Amor Autista

19 Capítulo 19 Segunda Fase - Sem Forças


Notas iniciais
E não é que eu consegui cumprir com o prometido! Milagres existem rsrsrsrs As meninas que recomendaram (Teresinha e Bi Dias) o meu muitíssimo obrigada!!! Aos comentários, estarei respondendo-os agora e muito obrigada a cada um de vocês. ♥ ♥ ♥

Alguém bate na porta do quarto onde Isabella estava. Era Erick que entra todo cabisbaixo.

— O que foi? Não consegue dormir?

— Não. E pelo visto nem você.

— É. Muita coisa aconteceu hoje e estou tentando organizar minha cabeça com tudo isso. E você? O que te aflige?

Erick estava muito magoado com o que a amiga lhe disse, mas não queria ficar sozinho, pois sempre se lembrava de suas palavras e de seus pais que sempre o estavam deixando aos cuidados dos empregados e isso doía bastante em seu pequeno coração. Rosalie sabia muito bem como machucá-lo.

— Eu só... Só não quero ficar pensando no que aconteceu. – Isabella sentia a dor na voz do primo. – Bella? Eu poderia dormir aqui com você? — pediu quase implorando. Isabella sorriu e chegou para o lado dando espaço para o primo.

— Que tal um filme? Quem sabe assim o sono não chega para nós dois. – ele concordou.

Isabella escolheu um filme aleatório que passava na tv paga, leu rapidamente a sinopse e a classificação, após verificar isso deixou nele mesmo, mas sua mente não focava no que passava na sua frente e sim no que passava na sua mente.

Uma bagunça sem tamanho tinha se formado aquele dia e sua mente focava no beijo que Edward lhe dera; na sua retribuição ao beijo; no convite para o jogo; na confusão seguinte com a Rosalie e na conversa que teve no escritório com Esme e Carlisle. Isabella tinha que pensar muito bem no que queria e no que iria fazer. Todos sabem de seus sentimentos para com Edward e desconfiava que o sentimento era recíproco, mas o que ela faria a seguir? Ela não fazia ideia.

Se não tivesse acontecido toda aquela discussão as coisas poderiam estar diferentes agora. Ela poderia estar na casa dos Cullen e quem sabe o que poderia está fazendo. Beijando o carinha que ela gosta escondido?

Um sorriso bobo surgiu em seus lábios. Tudo o que ela queria agora era poder beijá-lo novamente, mas ela não era tão egoísta assim. Erick pode não saber, mas sua prima ouviu o que Rosalie lhe dissera. Espera ela poder conversar com o primo amanhã. Seu primeiro tópico na lista de desejos era poder fazer o primo sorrir novamente e quem sabe poder fazer com que ele e Rosalie retomem a amizade de antes, pois uma amizade como a deles não se desfaz assim. Essa será sua missão e só depois voltaria a pensar em Edward.

O filme chegou ao fim e Erick se encontrava dormindo. Deu certo! Mas não para ela.

Isabella viu o dia amanhecer. E com isso uma dor de cabeça surgiu.

Algumas horas depois de uma tentativa falha ao cochilar, desistiu da cama, deixando seu precioso primo dormindo profundamente nela e dirigiu-se a cozinha. Estava vazia. Era muito cedo ainda para que os empregados acordassem e começassem o seu dia e com isso, Isabella resolveu preparar um café preto e forte, talvez a deixasse mais alerta e não sonhadora. Tinha a necessidade de focar em seu primo.

Mais tarde daquele mesmo dia, Isabella havia saído de casa com o Erick. Ela precisava conversar com ele sobre o dia anterior. Ela conhecia muito bem o pequeno, apesar de ele não querer conversar sobre o assunto, ela precisava fazer ele falar, pois desde a hora em que acordou não disse uma palavra. Imaginava que isso pudesse ajuda-lo e ajudar a ela também.

Estavam nas proximidades de um parque que havia ali perto para crianças pequenas e não havia ninguém a volta deles, então achou ser o momento certo para iniciar a conversa.

