Amor Autista

27 Capítulo 27 Segunda Fase - Uma luz no fim do túnel


Notas iniciais
Olha eu aqui novamente!!! Vamos a mais um capítulo emocionante? Obrigada minhas lindas pelos comentários do último capítulo, um grande beijo em cada uma de vcs :* :* :* AVISINHO: Semana que vem, na quarta-feira tem mais 1.

Na noite anterior os Swan não tiveram a noite como esperado. Tudo saiu do controle junto com o temperamento do patriarca. Renée e Charlie dormiram em quartos separados por dois motivos, o primeiro, porque seu marido ainda precisava de cuidados médicos e um enfermeiro precisava ficar a noite toda com ele e o segundo é que não suportava mais olhar na cara dele por ser uma pessoa tão fácil de sair do sério quando é afrontado. Não sabia como ainda tinha tanto nos negócios. E sua filha fez isso perfeitamente.

Ele que sempre pensou que tinha a menina em seu controle mostrou nos últimos tempos que já havia escapado por entre seus dedos a bastante tempo. Isabella se tornou uma mulher forte, hoje, era dona de si. Uma mulher feita e de opinião formada. Seria difícil traze-la de volta para a sua teia de negócios.

O café da manhã estava servido e só se ouvia o tilintar dos talheres e xícaras nos pirex.

— Posso saber o que pretende fazer agora que a nossa última chance se foi? – Renée resolveu quebrar a frieza que o café estava se tornando.

— Quem disse que sou de desistir. Ela vai fazer o que quero. Eu só preciso falar com ela antes que os advogados do meu irmão cheguem primeiro.

— Você teve essa oportunidade ontem e a fez questão de deixar escapar por não saber se controlar. Você, meu querido marido, é um excelente negociador de negócios, mas é péssimo fora disso. Deixou uma garota insolente te afrontar e de quebra aquele namorado doente mental.

— Isso é um assunto para outro momento, mas já pode considerar este rapaz carta fora do baralho. Com licença. Preciso fazer uma ligação que não posso deixar para depois. – levantou sem terminar o café indigesto com toda aquela conversa de fracassado e se afastou. Renée ficou o observando. Sentia que nada iria dar certo. E estava certa.

Renée continuou sentada sem mexer no alimento. Depois que o marido sumiu de seu campo de visão, ficou olhando para o tempo sem enxergar o que estava a sua frente, não conseguia desligar do que sua filha havia dito na noite anterior. Lutar por seu amor e seu destino. Ficara boa parte da noite pensando em como seria sua vida se tivesse tido a atitude que aquela jovem mostrou ter, será que estaria casada e com filhos? Se tivesse tido alguma criança com sua paixão do passado, teria o amado? Eram perguntas sem respostas e o tempo não para e nem volta atrás. Seguir em frente era o que deveria fazer e esquecer-se do passado como fez a muitos anos atrás.

A noite de Isabella e Edward havia sido mágica e assustadora. Para a sociedade o normal seria que a garota fosse virgem, mas neste romance, o rapaz é quem era. Edward nunca se interessou por garota alguma, até que voltou a encontrar aquela menina curiosa. Tiveram uma noite bastante atormentada, mas no fim o amor venceu mais uma barreira. Isabella fora cuidadosa com ele, dizendo palavras de carinho e paixão. Ensinou o amor carnal e o sentimento e sensações sublimes que vinham durante o ato. E aprendeu também. O amor que trocaram na noite anterior só fez ter mais certeza do futuro que queria ao lado dele. E Edward, se sentia muito extasiado, vitorioso. A confusão da noite anterior ficou para traz.

Estavam dentro de uma bolha gostosa ao amanhecer, quando a porta se abriu, Esme entrou pegando-os na cama enrolados apenas no lençol. Isabella rapidamente ergueu o tronco com o rosto vermelho de vergonha pela situação, muda, sem saber o que dizer, enquanto Edward gargalhava ao olhar para a mãe igualmente envergonhada fechando a porta rapidamente.

Quase perto do almoço a campainha toca. Dois homens e uma mulher de terno preto estavam há procura de Isabella. Carlisle estranhou e quis saber do que se tratava, mas nenhum deles quiseram responder, apenas disseram que era algo de suma importância. Relutante, Carlisle os deixou entrar. Isabella e o restante da família estavam vindo dos fundos quando Carlisle fechava a porta.

— Carlisle? – Esme ao vê-los, questionou.

— Advogados e querem falar com você, Bella.

— Do que se trata? – questionou Isabella duvidosa.

