Amor Em Las Vegas
12 Capítulo 12 - Renovação
Notas iniciais
O SEAL ficou surpreso pela ligação de Grace em um horário tão inusitado. Ele acreditava que ela estava dormindo depois de passar o dia na companhia do pai. O sono passou na mesma hora que ela falou precisar de ajuda. Em sua cabeça as piores situações se formavam. Grace sequestrada. Grace ferida. Grace...
– Danno está passando mal. Liguei para tia Kono e ela está aqui.
– Estou a caminho.
– Vem logo, tio Steve. Danno não quer ir ao médico.
Steve, que já estava esperando o momento propício para alfinetar o parceiro, saiu rapidamente da cama e vestiu a primeira roupa que encontrou. Pegou a arma, as chaves da caminhonete, e o documento. Quando saiu de casa e destravou as portas do veículo, percebeu que estava frio e garoando Seu pensamento foi ocupado pela imagem saudosa do parceiro e imaginou se não seria uma gripe castigando o detetive.
Kono e Adam tentavam, inutilmente, convencer o loiro a procurar um médico e a moça quis ligar para Max e chamar uma ambulância. Todos os membros do 5-0 tinham notado que a saúde do detetive estava comprometida nos últimos dias, mas não imaginavam que havia chegado nesse ponto. Kono saiu do quarto fazendo uma ligação pelo celular e voltou pouco depois.
– Liguei para Chin, ele está vindo pra cá e vai trazer a Malia.
Steve chegou no momento em que Danny se recusava veemente a procurar ajuda médica. O SEAL simplesmente adentrou o recinto, cumprimentou Kono e Adam, chegou perto da cama, levantou o doente e jogou o corpo dele sobre o ombro. No corredor encontrou Malia e Chin e os cumprimentou. Enquanto o detetive gritava furiosamente.
– Steve! Me coloca no chão! O que pensa que está fazendo, seu Chuck Norris maluco?!
– Ainda bem que chegaram. Chin, Malia. Eu preciso que cuidem de Grace enquanto eu levo Danny para o hospital. Kono e Adam ainda estão no quarto.
– Certo, Steve. Malia me disse antes de sair de casa que você daria um jeito na situação e convenceria Danno a se consultar. Vejo que ela tinha razão.
A esposa de Chin não estava de plantão naquele dia, mas se dispôs a acompanhar Steve se ele quisesse. Ela sentiu Grace parar a seu lado e segurar sua mão. A garota estava muito preocupada com o pai.
– Se quiserem posso acompanhá-los até o hospital. Estou de folga, mas posso ajudar.
– Não será necessário. Você precisa dessa folga, eu me viro por lá.
Foi assim que Steve desceu pelo elevador com um Danny nervoso de pijamas sobre o ombro. A dupla chamou atenção de todos os presentes até chegarem ao estacionamento e partirem.
Os médicos que atenderam Danny, ficaram intrigados com o caso dele. Os sintomas não se encaixam em nenhuma patologia. Coletaram os exames e ele ficou internado em observação até que os resultados ficassem prontos. Poucas horas depois alguns resultados chegaram. Inconclusivos. Era necessário aguardar alguns dias para outros exames que tinham objetivos um tanto mais específicos.
Steve aguardava ansiosamente pelos novos resultados. Passou o tempo todo ao lado de Danny. O loiro precisou de um relaxante e estava dormindo. Uma enfermeira passou pelo quarto em que eles estavam para verificar o paciente e reduzir a sedação para que ele despertasse. Os sinais dele foram anotados e a mulher saiu.
O médico responsável chegou ao quarto e Danno havia acordado há pouco tempo. O doutor esclareceu algumas dúvidas e finalmente disse aos dois homens que nada foi identificado nos exames. Poderia ser uma gripe, como poderia ser qualquer outro diagnóstico. Até mesmo uma reação alérgica. Mas, como o estado dele melhorou e os exames mostraram estabilidade, o médico recomendou alta. Enfim, não havia mais motivos para manter o detetive internado.
– Recomendo alguns dias longe do trabalho, em algum lugar calmo e bonito.
Daniel quis contestar, mas o chefe não permitiu. Voltaram para a sede do Five-0 para comunicar o restante da equipe sobre o estado de saúde do detetive. Steve contatou a filha do amigo e pediu ajuda.
– Vamos arranjar um lugar para Danno descansar. Tem alguma dica para o tio Steve?
A garota sem pestanejar deu a resposta.
– Las Vegas.
– ...
– Papai voltou de lá um pouco melhor, quando vocês foram comemorar a despedida de solteiro.