— Eu ouvi o que a Rose disse para você ontem. Antes de sairmos. – foi direto ao ponto e o menino não respondeu. Ela esperou que ele absorvesse suas palavras.

Passou 30 segundos.

1 minuto.

2 minutos.

3 minutos.

Quando ela imaginou que ele realmente não falaria, veio sua voz amarga.

— Nunca imaginei que ela seria a pessoa que falaria aquilo para mim. Eu confiava muito nela, mas hoje... não quero nem ouvir em falar o seu nome. – doeu ouvir tais palavras saindo dele. Erick sempre foi uma criança doce e compreensiva, nunca desrespeitou ninguém e ele tinha tudo para ser uma criança mimada ou mal-educada.

— Eu te entendo, mas vocês são amigos de longa data. Quem sabe ela não falou apenas por falar? E tenho certeza de que ela deve estar muito arrependida de tudo o que falou para você. – tentou amenizar.

— Você não a conhece como eu, Bella. Ela nunca fala as coisas por falar. Quando ela diz algo que machuca uma pessoa, ela diz exatamente para isso. Para feri-la. – ficou abismada com a convicção dele.

— Eu não acredito. Eu sei que ela gosta realmente de você.

— Pode ser que sim, mas não se engane com ela. Não importa o quanto ela goste da pessoa. Rosalie não mede palavras para ninguém. Você melhor do que ninguém deveria saber isso.

Estavam próximos a um banco do parque e Isabella o puxou pela mão para sentarem.

— Bella. Por que você me trouxe aqui? – Erick estava curioso, pois a muito não ia naquele parque. A última vez foi com Isabella e ele era bem pequeno.

A pergunta mexeu com ela. Por que ela o trouxe ali? No primeiro momento era em tentar encontrar alguma forma de fazer seu primo e Rosalie voltarem a ser amigos, mas agora ela não sabia nem porque saiu de casa.

O tempo estava ficando nublado. Assim como sua vida. Quando ela pensou que a luz finalmente poderia está se mostrando para ela, a negritude apaga. Era triste demais se sentir só, saber que seus pais nem ligavam para você. Era triste sentir-se abandonada, sentir-se como um objeto inanimado. Ela queria viver, sempre achou que estava vivendo e quando finalmente pensou que sim a vida como terrorista veio e tirou-lhe o chão.

— Acho... você me fez pensar em várias coisas, moleque. – falou baixinho para que ele não ouvisse.

Sentada no banco, olhando em volta voltou a pensar em como sua vida poderia ter sido diferente caso seus pais a amasse. Será que eles a levariam a um parque para brincar com outras crianças? Se eles contariam estórinhas antes de ela ir dormir? Ou se diriam que a amavam? Dariam beijo de boa noite? São pensamentos infantis, mas que uma criança amada nunca chega a pensar, pois vivia ou viveu isso em algum momento da vida. Ela nunca teve isso, pois se tivesse lembraria. Com certeza.

— Seus pais, alguma vez disse que o amavam? – perguntou e o menino olhava de um lado a outro, menos para ela, era como se estivesse tentando achar alguma lembrança. Um indicio de que isso poderia ter acontecido em um tempo distante. Isabella se entristecia, até que viu um sorriso nos lábios do garoto. E ele se lembrou.

— Sim. Uma vez. Meu pai tinha saído em uma viagem. Lembro-me de ele dizer que ficaria uma semana fora e como eu estava doente minha mãe não poderia ir daquela vez, que ele a substituiria. Ela disse alguma coisa para ele e então eu o ouvi perguntar a ela se ela não me amava. Ela não respondeu na hora. Virou-se e saiu do quarto, então ele veio me beijou na testa e disse que me amava e saiu depois. – cada palavra dita, Erick repassava na cabeça o momento enquanto Isabella o olhava com carinho. – Eles não sabem até hoje que eu os ouvi.

— Por que você nunca disse?

— Porque minha mãe me via como um erro. Um efeito colateral na relação deles.

