Amor Autista
12 Capítulo 12 - Vidas que se seguem. Caminhos que se encontram.
Notas iniciais
ISABELLA
Isabella voltava para sua rotina trancafiada dentro de um internato. Ela não via a hora de sair dali, já tinha decidido que não faria faculdade, para ela, era tempo jogado fora. Em seu consciente, uma pessoa do status familiar que o dela, não há necessidade de fazer uma faculdade, principalmente para o que desejava fazer não precisava de diploma. – desejava assim — pois não estaria tirando a vaga de alguém que desejava e sonhava com algum curso. Com a mesada que ganha de seus pais não gastava quase nada, guardava sempre o que sobrava. Para não perder e nem ter o azar de alguém descobrir e roubá-la, Isabella fez como nos filmes, escavou a lateral de um dos tijolinhos de se quarto em baixo de sua cama com uma de suas canetas que já não servia mais e aos poucos conseguiu fazer o que tanto desejava com isso, soltar um único tijolinho, quebrá-lo ao meio na vertical e assim poder guardar todo o seu dinheiro que sobrava da mesada em um saco plástico. Até hoje, ninguém nunca descobriu seu lugar secreto. Seu objetivo com aquilo? Poder investir na bolsa de valores para ter sempre um crescimento financeiro e quem sabe um dia poder ter ações em algumas empresas — principalmente a de seus pais.
Dessa vez, sua volta para o internato não era sem sentimento, porque sabia que dali a pouquíssimos meses ela estaria fora daquele lugar. Para sempre, mas mal sabia ela que sua mãe já tinha planos para o seu futuro, planos dos quais ela nunca sonhou realizar algum dia.
EDWARD
As semanas foram se passando e tudo tinha voltado ao normal na casa da família Cullen. Edward tinha se recuperado rapidamente de uma virose, Rosalie após saber da "volta para casa" de Isabella, sentiu que não precisaria mais tê-la sob sua mira, Esme continuava com suas boas ações, levando o conhecimento sobre o autismo e outras doenças que conheceu pelo caminho em sua estrada para levar conhecimento aos menos favorecidos e Carlisle continuava dividindo o seu tempo entre o trabalho e a família.
Desde a repentina conversa que teve com Isabella na noite em que Edward foi internado com febre altíssima, ele não parou de pensar na garota, de porte pequeno e frágil. Ao contar para sua esposa, Esme se convalesceu com o marido. Ela não entendia por que de seus pais serem assim e se colocou no lugar da mãe. Sabia desde antes que jamais conseguiria ficar longe de qualquer um de seus filhos, vendo-os apenas algumas vezes no ano e nas férias escolares e ao tentar se por no lugar de uma pessoa assim, não se sentiu bem. Seus filhos eram seu maior tesouro.
Após alguns dias se recuperando da virose, Edward mantinha-se no quarto recluso. A pedido dele, Carlisle mandou fabricar uma plaquinha de madeira para ser pendurada na porta de seu quarto, um lado dizia-se "livre", no outro "ocupado". Desde que o mesmo foi para o seu destino, a porta na maioria de sua vez ficava no modo "ocupado" e seus pais e irmã respeitavam sempre.
Mas Edward não ficava muito tempo sozinho, quando a placa estava virada nessa opção, ocupado, ele não conseguia ficar longe de sua pinguinha por muito tempo. Desde que abandonou as fraldas o que a fazia andar feito um pinguim, Rosalie adorava sempre ser chamada assim por seu irmão através do oktok que sua mãe comprara para que os gritos de chamados pela casa parassem. Ela adorava ser chamada daquilo, primeiramente por que a cada final de frase eles diziam, câmbio, e isso os faziam sentir-se muito inteligentes e sagazes. Ela sempre ia pulando de alegria e aonde iria, ele levava seu oktok
Apesar de ser sua única irmã, eles sempre se deram bem, Edward nunca a tratou mal, para ele, ela era uma joia rara que seus pais o presentearam.
