Amor Et Elite
7 Devil Doesn’t Bargain
Notas iniciais
It’s useless, don’t do this, it’s hubris to try
He’s ruthless, you knew this, I told you, didn’t I?
O que ele tinha na cabeça? Não podia acreditar que ele fez a porra de uma pausa dramática esperando que todos respondessem seu bom dia, onde ela tinha se metido? Ele podia estar nervoso, Addie sabia ela se lembrava de todo o corpo dele tremendo quando estrelaram Romeu e Julieta, mas agora não fazia sentido ele estar nervoso, ou talvez tivesse Adhara nunca esteve no lugar dele mesmo.
Todos obviamente responderam – até mesmo Theodore – Adhara duvidava que fosse para cumpri a regra de todos se manterem imparciais, afinal se fossem imparciais não estariam usando manto longo, chegava a ser uma ofensa a toda a honra que ser um Alumni Elite significava. Então só podia ser de péssimo tom ignorar o herdeiro de um Visconde.
Procurou com seus olhos até que pode ter certeza que Damian notou que ela a encarava, ergueu sua sobrancelha esquerda e só pode esperar que ele compreendesse seu aviso. Para a sorte dele – ou dela – Damian compreendeu o aviso silencioso:
“Sei que minhas ações são inconcebíveis para uma pessoa em minha posição, tanto nesta instituição quanto fora dela. E tudo o que posso fazer neste momento é me desculpar.” Ele tinha razão, Addie ponderou, sua argumentação era péssima. Damian não podia estar querendo ser expulso certo? Ele não pediria sua ajuda se desejasse a expulsão, aquilo não podia ser o fim, talvez as considerações iniciais. Não saberia dizer se foi uma técnica eficiente e não tinha certeza se poderia dar um voto de confiança “Acredito que por mais que eu tenha meus motivos de estar naquele pub, motivos que irei compartilhar com vocês, penso que a Academia Sant Lennox merece meu mais sincero pedido de desculpas. E aqui peço novamente, me perdoem por não honrar com o manto, mas prometo que não irei deixar o luto me atingir de tal forma novamente.”
O arquejo de choque rompeu por todo o anfiteatro – até os professores demonstraram choque – Addie precisava admitir podia estar cética no início, mas conseguia começar a enxergar onde ele queria chegar, mal pode acreditar que após isso até sua postura relaxou não tinha notado que estava tensa até aquele momento.
“Sim, luto. É algo que eu deveria estar acostumado, certo? Primeiro minha mãe me abandona aos dois anos me deixando apenas uma foto de família.” Ela não fazia ideia que Damian tinha sido abandonado pela mãe não podia duvidar que a primeira coisa que faria ao estar em sua casa novamente seria abraçar Kiraz e Elisa. “Após minha mãe me abandonar, meu pai se mudou definitivamente para Londres me deixando apenas com minha avó Lady Constance. Acredito que muitos conheciam seu trabalho de caridade em Edimburgo e Glasgow. Desde os meus dois anos... desde que eu consigo me recordar eu sempre a tive em minha vida.”
Era emoção que se passava na voz dele? Era essa sua tática? A verdade? Ele iria chorar na frente de todos do Conclave e não para ela no banheiro? Não conseguia acreditar que se sentia levemente traída pelo Montgomery se recusar a chorar enquanto ela estava o abraçando. Não podia estar com ciúmes de algo tão tolo, mas estava.
Damian era seu rival ela era a única que deveria ter material para o ver fraco não todos Alumni Elite, ela deveria estar preparada a qualquer tipo de revelação chocante e não como uma tola junto com todos do Conclave, Adhara deveria estar preparada para tudo.
“Minha avó no dia em que recebi meu manto, no dia que eu apresentei Romeu e Julieta” ela pode sentir seus olhos sobre os dela enquanto o rubor subia por sua face “enquanto íamos até o carro para retornar para casa ela desmaiou. Sabem a primeira coisa que eu fiz após nosso motorista a pegar e a levar para o hospital às pressas? Eu usei meu manto para cobri-la, porque eu achava que minha avó estava com frio e isso iria ajudar ela a se sentir melhor, da mesma forma que eu me senti alguém no momento em que eu recebi meu manto.”
