Amor Autista
6 Capítulo 6 - Contando a Verdade
Notas iniciais
***Capítulo SEIS***
Sete meses havia se passado desde que a família Cullen havia se mudado para Seattle. O tratamento de Edward estava indo muito bem. Logo no começo, Edward se retraia ao tratamento por ser sozinho, mas alguns dias depois uma outra criança, tinha acabado de entrar no Instituto e a pedido de Carlisle, o terapeuta que cuidava de seu filho, juntou as duas crianças.
Ambos ficaram apreensíveis com a junção das duas crianças, mas foi á melhor decisão que ambos haviam tomado.
No começo Edward ficou um pouco retraído, pois seu coleguinha de tratamento era cego, e mudo. Sua audição também fora muito prejudicada, seu coleguinha quase não escutava nada. Edward ficou curioso quando o viu, pois ele nunca tinha visto um adulto assim, muito menos uma criança.
Nos primeiros dias, Edward tinha medo de tocar em seu coleguinha, ele ficava de longe apenas o observando. O terapeuta sempre o chamava para que ambos pudessem ter uma interação conjunta. Mas ás vezes era complicado.
Edward tinha receio de chegar perto do outra criança e machucá-la, isso, porque ele nunca conviveu com alguém que precisasse de cuidados especiais. O terapeuta que via de longe, observou esse detalhe em Edward e questionou Carlisle se ele havia conversado com seu filho sobre sua doença. Carlisle ainda não tinha conseguido essa conversa, mas diante do que estava acontecendo no Instituto, ele não teve o que esperar mais.
Naquela noite, Carlisle conversou com Esme e explicou a ela o que estava acontecendo em relação ao receio que Edward sentia sobre o novo paciente do Instituto.
– Meu amor, não posso esperar mais, temos que contar, e logo.
– Eu sei meu querido que precisamos contar, mas, nunca pensei que seria agora.
– Agora Esme? Ha quanto tempo eu venho tentando te convencer de que tínhamos que contar sobre a sua doença? Amor, nosso filho é uma criança inteligente e você sabe disso. Edward precisa entender porque ele vai tanto a Instituição e ele precisa entender várias outras coisas.
Os olhos de sua amada esposa se encheram de lágrimas ao ouvir as palavras de seu marido. No fundo, Esme sabia que todas as palavras que saiam da boca do marido, eram verdadeiras. Apesar de que no começo ela foi quem segurou as pontas, foi o alicerce da família no momento do baque, no momento do choque da notícia de que seu filho era um autista, Esme deixou-se amolecer aos poucos conforme seu marido ia tomando as decisões que lhe eram competidas.
– Tudo bem Carlisle. – respirou fundo e continuou – Você está certo. Edward já está um rapazinho e com certeza... Desculpe-me por ter tapado os meus olhos no momento em que você abriu os seus. Desculpe-me por ter sido fraca quando eu deveria ter continuado forte perante a você.
Uma lágrima de vergonha e sinceridade escorreu-lhe pelos olhos. Esme estava se sentindo a pior mãe do mundo neste momento.
Ao sentir o que Esme transpassava naquele olhar banhado de lágrimas, Carlisle foi até sua esposa e a abraçou.
– Não pense em momento algum que você foi ou é uma mãe ruim. Eu não poderia ter escolhido pessoa melhor para ser a mãe dos meus filhos.
Com essa declaração, Esme levantou os olhos cheios de amor para com seu marido e um fraco sorriso surgiu em seus lábios. Carlisle selou seus lábios nos dela apenas por um momento e continuou a falar.
– Você é incrível Esme. Eu não sei o que seria de mim sem você. Minha força é a sua força. Se você desistir, eu desisto também, mas nosso filho vem em primeiro lugar e por ele deveremos ser fortes. Eu não a julgo por ter caído, você nos segurou no pior momento de nossas vidas e nada mais justo tudo o que você vem tentando fazer para proteger o nosso menino, mas é chegada a hora de começarmos a deixar que ele faça suas escolhas e devemos começar contando a ele sobre a sua doença. Assim tanto nós como ele saberá se defender adequadamente.
A declaração de Carlisle não poderia ter efeito melhor em Esme. Após essas palavras, ela teve mais confiança em abrir o jogo para o seu filho.
– Tudo bem meu querido. Devemos contar a ele sobre o autismo. Mas... Antes, por favor, gostaria de conversar com o terapeuta de Edward para saber de um jeito melhor para contarmos.
