Amor Et Elite
5 Family Line
Notas iniciais
I can run, but i can’t hide
From my Family line
Seu corpo borbulhava de raiva, Damian sabia que estava sofrendo as consequências de suas próprias ações, mas uma parte dele – uma parte particularmente egoísta – não podia deixar Lucien ganhar. Não, ele aceitaria ser expulso da Academia Sant Lennox, mas não permitiria que seu pai o mandasse para um internato em outro país apenas para não ser uma pedra em seu sapato. Damian faria o que tivesse em mãos para vencer essa guerra interna entre eles.
De uma coisa ele tinha certeza Lucien Montgomery merecia perder algo que ele de fato se importava, era o mínimo que poderia acontecer pelo fato de não ter a mínima decência de passar os últimos momentos de Lady Constance com ela, ele sequer tinha se dado o trabalho de aparecer no velório, Damian precisou lidar sozinho com isso o mais próximo de auxilio que teve foi de Mina que impediu o anuncio da morte de sua avó e assim apenas os mais próximos estiveram presentes em seu funeral.
Ele apenas precisava sair desse labirinto que parecia que o hospital universitário tinha se tornado Damian sabia disso e não estava em seus planos derrubar alguém, mas foi o que aconteceu e ele soube no momento em que o perfume de baunilha e shampoo de morangos atingiram suas narinas que Adhara estava ali. Por alguma razão ela estava no hospital universitário, sua bota ortopédica apenas a ajudou a cair no chão, seus cabelos lisos estavam sem suas tradicionais tranças e pela primeira vez no que Damian pensava ser em anos ele pode ver os cabelos dela soltos novamente.
Era irônico até como ele se recordava de envolver seus longos fios em seus dedos quando a beijou em Romeu e Julieta, e agora ali estava eles encarando um ao outro, sua primeira reação foi oferecer sua mão e para sua surpresa ela aceita e novamente ele pode se lembrar o quanto suas mãos eram macias elas eram geladas e ele até que gostava disso as suas eram sempre quentes. Damian não pode deixar de notar, no entanto, certa preocupação nos olhos de Adhara quando ela se levantou, também notou que ela não o olhava diretamente e sim para seu machucado.
“Você está bem?” os dois perguntaram ao mesmo tempo o fazendo rir, mas Adhara não compartilha do humor olhando para o outro lado constrangida, então soltando um pequeno pigarro Damian continua “Desculpe. Não foi minha intenção te derrubar Adhara, você já está com o tornozelo machucado eu só não...”
Adhara rapidamente o interrompe não querendo escutar suas desculpas, ela sabia que apesar de suas desavenças Damian não iria fazer algo intencionalmente que fosse a ferir.
“Não precisa se desculpar.” Ela rapidamente dá um jeito de cortar suas tentativas de se desculpar, mas isso ainda não respondia o que Adhara estava fazendo no hospital universitário em pleno sábado de manhã.
“Se me permite saber, por que você está aqui no hospital universitário?” pergunta até que o óbvio passa por ele. Damian teria que passar pelo Conclave era óbvio, ele apenas não imaginava que os alunos fossem enviados para entregar a notificação do Conclave, tão pouco que eles eram tão rápidos assim, afinal era dez e meia da manhã de sábado. Então o que ela estava fazendo aqui? “Na verdade, o que é que você está fazendo na Universidade de Edimburgo?”
Ele não saberia responder se ela ficou irritada ou o que, com sua questão. Era difícil ler Adhara, as vezes suas emoções eram tão claras quanto cristal em outras vezes – como agora – era praticamente impossível saber o que se passava. Damian não conseguiu sequer saber o que se passava através de seus olhos eles estavam avelãs uma perfeita mistura entre o castanho e o verde, ele não fazia ideia do que se passava com ela naquele instante.
