Amor Autista
11 Capítulo 11 - Quem sou eu
Notas iniciais
***Capítulo 11***
Isabella ficou pensando por muito tempo nas palavras de Esme e na ameaça fraterna de Rosalie. Se eu tivesse um irmão com ele, também teria feito a mesma coisa – pensou.
Assim que a menina foi levada para a residência dos Cullen, Isabella voltou a se isolar no quarto de hóspedes na casa de seus tios. A família Swan residia em São Francisco, mas tinham uma residência próxima dali e como ela já havia passado o dia todo com seu primo desde a saída da escola preferiu continuar ali, assim não ficaria sozinha em sua própria casa em Seattle enquanto seus pais estavam em negócios. Os negócios da família Swan cresceram absurdamente na rede de Hotelaria nos últimos anos e se Isabella já não passava tempo o suficiente com eles, agora que os vias esporadicamente.
Bella, como gosta de ser chamada, sentia-se muito triste por tudo o que aconteceu, mas ela não tinha culpa, sabia que era uma curiosa sem reabilitação, mas o que poderia fazer? Ela era assim. Mas também entendia toda a acusação feita a ela. Não tinha como saber que aquele garoto era um autista.
– Edward... – silvou seu nome sentindo no paladar como soava agradavelmente. Edward, um nome antigo que caia perfeitamente nele. – Bonito como seu dono.
Isabella sempre se sentiu sozinha e retraída quando mais nova e só depois de estudar em um colégio interno na Europa, foi que conseguiu se soltar e aguçar sua curiosidade. Havia pouco mais de umas semanas que havia retornado da Europa, pois algo trágico ocorreu em sua família, então seus pais decidiram trazê-la de volta. Sua avó paterna falecera após uma cirurgia para a retirada de um nódulo no estômago, mas uma pequena complicação durante a operação a levou a óbito. Hemorragia interna.
Seu pai havia ficado arrasado com a partida de sua avó. Ela era sua única parente, viva, além de sua única filha. O ocorrido na casa dos Cullen a deixou triste e muito, muito envergonhada. Dizia-se sempre para si mesma quando essa sensação de vergonha lhe atingia ao lembrar da reação do garoto, que ela só tinha quinze anos mesmo sua mãe dizendo que ela já era grande o suficiente para assumir seus erros e não colocá-los em cima de seu status de “criança-adolescente”. Ela odiava ser chamada de criança.
Sua mãe... Lembrou-se dela e de como a via. Uma mulher linda, elegante e benfeitora para o que lhe convêm, ou seja, para manter o status de pessoa caridosa e benevolente, mas Isabella a conhecia perfeitamente e sabia que debaixo de toda essa bondade existia uma mulher de coração frio e escuro como o breu no seio da família. Na noite em que fora avisada do falecimento de sua avó, tentou imaginar se a notícia que recebera fosse o contrário, ao invés de sua avó fosse sua mãe.
Toda a tristeza, lágrimas e súplicas de que não fosse mandada para a Europa aos nove anos, era total e exclusiva culpa de sua mãe. Reconhecia que seu pai tinha uma parcela de culpa, mas sua mãe fora a causadora maior. Quando Isabella recebeu a noticia de que iria estudar fora, em um colégio interno, ela pediu, implorou a mãe que apenas levantara a mão e a olhava com um olhar gélido que a fazia tremer até o último fio de cabelo. Ela olhava para o seu pai pedindo intervenção com o olhar, mas seu pai fingia-se de cego.
Acredita, ela que já nasceu órfã. Pior do que não ter pais é tê-los e não enxergá-los como tal. Isabella se via apenas como mais uma peça de decoração nas luxuosas mansões que a família possuía nos EUA, Itália e Canadá, por isso não teve nenhuma reação nenhum arrependimento ao colocar no lugar de sua avó, sua mãe. É triste, mas é real. Isabella tinha certeza de que não sentiria nada se fosse sua mãe no lugar da avó. Apesar de respeitar sua progenitora a menina não sentia o amor de sua mãe para consigo e acreditava que não derramaria um lágrima em sua lápide.
