Amor Autista

26 Capítulo 26 Segunda Fase - Eu te amo


Notas iniciais
Oláaaaa meus amores, tudo bem com vcs????? Hoje ainda é dia das crianças e de Nossa Senhora Aparecida. Espero que tenham ganhado doces, porque eu só ganhei vento #triste. Vamos ao recado importantíssimo. A fic está chegando ao fim, sim meu povo FIIIIIIIM (amém) teremos mais ou menos uns 3 ou 4 (acredito serem 3) capítulos até lá e as meninas que recomendaram no último capítulo lhes mandarei spoiler do último capítulo (não do epílogo) nessa semana que irá começar. desejo a todas (os) uma ótima leitura. e não poderia deixar de agradecer aos comentários, desculpe se não respondi. Agradecer as recomendações e a Stef que betou o cap para mim. Mil beijos!!!

Depois de que os planos de Renée foram levados por água a baixo, Esme estava furiosa com toda a situação, exigiu da menina que fosse morar em sua casa a partir daquele momento. Não queria mais que Isabella tivesse qualquer tipo de contato com sua família biológica. Tudo o que Renée havia feito tinha ultrapassado qualquer tipo de limites.

Dois dias depois, com Edward e Carlisle, Isabella foi até a casa de seus tios pegar suas coisas. Carlisle conversou um pouco com os empregados da casa, enquanto Edward estava com Isabella juntando tudo do que se podia lembrar para levar consigo. Passou pela porta do quarto do primo e o encontrou totalmente diferente da última vez que esteve ali. A cama já não tinha mais os lençóis, decidiu entrar e não encontrou quase nada mais. Só alguns objetos. Com uma dor excruciante no peito, pegou alguns objetos do primo e levou consigo. Cada um deles teria um destino.

Isabella se despediu dos empregados com um abraço e desejos de boa sorte e saiu sem olhar para trás. De agora em diante só teria lembranças boas de quando o primo ainda era vivo e de todos os momentos em que passaram juntos.Chega de tristeza em sua vida.

Chegando à casa dos Cullen, Isabella foi para o quarto que Esme arrumou para ela, entrou e sentou-se no chão colocando todos os pertences que havia pegado na casa dos tios falecidos, do seu primo. Colocou-os todos a sua frente e ficou olhando e em cada um deles conseguia visualizar os amigos do menino. Isabella iria presentear cada um deles com uma lembrança de Erick. Ela desejava que cada um pudesse ter um pedacinho do amigo. E o da Rosálie ela já sabia qual deles daria.

Erick tinha um sonho de poder viajar o mundo um dia, quando fosse adulto. Tinha em seus pertences mais valiosos uma miniatura de uma aeronave. Irônico ele ter morrido dentro de uma. Mas Erick pensava em ser feliz. Ter uma vida adulta feliz, apesar de que no fundo sabia que com o trabalho da família seria praticamente impossível, mas como diz a palavra... era apenas um sonho... Isabella tinha certeza de que seu primo desejaria isso a sua melhor amiga. Ser feliz.

Naquela noite, Isabella foi até o quarto da garota que um dia a desprezou com todas as forças e agora apenas convivia sem confusão.

— Posso entrar?

Rosálie estava deitada em sua cama olhando para o teto enquanto com o dedo indicador enrolava uma pequena mexa de cabelo caramelo.

— Eu queria te entregar uma coisa. – disse Isabella tentando dar algum conforto à garota. Rosálie sentou-se na cama dando espaço para que Isabella se aproximasse.

– Não sei se você sabia, mas o Erick tinha um sonho. Na verdade, era um desejo que ele tinha e hoje quando fui lá em casa... quer dizer... quando eu fui buscar as minhas coisas eu dei uma última olhada no quarto dele e ... – Isabella respirou fundo e se lembrou do primo com carinho – peguei algumas coisas e eu queria que você ficasse com isso.

Ela lhe entregou a mini aeronave. Rosálie não queria aceitar, não queria pegar aquele pequeno objeto. Era impossível associar a tragédia que tirou a vida de seu melhor amigo, apesar de saber que o que Isabella estava lhe entregando era apenas um objeto. Rosálie sabia que Erick tinha o desejo de poder viajar bastante quando fosse adulto.

