Amor Autista

16 Cartas na mesa - pt1


Notas iniciais
Nos capítulos anteriores... Edward vai para a faculdade. Rosalie e Erick entram para o time do bairro. no primeiro jogo quem os ajudam a vencer são Edward e Isabella com dicas de jogadas. Isabella some por 3 dias e todos na família Cullen, incluindo Rosalie ficam preocupados. Isabella enfrenta seus pais, pois eles querem um casamento arranjado para a filha, que recusa e com isso ganha alguns inimigos além de seu pai e sua mãe. Isabella volta para Seattle e vá direto para a casa dos Cullen. Rosalie começa a tratar Isabella bem. * *

O dia amanheceu e com ele a inquietação de Edward também. Era tarde da noite quando seu sono foi despertado por um barulho que inicialmente não soube decifrar, mas ao concentrar-se no escuro do seu quarto soube que o que lhe despertou foi a porta do quarto ao ser fechada. Levantou-se e acendeu a luz e neste momento viu que Isabella já não se encontrava ali. Sozinho e ainda com sono ele se aconchegou na cama confortavelmente e dormiu novamente.

Raios de um novo dia entram por entre as cortinas do quarto e seu desejo era de continuar ali, quieto na cama, mas sua vontade não batia com o de sua irmã. Infelizmente.

— Preciso de você — entrou sem bater.

— Não quero.

— Mas eu preciso. — insistiu.

Sua voz saía fraca. Com manha. Edward sabia bem que se ele não levantasse dali ela também não sairia. Mas Edward não estava a fim de sair do seu aconchego.

— Você venceu. Vou me esconder aqui com você então. — e se jogou do outro lado da cama. Vendo que ela não o deixaria, levantou-se.

— Eu não estou escondido, só não quero ver ninguém no momento. Ontem o dia estava muito carregado e não sei como será hoje. — minutos se passaram e a contra gosto, ele acabou fazendo o que não queria. Levantar da cama e ver pessoas. — Certo Rose você venceu.

O dia, apesar de carregado emocionalmente, transcorreu tranquilo. Edward não teve nenhuma crise. Rosalie não foi um pé no saco. Isabella fez meditação — o que não adiantava muito, pois seu pensamento foi totalmente tomado um por rapaz alto e de cabelos bagunçados. Esme e Carlisle cada um num canto trabalhando em seus projetos — ele em um restaurante que queria expandir no mercado gastronômico e Esme numa conferência para uma palestra com uma universidade do outro lado do paí­s. O tema era A Diversidade do Autismo e sua Inclusão.

No almoço, correu normalmente com Isabella ajudando a dona da casa no preparo de tudo mais uma vez.

— Como vai ser de agora em diante? Quero dizer, com relação a seus pais. — começou Esme.

— Não quero pensar sobre isso agora. Tenho um fundo do qual posso me sustentar por algum tempo e para a minha alegria eles não sabem disso. — pelo menos algo prestável eu fiz durante alguns anos em que vivi naquele internato. — pensou ela.

— Você deve se orgulhar disso — sorriu — Mas para mim ainda é difícil acreditar que uma mãe e um pai possam fazer essa coisa de "arranjo matrimonial" em pleno sécuIo XXI. É muito absurdo.

— Para você ver que ainda existem pessoas que pararam no tempo ou que se importam apenas em seus próprios benefícios. Se você procurar no dicionário a palavra ambição tenha certeza de que os nomes dos meus pais estarão ali como definição. — e sorriram.

— O melhor que podemos fazer no momento é terminarmos o almoço antes que os esfomeados comecem a perguntar. — sorriu a matriarca depois de um suspiro longo com o dilema de Isabella.

Enquanto as duas voltam para os afazeres finais, Carlisle aparece, dá um beijo em sua esposa e prossegue até Isabella passando o braço direito em volta de seu pescoço.

— Como estão a minha terceira garota favorita? — pergunta dando-lhe um beijo singelo no alto da cabeça. E ela sorri.

— Depois dessas palavras estou muito melhor. Obrigada!

