Notas iniciais
E lá vamos nós com mais um capítulo! Espero que gostem. Até as notas finais!

I can’t have it, I can’t have it any other way

I swear she’s destined for the screen

Closest thing to Michelle Pfeiffer that you’ve ever seen

Três meses. Um recorde que as vezes vinha com o privilégio de ser filho de um visconde – e herdeiro do viscondado – quem dizia que títulos de nobreza não possuem valor nos dias de hoje é porque não possui a honraria.

Mas a verdade incontestável é que Damian jamais teria esses três meses de recesso, esses três meses para se provar que era digno de estudar na Academia Sant Lennox digno de usar o manto de um Alumni Elite se não fosse por ela. Adhara, ela era brilhante. Damian sabia que existia um lugar gravado esperando por ela e esse lugar era juntamente as grandes estrelas de Hollywood, ela conseguiu transmitir em sua voz, em sua postura – ele sabia que existia honestidade em seu olhar – e suas palavras friamente calculadas para serem ouvidas tocadas e provocarem vergonha, se não fosse por Adhara ele estaria andando pela última vez por aqueles corredores, mas ela era uma verdadeira estrela – a mais brilhante – foda-se Sol e Sirius e verdadeira estrela mais brilhante se chamava Adhara Crawford e ela era simplesmente genial.

Seu próximo desafio era claro, e talvez o mais difícil garantir que todos os Alumni Elite votem a favor dele. Talvez fosse o mais difícil dos desafios, até porque seria obrigado a garantir o voto de Theodore de uma forma que não levante suspeitas de que ele comprou ou chantageou o Mackenzie de alguma forma, ele precisava conhecer seu inimigo. O problema? Não conhecia seu oponente bem o suficiente, a verdade era clara. Damian nunca enxergou Theodore como um adversário e sim como um parasita. Sim, um parasita que se aproveitava do brilho de Adhara, um parasita que talvez possuísse melhores habilidades sociais e nada mais.

Mas agora se via obrigado a pensar em como garantir o voto de alguém com quem nunca se importou de fato, não ironicamente pensava que seria mais fácil garantir uma expulsão ao Mackenzie do que garantir o voto dele. Sem dúvida precisava de algo forte para suportar o dia. Ele quase podia sentir e visualizar o Whisky Escocês no escritório ocupado atualmente por Lucien, mas como definitivamente não podia foder com sua situação mais ainda, então se via obrigado a ir para sua casa se trancar em seu quarto e gritar com seu travesseiro.

Talvez fosse por isso que não se incomodou nem um pouco ao sair dos portões do que um dia foi um grande monastério e suas grandes janelas, que após várias reformar se assemelhava com e que hoje em dia era à Academia Sant Lennox e encontrar a SUV preta com a porta do passageiro aberta por um dos empregados de seu pai, sentiu que seus olhos poderiam ficar presos por trás de sua cabeça tudo o que não precisava seria trinta minutos – com sorte – preso em um carro com Lucien Montgomery.

Para sua surpresa – e alivio – não era Lucien que o aguardava dentro da SUV e sim Mina e a curiosidade o atingiu em cheio, ela estava a mando de Lucien ou por conta própria? Se fosse analisar pelas vestimentas informais de Wilhemina Damian duvidava seriamente que ela estaria trabalhando, no lugar de seus elegantes terninhos usava jeans, camiseta estampada e botas. Ainda assim poderia ser uma armadilha, Mina era inteligente e tudo era estritamente calculado e acima de tudo Wilhemina trabalhava para seu pai.

Apesar de receoso fechou a porta e direcionou seus olhos cinzas para Mina, esperando que ela iniciasse uma conversa e como a mulher não disse nada Damian se viu obrigado a começar a falar.

“Devo dizer, em um cenário atual, não acho que meu sequestro seja uma boa jogada de marketing.”

Seu tom irônico e ácido arrancou uma risada seca com alguns resquícios de humor de Wilhemina, o deixando intrigado. O que seu pai estava armando? Uma tentativa de assassinato de seu filho facilmente o daria uma voz para a campanha e pena de seus eleitores. Afinal, não foi graças a ataques planejados pelas campanhas que grandes filhos da puta conseguiam ganhar eleições? Lucien era sádico o bastante para usar o “assassinato” de seu próprio filho para se promover.

