Amor Autista
4 Capítulo 4 - Casa nova, 1º passo.
Notas iniciais
Aleh (mundiça wifi)... anjo_culle (Jacque Nunes)... Adriana Oliveira... Sayonara de Souza (Say)... lua...
A vocês meninas, o meu muito obrigada pelas recomendações e quero deixar aqui que a cada recomendação nova, um spoiler por MP a leitora(o) ganhará.
Beijos e sem mais. Boa Leitura!!!
#Capítulo QUATRO#
Naquela noite depois de deixar tudo acertado, Carlisle teve enfim uma noite de sono sossegado ele só estava esperando agora o contato de seu advogado com ha noticia da casa que ele havia pedido. Esme estava confiante, mesmo com uma pontada de dúvidas sobre a mudança, mas ela apoiaria seu marido em tudo.
Carlisle estava apreensível, mas dentro de si, ele sabia que estava fazendo o certo para que seu filho crescesse sem muitas dificuldades. Prometeu antes de fechar os olhos que ensinaria tudo o que estivesse ao seu alcance para que Edward pudesse andar com as próprias pernas quando tivesse mais adulto.
(***)
No dia seguinte ao levantar-se para o café da manhã, Carlisle recebeu a tão esperada ligação que pensou ele, chegaria só dali a alguns dias. Era o seu advogado dando-lhe a notícia de que havia encontrado uma casa em Seattle nas descrições que seu cliente havia lhe informado.
Naquele mesmo dia, Carlisle junto de Esme e seus filhos, foram para o endereço fornecido pelo advogado para darem uma olhada no local. Chegando lá, seu advogado já estava a sua espera e junto dele, uma pessoa responsável da corretora de imóveis. Todos entraram e foram ver o interior da casa, ela era ampla, e tinha muito espaço, espaço suficiente para que seus filhos pudessem ficar a vontade dentro de casa. A casa compunha de três quartos, uma suíte, uma sala de jantar, uma de estar, e uma cozinha digna de programa de TV, era bem espaçosa já com tudo no lugar, a única coisa que eles deveria pôr ali seria uma geladeira e nada mais.
Continuaram a explorar toda a casa, e em um momento, Carlisle sentiu falta de Edward e começou a sua procura pelo filho. Todos olharam em cada cômodo e foi á pequena Rose quem o avistou. Fora da casa, havia um quintal com uma árvore e um balanço. O balanço era feito de cordas grossas e um pneu e Edward estava bem ali. Parado na frente dele, observando-o.
A pequena saiu da casa sem que seus pais a vissem também, e foi em direção ao seu irmão. Ela ficou á seu lado sem dizer nada. Rose era uma criança bem observadora para a sua idade, coisa rara de ser ver em crianças na idade de três anos que são super agitadas, mas Rose não, ela era uma criança calma, tranqüila. E seus pais agradeciam a Deus por ela ser assim, senão... Eles não saberiam o que fazer.
Rose ficou parada ao lado de seu irmão, em alguns momentos ela tinha medo dele quando ele estava em suas crises. Mas neste momento, ela olhava para ele e para o balanço, ela queria muito brincar com ele no balanço, mas não queria irritar seu irmão mais velho.
- Eddie...
Sua voz infantil e aguda despertou Edward de seu transe, mesmo assim ele não a olhou, pois sabia que sua pequena irmã estava lhe olhando ha espera de alguma coisa e antes que ele respondesse a ela, seus pais irromperam a porta da cozinha que leva para os fundos os encontrando ali.
Carlisle e Esme ficaram parados na porta observando os irmãos em frente ao balanço. Rose ainda o olhava até que desistiu e voltou para dentro de casa e ao avistar seus pais, correu para o colo da mãe que a pegou prontamente. Carlisle foi se juntar ao filho.
Ao chegar do seu lado, onde instantes antes estava Rosalie, Carlisle se abaixou ficando assim na altura de seu filho.
- Gostou do balanço filho? – perguntou inseguro com medo de que ele não lhe respondesse, mas foi surpreendido com um aceno de cabeça. Carlisle soltou uma lufada de ar quente que não sabia que estava segurando dentro de seu pulmão – Que bom, quer sentar-se nele para ver como funciona? – perguntou mais uma vez, só que agora, Edward virou as costas para seu pai e foi para o lugar mais longe dele possível. O carro.
