Amor Autista
25 Capítulo 25 Segunda Fase - A Casa Caiu
Notas iniciais
Nuvens... nuvens... nuvens e mais nuvens.
Quando somos crianças e ficamos vários minutos olhando para elas, imaginamos como elas correm no céu. Será que são mágicas ou que o vento as assopram para longe? Imaginamos também, que elas são gigantescos algodões doces dos quais em devaneios infantis, queremos que caiam do céu para que pudéssemos comer quando nossos pais não nos deixam comer nenhum tipo de doce.
Isabella sentia falta de sua infância. Naquela época não precisava se preocupar com nada, apesar de não ter a presença de seus pais, ela tinha alguém por ela, seja uma babá ou uma monitora da escola. Ou uma amiga.
O caminho todo Isabella olhava para o céu. Seu coração estava apertado com lembranças da última vez em que fez aquele caminho. Tudo o que ela menos queria era isso, passar por ali novamente. Mas era um mal necessário. Precisava ir e não tinha outro caminho.
— Isabella? – sua mãe chamou sua atenção. – Por que está tão calada.
A garota nada disse, apenas voltou a olhar para o céu, não acreditando no que sua mãe perguntara. Como poderia estar tão calada? A resposta era óbvia, mas Isabella por um segundo esqueceu-se quem era sua mãe. Continuou em silêncio até que o carro alugado estacionou em frente a área VIP onde saia os jatos particulares. Renée fez questão de fretar um jato, não queria dar margens para o azar.
Uma boa parte do aeroporto estava fechado. Ainda consistia as fitas de alerta e pessoas trabalhavam no local onde ocorreu o acidente que matou seu amado primo. Sua mãe saiu do carro, mas Isabella parecia estar em um estado letárgico. Não conseguia se mover. Seu foco estava totalmente para o asfalto queimado onde a aeronave pegou fogo. O clima estava nublado, mas sentia-se queimar a sua volta.
— Isabella, saia do carro. – ela se quer ouviu o chamado da mãe. – Isabella, não me faça passar vergonha. Ande logo, saia deste carro ou eu arranco você daí. – Renée sussurrou para a garota que voltou a si. Seu olhar era de piedade. Isabella sabia que não estava bem e que não conseguiria entrar na pequena aeronave. Suas mãos estavam molhadas de suor e doloridas, pois estava apertando tanto que não havia percebido. Seu corpo todo tremia. A respiração estava ofegante. Não queria ficar, não queria imaginar como tudo começou, não queria continuar a sentir o cheiro de queimado.
Sua mãe, parada ao seu lado com a porta aberta esperava que sua fila saísse sem ter que fazer um escândalo. Respirou aliviada quando ela se moveu no acento do carro. Esse pequeno movimento a fez dar-lhe as costas e seguir para a porta do jatinho que já a esperava com a porta aberta. Olhando para a aeromoça que a aguardava no solo, reparou que a moça olhava estranho para atrás de si. Quando Renée virou o rosto, uma fúria tomou conta de todo seu corpo. Arrancou com força os óculos escuros olhando sem acreditar no que Isabella havia feito. Fugiu.
— Acione a segurança. Rápido! – o som de suas palavras eram como ácido. Renée não poderia permitir que isso acontecesse. Uma dor pulsante acometeu-se nas têmporas. Garota idiota. Pensou sobre a filha. Respirando profundamente, começou a caminhar para onde sua filha correu.
Isabella não conseguia continuar ali. A sensação que tinha era de alo se fechando cada vez mais a sua volta. Ela só pensava em uma coisa. Precisava de ar. Quanto mais ela corria mais ela via pessoas disformes e paredes a sua volta se fechando. Elas estavam a perseguindo.
Estava muito assustada, não sabia para onde estava indo. Só queria sair dali. Ir para bem longe.
