perguntei chorando.
—Olha, p-preste a-atenção, vá, p-para, a c-casa d-da tia s-sofia, e, fique l-lá — Ele disse chorando e passando a mão pelo meu rosto.
—Não, não por favor ! —Falei chorando.
—Filha, n-nós t-te amamos m-muito ! —Minha mãe disse sorrindo fraco pra mim.
E ai eles começaram a fechar os olhos lentamente, meu coração começou a disparar, minha respiração estava falha, e as lagrimas caiam descontroladamente.
—Não, não me deixem !!! —Falei gritando e cutucando eles.
Depois disso eu só me lembro que um homem que trabalhava no restaurante me ajudou chamou a ambulância e depois disso eu fui morar com a minha tia Sofia.
FLASHBACK OFF*
—Eu sinto muito Valéria —o Jack disse depois que contei como meus pais morreram.
—Depois disso eu comecei a falar para todos que meus tios eram meus pais, mas isso não é o pior —Eu falei chorando.
—Não é o pior ?? —o Jack perguntou espantado.
— Quando eu cheguei na casa da tia Sofia eu descobri que tinha duas primas, que são a Amanda e Patricia, assim que cheguei meus tios começaram a me tratar com desprezo, enquanto a Amanda e a Patricia tinham um quarto só pra elas, eu dormia no chão da sala, no escuro e sozinha, então eu comecei a ir pra escola com elas, eu era boazinha e ela eram as vilãs, que humilhavam todos, quando chegamos em casa elas contaram para meus tios que eu era humilde, sincera, boa, naquele dia eu apanhei feito louca, apanhei de cinta, ferro, vassoura, eu quase morri, fui parar no hospital, meus tios disseram para os médicos que eu fui atropelada, desde aquele dia eu sou obrigada a ser assim, má, e se caso eu não for má eu apanho e dessa vez eu acho que apanho ate a morte. — Falei chorando e encarando ele.
—Isso, é... —Ele não conseguia falar.
—É por isso que eu não posso mudar, s-se eu mudar, e-eu to ferrada! —Eu disse chorando.
POV JACK*
Eu não podia acreditar que ela estava passando por isso, sozinha, toda a vida dela, eu não sabia o que fazer ou falar, como uma pessoa consegue viver assim.
—Calma, eu to aqui — Eu disse abraçando ela.
Ela encostou a cabeça no meu peito e ficou chorando, e eu apenas acariciava seus cabelos, quando eu percebi eu Também estava chorando com ela, eu tenho que fazer alguma coisa para ajuda-la.
—Olha pra mim. —Falei fixando seus olhos. — Eu vou fazer tudo pra te ajudar, eu to aqui, e não vou te deixar sozinha ! —Falei controlando as lágrimas.
Ela sorriu fraco e então ela fez o inesperado, me beijou, e lógico que eu retribui o beijo, o beijo foi calmo, mais foi com amor, foi um pouco molhado por causa das lágrimas, mais foi perfeito, eu explorava sua boca com vontade e ela fazia o mesmo, ficamos assim ate nos faltar fôlego, e quando faltou nos separamos, e sorrimos um para o outro.
—Obrigado Jack. —Ela disse deitando no meu colo.
—Eu vou te ajudar —Falei acariciando seu cabelo.
Lógico que eu iria ajuda ela, eu só não sabia como, mais eu iria descobrir, irei cumprir minha promessa eu não vou deixa-la só, nunca.
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