Amor Autista
7 Capítulo 7 - Saudades!!!
Notas iniciais
***Capítulo SETE ***
Os dias continuaram a se seguir com a nova rotina que a família Cullen havia estipulado em suas vidas em prol de que seu filho mais velho, pudesse se soltar mais e e sentir mais a vontade dentro e fora do seio familiar.
As mudanças na família Cullen foram radicais e necessárias, ambos, Carlisle e Esme tinham medo de estarem fazendo algo de errado, mas errando ou não, tentar era o certo.
Em todos esses meses de tratamento, Edward teve poucas recaídas, o que era normal, levando em consideração a sua doença e idade. Ele é apenas uma criança e até as “normais” tem seus momentos de medo, desconfiança e surtos infantis.
Na noite em que fora revelado para o pequeno Edward sobre a sua doença e explicado que suas limitações não o impediria de viver como uma criança normal, Edward escutava tudo atentamente, tentando absorver o máximo que sua mente pudesse conseguir. Edward perguntava sempre quando sentia necessidade de entender o que estava sendo falado.
Com certeza nenhuma criança consegue entender palavras difíceis das quais nunca havia ouvido serem ditas alguma vez, mas Carlisle e Esme, sabiam que seu filho tinha uma capacidade de entender coisas que eram difíceis de serem explicadas, mesmo assim, eles tentaram dizer de uma forma que não fundisse seus miolos pequenos. Mas prova de que Edward era capaz de entender coisas complicadas era que, na escola principalmente, ele era o mais avançado da turma em matemática.
A professora da escola em que Edward estuda, junto com a diretora, percebeu a sua capacidade avançada no ensino e através de uma autorização dada por Carlisle, fora chamado na escola, especialistas em crianças que tenham capacidades extremas de inteligência. Não foi surpresa para elas que o QI de Edward tinha dado alto para uma criança da sua idade, para elas Edward tinha tudo para ser um garoto prodígio e que não seria estranho se ele ingressasse na Universidade ainda em sua adolescência.
Todos sabiam da doença de Edward, de suas limitações, mas em algumas matérias, limite não existia em seu vocabulário. Principalmente quando se tratava de contas. E por essa não-limitação que ele tinha em matemática, ambas acharam que os pais de Edward deveriam explorar esse lado avançado que ele tinha para crianças de sua idade. Mas tudo isso seria visto e revisado no momento certo, no momento em que ele se sentisse capaz de subir. Atingir o alto . O topo de seu mundo. Isso só seria possível se Edward algum dia quiser sair de seu mundo particular e deixar que outras pessoas o vejam. Vejam sua capacidade extraordinária.
Esme e Carlisle, por mais que sabiam da capacidade de raciocínio do filho, ficaram surpresos com o resultado de seu QI. O pouco que seu filho foi “explorado” por especialistas na escola. Mas nada fariam agora. Apesar de saber que seu filho tinha um potencial enorme, a realidade bateu em sua porta. Esme e Carlisle sabiam que o filho ainda tinha alguns problemas em se relacionar com outras pessoas, principalmente com crianças de sua idade, mesmo progredindo em seu tratamento na instituição. Os médicos diziam que se ambos (psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas, fisioterapeutas e pais) continuassem a trabalhar juntos, Edward teria uma adolescência tranqüila e uma vida adulta saudável.
E a resposta dos pais a diretora era de que Edward decidiria o que seria quando crescer, que eles apenas mostrariam o caminho a seguir, mas seria Edward quem diria para onde seguir.
A diretora tentou persuadir Carlisle e Esme a mudarem sua opinião, mas Esme foi categoricamente e gentil ao dizer que ela é que sabia o que seria melhor para o filho e não um estudo feito na “surdina”. Agradeceu a ela toda a atenção que teve para com seu filho e reconhecia o carinho que todos ali tinham por Edward, mas que nada faria mudar de idéia e sem mais palavras, Esme e Carlisle retornaram para sua casa.
