Amor, Calibre 45
11 Make a deal
Notas iniciais
Seattle
28/12/2007
Os olhos de Thereza se abriram lentamente devido a fraca claridade que iluminava o porão, num instante todos os acontecimentos da noite anterior foram projetados em sua mente.
Sentou-se num pulo, Miguel não estava dormindo ao seu lado, a primeira coisa que pensou foi que teria que sair correndo para tentar alcança-lo. Mas esses planos se foram na mesma velocidade com que vieram.
- O que está fazendo?
Miguel estava debruçado sobre a porta, havia tirado o cadeado. Tentava ver alguma coisa pelas frestas da porta gasta.
- Bom dia para você também. – Falou sem se virar para ela. – Estou tentando ver alguma coisa no quintal, os homens de Louis estão quietos demais.
Tessa franziu o cenho e se levantou.
- Você os conhece?
- Claro, trabalham para Louis Bolevuc. – Se virou para encará-la. – Onde está sua arma?
Ela piscou os olhos pela mudança de assunto completamente inesperada.
- Ei! Espere um pouco Ok? Primeiro, por que os homens de Louis estão atrás de você? Isso não faz sentido, você não trabalhava para ele?
Miguel suspirou e tirou o celular do bolso.
- Droga, sem sinal. –Disse para si mesmo. – Tessa escute bem. Precisamos sair daqui enquanto temos tempo, eles podem nos encontrar a qualquer momento.
Ela abriu a boca para contestar.
- Não se preocupe, eu vou responder suas perguntas, apenas saiba que aqueles homens querem minha cabeça, e agora provavelmente vão querer a sua também. Então me responda, você trouxe sua arma?
Miguel tentava esconder o nervosismo, mas estavam em desvantagem, sua munição havia acabado ontem à noite, e por isso fora obrigado a se esconder. Mesmo se Thereza houvesse trazido sua arma, ainda estriam desprotegidos.
- Sim, mas você não está pensando em entrar lá dentro e atirar em todo mundo está?
- Claro que não, isso seria suicídio. Temos que sair daqui sem que...
Ele foi interrompido pelos passos que vinham do andar de cima. Ambos olharam para o teto.
- Como assim?! Eu já não falei para se livrarem desses corpos?!
Tessa e Miguel se entreolharam, como se já soubessem o que viria a seguir.
-Vocês dois! Levem essas coisas lá pra baixo. E que eu não tenha que pedir duas vezes!
Miguel pegou a mão de Thereza e saíram em disparada pelo quintal coberto de neve.
- Aqui! – Ele disse e se esconderam dentro do galinheiro.
- Eles vão seguir nossas pegadas na neve!
“Mais que inferno!” Pensou Miguel, havia se esquecido desse detalhe.
- Chefe! Por aqui! – Os capangas de Louis estavam se aproximando. Com certeza haviam encontrado as pegadas.
Miguel olhou em volta, procurando alguma saída.
- Ali! Vamos. – E se esgueiraram por um buraco na parede do fundo perto das galinhas.
Seguiram a diante, correndo a passos silenciosos, sobre a neve fofa, e pararam atrás do estábulo. Encostaram suas costas na parede de madeira vermelha. Inspiravam profundamente tentando conter o coração que disparava devido à adrenalina que corria em seus corpos.
- Temos que seguir para o sul. – Disse Tessa – Meu carro está na estrada. O pegamos e saímos daqui.
Miguel assentiu, mesmo sendo um plano arriscado, feito às pressas. Não tinham outras opções.
- Certo.
Viraram-se para o sul, para continuar a correr, e se descem sorte, chegar ao Porsche sem que fossem obrigados a enfrentar ninguém. Mas aquele não era um dia de sorte.
O click de seis armas fez com que eles ficassem parados no lugar, levantaram as mãos para cima e se viraram lentamente.
- Miguel. – O líder do grupo sorria maliciosamente. – Finalmente te encontramos. – Seus olhos passaram para Tessa. – Quem diria, você se aliando a uma agente federal. Onde esse mundo vai parar, ein?– Gargalhou alto.
Os outros cinco homens começaram a rir também.
- Calem a boca! – Ordenou o chefe, e num segundo sua ordem foi cumprida. – E então onde estávamos? – Apontou a arma para Miguel. – Ahh sim, na parte em que eu decido quem matar primeiro.
Miguel sorriu sarcasticamente.
- Sabe James, eu tenho tanta pena de você. – Se aproximou devagar até ficar atrás de Tessa, que o encarava sem acreditar. – Realmente acredita que será o novo favorito de Louis se me entregar morto a ele?
Riu sem humor, enquanto discretamente, pegava a arma escondida sob a blusa de Tessa, ninguém havia entendido o que Miguel estava planejando, a não ser ela mesma.
– Ora, faça-me o favor. – Continuou.– Você sempre será o segundo melhor James, e sabe disso.
James sentia a fúria dominar seu corpo, ele e Miguel nunca se deram bem. Sempre brigavam muito entre si.
- Retire já o que disse!
- Eu vou te mostrar por que ainda sou o melhor. – E num movimento sacou a arma de Tessa, e atirou no braço de James.
Antes que os outros homens, que, diga-se de passagem, não eram lá muito bons no que faziam, pudessem revidar. Ele desarmou cada um deles, atirando nas armas em suas mãos.
- Corra!- Gritou para Tessa e a empurrou para frente. – Isso não vai segura-los para sempre.
- Peguem eles seus imprestáveis! – Ordenou James, ainda estirado no chão, tentando tampar o ferimento. – Agora!
(...)
