Amor Autista

14 Capítulo 14 segunda fase - Um Novo Florescer


Notas iniciais
Boa noite pessoal, não irei me delongar aqui até pq fica chato. Enfim, muitos de vcs não sabem, mas sou de Colatina (ES) e aqueles que ultimamente estão acompanhando os jornais sabem o que está acontecendo (e não, nada está normalizado e não tem previsão o que pode levar anos. Sim, anos para ser normalizado). Mas vamos ao que interessa :) Esse capítulo é dedicado a todas as pessoas que comentaram no último capítulo, mas em duas pessoas especiais. A primeira é a Náthali Lima. Colega, entra na fila pq recebo até bombardeamento via wi fi kkkkkkk obrigada pela recomendação (os: não me lembro se te mandei spoiler se sim desconsidere esse os,se não pq favor, deixe-me saber pq logo, logo estarei te enviando um) E a Segunda pessoa é a minha bibelô, coisa rika que amo de paixão. Erika Ice, para mim, apenas chefa ou projeto de vaca :) te desejo tudo de bom nessa vida e feliz aniversário. Que venha mais 32 anos por ai!!! Ah, Renato, obrigada pela preocupação :* no coração.

O apito final soou. A vibração das crianças foi contagiante.

Rosalie e Erick correram para Edward e Isabella, respectivamente. Rosalie corria com tanta vontade que — nem parecia que havia jogado uma partida de futebol infantil — se jogou para cima de seu irmão. O impacto foi forte e fez Edward dar alguns pequenos passos para atrás.

– Obrigada, obrigada e obrigada. — dizia ela abraçando-o fortemente.

– Não me agradeça, Pinguinha. Era você dentro daquele campo jogando.

– Eu sei, mas — afastou seu rosto do vão de seu pescoço e olhando nos olhos a emoção falou mais alto — Eu te amo muito, meu irmão. — Edward apenas sorriu dando-lhe um beijo no rosto.

***

–Bella, Bella, Bella nós vencemos! Vencemos o jogo!

Erick parecia uma pulga na areia do deserto de tanto que saltava para cima e para baixo, mas ele não podia ser recriminado, estava feliz pelo resultado positivo de sua primeira partida. E era uma empolgação válida.

– Yeees querido! Meus parabéns! Vocês jogaram bem e mereceram essa vitória.

Isabella estava sorriso de alegria por seu primo e enquanto Erick voltava para comemorar a vitória com o resto do time e com Rosalie, uma lágrima solitária desceu pela sua face. Edward viu, mas se absteve em dizer algo. A lágrima tinha um motivo. A falta da sensação e o sentir do sentimento acolhedor, chamado "família". A falta da presença de pelo menos um dos país de seu primo. Do companheirismo familiar. Da falta de amor. Da cumplicidade. Do apoio incondicional. De muitas outras coisas que só em uma família unida tem.


As crianças ainda estavam pulando quando o time adversário se retirou do campo com seus pais.

– Então... O que acham de comemorarmos! — Bella limpou disfarçadamente o rosto e então olhou para Edward que a encaravam curioso.

– E-eu não sei. — disse ela há Esme — Acho melhor não — desviou seu olhar dele para ela.

– Como não sabe? As crianças merecem pelo menos umas pizzas, você não acha, Bella? — Carlisle tentou persuadi-la.

– Com certeza, mas podemos deixar isso para a próxima partida. Na quarta. O que acham? — ela desejava muito comemorar com os Cullen, mas sabia também que não era prudente impor sua presença a Edward.

Antes que alguém pudesse dizer mais alguma coisa, foram interrompidos pelas suas crianças.

– Então, onde vamos agora? — perguntou Rosalie.

– Bem, agora nós vamos para a casa. Depois veremos onde podemos ir. — respondeu seu pai.

Edward que estava em um lado, isolado, não se sentia muito bem, olhava para todos os lados desde o momento em que Isabella desviou os olhos dele, e sua inquietação dentro de si só estava aumentando e sem pedir licença, saiu dali indo em direção ao carro do pai. Sua família viu, mas ninguém disse nada, sabiam que ele já havia suportado muito barulho só para prestigiar a irmã. Ele a amava muito e não queria decepciona-la com a falta de sua presença.
Mas nem tudo são flores...


– Não quero impor minha presença. Vocês sabem... — seus olhos voltaram para Edward quando ele já caminhava para o estacionamento — Comemorem vocês, Rosalie merece. Ela jogou muito no segundo tempo.

Com tudo que havia estudado e pesquisado sobre o autismo, Isabella sabia muito bem a importância de ficar distante de Edward agora. O ocorrido em sua infância ainda está fresco em sua mente. E se ela realmente deseja se aproximar dele, sabe que tem que ser bem devagar, para que ele possa se sentir seguro e confortável perto dela. E assim, ela faria. Mesmo sentindo seu coração gritar alto e bater forte para não ficar longe dele.

