Amor Autista

21 Capítulo 21 Segunda Fase - Um dia difícil.


Notas iniciais
Desculpe por não ter postado ontem. Muita coisa para fazer ao mesmo tempo, mas eis que aqui estou. Obrigada a todos que comentaram no último cap (á noite mandarei spoiler para todas vcs que comentaram :* )

Um dia difícil.

A noite foi longa. Com tantos acontecimentos e coisas para serem resolvidas, nenhum ser envolvido direto ou indiretamente com o trágico acidente, não conseguia tomar decisões.

Isabella acordou no hospital no dia seguinte por volta das dez da manhã. Ainda desnorteada, olhando em volta seus olhos focaram em Edward sentado próximo a seus pés na cama. Olhava fixamente para ele e foi neste momento que sua mente clareou. Lembrou-se porque estava ali.

Seus olhos encheram-se de lágrimas. Tentou respirar fundo e fechou os olhos para que não soluçasse. Era uma dor imensurável perder um ente tão querido como o seu primo era para si.

Erick sempre fora uma criança alegre quando estavam juntos, sempre amigo, topava qualquer brincadeira ou desafio que era imposto e sempre com bom humor. Mas infelizmente no último mês não estava sendo assim.

Discutir com seu melhor amigo nunca é legal, mas quando esse amigo lhe fere por dentro com algo íntimo, é pior ainda. A dor deve ser curado aos pouquinhos. Isabella sabia que seu primo estava quase pronto para tentar voltar a falar com Rosalie. Ela só não sabia dizer se a amizade voltaria a ser como antigamente. Mas agora não importa mais, seu primo nunca irá voltar.

— Mãe? Ela acordou. – disse Edward sem tirar os olhos de sua paixão.

Esme estava do lado de fora do quarto, na porta, falando ao telefone.

— Ela acordou. Dou-lhes notícias depois. Obrigada mais uma vez. – desligou e foi ver a garota.

Mesmo com os olhos fechados as lágrimas que caíram, deixaram um rastro molhado em suas laterais. Comovida com tudo o que está acontecendo, Esme com suas mãos carinhosas as limparam dando um beijo em sua testa. Isabella tentava ser forte, mas era demais todo aquele carinho.

— Alguma notícia? – chorando ela fez a pergunta que sua resposta jamais será esquecida. – Por favor, Esme me diga – implorou, vendo a hesitação em seus olhos.

— Encontraram o corpo do Erick e do pai. – não tinha outra forma de dizer algo tão triste – Eles estavam abraçados e – Isabella parou de respirar por um instante. – Sim, minha querida. Apesar de sabermos que a vida curta dele não foi recheada pelo amor de seus pais, ele partiu sentindo o abraço fraterno e isso me conforta um pouco. Carlisle me contou que o legista disse que a posição em que eles foram encontrados indicava que ele, o pai, tentava proteger o filho.

Uma dor forte se instalou no peito de Isabella. Ela sabia que seu tio no fundo, amava o filho. Erick lhe confidenciara isso, mas por sua mulher ele preferira privar-se de dar e receber esse amor. E isso não a confortava. Deixa-a revoltada. Então Esme continuou.

— O corpo da sua tia foi encontrado a algumas horas atrás. Tudo indica no primeiro momento que ela estava próxima a cabine dos pilotos.

Confusa e irritada com essas notícias, Isabella virou-se de lado dando as costas a Esme. Não queria dizer nada, pois tinha medo de dizer algo que se arrependeria mais tarde. O corpo de sua tia ter sido encontrado perto da cabine, só poderia indicar uma coisa. Ela tentou fugir sozinha.

Esme saiu do quarto dizendo que iria atrás do marido e da filha, que estavam na lanchonete do hospital, deixando Edward sozinho com Isabella.

Quando Edward se viu sozinho com Isabella e vendo o sofrimento de sua amada e não querendo que fosse pega de surpresa com a chegada de sua mãe, principalmente sabendo da estranha relação que Isabella tem com sua família, achou melhor dizer o que sua própria mãe não dissera.

— Sua mãe está vinda para cá.

Não precisava ser nenhum adivinha para saber que sua feição transmitia choque com a notícia. Devagar ela foi se virando e olhando para ele com os olhos mais assustadores. Nunca imaginou que sua mãe teria tais sentimentos para com seus tios. Principalmente com seu pai tão doente como haviam lhe informado. Seu relacionamento com eles era estritamente pelos negócios que seu pai tinha com seu tio. Seu cunhado. Era muita informação para poucos minutos acordada.