— Presumo que a senhorita seja quem estamos procurando. – começou dizendo a mulher de estatura baixa, cabelos ruivos de olhos examinadores. – Sou a Dra. Carter e esses dois são os doutores Clóvis e Takana. Somos advogados de seus falecidos tios.

A menção dos tios ainda perturbava. Não sabia o que poderiam querer com ela, já havia deixado a casa e os empregados estavam cada um tentando encontrar outro caminho para suas vidas. Mas por enquanto ainda estavam todos lá, servindo seus pais.

Todos estavam reunidos na sala e ficaram surpresos com o assunto.

— Bem. Visto que se trata de um assunto de extrema importância, eu presumo que esta conversa precisa de um lugar mais reservado. Bella, leve-os ao escritório, por favor. – compreendendo o assunto, Carlisle os instruiu a seguir a garota, mas antes de seguir caminho, olhou para traz e pediu que Carlisle fosse junto. Ainda sem entender o que estava acontecendo, não queria estar sozinha e tinha plena confiança nele.

— Por favor, senhor, nos acompanhe. Posso dizer que Isabella ainda não está a par do assunto, visto que vejo surpresa em suas feições.

— Não. Não estou mesmo. O que vocês querem comigo. – não sabia definir o que estava sentindo. Dr. Takana começou as explicações o que só foi deixando a menina cada vez mais chocada com o que ouvia. Ao fim, Dra. Carter entregou-lhe dois envelopes, que os pegou com mãos trêmulas.

Carlisle acompanhou os advogados até a saída se despedindo com um aperto de mão. Todas as histórias que ouvira e vira daquela família, não conseguia acreditar no que acabara de presenciar. A reunião em seu escritório levou pouco mais de uma hora e surpresa seria a palavra certa para tudo que foi dito ali. Antes de que Isabella pudesse assinar todos os papeis necessários para recebe a herança deixada pelos tios, Carlisle pediu para que seus próprios advogados pudessem dar uma olhada nos documentos para então Isabella assinar. Dra. Carter que estava há frente do caso concordou e assim acordaram a conclusão em seu escritório temporário, pois estavam na cidade apenas para este processo.

Era inacreditável que a ambição havia tomado toda a sanidade e bom senso dos pais de Isabella. Eles sabiam da herança e foram incapazes de notifica-la. A monstruosidade não tinha limites.

Esme o avistou assim que fechara a porta. Seu marido não sabia o que dizer apenas a abraçou fortemente dizendo que deixaria para Isabella contar. Esme só queria saber se ela estava bem.

Rosálie também estava presente não esperou nenhuma palavra e foi até o escritório saber por que a garota ainda estava lá. Ao chegar perto da porta ouviu um soluço baixo e um fungar de lágrimas abafadas. Isabella estava sentada sobre as pernas no chão com um dos envelopes aberto na mão. Eram cartas deixadas por seus tios.

Olá, minha querida sobrinha.

Venho diante desta carta abrir-me para ti. Não fui um pai e nem um marido exemplar do qual eu imaginei que um dia poderia ser quando mais jovem. O destino não quis assim. Pregou-me uma peça e não tive como fugir dela. Mas minha vida não interessa agora, pois o importante é meu filho. Erick.

Não sei quando me deixei levar para esse mundo, mas eu só quero agradecer-lhe por ser tudo para o meu filho o que não pude ser. Você foi mais que uma prima amada por ele, foi uma fiel amiga. Uma mãe, mesmo não sabendo. Hoje deixo meu menino a seus cuidados, pois sei que é o certo a se fazer. E eu jamais tiraria isso dele. Já que tirei de mim mesmo a oportunidade de ter tido uma real família.

Você terá todos os recursos de que precisarão depois da minha partida. Nada irá faltar a vocês depois disso. Seu pai jamais soube do que eu fazia sem estar sob sua vigilância. Gostaria de ver sua face quando descobrir que todos os meus bens materiais e comerciais estão em seu nome. Sei que você é capaz e meus advogados estarão a sua disposição sempre que precisar.

Não posso aconselhar ninguém, mas se aceitasse um gostaria de lhe dizer para que siga sua vida da forma que achares correto, não permita que seu pai a influencie de forma alguma e nunca, jamais acredite nele. É seu pai, meu irmão, mas sei o que estou falando. Como disse acima eu não tive como fugir, mas você terá toda a oportunidade e recurso para tal.

Encerro aqui agradecendo a você mais uma vez por tudo o que fez ao meu filho, por cada sorriso que tirou de seu rosto. Obrigado Isabella.”