Talvez ela estivesse surpresa? Talvez ela não sabia como entregar a notificação do Conclave? Não! Era ridículo isso! Adhara o entregaria com o maior prazer do mundo e seus olhos estariam no mais belo verde que combinava perfeitamente com seu manto de Alumni Elite. Mas ela estava parada apenas olhando para ele esperando que algo saísse de seus lábios que também não tinham nenhum típico tom de vermelho neles.
Foi então que ele notou. Adhara não estava de uniforme, estranho ele pensou se ela não estava no hospital para fazer a entrega formal de notificação do Conclave, então porque ela estava em sua frente no hospital universitário? Ele sabia que ela não estava lá por conta de seu tornozelo Damian não tinha entregado sua preocupação de bandeja para ela no dia anterior quando tomado pela curiosidade abriu seu story no Instagram e viu ela já usando a bota ortopédica. Ela poderia estar preocupada com ele? O simples pensamento de que Adhara Crawford poderia estar minimamente preocupada com ele foi responsável por um pequeno sorriso torto surgir em seus lábios. Ele queria escutar ela dizer com suas próprias palavras que estava preocupada.
“O que foi estrelinha? O gato comeu sua língua?”
Damian precisou conter até seu último fio de energia e concentração para não rir quando seus olhos se tornaram castanhos aquela era a minha estrelinha o pensamento levemente intruso passou por ele, Adhara não era nada sua para que ele pudesse a chamar/pensar desta forma.
“Escutei que um aluno de Sant Lennox estava no hospital universitário, achei que era alguém importante, mas é apenas você.”
Suas palavras duras o trouxeram de volta a realidade de uma maneira que ele não esperava. Saber que ele não significava nada para Adhara o dava uma sensação agridoce. Por um lado, ele jamais esperou que ela demonstrasse preocupação ou a menor empatia que seja, eles eram rivais demonstrar qualquer sinal de empatia iria apenas dar mais munição a um deles, Damian compreendia isso. No entanto, ele não tinha muitas pessoas que se preocupavam com ele, se Damian fosse sincero consigo mesmo fora sua avó que estava morta o máximo de importância para alguém seria os gêmeos Davenport. Não iria mentir, era um pouco decepcionante saber disso, seu pai estava montando sua estratégia para se livrar dele, sua mãe o abandonou aos dois anos de idade Damian não tinha lembranças da mulher que o trouxe ao mundo a única coisa que tinha dela era uma foto, seu avô morreu pouco depois de nascer, ele não tinha ideia de quem era o homem e então ele tinha sua avó, Lady Constance que estava morta.
Desta vez ele não escondeu uma risada acida, um som áspero e sem o menor resquício de humor e infelizmente Adhara ainda estava lá esperando uma resposta à altura, e ele precisaria dar ela.
“Ora Estrelinha eu não esperava sua preocupação.” ele sorri sem mostrar os dentes tendo em sua mente duas opções falar algo que iria a machucar e ele seria um idiota que acha ser superior a ela, ou encontrar algo que possa ofender Theodore Mackenzie. Obviamente, a escolha não era difícil “Sei que não preciso de sua caridade, e que você demonstra compaixão apenas para aqueles desfavorecidos de intelecto e beleza.”
Com uma mesura extremamente exagerada, Damian fez seu caminho para a porta quando a voz de Adhara o chama a atenção.
“Por mim Theodore Mackenzie e aqueles traidores que chamei de amigos podem queimar nos sete infernos.”
Um sorriso satisfeito que Damian não consegue disfarçar e agradece por ela não estar o olhando. Ele simplesmente adorava escutar suas referências a cultura pop. Precisava admitir que já se divertiu muitas vezes com ela o comparando a Draco Malfoy, mas jamais iria admitir é claro. Forçando todo o seu corpo para se mover ele precisava fazer seu caminho de volta para a Montgomery Hall antes de ser cercado por paparazzis o infernizando, mas seu plano de fazer uma longa e cansativa caminhada foi impedida ao notar a Mercedes preta o aguardando e pela janela aberta ele pode ver Wilhemina no banco do motorista. Humph seu pai era tão inútil a ponto de não dirigir o próprio carro? E tinha tanto a necessidade de se provar importante que por não ter chamado um motorista precisou fazer sua gerente de mídia dirigir seu carro?
