Amor Autista

15 Capítulo 15 segunda fase - Minha vida, somente minha


Notas iniciais
Oláááááááááá, oia eu aqui genteeeemmm. Não vou me delongar, apenas quero agradecer a todas vocês por ainda me acompanharem nessa jornada que digo e repito, escrever essa estória não é nada fácil. Obrigada a todas que recomendaram a fic neste ano e principalmente a Caroline Black e a Alissa que me agraciaram no último capítulo (fofas, amei cada uma) Agradeço a todas que comentaram (prometo responder a vocês) Agradeço aos amigos (Renato) e as demais que tive e tenho o prazer de conversar tanto por aqui quanto pelo face (Thaises) e tantas outros que mesmo tímidas estão chegando perto rsrsrs, enfim... Ultimo post do ano e que ano que vem venha muitos outros. Feliz Ano Novo para cada um de vocês minhas pequenas dádivas. :*

***Minha vida, somente minha.***

Voltando para Seattle, Isabella passava e repassava tudo o que havia ocorrido durante esses três intermináveis dias com as pessoas que por ironia do destino eram seus pais. Não conseguia entender o porquê ambos eram assim.

Desde pequena era, obedecer que lhe era dito e nada mais que isso, tanto que seus pais a enviaram para estudar em um colégio

Mas hoje não. Hoje Isabella tem 20 anos é maior de idade e com a sua esperteza desde o primeiro ano no colégio interno, tinha uma boa quantia em dinheiro da qual ela própria soube fazer render sem que seus digníssimos pais soubessem.

O avião estava a poucos minutos de pousar no aeroporto e mesmo com todo esse tempo que ela teve para pensar no que faria de agora em diante, nada surgiu em sua cabeça, mas de uma coisa ela deveria fazer. Se manter firme aos seus desejos e sua própria vida não permitindo mais que sua mãe interferisse, mas ela ainda sabia que dona Renée, não daria o braço a torcer para o que ela fez com os Black. Essa guerra estava apenas começando.

Mas não adianta chorar o leite que foi derramado. Isabella impôs sua vontade e se ela queria ter o controle de sua vida, deveria seguir firme e pensar o que é melhor para si.

Com as portas automáticas abertas, Isabella caminhou tranquilamente em direção a um táxi próximo.

– Ocupado? – perguntou

O taxista abriu a porta para ela e ao dar a partida, ela deu-lhe o endereço. Respirando profundamente uma onda de emoções tomou conta de seu corpo e sua alma. Não sabia de onde isso veio, mas sentiu uma forte torrente de lágrimas querendo romper através de seus olhos. Ela segurou bravamente. Até onde deu.

***

– Será que algo de ruim aconteceu com ela? – Carlisle perguntou.

– Eu já não sei mais o que pensar. Esse desaparecimento dela repentino não me diz boa coisa. Carlisle, uma coisa é certa. A Bella não está bem.

Carlisle viu a preocupação de sua esposa nos olhos, caminhou em sua direção abraçando-a e beijando-lhe o topo de sua cabeça.

– Bella é uma mulher inteligente. Acredito que se algo aconteceu, não demorará mais para que ela entre em contato conosco e nos diga algo. Ela sabe que nos preocupamos com ela.

– Você pode estar certo, mas nada muda essa angústia que estou sentindo desde cedo.

Rosalie estava chateada, mas não queria admitir para ninguém que “infelizmente” sentia falta da “intrometida” em sua casa e principalmente que sentiu falta de Isabella no jogo que ocorreu no dia anterior.

Erick não sabia nada de sua prima e disse já estar acostumado com isso. Seus pais lhe ensinaram a não se apegar a ninguém, sem eles mesmos saberem disso. Ele gostava muito de sua prima e sempre que ele precisou dela nestes últimos tempos, ele pôde contar com ela. Ele a amava não só como sua prima, mas como uma mãe e irmã.

Rosalie estava preocupada e porque não dizer... Curiosa com a sumida da noite para o dia sem explicação? Isabella não tinha deveres para com a sua família para dar-lhes explicações, mas na cabeça de Rosalie e até mesmo na de Esme, era justo dizer pelo menos um “até logo”.

– Rose o que está acontecendo com você? – Erick perguntou durante o intervalo do jogo – É por causa de que seu irmão não veio hoje?

Ela não quis dizer a verdade então apenas confirmou. Mas na verdade era a falta de Isabella.

Agora em seu balanço, ela não sabia responder desde quando ela começou com isso. A sentir falta da “intrometida”.