– Isso não será necessário, hoje eu falei com o terapeuta. Na verdade, ele me perguntou se Edward sabia o que se passava com ele e eu disse que não. Ele me disse que deveríamos contar logo e me instruiu como fazer.
– E o que ele disse?
– Disse que o melhor seria contar a ele em um lugar confortável, onde ele possa estar relaxado para poder absorver melhor a noticia.
– Okay. Podemos contar a ele amanhã? – pediu ela.
– Amanhã será ótimo, por que temos que pensar em como contar toda essa situação.
No dia seguinte, Esme foi a primeira a se levantar, ela quase não dormiu a noite. Sua mente rodava e rodava na questão de contar a seu primogênito sobre sua condição especial. Ele só tem 9 anos e não sabe quase nada da vida. Isso estava acabando com ela e por mais que seu marido a tenha assegurado de que sabia o que deveria fazer para contar, ela se sentia insegura, pois nenhuma mãe quer isso para o seu filho, nenhuma mãe quer que seu filho nasça com limitações ou qualquer outro tipo de coisa que possa prejudicá-la na infância ou na vida adulta.
Logo, toda a família estava acordada e o café da manhã posto na mesa. Quando terminaram a refeição, Carlisle levou Edward para a escola a qual era capacitada para receber crianças especiais. Edward estava se dando bem ali, no começo foi um pouco complicado para ele se adaptar, porque além de trocar de cidade, ele também trocou de escola e ali, eram todos desconhecidos. Com paciência e carinho de todos os professores que ali lecionavam, Edward pode sentir que estava em um lugar bom, um lugar onde que mesmo não conhecendo ninguém, ele sentiu que talvez seria “legal” estudar pela primeira vez.
As sessões no Instituto estavam dando resultados. Lá, Edward conheceu uma criança com as limitações mais precisas que a sua. Seu nome era Luigie. O coleguinha que no começo ele se retraia com medo de machucá-lo por ser cego, surdo e mudo, mas Edward o via sempre sorrindo e ficou curioso em saber por que. E na maior inocência ele perguntou ao Luigie porque ele sorria tanto. Claro, após tomar coragem de chegar perto dele.
Luigie não era totalmente surdo, ele ainda tinha, uma pequena porcentagem, mas tinha, na audição e quando Edward perguntou-lhe seu rostinho virou-se para ele, mas como ele não falava, nada saiu de sua boca, apenas mais um sorriso.
Com apenas 8 anos, ele dá uma lição de vida em muitos por aí que reclamam de uma unha encravada. Mesmo sem dizer uma palavra, Luigie é uma criança engraçada e adoravelmente adorável. Seus pais se diziam abençoados por ter uma criança assim.
Enquanto Esme observava seu marido levar Edward para a escola, se pegou lembrando de Luigie, de como ela o conheceu á poucos dias atrás e como ele identificava quem era quem. Apesar da sua quase nada de audição, Luigie era um garoto esperto, ele desenvolveu uma técnica de como reconhecer quem estava ao seu lado. Ele usava o olfato. Era através do cheiro da pessoa que ele sabia diferenciar uma das outras.
Mas Luigie como toda criança autista, tinha suas dificuldades, principalmente ele, que suas limitações eram mais agressivas. Ele se sentia muito bem perto de pessoas que ele conhecia, quando uma diferente chegava perto dele e não reconhecia, Luigie ficava agitado e se afastava para um canto. Ele não falava, mas seus resmungos eram bastante diferenciados de alegria para tristeza.
Esme ficou tão comovida, tão emocionada que deixou lágrimas molharem sua face ao ver aquela pequena criança. Nenhuma mãe deseja isso para o seu filho, quando você o está carregando em seu ventre, o único desejo é que ele nasça perfeito e saudável, mas nem sempre os desejos das mães são atendidos e muitas vezes, eles vêem com algum “defeito” aqui ou ali. Mas elas nunca julgam os “defeitos” de seus filhos, da carne de sua carne, do sangue do seu sangue, a única coisa que elas desejam, é que eles sejam felizes e para que isso possa acontecer, elas são capazes de dar a vida por seus filhos.
Na escola, a professora de Edward havia comentado com a diretora sobre as capacidades mentais dele, e depois de verificar o que a professora dizia, resolveu conversar com o pai dele. Foi com uma imensa surpresa ouvir as palavras “adaptação”, “ótima criança”, “uma mente brilhante” saírem da boca da diretora. Essa última, fez com que Carlisle piscasse várias vezes.
