Amor Autista

5 Capítulo 5 - Desenvolvendo a Nova Vida!


Notas iniciais
Olá leitores mais lindos da Tia Paula!!!

Demorei? Sim, talvez, quem sabe? Mas espero que todas entendam de que para escrever AA é preciso muito pesquisar. Eu tento fazê-la o mais real possível e para isso eu precisa de pesquisas e de tempo para escrever. Espero que vocês entendam.

Ariela Gonçalves... Lady Masen... Amei suas recomendações e como forma de agradecimento, vos mandei um spoiler deste cap e agora ele é todo de vcs. Obrigada de coração ♥

Nos vemos lá embaixo e.... Boa Leitura!!!!

#Capítulo CINCO#

Alguns dias depois, as brincadeiras novas ainda eram novidades para Edward e Rosalie. O dado feito por Esme era sucesso com as crianças e por isso ela resolveu fazer outra coisa baseada no cubo. Com seu talento para o artesanato, Esme resolveu fazer a escrita da cor com uma cor diferente, ela fez várias plaquinhas com os nomes das cores só que ao invés de Edward ler o nome da cor, ele deveria falar a cor do nome.

Exemplo: Esme mostra a Edward uma plaquinha onde está escrito BRANCO, só que Edward não deveria ler a palavra, branco e sim dizer com que cor a palavra, BRANCO tinha sido escrita. Que seria preta.

Rose era muito pequena ainda, mas gostava de participar também, dizia a pequena Rose que era um “insitivo” para o irmão. Era muito bonito ver a forma como a criança enxergava seu irmão mais velho.

As brincadeiras se seguiam diariamente. A pequena Rose estava sempre presente em cada uma delas e quando ela não conseguia dizer á cor que estava escrito o nome, Edward cochichava em seu ouvido e ela toda feliz dizia alegremente.

Era nítida a interatividade em que Edward participava e evoluía com a família. Logo que chegaram a Seattle, Carlisle se dedicou a família de corpo e alma, todo o seu tempo livre e não se arrependia da decisão que havia tomado para que a saúde de seu filho pudesse ter uma melhora, o que de fato teve. Apesar de Edward não aparentar nenhum problema mental, ele tinha autismo e essa palavra já estava aceita por todos da família, apenas a pequena Rose não sabia o que acontecia de fato com seu irmão, mas sabia como deveria agir. E nem Edward, seus pais decidiram que não contariam por hora.

Na semana seguinte, começaram com os tratamentos. Edward não estava gostando de nada daquilo. Isso o deixava estressado, e muito irritado. O tratamento com a fonoaudióloga era mais estressante. Os métodos para a estimulação da criança autista tinham várias correntes terapêuticas que podem ser usada no tratamento. Tanto a isolada quanto a conjuntamente, mas isso não garante que o tratamento para um seria o válido para a outra criança. Nem sempre o tratamento isolado, por exemplo, era satisfatório a uma criança que se adaptava bem ao tratamento conjunto. Isso cabia aos pais escolherem qual desses métodos seria mais apropriado para a criança. Observando como ela se portava em casa e no tratamento.

Edward estava fazendo o tratamento isolado. Ele mais a fonoaudióloga. Carlisle não deixou de ir com o filho uma vez sequer desde que o tratamento começou. Ele fazia questão de estar presente em tudo e foi gratificante ouvir da própria boca da fonoaudióloga que Edward sentia confiança no pai.

A cada vez que ele via os olhos de seu filho brilhar para alguma coisa, àquela culpa que estava instalada dentro de si, estava sumindo lentamente. Carlisle aos poucos se sentia mais confiante em relação ao seu filho. E mais decidido que havia chegado á hora de contar ao filho que o mesmo era um autista.

Mas sempre que Carlisle tocava nesse assunto, Esme se retraia. Ainda não tinha conversado com ele sobre o que ele tinha de fato. Apesar de Esme ainda não querer que contassem a ele, Carlisle não abriria mão disso e já estava decidido que logo contariam para Edward. Na mente de Carlisle, ele entendia o que sua esposa queria, ela queria o seu primogênito debaixo de suas asas, mesmo vendo que Edward tinha potencial para ser uma criança e um adulto normal, dentro de seus padrões, mas ele também sabia que não poderia deixar seu filho no escuro, porque era isso que aconteceria se ele resolvesse acatar o pedido de Esme, de ficar na espera de um momento melhor, mesmo tendo concordado de inicio de que não contariam nada. Não por agora, mas havia chegado e eles precisavam ser honestos com ele.