Carlisle se sentiu mais uma vez de pés e mãos atadas, mas entendia a reação do filho, Edward era uma criança da qual não se podia forçar nada há ele. Mas isso não tiraria a determinação do pai em ajudar o filho.
Naquele mesmo dia, à tarde, Carlisle fechou a compra da casa, não queria dar mais tempo para começar o tratamento de Edward. A papelada já estava quase pronta só faltava ha assinatura de Esme no documento. Sim, a casa Carlisle fazia questão de estar no nome de sua esposa.
(***)
Ao perceber o que estava acontecendo, Edward entrou em desespero, pois o mesmo não queria sair dali, não queria sair da casa antiga.
- Não! Eu, não, vou, sair. – gritava Edward pausadamente.
A criança estava dentro do armário do corredor mais uma vez e dessa vez, foi mais difícil do que se esperava tirá-lo dali de dentro e fazê-lo entender que eles estavam se mudando para o bem dele e que a casa de Forks ficaria ali para sempre e sempre. Que ali seria a sua casa de férias, mas nem isso o fez se acalmar.
- Filho, olhe para o papai! – pediu Carlisle amorosamente. Edward não levantou o olhar para o pai em momento algum. Carlisle se sentia fraco, humilhado, sempre que tentava algo com o filho e não era correspondido ha sua expectativa.
Esme estava terminando de afivelar Rose no banco traseiro do carro quando começou a ouvir os gritos de Edward. Deixou a criança no carro, pedindo-lhe que ficasse quieta que já, já a mamãe voltava e entrou na casa rapidamente. Ao avistar o marido ajoelhado em frente ao armário tentando falar com Edward, ela resolveu intervir. Carlisle já estava com coisas demais em suas costas, então tomou a decisão de ela mesma convencer o filho a sair dali e seguir com eles para uma casa nova e mais espaçosa onde ele poderia fazer o que quisesse.
Com apenas um toque no ombro do marido e um olhar decidido, Carlisle levantou-se e foi em direção ao carro enquanto Esme abaixou-se ficando na mesma altura do filho. Edward se balançava para frente e para trás dizendo não, não, não sem parar. Esme respirou fundo e tocou-lhe o topo de sua cabeça, seu filho não se afastou, mas também não parou de se balançar.
- Não vou pedir para que você se acalme, porque sei o que você está sentindo. Sei que você não quer se mudar, a mamãe também não queria, mas sabe meu querido? Vai ser bem melhor se formos para uma casa maior, onde você terá mais espaço para que você crie o seu mundo particular e lá, para onde vamos, será bem melhor principalmente para você meu querido.
A mãe continuou conversando com o filho da mesma forma que o pai estava fazendo, amorosamente, mas a conversa da mãe tinha um quê que somente as mães têm e isso fez a diferença neste momento. Aos poucos Edward foi parando de se balançar e de gritar e começou a ouvir a mãe.
- Lá poderemos te levar para conhecer lugares novos e poderemos tratar o seu – engoliu em seco – O seu problema querido! – desde que receberam a notícia de que Edward era uma criança autista, os pais ainda não tiveram coragem para contar ao filho qual era o seu problema, mas essa conversa não estaria longe de acontecer.
Esme parou de falar e ficou a observar o filho. Edward começou a levantar seu olhar para a mãe e foi com dor no peito e segurando as lágrimas que ela viu o medo no olhar do filho. Medo pela mudança, medo da casa nova, medo de se esquecer daquele lugar. Esme então puxa o pequeno menino para os seus braços abraçando-o forte, Edward que se sentiu um pouco incomodado, não se afastou.
- Não precisa ter medo meu filho, eu e seu pai estaremos sempre perto de você, te orientando e te ajudando em tudo o que você precisar.
Depois deste pequeno diálogo com seu filho, Edward saiu do armário com lágrimas nos olhos, olhando para o seu “melhor amigo”, o armário do corredor, deixando o seu pequeno mundo particular para trás.