— Ele queria ser feliz e pensava que viajar o faria. Disse uma vez que se ele pudesse viajar para todos os países que gostaria de conhecer, já seria algo inacreditável mente enorme, pois ele aproveitaria cada minuto que tivesse em cada lugar em que visitasse. E eu tenho certeza de que ele desejaria o mesmo para você. Sempre que ele falava sobre isso ele pegava esse brinquedo e ficava apreciando e desejando que se tornasse realidade. E é por isso que eu quero que fique com você.

Rosálie continuou olhando para o objeto. Não sabia o que dizer ou o que estava sentindo. Não queria ter lembranças diárias sempre que olhasse para aquela pequena aeronave, mas também sabia que a deixava mais perto do seu querido amigo. Isabella vendo sua hesitação, levantou-se e colocou o objeto em sua escrivaninha, deixando o quarto. Com olhos lacrimejantes, a menina levantou, pegou o brinquedo e voltou para a cama, abraçando-o com saudades.

No dia seguinte, a casa dos Cullen recebeu uma notícia que emocionou a todos logo pela manhã. O técnico das crianças estava organizando um amistoso para homenagear o menino Erick e queria saber se poderia contar com Rosálie. Seus pais não interfeririam em sua decisão. A menina, depois de pensar um pouco, achou que seria uma boa homenagem e queria fazer isso, pois sabia que o amigo iria gostar de vê-los seguindo. O amistoso ocorreria dentro de poucos dias. Isabella pensou que este seria o dia ideal para entregar aos meninos os objetos do seu primo para que cada um tivesse uma lembrança dele.

O dia do amistoso chega. Todas as crianças se juntam em uma comoção para com o significado da partida. Os adversários se unem no centro do campo. Edward e Bella estão afastados das demais pessoas. Rosálie ao ver Isabella afastada acena com a mão para que ela fosse em direção a eles e ao chegar perto, todas as crianças, sem exceção, vão a sua direção abraça-la.

Na arquibancada, muitas pessoas choravam com a cena, todas as crianças estavam emocionadas e agradecidas a Isabella por tudo o que ela representava para o amigo. Isabella não conteve as lagrimas e deixou algumas descerem por seu rosto.

A partida começou e o time de Rosálie estava todo enferrujado pelos dias em que estavam de luto e logo tomaram o primeiro gol. Todos ficaram cabisbaixos com isso e todos perceberam que ninguém estava com ânimo. Apesar de quererem vencer para homenagear o amigo falecido. Os minutos se passaram até que chegou o fim do primeiro tempo.

— Precisamos reagir e rápido. Não podemos ficar assim. Entregar os pontos dessa forma. – dizia o técnico – Erick não merece que joguemos assim. Quero que todos olhem para o céu. – assim eles fizeram devagar – Agora, imagine ele lá de cima olhando para nós.

— É verdade. Nosso amigo está lá em cima e a morte não avisa quando vem, ela chega e te leva. Você pode está respirando e conversando e num piscar de olhos... você já não está mais neste mundo. – Rosálie abaixou a cabeça e olhou para cada amigo e disse com a voz bem firme – Vamos vencer esse jogo por ele, pelo nosso amigo que sempre esteve com a gente. E por nós mesmo. Tenho certeza de que ele não gostaria de nos ver assim. Abatidos como estamos. Eu também sinto muita falta do meu amigo, mas sei que ele sempre estará comigo, assim como ele também estará com vocês. Somos um grupo e não vamos nos quebrar agora. Vamos nos reerguer.

Ela colocou sua mão no centro e os outros, um há um repetiu seu movimento. No três, todos jogaram as mãos para cima e gritaram o nome do Erick.

Isabella via tudo do outro lado do campo e se emocionou ao escutar o nome do primo. Nenhuma lágrima desceu, seu coração apenas se encheu de amor por aquelas crianças.

Na volta do segundo tempo, com uma nova liderança dentro de campo, conseguiram alcançar o objetivo e venceram de virada um jogo bem disputado.