Na noite em que Carlisle e Esme contaram para o filho sobre o autismo, Edward foi se deitar, mas sua pequena cabeça não parava de repetir a conversa que havia tido com seus pais. Eu sou especial de uma forma diferente, pensou ele. Seus pais haviam lhe explicado de uma forma que ele pudesse entender o que se passava com ele. Agora ele sabia que não era por que ele queria quando se trancava dentro do seu melhor amigo o armário, agora entendia o por quê gostava tanto de ficar sozinho com seus pensamentos. E foi pensando na palavra especial, que Edward adormeceu em seu sono tranqüilo, onde ele podia ser quem quisesse em seus sonhos. Até o seu próprio super- herói.
Na manhã seguinte, Esme levantou-se cedo e foi ao quarto de seus filhos para verificar se ambos ainda estavam dormindo. Primeiro passou no de Rosalie que dormia como um anjo, depois foi para o quarto de seu primogênito. Edward dormia todo esparramado pela cama e um pensamento se formou na mente de Esme... Coitada da mulher que se casar com ele. Mas logo eles foram embora sendo substituídos por um pesar... Será que algum dia meu filho terá a vida que eu tenho? Será que ele encontrará uma mulher a quem ele irá amar e que ela o ame de volta? Deus permita que sim, meu filho merece todo o amor que uma mulher pode lhe dar. Depois desses pensamentos, Esme seguiu para a cozinha, afim de preparar um café da manhã reforçado para sua família, fazendo assim, seus pensamentos se focarem em outra coisa que não seja o futuro amoroso do filho.
Meia hora depois, Carlisle entra pela cozinha a procura de sua esposa que já estava com quase tudo pronto na mesa para o dejejum.
– Uau. Teremos visita aqui e eu ainda não fui informado? – disse ele admirando a mesa com suco, iogurtes, salada de frutas, pães torrados, geléias, leite e café. Esme estava apenas esperando o bolo esfriar para ser cortado e posto na mesa junto do restante dos alimentos. Com um sorriso singelo, respondeu.
– Não. Seremos apenas nós e as crianças, mas...
Carlisle vendo que sua mulher hesitou ao continuar falando, questionou-a.
– Por que hesitou querida? – com uma respiração profunda, ela disse.
– É que eu queria te fazer um pedido. – Carlisle não respondeu, apenas fez um sinal com a sobrancelha esquerda, arqueando-a para que ela prosseguisse – Bom, como estamos no fim de semana, eu gostaria de perguntar o que você acha de passarmos esse final de semana em nossa casa, em Forks? – disse ela enfraquecendo a voz no final da frase.
Carlisle pensou por um momento no que sua mulher pedia e constatou que não haveria nada que os impedissem de voltar a Forks.
– Então o que estamos esperando para arrumar as malas? – com um grito de alegria, Esme se jogou no colo do marido, dando-lhe um beijo caloroso que os fez ofegar – Se eu soubesse que teria um beijo ardente desse, teria eu mesmo feito essa proposta antes, mas antes que as coisas tomem um rumo diferente, vamos acordar as crianças e dar a boa notícia.
Esme sorriu acanhada pela declaração de seu marido, levantando-se de seu colo, ela foi terminar de pôr a mesa enquanto seu marido ia acordar as crianças.
Carlisle foi primeiro no quarto de seu filho, para acordá-lo, mas não teve coragem de entrar. Vozes vinham de La de dentro e eram suas crianças que estavam conversando. O coração de Carlisle se encheu de orgulho e emoção, pois ele conseguia ouvir perfeitamente bem o que as crianças estavam falando. A porta estava entreaberta.
– Vem cá pinguinha. – um ruído de colcha se mexendo na cama foi ouvido – Você sabe o que é isso? – perguntou Edward.
Rosalie estava sentada ao lado dele em sua cama e Edward estava mostrando a sua irmã o livro que sua mãe lhe dera na noite anterior. Rosalie sabia muito bem o que era aquilo, pois na sua escolinha, sua professora estava sempre contando uma estorinha de princesas e príncipes, mas as suas favoritas eram A Bela e a Fera e A Princesa e o Sapo.
