Notas iniciais
"- Seus lábios estão brancos. – Disse olhando para sua boca. Ela sentiu o ar faltar, seu coração batia descompassado. - Miguel... Não faça... Antes que Tessa pudesse completar a frase, os lábios de Miguel já estavam nos dela..."

Seattle

27/12/2007

A estrada era estreita e deserta, a única coisa que iluminava o caminho eram os faróis do Porsche amarelo que passava por ela.

O ponto vermelho do GPS indicava que Miguel não devia estar muito longe.

- Mas que droga, por que você se meteu nesse fim de mundo?!! – A única coisa que Tessa conseguia ver além da estrada vazia, eram as enormes árvores das encostas da estrada.

O relógio digital marcava oito da noite, o céu estava coberto por uma espessa nuvem negra, o vento forte parecia querer arrancar as arvores pelas raízes.

Tessa arregalou os olhos quando o ponto vermelho parou de se movimentar, em algum lugar ao leste, no meio daquela floresta densa.

Estacionou o carro, escondeu a arma debaixo da blusa de lã fina, prendendo-a na parte de trás da calça. E saiu.

O vento frio fez com que se encolhesse, não havia sido um bom dia para esquecer o casaco.

Enfiou-se na floresta, desviando dos galhos e troncos caídos, cada passo exigia muita atenção, o terreno íngreme e as pedras cheias de musgo dificultavam sua movimentação. O frio também não ajudava.

Já havia percorrido alguns metros quando a pedra em que havia pisado se soltou do chão e fez com que Thereza perde-se o equilibro, acabou se segurando num galho para não rolar ladeira abaixo.

Suspirou aliviada.

E então o galho se partiu, e desceu a ladeira a passos rápidos, tentando acompanhar a velocidade que a inclinação lhe dava.

Parou finalmente batendo de frente com um arvore.

- Grrrr... Eu juro que vou matar você, Miguel! – Gritou para si mesma.

Mas foi só olhar para o lado e toda sua raiva havia sido esquecida.

Ali a poucos metros dela, havia um carro preto, capotado. Coberto de marcas de tiros tanto na lataria quanto nos vidros.

Tessa se aproximou do veículo destruído, provavelmente algum acidente havia acontecido mais cedo, buscou corpos ou mesmo sobreviventes, mas nada encontrou, o que será que havia acontecido?

Sua atenção se foi do automóvel para a pequena luz do horizonte. Uma casa, uma lanterna, podia ser qualquer coisa. O importante é que havia a chance de haverem sobreviventes daquele acidente horrível. E ela precisava ajudá-los.

(...)

Após correr pela floresta, o pequeno ponto de luz se transformou em uma janela.

Thereza entrou numa clareira, nela: Uma casa pequena, um estábulo, um galinheiro. Era um sitio minúsculo no meio da floresta fria de Seattle.

Ofegava, tentando recuperar o fôlego, a fumaça branca saia de sua boca. Os termômetros deveriam estar a uns dez graus, e ela com aquela blusa de lã. Xingou-se mentalmente e esfregou as mãos nos ombros, antes de se por a caminhar em direção a casa.

Bateu na porta, uma estranha agitação se deu no interior docasebre. Tessa franziu o cenho.

- Sim? – Perguntou um homem alto, musculoso,vestido com uma jaqueta de couro e calças jeans.

- Sou a agente Cook. Recebi o chamado de um acidente aqui perto. — Franziu o cenho para o homem. – Sabe de alguma coisa senhor...?

- Posso ver seu distintivo?

Tessa tirou o distintivo do bolso traseiro e o mostrou rapidamente.

- Não sei de nada, lamento.

- Também duvido que seja daqui. Como alguém trabalharia no campo vestido assim, não é mesmo? – Sorriu irônica, ela não ia com a cara daquele homem.

- Claro... Eu vim, da cidade, ver meus avôs, acabei de... – O homem parou de falar quando viu o olhar de Thereza descer para o chão, onde um fio de sangue se arrastava porta a fora, para perto de seu pé.

Ela voltou a encara-lo, e este lhe olhava com fúria, já sabia que o considerava suspeito de algo. Fez menção de pegar a arma de dentro da jaqueta.

Tessa o empurrou para trás a tempo de ver mais seis homens na sala, engoliu em seco. Fechou a porta e rapidamente arrastou o banquinho de madeira da varanda para frente da passagem.

Saiu correndo para os fundos da casa, sabia que aquele mero pedaço de madeira não seguraria sete homens furiosos.

Colou seu corpo na parede. A porta foi arrombada com um chute.

- Acho que ela correu para a floresta, não deve estar muito longe, vamos! – Ordenou o mesmo homem que a havia atendido.

Ouviu os passos se afastando, e se permitiu respirar. Agora teria que ver de quem era aquele sangue, chamar a policia local, e sair de fininho. Não queria nem pensar no que Gary faria se a visse ali.