— Não precisa me dizer nada só quero que saiba que estou aqui para qualquer coisa. Acho que posso revezar o ombro amigo com minha esposa. — piscou para sua mulher e saiu do recinto deixando uma garota sorridente, corada e muito agradecida e uma esposa feliz e orgulhosa.

Edward não queria ficar em casa então calçou seu tênis de corrida da cor azul e preto e desceu as escadas, no fim dela quase trombou com seu pai que vinha da cozinha.

— Meu filho como você está hoje, não te vi a manhã toda?

— Oi pai. Não aguento ficar aqui dentro quero sair um pouco. Você... Pode...

— Nem precisa terminar a frase. Eu te acompanho, mas só se for uma caminhada, pois o seu velho pai já ultrapassou a idade de correr.

Edward sorriu e acenou positivo para o pai.

Eles estavam andando no quarteirão e Edward ficava pensando em como começar um diálogo com Carlisle. Mas o senhor Cullen conhece muito bem seus filhos, principalmente Edward. Sabia que queria falar algo e então ele esperou pacientemente.

No caminho eles encontraram crianças correndo atrás de uma bola. Outras surgiam do nada em bicicletas. Mais alguns metros há frente e Edward capotou um casal de namorados sentados nos degraus de entrada de uma casa. Estavam de mãos dadas e com a mão livre do rapaz, fazia carinho nos cabelos da garota que esporadicamente dava beijos no namorado. Seus passos diminuí­ram enquanto focava na cena na entrada da casa. Ele não sabia quem morava ali e nem quem era aquele casal, mas ficou bastante mexido. Carlisle ao perceber que estava alguns passos a frente do filho parou e olhou para trás e viu o q ele olhava.

— Algum problema filho? — chamou sua atenção.

— Eles agem tão naturalmente. — e a cada segundo que passava olhando-os mais fascinado ele ficava.

— Porque é natural quando se gosta muito de alguém. — Carlisle ficou ao lado do filho e estava sensibilizado com a admiração que ele demonstrava ao observar o casal. Mas ele era pai e sabia que não podiam ficar ali parados observando as pessoas, muitos não entenderiam. — Quer continuar ou voltar?

Em silêncio olhou para o pai e não sabendo o que fazer deu de ombros e apenas disse, torcendo para que seu pai soubesse do que ele falava.

— Eu gosto dela. — sorrindo carinhosamente Carlisle respondeu:

— Eu sei meu filho. Eu sei e se você me permite dizer algo — as passadas iam diminuindo até se tornar numa caminhada preguiçosa. Com o braço esquerdo sobre os ombros do filho prosseguiu — Não permita que sua condição de autista o impeça de ser ou tentar ser feliz. Percebo muitas vezes que você deixa sua timidez falar mais alto e acaba confundindo. Você se lembra de quando quis ir para a faculdade? — ambos sorriram — você foi corajoso não deixou a timidez atrapalhar no seu sonho e olha tudo o que você conseguiu. Você só precisa ser aquele menino forte e corajoso.

— É... Mas... e se ela não quiser. Principalmente por causa da minha "bagagem" eterna?

— Se ela não quiser outra vai querer. — ele não podia dizer que ela correspondia totalmente ao sentimento do filho, queria que ele descobrisse sozinho e que tivesse essa experiência da descoberta do primeiro amor correspondido — Bella é uma garota bacana.

— Mas eu não falei que era ela. — parou as passadas no momento em que seu pai disse o nome dela. O desconforto era ní­tido nas feições do rapaz. Mas Carlisle não ligou e continuou.

— Filho você nunca falou de nenhuma garota da faculdade e a única menina que frequenta a nossa casa é ela. Então... Não precisa de muito para descobrir. — e ele sorriu e continuaram a caminhada.

Edward não conseguia tirar Isabella da mente todo lugar que olhava via algo que o fazia lembrar-se dela, estava chegando ao ponto de se tornar incômodo. E como todo primeiro amor ele não sabia como lidar com todas essas sensações e emoções que o perturbavam. Talvez seu pai estivesse certo e sua timidez estava falando mais alto, o confundindo com o autismo.

