Amor Et Elite
4 Long Story Short
Notas iniciais
And I fell from the pedestal
Right down the rabbit hole
Long story short, it was a bad time
Quando finalmente conseguiu pregar os olhos, seu alarme tocou. O irritante e incessante som do despertador anunciando a chegada de mais um dia. Addie podia se virar e dormir o resto de seu dia tranquilamente. Sabia disso, tinha esse direito com o passe de um tornozelo torcido, o problema era a ideia de ficar sozinha em sua casa em pleno sábado, sua mãe Kiraz iria para seu estúdio enquanto Elisa teria um seminário para realizar. Então, a dor seria adormecida por ibuprofeno e ela iria para o seminário de sua mãe Elisa.
Ela olhou para seu celular, algo que desde o dia anterior fazia com certa frequência. Estaria mentindo se dissesse que postou o story com sua perna usando a bota ortopédica porque tem o costume de usar sempre suas redes sociais. Infelizmente ela não tinha o hábito de compartilhar tudo de sua vida no Instagram, normalmente ela reservava essa parte com seus amigos. Isso é, se eles ainda eram seus amigos, nenhum deles – nem mesmo Aimee e Marjorie que viram com seus próprios olhos sua queda – se deram o trabalho de mandar uma mensagem perguntando o que havia acontecido. Todas as pessoas que estudavam com ela mandaram uma mensagem desejando melhoras ou perguntando o que tinha acontecido, menos Calebe, Aimee e Marjorie. Addie não esperava alguma mensagem de Theodore, mas até mesmo Damian tinha demonstrado um pouco de preocupação com ela. Um Damian bêbado, precisou lembrar a si mesma, mas ainda assim até ele teve o básico de decência humana de ajudar alguém machucada.
Pensar em Damian a deu certo peso na consciência, ele havia a ajudado. Só que ela não retribuirá o auxílio, ela estava em dívida com o Montgomery. E ela não queria adicionar a inspiração para Draco Malfoy em sua curta lista de pessoas a quem ela estava em debito. Não ela precisava fazer com que os dois estivessem em patamares de equidade, durante o período deles na Academia, seria o único momento em suas vidas em que seriam tratados como iguais e ela não podia permitir que o Garoto de Ouro da Escócia tivesse alguma mínima vantagem sobre ela. Não em Sant Lennox.
Olhou para seu celular novamente, nenhuma mensagem. Pensamentos invasivos surgiram em sua mente: seus amigos tinham um grupo secreto pensou, eles falam de você nele, e em como você é travada, não consegue se divertir é perfeccionista, chata. Pensa mais em uma rivalidade estupida com Damian Montgomery do que em seus próprios amigos, nunca vai ser capaz de agradecer suas mães o suficiente por escolherem ela, nunca será o suficiente.
Não. Ela não podia deixar que seus pensamentos a consumissem, já vivia tempo demais dentro de sua própria mente para se preocupar com esses pensamentos. Precisava encontrar uma maneira de fazer com que sua mãe Elisa a levasse com ela para a Universidade de Edimburgo. Sim! Ficar trancada dentro de casa com o pé para cima só iria fazer destroços em sua mente, repetiu para si mesma que poderia sim tirar uma folga para si mesma, ela merecia Adhara podia se dar a esse momento de fraqueza... não, fraqueza não. Descanso a voz da Doutora Sanders falando, em sua mente era o que precisava para afastar seus pensamentos, sim por favor. Sua terapeuta podia ser a voz de sua consciência, ela agradeceria profundamente isso na próxima seção.
Mas antes de se dar esse momento de descanso precisava se levantar. Talvez tomar um banho, sim isso soava promissor, mas primeiro deveria avisar a suas mães que queria acompanhar Elisa hoje? Resmungou jogando sua cabeça para trás, como podia ser tão inteligente em vários aspectos – ela era uma Alumni Elite, conseguiu 20 cartas de recomendações! – mas quando uma coisa simples de sua vida mudava, ela era incapaz de tomar uma decisão simples. Fechando os olhos decidiu que seu corpo iria decidir, sua bexiga e seu estomago para ser mais precisa, e o estomago venceu. Ela iria primeiro falar com suas mães.