— Mas você deveria ter dito que o amava também.

— Não acredito que se eu tivesse dito isso ele voltaria a me dizer novamente. Meu pai só é cuidadoso comigo quando minha mãe está longe. Meu pai ama ela demais.

— Isso é errado! Ela gerou você.

— O que não quer dizer que ela tem a obrigação de me amar.

Erick levantou-se e seguiu se caminho chutando as pedras que haviam em seu caminho. Pensando na última frase, não poderia discordar, mas também não poderia concordar com tais palavras. As barrigas de alugueis e as mães biológicas que abandonam os filhos recém-nascidos em latas de lixo ou qualquer outro lugar, são a prova de que gerar não necessariamente tem que amar. Muitas mães abandonam seus filhos com a desculpa de que assim seria melhor para a criança, que seu filho recém-abandonado teria um futuro melhor. Na verdade, ninguém sabe o que o futuro nos trará.

Levantou-se, colocou as mãos no bolso do casaco e seguiu o primo de volta para a casa. O tempo estava fechando e em Seattle quando o tempo nubla é sinal de chuva na certa.

Ao adentrarem em casa Erick não olhou para traz e seguiu para seu quarto. Os sentimentos de Isabella eram conflitantes, sentia dor, pena, tristeza, angustia... tudo isso junto. Seu primo não merecia viver assim. Era uma criança legal, amigo dos amigos, era inteligente e tirava boas notas. Poderia contar com ele para tudo.

Uma lágrima escorreu pelo seu rosto, não queria que o menino tivesse uma vida parecida com a sua. Solitária.

Isabella enxugou a lágrima assim que viu um empregado da casa se aproximar.

— Senhorita Swan.

— Bella. Por favor, me chame somente de Bella, Jane. – ela sorriu acenando para a garota.

— Okay, Bella. Bem, sua tia ligou e pediu para avisar que eles estão voltando daqui a uma semana. Ela também perguntou se a senhorita – Isabella olhou-a com olhar de reprimenda ao ouvir “senhorita” – Perguntou se você ainda se encontrava na residência.

— E o que você disse?

— Não pude mentir, disse que sim. Ela pediu para que você os esperassem aqui, pois tinham um assunto para tratar com você.

— E ela adiantou o que se trata?

— Não.

Agradeceu e seguiu o caminho do primo. A porta estava entre aberta e de onde Isabella estava podia ver o menino sentado na cama com as costas encostado na cabeceira, lendo um livro. Deus duas batidas na porta e empurrou-a abrindo o suficiente para que ele pudesse vê-la.

— Seus pais ligaram e disseram que na semana que vem estarão de volta. – Erick voltou a colocar o fone de ouvido que somente agora Isabella o percebeu, focando novamente na leitura. Não iria adiantar falar nada agora, ele estava muito chateado com tudo e o melhor que Isabella poderia fazer neste momento seria dar espaço para a criança.

(***)

Os dias foram passando e cada novo dia no calendário era um dia a menos que se aproximava o retorno dos tios de Isabella, pais de Erick. Os dias iam passando e Isabella não parava de pensar no que poderia ser o que sua tia queria com ela. Pensou mil e uma coisas, chegou a pensar que que seus pais os haviam colocado no meio da discussão que tivera quando esteve com seus pais e anunciou que não se casaria com Jacob Black. Essa poderia ser uma hipótese.

Desde aquele dia crucial em que tomou a decisão de não se casar com uma pessoa que não gostava nem para bater um papo, Isabella não voltou a ter ou dar notícias a seus pais. Havia cortado todos os meios de comunicação para com os mesmos. Eles não ditariam mais o que ela deveria fazer ou não. Era dona do próprio nariz. Até por que eles mesmo haviam dito que se ela não voltasse atrás eles a deserdariam.

Outra opção que chegou a cogitar seria de ela se afastar de uma vez por todas da vida do filho. Isso ela não aceitaria jamais. Já havia tecido até um texto para confrontar os tios, mas logo deixou de lado, pois se não fosse ela, quem seria a família do menino? Eles não poderiam fazer isso.