“Fiquei sabendo que recebeu três meses para se mostrar digno de fazer parte da Academia.”

É claro que ela ficou sabendo, provavelmente foi mandada por Lucien para investigar o motivo do filho que deveria estar no primeiro voo para algum reformatório nos Estados Unidos ter permanecido na Academia até o fim do dia.

“Deixa eu adivinhar, estraguei os planos de Lucien de se livrar de mim?” Mina ignora seu tom debochado e como resposta apenas ergue uma sobrancelha. Damian resmunga jogando sua cabeça para trás sua curiosidade o estava o matando, Wilhemina seria uma aliada ou uma inimiga? Como poderia ter suas respostas se a mulher permanecia em silencio.

Um silencio perturbador, diga-se de passagem. Se seguiu enquanto uma batalha entre tempestade e ônix ocorriam entre os olhos de Damian e Mina. Era uma batalha perdida, não havia uma possibilidade de vencer sabia disso quem não tinha noção disso aparentemente era seu orgulho que se recusava a perguntar primeiro. Wilhemina era a mulher por trás do sucesso de Lucien não era uma batalha justa, mas mesmo assim ele queria tentar. Quem sabe caso se mostrasse um adversário bom o suficiente Wilhemina não convenceria seu pai a apoia-lo nos próximos três meses e assim mostrar para os Alumni Elite de Sant Lennox que seu rosto não estava impresso na galeria de honra por um mero acaso.

Com um suspiro derrotado Damian aceitou sua derrota – com um pouco menos de compostura do que quando Adhara o vence de algo – o jovem herdeiro cruzou os braços e se recusou a encarar Wilhemina.

“Está bem! O que você está fazendo aqui Mina? Está casual demais para estar trabalhando para Lucien” sua questão mais parecia uma queixa do que genuíno interesse.

Um lamentar audível saiu dos lábios finos da mulher ao seu lado, como se Damian não fosse a primeira opção de seu plano, o que fazia sentido não era ele que pagava o salário dela. O que o incomodou de fato era que ao que se podia julgar das expressões da senhorita Wong era que Lucien provavelmente teve as mesmas reações que ele. Damian sempre tentou – e falhou muitas vezes – em ser um ser melhor que o progenitor em absolutamente tudo, o que infelizmente incluía sua moral. Não esperava ser um raio de sol, mas tentava ao máximo ser educado o suficiente para sua avó não o assombrar durante a noite.

“Sinto muito Mina, foi um dia... atípico e fui pego de surpresa.”

A gerente de controle de danos abriu um mínimo sorriso antes de começar a pôr seu plano a luz do sol.

“Devo dizer antes de tudo que, Lucien está errado. Te mandar para longe só irá fazer sua oposição martelar na tela de que ele é um pai ausente.” Não me diga! Damian quis dizer em alto e bom som, mas se contentou em erguer sua sobrancelha para a mulher a sua frente que rola seus olhos ao notar a expressão irônica em seu rosto. “A questão é, você está de luto ponto final, o herdeiro de Lucien Montgomery que foi um leal escudeiro da adorável Lady Constance que infelizmente faleceu e você teve vergonha de demonstrar sua dor ao seu querido pai até o momento em que você entrou naquela briga e quando acordou a primeira pessoa que viu foi sua namorada, melhor amiga e parceira de todas as horas.”

A primeira reação de Damian foi uma careta, e infelizmente não foi por usar a morte de sua avó como uma desculpa para suas ações, mas sim porque seu primeiro pensamento foi. Mina foi a primeira pessoa que ele viu quando acordou no hospital.

“Você é um pouco velha para meu gosto...” você não é Adhara sua mente gritou ao mesmo tempo “E sabe, isso é meio que grooming apesar de ter feito já dezoito anos, ainda é grooming.”