— Sei que você e ela tem conflitos, por isso preferi contar para você não ser pega de surpresa.

— Obrigada, Edward. De qualquer forma foi uma surpresa saber. Pelo o que conheço da minha mãe, nem com a minha morte ela sairia do lado do meu pai. Principalmente doente da forma como ele está.

— Não sei o que você está sentindo. Eu nunca perdi alguém tão próximo a mim como você perdeu ontem. Eu só quero dizer. – ouvir aquelas palavras do cara que te deixa tão sem ação e vulnerável, a fez emocionar-se mais uma vez desde que acordou naquela manhã em uma cama hospitalar.

— Não precisa dizer nada. Não desejo essa dor para ninguém. É algo inexplicável. Dói muito saber que perdemos alguém tão próximo e amado por você que acaba sendo inexplicável.

— Te entendo, mas o que eu quero dizer e não sei se consigo é que... – ele não parava de mexer nas mãos e não olhava mais para ela. Olhava para qualquer outro canto do pequeno quarto, menos para ela.

Edward buscava as palavras. Mas não sabia quais usar. Decidiu então fazer do seu jeito.

— Eu gosto de você e estou aqui para você a qualquer momento que você precisar ou sentir que precisa de ajuda. Porque eu quero ficar com você. Não importa para mim a forma que você queira. Eu quero você. Eu acho que sempre quis e você desperta em mim algo que também não sei explicar. Você me deixa exausto e confuso. Mas também me deixa tranquilo quando está perto. – terminou seu pequeno discurso olhando para ela com olhos apaixonados. E como se estivesse pedindo desculpas por quere-la.

— Eu sei da minha condição. Sei que posso ser difícil. E sei que não será fácil se você me quiser também. – Isabella só olhava para o homem mais direto e sincero. Mais altruísta e inteligente. Mais amado e amoroso que poderia conhecer sem dizer uma palavra. – Eu sei que esse não é o momento apropriado para dizer isso, mas acho que não existe momento para tal. Temos que dizer o que sentimos, para quem sentimos na hora que ele vem. Eu gosto de você e queria que você também gostasse de mim.

Estava atônita.

Enfim eles poderiam viver o que ambos sentiam um pelo outro. Isabella não conseguia dizer nada, mas queria fazer algo antes de falar. Então, assim, sentou-se na cama chegando perto dele. Pegou em suas mãos beijando cada uma delas na palma. Ao levantar seus olhos para Edward, beijou-lhe carinhosamente nos lábios.

Edward soltou suas mãos e levou-as para o rosto de Isabella. O beijo entre eles foi ficando cada vez mais profundo. Edward queria cada vez mais de Isabella e ela também até que um pensamento tomou conta e ela parou o beijo deixando Edward confuso. Então logo expos o que estava sentindo naquele momento.

— Me desculpe. É como se eu estivesse fazendo algo errado. Me sinto como uma pessoa que não tem coração. Não posso me sentir bem e feliz em um momento tão difícil que estou vivendo.

Edward foi franzindo o cenho cada vez mais. Se perguntava por que ela dizia tais palavras. Por que seria tão errado? Isabella viu que não estava sendo entendida e mudou as palavras.

— Não fique assim. Eu sou completamente apaixonada por você. – sorriu e seus olhos lacrimejaram, mais uma vez. – Sou completamente e irrevogavelmente apaixonada por você. Meu amor autista. Mas me sinto culpada por sentir essa alegria que me destes agora ao se declarar para mim. — Edward começava a entender onde ela queria chegar.

— Sente-se culpada pela morte do seu primo. – Isabella acenou confirmando o que ele disse – como eu disse antes, eu entendo, e como também falei antes, não devemos esperar o momento, devemos dizer o que sentimos no momento em que o sentimento chega.

Ela o abraçou e assim ficaram até que Esme apareceu na porta com o restante de sua família. Quando ela viu Carlisle ele foi em sua direção e a abraçou. Ele queria protege-la do turbilhão que viria pela frente. Não sabia o que dizer o que aconteceria com a chegada da mãe de Isabella, mas um sentimento lhe dizia que não poderia ser algo bom.