– Seu filho tem uma capacidade extraordinária para a matemática Sr. Cullen, eu tive a prova disse. Sua mente funciona duas vezes mais rápida do que a de uma criança normal e eu queria pedir a permissão dos pais para que eu pudesse trazer um especialista aqui na escola e averiguar sua capacidade.
– Não sei se isso seria possível, a senhora mais do que ninguém sabe que meu filho demorou um pouco para se adaptar aqui, pois era tudo novo e até que ele conseguiu se acostumar...
– Eu entendo perfeitamente Sr. Cullen e tenha a minha palavra de que ele não vai nem perceber o especialista aqui, pode ficar tranqüilo quanto a isso. Aqui nós fazemos até o impossível para que a criança se sinta a vontade. Confie em nós Sr. Cullen. Dê uma chance para que seu filho seja avaliado pelo menos de longe. Já ouvi falar de várias crianças com autismo que desenvolvem uma capacidade incrível, apenas não ouvi, como também já vi e Edward tem essa capacidade, acredite em mim. Mas só irei chamar um especialista com a permissão dos pais.
As horas tinham se passado rapidamente e Esme estava cada vez mais nervosa com a aproximação da hora de contar a seu filho o seu estado especial. Ela sabia que seria difícil, mas era necessário. Edward deveria saber o que tinha, para que ele próprio, mais para frente, pudesse se defender sozinho quando seus pais não estivessem por perto.
Rosalie, estava na sua escolinha que ficava perto da casa dos Cullen onde era só virar duas esquinas, e pronto, já estavam na escolinha infantil. Rosalie gostava muito de lá, no começo ela chorou por uns dois dias, pois não queria ficar sem a mamãe, mas logo isso passou e agora, é gratificante ver a felicidade da pequenina criança indo e vindo da escolinha.
A chegada de Edward á tarde foi recebida com um enorme sorriso do filho que já ia logo dizendo as novidades e o que havia aprendido, Esme o deixou falar e depois o levou para se refrescar, após passar o dia todo pensando, resolveu que contariam ao filho após o jantar.
Naquele dia, quando Esme estava voltando da escolinha de Rosalie, quando a levava, se lembrou de que leu em um artigo na internet que seria legal dar ao filho autista um livro que dizia sobre o assunto. Foi difícil encontrar um infantil com ilustrações, mas ela conseguiu achar e ela daria isso a ele hoje, depois que ela e seu marido conversassem com o pequeno.
Após o jantar, uma troca de olhares entre Esme e Carlisle foi trocada. Carlisle levou Edward para o quarto de brinquedos e lá ficou a espera de sua mulher que levou a pequenina Rosalie para sua cama de princesa. Rosalie bateu na cama e dormiu rapidamente.
Agora não tinha como parar. Chegou á hora da verdade.
Ha passos decididos, Esme foi em direção ao quarto de brinquedos, que era onde seu filho gostava mais de ficar, era o seu lugar preferido da casa. Parou enfrente a porta, respirando algumas vezes profundamente e soltando o ar devagar e assim, abriu a porta e viu pai e filho jogando quebra-cabeça.
Edward a viu primeiro.
– Veio brincar com a gente também, mamãe? – sua mãe lhe deu um sorriso fraco e avançou até eles, sentando-se em sua frente.
Mais uma vez, Carlisle e Esme trocaram um olhar onde ele passava toda a tranqüilidade e força que um casal tem apenas em um olhar.
– Meu filho, eu e o papai precisamos falar com você. Primeiro, vamos guardar o brinquedo, tudo bem?
Edward levantou-se olhando para os pais com desconfiança, mas mesmo assim, fez o que sua mãe pediu voltando a sentar-se novamente em silêncio.
– Edward. – começou Carlisle – Você sabe que é uma criança incrível, não sabe? – ele não balançou a cabeça – Bom, temos uma coisa para contar a você, mas antes temos que explicar algumas coisas. – pausou Carlisle.
– Você sabe por que vai ao instituto? – ele balançou a cabeça negativamente — Meu querido, as pessoas que vão ao instituto são pessoas especiais e onde você vai é um lugar onde as crianças especiais vão. – disse sua mãe.
– Por quê? Eu sou especial? – perguntou o pequeno Edward e os olhos de sua mãe marejaram.
– Sim meu filho. Você é mais que especial para a mamãe, você é um anjo que Deus colocou em nossas vidas e isso te faz ser especial.
Ela esticou as mãos para o seu filho e Edward foi para o seu colo. Carlisle estava com uma feição torturada em seu rosto. Ele estava prestes a cair.