Foi como se todas as esperanças de encontrar certo tipo de racionalidade em alguém que estampava o quadro de honra na melhor escola de toda a Grã Bretanha e segunda melhor em toda a Europa tivessem sido jogadas ao fogo. Damian podia ver aos poucos o brilho de esperança que Wilhemina carregava desaparecer e a mulher precisar conter um grito de frustração e raiva de si mesma por esperar algo diferente de um adolescente.

“Não estava falando sobre mim Damian e sim da única pessoa que votou em você para permanecer em Sant Lennox, estou falando da garota que entrou correndo nos corredores do hospital no dia em que recebeu sua alta.”

Adhara... ele facilmente podia fantasiar levar a mais brilhante das estrelas para encontros, caminhadas no jardim de sua avó, noites em claro conversando com ela e é claro a chance de ter os lábios macios e vermelhos dela nos seus poder tocar em suas bochechas rosadas ou desfazer sua perfeita coroa de tranças. Era bom demais para ser verdade a fantasia era boa, perfeita até.

“Eu não posso colocar Adhara nisso Wilhemina.”

Um sorriso calculista surgiu nos lábios da mulher, um sorriso que o fez estremecer, Damian sentiu seus sentimentos desprotegidos e prontos para serem arrancados dele. Em um mundo de aparências como o qual ele vivia deixar seus sentimentos a vista para a menor das pessoas era um risco.

“Então ela se chama Adhara?” o interesse era palpável na voz da mulher “Um nome digno de uma estrela, não acha?”

Ela é o mais próximo da Michelle Pfeiffer que já vi quis responder antes de se chutar mentalmente por lembrar de uma de suas músicas favoritas em um momento como esse. Mas não podia deixar sua verdadeira admiração evidente, já demonstrou preocupação demais para uma conversa só. Então a máscara da indiferença foi vestida e obrigou seus olhos a irem em direção a janela.

“Dizem que é uma estrela em ascensão. Ela é boa de fato, interpretamos Romeu e Julieta na montagem da escola a anos atrás.” Seu tom presunçoso e preguiçoso seriam o suficiente para fazer com que Mina tirasse suas garras de Adhara? Ele rezaria para todos os deuses possíveis se conseguisse manter Addie longe de seu mundo. Por que esse era seu destino a admirar brilhar cada vez mais até se tornar a supernova que estava destinada a ser enquanto ele seria um buraco negro que apenas atrapalharia seu brilho “Adhara tem um forte senso de justiça, por isso votou a favor de minha permanência já sou grato a ela o suficiente não quero ter mais de uma dívida moral com ela.”

“Não é uma dívida moral se você pode garantir o estrelato a ela. Todo mundo tem seu preço Damian, faça ela aceitar ser sua falsa namorada e sorrir durante alguns eventos chiques que conseguimos que ela se torne Sara Snow ou a versão adulta de Hyacinth Bridgerton.”

Parecia que Mina precisasse explicar a ele que o céu era azul e não vermelho e talvez precisasse, mas parte dele não queria que sua única chance de poder chamar Adhara de sua seja por uma farsa.

“As pessoas adoram um romance jovem Damian você não está usando-a em momento algum se fossemos pôr as cartas na mesa e ver quem está ganhando claramente seria a doce Adhara que estaria a um passo de se tornar a próxima Emma Watson, a próxima Florence Pugh ou seja lá qual atriz pode se gabar que não é fruto do nepotismo.”

Ele podia fazer isso? Podia tomar essa decisão sem que Adhara estivesse ao seu lado? Era do futuro dela que estavam falando, ela era a única que viveria com isso. Ele sequer sabia se Adhara gostaria de se tornar uma atriz! Sim, ela podia ser uma supernova em palco, mas ela gostaria de estar longe quando seu futuro era decidido?

“Não.” Sua voz sai mais firme do que ele pensou que poderia projetar “A única pessoa que tem que decidir sobre o futuro de Adhara é a própria Adhara.”

“Então que ela nos encontre nos Jardins de Princes street ao pôr do sol.”