Deixando essas lembranças de lado, Isabella voltou a pensar no garoto, em como ele estava tão quieto, sentado naquela poltrona atento ao livro em suas mãos. Um sorriso começou a despontar nos cantos de seus lábios finos e foi se alargando cada vez mais até uma risadinha doce e inocente se soltar de suas cordas vocais.
Edward estava lendo O Fantasma da Ópera e Isabella era louca para lê-lo. Ela havia conseguido ler alguns poucos trechos aleatórios do livro e se encantou com o tema, mas ainda não teve oportunidade de comprar um exemplar para si, nem ela sabia o motivo de protelar tanto. O pouco que conseguiu ler foi nas poucas vezes em que encontrou o mesmo na biblioteca de sua escola, mas uma vez ela se perguntava: Se gostei do pouco que li, porque ainda não tenho o meu? Essa era uma questão que nem a mesma sabia a resposta.
Deu um suspiro e seu sorriso se perdeu no vento ao lembrar-se de como foi á reação do garoto ao vê-la, ali parada a sua frente. Agora ela entendeu perfeitamente sua reação. Sentiu-se invadido. Lembrou-se de um trecho de uma das pesquisas que leu na internet: Invadir o espaço de uma criança autista é o mesmo que acender um fósforo perto da pólvora. Você, para entrar tem que ser cauteloso e ouvir e ver os sinais da criança quando a mesma começa a te aceitar no seu mundo.
E Isabella foi como um furacão. Edward sentiu a invasão e lembrou de todos os exercícios executados no instituto para quando algo novo acontecesse e ele se sentisse invadido e perdido. Ele fez. Ele tentou. Mas além de autista ele é apenas uma criança perto de seus, quatorze anos. Crianças, adolescentes têm vontades próprias e depois de tentar tanto... Ou ele gritava ou guardava para si e quando o seu limite estourasse, ele poderia fazer algo de que realmente pudesse se arrepender depois.
Isabella nunca esteve com ninguém com essa doença, sabia pouco sobre a mesma e o pedido de Esme veio como uma flecha em sua mente. Sem pensar muito ela olhou para o relógio de cabeceira e viu que estava marcando 20hrs e 11min e como ela era definida por todos de sua família como uma pessoa impulsiva, agiu por impulso pegando o casaco que estava na maçaneta da porta do quarto, pegando as chaves do carro reserva de seu tio indo em direção a casa dos Cullen.
Ela não sabia o que encontraria lá. Se eles estariam acordados, ou se estariam dormindo... Não pensou em nada, apenas agiu.
O caminho não era longo, cerca de quinze minutos depois de sair de casa sem ser notada, Isabella estava estacionando em frente a casa dos Cullen tomando consciência do que estava fazendo. Segurou firmemente o volante e respirou fundo algumas vezes – Por que a consciência veio me visitar agora? Estou voltando para a casa amanhã e eu só quero seguir o que a dona... quer dizer, a Esme sugeriu. Não quero ir embora deixando uma má impressão para o resto da família, principalmente para o garoto e eu quero poder conhecê-lo, na verdade quero me apresentar melhor para ele – falou consigo mesma no carro.
Continuou respirando e ela ainda não sabia do porque estava nervosa e com as mãos trêmulas.
– Tenho quase dezesseis, sou quase uma adulta e eu não preciso desses tremores. — continuava a dizer fazendo-o soar como um mantra para encorajá-la até que soltou um sonoro grito para aliviar a tensão e abriu a porta do carro, seguindo para a entrada da casa.
Isabella tocou a campainha uma, duas, três, quatro vezes, mas ninguém atendeu. Esperou alguns minutos e repetiu o processo e mais uma vez não obteve resposta.
– Pelo visto não tem é ninguém em casa ou eles dormem feito pedras. – respirou fundo, vencida, antes de virar-se e dar as costas para a porta.
Ao chegar no carro, ela parou mais uma vez e olhou novamente para a casa reparando pela primeira vez desde que havia chegado ali que não havia uma luz acesa sequer. Derrotada pelo impulso ela soltou apenas um sussurro antes de abrir a porta do carro.
– Desculpe-me – abaixou a cabeça para entrar no veículo, mas mal teve tempo de entrar e sentiu o impacto na parte de trás da cabeça ao ouvir seu nome sendo chamado por um homem assustando-a e no processo batendo a cabeça no carro.