O barulho de uma turbina do avião que estava próximo a pista de pouso do outro lado do local a assustou. Isabella com as mãos nos ouvidos, abaixou-se próxima a uma lata de lixo. Sua respiração estava muito ofegante e lágrimas queimavam por trás de suas pálpebras fechadas.
Uma mão tocou seu ombro e Isabella gritou. Ao olhar para cima era uma pessoa que a muito não via.
O local estava cheio de gente por conta do ocorrido a dias atrás. Havia vários grupos de jornalistas numa área privada para colher informações.
— Bella, você está bem? Vi você correndo quando esbarrou no senhor lá traz. Você está bem?
— Leah?
Isabella estava com os olhos confusos e molhados
— Leah!
Espantada ao ver um rosto conhecido, Isabella ficou aliviada. Não tinha certeza do que havia acontecido. Só sabia e queria sair dali. Muitas lembranças ruins enchiam sua mente.
— Você está bem? — preocupada com o estado em que encontrou Isabella, Leah chegou mais perto da garota e a ajudou a se levantar.
— Não. Não está nada bem. Eu preciso sair daqui. Eu não vou conseguir. – dizia as palavras com descontrole emocional.
A moça estava começando a entender o motivo de Isabella está daquela forma. Transtornada. Fora ali o lugar do acidente que tirou a vida de seu primo de forma drástica.
— Eu sinto muito, Bella. Vi o noticiário. Estou aqui em Seattle há algumas semanas. — respondeu a interrogação que se formou nas feições de Isabella. A menina estava confusa.
Quando Isabella pensou em dizer algo, um burburinho se fez audível atrás dela. Ao virar-se viu dois seguranças e sua mãe correndo em sua direção. Leah ficou pensativa ao ver a mãe de Isabella. Quando Renée chegou perto da filha, sua fisionomia modificou-se. De furiosa ela conseguiu ficar ainda mais furiosa e agora tensa.
— O que deu em você, garota. Temos que ir e não podemos nos atrasar mais.
— Agora eu entendo — disse Leah. — Renée olhou- a com olhos cheio de escárnios e silêncio, mas Leah não se intimidou com aquele olhar felino.
— Então quer dizer que os boatos que corre solto em Londres são verdadeiros.
— Que boatos? Como assim? — questionou Isabella.
— Devo confessar que me surpreendi e achei que seria um absurdo tudo o que sua família fez para que esse enlace matrimonial desse certo agora. Nunca pensei que o Jacob poderia um dia se quer falar a verdade, mas vejo que sempre existe uma primeira vez.
— Cala a sua boa. Você não sabe o que diz. — rosnou a matriarca dos Swan.
— Então vai negar que o transplante do seu marido não foi uma compra em conflitos de interesses? — pálida, Renée tentou puxar Isabella dali. — Isabella eu nunca fui muito com a sua cara, mas depois de você ter dado o fora em Jacob quando seus pais tentaram a primeira vez arranjar um casamento entre as suas famílias, você conquistou meu respeito. Agora eu até duvidei de que você estava nessa jogada também. Vejo que você foi mais uma vez peça no jogo sórdido dos grandões da alta sociedade.
— Leah. Do que você está falando?
— Isabella. Seu pai. Lembra- se? — Renée tentava a todo custo tirar Isabella dali. Sentia que seus planos e sua empresa estavam indo por água abaixo. Não poderia permitir que isso acontecesse.
— Me solte, mamãe! Eu quero saber. — com os sentimentos controlados, prostrou- se na frente da ex amante de seu ex-nunca-noivo, Jacob.
— Me responde uma antes, Bella. Você estava indo para Londres?
— Sim. Meu pai está internado. – respondeu tentando entender o que aquilo significava.
— Muito triste. – sentiu pena de Isabella — Os pais deveriam proteger seus filhos e não vendê-los em troca de um rim ou um fígado.
Ouviu-se alguém prender a respiração. A mente de Renée fervilhava com a revelação. Mas não daria por vencida.