Ela não fazia ideia dessa parte, ou no que o relato de Damian iria levar o que podia afirmar era que conseguia ver o Damian de 15 anos recém completados usando seu manto para manter Lady Constance aquecida enquanto o motorista dirigia apressado até o hospital mais próximo, podia ver visualizar os olhos cinzas opacos e perdidos sozinho naquela noite fria. Addie nunca se sentiu em uma posição de privilegio em relação a Damian, mas ela se lembrava da noite em que recebeu seu manto como sua noite terminou com ela, suas mães, George, Theodore, Aimee, Marjorie e Calebe com xicaras de chocolates quentes e jogando imagem e ação e rindo e se divertindo. Já Damian? Estava sozinho e recebendo a notícia da doença que provavelmente matou sua avó.
“Foram quatro horas. Nessas quatro horas eu liguei desesperado para meu pai, sua assistente ou qualquer pessoa que pudesse entrar em contato com ele. Afinal era a mãe dele, ele deveria estar lá certo? Naquela noite eu sinceramente desisti de esperar que ele estivesse lá por mim, mas era a mãe dele. Era minha avó, minha única família e o Lorde Montgomery não teve a decência de aparecer, eu tinha apenas quinze anos não pude passar a noite sendo acompanhante dela no hospital eu passei a noite na sala de espera esperando o médico passar e quando ele passou eu soube o que ela tinha, câncer. Minha avó foi uma guerreira ela lutou uma batalha difícil e mesmo assim fez tudo o que era possível para que eu não visse diretamente sua dor. Mas eu sabia, sabia que ela não iria conseguir vencer e mesmo assim isso não me preparou para o dia que eu a perdi.” Ele fez uma pausa e Adhara pode notar que foi para secar discretamente uma lágrima que caiu e ela sentiu compaixão pela situação que Damian passava, podendo ver em primeira mão que nem tudo o que reluz é ouro “A dez dias atrás quando eu cheguei em casa nosso mordomo me informou que Lady Constance estava em seu quarto não estava se sentindo muito disposta e passou grande parte de seu dia lá e apenas durante a manhã foi para o jardim de rosas. Então imaginem minha surpresa de quando eu subi para seu quarto eu encontrei apenas o corpo sem vida dela. E eu não tive a chance de dizer adeus, sabem como é difícil organizar um funeral? Eu tive que fazer isso sozinho porque o único filho de minha avó estava mais ocupado em preparar o anuncio de campanha dele então coube a mim a cuidar de todos os preparativos. E então após enterrar minha avó eu só queria esquecer tudo e entrei em uma terrível semana em que exagerei na bebida o que me levou aquele pub naquela noite que por fim me trouxe aqui para contar algo que eu gostaria de não precisar dizer a ninguém, mas eu precisei porque eu não entrei em uma briga eu estava no lugar errado na hora errada e quando eu notei eu precisei sair o mais rápido de lá porque eu não podia envergonhar nossa instituição, não podia manchar meu manto que lutei tanto para conseguir o que eu falhei obviamente, mas não porque eu me submeti a uma situação arcaica como uma briga, mas sim porque enquanto tentava sair eu fui acertado por uma cadeira e perdi a consciência. Essa é a verdade, não tem nada mais do que isso, somente alguém que não sabe como seguir em frente após perder sua única família.”
Adhara olhou para os lados para tentar ler o que poderia esperar de todos os Alumni Elite, tentou enxergar alguma compaixão, ou se eles já tinham decidido que Damian merecia a expulsão. E quando ela não conseguiu decifrar – nem enxergar – nada ela sabia que estava tomando a decisão certa, porque de nada valia seu manto e o poder que ele contém se não puder ser justa.