A professora de Rosalie uma vez a questionou porque dela gostar tanto dessas duas estórias, sua resposta foi de gente grande: Eu Gosto porque mais delas não apenas por ser de princesas, mas porque são elas que mostram o amor verdadeiro e não importa a sua beleza o que importa é o que o príncipe tem por dentro. Depois desse dia, a professora começou a contar mais estórias onde mostrava a real beleza interior dos personagens principais. Rosalie acenou com a cabeça para seu irmão esfregando os olhos, ela tinha acabado de acordar e foi ao quarto do irmão acordá-lo. Mas ao chegar lá, ela o viu olhando para o livro que estava em suas mãos.
– Mamãe me deu ele ontem á noite.
– E ele fala de quê? Tem princesas nele? Ou monstros feios e babentos? – sua voz saiu rouca de sono e isso fez seu irmão sorrir e principalmente pelo disparo de perguntas.
– Não. Eu ainda não comecei a ler, mas... Bem, a mamãe disse que ele vai me ajudar a entender melhor o que eu tenho na cabeça.
A pequena Rose se assustou com a forma que seu irmão disse, que tem um problema na cabeça, seus grandes olhos se abriram tanto que quem visse, achariam que estava a ponto de saltarem para fora de suas órbitas.
– Não precisa se preocupar pinguinha, a mamãe e o papai me explicaram que o que tenho se chama autismo. É um distúrbio que tenho dentro da minha cabeça.
– E não dói? Esse atiusto não te machuca? – Edward riu da tentativa dela de dizer a palavra autismo correta. Rose tinha apenas 3 anos ainda, e mesmo assim, era difícil ouvi-la dizer uma palavra errada.
– Não, não dói. E não é atiusto e sim, autismo. E é por isso que vou tanto ao instituto. É para que eu possa crescer igual a você. Normal.
– Como assim? Você é normal. Você tem dois braços e duas pernas, igual a mim.
– Sim, eu tenho, mas como os nossos pais me disseram eu sou especial, mesmo sendo igual a você, pinguinha.
– Mas, por que você é diferente?
A carinha que sua irmã fez, era de cortar o coração. Rosalie não queria que seu irmão fosse diferente.
– Pinguinha, não precisa fazer essa carinha, eu posso ser diferente, mas nunca deixarei de ser seu irmão. A única diferença que temos é que além de eu ser um menino, eu tenho esse pequeno problema na cabeça, mas que não me prejudica em nada. Não precisa ficar assim. – os olhos de sua irmã se encheram de lágrimas – Não pinguinha, por favor, não chore. Você sabe que eu não gosto disso.
Rose engoliu o choro e abaixou a cabeça.
– Mas se você é especial... O quê eu sou? – sua voz saiu embargada.
– Você é mais especial ainda. – ela levantou seu rosto com os olhos brilhando – Você é mais especial porque é a nossa pinguinha.
E para distraí-la, Edward avançou para cima de sua irmã fazendo-lhe cócegas.
Carlisle muito emocionado ao ouvir o pequeno diálogo entre seus filhos, principalmente por sentir a preocupação que seus filhos têm um para o outro, deixou-os do outro lado da porta do quarto e voltou para sua esposa que estava esperando ele com as crianças, mas ao ver os olhos de seu marido, ela foi a ele abraçando-o preocupada.
– O que aconteceu Carlisle, porque você está assim. – duas lágrimas rolaram dos olhos de seu marido e um sorriso radiante se abriu em seus lábios.
– Temos os melhores filhos do mundo! Acabei de vir do quarto do nosso filho, ele e Rose estão lá, e... Esme, você precisava ter ouvido a conversa deles, nunca os vi tão unidos. Edward estava dizendo a Rose o que falamos com ele ontem á noite. – Carlisle não conseguindo mais falar, abraçou-a forte e assim ficaram por alguns segundos.
Esme compreendeu o que o marido dizia, mesmo não estando presente e sentido o que ele sentiu, ela sabia que tinha dois filhos mais que especiais.
– Você sabia que o Edward apelidou a Rose de “pinguinha”?