O caminho de volta foi tranquilo nenhum dos dois falaram mais nada, de nada. Nem do tempo, nem da famí­lia, nem da faculdade ou do futebol infantil (que estava chegando o próximo jogo). Absolutamente nada. Enquanto Edward se concentrava em seu mundo seu pai deixava escapar risadas esporadicamente.

Ao chegarem em casa, notou-se que havia mais uma pessoa ali. Era Erick.

— Que bom que chegaram — anunciou Esme — o almoço está na mesa. Andem, vão lavar as mãos e sentem-se conosco.

Para Edward foi estranho estar sentado ali com seu pai sabendo do que ele sente por Isabella. Mal conseguia se concentrar no prato sua mente estava fervilhando. Martelava em sua mente o que seu pai lhe disse — você deixa sua timidez falar mais alto.

O restante da famí­lia tagarelava banalidades até o momento em que ouviram uma cadeira sendo arrastada para trás. Edward pediu licença e saiu do recinto.

— O que foi que eu perdi? — perguntou Rosalie.

— Nada — respondeu o pai — Vamos terminar o almoço. Seu irmão está bem. — um tanto a contragosto, mas a vontade do patriarca foi aceita pela menina e ninguém nada disse.

***

Isabella não tinha nada para fazer e não queria ficar como uma parasita na casa que te acolheram e decidiu subir e ficar no quarto, mesmo com seu primo estando na casa. No corredor dos quartos uma surpresa. Edward estava saindo do seu e o que ela nunca imaginou acontecer, aconteceu.

Seus olhos se conectaram tão fortemente que Edward não pensou. Apenas agiu.

Isabella estava totalmente paralisada. Não sabia o que fazer. Por muitas vezes sonhou com esse dia. Dia em que ele olharia de verdade para ela, para a mulher que se tornou. Que não era mais aquela menina enxerida que bisbilhotava e fuçava tudo o que estava ao seu redor. Ele olhou para a mulher que ele, indiretamente melhorou.

Seus pés estavam grudados no chão e sua mente... Não pensava, não filtrava o que estava acontecendo. Seu coração pulsava tão fortemente que ela estava sentindo dor e dificuldade em respirar.

Edward sabia o que estava fazendo, mas não na prática. Ele seguiu seu desejo e deixou a timidez de lado jogando tudo para o alto. Não queria ter dúvidas e sem saber como dizer ele fez. Precisava disso, mas até acontecer não sabia e precisava tanto.

Assim como Isabella seu peito batia muito forte, mas não queria parar.

O beijo era o que há muito sonhavam. Era um tocar de lábios que dizia muito a ambos.

Isabella colocou as mãos no peito dele e Edward se afastou. Ela não sabia o que dizer, apenas o olhava com olhos brilhando de emoções e ao vê-lo o amor falou mais alto a chegando.

Puxou-o de volta envolvendo seu pescoço e um beijo majestoso Isabella lhe ensinou. Edward correspondeu e cada beijo ele queria mais.

— Não quero que se arrependa — disse ela de olhos fechado. Ele achou fascinante e isso o impediu de beijá-la novamente.

Com a ponta dos dedos passou no rosto dela começando da testa e descendo pela lateral da face parando em seus lábios. Estava tão hipnotizado que a beijou novamente.

O clima de descoberta estava fluindo no ar, mas a mente de Isabella voltou a funcionar e ela começou a pensar "se alguém subir? Se alguém nos vê? O que irão pensar? Pior. Se a Rosalie nos vê? Não seria nada bom." com esses pensamentos ela interrompeu o beijo verbalizando seus pensamentos para ele.

Ele não queria parar, queria mais e mais, mas a razão dela o trouxe de volta e ele sabia que teriam problemas se alguém os visse.

Isabella começou a rir e Edward ficou confuso. "Será que fiz algo errado?", pensou, mas a garota que um dia o fez surtar mostrou-lhe o contrário dando um selinho e outro e mais outro e no fim ambos estavam rindo.