Ao fim da partida, todos os jogadores agradeceram a presença do público com reverências, donos da casa e visitantes deram as mãos e os saudaram. Rosálie logo após isso foi em direção a seu irmão que estava o tempo todo ao lado de sua agora, namorada, mas não foi a ele quem ela abraçou e agradeceu por todo o apoio. Rosálie abraçou Isabella que ficou chocada com o gesto. Sabia ela, que estava conseguindo quebrar o gelo, a barreira que a menina havia imposto entre elas por causa do irmão. Isabella retribuiu o abraço e a agradeceu por sem perceber que a menina fez o mesmo a ela.

Mais tarde, Isabella recebeu uma mensagem de texto de seu pai que dizia:

Jantar as 21hrs na antiga casa dos seus tios. Problemas a tratar.

Ass.: Charlie Swan.

PS: Apreciarei conhecer seu namorado.

Logicamente ela achou bastante estranho, não fazia ideia de que seu pai já pudesse fazer uma viajem longa após uma cirurgia grande como a que ele teve que se submeter. Ela então falou com Edward e com seus pais, queria logo resolver tudo o que poderia, para viver a vida em paz e longe de todo drama que sua família vivia impondo a ela sobre casar-se com alguém de posses e aumentar o patrimônio da família. Era tão século passado...

Edward não relutou em acompanhá-la, mas, Esme fez algumas ressalvas em particular com a garota. Seu filho estava demonstrando agitação em alguns momentos do dia. Isabella informou que também havia percebido e que ficaria atenta. Edward era mais importante para ela do que a própria família que a gerou.

A noite se aproximava e Isabella não conseguia deixar de pensar no tal jantar. Na hora marcada, ela e Edward estavam estacionados em frente a mansão que um dia foi feliz com uma criança que amava imensamente. Ela estava ao volante e relutava dentro de si, se aquilo seria uma boa coisa.

Mas não havia como voltar atrás. Olhando para seu amor ao seu lado, apertou a mão dele e ambos saíram do carro. Edward estava apreensivo, mas não desistiria de estar a seu lado, quando sempre teve alguém do seu. Ela precisava de seu apoio.

O caminho foi angustiante para Isabella. Sentia-se pisando em cascas de ovos. Segurando na mão de Edward, apertava a cada batida forte que seu coração dava. Não sabia o que poderia está esperando dentro da casa. Parada em frente a porta, levantou a mão para tocar a campainha quando neste exato momento a porta se abriu. Era o antigo funcionário de seus tios. Ele abriu a porta com um sorriso simpático para eles dando passagem para entrar. Com apreensão, Isabella e Edward deram o passo para a incerteza.

Voltar àquela casa não foi reconfortante, para todos os lugares que olhava, via imagens que traziam saudade. Quando o coração começou a apertar, Isabella logo desanuviou a mente. interior da casa, seus pais estavam tomando um drink antes do jantar. Sempre fizeram isso. Ao vê-los, Renée foi até eles com um enorme sorriso falso nos lábios e cumprimentou a filha e seu namorado. Charlie ficou no lugar observando. Estudando Edward de todas as formas possíveis. Quando resolveu mandar a tal mensagem para a filha, sua esposa estava ao seu lado, ela lhe deu todas as informações que tinha sobre Edward. Charlie não podia acreditar que a filha estava abrindo mão de um status magnífico, uma vida que lhe garantia uma estabilidade financeira para o resto de sua vida por um rapaz com problemas mentais, — pensara enojado. Precisa ver com os próprios olhos.

Edward sentia que estava sendo observado e o incômodo estava ficando muito forte. Sua mão livre girava em punho sem parar e isso não passou despercebido pelo pai de Isabella. O que o intrigou mais ainda. Charlie não aceitava a recusa da filha em se casar com o melhor partido financeiro de toda Londres. E com isso colocou-os em maus lençóis. Billy Black agora quer o que lhe foi creditado e documentado antes a operação.

— Boa noite a todos. – saudou a garota. – Acredito que não devo lhe apresentar, papai, quem é este homem ao meu lado. Tenho certeza de que mamãe já o deixou a par de tudo o que ela viu da minha vida quando esteve aqui para o funeral. – a melhor defesa é o ataque e foi assim que a noite começou. Ao entrar na mansão Isabella soube o que pretendiam com aquilo, desestabilizar e humilhar. Não importa quem seja o alvo.

