Amor Autista

20 Capítulo 20 Segunda fase - Minha dor, sua dor, nossa dor.


Notas iniciais
Obrigada pela nova recomendação #Cliterária (Gabi) :* capítulo especial para ti. Por favor, leiam este cap ouvindo este link https://www.youtube.com/watch?v=oiqciak0L7E é de suma importância para sentir as palavras (chorei feito criança escrevendo esse capítulo) Lá embaixo tem um recadinho para vcs. Boa Leitura ♥

Isabella chegou desesperada na casa dos Cullens. Ela queria apenas chorar e chorar para ver se a dor que estava em seu peito pudesse ir embora, mas a cada lágrima, cada soluço nada mudava dentro de si. Ela perdeu seu maior e melhor amigo, perdeu sua única família. A quem daria a própria vida para salvar.

Erick era tudo para ela e agora estava morto. Uma criança que tinha uma longa vida pela frente, estava morto em um desastre aéreo. Desde o 11 de Setembro tudo havia mudado nos aeroportos, tanto nas revistas ao passageiros e tripulantes, como nas revistas dentro do avião. Tudo era monitorado com cautela e hoje isso não salvou a vida do seu primo querido.

Não queria imaginar o corpo pequenino dele todo queimado. Mas era impossível de imaginar como ele deveria ter sentido medo, chamando por ela, talvez. Eram muito apegados.

Sentiu outros braços ao seu redor na tentativa de confortá-la. Estava prestes a desmoronar no chão quando braços fortes a levantaram e começou a caminhar. Carlisle a tirou dos braços do filho. Ninguém estava entendo bem o que estava se passando com ela, porque todo aquele choro e Esme chorava também, mas de alegria, pois Isabella não havia entrado naquele avião que explodiu antes mesmo de levantar voo.

As primeiras informações era de que uma falha nos fios estivesse soltando fagulhas próximo as asas da aeronave, o que poderia ter causado a explosão tão rápido. E estava difícil de controlar o fogo, as asas estavam cheias de combustíveis e os bombeiros temem que o fogo possa prejudicar outros aviões, por isso estava remanejando-os para outros lugares, longe dali. Na pista de pouso e decolagem estavam apenas os bombeiros treinado para este tipo de tragédia. Os helicópteros de telecomunicação que estavam sobrevoando o local, foram retirados do lugar. As imagens que estavam passando eram de câmeras de segurança do recinto.

Edward não queria sair de perto de Isabella, mas foi necessário quando sua mãe pediu-lhe para pegar um copo de água com açúcar. Esme estava sentada no sofá com a cabeça de Isabella em seu colo. A menina estava deitada na posição fetal e chorava copiosamente. Era triste e doloroso vê-la dessa forma para todos ali. Menos para a Rosalie, que continuava na cozinha vendo a notícia.

Edward logo voltou com o copo, sentando próximo a ela e entregando o copo, ela não quis, empurrou e assustado Edward olhou para sua mãe que pegou-o de sua mão.

— Bella, você precisa se acalmar e nos contar o que está acontecendo. – Esme não chorava mais, pois sua preocupação com a garota tomou toda sua atenção.

Carlisle não sabia o que fazer, Isabella só chorava e nada dizia.

Da cozinha veio a voz da caçula onde relatava que em instantes dariam mais nomes de vítimas identificadas e que o local estava lotado de civis e familiares em busca de notícias. Não tardou muito o nome que Isabella tanto temia fora dito na tv. Erick Young.

Neste momento Rosalie começou a ter uma crise de riso histérico incontrolável.

— Eu preciso contar ao Erick que existe uma pessoa com o mesmo nome que ele. Existe não, existia. Pai, olha isso, Erick Young. Tinha um Erick Young no avião que explodiu. – seu pequeno rosto foi se transformando em um mar de água salgada. Do riso incontrolável ao choro surreal. – Pai. Me diz que não é o nosso Erick. Por favor, pai. Ele não. – seu pai a abraçou forte tentando conter as próprias lágrimas que insistiam em cair assim que ouviu os nomes dos parente de Isabella. Julie Young, Peter Young e Erick Yung.

Agora, três adultos precisavam dar forças a duas jovens tristes e destruídas com uma perda em comum. Erick Young. Primo de uma e melhor amigo de outra.

Edward não aguentando ver sua irmã e a garota que gosta chorando dessa forma saiu para respirar ou poderia surtar. Seus pais estavam felizes que ele havia resolvido sair dali, pois temiam ter que cuidar de mais um jovem.

— Eu quero meu amigo de volta. Pai. Por favor, eu preciso dele. O que vai ser sem ele na escola e no time? Eu preciso dele, papai. – sua dor era palpável. Doía em Carlisle também. Não poderia imaginar perder um de seus filhos, mas a dor que sentia era quase a de um pai que havia perdido. Erick fazia parte dessa família. Desde sempre. Nunca fora tratado como apenas amigo de sua filha ou um hóspede. Era tratado como um igual.