Com as emoções acalmadas nenhum dos dois quis conversar sobre o que aconteceu ou o que levou Edward a beijá-la. Isabella não queria quebrar o encanto ou acordar de um sonho lindo e mágico. Mas Edward queria saber, ouvir dela se ela gostava dele da forma que ele gosta dela. Infelizmente sua timidez apareceu fortemente então ele calou-se e se afastou.

Isabella agora olhava para o nada a sua frente. "Será que fiz algo errado" pensou, mas não por muito tempo, pois as duas crianças que se encontravam na casa estavam subindo apressados.

— Olá. Estávamos a sua procura. Você viu meu irmão? — seu rosto de rosa foi para pálido fantasma a um rubro salpicado em toda a face e pescoço. Não sabia o que dizer e sua mente girava e girava sem parar. Se ela respondesse que estava no quarto Rosalie provavelmente iria questionar de como ela sabia disso então o melhor seria dizer que não sabia pois estava completamente fora de questão dizer que ele estava com ela bem ali a minutos atrás.

Rosalie estava achando estranho aquele silêncio de Isabella, pois bastava dizer sim ou não, mas por algum milagre a menina não questionou o fato.

— Ahm... eu não o vejo desde o almoço. Já o procurou em seu quarto? — perguntou reunindo toda sua sanidade e respiração calma que nunca soube que tinha. Mas não obteve resposta, Rosalie já estava entrando no quarto dele. Foi a vez de Isabella se recompor e continuar o que havia planejado antes do beijo mais esperado do século por ela.

Ao entrar no quarto que Esme disponibilizou para ela suas bochechas doíam de tanto que sorria. Jogou-se na cama ainda rindo e como ela queria sentir tudo àquilo novamente para ter certeza de que não estava sonhando acordada, fechou os olhos e não foi difí­cil imaginar aquele beijo tão desejado. A emoção era tão grande e forte que seu peito voltou a saltar fortemente. Então ela franziu o cenho ainda de olhos fechados e mesmo não querendo uma lágrima se acumulou no canto de seu olho. Imagens do que aquilo poderia se tornar se sua famí­lia soubesse. Do transtorno e dor que causaria em Rosalie... Mesmo a menina não gostando dela, Isabella jamais faria algo para feri-la de verdade. Não sabia o que seria da sua vida de agora que cortou relações com sua famí­lia, muito menos se aquele beijo voltaria a acontecer.

— Oh como a minha vida é tão fudida, Senhor! — lamentou-se com a cara afundada no travesseiro.

***

Em pouco tempo em que estava na residência dos Cullen, Isabella estava sendo surpreendida com cada ação que gerava em torno de si.

— Hei! Não olha assim não, só estou chamando para fazermos pares para jogar. — Rosalie estava num dia em que há muitos, ninguém via agir dessa forma. Ela sempre foi uma menina um pouco protetora demais com sua família, apenas Erick e alguns da escola que ela se permitia ser gentil. E hoje Isabella estava sendo afortunada com a gentileza encantadora vindo da menina.

— Okay. Eu topo. Quem serão as duplas?

— Irmãos contra primos. Óbvio! Certo Edward?

Da janela do escritório, Esme olhava para as crianças lá fora. Sentia uma felicidade imensa ao ver seu filho se relacionando tão bem com Isabella. Se alguém chegasse para ela e dissesse algum tempo atrás que isso aconteceria, ela simplesmente duvidaria, mas neste momento ela estava agradecida a Deus por poder mostrar a ela.

O crepúsculo já despontava no horizonte e no quintal Rose começava a ditar as regras e o jogo começou. Isabella para manter-se segura, colocou seu primo na frente fazendo assim Erick e Rosalie se enfrentar diretamente. Os dois eram bons em jogar bola e não seria justo um adulto enfrentar uma criança logo de cara.

A brincadeira corria tranquila com trocas de olhares sutis entre Isabella e Edward sem que nenhuma das crianças percebesse. Mas não durou muito. Edward não conseguia mais tirar os olhos da garota intrometida. O desejo de beijá-la novamente era assustador e isso o perturbava ao extremo. Uma última olhada de Isabella e um esticar de lábios sorrindo para ele foi o suficiente para desestabiliza-lo. Saiu do jogo correndo sem dizer nada.

