Amor Despretensioso
1 Como foi que começou mesmo?
Notas iniciais
Boa leitura!!!
Não me considero alguém experiente nos assuntos do coração, e nem tão pouco iniciante, porém, não lembro quando exatamente meus olhos passaram a enxerga-lo de um jeito diferente. Também não me recordo do exato momento que esse sentimento floresceu em meu coração. Só sei que agora está presente na maioria dos meus pensamentos, ou quem sabe, em todos eles. Tenho consciência que esse sentimento que cresceu em mim não deveria existir pelo simples fato de tudo, palavras, gestos, elogios, sorrisos terem sido algo natural e sem nenhuma segunda intenção por parte dele, mas que meu coração não soube diferenciar.
Talvez possa me atrever a dizer que tenha começado com a gentileza pela qual ele me trata, pondo a mão em minha costa para me conduzir no momento certo para atravessar a rua e tirar apenas depois de termos atravessado. Um cavalheiro transportado das épocas antigas para dos tempos atuais.
Ou quem sabe a forma como nossos corpos são embalados pelo som da música. Quando dançamos sentimos uma ligação, ou melhor, sinto uma ligação, uma conexão que me faz perder noção do tempo, do espaço, onde uma música trás o gosto de eternidade, aprecio esta emoção, mesmo que não passe de uma simples ilusão criada por um coração que não soube parar.
Pode ter sido pelo toque despretensioso dos nossos ombros enquanto caminhávamos e como eles pareciam estar ligados por fio que sempre nos puxava para mais perto. Mesmo havendo um espaço enorme para andarmos livremente, caminhávamos como se estivéssemos em um túnel estreito onde, só poderíamos passar se ficássemos mais perto um do outro.
Mas os sorrisos dele, sim, o belo conjunto de sorrisos dele, e não estou falando somente do sorriso que sua boca forma, mas o de seus olhos também. Esse belo conjunto que me faz pensar no calor do sol das 17 horas, no cheirinho de chuva chegando, do gosto familiar do café, ou do doce som do tintilar de sinos sendo balançados ao vento.
Como se pode ver, esse belo conjunto de sorrisos é um forte candidato por deixar meu estômago cheio de borboletas, meu sangue acumulado nas maçãs de meu rosto, pelas palpitações no coração e os tremores de minhas pernas, além das besteiras que falo e de como me atropelo nas palavras quando conversamos por puro nervosismo meu.
Perdi a conta das inúmeras vezes que quis pentear seus cabelos, contornar a silhueta de seu rosto, traçar uma linha com meus dedos da base de sua testa até ponta de seu nariz e desenhar o formato do seu maxilar. Contornar seu sorriso e sentir a maciez de seus lábios, maciez essa que sonhava sentir com os próprios lábios.
Logo, não me dei conta do momento em que meu coração havia sido roubado, e sem nenhuma intenção por trás, apenas segui sozinha na frente e sem perceber, já havia ido tão ao longe que não sabia mais como voltar, ou talvez não quisesse. Resta-me conviver com esse sentimento que me faz observar o céu despreocupadamente durante o dia e me tira o sono durante a noite. Um coração que não é somente meu, mas que queria dá-lo a alguém que infelizmente não o quer receber.
Notas finais
Obrigada novamente por me acompanharem.
E vocês, conseguiram se enxergar também? Me conte como foi!
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