– Mas porque eu sou especial? A minha irmã também é especial?
– Sim, ela também é especial, mas um tipo de especial diferente. Deixe-me ver se consigo explicar melhor pra você! – ela parou de falar por um momento pensando nas próximas palavras que diria – Escute. O papai não sente dor nas costas? – Edward acenos que sim – E a mamãe não sente dor na cabeça? – ele mais uma vez acenou – Então, você e sua irmã são especiais, mas cada um de uma forma diferente, da mesma forma que o papai sente dor em um lugar diferente da mamãe!
Edward abriu um pouco os olhos e balançou afirmadamente a cabeça mais uma vez, demonstrando que estava juntando as peças, e por fim, entendeu o diferencial que sua mãe estava lhe explicando.
– Agora que você entendeu, o papai vai lhe explicar mais algumas coisas. A sua condição especial é que você tem um probleminha, bem aqui – cutucou a cabeça do filho mostrando de onde vinha o problema – dentro de sua cabeça e é por isso que devemos visitar sempre o Instituto. Você já percebeu que alguns médicos estão sempre brincando com você, o que na verdade, eles estão te avaliando e tratando o seu problema de uma maneira mais fácil. Você além de especial e diferente de muitas crianças e uma coisa que você tem que aprender é que ninguém é igual meu querido. Você se lembra do Luigie, acho que sim. – Edward sorriu ao ouvir o nome de seu antigo coleguinha do instituto – Então, ele é uma criança especial também e diferente. Ele não pode enxergar e nem falar, já você, pode e é isso que quero que entenda.
Carlisle parou de falar e deixou que seu filho absorvesse o conteúdo do assunto que eles estavam falando. Esme balançava o filho que estava sentado em suas pernas e alisava os cabelos dele. Edward estava pensativo com tudo o que estavam lhe dizendo.
– Mas, o que eu tenho então? Eu me acho normal porque eu tenho dois braços e duas pernas. Escuto e falo e enxergo também. Tenho cabelo na cabeça. Tenho dentes na boca, olha – Edward abriu a boca para que seus pais vissem que ele dizia a verdade e eles riram da inocência do filho – Viram? Eu sou normal. Para mim, pessoas especiais têm poderes e eu não tenho.
– Tem sim. Edward meu filho, você tem um poder que poucos podem enxergar e não precisa ter nenhum poder para ser especial, você é uma criança encantadora e agradável, você é educado, inteligente, muito inteligente. Você... Você é uma criança... Uma criança autista! – contou seu pai.
– O que é isso? Eu já ouvi uns médicos falando disso no instituto uma vez, mas quando viram que eu estava perto, eles mudaram de assunto.
Carlisle começou com todo o processo de explicação sobre o autismo para o seu filho. Edward fazia algumas perguntas, e Esme e Carlisle sempre tentavam esclarecer de forma que ele pudesse entender.
– Você sabia que a criança autista tem certas vantagens? – perguntou Carlilse a ele – Pois é. A criança autista ou até mesmo um adulto, tem uma habilidade impressionante em algumas coisas como na matemática, tem crianças que são super inteligentes com números, tem outras que tem habilidades em artes, como desenhos e pinturas. Já pensou você sendo um artista? Você sabe que desenha muito bem e que é fera em matemática não sabe? Acredite em mim Edward, você tem uma capacidade incrível e isso o torna diferente também.
Edward não sabia que era tão esperto assim com números, pra ele, é como se todas as outras fossem iguais.
Esme colocou o filho em pé e levantou-se, indo em direção a uma das prateleiras onde estavam os brinquedos menores e pegou o livrinho que havia comprado mais cedo e entregou a Edward.
– Eu comprei esse livro para você, acho que vai lhe ajudar a entender mais sobre sua condição especial meu anjo.
Edward olhou para o livro e a primeira figura que apareceu dentro do livro foi um armário. O pequeno respirou fundo lembrando-se de seu fiel amigo de madeira que ficou em Forks. Ao ver o que seu filho tanto olhava, Carlisle afagou seus cabelos beijando-lhe a cabeça e prometendo que um dia voltariam lá. Edward apenas olhou-o com olhos agradecidos de uma criança que confiava nas palavras do pai e abraçou-o.
– Eu te amo papai. – Carlisle não suportando, retribuiu o forte abraço do filho e repetiu suas palavras deixando uma lágrima descer pelo rosto enquanto Esme tentava abafar um soluço com as mãos.
– Eu te amo, meu filho!
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