— Sim. Este então é Edward Cullen. Filho de um empresário bem-sucedido, na área de marketing. O que me leva a crer onde você está colocando o seu futuro tão promissor como uma mulher de pedigree, alto nível. – ela já estava preparada para as alfinetadas que viriam de sua família, mas Edward... era tudo novo, cada dia um acontecimento novo e ele não queria desapontar a namorada. Queria mostrar que poderia enfrentar tudo aquilo junto dela, mas não estava conseguindo. O ambiente estava muito carregado. Sentia em seus poros o desdém vindo em sua direção. Ele sabia que podia enfrentar aquilo, já fez coisas que muita gente duvidava. Ele era autista, não burro.

— Boa noite senhor. Sim, esse é meu nome e a empresa do meu pai vai muito bem, obrigado. Mas eu não faço parte dos lucros de meu pai, tenho o meu próprio negócio e me sustento dele. Termino minha faculdade este ano com muita antecedência dos demais alunos e já tenho uma bolsa de estudos com tudo formalmente oficializado para que eu possa dar aulas federais enquanto trabalho em meus projetos na computação. – Edward falou tudo sem parar para uma respirada. Seus dedos da mão livre continuaram se movendo e Isabella estava encantada e demonstrando apoio ao namorado enfrentando seu pai. Seus olhos se encheram de orgulho por ele. E seus pais... Charlie estava vermelho pelo atrevimento do jovem e Renée não estava muito diferente. Apesar de ter visto fibra no garoto, não era para sua filha. Renée adorava quando alguém enfrentava seu marido. Mas isso não mudaria o foco daquele jantar. Eles precisavam fazer o que deveriam para que a filha insolente mudasse de ideia... Ou o namorado débil mental e atrevido visse que não pertencia ao seu mundo.

— Não adianta prolongar mais, então diga-me o que querem comigo, porque conhecer o meu namorado é que não é. Então deixemos as desculpas e formalidades de lado e vamos ao que interessa realmente a vocês, o que me faz ter uma ideia do que seja e tendo ideia vocês sabem bem a minha resposta. Chega.

— Não vai nem preguntar como está seu pai? – criticou Charlie ao perguntar.

— Acredito não haver necessidade para tal. Vendo que pode fazer uma viajem longa com tão poucos dias de operado, credito que esteja muito bem. – rebateu Isabella.

— Certo. – intercedeu Renée. — Então vamos a sala de jantar. Vejo que seu time britânico não mudou com sua estadia aqui neste... lugar. – Renée disse com desdém ao falar sobre o país em que estavam – Vamos a refeição primeiro. Não estamos aqui para tacarmos pedras uns nos outros — deu a iniciativa. Todos a seguiram.

Edward sentou-se ao lado de Isabella olhando tudo a sua volta. Isabella chamou sua atenção com um toque firma na mão em que ainda estavam entrelaçadas. Ambos demonstraram um nervosismo, mas um toque carinhoso foi o suficiente para que ele soubesse que ela estaria ali, para e por ele, assim como ele. Edward jamais deixaria sua amada enfrentar os lobos sozinhos.

Quando conheceu Renée Swan, foi em um dos piores momentos em que o ser humano poderia passar. Perder alguém nunca é fácil e nem aceitável. Isabella ficou muito abatida. Precisava de conforto e quando sua mãe apareceu pensaram que seria bom para ela ter alguém de sua família a seu lado. Mas nem tudo é como se espera. Como todos sabem ela tinha apenas um propósito e não era servir seu ombro para a filha chorar e se lamentar. Tudo que faziam tinham sempre uma segunda intenção por traz de suas ações.

Tudo o que ele conhecia em apenas ouvir de Isabella sobre seus pais, passou por sua cabeça. Não eram pessoas confiáveis e da mesma forma que Charlie Swan o estava analisando, ele fazia o mesmo.