Ao terminar a leitura, não soube o que pensar. Rosálie entrou no recinto e chegou próximo a ela. Isabella levantou a cabeça sem dizer nada e entregou a carta. A adolescente aceitou e começou a ler.

Tudo estava confuso em sua cabeça. O que dizia naquela carta era totalmente avesso com o que se deixavam transparecer. Os pais de Erick sempre foram frios, não só com o próprio filho, mas com as pessoas ao redor.

— Eu não sei o que pensar.

— Nem eu. Isso é muito estranho. – dizia enquanto limpava o rosto e abria o segundo envelope.

Isabella, não sou a melhor pessoa para isso, mas sei reconhecer quando o vejo. E você tem o que preciso.

Não sou de muitas palavras, nunca fui, e gosto de ser direta. Sem meias palavras.

Se está lendo esta carta, saiba que não estou mais neste plano e nem meu marido. Você deve estar confusa, por isso listarei apenas um item para que você entenda o que estou fazendo.

Confiança.

Deixo meu filho, Erick a seus cuidados. Você é a única pessoa da qual vejo capacidade para isso. Confio em você e sei que Erick desejaria assim.

PS: Nunca pense que não é capaz. “Você não sabe até o obstáculo surgir ha sua frente.”

Em choque, sua cabeça estava um turbilhão de coisas conflitantes. Era muita coisa para um único dia. Sentimentos conflitantes surgiram após ler ambas as cartas. Era incapaz de verbalizar qualquer coisa. Apenas uma definição condizia com o momento. Inacreditável! Confiaram a vida do único filho a ela. Tarefa da qual nunca poderá cumprir. Infelizmente.

Rosálie também leu a segunda carta e rapidamente devolveu.

— É muita informação. Pelo menos tiveram consciência do que ele iria desejar caso estivesse aqui, conosco. – Isabella concordou com um aceno.

— E você ainda não sabe nem a metade. – disse pensativa — Resumindo... sou a herdeira dos meus tios.

O queixo da menina se abriu diante da tamanha incredulidade.

—Sério? Eles eram muito fechados, não se permitiam nem um pouco de calor humano. Tratavam o Erick de forma muito fria, sem um pingo de afeto. Não consigo imaginar o que os fez a ter essa atitude.

— E agora eu tenho essa bomba em minhas mãos. — soou melancólica diante da notícia da herança. – Seu pai vai pedir a uns amigos, que advogam para ele darem uma olhada nos documentos que deixaram comigo e amanhã, se tudo estiver certo, vamos assinar os papeis, mas não estou certa se quero todo esse dinheiro, é uma quantia enorme. Olhe como são meus pais? Olhe como eram os pais do Erick. Não quero ser nem um terço, parecida com eles.

— Mas você não será. — disse a menor convicta — Você é mais que eles. Você tem coração e hoje eu vejo o quanto fui injusta contigo. Não se compare a eles. Não se permita a isso.

Isabella ainda sentia se estranha como a Rosálie mudou seu comportamento para consigo. É uma reviravolta positiva, uma mudança boa um crescimento notório e ela invejava como uma adolescente poderia ter uma mente tão madura para certos assuntos como Rosálie tinha.

— Obrigada. Isso é muito importante para mim. Eu confesso que tento não pensar assim, mas os pensamentos acabam vindo, afinal, sou filha deles e como diz um ditado a fruta nunca cai longe do pé.

— Mas existem as frutas boas e as estragadas e você não é uma fruta estragada. Ou eu estou enganada? Você é boa e ama meu irmão e sei que o protegerá de tudo e todos, assim como eu.

Tocada com as palavras da menina, Isabella largou os papeis no chão e fez algo impensável. Jogou-se em cima da menina puxando-a para um abraço e salpicado seu pequeno rosto de beijos agradecendo pelas bonitas palavras.

— Ai, eca! Não sou meu irmão — disse sorrindo

— Não. Você não é ele, mas eu sempre tive essa vontade de abraça-la. Nunca tive irmãos e o que sinto por você é algo parecido com isso. Tenha certeza que pode contar comigo para tudo. Sempre.

Rosálie ainda estava nos braços de Isabella rindo quando Edward entrou no escritório do pai.

— Vejo que perdi minha irmã e minha namorada uma para a outra.

Namorada. Essa palavra mexia bastante no interior de Isabella. Um frio na barriga, pernas bambas, boca seca, respiração profunda e olhos apaixonados. Era assim que ela ficava sempre. Tinha medo de um dia não sentir mais isso por ele, mas enquanto esse dia não chegava, e rezava para não chegar, aproveitaria o máximo de todo esse sentimento afinal, era amor. O seu amor.