Ela já havia aceitado que sua atração por ele era muito forte.

– Nós entendemos e só por isso não vamos insistir mais. – Esme sorriu ao dizer — Mas no próximo jogo não aceitaremos dispensa.

– Tudo bem. Agora temos que ir. Beijos e até.

Erick disse tchau a família Cullen e seguiu Isabella. Seu carro estava perto do de Carlisle e ao avistar Edward, acenou um tchau para ele que retribuiu. Um iceberg degelou lentamente dentro de seu estômago.

***

Quando Isabella partiu, Edward continuou olhando pelo caminho que o carro havia tomado, ele não sabia como descrever o que sentiu ao ficar tão perto dela naquele momento de adrenalina por conta do jogo das crianças. Não sabia o que sentiu quando trocou as poucas palavras com ela em sua chegada em casa. Mas sabia dizer o que sentiu ao ver que ela entendia de futebol.

Admiração.

Não é raridade, mas também não é uma coisa muito comum em encontrar um bom entendedor de futebol do sexo feminino. E Isabella entendia muito bem.
– Vamos todos entrar. Vou pedir algumas pizzas para comemorarmos hoje.

Enquanto Rosalie dava saltos de felicidade e tagarelava sem parar no banco traseiro, Edward continuava em silêncio. Pensando.

Chegando em casa, Esme pediu a filha que fosse direto para o banho. Carlisle foi para o telefone pedir as pizzas — ninguém iria para a cozinha neste dia e dona, Esme agradecia imensamente — e Edward ainda perdido em seu mundo foi para o quarto. Esme tentou chamá-lo, mas não adiantou.

– O que será que deu nele? — perguntou sua mãe.

– Não se faça de boba, minha querida, acho que você sabe bem. — respondeu seu pai. Ambos sorriram cúmplices.

– Sim, eu posso imaginar. Mas é melhor não criarmos esperanças. Pés no chão ainda é a melhor solução.

***

O dia transcorreu normalmente, Rosalie depois de cinco fatias de pizzas generosa, caiu largada no sofá. Carlisle e Esme foram para o jardim. Edward que estava em seu quarto não sabia se amassava o desenho que a muitos anos havia feito de Isabella, ou desamassava e o colocava em seu lugar. Embaixo do colchão. Era uma luta interna que o estava incomodando absurdamente desde o seu retorno para a casa.

– Não.

***

Isabella estava deitada em sua cama. Rolava para lá e para cá. Seus pensamentos não saiam de um certo par de olhos verdes autista. Ela não conseguia mais pensar em outra coisa a não ser nele. Em como ele está bonito e atraente.

– Eu não posso. – sussurrou.

Cansada de rolar de um lado para o outro, levantou-se e não querendo mais pensar nele calçou seu tênis de corrida e foi caminhar, mas antes de chegara porta de saída o telefone residencial começou a tocar.

O que diabos você está fazendo aí, garota? – Isabella nem teve tempo de dizer “alô” e sua mãe já a repreendeu.

– Mãe...

Eu não permiti que você fosse para este lugar. Você tem seus compromissos aqui e eu não irei tolerar essa sua falta de respeito para comigo e seu noivo! – Isabella fez cara de nojo quando ouviu a palavra “noivo”.

Ela não era noiva e nem queria ser. Não de Jacob Black.

– Mãe eu não estou noiva e muito menos quero isso pra mim. Pare de forçar algo que nós sabemos que não dará certo. Eu não quero e NÃO vou me casar com este homem! – exclamou ela para sua mãe ao telefone.

Olha bem como você fala comigo, mocinha! Eu ainda sou sua mãe e eu mando em você. Se eu digo que você está noiva e que se casará com o filho dos Black é porque você está e chega de bancar a menina mimada e chorosa que não recebeu sua barbie no Natal quando pediu!

Isabella estava a ponto de perder o controle e mais uma vez quando estava prestes a retrucar sua mãe, a mesma a cortou.

– Você embarca de volta para casa no próximo voo.
Isabella ficou parada ali, com o telefone na mão em choque. Eu deveria está acostumada a isso, mas não, ela ainda consegue me deixar sem palavras. É sempre assim.

Ainda com o telefone na mão, ela tomou uma decisão que não deixaria sua família feliz.

– Vamos ver se eu estarei no próximo voo. Mamãe!

Colocando o telefone de volta em sua base, ela saiu sem um pingo de vontade de voltar. Sua cabeça trabalhava nervosamente e ela sabia que precisava extravasar antes que descontasse sua fúria em quem não merecia. Nenhuma das pessoas que estão próximas dela em Seattle merecia isso.