Esme ao descobrir a doença do filho se fez de forte, ela via que não poderia desabar junto de seu marido e após Carlisle se reerguer do choque inicial, de sua negação ao que o filho tinha, ela se permitiu expor seu medo. Esme tinha medo do que seu querido filho pudesse sofrer na adolescência e na sua vida adulta, mas Carlisle estava irredutível e o dia da revelação para a criança estava se aproximando cada vez mais.

O tratamento isolado irritava Edward, ele não gostava daquilo, para ele era melhor ficar em casa brincando com sua irmã e seus pais com as brincadeiras que eles faziam com ele, do que ficar dentro daquela sala quase vazia e somente uma pessoa que não era seu pai, nem sua mãe. Muito menos uma criança que não era sua irmã.

Edward estava passando pelos métodos da Terapia ocupacional e da Terapia da fala. A ocupacional é mais comum. Ela concentra-se no melhoramento das habilidades motoras e sensoriais que incluem o equilíbrio, a consciência da posição de corpo (sistema proprioceptivo), e do toque (sistema tátil). Caso seja identificado algum problema específico a terapia pode incluir atividades de integração sensoriais como a massagem, toque firme, balançar e saltos.

Em Edward as duas coisas foram acusadas, mas era relativo, somente um profissional veria o problema, pelo menos em sua postura. O tato era mais visível e esse sim necessitava de massagens e toques firmes. Esme todas as noites massageava suas mãos, seus pés... Onde o terapeuta disse que era mais grave. Esme aprendeu no Instituto com um terapeuta como ela deveria massagear e quais movimentos ela deveria fazer em seu filho.

A fala de Edward era um pouco pausada, e na terapia da fala era sua maior dificuldade, pois consistia na dificuldade com a língua. A criança autista tem de aprender não apenas a falar, mas a usar a língua socialmente para comunicar-se. Isto inclui o conhecimento como manter uma conversação, entender o que outra pessoa em uma conversação entende e acredita, e sintonizar aos sinais lingüísticos de outras pessoas, como expressão facial, o tom de voz e a expressão corporal. As crianças autistas têm mais dificuldade em entender a linguagem não-verbal do que a verbal.

Carlisle começou a treinar a terapia da fala com Edward em casa, usando de “cobaia” a própria mãe. Carlisle perdia para que seu filho tentasse descrever o que via nas feições de sua mãe, mas desde que ela não percebesse que estava sendo “vigiada”. No começo Edward pensou que era algum tipo de brincadeira, mas com o passar dos dias começou a não querer fazer isso mais com sua mãe. Carlisle entendeu perfeitamente e cessou a terapia “escondida” da fala com Esme. Mas enquanto Edward estava fazendo sem perceber a tal terapia, em alguns momentos Carlisle percebeu que seu filho aprendia as coisas rápidas e isso o instigou.

Edward ainda não estava matriculado na escola de Seattle, ambos, Carlisle e Esme concordaram em começar com o tratamento primeiro, para que assim, quando ele entrasse na escola, seu filho não teria tanta dificuldade como teve na escola de Forks.

Carlisle e Esme tiveram que entrar em um programa chamado Programa Son-Rise. Esse programa propõe a implementação do programa na própria residência da criança autista. Ou um adulto autista. As sessões individuais (um-para-um) são realizadas em um quarto especialmente preparado com poucas distrações visuais e auditivas contendo brinquedos e materiais motivadores que sirvam como instrumentos de facilitação para a interação e subseqüente aprendizagem. Assim como tem uma sala na Instituição onde Edward vai duas vezes na semana.

Carlisle logo separou um dos quartos vagos que tinha na casa e montou-o junto com Esme, para que eles começassem o quanto antes a implantarem o programa em casa. Edward se sentia mais a vontade em casa do que no Instituto.