– Isabella!
Um homem alto, loiro, jovem e muito bonito estava a sua frente e ela sabia exatamente quem era. Carlisle Cullen, pai da pequena Rosalie e do menino autista. Seu rosto encontrou o calor da vergonha que começou a adquirir desde o momento em que soube de Edward.
– Senhor Cullen eu só – tentava encontrar sua voz que estava se perdendo – Hoje eu encontrei com sua esposa na saída do colégio dos pequenos e – abaixou a cabeça para olhar o asfalto e suas mãos se contorciam enquanto falava – E ela me contou sobre o seu filho e... E eu só...
– Esme me contou do encontro de você hoje, não precisa dizer nada. Sei que está tarde para uma adolescente como você estar fora de casa e seus pais devem estar preocupados, mas você gostaria de entrar... Tomar um suco, talvez.
Isabella não soube o que dizer, o que as palavras preocupadas do Sr. Cullen fez em seu âmago. Poderia parecer até um absurdo, mas ela sentiu carinho em sua preocupação e era a primeira vez, primeira troca de palavras que ela havia tido com ele. Raramente ela sentia isso vindo de seu pai. E bem além da verdade, seus pais resumiam-se em duas únicas palavras. Dinheiro e Status. Foi impossível não fazer comparações entre os seus pais com o casal Cullen.
– Não se preocupe com meus pais, tenho certeza de que eles não se preocuparão comigo por um tempo. – tentou soar descontraída para Carlisle que franziu o cenho, mas não questionou.
Isabella voltava a bater a porta do carro, mas antes de segui-lo segurou seu celular na mão protelando se mandava uma mensagem para seus tios ou não. O “não” venceu então ela desligou o aparelho colocando-o no bolso do casaco. Ao virar-se para segui-lo, mais uma vez sua mente fez comparações. Carlisle abria a porta traseira do carro e de lá, retirava uma doce menininha de cabelos amarelos que dormia tranquilamente. Isabella se perguntou se alguma vez em sua infância seu pai havia tido esse gesto tão simples, mas que demonstrava muito, com ela. Mas antes que ele pudesse acrescentar o que estava prestes a sair de sua boca “ não quero atrapalhar”, Carlisle sacudiu um pequeno molho de chaves e pediu para que Isabella o pegasse e abrisse a porta para que eles entrassem.
Ao adentrar na casa, Carlisle pediu licença e subiu as escadas com sua filha nos braços levando-a para o quarto. Isabella ficou parada no lugar olhando para os cantos do cômodo. Sua mente juvenil estava a mil. Carlisle logo voltou e ela franziu o cenho ao vê-lo passar por si. Isabella seguiu-o com o olhar e foi aí que reparou que havia deixado a porta aberta. Se chutou várias vezes mentalmente por aquele "vacilo".
Carlisle voltou para ela com um sorriso afetuoso no rosto e pela terceira vez na noite comparou-o com seu próprio pai. Será que já vi meu pai sorrir assim para mim? Fiquei tantos anos longe de casa que não me lembro. Não sabia dizer, pois só vinha em casa para as festas de fim de ano.
– Me acompanha num suco?
– Onde a Esme está? – soltou sem conseguir frear a boca.
Carlisle sentiu um nervosismo na voz de Isabella. Pensou que talvez a garota estivesse com medo de está ali sozinha com ele ou medo dele propriamente.
– Ela não está aqui. – disse simplesmente e Isabella arregalou os olhos com sua resposta, mas logo Carlisle começou a falar o motivo de sua ausência enquanto dirigia-se para a cozinha. A garota viu-se seguindo – Quando cheguei em casa, não vi meu filho aqui na sala como ele costuma a me esperar e quando perguntei por ele, Rose disse-me que ele estava no quarto de brinquedos e não me preocupei, pois ali é o seu lugar favorito da casa. – Carlisle pegou dois copos grandes, a jarra de suco de laranja de dentro da geladeira e serviu-os enquanto continuava a falar – Fui até minha esposa e foi aí que ela me contou que te viu na porta da escola em que minha pequena estuda, quando terminou eu fui ver meu filho, pois o mesmo ainda não havia aparecido para me dar o abraço que sempre recebo ao por os pés dentro de casa. Quando cheguei lá ele estava deitado no puff dormindo. Peguei-o para levar até seu quarto e pô-lo na cama e foi aí que o senti quente. Edward estava com febre e levamos ele ao hospital e é por isso que Esme não está aqui agora, ela ficou com ele em observação. Os médicos que o avaliaram não souberam dizer o que ocorreu para que ele tivesse febre.