O jantar seguiu em um silêncio e tensão assustador. Isabella mal via o prato em sua frente, sua mente se preparava para o momento em que o verdadeiro motivo do jantar aparecesse. Edward incomodado em estar ali, estava bravamente controlando sua respiração e a vontade que gritava dentro de si para sair daquela casa. Renée só conseguia pensar em duas coisas. Uma que o marido não poderia pôr tudo a perder e a segunda que não saberia o que fazer se desse errado. E Charlie… Sabia o que fazer para conseguir o que queria e para isso teria que atingir Edward. Não se importava com o que teria que fazer desde que saísse vitorioso.

— Então Isabella – começou Charlie –esse romance é sério mesmo?

— Finalmente – sussurrou ela para si.

— Disse algo? Você sabe perfeitamente que não gosto e nem é de bom tom sussurrar diante das pessoas. Principalmente quando se é perguntado.

O clima na mesa estava muito pesado, Isabella sentia isso. Edward também. A garota suspirou alto soltando o ar devagar e disse:

— Ok. – limpou a boca com um guardanapo e prosseguiu. – Vamos encurtar logo o assunto, até porque não existe nenhuma criança aqui e sabemos bem... na verdade eu sei bem o que vocês querem e para economizar saliva e tempo minha resposta é sim... Edward e eu estamos sérios e não, não resolverei a merda que a ambição de vocês os causou.

Charlie estava ficando cada vez mais vermelho com a audácia da filha e explodiu em segundos ao comentário da menina insolente.

— Você pensa que está falando com quem? Com sua mãe? Não Isabella, eu sou seu pai e você me deve obediência, me deve respeito e não permitirei que você continue esse "romancezinho" fadado ao fracasso com esse rapaz. Você pensa que ele lhe dará uma vida estável? O rapaz é doente, um débil-mental. Tem problemas na cabeça e você acha que vai levar quanto tempo para que isso acabe? Você não foi criada para isso. Você tem pedigree. E não é uma morta de fome que se agarre ao primeiro que lhe estende a mão e de carinho.

— Você não sabe o que está falando – estava indignada com o que acabara de ouvir. – Nunca mais repita isso. Nunca. Mais. Vocês são pessoa baixas, indignas. Como ousam falar tais barbáries? Dinheiro não é tudo nessa vida. Tenho vergonha de vocês. Nojo total. Como podem ser tão... tão... não acredito que sai de duas pessoas tão asquerosas como vocês, não pode ser. Eu tenho que ser adotada!

— Não. Você não é. Jamais aceitaria adotar uma criança. Aceite isso. – Renée que até aquele momento estava calado, pronunciou.

Charlie e Isabella estava em pé, um de frente para o outro com olhos violentos fixados, a raiva saia pelos poros de ambos. Indignação, decepção e incredulidade, era visível essas características nos olhares.

Os olhos de Isabella estavam queimando, brilhando pelas lágrimas que insistiam em querem deslizar por suas bochechas, mas ela não daria esse prazer ao seu pai. Mal respirava na tentativa de controlar suas emoções até que ouviu um baque forte de porta batendo. Ao desviar seus olhos viu que seu namorado não se encontrava mais ali. Seus pensamentos fervilhavam com a não presença dele. O ar que tentava controlar durante o embate com o pai foi jogado no ar e seus pulmões arderam quando sugou uma quantidade grande de ar.

— Parece que o garoto é mais sábio que você. – comentou Charlie e ao ver um sorriso de escarnio não pensou duas vezes.

— Não tenho culpa se seus pais obrigaram vocês dois a se casarem. Não tenho culpa se nenhum de vocês lutou por suas liberdades e escolhas. Eu vou lutar pela minha e façam o que quiserem, jamais terão de mim o que tanto anseiam. Se depender de mim vão pedir esmolas nas ruas daqui ou de Londres. Porque eu sou forte ao contrário do que vocês pensam. Eu conheço bem a vida, sei como é difícil lá fora, mas é a vida que eu escolhi. Eu vou lutar. Eu o amo e não me importa como ele seja, porque sei que ele também me ama. A vida assim como o amor não é um mar de rosas, a gente rega um pouquinho a cada dia e assim vai florescendo e se mantendo forte. – sorriu em meio as lágrimas virando as costas e correndo em direção a saída indo em busca do que lhe fazia feliz. Do seu sonho. Do seu futuro. Do seu amor.