Caminhou em direção a parte da frente da casa, estava passando pela lateral da mesma, quando foi surpreendida.

As portas do porão se abriram num estrondo e sem que esperasse, dois braços fortes envolveram seu corpo e a puxaram para dentro, jogando-a em seguida num monte de feno que havia em um canto próximo.

A pequena lâmpada estava ligada e agora Tessa podia ver perfeitamente quem estava fechando as portas do porão e colocando um enorme cadeado nas maçanetas.

- Miguel! O que pensa que está fazendo??!! – Gritou, sentiu suas orelhas ficarem vermelhas pela raiva que sentia. – Me deixe sair daqui agora mesmo seu...

- Shh. – Ele colocou a mão na boca de Thereza para que cala-se a boca. – Escute. — Apontou para cima com o indicador da mão livre.

- Encontraram alguma coisa? – Vozes e passos vinham do andar de cima, onde deveria ser a sala.

- Não chefe, ela fugiu. – Um dos homens disse.

O barulho de algo sendo quebrado foi ouvido.

- Mais que inferno! Seus incompetentes! Primeiro Miguel e agora essa garotinha! – Barulho de um tiro seguido de um corpo caído no chão. – Voltem a procurar! E quero ver quem vai ser o próximo a me aparecer com noticias ruins!

Miguel tirou a mão da boca de Tessa e se jogou no monte de feno que havia do outro lado do quarto, não deixou de olhar para ela nem por um momento.

Suspirou.

- Pode perguntar o que quiser. Eu sei que está louca para fazer isso. Apenas fale baixo, não quero que nos encontrem aqui.

Tessa o fuzilou com o olhar. E se abraçou quando um vento mais frio bateu contra as portas do porão.

- Não preciso perguntar nada, você já vai responder muitas perguntas quando for interrogado.

Ele riu com sarcasmo.

- Como é?

- Isso mesmo, assim que sairmos daqui, eu vou te arrastar direto para a delegacia. E acredite, você terá sorte se pegar prisão perpétua.

-Ah Tessa, não me faça rir, você realmente acha que vai conseguir me prender?

- E eu não cheguei até aqui? Acha que foi coincidência?

Miguel se esticou na cama improvisada e apoiou a cabeça na mão.

- Já que você tocou nesse assunto... Como foi mesmo que me encontrou?

Tessa riu, e sua risada fez com que ele sorrisse, mesmo sem saber por que.

- Miguel, acha que eu vou te contar meu segredo? Apenas fique sabendo que agora não importa onde esteja, eu vou te seguir, como se fosse uma sombra, não há mais como fugir.

Miguel não sabia explicar o que se passou em seu peito ao ouvir aquilo, mas não era medo, ou receio, era algo... Bom. Balançou a cabeça para afastar aqueles pensamentos, aquilo o assustava.

Outra rajada de vento, mais forte desta vez, quase arrancou as portas das dobradiças enferrujadas.

Miguel se levantou de onde estava e caminhou até os fundos do quarto.

- Bem... Que seja, já estou acostumado com ameaças.

- Não estou ameaçando, é apenas um aviso.

Ele se virou para encará-la. Tinha um cobertor marrom dobrado nas mãos.

- Apenas um aviso? – Sorriu. – Sabe quantas vezes já ouvi essa desculpa Tessa? Você é muito má, querendo prender a pessoa que salvou sua vida.

Passou o cobertor sobre os ombros e se jogou no feno.

- Felizmente, não estou com a mínima vontade de discutir esse assunto com você agora. Estou morto de cansaço. – Ele abriu os braços segurando uma ponta do cobertor com a mão. – Você vem ou não?

Tessa arregalou os olhos. E de novo sentiu suas orelhas esquentarem, mas não era por raiva.

- O que?!

Miguel se sentou e a encarou fixamente.

- Você vem dormir comigo, ou não? – Falou devagar como se estivesse falando com alguém com problemas mentais.

- Mas é claro que não! Ficou louco!

- Tessa, essa vai ser a noite mais fria do ano, você vai congelar se ficar aí.

- Eu prefiro perder todos os dedos das mãos a dormir embaixo do mesmo cobertor que você!

Miguel negou com a cabeça e depois se jogou no feno, enrolando-se no cobertor.

- Ótimo, você é quem sabe, depois não diga que não avisei.

Tessa soltou algo parecido como um “hmpf”, de indignação e se deitou no seu próprio monte de feno.

(...)

Não sabia exatamente quanto tempo havia se passado, mas parecia que a temperatura caia a cada minuto.

Tessa sentia que milhares de agulhas se enfiavam em sua pele toda vez que umarajada de vento entrava pelas fracas portas do porão.

Não queria admitir, mas Miguel tinha razão, ela estava congelando, não conseguia sentir mais a ponta dos dedos das mãos e dos pés. Na verdade, não conseguia sentir nada.