Procurou em seus bolsos e achou seus fones sem fio e os colocou em suas orelhas colocando em uma playlist qualquer entrando no carro batendo a porta – com um pouco mais de força do que realmente necessário – olhou de canto dos olhos notando o olhar de repreensão de Lucien dando apenas um sorriso sem mostrar os dentes.
A Montgomery Hall possuía uma inconfundível arquitetura regencial era um local afastado. Longe de Sant Lennox, longe da Universidade de Edimburgo e longe do hospital em que Lady Constance fazia seu tratamento. Na verdade, Montgomery Hall ficava bem mais perto de Lauriston Castle do que de Old Town, ao menos Damian podia se gabar que em dias ensolarados podia ver a costa marítima.
Os grandes portões de aço foram abertos pelos funcionários que viram através das câmeras e Mina entrou com a Mercedes na propriedade com jardins bem cuidados que sua avó sempre fez questão de cuidar, mesmo quando respirar era um desafio. Ela só deixou os funcionários cuidarem de seu jardim em seus momentos finais e Damian agradecia por eles cuidarem do local da mesma forma que ela faria.
Saindo do carro ignorando Lucien e agradecendo que o mordomo estava tão chocado ao ver o patrão que não viu que Damian fechou a porta de entrada na cara de Lucien e Wilhemina.
“Mestre Damian!” odiando por um instante que Easton tinha algum direito moral de o repreender, o jovem preferiu o silencio Easton tinha sido mais um pai para ele que o próprio pai que entrava vermelho de raiva “Mil perdões meu lorde, mestre Damian acabou me pegando de surpresa com sua falta de modos”
Lucien apenas ignorou o mordomo como fazia com todos os funcionários da mansão seus olhos azuis fumegantes estavam voltados ao filho.
“Parado aí” ele ordena e da mesma forma que ele tratava seus funcionários Damian o ignorou “Damian Alexander Montgomery eu irei garantir que você seja expulso de uma forma que não serão capazes de provar que houve suborno e irei te mandar para os confins do inferno ou para um reformatório americano”
Não foi medo que o fez parar na metade dos degraus, foi raiva. Damian nunca sentiu tamanha raiva em toda sua vida, ele simplesmente desceu as escadas marchando ficando de frente a frente com Lucien – Damian era míseros cinco centímetros mais alto que seu pai, mas ele usou esses malditos centímetros de forma que talvez pudesse intimidar seu pai. Ele era um covarde mesmo, facilmente usaria da força para obter algum tipo de vantagem.
“Você não vai conseguir me expulsar. Se um aluno apresentar dúvida razoável você jamais vai se livrar de mim papai.” Damian blefa. Ele não tinha certeza se seria capaz de fazer apresentar uma mínima dúvida. Lucien sabia muito bem esconder seus rastros e erros, a maior prova disso é o fato dele não fazer ideia de onde sua mãe está. Mesmo que Adelaide o tenha abandonado, ninguém pode encobrir tão bem onde está, nem mesmo com a internet.
“Você superestima demais sua importância na vida dos outros.” O homem nega com a cabeça e acrescenta “Da mesma forma que subestima o dinheiro na vida dos comuns.”
Talvez Lucien estivesse certo, talvez ele se superestimasse e subestimasse a ideia de dinheiro e ameaças de pessoas como seu pai com outras pessoas. Mas ele não iria sair de sua casa, não iria abandonar Academia Sant Lennox, não iria se curvar perante as decisões de seu pai que as decisões dele que se fodam! Lucien não podia mais tomar qualquer decisão sobre ele. Damian possuía dezoito anos a quatro meses.
“Ainda bem então Lucien, que o mesmo sangue nobre que você tanto se orgulha em carregar eu também os detenho. Então sinto em informar que você estará lutando de igual para igual”
“Veremos” essa é a única ameaça que o homem faz antes de girar os calcanhares e ir em direção ao escritório.