Mas sua mente sempre se voltava para os seus pais. Não sabia o motivo, precisava esperar mais alguns dias.

(***)

Mais alguns dias foram passando e com isso a barreira que Erick havia erguido para Isabella foi se desvaindo, afinal ela era sua prima, sua única família que importava. E que se importava com ele. O clima ia melhorando com o passar dos dias. Num dia estavam se alimentando no mesmo ambiente, no outro, vendo televisão juntos, no seguinte vendo filmes de comédias e contando piadas. Até que um dia Erick a chamou para darem uma volta, então decidiram ir a um lugar diferente do costumado. Não queriam correr o risco de encontrar algum Cullen.

O ocorrido na casa dos Cullens ficou para traz. Isabella sabia que Erick estava ignorando as ligações de Rosalie e não poderia dizer nada, pois a mesma estava fazendo com a matriarca daquela família. Precisava cuidar do seu primo que muito havia se machucado. E a si mesma.

Isabella tentava não pensar em Edward, no começo era muito difícil, mas com os dias e sua atenção voltada para seu primo, foi fazendo ficar mais fácil. Se ela gostava de Edward? Absolutamente que sim. Se estava morrendo de vontade de vê-lo novamente para poder, talvez, abraça-lo e beijá-lo? Muito. Se queria voltar àquela casa? Não. Pelo menos não por agora.

Quando estavam voltando do passeio, ela e Erick avistaram um carro de luxo, negro estacionado bem em frente à casa. Ambos pararam e se entreolharam, não sabiam o que fazer ou o que pensar, só sabiam que tinham que continuar caminhando. Dar um passo de cada vez até em fim entrar na casa. E assim eles fizeram. De mãos dadas. Um apoiando o outro. Mas não sabiam o porquê disso.

— Ao adentrarem o recinto, alguns empregados estavam subindo e descendo as escadas com rapidez e algumas malas. Ambos ficaram paralisados ao verem aquela cena. Isso nunca havia acontecido naquela casa, pois era tudo muito bem organizado. Da arrumação a viagens urgentes dos patrões. Aparentemente quando a última mala estava descendo sua tia vinha logo atrás.

— Erick, vá para o seu quarto e se arrume, temos meia hora para sair daqui. – a confusão continuava em suas mentes. – E você, Isabella, venha comigo. – ela a seguiu.

Foram para um cômodo mais afastado e ao entrarem seu tio já estava ali falando em mandarim, uma língua bem desconhecida de seu curriculum linguístico. Sua tia fechou a porta assim que entraram e seu tio logo desligou o telefonema.

— Vamos ser rápidos. Não gosto de enrolação por isso vou direto ao ponto. – relatou seu tio – Seu pai está internado precisando fazer um transplante duplo, rim e fígado e como você é filha tem mais chances de ser compatíveis com ele do que o restante da família. Nem todos fizeram o teste de compatibilidade, mas os que fizeram o resultado não foi bom. Ninguém compatível e você tem que ir para a Inglaterra agora mesmo conosco fazer os exames. – Isabella estava paralisada, de tudo que poderia imaginar, nunca imaginou que seria isso. Jamais passou por sua cabeça que um de seus pais poderiam estar doente e gravemente. Sempre viu seu pai como um homem forte, incapaz de adoecer. Vira inúmeras vezes deixar essas coisas de saúde de lado para poder dar continuidade a seu império e pelo visto agora essa falha veio cobrar. Um transplante de rim e fígado. – Acorda garota, ande logo. Você só tem 10 minutos para se arrumar, suas malas já estão no carro, só falta pegar seus documentos e partirmos.

Como uma marionete a garota foi movimentada por fios, ela via tudo o que estava fazendo, mas não conseguia sentir ou pensar com clareza. Pensou que estava com tudo pronto e seguiu para fora da casa rumo ao carro onde seu primo já o esperava dentro. Sua mente havia congelado no tempo. Não se lembrava de ter mudado de roupa, ou que calçado havia posto.