“Muito obrigado senhor Montgomery, agora pode ir se sentar por favor. Os membros do Conclave por favor se dirijam até a sala” o reitor Danbury os dispensa.
A sala em questão que os Alumni Elite deveriam se reunir era uma espaçosa sala votos não deviam ser discutidos, mas como nada naquele Conclave acontecia conforme as regras não foi surpresa alguma quando ela adentrou a sala e viu alguns grupos formados discutindo sobre a possível expulsão de Damian.
Precisava admitir se fosse em outras situações ela seria uma das primeiras a levantar a bandeira da expulsão de Damian, mas não podia negar que desde que o encontrou no hospital e notou que seus olhos cinzas estavam tão opacos e perdidos como naquela manhã Addie não gostava dos pensamentos que assumiam sua mente quando pensava na reação de Damian com a expulsão. E talvez fosse por isso que a raiva tomou conta dela ao notar como eles não tiveram a capacidade de fingir que não estavam conversando sobre seus votos.
Ela odiava isso, odiava ter que assumir um papel de que deveria lembrar a todos o que estavam fazendo era errado, mas não via outra pessoa assumindo o controle – odiava ser chamada de controladora – e não conseguia enxergar outra solução e se viu obrigada a liberar seu lado controlador então um pigarro foi dado por ela alto o suficiente para chamar a atenção da sala que conversava em sussurros.
“Se eu bem me lembro as regras do conclave envolvem a decisão silenciosa, e que qualquer esquema de votos pode pôr um fim neste conclave e então Damian não será julgado por seus pares” seu aviso deixa claro – ou aparentava – que ela não se importaria em pôr um fim no Conclave de Damian e deixar nas mãos do Reitor Danbury decidir.
Ao se sentar em uma das poltronas perto da grande janela seus olhos foram direto para a janela. Estava um dia lindo, precisava admitir a primavera estava se aproximando dando lugar a dias mornos, essa seria sua última primavera em Edimburgo, logo ela estaria em Londres. Na Kings College.
“Não imaginei que dentre todos você seria a primeira a defender o Montgomery.” E bem em sua frente estava a pessoa que ela menos gostaria de ver naquele momento. Theodore, ainda era difícil para ela acreditar que alguém com quem teve um relacionamento durante anos seria alguém com quem ela não gostaria nem um pouco de estar perto “Ele garantiu seu ingresso na Kings College? É por isso que você está disposta a votar contra a decisão de seus irmãos de manto?”
Com um olhar incrédulo Adhara estava de boca aberta, com o que acabará de ouvir. Toda esse conclave era uma piada! – não que ela não acreditasse que Damian merecesse ser punido pelo o que fez – todos os Alumni Elite já tinham seus votos decididos e o que Damian falou não iria mudar isso. Em outras circunstancias Adhara seria a primeira a concordar com a expulsão de Damian, mas aquele era seu primeiro erro em toda a vida. Sim ele era um pé no saco para ela, mas também era seu incentivo de ser a melhor.
“Theodore, eu sou a mais antiga desde a formatura da última turma. É meu rosto que está no quadro de honras, não o seu. Você conseguiu seu manto no semestre passado, todos que estão aqui conseguiram no semestre passado ou no início deste ano.” Nunca pensou que precisaria apontar o obvio, mas ali estava ela precisando explicar a hierarquia dos Alumni Elite “Vocês estão sendo leais a si mesmo e não com o manto, não seja hipócrita e diga que nunca ficou bêbado, porque nós dois sabemos que sim. Quantas vezes você, Calebe, Aimee e Marjorie não estiveram bêbados em Calton Hill e você não ficou recitando Shakespeare?”
Ela escolheu propositalmente se deixar de lado. Claro que ela também estava bêbada junto com o grupo e recitava poesias e alguns sonetos. A diferença entre eles e ela era a necessidade de jamais desapontar suas mães, parte dela – algo no interior de seu inconsciente – temia que algum dia suas mães parassem de ama-la, então nunca bebia o suficiente para ficar bêbada, apenas para ficar alta e se sentir parte do grupo nunca o suficiente para causar qualquer vergonha a suas mães.