Quando desceu as escadas – sentada – agradeceu por sua mãe Elisa ainda estar tomando café da manhã, e seu estomago roncou mais ainda ao sentir o cheiro do bacon junto com o tomate grelhado. Um café da manhã completo era sinônimo de um dia cheio seja para Elisa quanto para Kiraz, então oferecer sua ajuda parecia uma coisa boa.
“Bom dia mãe” ela beija os cabelos encaracolados de Elisa que tomava seu chá se apoiou a cadeira mais próxima e se sentou nela e esperou Kiraz se juntar a elas recebendo ela mesma um delicado beijo em seus cabelos “bom dia anne”
“Bom dia querida, sentindo muita dor?”
“Não muito, ainda sobre o efeito dos medicamentos.” admite passando sua torrada na gema do ovo “Estava pensando que talvez eu poderia ir ao seminário na Universidade de Edimburgo hoje e ajudar Elisa na faculdade” avisa logo colocando a torrada na boca piscando seus olhos avelãs que nessa manhã estavam mais castanhos do que verdes.
Notou suas mães olhando uma para a outra, Adhara normalmente até gostava de ficar sozinha, mas não iria negar ela não queria estar sozinha. Não hoje com sua mente cheia de pensamentos invasivos, precisava se distrair e a biblioteca da Universidade de Edimburgo era o lugar perfeito, colocaria seus fones e esqueceria o mundo a sua volta.
“Eu acho que pode ser de grande ajuda hoje Addie.” Elisa concorda colocando seus cabelos ruivos encaracolados atrás da orelha olhando em seguida para a esposa “Eu tenho o dia cheio hoje, o conselho vai se reunir e eu preciso que alguém corrija os gabaritos”
Kiraz suspira olhando para a filha que possuía um sorriso ansioso e animado, a mulher se deu por vencida e soltou um suspiro. Adhara só não pulou de alegria porque sabia que seu tornozelo não permitia isso.
“Está bem, mas George vai ir até o escritório de sua mãe de hora em hora garantir que esteja com o pé para cima, estamos entendidas mocinha?”
“Sim anne irei me comportar perfeitamente bem eu juro” ela promete com um sorriso, apenas feliz por não ficar sozinha durante todo esse dia.
O escritório de sua mãe Elisa era sem dúvida uma de suas partes favoritas, ela adorava como seu escritório era conectado com a sala de aula em que lecionava. Se lembrava de como era pequena e escutava sua mãe dando aula para aqueles alunos e tudo o que pensava era em como ela era corajosa por falar perfeitamente no meio daquela sala cheia de pessoas. Adhara passou a respeitar mais ainda o trabalho de sua mãe quando pisou pela primeira vez em um palco de verdade e teve que encarar todos aqueles olhares sobre ela e projetar sua voz para que todos pudessem escutar.
Quando teve certeza que sua mãe não estava próximo nem da sala de aula ou do corredor que dava até seu escritório, ela decidiu ir mancando até a fresta da porta onde podia escutar um burburinho de alguns alunos e curiosa para saber sobre o que eles falavam o que ela suspeitava que tinha algo com o conselho da universidade se reunindo naquela manhã. Addie se sentou no chão e evitou fazer o menor ruido possível, ela encostou sua cabeça na fresta podendo ter uma clareza melhor do que eles estavam falando.
“Acha que vão expulsa-los?” ela ouviu uma voz feminina indagando e a deixando mais curiosa ainda para saber o que estava acontecendo.
“Acreditam mesmo que é verdade que um aluno está inconsciente no hospital universitário?”
Os lábios de Adhara formaram um O perfeito. Não era atoa que o conselho estava se reunindo, alguém deixou um aluno inconsciente, bom a cada dia que se passava se tornava claro para ela que era uma pacifista.
“Mas se expulsarem Xavier devem expulsar os outros que estavam na briga” afirma outra voz seguido por alguns concordando e outros discordando “e ao que parece o cara que ‘tá inconsciente é calouro ainda”
“O St. John ‘tá fodido” Adhara foi obrigada a concordar com a voz estridente que disse aquilo.