Quando Carlisle parou de falar, tomou o seu suco a goles grandes enquanto o de Isabella continuava cheio. Intacto. Seus olhos estavam mais aguçados, seus ouvidos bem mais atento para a conversa, mas sua voz estava presa na garganta.
Isabella queria saber mais sobre o menino que tanto a encanta, agora que conhece a verdade sobre ele, sobre suas dificuldades e barreiras, mas ela não poderia obtiver essa resposta, pelo menos não agora.
– Não gosta de laranja? – perguntou ele apontando para o copo sobre a bancada tirando Isabella de seu torpor. Sentiu, ela que estava na hora de começar a por a educação que sua mãe a obrigou a ter e que nas aulas de etiquetas, ela era o “terror das menininhas”.
– Sim. Adoro laranja, perdoe-me pela minha falta de educação. – pegou o copo e levou aos lábios bebericando o líquido doida para virá-lo de uma vez.
– Não há do que lhe perdoar criança, eu já tive a sua idade e também fui muito curioso em certo momento enquanto crescia. Isso é normal. – Isabella iria retrucar quando o ouviu chamá-la de criança, mas nada fez.
– Mesmo assim, senhor, eu não deveria ter feito aquilo. Tenho certeza de que não fui educada assim e como prometi para a sua esposa, lhe farei a mesma promessa. Controlarei minha curiosidade.
– Tenho certeza que sim. – sorriu – Mas seja você mesma, apenas e se ser curiosa faz parte de você... Que seja, mas tenha apenas cautela. – piscou no final da frase fazendo-a ficar com o rosto rubro.
Bebericou mais uma vez seu suco recebendo mais uma vez o carinho nas palavras vindas deste homem que viu apenas duas vezes na vida. Isabella queria conhecer melhor essa família, assim pensou, mas acabou se deparando com um imprevisto que não tem como premeditar. Mas ela ainda se conhecia e ao que tudo indica o homem a sua frente sabia ler suas feições perfeitamente. Só ela que não.
– Pode perguntar o que quiser minha filha. Sei que deseja isso. – os olhos da garota denunciaram espanto.
– Como o senhor sabe?
– Tenho dois filhos e os conheço muito bem, conheço suas feições.
E pela quarta vez na noite ela o comparou. Seus pais não a conheciam e tudo o que ela deseja tem que verbalizar ao contrário deste homem com quem ela estava a poucos minutos dividindo uma jarra de suco de laranja.
– Você me conhece melhor que meus pais. – ela disse tão baixinho que Carlisle não pôde ouvir. Uma melancolia atravessou seu rosto e por um momento desejou ter nascido naquela família. Desejou ser uma Cullen ao invés de uma Swan.
Carlisle anda em volta da bancada e para ao lado de Isabella. Ele toca-lhe o ombro e começa a responder a sua pergunta não verbalizada sentando-se ao seu lado.
– Devo dizer-lhe que hoje está mais fácil educar meu filho. Hoje eu o compreendo melhor do que a alguns anos atrás. Mesmo ainda pisando em ovos em determinadas situações, Edward é uma criança incrível e inteligente. Tem suas dificuldades maiores que outros, mas quem não tem? Apesar dele ser autista e sua atenção ser maior, nós estamos o educando e criando como uma criança normal de treze anos. Ele conhece suas limitações e nós sabemos a nossa. No aniversário da Rose, quando você entrou em seu quarto, você sem saber ultrapassou esse limite e aquela foi uma reação normal para ele. Espero que você entenda isso. – Isabella acenou com a cabeça a Carlisle lhe agradeceu com um sorriso.
– Como será quando ele crescer e estiver adulto? – soltou a pergunta antes mesmo de raciocinar se deveria perguntar ou não.