“Claro, me perdoe oh Santa Adhara. Protetora dos oprimidos e das minorias, humildemente peço perdão por exercer meu papel que eu lutei para conseguir.” fechou suas mãos em punho, podia sentir a dor e a satisfação que iria sentir ao quebrar o nariz dele, mas não o daria esse gosto de perder o controle e fazer com que ele saia como o certo e ela como a impulsiva e descontrolada, colocando em risco sua permanência na escola.
Não, ela era melhor que isso – melhor que ele – deu apenas dois passos em direção a ele e ficou na ponta de seu pé bom com um doce sorriso no rosto ela usou sua melhor arma.
“Não se esqueça que eu estou acima de você na hierarquia Theo. Uma palavra minha com a pessoa certa e seu diploma da Ivy League não vai valer nada na Europa e nos Estados Unidos.” Estava blefando, obvio, mas valeu a pena ver o terror em seus olhos.
***
Tic tac, tic tac... não sabia ao certo quando sua perna começou a balançar na mesma sincronia que o relógio, apenas podia notar que a cada tic tac sua perna balançava mais rápido.
Esperar nunca foi seu forte, claramente sua avó tinha uma ou outra reprimenda em relação a isso – ela não estava mais aqui – precisou lembrar a si mesmo. Mas quem podia culpa-lo? Seu futuro, sua permanência na Academia Sant Lennox dependem do resultado do Conclave e Damian não estava muito confiante do resultado.
Ele precisava de um plano B – ou seria F? – não importava, Montgomery tinha um objetivo permanecer na Academia Sant Lennox, a essa altura ele não sabia se valia a pena tentar lutar pelo seu manto, claro que, se Damian fosse completamente honesto consigo mesmo ele sem dúvida alguma admitiria que não saberia o que seria dele sem ser um Alumni Elite, apenas seria a menor de suas perdas caso colocasse em uma balança.
Era possível escutar pequenos burburinhos o resto da Academia andava em direção ao anfiteatro, os Alumni Elite podiam decidir seu futuro, mas isso não significava que a decisão deles seria apenas para o aluno acusado e o corpo docente, toda Sant Lennox estaria presente para assistir o destino de Damian ser traçado.
Sabendo que era melhor sair logo antes de ver os olhares condescendentes e perguntas irrelevantes Damian se levanta para entrar pela coxia. Era a melhor opção naquele momento, e assim quem sabe a pequena caminhada o daria tempo para pensar – pensar no resultado – pensar que talvez Adhara tenha mudado de ideia.
Sua cadeira tinha mudado de lugar. Não estava mais no canto onde a pouca luz impedia que ele fosse visto, não agora estava no centro do palco. Claro que um lado masoquista e egoísta seu gostou de ter a oportunidade de olhar para cada um enquanto votavam e quando ele retornasse se lembraria de seus nomes de todos eles. Claro que a possibilidade de que ele não retornasse e este seria o seu último dia em Sant Lennox passava por sua mente mais vezes que ele gostaria de admitir.
Damian estava com medo, isso era mais do que claro para ele, estava tão apavorado que duvidava das palavras de Addie, duvidava que ela fosse manter sua palavra e que de alguma maneira simplesmente iria o trair. Mas como ela poderia o trair se não há o menor vinculo ou acordo entre eles? Como Adhara poderia o trair? Ele estaria disposto a suportar a dor que viria com o amargo gosto da traição?
Odiava esse sentimento a paranoia que se infiltrava por sua mente a cada segundo em que os Alumni Elite não chegavam era uma verdadeira tortura psicológica, ele adoraria gritar de raiva e ansiedade, mas lhe faltavam forças para todo o escândalo que poderia causar ou simplesmente a ideia de demonstrar que estavam conseguindo o enlouquecer era perturbadora demais.