Addie se perguntava se na universidade ocorria um conclave igual acontecia na Academia Sant Lennox. Quando o conclave era aberto, normalmente era porque um aluno passará de todos os limites aceitáveis dentro e fora dos muros da grande construção gótica, ser um aluno em Sant Lennox significava excelência dentro e fora, nada poderia manchar a honra e a reputação da Academia e quando um aluno passava dos limites, os Alumni Elite juntamente com os professores entravam em conclave e escutavam todas as partes responsáveis pela transcrição. Quase como um julgamento em uma corte, a questão é que se suborno fosse descoberto ou houvesse qualquer rumor sobre uma investigação era iniciada e se o rumor fosse confirmado a expulsão era imediata de quem subornou e do que recebeu suborno e o conclave encerrado.
Adhara participou de apenas um conclave, e foi uma das piores experiencias que passou. Em Sant Lennox os Alumni Elite deveriam entrar em um consenso, o problema era que eles não conversavam entre si. Quando o reitor questionasse aos alunos se o aluno em questão deveria ser expulso eles tinham apenas cinco minutos para decidirem em silencio sua decisão e após o tempo um por um dizia sim ou não. Para o conclave chegar a uma conclusão o resultado deveria ser unanime, para sim ou para não. Se o resultado não fosse unanime o conclave era encerrado até segunda ordem para uma maior investigação feita em colaboração dos professores e dos membros do conselho de pais e mestres e após reunirem provas necessárias para retornar o conclave uma decisão deveria ser tomada, caso contrário o reitor tomaria as devidas providencias.
Adhara não pode deixar de pensar que talvez nada fosse acontecer, St. John não era o único a estar naquela briga de bar e somente se o calouro que falavam fosse filho de alguém importante e rico ou na pior das hipóteses o calouro morresse haveria de fato uma consequência grave para aquela briga. Addie estudava em um colégio de elite, sabia perfeitamente como funcionava, tudo acontecia por debaixo dos panos para que ninguém desconfie em alguns casos nem mesmo os estudantes sabiam que o conclave foi convocado. E com a Universidade de Edimburgo ela tinha o breve pressentimento de que logo tudo seria esquecido com a quantia certa.
“Você ‘tá fazendo o que aí no chão garota?” Adhara pula no lugar ao escutar a voz de seu padrinho George, a jovem sorri ao ver a figura esguia de cabelos cor de areia com seus braços cruzados.
Às vezes Addie se esquecia que seu padrinho era médico e naquele momento era um desses instantes em que George estava parado descontraído olhando um dos livros de sua mãe, o padrinho não usava jaleco nem mesmo quando estava atendendo e tinha certeza que o homem tinha sido preso mais de uma vez durante os protestos em que esteve.
“Eu... caí?” Adhara precisava aprender a mentir melhor. Ela não fazia ideia de como podia ser minimamente convincente no teatro, mas ela era.
“Como uma atriz tão boa como você pode ser uma mentirosa horrível?” George a questiona enquanto a ajudava a se levantar. Mas assim que escuta vozes cola sua orelha na greta para escutar enquanto erguia uma sobrancelha “Então estamos bisbilhotando pirralha?”
Adhara apenas sibila um shhh para o homem voltando a se concentrar em novas vozes que aparecem na sala de Elisa:
“Vocês não vão acreditar no que eu descobri!” pela pequena fresta que sobrou Addie pode ver duas mulheres muito parecidas... gêmeas e uma delas cutucou a outra fazendo uma cara feia que fez a irmã reformular a frase. “Quer dizer no que nós descobrimos”
Desta vez foi o momento da gêmea que estava quieta até o momento sorrir de lado e em linguagens de sinais começar a contar enquanto sua irmã traduzia o que a gêmea sinalizava:
“Ruby essa manhã enquanto fazia sua corrida matinal passou em frente ao pub e cara ele ‘tava destruído tipo muito mesmo!” a gêmea que se comunicava por sinais deu outra cotovelada na irmã que pelo visto estava se perdendo no assunto “Desculpa! Enfim Ruby passou em frente ao pub e encontrou a identificação do calouro! E pasmem! Ele não é nem calouro! Xavier se fodeu e se fodeu bonito.”
Adhara e George olharam um para o outro. Addie esperando que o padrinho dissesse algo sobre o calouro que não era calouro e George esperando que ela fosse dizer algo a respeito ou reclamar de dor já que estava em pé usando apenas um pé apenas como apoio.