***

Era como se seu coração fosse sair por sua boca, três meses. Mais do que qualquer aluno comum conseguia – e não iria negar que era algo que a deixava levemente desconfortável – mas ainda assim era um alivio poder fazer a coisa certa, Adhara não conseguia imaginar uma vida em que perdesse uma de suas mães e apesar de nunca ter presenciado o luto, Damian a olhando com seus olhos cinzas perdidos e solitários faziam com que ela fosse capaz de sentir a dor e a melancolia que ele sentia.

O desejo de poder ajuda-lo era algo que saia de dentro de si. Não tinha como explicar e nem sabia se era capaz de pôr em palavras o que sentia e com seu pé como estava tornava quase impossível tentar se expressar através da dança. E não importava o quanto tentava evitar pensar sobre. Sua mente sempre voltava para Damian, seu rival, seu maior obstáculo e maior incentivo. Ela deveria odiá-lo, era isso que significava ter um rival! Então porque ela não conseguia odiar?

Por que a possibilidade de perde-lo a assustou? Porque seu primeiro instinto ao descobrir o que o levou até aquele pub foi o abraçar? Ou porquê sentiu seu coração falhar uma batida quando chegou ao hospital universitário e suas piores suspeitas se confirmaram e era Damian que estava lá?

E a pior parte de tudo isso era, Adhara não sabia como poderia compartilhar isso com suas mães. Suas amadas mães que tinham uma linda história de amor. Sem dúvida elas veriam por um filtro cor de rosa e enxergariam sentimentos que não existem, mas passar por isso sozinha não era algo que gostava.

Talvez fosse por isso que quando seu telefone vibrou anunciando que tinha recebido uma mensagem em seu Instagram e talvez tivesse sido a surpresa quando notou que a conta que lhe mandou uma mensagem era @damian.montgomery e que o dono dela era ninguém mais ninguém menos que Damian e isso fez seu coração se acelerar – não o suficiente – é claro. Ela dizia a si mesma que era graças ao conteúdo da mensagem que seu coração se acelerou graças a adrenalina.

Damian: Eu tenho um plano e preciso de sua ajuda.

Addie sabia que ele estava desesperado para continuar na Academia Sant Lennox, mas não iria negar sua surpresa ao ver que pela segunda vez no mesmo dia, os planos de Damian dependiam que ela estivesse envolvida neles novamente.

Adhara: Devo confessar que estou intrigada Montgomery.

O tom frio e desinteressado da mensagem era sem dúvida para sua própria segurança do que o que ela realmente gostaria de digitar, a curiosidade estava implícita em suas palavras e era o máximo que ela arriscaria em demonstrar. Damian era um território conhecido e ao mesmo tempo era um dos mistérios mais ocultos em que nunca teve a coragem de desvendar.

Damian: Confie em mim e me encontre nos jardins ao pôr do sol.

Adhara: Confiar em você atualmente é um risco Damian.

Não estava em seus planos chama-lo por seu nome, seu cérebro agiu mais rápido ao comandar seus dedos a escrever Damian ao invés de terminar a frase como deveria ter feito.

Damian: Tem razão. Justamente por isso que eu só posso confiar em você para que meu plano funcione

Foi um golpe baixo. Naquele momento não foi apenas seu ego que falou mais alto, não. Aquelas palavras despertaram sua necessidade de ser útil na vida de alguém, algo que nem mesmo nos anos de terapia ela conseguia superar. Damian precisava dela, e de alguma forma aquela simples frase foi capaz de criar uma verdadeira batalha naval em sua mente traçando estratégias como se estivesse prestes a entrar em uma batalha, e talvez ela estivesse.

Uma parte obscura dela sentia como se estivesse fazendo algo errado e por isso não deveria estar com o uniforme escolar e muito menos usando orgulhosamente seu manto de Alumni Elite e como tinha até o pôr do sol para chegar aos jardins Adhara se viu pegando o caminho de sua casa e pior ainda quando se deu conta já tinha criado uma pequena bagunça em seu quarto perfeitamente arrumado.

Não que estivesse ansiosa, não, claro que não! Era apenas seu sexto sentido a alertando que seja qual fosse o plano de Damian provavelmente algumas regras seriam quebradas e faltando pouquíssimo tempo para a Reunião dos Alumni ela precisava ser a mais exemplar daquela Reunião e conseguir conversar com o Reitor da Kings College – Elijah Archibald – e garantir mais pontos e oportunidades para que assim como suas mães Adhara possa frequentar a universidade e o curso de Artes Cênicas.

