Amor Despretensioso
2 Muito prazer, sou conhecida como trouxa!
Notas iniciais
Digamos que ser trouxa está no meu sangue. Sabendo no que meu coração estava se metendo, fiz a coisa mais normal do mundo, passei a flertar com ele. No entanto, a forma como era retribuída só me dava esperanças.
Ouvir ele me chamar de nenê derretia meu coração, e não ajudava a frear o que sentia, longe disso, só me fazia querer estar perto dele, abraça-lo, andar de mãos dadas. Mas infelizmente, tudo o que eu dizia para ele, foi confundido com brincadeiras. Talvez estivesse ai meu erro, em não ter sido clara e levar na brincadeira e esportiva como sempre fazia.
Quando acordei no outro dia, li sua mensagem de que não haveria um nós, uma sexta em algum lanche, um sábado à noite no cinema ou um domingo de dança, todos esses momentos caíram por terra. Meu coração só queria uma coisa, continuar ao lado dele, mesmo que só por amizade, porque além da paixão que sentia em meu peito, sua amizade era importante. Foi isso o que fiz, compreendi seus motivos e me mantive como sua amiga, como antes, antes de eu caminhar para um amor não correspondido.
Continuávamos nos vendo, brincando, dançando, e tanto ele quanto eu, não tocava no assunto. Foi como se nunca tivesse dito que gostava dele. Por um lado, foi bom, pois nossa amizade permaneceu a mesma, sem nenhuma mudança, nada ficou estranho, mas por outro, sentia como se meu sentimento fosse tão medíocre a ponto de ser deixado de lado bem rápido. Ou talvez ele não quisesse me deixar constrangida. Mesmo assim, uma reação diferente era o mínimo para mostrar que em algum momento havia sido considerada em potencial.
Foi nesse dia que me arrependi, de não ter falado abertamente o que sentia, e brincar com meus sentimentos por causa do meu nervosismo. Talvez, eu meio que soubesse da resposta, no entanto, para dar um fim aquele sentimento, precisava desabar, embora não tenha feito isso da maneira que queria. No fim, ele ficou como sempre, mas sentia meu coração palpitar a qualquer gentileza, ou em qualquer toque de nossos corpos, trocas de olhares. Tentei agir como sempre, mas algo apertava em meu coração.
Mas foi num desses encontros de amigos que não controlei meus sentimentos e acho que ele também não.
Assistíamos a um filme juntos, deitados em um colchão inflável, que secava a cada meia hora. A TV não tinha funcionado, então restou colocar o notebook na perna. Aos poucos nos aproximávamos mais, e quando dei por mim, já estava deitada em seu braço, sua mão na minha cintura e nossas pernas entrelaçadas. Droga, isso não devia acontecer
Ele infelizmente não resistiu ao terceiro filme e cochilou, percebi que não aguentaria o resto do filme, além de precisarmos acordar cedo ainda, então achei melhor irmos dormir.
Ajeitamo-nos para dormir e instintivamente ele me fez deitar em seu braço e minha mão agarrou sua cintura. Parecia algo tão normal, a forma como nossos corpos ficavam juntos daquela forma, que me fez duvidar se eu já não tinha sonhado com esse momento e estava tendo um déjà vu.
Não sei bem quanto tempo passou, mas os segundos se arrastavam pela noite escura e preenchida com o som de nossas respirações. Aos poucos nossos rostos se aproximavam; uma hora meu rosto estava em seu peito, enquanto sentia o roçar da sua barba em minha testa, outra hora a sentia roçar em meu nariz, enquanto isso, meu impulso de agarrá-lo ia tomando conta de mim. Talvez esse fosse o receio em deixar meu desejo falar por si, ter recebido um não e sem estruturas emocionais para receber outro.
Mas, meu medo caiu por terra quando senti seus lábios, aqueles em que pensava tanto, tocarem finalmente os meus. Havia imaginado tanto esse momento, que toda essa espera, essa tensão, havia sido recompensada pela maciez de seus lábios.
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