Edward e Rosalie eram quase confidentes, "quase". Havia apenas uma coisa que ela não sabia e ele pretendia manter segredo... Enquanto pudesse.
ISABELLA
As semanas iam se passando e a cada dia que se chegava ao fim do ano letivo, mais próxima da liberdade ela estava.
Desde sua volta, Isabella começou a escrever cartas para Esme. Como não sabia se Esme tinha algum e-mail e ela lembrava muito bem o endereço da casa dos Cullen, essa foi a forma que encontrou de nunca perder o contato com eles. Em uma das cartas que enviara, Isabella perguntava sobre Edward. Aliás, todas as cartas que escreveu até então ela perguntava por ele.
Esme ainda não havia lhe respondido e ela não tinha culpa, Isabella havia escrito cinco cartas em três dias e quando elas chegaram ao seu destino nos EUA todas vieram juntas e em um único envelope. A resposta quando chegou a Isabella veio com apenas uma carta. Esme dava-lhe saudações muito afetuosas dizendo que sentia sua falta e que gostaria de ter podido despedir-se dela. Suas palavras eram doces e carinhosas, comentava por alto que Edward estava bem que havia se recuperado rapidamente da virose que havia o hospitalizado no dia de sua despedida.
No final da carta, Esme deixou seu endereço eletrônico e pedia para que ela o guardasse, assim sempre que quisesse falar com ela, não precisaria escrever (apesar de ter achado o gesto dela muito carinhoso e bem interessante nos dias de hoje).
Quando Isabella abriu o envelope que continha a carta de Esme, seus olhos lacrimejaram de felicidade. As palavras da matriarca Cullen eram um afago em seu tormento e ansiava sair dali e como as correspondências dos internos só eram entregues após o término das aulas, logo que pegou o seu e leu-o viu o endereço eletrônico dela, foi em direção a sala de informática. Ainda havia alguns alunos ali então se dirigiu para o fundo da sala e sentou-se em frente a uma cabine vazia ligando rapidamente o computador e acionando seu próprio endereço eletrônico.
"Você me fez voltar a época em que passei uma de minhas férias mais incríveis na fazenda de minha avó paterna quando recebi sua carta. Acreditava eu que não passava de mais uma adolescente mimada com quem você havia apenas sido gentil e amável por um breve momento."
Eu tinha por volta de seis ou sete anos e lembro-me de correr atrás de um cãozinho enquanto o vento batia em meus cabelos jogando-os em meu rosto. Eu me sentia livre e eu gostei do que senti, sentia que o cãozinho também sentia o mesmo e que gostava de mim tanto quanto eu gostei dele.
Enquanto eu digito isso, estou com um sorriso enorme e bobo no rosto, você não sabe o quanto me fez feliz e o quanto sua resposta significou para mim!"
EDWARD -14 ANOS (idade atual)
Na escola, Edward estava cada vez mais motivado com os estudos complementares que a escola oferecia. Se tinha uma coisa que ele sabia mexer e muito bem era em algo relacionado a informática. E ele estava adorando.
Um dia quando ele e seu pai voltavam para a casa do supermercado num fim de semana, Edward avistou um monitor velho em frente a uma casa pequena de pintura num tom horrível de verde e começou a pedir ao pai para que parasse o veículo.
– O que fará com isso meu filho, está quebrado.
– Eu sei o que quero fazer, pai. Posso pelo menos tentar?
Depois de pedir, o pai não pode negar. O computador era antigo, daqueles bundudo com furos de um branco quase amarelo de encardido. O aparelho não estava completo, apenas o monitor estava ali, jogado.
Ao chegar em casa o garoto saiu correndo da forma que conseguia do carro, abrindo rapidamente a porta traseira e retirando dali o monitor velho.
– Wow. Vai com calma garotão! — Carlisle não se continha ao ver a euforia do filho.
Ao abrir a porta, Edward quase esbarrou na mãe que segurava um copo cheio de suco que estava levando para sua irmã. Ao vê-lo entrar tão afoito seguiu-o com os olhos até desaparecer, não sem antes chamar Rosalie para segui-lo. Sem entender nada daquilo, foi em busca de Carlisle.