Os maus tratos que vinha sofrendo a anos com o abandono de seus pais, o amor que encontrou na família Cullen, o amor agora correspondido de Edward e a tristeza da morte do primo, fizeram Isabella crescer na maturidade e enxergar a sua volta com mais clareza. Antes vivia presa em uma bolha de etiqueta inglesa. Não seria mais como antes. Já não é mais como antes. Charlie sentiu o orgulho ferido com tais palavras. Nunca permitiu que alguém dirigisse a palavra com tamanha afronta para si.

Edward estava se sentindo incomodado, queria mostrar que era capaz de suportar qualquer desconforto, mas não conseguiu. Levantou-se da mesa sem dirigir uma palavra a ninguém e saiu porta a fora. Era demais para ele toda aquela discussão.Suas passada eram rápidas e não olhou para trás.

O tempo estava fechado e um sereno começava a cair. Não queria pensar, mas as palavras do pai de sua amada estavam martelando em sua mente. Não queria pensar e descontrolado, começou a socar a cabeça furiosamente. Ele está certo. Não temos nenhum futuro.

Duas casas a frente, tropeçou e quase caiu. A chuva que caia não era forte, mas sua visão estava embaçada e só então percebeu que lágrimas transbordavam de seus olhos.

Isabella estava atordoa sem saber em que direção ia.Revoltada com tudo aquilo, começou a falar sozinha quando começou a seguir por uma direção que seria a mais óbvia para Edward:

— Sabe o que vocês são? Dois porcos malditos que não sabem aceitar que o mundo não gira em torno de vocês. Eu não sou propriedade de ninguém, muito menos de vocês que nunca souberam me amar. Então, papaizinho querido, me deserde como me ameaçou uma vez. Seu dinheiro não me fará falta. Nem ele e nem a presença de vocês.

Furiosa com tudo aquilo e principalmente consigo mesma por tudo que Edward ouvira, Isabella largou o carro para traz não importando com nada, pois só tinha uma preocupação no momento. Edward. Tinha medo de não encontrá-lo. E quando o encontrar, o que faria?

Não demorou muito e avistou-o a algumas casas abaixo na rua. Toda sua raiva deu espaço para o medo. O que ela via a quebrou por inteiro. Seu coração se partiu em milhões de pequenos fragmentos e seu peito doeu. Seu chão sumiu por uns instantes.

Edward sabia que não deveria confiar em todo mundo, principalmente quando sentia algo estranho, sem explicação. Como um sexto sentido. Mas por amor a ela, a Isabella, Edward aceitou seu convite. Deixou seu amor falar mais alto que sua razão e agora percebeu que não podia deixar o coração ditar as regras quando o seu sexto sentido se mostrar presente.

Estava parado, andando de um lado a outro se batendo enquanto gritava a palavra “não” debaixo da chuva fina que caia como se o céu estivesse triste por ele. Ele também estava, não conseguiu se acalmar, deixou seu amor para traz, as palavras daquele homem foram como um tapa violento em sua realidade. Ele queria dar o mundo a Isabella, queria conquistar o mundo, tê-la em seu mundo, mas aquelas palavras malditas mostraram que isso jamais poderia acontecer. E Edward se punia involuntariamente por ter permitido sonhar com um futuro ao lado dela.

Isabella saiu de seu estado paralisado e aproximou-se devagar o chamando em voz baixa. Por mais amedrontada que pudesse estar neste momento, tentava se acalmar para que ele tivesse confiança nela e se acalmasse também. Ela se culpava ao vê-lo assim, cada soco e puxão de cabelo que Edward infligia a si mesmo era como se ela estivesse fazendo em ambos.

— Edward! Pare! Por favor! – quando o alcançou, mas seu coração agora virou pó ao ver seu rosto. Mais uma vez nesta noite, Isabela amaldiçoava seus pais.Desgraçados. — Edward, eu amo você! – não sabia por que dizer tais palavras. Ela o amava, muito, ele era tudo o que ela queria, seu amor não veio de repente, foi crescendo e crescendo mesmo a distância e mesmo acreditando que ele não sentia o mesmo o seu amor por ele sempre esteve ali, forte. Edward não teve reação alguma, já dissera inúmeras vezes para ela o quanto a amava. Não se importava de ela dizer de volta, ele sentia o amor vindo dela e isso era o bastante para ele. Mas na atual situação o medo do errado o dominou e seu silêncio em resposta a Isabella a perturbava.No começo, nunca imaginou poder sonhar em algum dia encontrar o amor e ser correspondido.