— Como assim?
— Eu entendo a sua dor, Bella. Mas sua mãe está usando isso para conseguir o que quer. Os boatos são de que você e Jacob estão de casamento marcado desde o dia em que seu pai foi transplantado.
— Cale sua boca, maldita! Quem você pensa que é para dizer tais asneiras. — furiosa com a verdade, Renée não deixaria que uma simples garota jogasse todo seu esforço para o lixo. — Isabella, vamos. Não podemos nos atrasar mais e você com essa palhaçada de sair correndo está nos atrasando e você sabem bem que tudo que essa insolente diz são palavras falsas.
Uma dor excruciante de cabeça acometeu-se em Isabella. A parte de trás de seus olhos pulsava. Sua nuca pulsava e uma tonteira fez tudo rodar. Fleches de um sonho a não muitos dias, começaram a se mostrar. Erick aparecia todo molhado pedindo para que ela não chorasse mais. Logo depois um fleche dele sorrindo. Aquele sorriso tão genuíno e encantador que seu primo tinha.
Mais um fleche, dessa vez a dor em sua nuca aumentou drasticamente que a fez massagear com os dedos numa tentativa falha, dessa vez seu primo cochichava em seu ouvido “ proteja o Edward, sua mãe não tem boas intenções, ela vai tentar acabar com o que vocês têm. E o mais importante, não confie nela”.
Quando Isabella saiu da casa dos Cullen, Edward não parava de chamá-la. Repetiu várias e várias vezes a palavra “promete”. Nem Rosalie estava tendo êxito em acalmá-lo.
— A Bella. Eu preciso dela. Eu quero a Bella. Ela prometeu. Ela vai voltar. Eu quero ela. A Bella. Eu preciso dela.
Andava de um lado a outro desde que viu seu amor se despedindo prometendo voltar. Carlisle olhou para o relógio e rezou para que a sorte estivesse do seu lado. Foi em direção a cozinha onde deixava as chaves reservas tanto da casa quanto do carro para pegá-las.
— O que está fazendo? — quis saber sua esposa.
— Não vou deixar meu filho assim. Se nem Rose conseguiu, a nossa única solução é a Bella.
— Ela já deve ter embarcado.
— Vamos contar com a sorte.
Vendo nos olhos do marido que estava decidido, concordou e foi em direção ao filho que não parava de andar de um lado a outro.
— Edward olhe para mim — pediu — Quero que se concentre no que vou dizer. — os passos diminuíram- Você precisa se acalmar. Seu pai vai te levar até o aeroporto. Mas você tem que ter em mente que o voo dela já deve ter ido.
Edward ainda estava em movimento quando seu pai apareceu o chamando. Sem titubear, deu um beijo em sua mãe e seguiu seu pai. No carro, como não tinha como andar, começou a estalar os dedos seu parar. Carlisle observava de lado enquanto dirigia, tinha receio de que o filho pudesse machucar-se se continuasse daquele jeito.
— Ela vai estar lá. Ela vai estar lá. Ela vai estar lá. — Carlisle se penalizava com a dor do filho. Ele a amava muito e faria tudo que estivesse a seu alcance para que ele fosse feliz.
Isabella estava abismada em como sua mãe ainda conseguia lhe surpreender com toda sua maldade.
— Essa garota não sabe o que diz. Sempre foi apaixonada pelo filho dos Black. Com certeza deve ter sido dispensada por ele. — o veneno das palavras de Renée escorria de seus lábios sem dó nem piedade. Dinheiro e seu status era a única coisa que importava. Leah sem titubear respondeu.