O SEAL não conseguiu evitar o rubor que tomou seu rosto a simples menção do local onde ele e Danno ficaram juntos pela primeira vez. Bons tempos, boas lembranças daqueles poucos dias que puderam se esquecer do resto do mundo e se entregar ao momento. Estar nos braços de quem se ama e não se importar com mais nada.
– Tio Steve?!
O homem foi tirado de suas divagações românticas enquanto era observado pela garota. Tentou parecer sério, mas não conseguiu.
– Grace, você tem certeza que Vegas é um bom lugar para Danno descansar?
– É sim, ele me disse que viveu um sonho muito bom lá.
O comandante sorriu apaixonado. Sabia o quanto aquelas palavras significavam e se sentiu amado por um instante. Até se lembrar da rejeição e seu coração apertar pela decepção. Tomou uma decisão. Não levaria Danny para Las Vegas como se estivessem numa segunda lua de mel. O lugar que antes era referência de uma aventura amorosa, fora reduzido a mágoas e decepção.
O militar não contaria essa decisão a Grace. Ela não precisava se preocupar com essas coisas. Ele escolheria um lugar calmo para Daniel e a filha passarem alguns dias relaxando. Não precisava estar junto para que o parceiro melhorasse a saúde. Grace daria amor, carinho e atenção em quantidade mais que suficiente para o bem-estar do pai.
(*)
Kono havia perdido o sono. Revirou pela cama por algumas horas até que resolveu se levantar. Talvez estivesse habituada a dormir acompanhada. Adam estava fora da cidade por motivo de trabalho. Numa tentativa de se distrair decidiu caminhar. Não estava trabalhando naquele dia, então poderia se permitir o luxo de dormir à tarde.
Depois de caminhar pela praia e pegar algumas ondas, a policial voltou para casa. Adam tinha deixado um recado em sua secretária eletrônica. Ela respondeu e foi para o quarto, separou roupas limpas e tomou banho. Quando saiu do banheiro o telefone estava tocando.
– Danny?
– Oi, tia Kono!
– Hey, Grace. Está tudo bem?
– Sim, o Danno está bem melhor depois que voltou do hospital. Ele ainda não acordou, mas eu percebi que ele demorou pra dormir ontem. Acho que está triste.
– Bom, o que acha de levarmos seu pai para passear? Talvez ele esteja se sentindo solitário e desocupado. Vou tomar café e passo aí em meia hora.
– Eu adorei a ideia. Vou mudar de roupa e esperar. Tchau, tia Kono.
– Até mais, Grace.
A garotinha tinha ligado no momento perfeito. Fazia algum tempo que Kono queria conversar com o colega a respeito daquela aliança e talvez descobrir o que realmente aconteceu em Las Vegas. Ela tinha apenas suas suposições baseadas em alguns fatos que passaram a ter significado depois que ela flagrou o chefe e o colega transando sobre a mesa touch.
Meia hora depois, conforme o combinado, Kono estacionou em frente ao hotel onde Danno estava hospedado e subiu para buscar pai e filha. Grace estava pronta para sair, mas Danny não tinha nem saído da cama ainda. A menina tentava inutilmente convencer o pai a acompanhá-las num passeio relaxante.
– Bom dia. Por que ainda está deitado?
– Eu não estou com vontade de sair hoje. Ok?
– Qual é o seu problema?! Levante agora e tome um banho. Vou separar suas roupas e vamos sair. Você tem vinte minutos.
– Eu-não-vou-à-lugar-algum.
A policial não se fez de rogada. Sacou o celular e discou para um número conhecido.
– Steve?
Ao ouvir a colega falando com Steve pelo celular, Danny levantou da cama e rapidamente foi tomar uma ducha. Não estava pronto para outra cena constrangedora de ser carregado por Steve até o carro de Kono. Ela também tinha se revelado uma tremenda sacana. Custava deixá-lo em paz? Não tinha humor algum para passeios de amigos.
Pouco depois, uma sorridente Grace adentrava o Shopping segurando a mão do pai carrancudo enquanto eram seguidos de perto por uma Kono extremamente satisfeita.
Depois de rodar cada piso do edifício gigante, Daniel estava louco por descanso. Tinha se esquecido do quanto era exaustivo acompanhar mulheres às compras. Não fazia isso desde o divórcio com Rachel. Steve era tão mais prático. As poucas vezes que acompanhou o SEAL, percebeu a agilidade e objetividade que ele mantinha ao fazer compras.