(***)
Depois de instalados na casa nova, como tudo novo Carlisle começou sua luta. Marcou consultas com um fonoaudiólogo e psicólogo, indicados pelo Dr. Marcus, ele queria que o tratamento começasse o quanto antes, mesmo que a doença do filho não tenha cura, mas Carlisle queria dar uma expectativa de vida melhor para o filho. Ao contrário do que aconteceu com sua irmã mais velha. Elizabeth.
Elizabeth era sua irmã mais nova, quando a mesma veio a falecer, Carlisle tinha apenas 12 anos, sua irmã era 5 anos mais nova que ele. A morte de Elizabeth já era esperada ha anos pelos pais de Carlisle, ela era uma menina doente que vegetava na cama. Ao nascer de parto normal muito difícil, ela já apresentava algum sinal de problemas mentais, mas os pais não queriam acreditar naquilo e não foram atrás. No primeiro ano de vida da pequenina Elizabeth, os pais já não sabiam o que fazer, pois a criança não andava e nem sentava, seu corpinho era todo mole e isso estava deixando a mãe de Carlisle desesperada. Quando ela completou seus 7 aninhos, foi muito difícil para toda a família, principalmente para Carlisle que estava sempre a seu lado, lendo algum livro infantil ou até mesmo ouvindo apenas uma musica no toca fitas. Mas em seu íntimo, Carlisle estava aliviado que Deus a tivesse levado, com apenas 12 anos, ele via o sofrimento de todos a sua volta e imaginava que sua irmã era a que mais sofria. Ele ficou triste, chorou bastante, mas no final das contas, ficou feliz por ela ter partido, pois assim em sua mente ele imaginava que ela estaria bem melhor na Terra dos Céus, correndo falando e cantando, do que ali, na Terra, deitada em uma cama sem conseguir se mover. Foi só depois da morte de sua irmã que os pais de Carlisle se mudaram para Forks, e nenhum deles tocaram mais no nome de Elizabeth. Nem mesmo sua mulher sabia que um dia, Carlisle tivera uma irmã, muito menos que em sua família houve alguém com uma doença mental.
Carlisle nunca teve a necessidade de falar qualquer coisa a respeito dessa história para sua mulher, mas sabia que agora, um dia quem sabe, ele deveria contar-lhe. E essa era a razão de tudo o que Carlisle vem fazendo. Quando criança ele não pôde ajudar sua irmã, era muito jovem não tinham dinheiro e o que ele podia fazer, foi feito. Mas com seu filho... Carlisle iria até no inferno se preciso fosse para dar uma estabilidade a sua vida social.
Esme sempre pensou que Carlisle queria ser alguém na vida um dia, ter dinheiro pela sua infância menos remunerada, ela não sabe o real motivo de todo aquele esforço que ele se dedicava aos estudos e ao trabalho assim que se formou em administração.
Carlilse assim que teve uma folga de sua procura, pesquisou na internet algumas atividades da qual Edward poderia se interessar. Encontrou vários artigos onde diziam que o brincar, assim como para qualquer criança, representa um papel muito importante para o desenvolvimento da criança autista, pois contribui para a sua socialização e têm efeitos positivos sobre a aprendizagem, estimula o desenvolvimento de habilidades básicas e a aquisição de novos conhecimentos. Uma coisa que o surpreendeu foi que atividades lúdicas eram capazes de estimular a interação social da criança autista, com o comportamento e com a comunicação.
Carlisle lia tudo com muita atenção. A cada tipo de brincadeira que ele lia, se imaginava brincando com os filhos. Passeio no super carro, deixou Carlisle com um lindo sorriso no rosto, ele já se imaginava puxando Edward e Rose pela casa em cima de um cobertor grosso, para que, nem uma das crianças se machucasse. O que o impressionou foi que com essa brincadeira ele poderia prender a atenção de Edward por 10 minutos ou até mais.
Continuou lendo e quando leu a brincadeira do dado gigante, ele longo deu um grito chamando por sua mulher, que veio correndo achando que algo de grave tinha acontecido, mas ao ver o que o marido lhe mostrava, ela se emocionou, vendo que seu marido estava fazendo tudo para o seus filhos, principalmente para Edward. Carlisle deu as instruções do que queria que ela fizesse e sem pensar duas vezes, pegou a chave do carro, e saiu ha procura de uma loja infantil onde poderia encontrar algum dado grande que ela pudesse personalizá-lo. Não foi difícil de ela encontrar, já que a casa deles era perto do centro de Seattle.