— O que aconteceu, Bella?

— Eu não sei. Quer dizer, eu não entendi direito a única coisa que sei é que estou indo para a Inglaterra e que meu pai está doente – franziu a testa tentando por ordem na cabeça – Seus pais começaram a falar e falar e eu... Eu preciso avisar a Esme.

O celular estava desligado e ela sentiu o impacto e a falta que aquela família fazia em sua vida ao lembrar-se de que da última vez que sumiu sem aviso eles ficaram muito preocupados. Depois de mandar um SMS para Esme, Isabella voltou a desligar o celular.

O motorista pegou um atalho para que chegassem a tempo no aeroporto, precisavam chegar no máximo meia hora antes e assim foi feito. Chegando lá a mãe do menino pegou os três passaportes e esperava Isabella com o dela. Estavam prontos para saírem da sala VIP em direção ao avião quando Isabella proferiu as palavras que enfureceria sua tia.

— Não estou com meu passaporte. Acho que o deixei cair no carro ou... – sua tia esperava uma resposta – Ou ficou em casa.

— Você só pode estar de brincadeira, garota! Procure nessa bolsa novamente. Você precisa ir para a Inglaterra hoje! – esbravejou.

— Eu já olhei duas vezes e não está. Eu posso voltar e procurar no carro. – falou incerta.

— Bella – anunciou Erick – não está no carro, você nem mexeu na sua bolsa dentro dele. – o menino disse tristonho, pois sua viagem ao lado da prima não seria tão entediante.

— Droga. – proferiu baixo a mãe do menino – Vamos fazer o seguinte. Você vai voltar a casa e procurar até encontrar. Tome sua passagem e assim que encontrar você volta e troca. Embarque o quanto antes. Entendeu? – assustada assentiu e virou as costas, quando estava prestes a sair da sala VIP um par de braços pequeninos envolveram a sua cintura. Uma emoção forte sentiu no peito. Virou-se e abraçou-o fortemente também. Não queria larga-lo, mas era necessário.

— Eu vou te ver logo, logo. – sussurrou em seu ouvido.

— Eu não quero ir sem você. – resmungou choroso.

— Não precisa se preocupar, amanhã estaremos juntos novamente. Olhe para mim. Eu te prometo isso, okay? – falou abaixando-se ficando na altura do garoto. – Okay, Erick?

— Okay. – seus olhos lacrimejaram e antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, ele a abraçou mais uma vez dizendo adeus e ela sentiu algo estranho no peito. Afastou-se da criança e saiu do recinto para fazer o caminho de volta, dessa vez com mais clareza. Antes de sair do aeroporto ouviu seu voo ser chamado. Parou e olhou para traz novamente não vendo mais ninguém.

(***)

Ao colocar os pés de volta a casa ouviu alguns choros e lamurias. Seguiu o barulho e foi direto para a cozinha encontrando todos chorando. Uns diziam não acreditar no que estavam vendo, outras apenas balançavam as cabeças tentando entender o que estava acontecendo. Isabella perguntou baixo o que havia acontecido e uma empregada gritou ao vê-la em pé parada no batente da porta da cozinha.

— Oh, menina Isabella – a empregada mais velha de nome Judi, veio correndo ao seu encontro a abraçando forte, dizendo não acreditar no milagre que estava vendo. – Você está viva. Viva! Isso é um milagre. Onde estão os outros? Cadê o menino Erick? – ela não estava entendendo nada e precisou parar Judi com a enxurrada de perguntas.

— Judi, pare. O que está acontecendo? Que milagre é esse que você tanto profetiza! – foi quando a senhora percebeu que a garota estava sozinha e não sabia de nada ainda.

— Você não sabe. – murmurou. — Eu sinto muito, menina. – e puxou-a para a frente da televisão que havia ali.