— Você não perdeu ninguém, irmão. Só acrescentou mais uma mulher em sua vida. E eu jamais vou abandonar você. Conviva com isso que será menos doloroso! — disse ela ao sair dos braços de Isabella, levantando indo em direção a porta. Com o passar dos dias Rosálie estava mais calorosa e voltando aos poucos a alegria em seus olhos. Ao dizer tais palavras, se mostrou aceitar relacionamento do irmão de coração aberto.

— Acho melhor deixá-los a sós. Vou procurar algo para mastigar.

Com os últimos acontecimentos a pequena Cullen mudou seu comportamento e visão para com tudo e todos a sua volta. Ainda não entende, mas fica agradecida em como pode ser tão rude com uma pessoa que sempre se mostrou diferente as suas provocações e mesmo assim, não julgá-la e aceita-la.

Agora, a sós, Edward se dirige a namorada olhando para os papeis em suas mãos. Sentou-se ao seu lado, tirou uma mexa do cabelo dela que estava fora do lugar. Esse gesto fazia o coração de Isabella tamborilar dentro do peito então olhou para ele e o beijou. Ele amava seus lábios nos dela.

— Meu pai contou o que aquelas pessoas queriam. Você já sabe o que quer fazer?

— Eu não faço ideia. Eles disseram que eu deveria estar ciente disso há alguns dias, que meus pais ficaram encarregados de entrarem em contato comigo e dizer sobre o testamento, mas como sabemos eles não o fizeram. Edward, eu estou muito cansada de tudo isso, dessa obsessão deles e essa herança só vai complicar mais a minha vida.

Não aguentava tudo isso a sua volta. Estava cansada dos seus pais tentarem impor qualquer tipo de coisa sobre ela. Principalmente algo tão antiquado e do século passado quanto um casamento de negócios apenas para fundir as empresas e salvar seus bolsos. Estava cansada de tudo, principalmente de tentar entender a mente deles.

Edward permaneceu calado por um tempo apenas pensando na lamuria dela e em como poderia ajudar sua amada. Seu pensamento sempre foi mais rápido para assuntos diferenciados do que de outras pessoas. E quanto mais ele pensava mais coisas iam surgindo. Pedaços de um quebra cabeça iam se montando em pequenos fragmentos até que algo se formou com clareza. Precisava falar com seu pai e rápido.

— Eu sei o que você pode fazer! — ao levantar a cabeça e olhar para ele, viu um sorriso satisfatório em seus lábios.

— Como? — pensou não ter ouvido bem o que disse e perguntou novamente — O que você disse?

— Você precisa ver os advogados novamente, certo?

— A finalização será no escritório deles aqui em Seattle mesmo. Nem lembro bem se será amanhã. Tenho que perguntar para o seu pai. Ele é quem está vendo isso agora. Mas porquê? — questionou curiosa.

— Acho que sei como você pode se livrar dos seus pais. Na verdade, tenho certeza.

— Okay, mas poderia me explicar? Por que não estou conseguindo raciocinar bem.

— Pelo o que entendi, você agora é herdeira de tudo o que seus tios possuíam, ações da empresa em que seu pai dirige entre outras coisas. Isso é muito, muito dinheiro. Dinheiro a perder de vista o que com um bom investimento é dinheiro que não acaba mais. Mas enfim, você tem tudo o que deseja em suas mãos. Seus pais não assinaram um documento passando tudo para o nome de outra pessoa em troca dos órgãos transplantados? E em troca dariam sua mão em casamento. Como você não aceitou e eu te amo mais por isso, eles serão obrigados a cumprir o que foi acordado em documento.

— Ainda estou lenta.

— Você pode mudar tudo isso, devolver a empresa a seus pais e em troca eles não a procurariam mais.

A luz no fim do túnel estava cada vez mais iluminada, grande e incandescente. Desta vez Isabella estava com a mente na mesma velocidade que a de seu amor. Sorrindo sem acreditar no que acabara de ouvir uma lágrima escorreu por seu rosto e sem pensar, assim como fez com Rosálie, fez com Edward, se jogou em seus braços agradecendo por tudo. Só desejava que desse certo.

Rapidamente foram atrás de Carlisle e contaram a ideia que Edward teve. Não poderiam esperam mais, precisavam encontrar com os advogados o quanto antes e elaborar algo irrecusável e com todas as garantias que Isabella precisava para que seus pais esquecessem que um dia tiveram uma filha.