Logo a fome bateu e o trio se dirigiu a praça de alimentação. Pedidos feitos e pouco depois saboreavam suas refeições acomodados confortavelmente. Danny criticou o prato da colega, qualquer coisa sobre abacaxis no meio da comida salgada e o quanto isso estava influenciando a filha.
Grace comeu rapidamente para brincar na área de recreação que havia ao lado da praça de alimentação. Depois de passar inúmeras recomendações à garotinha, Danno finalmente voltou para mesa onde Kono pacientemente esperava. Na verdade ele estava tentando escapar. Sabia que ela queria conversar. Não que tivesse problema bater um papo com a colega.
A inquietação que tomava o detetive era o assunto. Ninguém tinha mencionado nada, mas ele sabia exatamente sobre o que Kono falaria. Devia saber que todo aquele silêncio depois do flagra na mesa touch não representava uma pedra sobre esse assunto. A moça estava esperando o momento em que o pegaria desprevenido e sozinho.
– Desembucha, garota. Você não convidaria minha filha a me arrastar para fora do meu aconchegante quarto à toa.
– Você é um ótimo detetive, Williams.
– Ok. Agora comece a falar. Eu não sou bobo nem nada.
– Bom, eu só quero a verdade.
– Não há nada pra falar. Está bem?
– Oh! Tudo bem então. Se você não tem nada a declarar, poderia me esclarecer alguns pontos sobre o que exatamente aconteceu em Vegas.
O loiro empalideceu. Achava que ela perguntaria sobre o que acontecera depois de seu sequestro. Mas ela era mais cruel do que esperava. Ela queria o começo de tudo. Então ele a deixaria satisfeita. Contaria toda a saga de seu fracasso amoroso com o SEAL mais malditamente bruto e bom de cama.
– Eu nem sei quando esse... essa coisa toda teve início, sabe?
– Sem enrolação, colega.
– Quando me dei conta já estava imerso nessa loucura toda.
– Você está tentando me enrolar. Comece falando de Lori.
– De quem?!
– Chega de esconder. Todo mundo percebeu que você não ia com a cara dela e tinha ciúme da relação dela com Steve. Mas todo mundo achava que era pela sua amizade com ele.
– Eu não estava com ciúmes!
– Estava sim.
– Ela era uma ridícula intrometida que chegou depois e se infiltrou na nossa vida. Ninguém chamou aquela intrusa.
– Você ainda morre de ciúmes. E Catherine?
– Ela brigava com Steve quando ele me preferia a ela. E às vezes acabava por nos juntar em algum programa deles.
O detetive sorriu nostálgico ao se lembrar de um Halloween em que não esteve presente para acompanhar a filha no porta a porta atrás de doces. No dia seguinte, ele e a macaquinha fantasiada chegaram a casa de Steve e o comandante estava com Cath. No fim a tenente convidou pai e filha para assistir um romance com ela e o SEAL. Ela arrastou Grace para um canto e deixou a outra metade do sofá para Danny e o militar. Depois de se acomodarem, Steve ainda passou o braço pelos ombros de Danny e o manteve próximo num quase abraço.
– ...ny! Danny!
– Hã?!
– Hey! Parece que alguém está divagando sobre alguma lembrança muito boa com o grande amor.
– Não...
– Pela cor que estão suas orelhas e sua cara, devo imaginar que algo bobo e romântico. Quer saber? Não vou te forçar a me contar nada. Uma hora vai me contar, por livre e espontânea vontade.
O loiro relaxou feliz pela compreensão da amiga. Ela realmente era uma boa garota. Uma pena já estar apaixonado pelo comandante. De qualquer modo ele deveria alertar Adam sobre o tesouro que tinha nas mãos e deixar claro para o homem que se magoasse sua amiga, era um homem morto.
Ao fim do dia, Daniel estava satisfeito pelo passeio na companhia de duas mulheres maravilhosas que se importavam tanto com ele. Toda a melancolia que o estava acometendo passou e agora ele sabia que dormiria feliz. No caminho de volta para o hotel, Grace dormiu exausta pelo dia cheio. Kono olhou para o amigo enquanto dirigia pelas ruas silenciosas da cidade e notou a satisfação do pai ao olhar a pequena adormecida no banco traseiro.
– Obrigado. Obrigado por se importar tanto comigo e me aturar mesmo quando eu fico rabugento.
– Eu sempre quero ver minha família feliz. Nós nos importamos uns com os outros. Agora que acertamos tudo com você, o que pretende fazer sobre Steve?