***
Não foi surpresa alguma quando o e-mail de notificação chegando convocando os Alumni Elite para a primeira fase do Conclave. Era de se esperar que chegasse uma hora ou outra Adhara se surpreendeu, no entanto, quando na segunda de manhã quando entrou na cafeteria exclusiva para Alumni Elite, ela encontrou todos os Elite trajando seus mantos longos e estaria mentindo se dissesse que não achou uma situação um tanto presunçosa.
Era de acordo mutuo e não oficial de todos os Alumni Elite que o manto longo era apenas para jantares oficiais, formatura, bailes de arrecadação e quando se recebe o manto pela primeira vez. Quando o Conclave é chamado e durante atividades oficiais se usa o manto com arabescos dourados e em dias normais se usa o manto tradicional com apenas os botões dourados, mas ali estavam todos – exceto ela aparentemente – com seus mantos longos verde esmeralda e dourado, Adhara usava o tradicional manto verde esmeralda com arabescos dourados.
Talvez alguma coisa pudesse acontecer de importante, ela sabia que seria o início do Conclave da Academia contra Damian, mas ela não via motivos para usar o manto longo. Pelo contrário, usar o manto longo apenas daria mais poder a ele algo que Addie não estava disposta a dar tão fácil, ela seria imparcial seja qual fosse o resultado ela iria dar a palavra final, uma vez que a votação do Conclave começava pelo final da fila que se iniciava por ordem alfabética até chegar ao A, no caso Adhara.
Não se importando em ser diferente das demais pessoas ao redor Adhara caminhou – da melhor forma que poderia com seu pé torcido – de cabeça erguida e se contentou em pegar na cafeteria uma salada de frutas, ela estava sem fome e o pior momento estava para chegar naquele momento. Onde ela iria se sentar?
Normalmente – ou pelo menos antes de terminar com Theodore – ela tinha um lugar fixo, com Theo, Calebe, Marjorie e Aimee – no início deste ano eles finalmente se tornaram Alumni Elite – agora, no entanto, uma nova configuração tinha sido formada. Uma configuração em qual ela não estava incluída e doía a sensação de abandono e principalmente a culpa. Culpa por não ter se esforçado mais em seu namoro com Theodore, culpa por não ser uma boa amiga, culpa por não ser o suficiente. Era uma sensação que ela não conseguia escapar, não quando eles estavam conversando e se divertindo em uma configuração que não a encaixava, talvez ela devesse se sentar sozinha o problema era seu orgulho. Não importava se aquilo podia a machucar ela iria erguer a cabeça e tentar convencer a si mesma que ela não precisa do quarteto, que ela está melhor sem eles e que é melhor que isso para se contentar com migalhas de amizade, mas a verdade não era essa. Addie queria ser chamada por eles, queria que eles não jogassem a amizade que construíram com o passar dos anos fora por conta da porra de um termino de namoro!
Mas talvez fosse pedir demais. Talvez ela se doou demais em algo em que não era a primeira opção, talvez a único vez em que foi a primeira opção de alguém foi quando suas mães a escolheram e ela sempre... sempre fosse ser a segunda opção, nunca a primeira. Talvez por isso seu rosto estar no quadro de honras da Academia ao lado de Damian não era o suficiente, ou nem mesmo estrelar as duas últimas produções no teatro de Sant Lennox não fosse o suficiente, isso definitivamente seria algo para discutir com sua terapeuta ou mentir para ela.
De qualquer forma, aquilo não importava ela não iria demonstrar. Colocou uma máscara em seu rosto, uma máscara que precisou aprender a criar sendo a mais nova a possuir a honraria de ser Alumni Elite sem se importar com as pessoas ao seu redor a olhando por não estar com o manto longo ou com aqueles mais atentos que algo aconteceu entre Adhara e o quarteto ali sentado pelo qual passava reto até o momento em que a voz tímida e fina de Marjorie soou:
“Addie... porque você não está com o manto longo?”