E por isso que ela quase saltou do Uber quando o veículo estacionou, ela precisava garantir que sua vaga na Kings College não seria arruinada por alguma bobagem que se passava na cabeça de Damian. Montgomery poderia ter o mundo aos seus pés como todo homem branco e rico, mas Adhara não. E se isso atrapalhasse qualquer chance dela na Kings College ela não se importaria em acelerar sua expulsão.

Quando chegou na entrada do parque precisou respirar fundo vestir sua melhor máscara de indiferença e não demonstrar a ansiedade crescente em seu peito e usar toda sua coragem para entrar. Princes Street Gardens é um dos parques urbanos mais importantes situados no coração de Edimburgo. Separa a Cidade Velha da Cidade Nova. Os jardins são divididos em duas partes pelo The Mound, uma colina artificial que conecta a Cidade Nova e a Cidade Velha de Edimburgo e onde fica a Galeria Nacional Escocesa.

Não foi difícil encontrar Damian, pelo contrário, ele ainda usava o uniforme escolar e conversava com uma mulher de longos cabelos obsidianas lisos. Addie não pode deixar de sentir um pequeno frio na barriga quando se aproximou dos dois e a mulher asiática a olhou de forma intimidadora que precisou conter sua vontade de se encolher em seu lugar.

“Damian.” Apesar de intimidada pela presença da mulher ela não deixou de tomar a iniciativa e anunciar sua presença. Damian não parecia surpreso com sua chegada. Pelo contrário, poderia até mesmo dizer que ele parecia aliviado com sua chegada.

“Adhara” ele devolve o cumprimento e gesticula para a mulher a sua frente “essa é Wilhemina Wong gerente de campanha e de mídia do meu pai.”

A mulher a sua frente trabalhava para o Visconde Montgomery. E se Damian esperava que ao apresentar a mulher suas dúvidas iriam diminuir, ele nunca esteve mais enganado a presença de Wilhemina apenas a deixou mais confusa a respeito dos objetivos e estratégias para que Montgomery se mantivesse na Academia Sant Lennox.

“Olá Adhara, Damian me disse que é uma atriz.”

Seus olhos procuraram pela tempestade cinzenta que os olhos de Damian eram, se antes ela estava confusa, agora ela estava confusa e irritada. Seja lá qual fosse o plano que Montgomery estaria pensando ele claramente a envolvia.

“Mina...” Damian tentou soar como se estivesse repreendendo a funcionaria de seu pai, e sua falha tentativa não foi o suficiente para fazer a mulher se desculpar ou sequer tentar apaziguar o temperamento que ameaçava a se tornar explosivo de Adhara.

Addie não confiava em Wilhemina da mesma forma que tinha certos receios ao confiar em Damian, então forjou sua máscara de indiferença em seu rosto mais uma vez e antes que pudesse se sentir em qualquer tipo de desvantagem em uma possível negociação que poderia se seguir, Adhara assume a frente e vai direto ao assunto.

Seus olhos vão de encontro ao céu escocês que Damian tinha em seus olhos, ela não iria olhar para a mulher intimidadora que estava ao lado de Montgomery. Não, ela iria tratar desse assunto com ele e apenas ele seja o que fosse ela e Damian eram iguais, ambiciosos astutos e adoravam qualquer tipo de competição que pudessem demonstrar como eram superiores um ao outro.

“Eu não tenho o dia todo.” Era um bom início, forçar Damian a ser direto era sempre a melhor escolha “Só porque eu garanti sua permanência em Sant Lennox não quer dizer que eu devo ser sua amiguinha.”

Na maioria das vezes Adhara revirava os olhos quando o famoso sorriso torto de Damian enfeitava seu rosto, só que estaria mentindo caso dissesse que quando aquele sorriso foi direcionado a ela Addie não sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

“A última coisa que eu desejo é sua amizade Adhara.” revida ele e por um segundo ela soube que sua máscara não estava posta bem o suficiente, choque estampou seu rosto até então indecifrável, pode ver que falhou em se manter neutra ao ver o leve brilho nos olhos de Damian “Mas de fato eu tenho uma proposta para você.”