Colocando seus fones de ouvido ela começou a correr devagar. Neste momento ela não queria pensar em nada. Nem em sua mãe. Jacob Black. Nela. Ou em Edward. Ela precisava esvazia sua mente para depois sim, dar o próximo passo.

Desfazer essa presepada que sua mãe lhe colocou.


***


Três dias havia se passado desde o primeiro jogo de futebol das crianças e há três dias ninguém da família Cullen soube de Isabella. Esme ligava diariamente para o seu celular, mas só caia na caixa postal.

Rosalie que desde o dia da jogada que os levou a vitória começou a ceder e até sentiu falta da “intrometida” o que a levou perguntar ao seu amigo, Erick o que estava acontecendo com ela. Erick também não sabia e nem adiantava perguntar para os seus pais pois ele vivia mais com as empregadas que com os próprios pais. Como ele mesmo repetiu o que sua prima uma vez lhe disse... sou órfão de pai e mãe vivos. Essa foi sua resposta final.

Rosalie ficava triste com isso porque ela tinha os seus pais sempre por perto e participando em quase tudo o que podiam em sua vida, até mesmo quando o foco era seu irmão, anos atrás, eles estava sempre se dividindo entre eles.

***

Três dias havia se passado e ele não a viu e isso o incomodou por dentro. Ele não queria, mas ao mesmo tempo ele sentia a necessidade de pelo menos ouviu sua voz.

Edward estava ficando agitado e tentava a todo custo ficar longe das vistas de sua família. Não queria interrogatório e com isso ele mal saia do quarto. Sua agitação estava tanta que suas mãos não paravam quietas, ora ele as apertava, ora ele estalava os dedos. Os únicos momentos em que ele não fazia isso, era quando estava na presença de seus pais na hora das refeições ou quando estava no quarto fazendo novos desenhos. Desenhos de Isabella.
Edward a retratou em três novos desenhos, um em cada dia. Além do que ele tinha quando fez quando eram crianças agora tinha um de perfil, sorrindo e o que ele mais gostava e não conseguia desviar os olhos. Um que parecia que ela estava olhando diretamente para ele.

Era seu segredo. Ele não sabia o que dizer, não sabia o que pensar. Ele estava fascinado por uma mulher pela primeira vez em sua vida. E ele estava com medo.

Medo de não ser possível.

***

Não esperei um escândalo eu pensei bastante durante as duas horas de corrida que fiz. Se eu quisesse ter controle da minha própria vida e de minhas ações, eu deveria fazer isso rapidamente. Para certos assuntos esperar não me fazia bem e por isso motivo estou fora de Seattle a três dias. Onde eu estava? No escritório do meu pai. Fazendo o quê? Colocando (ou tentando) por ordem no pardieiro que ele permitiu que minha mãe fizesse da minha vida.

– Pai você entendeu? Eu não vou me casa seja com quem for da escolha dela e você por ser meu pai deveria estar do meu lado, não seguindo as ordens dela. Quem é que veste calças nessa droga de família? – perguntou inconformada.

– Olha bem como você fala comigo Isabella, eu exijo respeito! – Charlie inclinou-se para o encosto de sua cadeira acolchoada respirando calmamente – Você nos deve respeito e obediência enquanto estivermos vivos. Sua mãe sabe o que é melhor para você e para esta família e eu sei que ela está certa.

– Então para você não passa de um bom negócio. – sorriu ironicamente – Por incrível que pareça, eu já sabia disso. Meu suposto casamento com este ser não passa de apenas um conflito de interesse para vocês, por isso não importa a minha vida e meu livre arbítrio. Não é? – inclinou-se para afrente colocando o seu braço direito na mesa antes de soltar as palavras que deixaria seu pai furioso. – Mas deixa eu dizer uma coisa papai. Eu não vou e nunca irei me casa com esse Jacob Black ou qualquer outra pessoa que não de minha escolha e feita por meu coração e se o senhor não conseguir viver com isso... Sinto muito.

Isabella levantou-se e caminhou em direção a porta e com ela aberta proferiu o que nenhum de seus pais poderiam supor que ela teria coragem.

– E antes que eu volte para Seattle, eu já resolvi minha vida. Jacob Black já está ciente da minha decisão e eu não voltou atrás. Vocês se esqueceram que já não sou de menor e posso perfeitamente tomar conta da minha vida sem vocês!