– Eu não gosto dela, então não tenho porque razão ficar desse jeito. É até melhor assim. Ela onde quer que esteja e minha família aqui.

Levantando do balanço, Rosalie voltou para dentro de casa. Mal tinha entrado e ouviu lamurias. Correndo para ver do que se tratava, ela viu Isabella nos braços de sua mãe chorando copiosamente.

Seu coração infantil se encheu de alegria ao vê-la, mas ao perceber as lágrimas, ficou ali parada em silêncio. Apenas observando.

– Por que eu fui nascer? Me diga, Esme. Por quê? – ela continuava chorando.

– Não diga isso, minha filha. Deus nos dá a vida com um propósito nela. Não se esqueça disso. Nunca. – Esme acariciava os cabelos da morena enquanto soluços e mais soluços eram disparados.

– Minha mãe, nunca foi mãe para mim. Era mais como se eu fosse uma boneca em suas mãos. Ela jamais sentou comigo e me explicou sobre coisas das quais toda garota na adolescência recebe de suas mães. – outro soluço – Minha mãe me odeia, Esme. Ela me odeia – e mais outro.

– Não fale isso, minha querida. Apesar de tudo ela é sua mãe e tenho certeza que no fundo, ela a ama.

– Só se for no fundo do inferno. Ela não sabe o que é amor e acredito quem nem meu pai ela ama.

– Tudo bem. Chore o quanto quiser. Não falaremos mais sobre este assunto.

– Eu não queria chorar, pois ela não merece uma lágrima minha, mas eu... – outra torrente de lágrimas e soluços compulsivos foi desencadeado.

– Não se preocupe, chorar as vezes faz bem para a nossa alma. Chore tudo o que você tiver que chorar. Eu estou aqui para você sempre, Bella.

E ela chorou. Chorou muito. Colocou para fora toda a revolta que estava sentido de seus pais. De nunca sentir amor vindo da parte das pessoas que lhe conceberam. Da ignorância deles ao não enxergar que eles tinham que prezar pela sua felicidade e não de usarem-na para benefício próprio.

Mas algo que ela jamais esperava aconteceu e vindo da pessoa que fazia questão de deixar claro que não gostava dela.

– Tome. Minha mãe sempre fala que isso ajuda a acalmar quando estamos assim. – sinaliza para ela com a cabeça – É água com açúcar e isso realmente funciona. – disse Rosalie estendendo um copo em sua direção.

Isabella pegou o copo e em meio as lágrimas conseguiu repuxar os cantos dos lábios para um sorriso triste. Suas mãos tremiam muito ao levar aos lábios, o vidro do utensílio bateu em seus dentes.

Bebeu todo o conteúdo do copo e devolveu-o, agradecendo, para Rosalie que pegou e levou de volta para a cozinha. Não sem antes dar-lhe um sorriso de que tudo ficaria bem. Esme ficou emocionada com a atitude de sua filha.

– Venha. Você ficará aqui esta noite. – Esme levantou-se e puxou Isabella junto consigo.

Com os braços nos ombros de Isabella apoiando-a, ambas subiram os degraus que levavam ao andar de cima, onde situava os quartos da família. Quando terminaram de subir a porta do quarto de Edward se abriu e ele apareceu olhando curiosamente para as duas. Isabella estava com os olhos inchados e muito vermelhos. Ele não estava entendendo nada e uma agitação conturbada começou a incomodá-lo.

– Mãe? – sua voz saiu fraca.

– Depois meu filho. Tudo bem? – Esme proferiu e continuou a andar com Isabella escondendo o seu rosto da forma que podia nela.

Ele ficou parado, impossibilitado de se mexer enquanto seguia as duas com seus olhos assustados. Não sabia o que estava acontecendo, mas ao ver o estado em que estava o rosto de Isabella suas mãos começaram a tremer. Seus olhos tremiam e Edward sabia o que estava acontecendo consigo. Ele não queria ficar perto de Isabella, mas também não queria nunca mais vê-la daquele jeito. Em prantos. Ele queria abraçá-la, mas não tinha coragem para fazer. Ele queria colocar um sorriso em seu rosto, mas não sabia nem como colocar no seu próprio. Ele se sentiu inferior e esse sentimento o fez mexer-se voltando para o quarto batendo a porta em seguida.

Carlisle ouviu o bater de porta e logo soube que vinha do quarto do filho, pois ele se lembra bem que o único que fazia isso naquela casa era Edward. Ao entrar ele parou no batente com a porta aberta e viu o que a muito tempo não via.