– Sim. – disse ela sorrindo – Mas não me pergunte de onde saiu isso, porque também não faço idéia.
(***)
Durante o café da manhã, Carlisle deu a boa nova de que eles estavam indo para Forks, passar o fim de semana. Rosalie ficou feliz e começou a dar quiques na cadeira, já Edward, esse abaixou a cabeça e levantou-se da mesa sem pedir permissão e foi para o quarto de brinquedos.
Esme pediu a Carlisle para que ficasse com Rose na mesa e foi atrás de seu filho. Ao chegar no quarto, ela se deparou com Edward em pé, olhando para um ponto fixo no chão. Calmamente ela chegou por trás dele, tocando levemente em seu ombro para que ele não se assustasse.
– Filho. – chamo baixinho – Olhe para mim meu anjo. – relutante, Edward olhou para sua mãe – Posso saber por que você saiu da mesa assim? Você não quer ira para Forks? – Edward mordeu o lábio inferior antes de responder.
– Não é isso mamãe. – mais uma vez seus olhos encontraram com o chão – É que eu sinto muita falta da nossa casa de Forks e principalmente do meu armário.
Esme sorriu para o filho compreendendo o que ele estava sentindo.
– Não se preocupe meu anjo. Nós vamos passar dois dias lá apenas, mas tenha certeza que sempre que pudermos, iremos até lá, e o armário sempre estará ali.
Um sorriso tímido apareceu nos lábios dele. Edward sabia agora sobre sua doença, mas ainda havia muito caminho pela frente. Ainda tinha muito do que desenvolver em sua vida social e afetiva.
Uma hora depois, todos os quatro estavam dentro do carro e Carlisle estava dando partido no carro. Rosálie dormiu praticamente todo o percurso de Seattle até Forks, enquanto Edward ficava olhando o lado de fora do carro pela janela.
Ele gostava de Seattle, mas Forks seria sempre o seu cantinho. Preso em seu mundo imaginário, Edward começou a fantasiar dentro de sua cabeça várias coisas. E em todas elas, ele estava dentro do armário.
Quando avistaram a casa, uma saudade enorme se apossou m todos da família. Rosalie continuava dormindo, mas Edward assim que viu, se agitou no bando traseiro do carro de seu pai, balançando as pernas e mexendo as mãos sem parar.
Pelo retrovisor do carro, Esme viu a agitação em seu filho e seu coração se apertou com o que via. Ela sabia que seu filho não estava pronto ainda para voltar a Forks e se arrependeu de ter tido a idéia de irem passar o fim de semana ali. Carlisle vendo a preocupação em seus olhos, apertou sua mão, confortando-a e dizendo com um aceno de cabeça de que estaria tudo bem. E nem mesmo assim, ela conseguiu relaxar.
Quando Carlisle parou o carro, Edward retirou o cinto de segurança e saiu correndo para a porta da frente da casa tentando abri-la o mais rápido possível. Esme saiu correndo atrás dele com a chave nas mãos e assim que conseguiu girar a maçaneta, com dor no peito, ela o viu correr para dentro de armário.
Seu marido vinha atrás com sua pequena no colo que parecia que tinha morrido para o mundo.
– Tudo vai ficar bem, meu amor. Vamos deixá-lo matar a saudade. Quem sabe ele não está precisando desse tempinho com o — respirou fundo e soltou dizendo – seu armário.
– Espero que você esteja certo. É insuportável ver o nosso filho assim. Me sinto como uma fracassada.
– Esme, não podemos nos sentir assim, se sofrermos com a doença de nosso filho, ele vai sentir. Edward é uma criança esperta e muito inteligente. Vamos dar a chance que ele pede sem mencionar. Somos os seus pais e nosso dever é amá-lo incondicionalmente.
– E eu o amo com todo o meu ser, mas... É difícil. Mas você está certo. Vamos começar o nosso fim de semana aqui em Forks. – disse ela limpando as lágrimas silenciosas que escorriam de seus olhos. Carlisle sorriu e puxou-a com o seu braço livre, beijando o topo de sua cabeça.
– Essa é minha garota!
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