Se passaram quinze minutos desde que todos os demais alunos entraram pelas portas duplas, levou quinze minutos para os Alumni Elite com seus mantos longos – com uma única exceção – descerem as escadas do anfiteatro em fila e se sentarem nas primeiras fileiras separadas para eles. Damian agradeceu a todos os seres divinos quando os belos olhos esverdeados de Adhara foi o primeiro par de olhos que encontrou.
Damian desde o primeiro momento em que viu que os olhos de Adhara eram capazes de vagar entre o castanho e o verde ele percebia o quanto era fácil se perder em seus lindos olhos e hoje sentado no centro do palco com a iluminação propositalmente em seu rosto Damian foi capaz de conter sua ansiedade apenas em admirar os olhos de Addie, eles estavam castanhos naquele momento, um pouco mais escuro que o normal e ele não poderia afirmar com todas as letras o que isso significava, mesmo que se fosse para tentar decifrar diria que ela compartilhava da mesma preocupação que ele.
Quando se deu conto sua perna esquerda estava tremendo e agora não tinha mais relógio para que ele pudesse se forçar a tornar o movimento semelhante ao objeto, não podia olhar para Adhara já que ela aparentava estar tão nervosa quanto ele, tudo o que lhe restou foi forçar sua concentração e escutar o Reitor Danbury.
“Caros alunos, como puderam notar hoje pela manhã ocorreu o Conclave.” A voz calma e grave do homem apenas o causava mais ansiedade e não a tranquilidade que era esperado “e nossos excelentes Alumni Elite se reuniram com o objetivo de garantir que a justiça seja feita de forma que o Senhor Montgomery não seja julgado por seus superiores e sim por seus pares como é de praxe que ocorra aqui na Academia Sant Lennox. Sendo assim eu passo minha palavra para o senhor Theodore Mackenzie que vai declarar seu voto.”
Puta que pariu Damian esperava que ninguém tivesse escutado ele xingar, para ele o xingamento saiu apenas o movimento de seus lábios, mas com sua mare de azar ele não podia contar com muita coisa. Damian gostaria de argumentar e dizer que deveriam começar por Adhara, mas era regra desde o primeiro conclave ocorria em ordem alfabética decrescente, Damian desejou que Willow Kincade que se formou no ano anterior estivesse presente e pela primeira vez Damian notou que a grande maioria dos alunos que se tornavam Alumni Elite estavam em seus anos finais e mais importante ainda, ele e Adhara eram os únicos que detinham o manto por tanto tempo.
Quando Theodore se levantou o holofote foi para ele e Damian agradeceu por isso, quem sabe assim poderia tirar um pouco sua máscara e transparecer que estava aterrorizado e ninguém iria o ver.
“Muito obrigado Reitor Danbury. Gostaria de dizer a princípio que é uma honra ser o primeiro a ter a palavra em meu primeiro Conclave, espero fazer jus a minha posição.”
Como Adhara teve a capacidade de namorar por um bom tempo com esse crápula? Damian quis questionar no momento em que Theodore Mackenzie abriu a boca. Possuía a consciência de que sua implicância com o Mackenzie poderia soar como algo infantil, e talvez estivessem certos assim como Damian se sentia no total dever de se sentir enciumado por Theodore ter tido o que desde Romeu e Julieta ele desejava. Damian tinha fortes sentimentos por Adhara, desde rivalidade até atração, não podia mentir era extremamente atraído por Adhara de uma forma que nunca se sentiu por ninguém antes.
E foi obrigado a presenciar por dolorosos anos o casal feliz que Theodore e Adhara eram – ou aparentavam – a forma como ele a exibia em seus braços fazia seu estômago revirar, talvez por ciúmes ou inveja não importava, ele apenas odiava aquilo e odiava Theodore ainda mais se o motivo pelo qual ele e Adhara terminaram foi justamente porque ele recebeu o manto.
Mas foi apenas quando ele abriu a boca novamente para falar seu voto, foi que Damian quis quebrar a mesa que quebraram nele em Theodore.