Seu filho estava andando de um lado a outro, torcendo as mãos enquanto balançava a cabeça em forma negativa.

– Edward. – chamou sutilmente o filho, mas não obteve resposta.

Não, não, não... – era somente isso que saia dos lábios dele.

Carlisle respirou fundo, entrou no quarto fechando a porta logo atrás de si.

– Filho, sente-se aqui comigo. – pediu. Carlisle não sabia o que havia acontecido para que ele ficasse assim, mas desconfiava e nesse caso ele não sabia o que fazer. – Por favor Edward. Olhe para mim, meu filho. – pediu mais uma vez e sem resposta.

Carlisle abaixou a cabeça e suspirou alto, sabia ele que se não tentasse acalmar o filho algo poderia acontecer.

– Eu acredito que possa saber o porquê você está neste estado, mas posso garantir a você, Edward, que tudo ficará bem. – Carlisle dizia com seus olhos fixos no filho.

– Pai... Eu não sei... Não... – Edward não sabia formular uma resposta ou uma pergunta para o seu pai, além de não conseguir ficar parado sua mente não o deixava em paz. Os olhos daquela que o atormenta desde criança não saia de sua mente. Olhos inchados e vermelhos de tanto chorar. Os seus próprios estavam quase derramando lágrimas. Sua angústia não estava o deixando pensar.

Edward continuava com seus passos largo e as mãos em movimentos repetitivos cada vez mais forte e num rompante um grito ensurdecedor saiu de sua garganta assustando até seu pai. Um, dois, três gritos.

Carlisle enfim saiu de seu torpor e foi em direção ao filho que agora estava no chão de joelhos. Ele o abraçou assim como fez anos atrás quando Edward ficou desse mesmo jeito e Carlisle sabia que era por causa da mesma garota.

– Eu estou aqui, meu filho. Vai ficar tudo bem.

Edward continuava com seus gritos, agora com menos intensidade. Seus olhos derramavam lágrimas mesmo fechados com força.

– Tente respirar devagar filho. – ele dizia enquanto balançava seu corpo junto como do filho.

– Eu não estou conseguindo. – sua voz saia fraca entre os dentes.

– Respira filho. Apenas respire. – de súbito a porta foi aberta e quem passa por ela é a pequena Rosalie se encaminhando diretamente para o pequeno aparelho de som que tinha na mesinha de canto do quarto dele.

Rosalie na tentativa de ajudar o irmão a se acalmar pegou o seu pen drive e conectou na entrada do som, com o pequeno controle ela foi zapeando nas músicas que tinham até chegar em uma das favoritas de seu irmão que ela conhecia.

A música é tema de um dos filmes que ele mais gosta, não pela beleza da estória, mas por ele ver no vilão, sua própria vida. O Fantasma da Ópera do ano de 2004. Dizia ele a sua irmã que o filme foi embelezado e que o livro era sobre um amor doentio e sombrio. Ela ainda não lera livro, mas gostava bastante do filme e principalmente de sua trilha sonora que foi apresentada a ela por seu irmão.

O som aos poucos começou a ser audível e aos poucos Edward começou a se acalmar. Carlisle agradeceu a filha com um aceno de cabeça e um sorriso nos lábios.

– Ainda bem que deu certo. Estava em dúvidas de que fosse ajudar, mas parece que hoje eu tirei o dia para ajudar as pessoas. – sua voz saiu baixo, mas seu pai ouviu perfeitamente.

– Orgulhe-se disso meu amor. Você teve uma bela atitude e eu agradeço a você por isso. Mas que mais você ajudou, hoje?

– A Bella. Ela não parecia nada bem e sem querer eu ouvi um pedaço da conversa dela com a mamãe. – seu tom de voz saiu triste. Carlisle apenas meneou a cabeça e vendo que seu irmão estava um pouco melhor, saiu do quarto deixando pai e filho sozinhos.

– Não sabia que gostava dessa música. – beijou-lhe o topo da cabeça do filho – você gostaria de me dizer do que mais você gosta que eu não sei? – tentou fazer com que o filho falasse, mas foi em vão.

Edward ficou parado nos braços do pai. Seus olhos estavam fixos na colcha da cama e aos poucos, suas mãos foram o soltando. Sem dizer uma palavra, Edward saiu do aconchego que os braços de Carlisle transmitia e foi-se para fora do quarto. Seu destino, o antigo quarto de brinquedos. A porta mal havia sido fechada e Edward retornava pegando o pequeno aparelho de som e levando consigo.