Isabella estava a poucos passos dele. Nunca havia proferido o eu te amo há ele, mas agora, bem ali em sua frente. Na frente da pessoa que o fez ser melhor e querer ser sempre melhor, que mudou sua vida e bagunçou todo o seu mundo, que lhe trouxe cor e brilho, sentiu que esse era o momento de dizer o quanto o amava verdadeiramente. Aproximou mais um pouco e delicadamente segurou em seus ombros o fazendo parar.

— Ei! – falou baixinho – sou eu, pode olhar para mim? –um nó na garganta a impedia de falar um pouco mais alto. – Eu amo você. Escutou agora? Eu te amo, Edward. –toda angustia de minutos atrás estava sendo desfeita dentro da garota. Como toda calma e emoção que estava sentindo agora, Isabella subiu suas mãos deslizando para o pescoço e chegando em seu rosto o fazendo olha-la. – Eu amo você e não importa nada do que digam. Você me mudou. Você me fez ter um rumo na vida. Não posso perder você. – Edward ficou olhando, como poucas vezes fazia, para ela de forma tão intensa que sempre acontecia quando ele realmente olhava dentro de seus olhos, parecia como se ele estivesse vendo a alma de Isabella através deles. Edward parou com a respiração entrecortada e ofegante.

— Não, Bella. Nós somos muito diferentes. Isso não vai dar certo. – triste com tudo que aconteceu anteriormente, Edward estava abrindo mão do seu amor.

— Foda-se! Eu não me importo. Não importa o que os outros vão dizer ou pensar. Eu amo você mais do que a mim mesma. Te amo incondicionalmente e para sempre e sempre.

— Não. Não posso e não dá. Eu nunca serei o que você precisa para a sua vida. Bella você precisa entender que tenho limitações que muitas vezes não posso controlar. Hoje. Agora a pouco foi uma dessas vezes. E quando será a próxima? Hein. Eu não quero está perto de você, para ver-te assim, destruída e por mina causa, porque no fundo eu sei que sim. Seus pais são maldosos e vingativos. Senti isso em cada palavra que soltaram naquela sala. Não quero isso para mim, muito menos para você. Você é a coisa mais importante que jamais imaginei que teria. Você me ensinou o que é amor. E quero guardar isso para sempre comigo, bem aqui. – socou o coração. Ele não estava calmo, mas sabia que precisava dizer aquilo. Em seu mundo, tudo aquilo era verdade. Acreditou viver num mundo onde suas crises fosse apenas passado, uma irrealidade. Mas não era.

— Você me ama, mas não quer ficar comigo. É isso? – a desolação em seu rosto estava matando-o por dentro, mas ele queria protege-la e a si mesmo. — Você não pode estar falando sério. Edward eu só sou essa pessoa que hoje vocês conhecem por sua causa. Eu sou perfeitamente capaz de lidar com seus rompantes, suas crises. Eu... eu acabei de fazer isso agora. – sorriu entre lágrimas e a chuva que ainda caia do céu. — Eu te entendo, você é o que eu quero para mim. Eu jamais abriria mão do seu amor. Eu jamais deixaria alguém machucá-lo. Falhei hoje porque coloquei a mina vida em primeiro lugar ao invés de estar ao seu lado te dando conforto. Na verdade, falhei em ter aceitado esse jantar. Eu sabia que não seria fácil, mas você não pode desistir da gente assim. Não pode!

A chuva estava engrossando e ambos ficaram ensopados imediatamente. Edward não conseguia tirar os olhos de Isabella. Em raras às vezes em que ele se mantinha assim. Focados nela.

— Eu amo você. – chorosa disse. – Por favor, eu amo você.