“Como assim ele não era calouro? O que ele estava fazendo então no pub?” alguém pergunta fazendo os dois voltarem a prestar atenção
“É verdade Mel pode ser o que for, mas ele não vende bebidas e não permite que a gente entre no pub antes de completar dezoito anos!” outra pessoa advogou a favor do dono do bar
“Chelsea, tem certeza que traduziu corretamente o que Ruby quis dizer?”
“É... quero dizer, não é a primeira vez que você se confunde querida. Tem certeza que foi o documento dele?”
“Não foi o documento que Ruby achou!... Quer dizer é uma espécie de documento” e a garota que descobriram se chamar Chelsea se perdeu novamente e sua irmã gêmea precisou a lembrar do fio da meada “o que estamos querendo dizer é que Ruby encontrou a identificação escolar dele. O calouro que não é calouro é aluno da porra da Academia Sant Lennox.”
Academia Sant Lennox. Alguém que Addie conhecia foi ferido, seus pensamentos imediatamente foram para Damian, ontem ele estava bêbado ele tinha confessado isso para ela e ela ignorou.
A culpa começou a corroer Adhara que não se deu o trabalho de escutar o que quer que aqueles alunos fossem dizer e saiu o mais rápido que podia da sala de sua mãe, ela enfrentaria as consequências mais tarde, agora precisava saber o que fazer.
***
Abrir os olhos era um desafio maior do que ele contava, talvez fosse aquela insistente luz artificial ou o forte cheiro de desinfetante que confirmavam que ele estava em um hospital ou também podia ser sua cabeça que doía para um caralho. Mas quando ele abre seu olho esquerdo e a primeira pessoa que ele encontra é Mina Wong ele soube que as coisas ficaram feia.
Mina Wong, ou melhor dizendo Wilhemina Wong era o que Damian carinhosamente a gerente de controle de danos do Banco Montgomery e consequentemente da família Montgomery. Os olhos escuros da mulher estavam duros e com a mesma frieza que ele conhecia bem, decepção.
“Seu pai assinou sua alta.” Lucien estava aqui, ele definitivamente tinha fodido com alguma coisa séria, ele poderia ser expulso? Puta merda! É claro que ele seria expulso! Ele iria passar pelo conclave, mas era apenas uma formalidade Adhara iria o expulsar com prazer.
Adhara. Ele facilmente podia até imaginar como aqueles olhos avelãs iriam o encarar quando ela anunciasse o resultado do Conclave, eles estariam castanhos escuros como ele imaginava que ficavam quando sentia prazer, ou estariam verdes como quando ela está no palco ou quando sorri verdadeiramente, seria muita presunção dele imaginar que talvez ela iria votar a favor dele. Ela não precisava dele, nunca precisou nem mesmo quando trabalharam juntos sempre foi ele quem precisou dela, sempre foi ele que desejava sua atenção.
Ele balançou sua cabeça tentando focar apenas que alguma coisa ruim para a imagem de Lucien o trouxe para Edimburgo, mas ele se arrependeu no momento em que a dor forte em sua cabeça veio o fazendo fechar os olhos, ele escutou os saltos finos de Mina batendo contra o chão ao se levantar e ir até ele.
“Garoto, você ‘tá encrencado”
“Não me diga Mina, estava quase achando que Lucien resolveu ser um ser humano decente.” ele sorri de forma irônica sentindo certa tontura ao se levantar sendo auxiliado pela mulher de grossos cabelos escuros “Eu estou bem, não precisa me ajudar.”
“Acredite garoto, você vai querer muito a minha ajuda para aguentar a merda que você criou.” a mulher avisa o ajudando a ficar em pé “Ele iria anunciar sua pré-candidatura no parlamento para as eleições para primeiro ministro.”
Fodeu ele pensou, Damian estava morto, talvez ele devesse correr até a casa da Crawford e tentar um último beijo? Damian sabia de uma única coisa sobre seu pai em todos esses dezoito anos. Nada, absolutamente nada ou alguém deve ficar no meio de sua corrida para se tornar o próximo primeiro ministro e se existia algum Deus, este sabia perfeitamente que o maior desejo de Damian desde os 14 anos era que aquele desgraçado perdesse.