Ela fechou a porta atrás de si e saiu caminhando do escritório a passos firmes sabendo que não demoraria sua mãe estaria soltando os pastores alemães em cima dela. Isabella ainda estava revoltada com tudo o que tinha acontecido durante esses três malditos dias. Ela pôde conhecer mais de Jacob Black e o que viu foi que seu julgamento antecipado dele não era nada do que imaginava. Ele era muito mais repugnante do que se podia imaginar. Ele não aceitou sua decisão, mas quem deveria conviver comisso era ele e não ela.

Isso aconteceu no dia anterior. Eles se encontraram em um restaurante da alta sociedade. Isabella não queria ser grosseira nem nada e por isso ela começou falando calmamente que não concordava com esse tipo de casamento arranjado e que era da época de mil novecentos e bolinha.

– Você não quer se casar. É isso? Por que se for você estaria fazendo a maior burrada de sua vida. – disse pegando seu copo que continha conhaque o bebendo devagar.

– Pelo visto eu perdi o meu tempo o procurando para que alguém fosse realmente adulto aqui nessa presepada toda, mas vejo que me enganei. Você é da mesma laia que meus pais e consequentemente seus pais também. Enfim, eu não irei me casar com você nem agora e nem nunca e ponto final. – disse ela ao se levantar.

– Sente-se Isabella. – sua voz soou firme e Isabella apenas o olhou nos olhos. – Sente-se agora pois sou seu noivo e você será minha esposa.

Ela sorriu com escárnio para ele e continuou o seu caminho para fora do restaurante sem olhar para atrás e ver um jovem rapaz cuspindo fogo com olhar enfurecido.

Após chegar em casa, sua mãe já lhe esperava com todos os insultos possíveis. Ela tentou passar adiante e seguir para o seu quarto, mas foi bloqueada por sua mãe.
– Você está louca Isabella? Você sabe a merda que está fazendo com sua vida? Olha bem pra você garota, você mal saiu das fraldas e já acha que pode se mandar e desmandar.

– Com licença, mãe.

– Não. Você não sairá daqui até que sua cabeça esteja de volta no lugar. Eu não vou permitir que você me faça passar essa tamanha vergonha. Você irá agora ligar para a família Black e dizer que você está reconsiderando o casamento e que será assim como nós queremos.- Renée pegou o telefone sem fio e o estendeu para sua filha que apenas olhou para o objeto e voltou seus olhos para os de sua mãe. – Anda, não me faça esperar garota! Minha paciência já está no limite com você!

Em um ataque de fúria, Isabella pegou o aparelho e o jogou contra a parede mais próxima o quebrando em vários pedacinhos.

– Eu não vou fazer o que vocês querem. E o que eu quero? Será que alguém uma vez na vida parou para pensar no que eu queria daminha vida? Será mamãe que você alguma vez me viu como sua filha? Ou você sempre olhou para mim como um capricho seu, um bichinho de estimação em que você manda e desmanda? — os olhos de Renée se abriram grandiosamente – Não, a senhora nunca me viu como o que sou realmente, como sua filha. – seus olhos lacrimejaram, mas Isabella não permitiu que nem uma lágrima fosse derramada na frente de Renée.

– Você está me insultando? É isso? Você não sabe de nada Isabella. Tudo o que eu faço é para o seu próprio bem garota malcriada, mimada e intolerante. Sua insolente!

– Eu sou insolente? Sério isso?

– Você vai fazer o que eu estou mandando. Eu mesma irei corrigir o seu erro, menina birrenta.

– Você estará perdendo o seu precioso tempo. Eu não irei me casa com quem vocês querem eu já falei.

Plaft.

Um tapa soou no rosto de Isabella.

Respirando fundo ela subiu as escadas da mansão de seus pais correndo se trancando no quarto enquanto juntava tudo o que podia. Lagrimas romperam de seus olhos. Isabella não podia acreditar que isso estava acontecendo com ela. Em que mundo meus pais vivem? Como eles poderiam fazer isso com a única filha deles? Cansada, ela deixou seu corpo cair em sua cama e ali chorou até que a noite caísse.


– Ai Esme como eu gostaria de que você fosse minha mãe. Eu preciso tanto de seu colo neste momento. – lamentou.

Levantando, se encaminhou para o banheiro lavando o rosto e sem mais nenhuma palavra, pegou os poucos pertences que queria juntando-os em uma única bolsa e saiu sem ser vista por ninguém. Da mansão de seus pais, ela parou no banco mais próximo e retirou uma quantia suficiente que lhe era permitido no momento e seguiu para o aeroporto. Ela precisava voltar para Seattle. Lá era sua verdadeira casa. Era lá que as pessoas mais importantes da sua vida viviam. Era ali que o amor de sua vida estava.

Notas finais
Não sei vcs, mas essa Renée é uma cretina. O que acharam? Bjs e até o próximo, lembrando que... recomendou...spoiler ganhará!!! Bjssss