“A decisão que tomei pelo meu voto não foi uma escolha difícil, a Academia Sant Lennox é uma instituição de prestígio e todos que estão aqui é porque possuí uma das qualidades exigidas para ser excepcional e todos os alunos que foram capazes de entrar em Sant Lennox tem as mesmas oportunidades.” Damian abriu a boca em total choque, até ele sabia que as oportunidades em Sant Lennox não eram iguais para todos. Damian teve acesso a tutores dos mais altos níveis para auxiliar que ele se torne um dos mais jovens a receber o manto, Adhara vinha de uma família não tradicional de acadêmicos eles tiveram o privilégio de além de estarem em um colégio de elite tiveram o apoio de sua família – ou do dinheiro em seu caso – eles não pagaram para garantir suas cartas, mas sem dúvida tiveram ajuda interna para atingir seus objetivos e duvidava veemente que Theodore conseguiu a honraria sem a tutoria de Adhara, e quando Mackenzie continuou seu showzinho Damian não foi capaz de se conter e revirou os olhos “E quando um a cada cinquenta recebe a honraria de receber o manto dos Alumni Elite temos um dever de honra com nossos mantos.” sentiu a palma de sua mão arder com a força de seus dedos em punho quando Theodore levanta o manto de forma teatral para todos verem, Damian não pode deixar de sentir nojo ao se recordar de seu pai em um de seus palanques políticos, falando como se compreendesse cada um, como se ele não fizesse parte de um grupo seleto de pessoas. “Nós recebemos este distinto manto em nossos uniformes porque nossos mestres acreditaram que traríamos orgulho a nossa instituição e o que Damian Montgomery mancha não apenas a reputação de nosso ateneu sagrado, mancha nosso manto como Alumni Elites... Por isso que meu voto é não, Damian Montgomery não tem mais o direito de pisar em nossa instituição.”
Incapaz de conter um suspiro audível de frustração Damian cruzou os braços. Não queria estar aqui e não podia estar mais entediado quanto a isso, era claramente um show que estavam fazendo e não pode deixar de se perguntar se Adhara sabia do espetáculo que o namorado – ex namorado – estava fazendo ou planejando. Sabia que ela tinha ideia de que algo estaria acontecendo, mas duvidava que seria algo que tomaria tais proporções. Uma parte sua – uma que ele tentava firmemente impedir que tivesse muita voz – essa parte dizia que não devia confiar em Adhara. Eles não tinham o melhor histórico um com o outro e depositar toda sua confiança nela era arriscado. E outra voz em sua cabeça o lembrava que Adhara cumpria com sua palavra, seja por bem ou por mal. Lembrava que ela tinha pedido para que ele não a fizesse desperdiçar seu voto e ele pretendia cumprir o pedido – a ordem – dela, precisava confiar em Addie ele querendo ou não.
O não de Theodore tinha sido o primeiro não que recebeu naquele dia e para sua sorte havia sido também o único com um discurso ridículo para explicar seu voto, mas isso não mudava que sua permanência na Academia Sant Lennox dependia única e exclusivamente de Adhara Crawford.
Ela tinha nascido para os holofotes Damian sabia disso perfeitamente, mas ainda assim era de tirar o folego quando os holofotes estavam sobre ela. Adhara se adaptava mais do que bem sobre eles, era como se ela tivesse nascido sobre os holofotes – ela nasceu para estar sobre eles – se sentia quase que hipnotizado com a presença que ela emanava todos os olhares estavam sobre ela que apenas esboçou um sorriso como se estivesse acostumada a tal situação, Addie não precisou de um microfone, ela conhecia a acústica do lugar onde já apresentou algumas peças para alguns filantrópicos.