– Posso saber o porquê de meu filho entrar em casa feito um furacão carregando um trambolho nos braços? — perguntou ela do batente da porta enquanto Carlisle fechava o porta-malas com as coisas que ela havia pedido para serem compradas, sorrindo indo em sua direção.
– Deixa o garoto minha querida. Ele está feliz é só isso. — ao passar por ela, deu-lhe um beijo na boca.
Edward entrou em seu quarto e logo começou a mexer no aparelho velho. Sua mãe preparou um lanche para seus filhos e ao chegar na porta do quarto, bateu e Rosalie atendeu pegando o lanche e fechando a porta sem falar nada. Edward praticamente engoliu o seu inteiro enquanto Rosalie comia devagar.
Depois da refeição rápida e de limpar o monitor por dentro, Edward pediu ajudar para o pai na hora da solda. Carlisle soldou aqui, ali... Fechou e conectou ao seu CPU e o trambolho, como disse sua mãe, funcionou.
A alegria dele foi tanta ao ver que havia conseguido fazer o aparelho funcionar que Edward jogou os braços com os punhos fechados para cima e começou a dar gritos de felicidades junto com Rosalie que pulava feito uma pulguinha do seu lado gritando: você conseguiu!!!
Esme ao ouvir os gritos de comemoração dos filhos correu para o quarto e vendo aquilo, Carlisle tomou a decisão de que se o filho quisesse, ele o colocaria em um curso técnico em informática.
Esme estava radiante por mais essa vitória do filho. Ele era uma verdadeira caixinha de surpresas.
ISABELLA — 17 ANOS (idade atual)
Sentada na varanda da mansão dos Swans no Canadá, rodeada de mulheres e moças fúteis, Isabella não aguentava mais tanta fofoca sem noção dessas pessoas que se diziam "amigas" de sua mãe. Provavelmente elas eram mesmo, pois todas eram farinhas do mesmo saco. Quando não estavam falando sobre bolsas, sapatos e casacos de pele, estavam falando dos outros.
Hipocrisia rola solta aqui– pensou Isabella ao levar a xícara de chá de hortelã com leite aos lábios, tentou se deportar mentalmente para fora dali, onde não era obrigada a ficar sentada com a mãe com um sorriso Colgate congelante estampado na face o tempo todo como se estivesse feliz pela companhia delas. Mas sua mente foi longe demais a fazendo lembrar-se do seu último dia de aula no internato. Um sorriso verdadeiro apareceu, finalmente, em sua face nesta tarde. Isabella fechou os olhos calmamente e deixou ser levada para aquele dia... Há um ano.
–Vamos comemorar a nossa liberdade dessa prisão! — exclamou Kate, sua amiga de quarto.
– E como vamos fazer isso? Já estou com a passagem comprada para voltar para casa assim que sair daqui.
– É simples Bellinha, você vai ligar para o seu pai e informe-o de que você foi convidada por mim para o meu aniversário que será neste fim de semana. Simples assim. — disse a menina com um sorriso malicioso de vitória.
– Mas se me lembro bem, o seu aniversário já foi a meses.
– Bella, bobinha. Seu pai não precisa saber desse mero detalhe. — piscou com um olho para ela — Você é mais esperta que isso.
Depois de tramado, Isabella colocou o plano de Kate em prática e com uma choradinha aqui e outra ali, ela conseguiu que sua passagem fosse mudada para dali a dois dias rumo ao EUA.
No dia seguinte Isabella foi para um hotel onde Kate já havia feito as reservas para passarem a noite e o dia seguinte. Ambas as meninas possuíam identidades falsas. Isabella se chamava Tanya e Kate, Irina. Ambas as identidades tinham como idade 21 anos.
– Bendito é aquele que inventou a identidade falsa. — falou Kate se jogando de costas na cama.
– E então, o que faremos hoje a noite?
– O que sabemos fazer de melhor. Vamos dançar!