— A senhora está certa. Sou apaixonada por ele e ele me dispensou. Mas não sou idiota. E não concordo com essa trama nojenta e inescrupulosa que vocês compactuam. Isabella tem o direito de saber tudo o que tramam pelas suas costas. — Leah olhou para a garota antes de virar as costas e seguir seu caminho. — Não combinei em encontrar-te aqui, foi pura coincidência, mas foi bom ver você. Se fosse comigo, gostaria de saber a verdade e toda Londres sabe que você não gosta do Jacob, tanto que já o dispensou uma vez. Não deixe que acabem com a sua vida. Não se deixe manipular. É sua mãe, mas uma mordida de cobra doeria menos do que essa traição que o sangue do seu sangue, tramaram contra ti.
Ainda chocada com tudo que ouvira, Isabella só queria ficar o mais longe que poderia de sua mãe.
— Aonde você pensa que vai, garota. — pergunta a mãe que vai atrás segurando seu braço ao alcançá-la.
— Não toque em mim. — com olhos injetados de ira e decepção, puxa o braço e volta a se afastar, mas a dois passos ela para e se vira para a mãe. — Como pode fazer isso comigo? Como? Você é minha mãe, droga! Ou não é? Somente isso poderia explicar por que você tem tanta raiva assim de mim. Você nunca gostou da minha presença. Apenas suportava para que as pessoas pudessem me ver para sei lá o que. Você jamais se preocupou se eu estava bem ou não. Meu Deus! — um riso de decepção brotou em seus lábios — era óbvio que você não veio aqui para me dar apoio. Como pude ter sido tão ingênua! Como pude ser tão burra assim! Você só pensa em si mesma e em mais ninguém. Para mim, basta! Esqueçam de mim, pois vocês acabam de morrer para mim.
Várias pessoas estavam paradas e olhando toda a cena, algumas até com celulares nas mãos, filmavam. Isabella correu para fora do aeroporto chorando quando ao longe viu seu amado Edward correndo em sua direção. Carlisle vinha logo atrás do filho. Ao vê-lo, parou esperando que ele chegasse perto. Estava sem forças.
— Por favor, me tire daqui.
— Bella. Fica Bella. Minha Bella. Fica Bella.
— Mas que absurdo é esse? — a voz que pensou que não ouviria mais a seguiu.
— Escutem, eu não sei o que aconteceu com vocês duas, mas é visível que a Bella não está bem. Sugiro que saiamos daqui.
— A filha é minha. Me deve obediência e virá comigo. Ela está… apenas incomodada com algumas coisas que logo…
— Incomodada com algumas coisas? Você é absurda demais. Será que você não entendeu? Eu não vou com você. Pode esquecer o que quer que você e meu pai tenha tramado, eu não vou. Esquece.
— Bella, tenha calma. — pediu Carlisle.
— Não posso ter calma, ou farei uma besteira enorme que tenho certeza que me arrepender mais tarde. Por favor Carlisle, me tire daqui. Agora. Ou darei um jeito sozinha. É só o que te peço. — Implorou.
Furiosa consigo mesma, Isabella saiu dos braços do amado e seguiu adiante. Edward a seguia do lado pegando em sua mão. Carlisle tinha uma pequena noção do que acontecera, mas nada disse.
Renée ficou parada sozinha no meio do salão do aeroporto com mil e uma coisas passando em sua cabeça. Não poderia acreditar que tudo estava indo bem como planejara num momento e no outro tudo ir por água abaixo num piscar de olhos. Culpava Leah e estava certa de que se vingaria da jovem por ter lhe causado tanto transtorno. Mas de uma coisa Renée sabia. Não poderia voltar para sua terra agora. Deveria se acertar com a filha, mas antes de tudo pensaria num novo plano para que seu patrimônio não fosse parar nas mãos de Billy Black.
Durante todo o caminho de volta, Edward não deixava de abraçar Isabella.
Em casa, Esme e Rosalie estavam na sala a espera. Isabella deixou Edward para trás e correu para Esme, respirando profundamente para acalmar o choro que estava prestes a explodir em seus olhos.
— Edward estava certo. Eu não deveria ir e não vou. Eles são monstros, Esme. Monstros.
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