Maldita curiosidade que a domina, suas mães sempre lhe disseram que sua curiosidade seria a responsável por sua queda e ela sabia que estava à beira do precipício quando Damian Montgomery brincou com sua curiosidade a incitando com uma proposta sem face.

Sua mente tentava mandar algum comando para seu corpo, estalar os dedos para o forçar a ser mais ágil, cruzar os braços, ou ao menos piscar! Podia sentir seus olhos ardendo e não conseguia encontrar forças o suficiente para tirar seus olhos dos deles por um minuto sequer, ela estava presa a uma armadilha mental e precisava sair daquele inferno.

“Eu tenho uma reunião com seu pai em vinte minutos Damian, diga logo a proposta para que eu possa redigir o contrato.”

Contrato? Mas que porra estava acontecendo? Qual era o problema da Elite e seus fetiches por contrato? Quis gritar e exigir uma resposta, mas sua voz saiu com um leve tremor ao se dirigir a Senhorita Wong

“O que você está falando? Que contrato?”

Sua resposta não veio por Wilhemina e sim por Damian a pegando de surpresa – não por ele responder – mas sim pelo tom de culpa e pesar que estava em sua voz e pelo o que seria a segunda vez naquele dia ela o viu cabisbaixo.

“Eu preciso voltar as boas graças com meu pai Adhara.” Não Crawford, nem estrelinha... ele a chamou por seu nome e não havia qualquer sinal de deboche ou algo parecido “E a melhor forma de voltar as boas novas com Lucien é o ajudando com sua campanha, é voltando a ser o garoto de ouro que os tabloides me pintaram por muitos anos.”

E então a realização brilhou sobre sua mente, tão clara quanto dia, brilhante como um cristal ele precisava dela de uma forma torta e sem nexo poderia Adhara ser a responsável em garantir a permanência de Damian em sua casa de infância? Os dois poderiam parecer apaixonados para as câmeras e eles se tornarem o casal apaixonado e jovem que iriam garantir a popularidade de um homem frio e responsável por grande parte dos traumas que Damian enfrenta? Eles seriam capazes de serem o William e Kate de Lucien?

Não” a palavra saiu de seus lábios antes que ela tivesse total controle de sua mente, ela soube que Montgomery esperava essa resposta quando ele simplesmente assentiu e estava pronto para se desculpar. Mas Wilhemina tomou a dianteira, a mulher claramente não iria permitir que dois adolescentes tomem uma decisão que claramente é uma de suas estratégias para garantir a vitória de Lucien Montgomery.

“Não? Tão simples assim?” o desdém na voz da mulher fez com que seus olhos se virem em direção a ela que olhou para Damian ao sentir que Adhara a fuzilava “Você me disse que ela era uma estrela em ascensão, eu não vejo isso.”

E então seus olhos escuros como ônix se voltaram para Adhara a olhando de cima a baixo como se duvidasse do que ela era capaz. E por um minuto, Addie se questionou se realmente era uma boa atriz, se a vida que ela queria seguir era uma que teria talento ou conexões o suficiente para seguir em frente.

“Eu vejo uma garotinha assustada, egoísta que vive em uma terra de sonhos e fantasias e que jamais poderá viver com a arte, pois não foi capaz de aceitar a oportunidade quando ela bateu em sua porta.”

Apesar de se considerar mais inteligente e as vezes até ter sentimentos de superioridade relacionado as pessoas de sua idade, Adhara odiava ser subestimada ou se sentir minimamente desafiada, em seus anos na Academia já havia aceitado desafios feitos por Damian por menos do que isso, então com um suspiro e assumindo sua derrota, ela disse:

“O que vou ganhar com isso?”

Notas finais
E por hoje é só pessoal! Espero que gostem e lembrem-se criticas construtivas sempre são bem vindas. Apesar dos próximos três capítulos estarem já prontos podem adicionar sugestões se quiserem, até mais!