Ao cair da noite, Isabella e kate estavam prontas para matar qualquer homem adulto ou velho, mas que estivesse em sã consciência. Kate usava um micro vestido tomara que caia vermelho com brilho no busto e Isabella com um de um ombro só na cor branco. Ambas carregaram bem na maquiagem dando destaque aos olhos Isabella e Kate aos lábios.
Ao chegar à boate que ficava a três quarteirões do hotel, Isabella que nunca havia ido a uma -só nos bailes do internato- ficou meio cega. No começo por causa das luzes brilhantes que piscava rapidamente e de diversas cores, mas assim que se acostumou com o show de luzes, ficou deslumbrada com o ambiente. Sempre adorou música alta — sua filosofia e a de 99% dos jovens era que música boa era musica alta- e logo começou a balançar o quadril. Os estilos das roupas e as maquiagens carregadas não deixaram margens para duvidar de suas identidades.
No bar, Kate pediu duas doses de um drink forte para elas.
– Não se preocupe é tudo por minha conta esta noite.
Isabella que experimentava aquele líquido pela primeira vez, achou a bebida muito forte e logo seus olhos lacrimejaram e sua cabeça deu uma balançada, mas estava decidida a aproveitar tudo o que era lhe oferecido. Enquanto poderia ser "livre".
Ela e Kate beberam... Dançaram... Beberam mais um pouco... Dançaram mais ainda e com vários homens que fizeram uma roda em torno delas. Uns arriscaram a se esfregar nelas e como a bebida já estava acima do nível de bêbadas, nenhuma delas resistiu a nenhuma investida. Em suas mentes elas estavam se divertindo. E muito.
No fim da noite, não sabiam mais o que estavam fazendo e acordaram ambas nuas, cada uma em sua cama.
Isabella foi a primeira a acordar. Estava sozinha na cama. Sua cabeça estava muito dolorida e parecia que estava no meio de uma bateria de escola de samba no Brasil em pleno carnaval. Os olhos ardiam com a claridade, sentia que várias agulhas estavam sendo enfiadas em cada globo ocular.
Ao acostumar-se com a claridade seus olhos estavam virados para baixo e assustou-se com o que estava vendo. Ela não tinha o costume de dormir nua. Ainda assustada com a condição que se encontrava, olhou para a cama ao lado vagarosamente.
– Oh meu Deus. Que merda fizemos ontem? — perguntou-se.
A cama de Kate não estava possuída por apenas uma pessoa, mas sim por duas. Kate estava enroscada a um homem de pele negra com dreds nos cabelos. Isabella não se lembrava de tê-lo conhecido na boate. Os dois estavam nus e a cabeça de Isabella latejava cada vez mais. Parecia que a cada badalada do ponteiro do relógio, era a anunciação de sua morte prestes a chegar e levá-la por ter tido uma má conduta na noite anterior.
Ainda sentada e assustada, tentou lembra-se de algo da noite anterior, mas era tudo muito turvo. Não conseguia se lembrar e a cada esforço que fazia, parecia que uma faca estava se infiltrando em seu cérebro.
Um pânico começou a tomar conta de seu corpo quando olhou mais uma vez para sua amiga. Isabella se perguntou mentalmente se havia feito algo parecido com aquilo também e com um desconhecido. Pior. Se havia de fato perdido sua virgindade com um cara estranho. Tentou não chorar.
Apavorada com a possibilidade de não ser mais virgem, levantou da cama devagar e seguiu para o banheiro cambaleando. Uma tontura lhe atingiu fortemente e as dores aumentaram ao nível máximo e uma vontade enorme de vomitar atingiu seu estômago, mas não deixou se render a isso. Segurou fortemente o enjoo.
Isabella não sabia o que havia acontecido depois de algumas doses de bebida e neste momento a única coisa que queria fazer era tomar um banho e esquecer tudo o que viveu naquelas poucas horas de desobediência a seus pais.
"Era para eu estar em minha casa, nos EUA, com minha mãe e meu pai. Droga o que foi que eu fiz!"