Rosalie não olhou para ninguém, apenas ouvia o choramingo de Isabella nos braços de seu pai. Foi para o canto do quarto onde passou a noite no sofá e seu olhar focou na parede branca a sua frente. Seus olhos inchados ainda do choro do dia anterior e do amanhecer deste dia não desapareceram. Ela não queria chorar mais. Não queria pensar no seu melhor amigo. Não queria sentir o que estava sentido. Era muita dor para uma criança. E o que a deixava mais triste e com mais vontade de esquecer tudo era saber que seu melhor amigo morrera com raiva e decepcionado com ela. Sabia que nunca mais poderia pedir-lhe desculpas. Que nunca mais teria ele contigo em nada e para nada. Ele se fora e ela estava ali. Viva. Com sua família que a ama. E ele estava morto junto com seus pais que não o amavam. E essa dor ela irá carregar para o resto de sua vida. Não queria ser mais assim. Não queria sentir mais essa dor que estava em seu peite e em sua mente.

Edward ouviu sua irmã fungar e foi até ela sentando-se ao seu lado. Sua irmã era uma garota muito orgulhosa, ele sabia disso, mas Rosalie ao sentir ele do seu lado, se jogou em seus braços.

Edward a abraçou fortemente. Ela chorava em seu colo e Isabella nos braços de Carlisle. O clima no quarto voltou a ficar sombrio.

— Eu sei que a dor de vocês é muito grande, mas se serve de algo, com o tempo essa dor irá diminuir. Ela nunca irá embora. Mas ameniza e no fim ficará apenas a saudade e as lembranças boas.

Rosalie se irritou com as palavras de conforto e acabou se descontrolando.

— Não, mãe. Não vai. Meu melhor amigo morreu com raiva de mim. Ele nunca mais irá voltar. Ele está morto e eu não posso mais tentar me desculpar por ter sido rude com ele, por tê-lo magoado. Ele não vai voltar... – seu desespero era muito grande e os soluços estava atrapalhando suas palavras que saiam emboladas.

Isabella estava mais calma que Rosalie. A dor de ambas era a mesma. Perderam uma pessoa muito importante de suas vidas, mas as palavras de Rosalie eram de cortar o coração. Isabella se sensibilizou com ela, não queria que ele vivesse com esse sentimento. Apesar dos pesares, Isabella não era uma pessoa que desejava o rui para os que desejam o seu mal e Rosalie ainda era uma criança que tinha muito a aprender.

Soltando-se dos braços de Carlisle, limpou seu rosto com as mãos e foi até a menina que chorava dizendo que ele nunca mais irá voltar. Sentou-se ao lado de Edward na direção em que o rosto dela estava. Não queria ser rejeitada pela menina mais uma vez, mas precisava amenizar sua tormenta com o que sabia dos últimos dias de vida do primo.

Isabella levou uma mão até o rosto da menina tirando o cabelo do seu rosto. Rosalie não se afastou para a surpresa de todos.

— Ele não estava mais com raiva de você, Rosalie. Ele ficou sim, muito magoado, pois nunca esperou que algo assim pudesse ter acontecido. Mas nas últimas semanas ele estava mais aberto em falar sobre o assunto. – aos poucos o choro da menina foi diminuindo até ela prestar atenção somente no que Isabella dizia. – No começo ele não queria conversar, mas com o tempo ele foi se mostrando estar pronto para falar com você.

— Verdade?

— Sim, é verdade. Eu conheço... conhecia muito bem meu primo. Não precisava dizer para saber. Ele já estava te perdoando. A sua mágoa estava passando e como eu disse uma vez para ele, uma amizade como a de vocês não acaba assim. E não importa mais o que aconteceu. A amizade de vocês será eterna. Quero que você saiba que o Erick gostava muito de você.

— Eu tentei falar com ele, mas ele nunca atendia as minhas ligações. – falava entre lágrimas.

— Eu sei. Ele me disse que queria falar com você pessoalmente e foi por isso que ele não atendia suas ligações.

— Eu queria ter falado com ele, Bella. Eu queria. Eu precisava e ele me tirou isso.

— Não. Não pense assim, Rosalie. Ele não tirou nada de você e sim esse acidente desgraçado que tirou ele de nós.

Esme segurava a emoção na outra extremidade do quarto e Carlisle, apesar do clima triste, sentia orgulho por eles.

— Mas eu precisava pedir perdão. Eu queria. Eu precisava e agora não posso mais.

— Eu não sei se você alguma vez fez isso ou se faz, mas tem uma forma de você fazer isso. Pode ser algo ilusório, espiritual, ou seja lá a forma que queira chamar, mas eu gosto de fechar os meus olhos e conversar com Deus. Isso me acalma e me dá a esperança de um dia melhor.