O jovem loiro riu, não. Ele gargalhou ele fodeu com a imagem de bom pai de Lucien sem ele ao menos tentar ele só entrou em um pub onde teve uma briga de bar.
“Não seja tímida Mina me mostre as matérias.” pedi ele entre as risadas a única preocupação de Damian era sobre sua possível expulsão da Academia Sant Lennox, ele estava pouco se fodendo para Lucien “Sabe o mais engraçado? O filho da puta foi a última pessoa que eu pensei ontem”
Comenta ele rindo ao ver as notícias “Nem tudo o que brilha é Ouro”, “Garoto de Ouro ou Garoto Problema?”, “Lucien Montgomery mimou muito o único filho?” ele tinha que admitir, eles eram criativos, sua favorita foi uma caricatura dele e de seu pai como Lucius e Draco Malfoy. Apesar de divertido Damian se considerava relativamente melhor que o personagem, seus daddy issues eram bem óbvios e tentava ser minimamente um ser humano decente.
“Damian...” Wilhemina o alerta a tomar cuidado com o que fala. Durante o período que Lady Constance estava viva, pai e filho viviam em uma guerra fria. Bom ao menos era assim após ele finalmente se tocar que Lorde Lucien estava cagando para ele e que sua única preocupação deveria garantir o bem estar de sua avó, mas agora ela estava morta e não devia porra nenhuma para Lucien “Ele está irritado e vai descontar em você de alguma forma, Lady Constance não está mais aqui para acalmar as coisas”
Ela estava certa, sua avó estava morta. Ela iria o assombrar se ele chutasse as bolas do pai? Ele com certeza merece.
“Wilhemina, faça o seu trabalho se Lucien quiser descontar em mim as merdas dele então ele vai encontrar alguém do tamanho dele.” sem interesse ele revida a fala de Mina, mesmo sabendo que no fundo ela estava tentando ajudar ele estava irritado demais com Lucien para ser minimamente civilizado “E para mim, ele sempre foi covarde o suficiente para ignorar a própria prole dele, então o que ele poderia fazer?”
Ele abre um sorriso torto para a mulher que respira fundo voltando ao seu celular, Damian pega seu casaco e abre a cortina que dividia os leitos do hospital universitário e pode então encarar o diabo... ou melhor dizendo, seu pai.
Lucien e eles de fato eram parecidos, pelo menos até certo ponto – não, comparativos morais não estavam em questão em suas diferenças –, e apesar dos dois serem loiros e esguios suas diferenças acabavam ali. Damian possuía cabelos loiros quase dourados e olhos cinzas, uma combinação que se ele não estivesse errado eram as mesmas de sua mãe. Lucien possuía olhos azuis escuros e cabelos loiros começando a se tornarem acinzentados pela idade, Damian também não era pálido quase anêmico como seu pai. O problema eram suas feições Damian e Lucien compartilhavam o mesmo nariz fino que não negavam suas posições sociais e o mesmo maxilar, o mais jovem firmemente acreditava que esse era o único motivo pelo qual Lucien nunca questionou sua paternidade, apesar de odiar isso não tinha como negar que eram pai e filho.
“Damian.”
“Lucien.”
Eles se cumprimentam da mesma forma e voltam a se ignorar no momento em que Damian começa a sair de seu leito hospitalar vestindo seu casaco ele pode olhar de soslaio que Lucien possuía um mínimo sorriso e ele temeu pela resposta de sua pergunta:
“Por qual motivo está sorrindo?” ele questiona o pai antes de rir de si mesmo e acrescentar com certo deboche “Mina me prometeu que tinha conseguido meu objetivo de arruinar sua pré-candidatura para Primeiro Ministro”
Para seu choque e certo horror o sorriso de Lucien apenas aumentou conforme a raiva de Damian apenas crescia, ele se recusava a acreditar que talvez Wilhemina estivesse certa e seria Lucien quem iria dar o primeiro golpe.
“Não se preocupe filho.” Ele sentiu nojo ao escutar aquele homem o chamando de filho enquanto seu sorriso apenas aumentava “Você me deu a oportunidade perfeita de me livrar de você.”
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