Ao chegar ali, Edward colocou a música no “repeat”, sentou-se no poof e ali fechou os olhos e concentrou-se na melodia e letra da música. Seu coração saltitava toda vez que as palavras ‘ Diga que compartilhará comigo; Um amor, uma vida; Deixe-me conduzir você dessa solidão; Diga que precisa de mim com você aqui, do seu lado; Qualquer lugar que você for, deixe-me ir também; Isso é tudo o que te peço” eram repetidas. Uma dor forte o atacou no peito e uma lágrima escorreu de seus olhos verdes.

Edward tinha medo de dizer para si mesmo o que estava sentindo por Isabella. Tinha medo de que se ela ou qualquer outra pessoa viesse a saber fosse rejeitado. Então ele preferiria ficar na incógnita e deixar guardado apenas para si o sentimento que floresceu dentro de si.

No outro cômodo com Esme, Isabella tentava fazer com que, ela fosse ver o filho. Não queria ser culpada de nada depois.

– Por favor, vá vê-lo. – sua voz saiu aflita.

– Tenho certeza de que Carlisle já resolveu e eu posso muito bem me dividir entre vocês dois. Agora eu peço que você fique aqui. Vou buscar algo para você.

– Mas Esme... – foi cortada no meio da frase ao ouvir uma ópera não muito longe dali.

– Olha. Está escutando? Eu disse que não precisava se preocupar. Agora fique aqui. Eu já volto.

Esme não deixou que Isabella retrucasse mais uma vez e saiu. Isabella ficou quieta sentada na beirada do colchão ouvindo o som que saia de algum cômodo e como um imã ela saiu do quarto e seguiu o barulho da música.

Ficou parada na frente da porta escutando, até que sua mão de encontro a maçaneta da porta e abriu bem devagar. Ao olhar para dentro, ela ficou parada olhando para ele, que estava de olhos fechados com o rosto sofrido. Seu coração deu saltos de tristeza. Ela não queria vê-lo com esse semblante. Edward merecia tudo nessa vida, tudo de melhor.

Isabella ficou uma música inteira parada na porta olhando para ele e quando resolveu sair dali fechando a porta os olhos de Edward se abriram e a conexão do olhar a impediu de continuar o que estava fazendo.

– Sinto muito, não queria interromper.- sua voz saiu fraca.

– Você não me incomoda. – a sua também. Um sorriso singelo apareceu nos lábios dela. – A música está te incomodando?

– Não! Eu... ela é uma das minhas músicas favoritas e... – suspirou abaixando o olhar para o chão – graças a você – o final da frase ele quase não ouviu.

– Por que? – ela o olhou confusa acreditando que ele não a ouviu. Ledo engano.

– Ah. Ahn. Lembra-se daquele dia em que eu... bem, acho que você se lembra. Você estava lendo o livro O Fantasma da Ópera e era um livro que eu a muito queria ler também e como sempre – sorriu – fiquei curiosa e acabei lendo e logo em seguida assisti ao filme. Você assistiu?

– Sim. E qual a sua opinião sobre o filme?

– Apesar de que ele é bastante diferente do livro, eu gostei. Mas o que podemos esperar de uma adaptação? Tá para nascer um diretor que reproduza um filme fielmente a sua obra original.

– Eu também sou dessa opinião, mas vou mais além. Embelezaram o vilão para atrair o público. Apesar de eu gostar mais do Erike do livro, o sentimento dele pela Christine nas telonas foi bastante fiel. O amor é um tanto perturbador, você não acha?

Isabella engoliu seco as escutar essas palavras.

– Muito – sua voz saiu rouca.

Edward a chamou para entrar e ela sentou-se perto dele e o silêncio imperou no ambiente. Ambos deixaram a música falar por si só.

Os minutos foram se passando. A cabeça de Isabella pendeu para o braço de Edward que não se moveu. Os olhos da garota se fecharam e ele sentiu a tranquilidade fluir. A muito ele não permitia que pessoas estranhas o tocasse, mas ele já não podia afastá-la. Era isso o que ele queira. Apenas um toque dela.

Sem se incomodar de ser pego, ele esticou a mão e tocou-lhe os cabelos. Ela dormia em seu braço. Neste momento Edward suspirou e pediu a Deus para que o sentimento que estava sentido e crescia a cada dia fosse arrancado de seu peito.

Notas finais
AVISO¹: Capitulo sem betar (manerem nos xingamentos kkkk) AVISO²: Sinto muito mas volto somente ano que vem (kkkkkkkkkkkkkkkkk)