Mas eles começaram com um grande diferencial. Mudaram a cor do cômodo para uma cor que Edward gostasse. Esme mesmo quis fazer a pintura do quarto e a cor escolhida foi amarela. Assim que ela estava com todos os objetos e tintas nas mãos, ela começou a pintura. E Edward não a deixou em paz, enquanto ela não o deixou ajudá-la.

Depois que o quarto estava com a tinta seca, Esme decidiu colocar ali, em uma parede uma lousa para Edward. Enquanto ele a estava ajudando na pintura, Esme percebeu que seu filho fazia movimentos, um tanto desajeitado e isso lhe deu a idéia de uma lousa enorme para que ele pudesse fazer alguns desenhos e pinturas, assim ele movimentaria mais o estímulo de suas mãos.

Esme e Carlisle começaram a dar uma atividade a Edward de integração sensorial, onde eles davam escolhas a ele e permitia que ele ditasse o rumo das coisas.

Na primeira vez que resolveram fazer essa atividade, Carlisle começou contando uma estória onde ele usava alguns objetos e depois passou a vez para Esme compor um pedaço da estória que ele havia começado e Edward finalizou todo empolgado com o ruma que sua estória estava tomando e usou alguns objetos também, alguns carrinhos bem pequenos e robôs minúsculos onde eram os monstros da sua estória.

A brincadeira foi divertida, e depois desse dia, Esme criou uma rotina com seus filhos. Sim, a Rosalie iria participar sempre que estivesse acordada.

O quarto era composto por uma estante não muito grande em um canto da parede onde consisti alguns brinquedos, como carrinhos, bonecos, aviões, bolas pequenas. Do outro lado da parede perto da porta estava á lousa que Esme colocou, nela já havia alguns rabiscos de seus filhos. Edward já sabia ler e escrever, mas ele adorava mesmo era desenhar coisas. No meio havia uma mesinha infantil, mas que sustentava Carlisle e Esme perfeitamente em suas pequenas cadeiras. Ali sempre tinha algum jogo de quebra-cabeça ou caça palavras para descontrair as crianças. Mas o que imperava eram as massas de modelar. Com elas, ele podia usar, palitos de picolé, gravetos que ele encontrava nos fundos do quintal ou até mesmo cotonetes. Sem o algodão.

Rosalie adorava brincar com tudo o que seu irmão brincava, se ele estivesse montando um quebra-cabeça, ela também queria brincar com o mesmo, Edward até deixava algumas vezes, mas ele gostava mesmo de montar sozinho.

Quando ele estava nas massinhas, o próprio chama-a para brincar com ele. Tinha várias cores, Edward e Rosalie gostavam delas principalmente da textura, a sensação de poder moldar algo com suas próprias mãos deixava Edward excitado. Em sua mente, ele podia fazer o que quisesse com aquelas massas, desde um homenzinho á uma nave espacial. Lógico que nunca saia como ele queria, mas seus pais sempre o incentivava a continuar e sempre estavam elogiando ambos os filhos em cada conquista deles.

Uma vez Edward confessou para o seu pai que gostava de brincar com sua irmãzinha, mas o único brinquedo que ele não se sentia bem com ela era exatamente o quebra-cabeça. Isso o irritava.

As atividades foram adaptadas para serem motivadas e apropriadas ao estágio de desenvolvimento específico. Uma vez que a pessoa com autismo esteja motivada para interagir com um adulto, este adulto poderá então criar interações que a ajudarão a aprender todas as habilidades do desenvolvimento que são aprendidas através de interações dinâmicas com outras pessoas. E Carlisle estava bastante apto ajudando esse lado de interagir seu filho com outras pessoas, principalmente outras crianças.

Os dias começavam a passar depressa demais, praticamente estava voando e a mudança no comportamento de Edward para com a família, era bastante visível.

Edward tinha plena confiança no pai, o que resultou que Carlisle participasse mais da terapia em casa, com ele, a segurança que tinha no programa era encantador. Esme não se opôs ela queria o melhor para o seu filho.