A dor era gigantesca em todos.

— Ele não pode ter morrido. Eu preciso me desculpar com ele. Ele não pode me deixar aqui sozinha! – a criança explodiu no colo do pai.

— Rose, eu sei que está doendo, mas preciso que você tente se acalmar um pouco. – precisava ser o alicerce dessa família agora e não podia fraquejar. Precisava de respostas e com isso em mente e nas suas meninas que estavam chorando, colocou sua filha no chão e foi para a pia ali mesmo, lavar o rosto enxugando com o pano de prato mesmo que estava próximo. Não tinha cabeça para subir ao quarto e fazer tudo isso.

— Carlisle, o que está fazendo? – sua mulher questionou ao vê-lo procurar por algo com rapidez.

— Achei! – eram suas chaves – Andem logo, levantem vocês duas e venham comigo. Onde está Edward? – sem entender, fizeram o que ele pediu.

Saíram da casa encontrando Edward parado do lado de fora próximo do carro. Mais à frente vinham algumas crianças de bicicletas em sua direção. Todas estavam com os olhos vermelhos e outras ainda choravam. Já sabiam da triste notícia.

— Você já sabe, Rose! – disse uma garota, a goleira do time de futebol ao qual ela e Erick fazem parte. Rose apenas balançou a cabeça e entrou no carro. – Sr. Cullen, o senhor está indo para o aeroporto?

— Sim. – triste demais com a solidariedade que aquelas crianças vieram dar a sua filha, uma lágrima deixou escapar. – voltem para as suas casas, crianças. Prometo que o que eu puder dizer a vocês, eu direi. Hoje o dia está sendo terrivelmente triste para todos nós, então volte para a casa de vocês.

Carlisle deu partida e seguiu seu caminho. Edward ia sentado no meio das duas meninas. Isabella estava mais calma e olhava para fora do carro, apesar das imagens passarem rápido pela janela do carro, ela não via absolutamente nada. E o mesmo acontecia com Rosalie.

Edward que estava por fora do sentimento que todos de sua família tinham para com o menino, não pode deixar de se solidarizar com a perda e a melhor forma de tentar mostrar que estavam como elas fora pegar nas mãos de cada uma dela. Rosalie e Isabella. Essa última apertou a mão de volta em sinal de agradecimento.

Enquanto Carlisle dirigia o carro, Esme prestava atenção aos que estavam atrás. Nem Isabella, nem Rosalie choravam mais, apenas algumas lágrimas caíam de seus olhos. Uma dor enorme tomou conta do coração dela. Esme conhecia bem Erick e pensar que nunca mais o verá, era a coisa mais dolorosa que poderia sentir, aquele menino era muito amado por sua família. Sempre quis o seu bem, e ela não sabe o que poderá acontecer com sua filha agora.

A estrada para o aeroporto estava com um grande engarrafamento por causa do acidente. Buzinas soavam em todos os lados. Pessoas estavam fora de seus veículos olhando o tamanho do congestionamento e outras pessoas comentando sobre o acidente.

Ninguém conseguia dizer uma só palavra dentro do veículo. Não tinham vontade. Cada um estava envolto a dor que afetou todos da família Cullen.

Depois de quase uma hora no engarrafamento, finalmente eles conseguiram chegar ao aeroporto. Isabella estava em estado “quase” vegetativo. Precisou ser tirada de dentro do carro e seus passos eram robóticos. Um na frente do outro. Seus pés estavam por conta própria, pois sua mente gritava “não, volte”. Mas seus pés não a obedeciam e seu choro crescia a cada passo mais próximo que dava para dentro do aeroporto.

Carlisle foi em busca de informações das vítimas do acidente a um policial e o mesmo o indicou para onde seguir depois de verificar a lista que o aeroporto lhes forneceu com o nome dos passageiros e tripulantes que estavam na aeronave. Voltou para a sua família e percebeu que sua filha olhava para todos os lados com olhos atentos. Sentiu um forte pesar pela filha. Ele sabia que ela tinha esperança de encontrar seu amigo perdido na multidão, vivo. Mas , infelizmente a realidade não condizia com sua esperança.

Amparada por Carlisle, Isabella entrou numa sala reservada para os familiares das vítimas, um segurança tentou impedir que os Cullens entrassem também, mas Isabella aos prantos intercedeu e assim foi permitida a passagem dos quatro.

A sala já estava repleta de parentes a espera de informações, mas ninguém vinha dizer nada. A única coisa que todos ali e o pais inteiro sabia era que não havia como ter algum sobrevivente das 201 pessoas que estavam dentro daquela ave de metal.