Na tv estava passando um acidente aéreo, um avião estava no centro da imagem pegando fogo enquanto os bombeiros tentavam apagar as chamas altas. O volume da televisão estava alto e Isabella estava focada nas imagens que estava vendo. Nada daquilo poderia ser verdade. Ela reconheceu o aeroporto antes mesmo de ler nas letras fixada na tela dando informações. Não poderia ser verdade, ela estava com eles a pouco tempo atrás. Impossível.

Agora quem não poderia acreditar no que via era ela. Isabella estava a poucos naquele lugar e por um descuido ou falta de atenção não pode embarcar ou agora estaria morta, assim como todos os outros passageiros que ali estavam. Era o avião levava seu primo querido para a Inglaterra.

— Não. Não. Não!!! – estava em choque, não poderia acreditar no que estava vendo, não queria aceitar aquilo. Sua família não entrara naquele voo. Seu primo ainda estava vivo. – Isso não está certo. Eles não podem ter entrado neste avião. – estava alterada demais para conseguir discernir as palavras.

As pessoas que antes estavam chorando com o desastre que vitimou seus patrões, agora estavam tentando consolar a menina Isabella que chorava e gritava copiosamente. Gritava para que ligassem para seus tios incansavelmente porque nada daquilo poderia ser verdade.

Erick. Não pensava em outra coisa.

Seus olhos continuaram a focar na pequena televisão. Ela só via e nada ouvia. Isabella sentiu novamente o abraço apertado de seu primo em volta de si. Nunca imaginou que aquele poderia ser o seu último abraço. Não poderia acreditar que aquilo estava acontecendo. Erick. Seu inestimado primo/irmão. Ela não poderia cumprir mais com suas promessas de refazer a amizade dele e Rosalie e de voltar a vê-lo no dia seguinte.

Estava fraca. Seu choro fazia até um animal sentir pena. Era triste. Não conseguia mais ficar ali olhando para aquele monitor desgraçado que lhe dera a pior notícia de sua vida.

Correu para fora da casa e seguiu em direção a casa que a tanto lhe deu alegria e tristeza. Não poderia ignorar mais, precisava deles. De todos eles. Ela não sabia mais o que fazer. Ninguém conseguia entrar em contato com seus tios e sua dor só ia aumentando a cada ligação não completada. O desespero foi batendo cada vez mais forte, assim como suas pernas corriam cada vez mais.

O caminho todo ela pensou no primo e no último abraço que deram. Isabella chegou na casa dos Cullens sem saber quanto tempo levado. Tocou a campainha uma vez hesitante. Não sabia o que esperar já que ela os havia ignorado por muitos dias. Suas lagrimas estavam incontroladas. Parecia que uma eternidade havia se passado até a porta se abrir e quando abriu seu choro se intensificou.

Esme estava com os olhos marejados assim que abriu e Isabella não pensou duas vezes em se jogar em seus braços chorando copiosamente.

— Minha querida você está viva! Oh meu Deus. Obrigada por ela estar viva! – Esme ria e chorava ao mesmo tempo, enquanto Isabella dizia não. Logo atrás delas estava Edward parado olhando para o celular da mãe. Sua respiração ofegou ao ver que Isabella estava bem na sua frente. Ele não quis pensar, seu corpo todo tremeu ao ler a mensagem que ela havia enviado a sua mãe dizendo que estava indo para a Inglaterra e tremeu mais ainda ao vê-la chorando copiosamente nos braços de sua mãe.

Ainda com o telefone na mão, Edward foi até Isabella tomando o lugar de sua mãe. Ele a abraçou forte e enterrou seu rosto no pescoço dela. E ela fez o mesmo. Sem dizer nenhuma palavra, a menina foi se acalmando enquanto o resto da família os observavam.

Notas finais
AVISO: Se forem me matar, capítulo não terá. Minha cambada linda, comentem e comentem bastante que voltarei a postar daqui a 15 dias e não se esqueça... recomendou? Spoiler ganhou! beijinho, beijinho, tchau, tchau. :* :* :*