Quando corriam pela floresta branca de Seattle, foi que conseguiram ouvir os cinco homens atrás deles, mas já estavam perto do carro, não seriam pegos, pelo menos não desta vez.
Tessa abriu o Porsche assim que desarmou o alarme e os dois entraram no veículo.
- Um Porsche? – Perguntou Miguel com escárnio. – Por que será que não estou surpreso?
Ela ligou o carro.
- Cale a boca, não gosto que falem mal do meu carro. – A partida foi dada de forma tão brusca, que ele quase bateu o rosto no pára-brisa. Em segundos, o carro já estava a cento e oitenta por hora.
- Tem certeza que escolheu a profissão certa? Como deixam você dirigir desse jeito?! – Tentava por o cinto de segurança. – Vá mais devagar! Já estamos longe o suficiente!
Tessa riu daquela reação exagerada e diminui a velocidade, pegou seus óculos do porta luvas e os colocou. Miguel não entendia de onde ela tirava tanta tranqüilidade, será que não percebia que agora Louis Bolevuc também mandaria homens atrás dela? Ou será que apenas não via o perigo da situação?
- Tessa, para onde está indo?
Ela o encarou tirando os olhos da estrada.
- Que pergunta idiota Miguel, não é obvio?
Por um instante o medo de morrer num acidente na estrada lhe passou pela cabeça.
- Thereza, olhe para frente, sim? – Disse nervoso, realmente como deixavam uma mulher dessas dirigir.
Ela riu novamente, dirigir era como uma segunda natureza, nunca precisou prestar atenção nisso, mas mesmo assim se virou para a estrada novamente.
- Estamos indo para Chicago.
- Está louca? Quer se entregar de bandeja para Louis, é isso? – Bufou. – Se estava pensando em se matar poderia ter me dito assim me poupava todo o trabalho.
- Não, claro que não, seu grande idiota. – Falou irritada. – Estamos indo para Chicago para que você seja interrogado.
Miguel ficou quieto por alguns segundos, como se estivesse tentando absorver a informação.
- Está brincando, certo?
Tessa olhou para ele e abaixou os óculos escuros.
- Eu tenho cara de quem está brincando?
Não, não tinha. Ele respirou fundo e olhou para a arma em suas mãos, se ela fosse qualquer outra policial poderia sair facilmente daquela situação.
- É melhor encostar o carro.
- E se eu me recusar? – Desafiou.
- Encoste Tessa. Você não sabe todas as coisas que eu já fiz. – Tentou apelar para a ameaça, já que mata-la, estava fora de questão.
- Tem razão, eu não sei. Mas vou descobrir assim que chegarmos em Chicago. – E se virou para frente.
Miguel suspirou cansado. Olhou pra frente perguntando o que aquela garota estava fazendo com ele.
- Vamos fazer um acordo então.– Pronunciou-se após alguns minutos de silêncio
- Miguel, não tem acordo nenhum.
- Tessa, apenas me deixe falar, está bem? – Como ela se calou, continuou. – Veja bem, eu tenho certeza que Louis tem uma lista de crimes muito maior do que a minha, e sei que você vai ganhar muito mais se prendê-lo...
- Você quer que eu te solte para me dar informações sobre o Bolevuc?! – Disse indignada – Realmente acha que eu me venderia assim?!
- Me deixe terminar, por favor. – Ele respirou fundo e continuou. – Bem, já que eu preciso mesmo que Louis seja preso, e você também precisa. O meu acordo consiste em que trabalhemos juntos para pegar as provas contra ele.
Tessa o encarou, tentando buscar o blefe nos seus olhos, mas não.
- Isso sim, parece uma brincadeira. – Falou quase rindo, aquilo era uma piada aos seus ouvidos.
- Vamos Tessa, pense bem. Eu sei com quem conseguir as informações contra Louis, mas preciso de alguém que o prenda, não posso me evolver com a policia. – Ele parou um pouco. – E você também precisa dele fora do seu caminho.
- O que quer dizer?
- Quando James der seu nome a Louis, ele vai te perseguir pelo país. E a quem você acha que ele vai recorrer para te chantagear?
O sangue fugiu do rosto de Thereza. Sua família. O carro parou no acostamento da estrada e Thereza tirou os óculos escuros, fitou Miguel com seriedade.
- Se isso for algum tipo de piada, pode sair agora.
E por incrível que parecesse, Miguel não moveu nenhum músculo para sair daquele carro.
- Não vou sair.– Aqueles olhos verdes o fitavam de modo tão intenso que por um instante teve vontade de agarrá-la e terminar o que haviam começado noite passada.
- Certo, então. — Ela ligou o carro novamente e voltou a encarar a estrada. – Para onde vamos?
Miguel seguiu seu olhar, e perguntou-se mentalmente se não estava ficando louco.
- Temos que ir para Chicago.
- Como é?! Você não acabou de falar que é perigoso ir para lá agora?!
- Eu sei, mas não temos escolha. A única pessoa que pode nos ajudar vive lá. Ela deve saber onde Louis escondeu aquelas provas.
Thereza franziu o cenho.
- Miguel, é bom pra você que não esteja me levando para uma armadilha, por que senão eu mesma vou fazer questão de matar você.
- Ahá. Por favor, você não mata nem uma barata, Thereza.
Ela o fuzilou com o olhar.
- Experimente, então.
Ele sorriu de lado.
- Calma Tessa, estou brincando. Apenas confie em mim. – Aquelas palavras soaram estranhas com sua voz. Nunca havia pedido que ninguém confiasse nele, sempre estivera sozinho demais para isso.
Ela rolou os olhos e bufou, mal acreditando no que estava fazendo.
- Que seja.
Só esperava que Miguel pudesse realmente ajudar.
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