– Eu... eu não sei. Nem pensei em nada ainda. Depois do sequestro, você sabe, aconteceu aquilo e a briga. Então me mudei da casa dele e não tocamos mais no assunto.
– Isso não pode ficar assim.
– Eu saí do hospital e ele foi tão atencioso com tudo. Ficou comigo durante os dias que estive internado e me acompanhou em cada etapa da doença.
– Devia, pelo menos, agradecer adequadamente e se desculpar por ser um idiota.
– O médico me disse para viajar e relaxar. Acredito que a Rachel não vai se importar de eu fazer essa viagem com a Grace.
Kono voltou para casa extremamente satisfeita enquanto a mente perversa trabalhava um plano maquiavélico a respeito de Steve e Danny. Deixou Daniel no hotel e se responsabilizou por entregar Grace sã e salva para mãe. Quando parou em frente a casa da ex-mulher de Danny, trocou algumas palavras com a garotinha.
– Grace, você consegue guardar um grande segredo?
– Posso, tia Kono.
– Estou planejando a viagem do seu pai. Mas vou precisar da sua ajuda.
– Pode contar comigo.
– Ótimo. Depois a gente se fala.
Chegou em casa e passou quase a noite toda acordada fazendo pesquisa na internet e bebendo energéticos. Quando estava amanhecendo, ela concluiu sua missão noturna e foi para a cama onde um ansioso Adam a esperava.
Danny continuava afastado do trabalho e uma semana depois do passeio com Kono, ele foi presenteado com uma viagem surpresa. A amiga passou pelo hotel e o ajudou a fazer as malas. Grace estava completamente animada com a ideia de viajar para longe e passar tanto tempo na companhia de seu amado Danno.
O detetive passou o percurso todo questionando Kono sobre o destino de sua inusitada viagem surpresa. A moça apenas sorria e piscava cúmplice para a filha dele.
– Não se preocupe, Grace memorizou o roteiro todo. Você só saberá quando estiver lá.
– Espero que não estejam planejando nenhuma loucura.
Enquanto Kono colocava o loiro e a filha num avião, Chin arrastava Steve para um voo particular rumo ao mesmo destino que Daniel com a desculpa de uma pista para o caso em que estavam trabalhando. Mas o SEAL não percebeu a armação dos colegas. Ele foi sozinho. Chin disse que não poderia acompanhar porque Kono ficaria sozinha e Danny estava afastado por motivos médicos.
Daniel passou o voo todo preocupado com a surpresa. A menina era dura na queda e não cedeu nem mesmo sob ameaça. Era o segredo dela e da tia Kono, então Danno não podia saber. Coisa de mulher. Quando desembarcaram, Daniel foi guiado pela filha até um Spa maravilhoso onde passou o dia todo dividido entre cuidados e relaxamento. Massagem, ofurô, cabeleireiro...
Steve desembarcou e foi guiado ao mesmo Spa, mas não encontrou Danny e Grace. Depois de todo o relaxamento diversão, o líder do Five-0 se vestiu para o jantar especial naquela noite. Pelo que informaram, uma pessoa muito importante jantaria em sua companhia. Ela não fez qualquer comentário. Acreditava que tudo fazia parte da investigação, apenas ficou um pouco tenso por terem vendado seus olhos.
Daniel entrou no táxi que o levaria a um jantar com uma pessoa não identificada, mas que, segundo informações, era alguém importantíssimo. Ele não podia recusar, a filha parecia exultante por vê-lo feliz. Na metade do caminho, a filha colocou uma venda nos olhos do detetive.
– Para que isso?
– É para não estragar a surpresa, papai.
Os dois homens chegaram juntos ao local do jantar, mas foram guiados através de caminhos diferentes. O lugar fora arranjado especialmente para aquela ocasião. Os dois vestidos com roupas leves e descalços. Foram colocados de joelhos sobre um deck, um de frente para o outro, e logo ouviram a voz infantil de Grace chegar a seus ouvidos.
– Pode tirar a venda.
A primeira reação foi surpresa, a segunda seria uma discussão até a menina interromper.
– Silêncio, precisamos prosseguir com a cerimônia.
Os olhares de interrogação dirigidos a ela já eram esperados. Eles visualizaram o local em que estavam e constataram que deveria ser algum restaurante chique e o espaço fora reservado apenas para eles. Uma mesa estava posta a alguns metros. O ambiente transbordava romantismo. A garotinha segurava uma almofada onde descansava um par de alianças de platina.
– Estamos aqui para celebrar a renovação dos votos matrimoniais de Steve McGarret e Daniel Williams.
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