Adhara não foi capaz de saber se Marjorie estava sendo sarcástica ou genuinamente curiosa, mas não importava naquele momento sua máscara estava posta e não iria abrir mão dela era sua proteção e não saberia dizer se estava pronta para desmontar apenas porque um deles estava falando com ela.
Olhando por cima do ombro os grandes olhos azuis de Marjorie a fitavam com curiosidade e o silencio ao redor denunciava que talvez as mesas mais próximas estavam afim de escutar o que ela iria dizer:
“Não me avisaram que estávamos fazendo uma cena.” Respondeu alto o bastante para ser ouvida por todos na cafeteria exclusiva “Mas não se preocupe Marjorie, da próxima vez que formos fazer uma cena e não uma reunião do Conclave eu saberei.”
Suas palavras cortavam como o vento frio do inverno, assim como planejava que saíssem não se deu o trabalho de olhar para Marjorie, tão pouco para Aimee ou Calebe. O problema foi a vontade de olhar para Theodore se ele havia se autodeclarado líder daquele quarteto deveria ter a decência de responder. Eles eram Alumni Elite deveria mostrar ao menos um pouco da liderança que o verde esmeralda em seu manto carregava.
Adhara esperou por quinze segundos uma resposta – ela não veio – não perdendo mais seu tempo parada voltou a fazer seu trajeto até o momento que Theodore resolveu responder Addie não conteve o rolar de seus olhos avelãs Theodore gostava do drama, assim como ela. Apenas não era tão inteligente quanto.
“De todos nós aqui você é quem teria mais motivos para estar com o manto longo.” Theodore respondeu. Um sorriso irônico surgiu em seu rosto, ele realmente queria tentar inverter a situação? Fala sério ela já tinha passado dessa fase aos treze anos com Damian “Estamos apenas te dando apoio.”
Lentamente seus calcanhares se viraram para o encarar sua máscara ainda muito bem posta. Theodore não falava como um ator para seu público, falava como um político para seus eleitores e de uma coisa tinha certeza. Odiava quando usavam qualquer técnica teatral para se fazer de coitadinho, era baixo. Adhara estava decepcionada com Theodore, mas não iria demonstrar seria uma perda de tempo e somente iria dar poder a ele, demonstrar o quanto aquilo estava a magoando, como parecia que todo o tempo em que eles estiveram juntos ela nunca viu quem ele realmente era.
E uma parte dela – que ela não tinha muito orgulho – afirmava que aquilo era sua culpa. Que havia conquistado o ódio dele no momento em que terminaram que aquilo era culpa dela que de alguma forma ela quem tinha criado aquele Theodore.
Adhara era filha de suas mães não iria permitir que alguém ousasse se engrandecer para ela então abriu apenas o menor dos sorrisos que não atingiam seus olhos, sabia que Theo era um bom ator, mas ela era melhor e com a mais doce e aveludada voz que foi capaz de formar ela o respondeu:
“Agradeço sua preocupação... a preocupação de todos vocês” ela olhou para os demais colegas sentindo o musculo de sua bochecha tremer. Ela precisava recuperar o controle rapidamente, pois ele estava saindo de suas mãos ela o sentia escorregar por entre seus dedos “somos Alumni Elite por uma razão e apesar de Damian e eu termos um histórico eu não irei por meus interesses acima do meu dever como Alumni Elite, agradeço do fundo do meu coração por estarem dispostos a lutarem minhas batalhas. Só que como Alumni Elite meus desejos pessoais, não podem interferir e eu temo que de alguma forma eu prejudique todos.”
Sussurros e mais sussurros atravessaram o salão. Todos os trinta Alumni Elite se entreolharam preocupados de prejudicarem a si mesmos, Adhara sorriu quando pode sentir o controle em suas mãos novamente e então olhou para Theodore se aproximou dele e depositou um breve beijo em sua bochecha antes de sussurrar:
“Não jogue um jogo em que você não tem chance.”