Rosalie fechou os olhos e nada mais disse. Logo depois voltou a abri-los e ficou em silêncio.

Depois da hora do almoço, Isabella recebeu alta e todos os cinco saíram do hospital sob os olhares de pesar dos funcionários. Mas ao atravessar a porta de saída, um taxi parou bem na frente e de dentro dele saiu uma mulher de classe alta, trajada de joias e roupas finas com um óculos-escuro gigante. Era a mãe de Isabella. A garota não sabia se ficava feliz por ela estar ali ou não. Sua reação foi instintiva. Saiu de perto dos Cullens e correu em direção a sua mãe, abraçando-a.

Algo inusitado aconteceu. Sua mãe retribuiu o abraço da filha. Isabella não chorou dessa vez, ela queria apenas sentir o calor do abraço de sua mãe. Não queria saber o motivo rela de sua vinda. Ela queria apenas sentir. Nada mais.

— Você está bem? – acenou uma vez. – E quem são aquelas pessoas paradas ali nos olhando com cara de espanto? – foi quando Isabella lembrou que não havia dito a Esme e nem a Carlisle que Edward já havia lhe contado sobre a vinda de sua mãe.

— Ela já sabia. Eu contei – sussurrou Edward para seus pais.

A família Cullen continuou parada onde estava e Isabella fez as apresentações. Sua mãe foi educada para com eles e vice-versa, mas uma tensão se instaurou no ar. Esme sentiu que nada de bom poderia vir daquela mulher e ela estava certa. Renée não veio dar apoio a filha. Tinha outros interesses. Mas ela não diria quais eram neste momento.

— Obrigada por tomarem conta da minha filha neste momento tão difícil.

— Não tem nada que agradecer. Bella é como uma filha para nós. – disse Carlisle.

Isabella não podia decifrar o que sua mãe pensou sobre as tais palavras que ouvira, os óculos gigantes atrapalhavam na tentativa de decifrar.

— Bem, eu fico feliz em saber que minha filha tem pessoas como... vocês aqui nos EUA, mas agora temos que ir. Tenho muito o que resolver ainda, organizar a entrega dos corpos e o velório. – tais palavras foram ditas sem emoção alguma. Mas elas a fizeram Isabella se lembrar de algo importante.

— E o meu pai, mãe? Como ele está?

— Depois falaremos dele. Agora temos que ir. Se despeça dos seus... amigos e vamos.

Isabella não querendo constranger os Cullens, se despediu de um por vez, agradecendo e dizendo que mandaria notícias.

Quando Isabella estava seguindo sua mãe, Edward chama seu nome.

— Bella! – ela olha para ele e entra no taxi com sua mãe.

Na televisão tudo o que se ouvia era sobre o acidente aéreo. As coisas estavam muito ruins e os oficiais que entraram no caso deram um primeiro boletim sobre o rumo das investigações. O aeroporto estava fechado e assim ficaria por alguns dias até ser liberado pela perícia e todos os pousos e passageiros que iriam decolar foram direcionados para o aeroporto mais próximo. Esperavam eles que o caso seja finalizado em até trinta dias.

Ao chegar em casa, os Cullens menores foram para os seus quartos, edward ligou o som alto em uma música aleatória e Esme, seguiu Carlisle até a cozinha. Pegou um copo de água e ofereceu a sua mulher, mas nem ele bebeu, apenas ficou perdido em seus pensamentos.

— O que você achou da mãe da Bella? – questionou Esme.

— Muito pouco tempo para ter uma opinião, mas levando e conta tudo o que sabemos dela por Bella, eu não sei o que pensar. Se é uma coisa boa ou não ela estar aqui. – enfim, bebeu o copo com água que segurava na mão.

A noite chegou e seria muito longa, Rosalie estava tendo um sono muito agitado. Acordava a todo momento até que decidiu sair do quarto e acabou encontrando seus pais na sala, junto com seu irmão. Eles haviam acabado de receber um telefonema de Isabella que informava que os corpos de seus tios e seu primo haviam sido liberados pelo legista para o velório que seria no dia seguinte.

Rosalie desceu as escadas e sentou-se ao lado do irmão. Minutos mais tarde adormecera no ombro de Edward.

Notas finais
Beijo a todas(os) vcs e nos vemos na próxima atualização. ps: O que será que aconteceu com o pai da Bella? Qual a verdadeira razão para Renée ter ido para o EUA??? Deixe-me saber o pensamento de vcs.