Ao entrar na casa correndo e ofegante, viu seu pai e ao olhá-lo se assustou com o olhar de seu filho. Como pai de autista, ele deveria está acostumado, mas era sempre algo novo e confuso. Nenhum autista é como o outro.

Ambos foram para um lugar mais isolado, onde ninguém poderia os ouvir.

— Pode me dizer agora o que te fez ficar assim tão assustado. — pediu. Sem dizer nada, o menino não conseguia ficar parado e seus passos eram longos e rápidos. Carlisle pressentia que seu filho poderia ter outro surto a qualquer momento. Mas ele não veio. — Edward. Pode se abrir comigo, filho. — nada aconteceu, então prosseguiu — Tem algo relacionado ao que conversamos hoje, mais cedo?

E o que Carlisle esperava apareceu. Seu filho acenou com a cabeça e parou de andar. Como o dia já estava estranho mesmo, Edward o deixou mais ainda. Parou de andar e olhando para seu pai ele disse:

— Eu a beijei. Eu a beijei. Eu a beijei. — ofegando continuou dizendo que a beijou. — Beijei por que eu quis. Há muito tempo, eu acho, eu queria beijá-la. Sentir o sabor da boca dela. O calor. Queria saber como era abraçá-la, como... — e o menino ou garoto, talvez o homem, revelou tudo a seu pai com frases corridas, como se falasse devagar poderia perder a coragem e não dizer tudo o que precisava. Carlisle tentou acompanhar o filho, mas não precisaria de muito. Ele conhecia bem aquele olhar agora. — E ela retribuiu.

Carlisle ainda estava colocando sua própria mente em ordem quando começou a ouvir gritos. Pensou que poderia estar vindo da casa ao lado, mas era um pouco distante da sua para ouvir gritos. Depois imaginou que poderia estar vindo da rua, mas logo descartou, pois a voz de sua filha era irreconhecí­vel gritando àquela altura. Ele e Edward pararam e olharam para a porta por uma fração de segundo e em seguida seguiram para fora encontrando Rosalie e Isabella discutindo. Esme já se encontrava na porta.

— O que está acontecendo? — perguntou seu marido.

— Responde logo. O que você fez ao meu irmão? — Rosalie estava aos berros com Isabella que por sua vez estava perdida. Não sabia o que tinha acontecido.

— Rose se acalme. Ela não fez nada, estava longe do seu irmão, como poderia fazer algo a ele? — e um empurrão da garota que se dizia sua melhor, o fez bater com o bumbum no chão. Erick sabia da proteção excessiva dela pelo irmão, mas nunca a viu agredir alguém dessa forma que não fosse verbal. Isso o entristeceu demais.

— Cale sua boca Erick. — proferiu grosseiramente.

Ao ver aquela cena Isabella não poderia mais ficar calada, por mais que respeitasse todos daquela família, não deixaria ninguém machucar seu primo. O que tem de mais valioso e próximo a ela. O único que ela se importa verdadeiramente de toda famí­lia Swan.

— Hei, hei, hei. Calminha aí garota. — seu limite de com Rosalie estava por um fio. — Tudo bem que estamos em sua casa. Sei que aos seus olhos somos intrusos — pelo menos eu- mas isso que você acabou de fazer não lhe dá o direito. Agrida a mim, mas não o meu primo. Desconte toda sua raiva e frustração em cima de seu alvo que sou eu. Erick apenas disse o óbvio. Como eu poderia fazer alguma coisa se... — foi interrompida.

— Óbvio? Você está de brincadeira comigo! Você sabe muito bem que só a sua presença o perturba e eu sinceramente não faço ideia do porque você ainda está aqui.

As últimas palavras da menina feriram fundo Isabella. Não tinha famí­lia para lhe amar. Não tinha famí­lia para lhe apoiar nas suas escolhas. Não tinha famí­lia para ser seu porto seguro sempre que algo desse errado ou algum término de namoro. Ela não tinha nada disso, somente Erick. Mas ele ainda era uma criança sendo obrigado pelos próprios pais a crescer quando na verdade ele deveria está brincando e sendo criança com responsabilidades de crianças. Via nele o que seus próprios pais fizeram com ela. E isso doía bastante.