O ar saia de seus pulmões em forma de uma densa fumaça branca, que arranhava sua garganta seca.

Isso é perfeito! Pensou consigo mesma.

Um movimento na escuridão chamou sua atenção. E de repente ela viu Miguel deitado a sua frente.

- O-o-o que... – Tentou dizer.

- Não consigo dormir com o som dos seus dentes batendo uns nos outros. – Sorriu.

- Ora Mi-mi-iguel, vá à...

Ele a envolveu nos braços passando o cobertor sobre ambos, colando seu corpo com o dela.

- Agora Tessa, seja uma menina boazinha e fique quieta, por favor.

Thereza sentiu o calor do corpo de Miguel, sem pensar duas vezes, se aninhou naquele abraço e aos poucos foi se sentindo melhor.

- Sempre que ver seus dedos das mãos, vai ter que se lembrar de mim. – Ele disse de repente.

Tessa ria fracamente soltando seu hálito frio na base do pescoço de Miguel, ele sentiu um arrepio percorrer seu corpo.

Ela afastou o rosto o suficiente para encará-lo, e se viu presa naqueles olhos gelados, mas que para ela eram extremamente bonitos.

- Obrigada... Sabe, por não me deixar morrer de frio.

Miguel deu um meio sorriso.

- Não agradeça, a minha vida não seria a mesma sem minha policial favorita.

Tessa sorriu e sentiu as orelhas queimarem novamente. Miguel continuava a olhá-la fixamente, desta vez, serio.

- O que foi?

Uma de suas mãos tocou levemente os lábios de Tessa.

- Seus lábios estão brancos. – Disse olhando para sua boca.

Ela sentiu o ar faltar, seu coração batia descompassado.

- Miguel... Não faça...

Antes que Tessa pudesse completar a frase, os lábios de Miguel já estavam nos dela, apenas aquele contato e algo despertou dentro corpo de ambos. Miguel já havia beijado muitas mulheres antes, e nenhuma delas havia conseguido mexer com ele daquela forma.

Ele entreabriu os lábios de Thereza com a língua e ela cedeu, se deixando vencer, mostrando que precisava daquilo tanto quanto ele.

Os lábios se moviam em uma sincronia perfeita como se cada movimento tivesse sido planejado enquanto as línguas na sua dança erótica, exploravam, buscavam, aquilo que estava escondido no canto mais obscuro do coração de ambos, aquilo que parecia fazer com que se esquecessem de quem eram e do quetinham que fazer apenas para ter esse momento.

Quando deu por si, Tessa sentia o peso de Miguel a pressionando contra o feno em suas costas, ele havia liberado sua boca apenas para marcar seu pescoço com beijos e leves mordidas, que somados ao seu cheiro e a sua mão quente deslizando para dentro de sua blusa quase a fizeram delirar.

Ela ainda segurava os cabelos macios de Miguel entre seus dedos quando o fio de racionalidade passou pela sua mente.

- Miguel... Nós não podemos... – Disse sentindo a excitação dele roçando em sua perna.

- Sim, podemos. – Respondeu com a voz rouca pelo desejo, nunca havia sentido algo tão forte em toda sua vida. Tomou a boca de Thereza novamente.

- Não... Nós não podemos Miguel. – Disse quando ele liberou sua boca novamente. Ele a olhava fixamente nos olhos desta vez. – E amanha? Vamos acordar e fingir que nada aconteceu? Eu vou correr atrás de você de novo para te prender e você vai fugir? E quando se cansar de fugir, vai vir atrás de mim e me matar?

Miguel engoliu em seco.

- Thereza não diga besteiras, eu nunca...

- Foi um erro o que aconteceu aqui. — Ela o cortou. – Não podíamos... Não devemos nos envolver desse jeito.

Ele suspirou e jogou o corpo para o lado, mas ainda assim, trouxe o corpo de Thereza consigo e a abraçou.

- Miguel...

-Eu sei que está certa, e não vou te contrariar, mas hoje não temos escolha, é isso ou um de nós acorda sem os dedos amanha.

Ela passou os braços em volta dele, e posou a cabeça em seu peito, sentindo o som das batidas rápidas de seu coração que começavam a se acalmar.

- Boa noite, Tessa.

Ela inspirou profundamente, sentindo o cheiro de Miguel entrar pelo seu nariz. E suspirou, a única coisa da qual tinha certeza é que Miguel era o tipo de homem que podiafazer com que as batidas de seu coração se tornassem rápidas deuma hora para outra. Que podia ter muito poder sobre ela.

E isso não podia acontecer, não devia.

- Boa noite, Miguel.

Notas finais
dessculpa a demora galeraaa

Mas a gente teva a ultima semana de prova e foi... O cão!!!

Só que agora estamos livres e saltitantes para voar!!!

rsrsssrss

bjsss