Carlisle conseguia o contacto visual “olho no olho” e as habilidades de linguagem e de conversação ao brincar com a imaginação e a criatividade de Edward. O Programa Son-Rise instrui os pais na criação destas efetivas interações com a criança ou adulto de forma que eles possam dirigir o programa de seus filhos e ajudá-los durante todas as interações diárias com eles.

Com o passar dos dias, Edward se negava a ir para a Instituição. Dizia ele, que era chato e que preferia ficar em casa, mas o que aconteceu a seguir chocou a todos que acreditavam na sua evolução. Edward de um momento para o outro começou a chorar. Chorava o pequeno e Carlisle tentou saber qual era o motivo.

– Meu filho, por favor não chore.

A cada vez que Carlisle dizia para ele não chorar, é que Edward chorava mais ainda. Na verdade ele gritava. Carlisle tentou abraçar seu filho e o mesmo se afastou correndo indo para o quintal.

Dentro de casa, Carlisle estava sem ação. Até um dia anterior, ele, seu filho, estava bem, se divertindo com o que estava sendo apresentado a ele, com vários tipos novos de brinquedo, mas essa mudança repentina despedaçou Carlisle.

Esme viu tudo o que estava acontecendo e não foi atrás de nenhum dos dois. Edward precisava de espaço e Carlisle tinha que entender isso. Por um momento, Esme pensou que estava fazendo errado deixar que seu filho ficasse sozinho, mas ultimamente ela estava lendo vários e vários artigos sobre crianças autistas, e em um deles dizia que não force a criança a nada que ela não queria e que desse algum espaço para ela, e foi o que Esme fez.

Quase meia hora depois de Edward ter saído de casa Carlisle ainda se via sentado no sofá, sua pequena Rose, estava brincando em seu quarto com suas bonecas e de um momento para o outro, ela largou-as no chão e foi para a janela rosa com branco de seu quarto. Ela poderia ter apenas 3 anos, mas tinha uma inteligência incrível. A pequena Rose, puxou uma cadeirinha da mesma cor de sua janela e subiu nela ficando apenas de joelhos no acento e dela, viu seu irmão em pé, parado na frente do balanço.

Naquele momento a pequena desceu da cadeira e se dirigiu para fora de casa também, parando assim ao lado de seu irmão lembrando-se da primeira vez em que os dois haviam ficado nessa mesma posição, olhando para o balanço. Rosalie queria brincar com Edward naquela primeira vez em que se encontraram ali, mas seu irmão não queria o que a deixou chateada e a fez correr para os braços de sua mãe.

Mas ali, naquele momento, Rosalie sentiu que podia pedir e quem sabe fosse atendida.

– Eddie? – chamou ela baixinho por seu irmão. Ele não a olhou mas sentiu confiança em continuar falando com ele – Vamos brincar no balanço? Vamos fazer de conta que estamos voando!

Esme via tudo pela janela da cozinha. Ela ficou um pouco receosa com a aproximação de sua pequena filha, mas seu interior se aqueceu ao ver que seus filhos começaram a brincar em volta da árvore que ficava o balanço.

Em todo esse tempo em que eles estavam morando ali em Seattle, ninguém nunca viu Edward sentar ou balançar-se no brinquedo. No balanço. Ele só ficava as vezes olhando para o balanço e nada mais.

Risos poderiam ser ouvidos vindos do lado de fora da casa e enquanto as crianças brincavam felizes de pega-pega, Esme sorria dentro de casa enquanto preparava algo para eles comerem. Carlisle finalmente saiu de seu torpor e foi atrás de sua esposa e a encontrou sorrindo olhando para fora e foi quando ele viu seus filhos brincando juntos.

Carlisle apenas respirou fundo e disse para si mesmo que: Não importa o tempo que passe, a recaída que viesse Edward sempre será e terá um futuro brilhante.

Notas finais
Oi gente, devo esclarecer alguma coisa aqui.
Bom, era para a Bella aparecer neste capítulo já, mas eu sinto que a estória ainda não pede a presença dela e por isso corro o risco de perder mais leitoras por causa disso.

Espero que não abandonem Amor Autista, mas se isso acontecer... Sinto muito. Beijos e Obrigada.

#lembrando de que quem recomendar AA receberá um spoiler do próximo capítulo.