– Vivemos um dia de cada vez. Amando-o e respeitando.
A resposta ficou no ar e pela quinta vez comparou – Será que meu pai... Ou minha mãe fala de mim com seus amigos com carinho? — balançou a cabeça em negativo. A tristeza ia tomando sua mente cada vez mais.
– Acho que já está na hora de voltar para casa, não é mesmo? – com medo de falar algo que provavelmente se arrependeria depois, ela levantou-se, deixando meio copo de suco ainda e foi em direção a saída com Carlisle logo atrás. Abriu a porta e acompanhou-o até o seu veículo.
– Bem senhor Cullen, desculpe-me ter aparecido sem um aviso, eu só... Bem, eu nunca conheci nenhuma pessoa autista ou com qualquer outro tipo de doença eu só queria conhecer seu filho, quer dizer, vê-lo de forma correta e não da forma como aconteceu. Estou voltando para minha cidade amanhã cedo e... Bem, estimo melhoras ao seu filho e diga a Esme que eu vim aqui, por favor!
Carlisle a achava tão pequena que duvidava ter a idade que disse ter a sua mulher, mas mesmo pequena e de aparência frágil só a ação e a forma com que conversaram percebeu a forma que trazia dentro de si e naquele momento ele desejou que ela não fosse embora de Seattle e que tornasse amiga de seu filho.
– Pode ter certeza que darei seu recado, mas antes, irei te acompanhar até sua casa em meu carro.
E a infeliz comparação quebrou a porta de vez. Isabella estava a ponto de estourar e bater sua cabeça no capô do carro, ela não agüentaria mais essas comparações indesejadas que surgia em sua mente. Estava perto de se jogar nos braços do senhor Cullen e pedir para que ele a adotasse, pois ela sabia que não vivia em um lar cheio de amor e carinho e foi como um tapa na cara perceber isso e aceitar. Isabella apenas agradeceu o carinho com o que ele a recebera tão fora de hora e o lembrou de que não poderia acompanhá-la pois havia uma criança na casa ainda.
Suspirando resignado por tê-la que deixar ir, mas não sem antes dar os conselhos que todo pai zeloso transmite a um filho: tenha cuidado; dirija com cuidado; não pare para nenhum estranho e vá direto para a casa.
Sua mente traidora fez pela sétima vez e agora sozinha dentro do carro ela gritou, socou o inocente volante e lágrimas rolaram de seus olhos. Foi assim que Isabella chegou em casa. Como o rosto manchado pelas lágrimas ás 22hrs e 18 min. Ninguém se encontrara acordado. Achava ela. Por um lado era um alívio, assim não precisaria dar nenhuma explicação para ninguém, mas por outro lado, sua mente gritava maldições para sua própria família.
– Tenho que aceitar que não só os empregados de meus pais são assim, até os empregados da família do meu tio são frios como seus patrões. – disse que se viu sozinha em seu quarto. Com a cabeça no travesseiro, Isabella pensou nos seus tios. Eles eram iguais á seus pais e um sentimento de pena aflorou seu ser pelo seu primo e temia que crescesse como o resto da família, ou igual a ela... Sozinha. Pediu a Deus para que ele tivesse um destino melhor que o dela.
Quando o dia raiou e a cidade começou a funcionar, Isabella estava dentro de um avião em direção a sua casa. Ao colégio interno e Edward tendo alta do hospital.
– Tivemos uma visita inesperada ontem á noite.
Assim que entraram no carro, Carlisle começou a conversar com Esme. Estavam apenas os três no veículo, Rosalie estava já na escola. Carlisle olhou pelo o retrovisor e viu Edward destraído olhando para fora do veículo, assim começou a contar sobre á visita de Isabella baixo. Quando finalizou todo o ocorrido, Esme sentiu em seu âmago o carinho que adquiriu no dia anterior pela garota, aumentar.
Ao chegar em casa, Edward foi direto para o seu quarto. Entrou e fechou a porta passando o trinco na mesma. Retirou uma folha de papel de debaixo de seu colchão e ficou olhando para o desenho. Sem pensar em nada. Sem falar nada. Apenas ficou olhando para o desenho que havia feito de seu rosto no sábado á noite à festa. O rosto de Isabella.
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