Seu recado foi claro e simples, se afastando quando o sino deu duas badaladas o Conclave iria começar e não importava se Damian fosse expulso ou não, seja qual fosse o jogo que Theodore estivessem afim de jogar, ele não tem a menor chance o que chega a ser estupido de tão fácil que mal vale sua atenção.
A primeira etapa do Conclave era realizada no auditório. Nela os trinta Alumni Elite se sentavam e escutavam o depoimento e argumentação do aluno acusado, após isso eles eram liberados de todas as aulas e se reuniam para a segunda fase, em uma sala comum monitorados por câmeras e um professor escolhido para que não houvesse uma combinação de votos os alunos deveriam pensar e analisar o futuro de suas escolhas para que no final do dia ocorresse a terceira e última fase do Conclave a decisão e os votos deveriam ser unanimes para que a expulsão ocorresse.
Colocando em uma mesa sua salada de frutas Adhara é a primeira a sair da cafeteria esperando encontrar o menor sinal de Damian. Não era algo racional, sabia disso muito bem e mesmo assim isso não impedia de sua mente vagar em busca de qualquer sinal do Montgomery, seja por angustia ou satisfação por ter a chance de expulsa-lo não saberia dizer ao certo. Seja o que fosse que se passava por sua mente Adhara pela primeira vez desde os onze anos deveria imaginar como seria Sant Lennox sem Damian, sem seu rival.
Ela tinha sido a primeira a chegar no auditório – graças ao elevador que pegou por conta de seu pé –, a porta ainda estava fechada, elas não seriam abertas até o diretor chegar para presidir o Conclave. E sentado de cabeça baixa com o mesmo manto que usava olhando de um lado para o outro Adhara precisou pensar rápido aos poucos os demais iriam chegar e não poderia correr o risco de ser pega conversando com ele.
Seus próximos passos podem não ter sido os mais inteligentes, mas preferiu apoiar seu peso no pé machucado sentindo a irritante fisgada por forçar o pé ainda em recuperação, e usou a cadeira para apoiar o pé em que ela calçava um tênis e usou o barulho que seu tênis causou ao se chocar contra a cadeira podendo sentir o olhar curioso de Damian sobre ela que fingia amarrar o cadarço.
“Banheiro neutro agora” Addie não estava pedindo, ela estava mandando.
Algo não estava batendo, ela sabia disso. Era a vida real não a merda de um filme clichê importado dos Estados Unidos, Damian não era o garoto problema ela não era a garota boazinha e por isso que eles se odiavam – Addie sequer sabia se eles realmente se odiavam – na verdade era um dos motivos pelos quais ela o respeitava, por serem diferentes.
Adhara e Damian eram diferentes, mas não no sentido de bom ou mau. Eles eram diferentes porque enxergavam o mundo de maneira diferente, apesar de ele ser até pouco tempo o Garoto de Ouro Damian não possuía uma personalidade dourada. Seus sorrisos eram reservados para algumas pessoas – a primeira e única vez em que trabalharam juntos Adhara teve um vislumbre de seu sorriso – ele era bem mais reservado que ela algum dia seria, Addie não entendia muito, mas também não julgava sabia que em algum momento na vida de Damian ele se tornaria o Visconde Montgomery, não que em pleno século XXI isso importasse de alguma coisa. Mas talvez para pessoas como ele de fato importassem, enquanto a própria personalidade de Adhara era calorosa – exceto em raros momentos como os de hoje – nem mesmo em suas discussões com Damian ela tratava as coisas de forma frívola e conseguia arrancar do Montgomery alguns momentos de discussões acaloradas.
Mas agora, algo estava diferente e ela iria descobrir antes do Conclave se iniciar, isso é desde que Damian aparecesse no banheiro neutro. E ela esperava que ele aparecesse mudando constantemente de posição até achar algo que a agrade e que seu pé machucado não a castigue no final do dia. Não que ela de fato se importasse já que todo seu corpo ficou em alerta quando a porta do banheiro foi aberta e então viu no reflexo do espelho as ondas loiras de Damian.
“E então, o que quer falar comigo estrelinha?”
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