Embaixo d'água morna ela se esfregava com uma esponja todo o seu corpo como se ele estivesse coberto de lama enquanto lágrimas de arrependimento desciam incontroláveis e foi ai, neste momento que ela viu um tom de vermelho claro se misturar com a água indo para o ralo. Seu medo acabara de se confirmar. Isabella deixara de ser virgem. Com um desconhecido.
Um ano depois desse dia, Isabella Swan havia conseguido não sentir arrependimento ou vergonha do que fizera, falava sempre para si mesma que foi melhor assim. Com um desconhecido. Mas mesmo não se lembrando de nada, ela tomou a pílula do dia seguinte e feito exames de sangue regularmente durante o ano para ter certeza de que não havia pego nenhuma doença. Só quem sabe dessa história além dela é Kate e sua ginecologista. Nem mesmo Esme, a quem não trocava e-mails havia poucos dias.
– Está rindo do quê, Isabella? — a voz de sua mãe a tirou do devaneio mais irresponsável de sua vida.
– Hã! Nada mamãe. Eu só estou me lembrando de como fiquei feliz em voltar para a casa. — dissimulou — Bem, foi muito agradável tomar chá com todas vocês, mas devo me retirar agora. Peço que me perdoem por isso, mas algo de suma importância me chama agora.
Levantou-se e saiu sem olhar para trás sabendo que quando houvesse um oportunidade sua mãe iria em seu encalço dar-lhe um bronca por ter se retirado sem ter sido avisada com antecedência.
Isabella trancou-se em seu quarto e logo ligou seu notebook e foi direto para sua caixa de e-mail. Leu e releu várias vezes o que Esme lhe enviara a dois dias atrás e sentiu-se culpada por não respondê-la no mesmo instante em que o leu.
Sentia falta da mulher, de seus conselhos, das broncas, do carinho... Não entendia como que podia sentir falta de tudo isso com uma pessoa a quem havia trocado poucas palavras e que só se correspondia por e-mail.
A resposta e entendimento vieram rápidos, Esme era MÃE, ela tem o instinto de amar incondicionalmente uma pessoa só de olhar para ela, o contrário de sua mãe que nunca irá mudar e amará apenas o dinheiro e a si mesma. Para ela só existia o sentimento verdadeiro com seu status e a conta bancária bem recheada.
"Olá querida Esme, sinto tanto sua falta... Não sei como explicar isso e olha que ficamos apenas alguns dias sem nos comunicarmos, mas saiba que fiquei imensamente feliz em saber que agora você também da palestra via online. Acho muito digno isso de sua parte. Você é uma mãe exemplar. Uma mãe guerreira. Saiba que se um dia eu for mãe me espelharei em você.
Meus sinceros e acolhedores parabéns!!! Espero poder revê-la algum dia. Bjs, amo vocês!"
EDWARD — 18 ANOS (idade atual)
Considerado um jovem bastante promissor na área da computação e um prodígio na lista dos homens mais ricos dos EUA antes dos 20 anos, Edward conseguiu o que poucas pessoas nesse mundo conseguem. Aos 15 anos ele desenvolveu um programa em chip que daria mais seguranças a empresas de grande valor mundial.
Edward levou um ano inteiro personalizando seu invento e melhorando sua capacidade de funcionamento e isso lhe rendeu uma bolsa de estudos em uma das melhores universidades de Engenharia da Computação aos 16 anos.
Seus pais ficaram absurdamente maravilhados e orgulhosos, mas tanta emoção não escondia o medo e o pavor da mudança que a vida de seu primogênito teria. Edward apesar de não frequentar o instituto tantas vezes como antigamente, ainda era um autista. Isso não tem cura e todo autista tende a não ser afetivo com mudanças.
Esme e Carlisle foram pegos de surpresa ao saberem da bolsa que o filho havia ganhado e mais surpreendidos ficaram ao ouvir da própria boca do filho que queria ir. Edward desejava isso mesmo sabendo de suas limitações, ele sabia que seria algo difícil e complicado, mas mesmo assim, ele não queria deixar que isso o impedisse que de ir para uma universidade.