Assim que saiu da loja de brinquedos, Esme foi para uma papelaria, onde comprou tintas e pinceis. Com tudo comprado, ela partiu para a casa e ao chegar encontrou Carlisle brincando com os filhos de passeio no super carro. Aquilo não poderia emocioná-la mais do que já estava, mas seus olhos estavam marejados, pois a muito não se ouvia a gargalhada de seu filho.
Edward sorria com tanto gosto que não seria difícil ele ter dores na barriga e na bochecha. Rose estava deitado no cobertor de casal que Carlisle pegou em seu quarto para que fosse o super carro, ela também dava altas gargalhadas. O melhor era ouvir Edward gritar sorrindo de felicidade que queria mais do passeio.
Carlisle passeou com eles pela casa toda, foi na cozinha, fez um pit stop, abastecendo a barriga das crianças com alguns biscoitos para em seguida continuar com o carro indo de volta para a sala, passando até no escritório que tinha na casa.
Esme respirou fundo e entrou na casa, Edward foi o primeiro a vê-la e com seu sorriso que parecia que não iria embora tão cedo, disse para a mãe.
- Mamãe, quer andar no nosso super carro? – perguntou empolgado.
A mãe feliz da vida disse que sim, que queria, mas que não sabia se o papai era forte o suficiente para levá-la no carro com eles. Entrando na brincadeira, Edward olhou para o pai e respondeu por ele.
- Mamãe, o meu pai é forte, ele agüenta.
Ouvir aquelas palavras saindo da boca do filho teve outro sentimento saindo de dentro de Carlisle. A forma como seu garoto disse aquelas palavras tão especiais, o deixou em júbilo, extasiado, orgulhoso.
Carlisle querendo mostrar para o filho que ele estava certo correu e pegou sua mãe no colo colocando-a no cobertor e começou a puxar os três, agora.
A brincadeira deu vazão a vários e vários minutos, mas Esme precisava terminar uma coisa para que eles pudessem brincar no dia seguinte.
Com as coisas que ela havia comprado, entrou no escritório e pediu a seu marido para que não os deixassem entrar no cômodo, pois ela queria fazer uma surpresa para as crianças e ele prometeu entretê-los o tempo que ela precisasse. E com um beijo cheio de paixão ela começou a personalizar o dado.
O dado era grande e cada lado uma cor diferente, vermelho, amarelo, verde, azul, rosa e branco. No vermelho ela escreveu Pular, o que significava que quando esse lado ficasse para cima a criança deveria repetir a palavra e junto com ela tentar pular o mais alto que conseguisse.
No amarelo, ela escreveu Rodar, que significava que a criança deveria rodar em seu próprio eixo, ou com ela no colo.
No verde, Escorregar o que da no mesmo com o super carro, a criança é puxada em cima de um cobertor.
No azul colocou Balançar, esse seria ótimo já que a família tinha um balanço no quintal e lá fora seria o lugar ideal para se jogar este jogo com as crianças.
No rosa, Apertar. Esse Edward não iria gostar muito, pois além dele não gostar da cor rosa, Edward não gosta de quê o apertam, mesmo que seja um abraço, mas eles iriam em frente com todas as brincadeiras que surgissem diante deles, além do quê, nessa brincadeira não precisa ser necessariamente um abraço, pode ser uma massagem com diferentes tipos de movimentos e intensidades de pressão em diversas partes do corpo da criança.
E finalmente, a cor branca, nessa, Esme pintou a palavra Passear. Nessa cor quem sofreria seria seu marido, pois indicava que ele deveria brincar de “cavalinho” com a criança. Esme sorria feliz com essa idéia.
Após terminar de personalizar o dado, apoiou-o de uma forma em que os lados pintados não encostasse em nada para que não sujasse e estragasse o seu trabalho e saiu do escritório. Ao chegar á sala de estar, seus olhos não acreditavam no que viam. Carlisle estava deitado no chão junto das crianças vendo desenho animado e o mais incrível era que Edward e Rosalie estavam dormindo, abraçados ao pai.
Notas finais
Beijos e até.
Fale com o autor