“O Reitor Danbury disse que acrescentaria a palavra fides e eu concordo com o que o senhor disse, devemos depositar nossa lealdade e nossa fidelidade na Academia Sant Lennox.” o sorriso doce e gentil surgiu nos lábios de Adhara deixando Damian intrigado em saber onde ela queria chegar com isso, se sentiu tentado a olhar para Theodore, mas era incapaz de tirar os olhos de Adhara e se perguntava se era apenas com ele que acontecia isso. “Porém eu fico tentada a questionar como podemos nos manter fieis ou leais a um lugar quando enfrentamos sozinhos a perda da pessoa que nos ensinou o que fidelidade e lealdade significam. Concordo que Damian merece ser julgado por suas ações, mas não acho que a expulsão é o caminho correto.” E nesse momento seus olhos se encontram brevemente. Não sabia se era por estar animada com seu próximo passo ou pela luz, mas seus olhos estavam mel e Damian apesar de confuso e curioso em saber o que aconteceria a seguir permaneceu calado quando ela se voltou para a plateia e os colegas de manto “Acredito que Damian demonstrou fidelidade e lealdade à Academia Sant Lennox e ao manto de Alumni Elite com excelência, só que Damian é um ser humano assim como todos nós. Nos gabamos tanto em termos a honra de estar em uma instituição onde o ensino é pensado nos alunos que apesar de buscarmos a excelência nos preocupamos tanto com o bem estar dos alunos, nos gabamos de termos o privilégio de termos um ensino humanizado, mas onde está a humanidade com um de nossos colegas que passou os últimos anos sendo leal a Academia e a sua família sozinho. Pois sabemos que o Visconde quase nunca aparece em Edimburgo, então Damian viu sua avó sua única família perder uma terrível batalha que lutou durante anos bravamente contra uma doença sem cura.” Mesmo que ela não estivesse olhando para ele Damian se sentiu tocado pelas palavras dela, como o medo transparecia em sua voz e então percebeu. Adhara tinha medo de perder suas mães de alguma forma, já que assim como ele Addie não tinha outras pessoas que podia chamar de família
“E quando você perde todas as suas estruturas nenhum dever ou sacrifício vale a pena. As atitudes de Damian de fato merecem uma punição, mas não a expulsão ele precisa de apoio, porque como podemos esperar ter a lealdade cega para uma causa ou instituição se não podemos contar com ela quando mais precisamos, então meu voto é sim. Sim Damian merece permanecer nesta escola, sim ele precisa do apoio e da ajuda de nós seus colegas de manto e seus colegas de classe podemos oferecer. Damian merece uma punição branda, já tivemos casos que mereciam a expulsão, mas não é o caso de alguém que não tem nenhuma rede de apoio.”
Era possível um coração saudável bater tão rápido assim? Damian não saberia dizer e tinha quase certeza de que estaria feliz em morrer com as palavras de Adhara. Ele não esperava que ela fosse o defender e dizer que ele era completamente inocente, mas estava feliz – mais do que feliz – por Addie ter se preocupado o suficiente para fazer um discurso o apoiando.
Não podendo demonstrar o quanto estava agradecido – pelo menos, não em público e neste exato momento – tudo o que pode fazer foi assentir com a cabeça em agradecimento que Adhara respondeu da mesma forma sem ela sequer o olhar. Damian queria saber se seus olhos estariam verdes, castanhos ou mel, uma vez que descobriu o que mel poderia significar. Quando os olhos de Adhara se tornavam mel significava que ela seria brilhante.
O reitor Danbury o trouxe de volta a realidade quando se levantou acalmando parte do burburinho com sua presença contagiante, mas nem ela estava surgindo tanto resultado e nem mesmo o reitor poderia reclamar sobre, era de conhecimento geral que Adhara e Damian eram rivais – inimigos, para aqueles que não os conheciam tão bem – e ver que ela foi a única que votou a favor dele era de se imaginar que poderia causar certa comoção.
“SILÊNCIO” Reginald Danbury foi obrigado a erguer o tom de voz, sem que ele sequer precisasse do microfone para que todos se calassem perante a irritação do homem de personalidade calma e amigável. “obrigado, agora com o fim de nosso conclave como podem ver chegamos a um impasse.”
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