Como previram a ida de Edward para a universidade foi complicada e dolorosa. Primeiramente por conta dos tradicionais trotes e em segundo por causa da própria família.
Quando Edward foi pego, ele se apavorou e todos que estavam a sua volta não entenderam sua reação, pois ele não seria jogado numa piscina e nem lhe enrolaria um barbante e o fariam tomar bebida alcóolica. Não seria uma brincadeira de "boas-vindas" e sim de mau gosto, mas as pessoas estranhas tocando-o... isso o fez surtar. Seus pais não estavam por perto e Edward só se acalmou quando um professor de psicologia encarregado de recebê-lo, chegou e começou a colocar ordem na situação e deixar claro para os estudantes que estavam na roda que fizeram em volta do rapaz sua real situação.
Quando seus pais ficaram sabendo do ocorrido, Esme saiu a procura do filho para ver se ele estava bem e se queria voltar para casa. Disse ela que não seria vergonha nenhuma e não teria nenhum problema se ele quisesse voltar, mas Edward disse não.
– Não mãe, não mãe. Eu só quero que confie em mim. Sei de minhas limitações, mas eu acredito que tenho que tentar ultrapassa-las. Você e meu pai me ensinaram isso. Lutar pelo o que quero e isso me fez ser e ter o que eu nunca imaginei. Não quero e não serei um peso que tenha medo de mudanças. Eu vou conseguir mamãe.
– Nuca mais diga que você é um peso. Você é especial e pessoas especiais nunca serão um peso para a família.
Em um dos momentos raros, Edward disse tudo isso olhando bem nos olhos de sua mãe que com o coração apertado e cheio de orgulho pelo filho, deixou-o com a promessa de que se acontecesse qualquer coisa parecida, ele ligaria.
Dois anos depois Edward estava dentro de um avião voltando para Seatlle passar as férias com a família, a novidade era que dessa vez, ele estava voltando sozinho e sem aviso. Queria surpreender a todos. Sentia muita falta de tudo ali, principalmente de sua irmã que a muito deixou de ser sua "pinguinha", mas mesmo assim, até hoje a chama assim, só para constrangê-la.
Era dia de sábado e Edward estava muito ansioso para chegar em casa. Ele sabia que estavam todos na residência, pois havia perguntado a sua irmã na última vez em que se falaram pelo celular. Edward não gostava muito do aparelho, mas estava se acostumando com aquilo pendurado ao ouvido aos poucos.
Na saída do aeroporto, pegou um táxi dando longo em seguida o seu endereço, estava agitado, pois era a primeira vez que viajara sozinho.
Logo que o carro estaciona na porta de sua casa, jogou uma nota de dólar para o taxista e saiu do carro correndo carregando sua bagagem pequena. Ele correu a entrada. Colocou a mão na maçaneta. Girou. Empurrou a porta. Deu o primeiro passo e ao olhar para a sala pronto para gritar SURPRESA... sua voz ficou agarrada na garganta. Nada saía. Ele havia sido surpreendido.
Sua mãe ao vê-lo na porta quase não acreditou no que via. Seu filho estava em casa. Ela não conseguia acreditar. Seu menino estava ali. Não pensou em nada e correu até ele abraçando-o forte.
– Meu Deus! É você, meu filho! — ela sorria entre as lágrimas — Mas como... Ai que felicidade! — ela o abraçava, o beijava, o abraçava novamente, chamava seu marido e Rosalie, limpava o rosto dele com as mãos para tirar suas lágrimas que o molharam. Esme segurou o rosto do filho entre as suas mãos e olhou bem para ele, foi onde seu entendimento veio em si.
– Edward. Você mentiu para nós? – repreendeu-o.
– Eu só queria fazer uma surpresa — respondeu ele sem tirar os olhos da visita de sua mãe. — Surpresa, mamãe!
CONTINUA...
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