A noite chegou e o pouco que souberam foi que alguns corpos carbonizados já foram identificados. Todos os hospitais e IMLs próximos ao local estavam trabalhando junto com a polícia e os bombeiros 24 horas, juntos, para que todas as famílias possam ter pelo menos o conforto de estarem enterrando seus entes queridos corretamente. Os parentes de Isabella ainda não haviam sido reconhecidos e a espera estava lhe causando um grande mal-estar. Ela não sabia nem por onde começar. Andava de um lado a outro com olhos inchados. Não tinha, nenhum óculos escuro para esconder as olheiras e os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar. Em um momento ela olhou para a Rosalie e não soube o que fazer. Queria poder abraça-la forte e dizer que compartilhava da mesma dor que estava sentindo. Que não achava justo tudo aquilo, que aquela criança maravilhosa que ambas tiveram a sorte de ter em suas vidas, se fora. Isabella queria poder dizer muita coisa para ela, palavras de conforto. Mas como fazer isso sendo que a própria não conseguia sentir-se assim? Isabella apenas foi para um canto e sentou-se no chão para poder chorar.

Chorava descontroladamente, as pessoas em volta tentavam-na acalmar, mas nada funcionava, chegou a um ponto de sentir falta de ar e os médicos de plantão que foram disponibilizados para atender as famílias das vítimas, chegou perto dela para examiná-la. Isabella foi sedada e teve que ser levada para o hospital, não tinha nenhuma condição de ficar ali. Esme se encarregou de ir com ela e Rosalie foi junto, mesmo não querendo. Edward abaixou e pediu para que ela não dificultasse nesse momento de dor e sofrimento e que entendia bem o que ambas estavam sentindo, pois o mesmo gostava muito do menino, mas que neste momento o melhor seria não tê-las ali. E assim Rosalie foi sem reclamar.

Na madrugada, Carlisle e Edward chegam no hospital em que Isabella havia sido internada, com notícias. A jovem garota continuava dormindo e no sofá do quarto encontrava-se Rosalie do mesmo jeito.

Quando chegaram, Rosalie chorou mais um pouco e adormeceu com lágrimas nos olhos.

Esme os avistou e foi em direção a sua família.

— Qual é a notícia? Os corpos deles foram identificados?

— Até agora só o do Erick e de seu pai. – os olhos de Carlisle estavam vermelhos e ao contar para sua esposa o que os legistas lhes disseram, lágrimas descem. Pela análise, os corpos do menino e do pai indicavam que eles morreram um abraçando o outro. Ao ouvir isso, Esme não conteve o sentimento e chorou bastante. Soluços saíram de sua garganta enquanto seu marido a confortava fortemente. Ele nunca lhes dizia nada, mas sabiam pela boca da filha que Erick não tinha o amor e o carinho de seus pais.

Doeu muito ouvir isso, mas também deu-lhe um pouquinho de conforto. Pelo menos naquele momento de terror que a criança sentiu, seja ela longa ou curta, ele teve um pouco de afeto do pai. O coração e amor paterno falou mais alto. Esse abraço mostra que o pai tentou proteger o filho, mesmo, talvez, sabendo que não haveria como.

— Tem mais uma coisa que preciso contar, mas antes preciso saber de como a Bella está. – secando as lágrimas do rosto enquanto os soluços iam diminuindo, relatou que desde que a sedaram ela ainda não havia acordado. As enfermeiras vinham de hora em hora verificar sua pulsação.

Não sabia qual seria a reação da jovem ao lhe contarem quem estava prestes a chegar. Edward estava sentado ao lado dela na cama olhando para o seu rosto calmo e tranquilo enquanto dormia. Tocou-lhe na bochecha, contornou todo o seu rosto com um carinho enorme, tentava gravar aquele rosto em sua memória. Dela dormindo. Num mundo onde não estava sentindo a dor da perda. Edward contornou seus lábios e tocou-os com os seus. Queria poder tirar todo o sofrimento que ela carregava, mas não podia. Não havia como isso acontecer, ele apenas estará do seu lado sempre que ela precisar, seja para confortá-la, abraça-la, beijá-la, fazer-lhe carinho... não importava como, ele só sabia que estaria do seu lado para o que ela precisasse.

Beijou-lhe mais uma vez e olhou para sua irmã que dormia um sono agitado. Sua pinguinha sempre teve um sono conturbado, mas dessa vez ele tinha certeza que ela estava tendo um pesadelo. Saiu, então, e foi para perto de sua irmã, deitando junto dela e abraçando-a. Rosalie o abraçou dormindo e seu sono tranquilizou por um momento. Edward não parava de acariciar os cabelos da irmã.

Esme e Carlisle entraram no quarto e presenciaram tudo que seu filho fez. Ele as amava, não tinha como negar. Rosalie tinha que aceitar Isabella pelo bem do irmão.

— Qual é a outra coisa que você quer falar?

— Um dos empregados da casa do Erick veio aqui para nos dizer que a mãe dela estará chegando amanhã.

Notas finais
A todas(os) que comentarem estarei respondendo por MP com um pequeno spoiler do cap 21. Nos veremos daqui a 15 dias? Um grande beijo a todos vcs meus amores.