Esme viu que não poderia continuar vendo aquilo sem fazer nada. Dessa vez Rosalie ultrapassou todos os limites.

— Rose.

— Não me chame de Rose, sua intrometida, pois nunca te dei essa intimidade para falar assim comigo. — com muita raiva a menina se sentia traída. Mas por quem?

Mais cedo naquele mesmo dia, chegou a sentir pena de Isabella e de querer gostar dela, mas agora... Com seu irmão saindo daquela forma, sem dizer nada a fez voltar ao tratamento que Isabella merecia. Pelo menos é assim que seu pensamento estava funcionando no momento. Mas Isabella estava muito magoada e agora com raiva também.

— Escuta aqui garota. Como eu disse antes, estamos em sua casa e devemos respeito, mas para a sua informação meu respeito no momento está restrito apenas a seus pais e seu irmão. E se você continuar a ser grosseira comigo seus pais que me perdoem, mas vou dar-lhe o tratamento que merece. — sabia que no dia seguinte, ou nas horas seguintes se arrependeria de tais palavras, mas estava cansada de toda grosseria vindo de uma criança mimada. Não suportava mais aquela garota que a desprezava noite e dia.

Mais cedo pensou que poderiam se tornar amigas, algum dia, ou pelo menos que ela começasse a respeita-la, tratá-la bem e não com indiretas e indiferença como sempre faz. Mas ledo engano. Rosalie não gostava dela e agora tinha certeza. Pressentia que jamais poderia voltar ter um momento amistoso entre elas, sem farpas e lí­nguas soltas vindo em sua direção.

— E quem você pensa que é para falar assim...

— Rosalie Cullen! — Esme interveio. Estava verdadeiramente assustada, pois nunca viu sua filha tratar alguém dessa forma e muito envergonhada.

— Eu sou um ser humano assim como você e eu mereço respeito. — a discussão continua, parecia que Isabella só via a garota loira a sua frente. — Você deveria agradecer a Deus pelos pais que tem. Eles são os pais que eu desejaria ter — a essa altura sua voz estava bem alta, olhos embaçados com um nó na garganta pronta para desatar — E muitas outras crianças também. Deveria agradecer ao irmão que tem e eu sei o quanto você o ama e eu admiro muito a conexão que existe entre vocês dois. Coisa que muitos irmãos não têm. — sua garganta ardia e a voz falhava. Seu rosto estava banhado de lágrimas. Deu uma pausa, respirou fundo e continuou, dessa vez com a voz branda cheia de amor — Você pode não perceber, mas seu irmão é muito importante para mim, pena que só me enxerga com olhos negativos. Eu jamais o faria sofrer intencionalmente. Jamais o machucaria de propósito. Será que não pode entender isso? — estava sentindo-se exausta tanto das ofensas de Rosalie quando de guardar o que sente por Edward, principalmente depois do beijo. — Eu sei que o que fiz no passado não foi certo, eu era apenas uma menina curiosa. Não que isso justifique o que fiz, mas me responda você se fosse criada apenas para fazer e obedecer, o que lhe era ordenado e vendo cada vez mais coisas estranhas acontecendo a sua volta sem poder perguntar, pois a cada pergunta de algo que não sabia o castigo era cada vez mais severo!

Esme olhava para ela e não sabia o que fazer. Pela primeira vez na vida não tinha nada a dizer. Nenhuma palavra, só podia sentir em cada frase de Isabella a dor que elas traziam consigo. Como pode haver no mundo pais tão relapsos para com uma criança dessa forma. Esme não os conhecia, mas tinha certeza ali naquele momento que não desejaria vê-los, pois não teria controle sobre si.

Isabella nunca expos sua vida dessa forma, relatando como sua infância foi triste e sem amor de um pai e uma mãe. Pela primeira vez ela não estava preocupada se iriam ficar com pena dela ou ser julgada como muitas vezes foi, principalmente por seus progenitores quando algum amigo da famí­lia com a conta bancária recheada dizia algo sobre seu comportamento estranho.