Edward não suportou mais o olhar e desceu para sua boca que continuava dizendo amo você. Realmente Isabella conseguiu acalma-lo e ele sabia que ela seria capaz, mas será que ele seria capaz de viver num mundo diferente? Então lembrou-se de uma curta conversa que teve com seu pai onde ele dizia apenas viva o seu momento, faça o que tenha vontade para não se arrepender no futuro. Edward ainda olhava para a boca de Isabella e uma força o dominou, um desejo desenfreado de tê-la em seus braços, então avançou pegando-a de surpresa beijando sua boca, faminto. O beijo era caloroso, mas debaixo de uma chuva torrencial não conseguiam respirar normalmente diante da euforia desejosa.Apesar da chuva fria que caia, seus corpos estavam quentes de desejo um pelo outro. Tudo estava diferente, o beijo, o abraço, a entrega... pensamentos não existiam mais somente a necessidade de aplacar o calor ardente que só aumentava.

— Estou pronta.– disse ela quando se separaram para que seus pulmões recebessem ar, ofegante. – Você está? Pronto para mim.

Edward não respondeu e atacou sua boca novamente sem demora e sem doçura, depois segurando sua mão, saíram correndo debaixo de chuva, em direção a casa dos Cullen. Isabella mal podia acreditar no que havia dito a ele, era um desejo que vinha guardando a sete chaves dentro si. Nunca quis impor nada que ele não quisesse e agora ambos estavam prestes a se entregarem de corpo e alma.Nem se lembraram de que o carro havia ficado na outra casa.

Edward estava nervoso, mas confiava em Isabella. Quando mais novo, seus pais explicaram o que acontecia entre um casal e a forma que se gerava um bebê. Nunca se esqueceu daquele dia tão embaraçoso e constrangedor. Depois daquele dia, procurou saber mais, em livros de medicina em conhecer o corpo humano, como funcionava e pesquisas na internet. Mas nada se comprar àquele momento em que estava prestes a viver.

A casa não estava totalmente ás escuras, uma luz vinha da biblioteca. Provavelmente Carlisle estava trabalhando em algum novo projeto. Pé ante pé, subiram para o quarto. Subindo os degraus acabaram se atrapalhando um no outro e sem conseguir conter, riram um para o outro. Muito nervoso, Edward colocou uma música leve e romântica para acalmar a si mesmo e aproveitar o que viria pela frente. Sabia que Isabella já havia tido sua primeira vez e ele sentia que precisava ser melhor. O melhor dela. O melhor para ela. Queria que fosse inesquecível para os dois.

Isabella não se continha pela urgência que esse momento fora tão esperado, mas precisava de calma. Nunca soube da vida sexual dele e por isso não poderia deduzir absolutamente nada. Edward apesar de autista, sempre foi uma pessoa tímida e reservada.Poder toca-lo em cada centímetro de seu corpo, cada célula, cada pelo, cada pinta... gemeu e sua respiração acelerava a cada vez que pensava no que estavam prestes a fazer. Em momento algum queria desrespeitar a casa das pessoas que lhe abrigaram sempre com tanto carinho. Mas o seu amor e desejo por Edward falava mais alta.

Ela se aproximou dele o tocando a face. Edward fechou os olhos apreciando seu toque. Um beijo singelo e depois outro e mais outro. Eram toques macios de lábios. Sem pressa. Apenas carinho e devoção.

Edward se permitiu tocar e gostou de ser tocado por ela. Era algo novo para e estava adorando com ardor todo este momento.Queria se entregar e estava conseguindo. Ela era dele e vice-versa.

— Confia em mim? – sentiu necessidade em perguntar para ele. Acenou emocionado e voltaram a se beijar e a se tocar.

A paixão estava ditando os movimentos, não havia mais nada no mundo que poderia fazer esse amor se destruir. Era forte, intenso e único. Isabella e Edward se amavam, parecia amor de vidas passadas se reencontrando nesta. Era lindo. Era sedutor. Era encantador ver um amor com tamanha devoção. Era sublime esse poder de amar e ser amado.

O dia amanheceu e como ele o casal enamorado também.

Notas finais
Recadinho básico, no meio da semana teremos atualização, os capítulos estão escritos, só precisam de revisão.