Amor Após a Morte

8 07. Cansada de ser educada - Maríe


07. Cansada de ser educada — Maríe

E agora Jane corria para longe dali.

Seus cabelos esvoaçavam com o vento. Ela estava bem.

A perfeitinha era exatamente a mesma de sempre.

Ela ficaria com sua alma.

Por outro lado teria que fingir desapontamento com ela, quando aquela demoniza estivesse por perto.

- O... Que você fez com Jane sua capeta? – Tentei fazer com que minha voz parecesse desapontada e desesperada. Aparentemente com sucesso.

O que se prosseguiu na face do demônio – ou demoniza – foi um sorriso deliciado.

Víbora.

- O mesmo que sempre faço com todos queridinha. – Ela agora me encarava, com o sorriso deliciado ainda na cara. – Mas a questão não é essa mal educadinha. Você não ouse em me responder de novo. — Seus olhos aparentavam fúria. Eu havia novamente passado dos limites.

- O que você faz aqui nesse estado, querida Maríe? Pretende ir morar em um bueiro?

Trinquei os dentes com raiva. Ela não poderia nem de longe saber o que acontecera. Pular da janela e fugir do meu... Castigo... Digamos assim, já era o suficiente para ela me punir severamente.

- Eu só quis dar uma volta. Você trancou-me no quarto, então pulei a janela e acabei me molhando mais do que o desejado com a chuva. – fiz uma careta fingindo nojo. Realmente eu estava cheirando á mofo. – E quando estava chegando aqui no cemitério, tropecei em um pedaço de madeira.

- Burra, desastrada, mais confiante. – Ela riu ironicamente só para si.

Fiz uma careta para ela. O que custava ser criança agora que eu já estava no inferno mesmo. O máximo que ia me acontecer era ficar trancada no quartinho de novo.

- Entendo que queira ficar com sua irmãzinha, Maríe, mas ela agora NÃO TEM ALMA. Ela jamais irá te amar novamente.

Quando ia retrucar, pensei seriamente nas consequências que Jane sofreria se eu dissesse que ela ainda me amava.

Fechei a boca com a mesma rapidez que a abri.

Depois, quando ia fingir uma frustração falsa, ouvimos ao longe um grito cansado:

- PARE! ............

Viramos a cabeça em sincronia para o lado de onde viera o grito desesperado.

Depois só se seguiram sussurros, como em uma conversa normal.

- Você vem comigo. – A demoniza então me puxou pelo braço, me forçando a andar até dentro do palácio.

Ou era o que eu pensava. Chegando perto da porta do mesmo ela desviou, contornando a torre principal e me levando até uma portinha que estava pregada no chão.

- Você tá de brincadeira comigo né? Só pode. – Falei em um tom de sarcasmo. – Agora inferno também tem calabouço? Que falta de originalidade para um demônio.

Sua fúria estava presente em seus olhos, que me fuzilavam. Ela tentou me forçar a entrar na porta, enfim aberta.

Como se fosse resolver alguma coisa, eu a chutei na canela e sai correndo, enquanto a demoniza não gritava para seus vultos me caçarem.

Como não demoraria muito para isso acontecer, corri o mais rápido que pude. Muitos deduziriam que eu estava tentando desviar dos pingos da chuva, com o tanto de curvas que eu fazia.

E como o previsto, sua voz tenebrosa soou como um raio ao longe:

- Maríe!!!!!!!!!! Pare ou irá arcar com as consequências quando resolver voltar!!!

Resolver voltar? Pêra aí. Ela me deixaria fugir? Ela saberia que se eu fugisse, eu teria que voltar?

Parei. Mas não foi por sua ordem. Eu não tinha tanto medo da punição. Tinha medo do que ela era capaz de saber.

Podia sentir seu sorriso deliciado nas minhas costas.

Ela agora caminhava com passos decididos atrás de mim.

- Como eu esperava. Você é extremamente covarde Maríe.

Novamente trinquei os dentes e me virei.

Agora seu vestidinho vinho estava encharcado e cheio de folhas, assim como eu.

Eu desviei de sua carniça, e fui até a árvore mais próxima, escalando-a.

- Não vai a lugar algum. – Ela rosnava para mim.

- Você que pensa. – E continuei andando de costas para ela.

Subi então na árvore, e depois me agarrei na janela do palácio mais próxima de mim. A MINHA janela estaria naquele andar. Então, com muito cuidado fui me pendurando de janela em janela, até chegar à minha.

Entrei com o maior cuidado possível tentando encostar no menor numero de coisas que eu pudesse sujar. Fui para o banheiro tomar o banho mais demorado do mundo.

E depois, me troquei e fui dormir.

Nada iria estragar a minha noite. Nem a demoniza dos infernos. Eu tinha visto, com meus próprios olhos, a encarnação da perfeição...

Notas finais
Espero que gostem e por favor, deixem os seus reviews... É bom para o autor e não mata!