— Se coloca no meu lugar. Uma criança que vivia sendo repreendida por fazer uma pergunta inocente. Por cada aniversário esperar um cartão escrito á mão com apenas algumas palavras como "Feliz aniversário minha filha" ou um abraço apenas para demonstrar afeto e carinho... Isso era tudo o que eu queria e seria o melhor presente que eu poderia receber na vida. Mas isso nunca aconteceu. Meus pais me veem como uma simples mercadoria a qual eles podem barganhar para o primeiro que lhe oferecer uma pequena quantia de dinheiro para aumentar seu patrimônio. — estava ofegante e ela não queria parar mesmo sabendo que agora todos da casa estavam observando. Ela não poderia parar. Não agora — Naquela época eu não sabia da condição do seu irmão. Eu nunca havia ouvido falar no autismo, nem sabia que isso existia. Mas hoje... hoje eu sei porque estudei sobre essa sí­ndrome que afeta milhares de pessoas. Estudei para que eu pudesse entende-lo, conhece-lo e quem sabe poder ajudar não só a ele, mas como os seus pais e tantos outros pais e filhos e filhas que estão neste sofrimento sem fim, pois o autismo não tem cura. Eu tenho orgulho dos seus pais. Dele. — apontou para Edward — E sabe por que tenho orgulho do seu irmão, porque ele não abaixa a cabeça para nenhum desafio, ele quer chegar no seu limite. Ele se arrisca. E e-eu — respirou profundamente e com a voz mais doce disse — Eu o amo.

A face da menina estava em chamas de fúria não querendo acreditar no que acabara de ouvir. Sua vontade era de voar em cima da intrometida. Não poderia ser verdade.

Como se tivesse tirado um peso enorme dos ombros e uma dor sufocante do peito, Isabella olhou para o seu amor e se declarou novamente, mas agora olhava para ele que a olhava com olhos arregalados.

— Eu estou apaixonada por você. Tentei lutar contra esse sentimento, mas a cada vez que eu o via parecia que você era o meu Sol e minha Lua. Não sei quando isso começou, mas aconteceu. Sinto muito. — a sensação de encanto a meia tragédia foi quebrada pelos gritos de Rosalie que não estava aceitando nada daquilo e estava enfurecida com o abuso de Isabella.

— Saia da minha casa! — exclamou fortemente. Isabella, junto do seu primo caminharam para a porta.

— Nem mais um passo, Isabella. — finalmente Esme intercedeu na discussão — E você, Rosalie vá agora mesmo para o seu quarto. — ordenou.

— Mas mãe!

— Sem, mas. Eu disse, agora. — a menina saiu batendo o pé, mas antes de entrar encontrou os olhos furiosos de seu pai e foi para o quarto se trancando dentro.

Após a saída de Rosalie, Edward fez o mesmo trajeto, mas não foi para nenhum quarto. Sua mente estava fervilhando, ela o amava. Ela o amava. E ele estava feliz e ao mesmo tempo com medo desse sentimento. Queria ir de encontro a Isabella e abraçá-la, mas se retraiu e preferiu não dar mais problemas.

Estava bastante agitado e então ele vê a pessoa que te tira sempre de sua zona de conforto entrando com seus pais.

continua...

Notas finais
Olá pessoal, tudo bem, com vcs? não irei contar minhas tragédias aqui, pois ninguém merece, mas quem me tem em seu perfil do face sabe bem o que andou acontecendo comigo kkkkkkkk parece até brincadeira, mas em fim. NÃO, não tenho computador nem notebook. Como escrevi e postei esse capítulo? simples... CELULAR. pois bem, deixei meu preconceito de lado depois de vários relatos de pessoas que escreviam pelo aparelho e me arrisquei. Até que gostei, mas na hora de postar... MINHA NOSSA SENHORA DAS FODAS MAL FEITAS. Acreditem em mim quando digo que fiquei mais de UMA HORA consertando as palavras para vocês. Espero que se deliciem. Um enorme beijo e até semana que vem? Quem sabe. tudo é possível :*